A parte difícil de gostar de alguém como Jon era não poder falar a respeito para ninguém. Ele era um cara importante, com um patrimônio gigantesco e seu nome aparecia em colunas sociais e jornais como um dos jovens empresários mais bem sucedidos do país. Isso já bastaria para tornar qualquer eventual relação um problema, mas ele ser o melhor amigo de Robb piorava tudo.
Não podia desabafar com suas amigas, porque nenhuma delas entendia o tipo de pessoa que Jon era. Também não podia falar com sua mãe, ou Sansa. Seria um desastre, começando pelo fato de que ele era mais velho do que ela e Arya ainda era menor de idade.
Jon não estava facilitando em nada a vida dela. Desde o dia em que ele ligou tentando marcar um encontro as coisas só pioraram. Começou com o jantar de noivado do Robb e aquela conversa ridícula na cozinha. Ela quase implorou para que ele a beijasse, ou dissesse com todas as letras que a queria, mas aquele era Jon e ele não dizia coisas assim sem antes considerar infinitas questões morais.
Depois daquele dia ele ligou várias vezes e as conversas sempre giravam em torno do mesmo assunto. Ele queria se encontrar com ela outra vez e isso seria cruzar todos os limites do bom senso. Arya tinha certeza de que se o encontrasse as consequências seriam desastrosas, principalmente porque ela não sabia se resistiria a tentação de cair nos braços dele outra vez.
Ele mexia com ela de um jeito que Arya não sabia entender. Não era por ser mais velho, ou por ser inquestionavelmente bonito. Ele era Jon e isso já teria bastado para atiçar a curiosidade dela, mesmo que o baile de máscaras nunca tivesse acontecido. A forma como ele falava, o jeito como ele a conduzia e torturava com beijos longos e movimentos calculados, a forma como ele dizia se preocupar, tudo isso a desestabilizava e frustrava além da imaginação.
Não importava quantas vezes ela pedisse para que ele esquecesse o que havia acontecido no baile e apenas a deixasse em paz. Todos os dias havia uma mensagem no celular dela, ou uma ligação em horários inconvenientes. No meio daquela confusão toda ela acabou ligando pra Gendry e marcando um encontro para irem ao cinema, num esforço desesperado de ocupar sua cabeça com outra coisa.
Ele não poderia ter ficado mais satisfeito e ela até tinha que admitir que Gendry não era tão imbecil quanto ela pensava. Eles assistiram um filme, conversaram e acabaram trocando alguns beijos na sala de cinema, mas aquilo não era nada comparado aos beijos de Jon.
Tudo o que ela conseguiu foi ficar com mais raiva e mais frustrada. Até Gendry percebeu que ela não estava bem e acabou perguntando o que ela tinha. Ele era bem perceptivo, o bastante para perguntar se ela estava envolvida com outra pessoa. Arya tentou mudar de assunto, fazer de conta que não havia entendido a pergunta, mas no fim acabou dizendo que havia um outro cara, mas que a situação era complicada de mais para explicar.
Gendry não gostou, mas entendeu que havia um limite para insistir numa causa perdida. Ele a deixou em casa e chegou a mandar outras mensagens para ela só pra saber se ela estava bem. Obviamente ela não estava, mas Gendry não precisava saber disso.
O resultado de tudo isso era que ela estava passando muito mais tempo praticando esgrima depois da aula. Seu treinador até estava cogitando a possibilidade de inscrevê-la nas classificatórias para a competição nacional de esgrima para que ele tivesse a chance de se testar. A adrenalina inundava o sistema dela, fazendo-a se esquecer de Jon por algumas horas, o desgaste físico era o bastante para que ela só quisesse saber de cama quando chegasse em casa. Até seus pais estavam apreciando toda aquela dedicação dela pelo esporte.
Ela terminou o treino daquele dia sentindo o protesto de todos os músculos do corpo. Arya guardou seu material e foi até o vestiário tomar uma ducha antes de ir pra casa. A água era um alívio tanto para as dores quanto para o nariz dela. Cheiro de suor definitivamente não era algo agradável.
Quando ela terminou, colocou seu uniforme. Ela odiava aquela roupa quase tanto quanto odiava os vestidos que sua mãe lhe dava de presente no Natal. Saia de prega xadrez, camisa branca, blazer, meias três quartos e aquele sapato pavoroso, faziam com que ela parecesse mais nova do que realmente era.
