Pela varanda ele a observou sair do prédio vestindo um vestido amarrotado e o casaco longo e entrando num taxi qualquer enquanto Jon sentia a náusea tomar conta de si. Ele se sentou sobre a cama e fechou os olhos enquanto tentava entender como tudo aquilo havia acontecido.

De todas as garotas naquela festa, de todas as garotas da cidade, não bastava ter ido pra cama com uma menor de idade, ela tinha que ser a irmã caçula do melhor amigo dele. O que Arya estava fazendo na festa ele não conseguia entender. Saindo com um cara que a aborrecia, provavelmente mais velho do que ela...Desde quando Arya Stark tinha encontros? Quando foi que ela deixou de bater em garotos para sair com eles?

Estava soando como um velho decrépito e ridículo pensando daquela maneira. Já fazia pelos menos sete anos que eles não se viam e em sete anos meninas mal criadas se transformam em...Mulheres problemáticas que frequentam festas fetichistas e despistam acompanhantes inconvenientes pra procurar coisas mais interessante.

Sua cabeça estava doendo e com certeza não passaria tão cedo. Ele foi até a cozinha a procura de água e analgésicos e quando voltou para o quarto seu estômago revirou mais uma vez.

Sua cama estava impregnada com o cheiro do perfume dela. Os lençóis estavam sujos e amarrotados. Havia marcas de batom vermelho nas fronhas e pra piora ela havia esquecido a calcinha. Ele contornou aquele conjunto de tiras de renda como se fosse um objeto contaminado com o vírus do ebola e ficou encarando a calcinha sem saber se devia ou não se livrar daquilo antes que alguém descobrisse.

Jon pegou a calcinha e tentou evitar a imagem que vinha a ele de forma quase instantânea. O instante em que ele havia arrancado o vestido dela e tudo o que havia de baixo era aquela maldita calcinha. Por que diabos uma garota de dezessete anos usaria uma calcinha de renda preta tão minúscula quanto aquela? Droga! Por que ele tinha que ficar admirando ela naquele momento como se seu cérebro tivesse derretido?

Ele embolou a calcinha e a guardou no fundo da gaveta de meias. Quanto ao resto do quarto ele mandaria a empregada providenciar para que tudo fosse limpo e desinfetado e se não fosse o bastante talvez ele até decidisse se mudar. Tudo o que ele não precisava era de um ambiente que o lembrasse de como havia sido a noite com Arya Stark. Tão pouco ele precisava se lembrar de como aquela noite tinha superado todos os melhores momentos com Ygritte com uma margem de segurança razoável.

Não. Ele não precisava lembrar da irmã mais nova de Robb Stark daquele jeito. Revoltada com a lentidão dos movimentos dele e implorando por...Por tudo!

Entretanto, não precisar era uma coisa, conseguir banir aquela coletânea de imagens comprometedoras da mente dele era outra bem diferente, ainda mais quando o gosto dela parecia gravado num tipo de memória gustativa e nem toda pasta de dente e enxaguante bucal do mundo parecia capaz de livrar a língua dele daquele tormento.

O resultado foi ele passar o resto do fim de semana desenvolvendo algum tipo de transtorno obsessivo compulsivo com sua higiene bucal e se escondendo do resto do mundo para não ter a menor chance de esbarrar em Robb Stark por acidente.

Quando chegou em seu escritório na segunda feira, ele estava quase rezando para ter milhões de relatórios para analisar e para que o dia fosse movimentado na bolsa de valores, o que manteria a cabeça dele ocupada a maior parte do tempo. Isso e comida mexicana com bastante pimenta deveria ser o suficiente pra acabar com a ressaca moral e metade de suas papilas gustativas. Ele estava quase feliz com a perspectiva de sucesso dessa ideia até Aegon entrar na sala dele usando óculos escuros e com cara de quem não passou nem perto de casa durante o fim de semana.

Aegon se jogou no sofá ignorando completamente que aquele era um ambiente de trabalho e só porque ele não ficava na empresa nem pra fazer de conta que tinha uma vida responsável, não queria dizer que ele tinha o direito de atrapalhar o resto.

- Não acha melhor dormir em casa e só aparecer aqui quando estiver um pouco mais apresentável? – Jon disse sem desviar os olhos do computador.

- Bom dia pra você também. – Aegon respondeu – E eu tenho assuntos urgentíssimos para resolver com você antes de dar um olá pra minha cama.

- E que assunto seria esse? – Jon parou de digitar e voltou suas atenções para o irmão. Aegon tirou os óculos escuros e o encarou com uma expressão que parecia digna do Gato Risonho de Alice no País das Maravilhas.