A escola já estava quase vazia quando ela saiu. Estava disposta a pegar o ônibus pra casa, quando avistou uma Mercedes sedan estacionada do outro lado da rua. O carro era familiar e ela apressou o passo ignorando o carro.
A parada de ônibus estava vazia. Ela se pegou rezando para que o ônibus chegasse logo, mas o único veiculo que parou foi a Mercedes. Quando o vidro do carro abaixou, Jon a encarou tentando parecer tranquilo.
- Posso te dar uma carona? – ele perguntou num esforço de parecer simpático e até despretensioso. Arya tentou ignora-lo enquanto fingia estar avistando um ônibus. – Arya, por favor. Entra no carro.
- Eu não aceito carona de estranhos. – ela respondeu finalmente olhando para ele.
- Dificilmente eu seria um estranho. – ele insistiu sorrindo um sorriso discreto – Por favor. Eu só quero conversar.
Arya sabia que ele não ia desistir tão fácil e já estava cansada de ficar se esquivando dele como se realmente houvesse uma chance dela não ceder. Ela entrou no carro e jogou a mochila no banco de trás. Jon a encarou satisfeito.
Ele deu partida no carro e seguiu pelas ruas da cidade, tão tranquilo quanto na noite da festa. Ela estremeceu ao se lembrar daquilo, secretamente desejando que ele a levasse de novo para o apartamento e eles repetissem aquela noite. Inevitavelmente ela pensou em como aquela cena era errada. Ela uma menor de idade entrando no carro de um cara mais velho e importante, ansiosa pela perspectiva de sexo. Não dava pra ficar pior do que aquilo.
- Não fazia ideia de que você era desses caras que esperam colegiais na porta da escola. – ela disse debochada e notou a mandíbula dele travar - Nunca achei que você fosse esse tipo de pervertido.
- Não é como se você tivesse dez anos. – ele disse sério.
- E agora o fato de eu ser menor de idade deixou de ter importância? Uau! Você finalmente está tentando deixar de ser o cavaleiro em armadura brilhante. – ela disse de forma impertinente.
- Não, não deixou de ter importância, mas é uma questão de tempo, não é? – ele disse ainda sério – Falta um mês para o seu aniversário.
- Então você ainda se lembra. – ela riu um riso sem graça – Está contando os dias também, Jon?
- Por incrível que pareça. – ele respondeu a contra gosto – Eu cansei de tentar fazer de conta que eu não quero isso.
- E quando você diz "isso" você quer dizer me levar pra cama de novo? – ela provocou tentando não transparecer que aquilo era o que ela queria também.
- Não. – ele respondeu ainda mais sério – Eu quero você. Quero uma chance com você, por mais absurdo que isso possa soar.
- Chance? Jon, eu não sei se reparou, mas eu não sou exatamente o tipo de mulher que esperam ver do seu lado. Eu não sou uma top model, ou uma executiva bem sucedida. Eu nem entrei pra universidade ainda! Eu sou a garota das suas fantasias, não a mulher dos seus sonhos. Então é melhor não achar que isso tem qualquer possibilidade de dar certo. – ela respondeu amarga. Era inútil fazer de conta que aquilo não era verdade.
- Você não parece tão convicta quanto a isso. – ele disse – Por que não tenta algo diferente só pra variar. Eu não sou o tipo de cara com quem você está acostumada, nem você se encaixa nos meus padrões habituais, mas eu estou cansado de seguir padrões.
- Eu acho que isso é uma grande idiotice. – ela disse cruzando os braços – Para onde está me levando?
- Estou te levando pra jantar. – ele disse satisfeito e Arya arregalou os olhos em resposta.
- Não sei se notou, mas eu estou usando um uniforme de colégio. – ela protestou – Além disso, eu devia estar indo pra casa.
- Pode ligar avisando que decidiu sair com alguma amiga. Qualquer coisa eu posso deixá-la em casa mais tarde e digo que coincidentemente nos encontramos no cinema e eu te ofereci carona. – ele respondeu – Robb vai até ficar satisfeito. Por alguma razão ele acha que eu posso colocar algum juízo em você, ele até me pediu pra tentar uma reaproximação.
- Coitado do meu irmão. – Arya revirou os olhos – Mal sabe ele que essa é uma ideia tão brilhante quanto pedir pra uma raposa tomar conta do galinheiro.