- Eu sempre soube que essa sua cara de celibatário sofredor era só disfarce, Jon. – Aegon disse rindo ainda mais e Jon sentiu o sangue se esvair de seu corpo. Por um momento ele se perguntou se o irmão sabia quem era a garota que ele havia levado pra casa depois da festa – Então, eu revirei a lista e todos os meus contatos pra tentar descobrir quem era a mulher que fez você perder a linha e até agora não tive nem meia resposta. Quem é a garota?

Jon respirou fundo. Era uma questão de tempo até Aegon conseguir alguma informação, ainda que Arya não tivesse sido convidada pra festa, e guardar aquele segredo não estava fazendo nenhum bem. Talvez, se dividisse aquilo com o irmão, ele conseguisse exorcizar aquele fantasma e fazer de conta que nada havia acontecido.

- Eu não quero que uma palavra a respeito disso saía desta sala, você me entendeu? – Jon encarou o irmão.

- Eu sou um túmulo. – Aegon disse sorrindo satisfeito.

- Você se lembra de Arya Stark? – Jon perguntou desconfiado.

- Não. Não me lembro de ter convidado ninguém com esse nome, mas...Stark? – Aegon arqueou uma das sobrancelhas – Eu só me lembro da bonitinha. Como era mesmo o nome dela? Sonsa, Sansan...Sansa, acho que é isso!

- Sansa é a mais velha das meninas Stark. – Jon resmungou – Estou falando da outra irmã do Robb. Arya.

- A que parecia um menino? – Aegon o encarou confuso.

- Essa! – Jon confirmou.

- O que tem ela? – Aegon estava mais lento do que de costume naquela manhã.

- Eu encontrei essa garota divertida, com um estilo todo rebelde, agressivo e sexy tentando se esquivar de algum cara inconveniente. Nós bebemos, nós conversamos, nós flertamos e quando eu me dei conta eu estava na cama com uma estranha de máscara, cujo nome era um mistério até o dia amanhecer e eu descobrir que aquela...Era Arya!

Aegon arregalou os olhos se endireitou no sofá enquanto processava todas as informações com uma expressão incrédula.

- Não me diga que...Meu Deus do Céu!Eu sabia que você tinha um pervertido dentro de você, mas pegar a irmãzinha do Robb é de mais até pra mim! – Aegon disparou a rir na cara do irmão enquanto Jon procurava qualquer coisa para acertar nele e fazê-lo calar a boca – Me diga que ela não era virgem, porque se este for o caso eu vou ligar agora pro psiquiatra e pedir doses de antidepressivo suficientes para derrubar o Drogo. Se eu bem te conheço você vai precisar delas.

- Obrigado por não me ajudar. – Jon resmungou – Eu já estou tendo um dia ruim o bastante por não conseguir esquecer essa história e você ainda me apronta uma dessas. É tudo culpa sua! Dessa sua maldita ideia de baile de máscaras. Da próxima vez você guarda esse tipo de ideia pras noites que você decidir frequentar alguma casa de swing barata.

- Casas de swing não são baratas. Pelo menos não as que eu frequento. – Aegon respondeu – Eu sei que você leva essas coisas muito a sério, mas qual é realmente o problema dessa vez? E daí que ela é irmã do Robb?

- Ela é menor de idade, Aegon! – Jon respondeu entre os dentes – E não é só isso. Eu a vi crescer. Era como uma irmã, ou prima mais nova na época.

- Ela deve ter uns dezesseis? Dezessete? Não chega a ser um absurdo. – Aegon disse.

- É ilegal. – Jon retrucou.

- Só se ela falar alguma coisa, o que eu duvido que vá acontecer, já que ela não vai querer que a família dela saiba. Mais uma vez, qual é o problema? Ela não é sua parente de sangue, ou coisa do tipo. Ela é só a irmã do seu melhor amigo.

- Isso já é o bastante pra que eu me arrependa. – Jon disse sério, voltando sua atenção para o computador.

- E a pergunta que não quer calar é...Então, foi bom pra você? – Aegon o encarava cheio de expectativas.

Jon ignorou a pergunta do irmão, enquanto digitava qualquer coisa no computador com tanta força que poderia ter furado o teclado com a ponta dos dedos. Aegon se aborreceu e deitou mais uma vez no sofá.

- Pela ausência de resposta eu vou assumir que sim, foi bom. Foi tão bom que você não consegue nem falar a respeito. – Aegon se levantou mais uma vez, com a agilidade de um gato e caminhou em direção à porta – E se quer um conselho. Supera logo o trauma porque o Robb me ligou mais cedo nos convidando pra festa de oficialização do noivado dele, o que quer dizer que você vai ter que encontrar não só o seu amigo, como também a doce e inocente Arya Stark. Aposto que você deve estar grato por eu ter colocado aquelas camisinhas no seu bolso agora, se é que você se deu ao trabalho de usar.

Aegon deixou a sala e Jon respirou fundo. Aquela seria uma semana mais longa do que ele havia esperado.