- Que Deus conserve Robb em sua ignorância. – ele disse sorrindo e lançando a ela um olhar intenso. Arya cruzou as pernas, sentindo-se subitamente desconfortável com a forma como ele a encarava. Era como se ele a estivesse despindo com os olhos.
Era uma ideia ruim, como uma festa de máscaras, um encontro com Gendry e flertar com um desconhecido no bar, mas ela não tinha muita opção naquele momento. Com Jon ao lado dela, Arya perdia o interesse em discutir e argumentar contra. Ela queria ver até onde ele poderia ir.
Arya pegou o celular e ligou pra casa avisando que ia chegar mais tarde do que de costume.
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Jon não deixou a reação dela passar despercebida. No momento que ele estacionou o carro na garagem do prédio onde ele morava, Arya pareceu confusa e até mesmo acuada. Ele sorriu enquanto a ajudava a sair do carro.
- Pensei que ia me levar pra jantar. – ela disse séria, sempre na defensiva.
- E vou. O problema de sair para jantar em um lugar público é que sempre há a possibilidade de alguém ver. Eu não sou uma pessoa que costuma passar despercebida, principalmente depois que eu rompi um noivado. Aparecer em público na sua companhia seria um problema. – ele disse tentando parecer simpático – Mas como eu prometi um jantar, então eu espero que esteja preparada para provar a minha comida.
- Você cozinha? – ela o encarou desconfiada enquanto eles entravam no elevador.
- Eventualmente. – ele disse confiante. A porta do elevador se fechou e ele apertou o botão do último andar. – Eu moro sozinho, de vez em quanto eu gosto de me arriscar na cozinha. Surpresa?
- Bem, não posso dizer que estava esperando por isso. – ela disse rindo – E o que vai cozinhar pra mim?
- Salada verde de entrada, como prato principal um risoto de filé e funghi, e para sobremesa morangos ao chocolate. – ele disse orgulhoso de seu cardápio enquanto o elevador parava e ele fazia sinal para que ela saísse – Parece bom?
- Bem, acho que você está realmente tentando me impressionar. – ela disse enquanto observava ele abrir a porta do apartamento dando passagem a ela.
- Está funcionando? – ele perguntou junto ao ouvido dela. Sentiu Arya vacilar por um momento.
- Te digo depois da primeira garfada. – ela respondeu e ele riu do comentário, beijando a nuca dela em seguida.
- Parece justo. – ele concordou.
Ele deu passagem para ela e Arya caminhou pelo apartamento como se estivesse fazendo o reconhecimento de um campo de batalha. Ela parecia desconfortável ali, acuada diante da insistência dele. Jon fechou a porta do apartamento e foi até ela. Ele retirou o casaco que ela estava usando com mais lentidão do que o normal, como se tentasse quebrar a primeira barreira física entre eles.
- Posso te oferecer algo pra beber? – ele perguntou de forma simpática – Vinho talvez?
- Tentando me embebedar? – ela provocou.
- Longe de mim. Só estou tentando deixá-la um pouco menos tensa. – ele disse caminhando até a cozinha e sendo seguido de perto por ela – Aposto que está cansada depois de ter passado a tarde toda treinando.
Arya concordou com um aceno de cabeça. Ele pegou duas taças e abriu uma garrafa de vinho tinto para eles. Jon entregou a taça a ela e propôs um brinde.
- Estamos brindando a que? – ela perguntou erguendo a própria taça.
- Às máscaras. – ele respondeu sorrindo enquanto o som do cristal batendo contra cristal preenchia o ar. Arya bebeu um gole do vinho, fechando os olhos ao sentir o gosto marcante em sua boca.
Ele puxou uma cadeira para que ela se sentasse e em seguida se ocupou de preparar a comida. Ainda podia se lembrar de quando decidiu cozinhar para a ex noiva pela primeira vez. Ygritte tagarelava o tempo todo e desconfiava de todos os movimentos dele na cozinha. Arya era o oposto. Permanecia calada enquanto observava cada movimento dele de forma curiosa até criar coragem para oferecer ajuda.
Ele pediu para que ela lavasse as folhas para a salada e ela o fez prontamente. Jon se ocupava das panelas, sentindo-se mais e mais seguro sempre que Arya fazia uma pergunta, ou apenas comentava que o cheiro dos ingredientes era bom.
Aquilo era uma loucura. Ele se sentiria como um velho tarado tentando seduzir uma adolescente se não estivesse tão cansado de procurar razões para fugir do que realmente queria. Arya mexia com a cabeça dele, o irritava além da imaginação com todas as suas negativas e ao mesmo tempo despertava uma sensação de familiaridade que ele apreciava. Arya era o oposto de tudo aquilo que ele procurava para a sua vida e ao menos tempo um delicioso contraponto, o desequilíbrio para seu mundo organizado e chato.
Arya se apoiou contra a pia da cozinha, observando cada movimento que ele fazia. Vestia com parte de seu uniforme, sem maquiagem e usando aquelas malditas meias três quartos, ela o fez lembrar de Aegon se seu comentário impertinente. Ela parecia menos contida ao final da taça de vinho.
Jon pediu para que ela provasse o tempero da comida. Arya inclinou o corpo levemente, indo em direção a colher estendida por ele. Ela fez um som de aprovação, tentando limpar os lábios e os dedos em seguida. Ele observava aqueles gestos displicentes, incapaz de ignorar a sensualidade acidental deles.
Quando tudo estava pronto ele pôs a mesa e puxou a cadeira para que ela se sentasse. Serviu-a cuidadosamente e ela agradeceu, subitamente se lembrando de toda boa educação que Catelyn Stark passou a vida tentando dar a ela. Brindaram mais uma vez e ele esperou até que ela provasse a primeira garfada do risoto para provocá-la mais uma vez.
- Impressionada? – ele perguntou e ela riu em resposta.
- Bastante. – ela concordou – De todas as habilidades do mundo, eu nunca pensaria que cozinhar era uma das suas.
- Não gosto de cozinhar só pra mim. A comida sempre é melhor em boa companhia. – ele disse – E você. Eu fiquei surpreso em saber que está praticando esgrima. Robb disse que é boa nisso.
- Faço o que posso. Estou melhorando e meu treinador está pensando seriamente em me colocar pra competir nas classificatórias para o campeonato nacional em breve. – ela disse modestamente – Não é nada de mais. Tudo o que eu tenho que fazer é acertar o oponente com o lado pontiagudo. – ele riu do comentário dela.
- Aposto que está sendo modesta. – ele disse – Você sempre se saiu bem em todos os esportes que se propunha a praticar. Era rápida como um foguete, se bem me lembro.
- Quando você cresce cercada por irmãos e uma irmã como Sansa, você acaba tendo que desenvolver esse tipo de habilidade.
- Principalmente quando você decidia que era uma boa ideia acertar o vestido novo dela com uma bola enlameada. – Jon riu.
- E ela ficou da cor de um tomate maduro. Se não fosse por você eu não duvido que ela tivesse me enforcado naquele dia. – Arya disse rindo abertamente.
- É, eu já te salvei de muita coisa. – Jon comentou.
- Verdade. – Arya concordou colocando mais uma garfada na boca. Ela levou algum tempo para completar a resposta – Você sempre gostou de posar de herói.
- Na verdade, eu sempre me divertia vendo você aprontar alguma coisa. – ele disse rindo baixo.
- Não, você sempre gostou de posar de herói mesmo. Ninguém sai por ai ajudando garotas desconhecidas a se livrarem de acompanhantes inconvenientes em festas aleatórias. – Arya provocou – Você não resiste a uma dama em apuros.
- Talvez esteja certa. – ele concordou – Ou talvez eu só não resista a você em apuros.
- Sinto te decepcionar, Jon. Hoje em dia eu dispenso o cavaleiro em armadura brilhante. – ela disse após secar a segunda taça de vinho.
- Mas não resiste a um herói mascarado. – ele provocou. Eles já haviam terminado de comer o risoto e Jon se levantou para buscar a sobremesa.
O chocolate derretido perfumava o ambiente. Jon colocou a travessa com a calda próxima de onde Arya estava. Ele parou ao lado dela com a travessa cheia de morangos maduros. Arya ergueu a cabeça para poder encará-lo diretamente nos olhos.
Ele escolheu um morango particularmente carnudo e bem vermelho, mergulhando-o lentamente no chocolate aveludado logo em seguida. Jon ofereceu o morango a ela, colocando a fruta entre os lábios de Arya e se deliciando ao vê-la enterrar os dentes na polpa macia. Os lábios sujos de chocolate e sumo eram um convite tentador, mas ele não ia apressar nada naquela noite.