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Ela queria jogar o celular no lixo depois da trigésima mensagem daquele imbecil do Gendry querendo saber o que tinha acontecido com ela durante a festa. Ela queria aproveitar e queimar o vestido e a maldita máscara que havia usado na festa só pra não ter que lembrar do que aconteceu.

Ao menos seus pais não estavam em casa naquele fim de semana. Robb acabou dormindo na casa da noiva e os meninos ainda dormiam quando ela chegou em casa. Sobrava Sansa e aquele sermão insuportável.

"Garotas de família não chegam em casa com o dia amanhecendo e vestidas neste estado". Com certeza a irmã devia achar que garotas de família viviam em função de arranjar um bom casamento, dois filhos, uma casa na praia, um cachorro e, se tivessem sorte, não teriam que fingir orgasmos por mais da metade da vida. A vontade de enforcar a irmã estava se tornando mais frequente durante aquele resto de fim de semana.

De todas as coisas idiotas a se fazer numa vida, até ela tinha que admitir que ir pra cama com Jon devia ser digno de medalha de ouro. Como aquilo não passou pela cabeça dela antes? Ele nem havia mudado tanto assim nos últimos anos e uma máscara não era o melhor disfarce do mundo. Super-heróis estavam ai pra provar isso.

Um estranho sexy e educado flertando com ela no bar. Em condições normais ela teria ignorado, mas ele era tão fora de moda com toda aquela educação e boas maneiras que ela se perguntou se ele sabia mais do que etiqueta. Se derreter pelo príncipe encantado era coisa que Sansa faria, não ela.

Talvez, e isso era incomodo de admitir, ela o tivesse reconhecido, pelo menos num nível subconsciente, e se deixou levar porque ele foi seu primeiro amor. Era constrangedor lembrar de como ela o seguia para todos os lados quando era criança e das vezes que fantasiou a respeito dele. Era uma paixonite brega e ridícula, mas que por muitos anos ficou gravada na memória dela até ela descobrir através de uma maldita coluna social que ele estava noivo de uma ruiva com cara de biscate.

Foi mais ou menos naquela época que ela conheceu Jaqen e se deixou levar por toda aquela aura de punk rocker estrangeiro. Ele tinha estilo, era mais velho e completamente diferente de Jon em todos os sentidos. Jaqen foi o cara que a apresentou ao lado rebelde da vida com direito a álcool, cigarros baratos, rock'n roll e sexo. A parte das drogas era a única coisa que ela não tolerava de forma alguma e também foi a razão pela qual eles terminaram.

Gendry estava sendo algum tipo de reabilitação para ela. Era o cara certo na hora errada e ai ela reencontrou Jon naquela maldita festa. E Jon era o cara errado na hora certa, a mistura ideal para criar uma obsessão.

Talvez ela desse mais uma chance a Gendry para ocupar a cabeça com outra pessoa que não fosse Jon Targaryen e aquela sua maldita língua milagrosa. Por algum motivo ela não conseguia imaginar o Touro fazendo ela gemer daquele jeito, nem com todo o esforço criativo do mundo.

Ela não queria pensar nessas coisas. Ela não queria pensar em coisa alguma e pra piorar a situação ainda teria de olhar pra cara dele por causa da maldita festa de noivado do Robb e não seria uma surpresa se seu irmão convidasse Jon pra ser seu padrinho de casamento. E Jayne a queria como uma das damas de honra. Aquele casamento ia ser uma viagem só de ida para o inferno.

O telefone tocou pela milésima vez. Ela o alcançou sobre a cômoda e olhou o visor só para ter certeza de que não era Gendry e mais uma de suas mensagens. Era um número desconhecido. Aquilo era algo incomum. Arya abaixou o volume do som e atendeu ao celular sem grande animo.

- Alô. – ela disse com a voz rouca.

- Arya? É você? – a voz era dolorosamente familiar. Arya sentou-se sobre a cama, sem acreditar naquilo.

- Sim, sou eu. – ela respondeu – O que você quer?

- Saber se você está bem. – a voz era séria, quase fria, muito parecida com a voz do pai dela quando ela tinha suas fases particularmente problemáticas.

- Eu estou ótima, obrigada por perguntar. Agora se não se importa, eu estou ocupada tentando fazer de conta que nada aconteceu. – ela retrucou ácida – Até qualquer dia, Jon.

- Espera! – ele agora parecia urgente – Arya, não...Droga! Eu estou preocupado com você e com toda essa situação maluca.

- O que exatamente está te preocupando? Acha que eu vou contar pra alguém que você...Acha que eu vou contar pra alguém que eu estava naquela festa e acabei indo para no seu apartamento? Eu não sou louca, ao contrário do que dizem. Pode ficar tranquilo quanto a isso. – ela revidou ríspida.

- Eu sinto muito. – ele disse num tom de voz tão penalizado que o coração dela ficou apertado dentro do peito. Aquele era Jon, não um dos caras com quem ela havia se envolvido e que não valiam nem o sal que comiam. Jon era um cara legal, ele sempre foi – Eu me preocupo com você e como está lidando com isso. Você é como uma irmã pra mim.

- Acho que tudo já está complicado o bastante sem colocar nenhuma relação de parentesco no meio, então para de falar coisas assim. Você não vai melhorar em nada as coisas. – Arya respondeu seca – Olha, eu estou bem. E você, vê se me esquece. Aliás, como foi que conseguiu o meu telefone?

- Aegon conseguiu pra mim. – Jon respondeu.

- E obviamente você contou o que aconteceu pro seu irmão. Claro, que ideia brilhante. – ela praticamente rosnou – Olha, só não me liga mais, tá legal?

- Eu queria me encontrar com você. – ele disse antes que ela tivesse a chance de desligar o telefone na cara dele .

- Pra que? Jon, faz de conta que não aconteceu. Quando me encontrar no jantar de noivado apenas faça cara de surpreso e diga o quanto eu cresci e como você ainda se lembra de quando eu era uma garotinha.

- Agora é você quem não está ajudando. – ele disse parecendo desconfortável do outro lado da linha.

- Tchau, Jon. – ela não esperou por uma resposta ou coisa do tipo, apenas desligou o telefone e o jogou do outro lado do quarto na esperança de que ele quebrasse.

O que ele poderia querer com um outro encontro? Ela sabia o tipo de cara que ele era. Provavelmente tudo o que Jon queria era encontrá-la cara a cara e dar mil e uma desculpas, quem sabe até se oferecer para pagar um psicólogo pra ela, ou coisa assim. Por que ele não podia ser como os outros nessa hora? Por que ele não podia ligar para ela querendo repetir a dose, ao invés de fazê-la se sentir mais culpada por não ter superado aquela paixonite ridícula?

Esse era o problema com príncipes encantados. Eles estavam sempre preocupados de mais com o que era certo pra entender que ela odiava ser colocada no papel de donzela indefesa.

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A casa dos Stark não tinha mudado muito desde a última vez em que ele esteve ali. Havia carros parados ao longo da rua e as luzes do jardim estavam acesas. Ele levou uma garrafa de vinho para os donos da casa e rezou para que Arya não o recebesse na porta. Aquilo seria o cúmulo do constrangimento.

Aegon estava junto com ele e por um lado Jon se sentiu grato por ter algum apoio moral, ainda que duvidoso. A verdade era que o meio irmão dele estava ali pra ver a tragédia de camarote.

Ned Stark foi quem os recebeu. Jon não conseguiu conter a sensação de desconforto ao ficar na presença do homem a quem considerava como um segundo pai, enquanto respirava o mesmo ar que Arya. Ele tentou usar o seu melhor sorriso. Cumprimentou Robb e Jayne e tentou parecer feliz pelos dois.

Bran já era um rapaz de dezesseis anos e estava terminando o ensino médio, enquanto Rickon cursava o ginásio. Os dois não haviam mudado muito e foram extremamente educados e simpáticos com ele.

Sansa apareceu em seguida, mais bonita do que nunca e um modelo de boa educação e gentileza. Aegon ficou encarando a Stark mais velha como se estivesse prestes a avançar sobre ela, o que Jon não duvidava que pudesse acontecer se Sansa desse chance. Aquilo seria um desastre.

Ele a viu descendo as escadas usando um vestido xadrez de vermelho e preto. Maquiagem pesada como a da noite da festa, cabelo desarrumado e toda aquela audácia e rebeldia em seus modos. O que diabos ele tinha visto nela pra ficar tão fascinado era um mistério, mas a verdade é que ele se pegou imaginando se ela estava usando uma calcinha parecida com a que tinha esquecido no apartamento dele.

- Eu te perdoo pela burrada. – Aegon disse junto ao ouvido dele – A tal garota tem muito potencial. – ele teve de se controlar pra não socar o irmão pelo comentário cretino, enquanto Arya vinha em direção a eles como se o desafiasse a dizer alguma coisa.

Ela cumprimentou Aegon primeiro, como se Jon fosse invisível ou algo assim. Em seguida Arya se virou para encará-lo. Ela sorriu com seus lábios vermelhos e lhe deu um beijo de cada lado da bochecha, quebrando o protocolo e deixando-o desconfortável com tanta proximidade.

Sua mão pousou imediatamente no fim das costas dela e seu corpo reagia ao calor, ao perfume e à proximidade. A parte trágica de tudo aquilo era saber que mesmo não podendo, uma parte dele ainda a desejava. A garotinha encrenqueira e divertida havia crescido e se transformado num problema do tamanho do mundo e ele tinha um talento natural para se envolver com mulheres difíceis.