Os olhos cinzentos dela o encaravam fixamente. Havia uma mistura exótica de aceitação, curiosidade e desafio neles, como se Arya estivesse avaliando até onde ele teria coragem de ir. Não havia nada de infantil na forma como ela o encarava, ou em como saboreava a fruta. Ela o queria, isso estava muito claro. Ela o desejava da mesma forma que desejou na noite da festa, mas ele raramente se contentava com uma relação pela metade.
Jon limpou o chocolate dos lábios dela com a ponta dos dedos, levando-os a boca em seguida. Arya pegou outro morango e repetiu todos os passos daquele pequeno ritual. Jon se ajoelhou ao lado dela para receber em sua boca, como um sacramento. Antes que ela pudesse afastar sua mão, ele a segurou bem onde estava, lambendo o suco das pontas dos dedos dela.
- Eu não sei dizer o que gosto mais. – ele disse sorrindo para ela – Não sei se prefiro o gosto do morango ou o da sua pele.
Arya ficou imediatamente corada. Seu peito subia e descia de acordo com sua respiração pesada. As pernas levemente separadas, parcialmente encobertas por aquela maldita saia xadrez, eram um convite tentador ao toque. Se não a conhecesse, até pensaria que ela era uma garota ingênua, mas ele havia ultrapassado essa noção quando ela tinha nove anos e não dava um passo sem saber exatamente onde estava pisando.
- Você é do tipo de cara que não se importa em beijar no primeiro encontro? – ela perguntou encarando-o fixamente. Jon não conteve o sorriso enviesado.
- Não. – ele respondeu levando a mão até o joelho dela – Mas esse não é o nosso primeiro encontro, não é mesmo?
Arya ficou calada. Ele levou a mão até a nuca dela, puxando-a para junto dele até seus lábios estarem sobre os dela. Ao contrário da festa, aquele beijo era intenso, mas consideravelmente mais lento e cuidadoso. Ele estava preocupado em tornar aquela noite inesquecível.
A boca dela correspondia com igual entusiasmo e necessidade. Arya jogou os braços ao redor do pescoço dele, aprofundando o beijo, enquanto Jon a puxava pela cintura. O beijo foi rompido por um breve momento para que os dois se levantassem do chão. Ele a puxou para junto de si mais uma vez e o beijo se tornou mais agressivo.
Ele beijou a base do pescoço dela, fazendo-a fechar os olhos em resposta. Suas mãos eram mais ousadas agora, subindo e descendo pelas costas dela e então seguindo em direção a um dos seios e apertando-o.
- Também não sou do tipo que vai pra cama no primeiro encontro. – ele disse rouco junto ao ouvido dela.
Arya levou a mão ao cinto dele desafivelando-o e jogado-o longe em resposta. Jon riu baixo e ela voltou a beijá-lo.
- Que bom que este não é o nosso primeiro encontro. – ela disse entre os lábios dele.
Jon a pegou nos braços como havia feito da primeira vez. Arya riu ao sentir seus pés deixarem o chão e riu ainda mais quando ele a jogou sobre a cama. A mesma cama de antes, mas desta vez sem nenhuma máscara no meio do caminho.
Ele se afastou dela e desabotoou a camisa que usava, jogando-a no chão em seguida. Arya estava sentada sobre a cama, pernas separadas e olhar insinuante, esperando para que ele fosse até ela. Jon se ajoelhou entre as pernas dela, deslizando a mão pela coxa dela, por debaixo da saia de pregas até alcançar a calcinha dela. Jon retirou a peça com muito cuidado e a exibiu para ela como se fosse um troféu.
- Essa vai pra minha coleção. – ele disse rindo. Nada de renda preta, desta vez a calcinha era de algodão azul claro, estampada com bolinha coloridas. – Muito condizente com o resto do figurino, a propósito. – ele comentou e Arya pareceu constrangida.
Jon beijou a parte interna da coxa dela, fazendo Arya apoiar a perna sobre o ombro dele e se inclinar para trás. Ele afastou a saia dela, tendo completa visão de seu objetivo. Beijou-a entre as pernas provocando um sobressalto nela. Beijou-lhe o clitóris, lambendo-o e sugando-o como se estivesse saboreando uma fruta suculenta.