- É tão bom vê-los aqui. – ela disse dissimulada – Já faz tanto tempo que não nos vemos, não é mesmo?

- Muito tempo mesmo. Nossa, como você está diferente. – ele disse tentando entrar no jogo e ela sorriu.

- Fiquem a vontade. Eu tenho que ajudar Sansa e minha mão com algumas travessas. – ela disse dando as costas a eles. Aegon deixou um assovio longo escapar.

- Se você não quiser, eu aceito o desafio sem um pingo de remorso. Ela é quase uma versão adolescente e levemente mais feminina de Joan Jetts com um toque de grife. Eu gosto disso. Tem potencial. – dessa vez Jon acertou um soco no braço dele.

- Faz o favor de calar a boca! – ele resmungou e Aegon desistiu dos comentários enquanto os dois seguiam em direção a sala de estar, onde os convidados estavam.

Ele não conseguia perdê-la de vista, não importava o quão distraído ele estivesse em uma conversa. Arya parecia estar coberta de tinta vermelha e com um letreiro em neon na testa dizendo "Olhe". Jon chegou a pensar que ela estava fazendo de tudo para provocá-lo, a começar pela forma como ela andava, e como falava com um ou outro convidado e fazia de conta que ele era invisível.

Queria uma chance de falar com ela a sós e tentar entender o que aconteceu, mas a verdade é que quando pensava em se aproximar de Arya suas mãos ficavam suadas, seu coração acelerava e ele se lembrava de como era a sensação de tocá-la entre as pernas. Parecia um velho pervertido tendo delírios eróticos com uma colegial e aquilo era patético, pra dizer o mínimo.

Talvez ela tivesse razão em dizer que o melhor era fazer de conta que nada havia acontecido. Ela parecia lidar bem com isso e até debochar da cara de desesperado dele. Arya se tornou uma garota cruel, quase diabólica com toda aquela audácia e toda aquela sensualidade descabida.

- Perdido no seu mundinho? – a voz de Robb soou junto dele e Jon se virou para encarar o amigo.

- Eu estava pensando em um assunto urgente da empresa. – ele se apressou em dizer.

- Acho que é a única coisa que você tem pensado depois que Ygritte foi embora. – Robb disse de forma simpática – Jon, ela não era a pessoa certa. Sem duvida você merece coisa melhor do que uma modelo aspirante à atriz de quinta categoria. – ele teve que se controlar para não rir naquele momento. É ele merecia coisa melhor. Transar com uma adolescente mascarada que por um acaso era a irmã do melhor amigo dele parecia um começo promissor.

- Não vamos falar do meu fracasso amoroso. Hoje é seu dia. Você achou a garota certa e agora vai começar sua própria família. Estou feliz por você. – Jon disse num esforço de desviar o assunto.

- É, Jayne é ótima. Eu nem acredito que eu consegui criar coragem para pedi-la em casamento. – Robb disse rindo nervoso – Você não acreditaria se eu falasse o quanto eu estava tremendo na hora. Achei que ia enfartar e acabar fazendo o pedido no pronto socorro do hospital.

- Seria bem original. Desesperador, mas original. – Jon riu – Sua mãe e Sansa devem estar entusiasmadas com tudo isso.

- Elas estão eufóricas. Sansa vai acabar deixando Jayne louca se não parar de falar sobre toalhas de mesa, flores e vestidos de noiva. Ainda bem que Arya não dá a mínima pra essas coisas, o que quer dizer que ela é a única mulher da família com quem Jayne tem falado a respeito de assuntos que não envolvam casamento. – Robb disse rindo.

- E como Arya tem passado? Fazia muito tempo que eu não a via. Ela está bem diferente. – Jon disse tentando parecer indiferente.

- Problemática. – Robb admitiu – No fim de semana passado ela chegou em casa com o dia claro e não disse pra ninguém aonde foi, ou com quem foi. Ela teve um namorado bem esquisito uns tempos atrás. O cara acabou sendo preso por tráfico de drogas e porte ilegal de arma. Dá pra imaginar que meus pais estão ficando loucos com ela.

- Ela está envolvida com drogas? – Jon estava genuinamente preocupado.

- Não. Drogas não, mas já apareceu bêbada em casa e fedendo a cigarros. De uns tempos pra cá ela parece mais controlada, mas com ela nunca se sabe. – Robb disse sério – As notas na escola são boas. Ela disse que parou com o cigarro por causa do preparo físico. Ela esta praticando esgrima e é muito boa nisso.

- Ao menos álcool não é o pior dos males. – Jon disse sério e Robb concordou com um aceno de cabeça.

- Ela é muito fechada. É difícil saber o que ela está planejando, ou o que pretende da vida. Vocês costumavam conversar bastante, não é? – Robb perguntou olhando para o amigo – Arya sempre te respeitou, não sei por que. Se não for pedir de mais, se importaria de se aproximar dela novamente? Eu sei que sua vida é tumultuada, mas acho que ela ouviria você, ou ao menos abaixaria a guarda um pouco.

- Não era você quem dizia que perto de mim ela era mais descontrolada do que o normal? – Jon perguntou constrangido.

- Só porque ela tinha uma paixonite por você. Arya vivia tentando te chamar a atenção. Agora você não se encaixa nos padrões de caras com quem ela sai, mas ainda acho que você pode ser uma boa influência pra ela. – claro. Uma ótima influência, ele dizia. Se Robb soubesse o tipo de influência que Jon podia ter sobre ela, com certeza não estaria fazendo uma oferta tão cretina quanto aquela.

- Posso tentar falar com ela, mas não garanto que ela vai me ouvir. – Jon respondeu. Aquilo estava ficando cada vez pior – Acho que tenho um dom para atrair pessoas problemáticas. A começar pelo meu irmão. – Robb gargalhou em resposta. Aquilo era uma piada de muito mau gosto.

O jantar foi servido e por algum motivo que ele desconhecia completamente, Arya acabou se sentando ao lado dele na mesa. Aegon encarou a cena como se estivesse diante da melhor comédia da cidade.

Comer na presença dela já seria uma situação difícil. Comer ao lado dela, sentindo o calor irradiando de seu corpo e todos os toques e esbarrões acidentais, tornava aquele jantar um verdadeiro inferno. Arya parecia ignorar aquilo, o que ele tinha que admitir que era uma habilidade extremamente conveniente.

Ela se dirigiu a ele diretamente duas vezes. A primeira para oferecer salada e a segunda para pedir pelo saleiro. Ned Stark começou a falar alguma coisa sobre o tempo em que Jon frequentava a casa dos Stark e de como ele sentia falta dele por lá. Houve alguns discursos emotivos sobre Jayne ser uma pessoa muito bem vinda à família e de como todos estavam orgulhosos de Robb ter encontrado uma mulher tão boa quanto ela. Enquanto isso, Jon tentava conter a vontade de deslizar sua mão pela coxa de Arya.

Arya se levantou da mesa após a sobremesa e foi até a cozinha. Muitos dos convidados já estavam indo embora e os Stark estavam se despedindo deles. Aegon estava conversando com Bran a respeito de vídeo games, o que devia fazer sentido, levando em consideração que seu irmão tinha uma idade mental de dezesseis anos.

Ele aproveitou o momento para ir até a cozinha e falar com ela, sem saber exatamente qual seria o conteúdo da conversa. Arya estava encostada na pia da cozinha, esvaziando uma taça de vinho em um só gole. Ela não parecia tão tranquila, indiferente, ou despreocupada naquele momento. A julgar pela cara dela e pela maquiagem borrada, Arya estava tudo, menos calma.

Jon se aproximou com cuidado. Ela não demorou muito para perceber que ele estava ao seu lado, encarando-a com um toque de insistência e preocupação. Ela riu um riso seco e sem qualquer humor. A boca vermelha parecia ter um gosto amargo e viciante.

- É claro. – ela disse irônica – Esperar que você pare de agir como meu irmão mais velho é pedir de mais. O que você quer aqui, Jon?

- Falar com você. – ele disse sério – Por que obviamente você não está bem.

- E quem é você pra me dizer se eu estou bem ou não? – ela o desafiou – Onde você esteve nos últimos sete anos? Você não me conhece, Jon. Então pare de agir como se conhecesse, ou pior, como se realmente se importasse comigo.

- Mas eu me importo, Arya! – ele resmungou tomando a taça da mão dela – Droga! Eu me importo com você, quer você acredite, quer não. Eu não faço ideia do tipo de canalha com quem você está acostumada, mas eu definitivamente não sou um deles.

- Não. Você não é. – ela disse desviando o rosto – Você é a merda do príncipe encantado. Você é o lindo e perfeito Jon. Você está aqui porque não consegue conviver consigo mesmo depois daquela noite e precisa desesperadamente se assegurar de que eu não vou ter nenhum trauma adolescente por ter ido pra cama com você. Dá um tempo. Eu não quero a sua culpa, nem a sua piedade.

- Então o que você quer? – ele perguntou num tom rouco e imperativo – Me diga o que você quer de mim, Arya!

- Eu não quero nada. – ela respondeu voltando a encará-lo – Não sou eu quem está te procurando depois daquela noite. A pergunta é o que você quer de mim?

Aquela era uma ótima pergunta. Provavelmente a questão que ele esteve evitando durante os últimos dias. Ele não conseguia esquecê-la. Também não conseguia pensar em outra coisa que não fosse ela e toda curiosidade que Arya despertou nele em uma única noite. Ela era a irmã mais nova do melhor amigo dele, ela estava fora do seu alcance e mesmo assim Jon estava ansioso por uma chance. Uma chance de descobrir se ela era a garota certa para botar um pouco de caos na vida dele.