Arya jogou a cabeça pra trás e se apoiou na cama com uma das mãos, enquanto a outra o segurava pelos cabelos da nuca. Ela emitia sons de suplica e respirava com dificuldade, enquanto Jon se esforçava para fazê-la gritar.
- Merda! – ela xingou quando já estava bem próxima do ápice e Jon parou de sugá-la. Ele ergueu o rosto para encará-la. Seu semblante contorcido numa expressão de frustração e necessidade. Ele sorriu.
- Que boca suja. – ele disse com a voz rouca – Você merecia uma punição por ficar falando essas coisas. – Arya arregalou os olhos imediatamente – Tira a camisa e vira de costas.
Arya começou a desabotoar a camisa do uniforme a contra gosto. Seus dedos estavam trêmulos e se recusavam a cooperar, enquanto Jon ficava observando o esforço e a frustração dela. A camisa foi posta de lado e ela virou de costas para ele, deitando apenas o tronco sobre a cama, ficando de joelhos no chão.
Jon suspendeu a saia dela, deixando o traseiro nu exposto. Ele beijou as costas dela até o fim da coluna. Ele a tocou, sentindo a umidade e provocando-a um pouco mais. Um tapa de leve entre as pernas dela a fez gritar um grito curto e agudo.
Ele deu alguns tapas no traseiro dela, deixando a pele rosada e sensível, para depois introduzir dois dedos dentro dela, sentindo-a úmida e sufocante. Arya gemia cada vez mais alto, implorando alívio, velocidade e prazer. Dessa vez ele permitiu que ela chegasse ao orgasmo, satisfeito em ouvi-la chamando o nome dele.
Arya continuou de costas para ele, ajoelhada no chão e com o tronco descansando sobre a cama, enquanto Jon se afastava para se livrar de suas calças e roupa íntima. Pegou um dos preservativos que havia deixado dentro do bolso da calça e o colocou rapidamente. Em seguida ele foi até ela mais uma vez e desabotoou o sutiã que ela usava. Arya se levantou com alguma dificuldade e se sentou sobre a cama mais uma vez.
Jon a beijou outra vez, conduzindo-a para o centro da cama e deitando-a sobre os travesseiros. Beijou o pescoço dela, o vale entre os seios, sugou os mamilos e a fez gemer baixo em resposta.
- Eu gosto mesmo de ouvir você gemendo. – ele disse pouco antes de sugar o outro mamilo, fazendo Arya jogar a cabeça pra trás.
- Você fala de mais. – ela resmungou, sentindo os dentes dele raspando a pele sensível do mamilo rígido.
- Sempre impaciente. – ele disse rouco – O que quer que eu faça, Arya? – ele disse bem próximo ao ouvido dela, sugando o lóbulo da orelha dela.
Ela emitiu um som de descontentamento. Arya não gostava de joguinhos. Era impulsiva, impaciente e exigente.
- Me mostra logo que sabe onde colocar isso. – ela disse segurando a ereção latente dele. Jon lançou a ela um sorriso malicioso. Ele beijou o pescoço dela, posicionando-se entre as pernas dela e roçando a ereção contra a entrada. Arya se contorceu em baixo dele buscando mais fricção.
- É bem simples, na verdade. – ele disse rouco junto ao ouvido dela – É só uma questão de espetar o oponente com o lado pontiagudo.
Arya riu um riso curto, que foi subitamente interrompido por um lamento longo a medida que ela sentia Jon invadindo-a lentamente. Ela se agarrou a ele com força, fechando as pernas ao redor da cintura dele, fazendo-o ir mais fundo dentro dela.
Ela o sufocava com seu calor, com suas pernas, com suas mãos, fazendo-o perder a noção da força e da velocidade. Arya chamava o nome dele e aquilo era como música ao ouvidos dele. Ele se movia muito mais rápido quando isso acontecia, sentindo o orgasmo se aproximar rapidamente. Jon tentou prolongar pelo máximo possível, sentiu Arya se render por duas vezes, antes dele conseguir seu próprio alívio.
Jon se deitou ao lado dela, exausto e satisfeito, sentindo Arya se aninhar sobre o peito dele. Ficaram em silencio por um tempo.