- Quando tiver uma resposta, me avisa. – ela disse dando as costas a ele. Jon a impediu de se afastar, segurando-a pelo pulso. Arya parou e o encarou com curiosidade, como se esperasse uma resposta dele, mas a resposta não veio.

Ao invés de falar ele a empurrou cuidadosamente de encontro a pia da cozinha. Tocou o rosto dela como se tivesse medo de que ela pudesse quebrar a qualquer momento. Ela já não parecia tão arredia, nem tão descontrolada. Na verdade, ela se parecia mais com a menina de nove anos que ele se lembrava.

O perfume dela era o mesmo que ainda estava impregnado nos travesseiros do quarto dele. O batom era aquele que havia manchado as fronhas e o colarinho da camisa dele. Aquilo era um erro. Era uma loucura. Mesmo assim ele se inclinou e roçou seus lábios contra os dela, num convite silencioso.

Arya fechou os olhos, enquanto ele deslizava as mãos pelos braços dela. Não chegou a beijá-la de verdade. Aquilo era errado de tantas maneiras diferentes que ele se perguntava aonde queria chegar com isso. Devia estar preocupado em procurar uma mulher estável, de bom caráter e com planos de iniciar uma família. Ao invés disso ele estava desesperado para beijar uma adolescente problemática e implorar para que ela o encontrasse outra vez, em um lugar mais discreto onde eles poderiam fazer mais do que trocar simples beijos.

- Vocês dois deviam ser mais discretos. – a voz de Aegon soou divertida, fazendo Jon se afastar dela o mais rápido possível – Jon, acho que nós devemos ir.

- É, você tem razão. – ele concordou lançando um olhar ansioso para ela – Eu tenho que ir.

- Boa noite pra você, Arya. – Aegon sorriu para ela e Arya se limitou a acenar a cabeça. Jon não teve coragem de dizer mais nada. Apenas seguiu o irmão para fora da cozinha.

Os Stark estavam na porta da casa. Jon se despediu de todos, deixando Robb pro final. Seu estomago revirou ao lembrar de como ele queria agarrado Arya a minutos atrás. Agora tinha que fingir ser um santo na frente do irmão dela, o melhor amigo dele.

- Obrigado por terem vindo. – Robb disse sorridente – E eu tenho mais uma coisa pra te pedir. Eu sei que estou abusando da sua boa vontade, mas acho que é a melhor hora para falar a respeito.

- Peça o que quiser, Robb. – "só não me peça para ter bom senso perto da sua irmã" ele pensou.

- Quero que seja meu padrinho de casamento. – Robb disse de uma vez e diante do olhar atento de todos os Stark, ele não tinha como recusar o convite – Você aceita?

- É claro que sim. – Jon disse tentando parecer simpático. Aegon fez o possível pra abafar o riso.

Eles entraram no carro e tudo o que Jon queria era que o irmão ficasse calado durante todo caminho. Obviamente esperar isso de alguém como Aegon Targaryen era o mesmo que pedir para o mundo não girasse. O irmão ao menos teve a decência de não abordar o assunto logo de cara. Esperou até que Jon estivesse a alguns quarteirões de distância da casa e mais controlado.

Aegon respirou fundo antes de falar. Ele levou a mão a testa e massageou as têmporas pressentindo a dor de cabeça que viria.

- Eu sei que sempre disse pra você ser uma pessoa mais espontânea, mas não acha que tentar agarrar Arya Stark na cozinha da casa dos pais dela é de mais? – Aegon disse – Não me leve a mal. Eu acho que você deve seguir em frente com ela, se é isso o que quer, mas ela ainda é menor de idade e isso pode virar um escândalo.

- O que está querendo dizer, Aegon? – Jon disse enquanto tentava manter o foco no transito – Como eu posso querer seguir em frente com ela? Ela é uma criança! Uma adolescente problemática e irmã do meu melhor amigo! Eu não devia querer passar nem perto dela!

- Mas passou, mesmo sem saber quem ela era. Mais do que isso, você está doido pra repetir a dose. – Aegon disse sério – Sejamos honestos aqui. Você não é o tipo de cara que supera uma mulher da noite pro dia. Além disso você tem uma queda por mulher problemáticas, você adora um caso perdido. Ygritte era a garota errada, todo mundo sabia disso, mas você botou uma aliança no dedo dela do mesmo jeito. A diferença aqui é que Ygritte não tinha chance de concerto. Ela queria agito, queria fama, queria ser o centro das atenções e você queria uma companheira. Você ia ficar remoendo essa história pro resto da vida se essa garota não tivesse aparecido. Arya Stark não é problemática, ela é o problema. Se você conseguisse não se apaixonar por uma mulher depois de transar com ela, eu diria pra você apreciar sem moderação. Mas você não é assim e eu posso até ver você querendo um relacionamento sério com ela.

- E qual o problema em querer um relacionamento sério? – Jon perguntou contrariado. Aegon revirou os olhos.

- Nenhum, quando é isso o que ambos os lados querem. – ele disse – Sério, Jon. A garota tem dezessete anos, vai fazer dezoito em breve. E ai, o que você vai fazer quando ela for maior de idade? Vai assumir um namoro com ela, vai até criar coragem pra contar pro Robb que está sofrendo de uma paixão demente pela irmã mais nova dele e se der sorte ele vai dizer "melhor você do que um babaca viciado". Ai você vai passar um ano, ou dois tentando sustentar essa relação ignorando o fato de que ela é nova de mais pra querer pensar em se prender a uma pessoa dessa forma.

- Só por que você tem pavor de relacionamentos não quer dizer que todo mundo tenha. – Jon revidou indignado.

- Jon, o que você entende por relacionamento sério é viver com uma pessoa e fazer planos de construir uma família. O que garotas na idade dela entendem como relacionamento sério é um namoro que dure seis meses. – Aegon disse seco – Ela não faz ideia de onde está se metendo. No momento você é o cara mais velho, o cara que deixou ela louca por algumas horas, a paixonite de infância virando realidade. O problema é que eventualmente você vai querer estabilidade, vai querer fazer planos e vai colocá-la no centro disso e quando se der conta ela vai estar tocando fogo em tudo, porque uma vida estável, com um cara certinho é tudo o que Ned e Catelyn querem pra ela e tudo aquilo que ela despreza. O que eu quero dizer é que você tem que tomar cuidado. Não pula de cabeça nessa história, não se apaixone por ela, porque a chance dela ser pior do que a Ygritte existe e eu não quero te ver sofrendo por causa de um par de meias três quartos.

Ele deixou Aegon e seguiu pro apartamento desejando aspirinas e um sono sem sonhos. O que o irmão falou até tinha alguma razão, mas Jon não estava disposto a pensar a respeito.

Jon fechou a porta de casa, foi até a cozinha tomar um copo de água e quando foi para o quarto era como ser atingido em cheio pelo perfume dela que parecia estar impregnado em todos os cantos daquele quarto. Ele se jogou na cama e fechou os olhos, tentando não pensar em como Arya estava mexendo com os nervos dele.

Era sexo, nada mais. Ele não sabia mais quem ela era depois de sete anos sem vê-la. Não sabia do que ela gostava, do que ela não gostava, que carreira pretendia seguir, ou se ela tinha planos para o futuro. Tudo o que ele sabia era que Arya havia se tornado uma garota bonita e rebelde, que saia com caras de quem realmente não gostava e nem estava disposta a tolerar, e acabava indo pra cama de um estranho porque se deixou levar pelo flerte e pelo álcool.

Ela parecia tão segura e dona de si naquela noite. Mesmo no jantar, quando ela agia como se nada tivesse acontecido e andava pela casa ignorando o olhar e a presença dele, Arya parecia muito mais certa do que queria e de como queria do que ele. Foi só quando Jon a encontrou escondida na cozinha, no meio de um momento de vulnerabilidade, que se deu conta de que talvez...Talvez superar não estivesse sendo fácil para ela também.

E ela o queria outra vez. A expectativa em seus olhos cinzentos, a forma como ela permitiu que ele a tocasse e roçasse os lábios contra os dela, ansiosa para que o beijo viesse. O pulso acelerado e o cheiro de vinho tinto...Ele não era cego ao ponto de não ver o quanto ela queria que ele fosse mais ousado, ou o quanto ela precisava de uma resposta dele.

O que ele queria com ela? O que ele poderia querer com outro encontro, com outra tentativa desastrosa de se justificar, ou de negar que não existia nada entre eles? Talvez ele só quisesse que um eventual encontro acabasse em uma cama, com Arya gemendo o nome dele e com aquela sensação de prazer avassalador e perverso.

Jon se levantou da cama e foi até a gaveta de meias. Seus dedos trêmulos alcançaram a calcinha de renda preta escondida em meio às coisas dele. A sensação do tecido contra seus dedos era peculiar. O cheiro dela ainda estava ali também, assim como a memória sórdida de como ela ficava usando apenas aquilo. Era doentio pensar nela daquela maneira. Era viciante.

Nota da autora: Antes de mais nada eu preciso agradecer às sugestões da Nani pro dialogo entre o Jon e o Aegon. Algumas das falas foram sugestão dela e se não fosse por isso o dialogo não teria metade da graça que teve. É, a vida do Jon tá bem complicadinha agora e a Arya é um problema sobre duas pernas. A pergunta que não quer calar é o que vai dar dessa bagaça toda?

Espero que gostem e comentem.

Bju

Bee