- Você é muito mais criativo do que eu imaginava. – ela comentou enquanto recuperava o fôlego – Essa sua cara de santo disfarça bem.
- Eu não nasci um empresário de sucesso, sabia? Universidade serve pra ensinar uma ou duas coisas, principalmente em matéria de cama. – ele disse rindo.
- Mal posso esperar pra começar então. – ela disse rindo e ele lançou a ela um olhar desconfiado.
- Eu posso te ensinar, se é isso o que você quer. – Jon disse beijando a boca dela mais uma vez – Aulas particulares e tudo mais.
- Dizem que a universidade é uma das experiências mais importantes na vida de uma pessoa. Sabe como é, aprender a ter responsabilidades, expandir seus horizontes, conhecer gente nova. – ela provocou e Jon a encarou sem achar graça – Você leva tudo muito a sério, Jon.
- Só as coisas importantes. – ele respondeu sério – Eu não estou ignorando a lei a passando por cima de uma grande amizade por nada, Arya. Vamos deixar as coisas bem claras antes que um de nós dê um passo em falso. Eu não estou interessado em ser um caso conveniente. Eu não estou interessado em sexo fácil. Se você acha que é isso o que nós estamos tendo, então é melhor dizer logo.
- O que você quer afinal, Jon? – ela questionou irritada.
- Eu quero um relacionamento, eu quero o prazer da sua companhia e pretendo assumir isso quando você for maior de idade. – ele disse convicto.
- Assumir? Quer dizer, falar com a minha família e tudo mais? – ela perguntou desconfiada.
- Precisamente. Eu já passei da idade de namorar escondido e ficar fugindo para me encontrar com uma garota. – ele disse beijando a testa dela – Robb vai ser a parte difícil, mas eu não acho que Ned e Catelyn vão ver problema.
- Você gosta de complicar as coisas. – ela resmungou – Por que não podemos só aproveitar o momento ao invés de ficar falando sobre futuro? Eu não me encaixo no seu mundo, nem nas suas expectativas.
- E se estiver errada? – ele insistiu – Arya, eu te conheço já faz tempo. Você sempre foi inquieta, inteligente e tem um senso de humor fantástico. Eu não quero que mude por mim, nem nada disso, aliás, eu estou insistindo tanto porque eu sinto falta desse seu jeito. Não sou eu quem está complicando as coisas, você é quem prefere acreditar que sexo ocasional é algo simples.
- E não é? – ela soava impaciente.
- Não. Caso não tenha percebido, você mentiu pra sua família pra estar aqui. Você vai mentir outras vezes até que uma hora as coisas vão fugir do seu controle. – ele falou calmamente – E pra que? Pra conseguir uma boa transa? Você é mais esperta que isso, Arya. Merece mais do que caras que te tratam como objeto, ou como uma conveniência. Eu quero acabar com as mentiras em um mês, quero poder sair com você e apresentá-la como minha namorada. Não parece tão excitante quanto um romance clandestino, mas eu prometo compensá-la por isso.
- Você é mesmo o maldito príncipe encantado. – ela resmungou – Como foi que eu acabei envolvida nisso mesmo?
Jon riu abertamente e ergueu o rosto dela roubando-lhe mais um beijo.
- Não dá pra escapar disso quando você decide ir de penetra num baile de máscaras. Só que você deixou a sua calcinha pra trás, ao invés do sapatinho de cristal.
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Jon insistiu em levá-la pra casa apesar de Arya achar aquela uma péssima ideia. Ele não ouviu uma palavra das reclamações dela. Ela se remexeu algumas vezes sobre o banco do passageiro. Ficar sem calcinha contra o banco de couro não era exatamente algo agradável.
Ela tinha que admitir que Jon era quase um aliem no mundo dela, mas não necessariamente algo ruim. Arya gostava da forma como ele falava, gostava de como ele era carinhoso e surpreendentemente criativo. Apesar de ser uma pessoa correta, ele não se importava em transgredir os conceitos originais dela, fosse sussurrando obscenidades ao ouvido dela, ou roubando suas calcinhas e provocando-a com chocolate derretido.
Ás vezes ela se assustava ao desejar que tudo aquilo desse certo. Ele queria uma relação, algo estável e saudável para ambos, mas Arya já não sabia como era viver cercado por esse tipo de coisa fazia algum tempo.
Sua família era bem estruturada, seus irmãos eram filhos exemplares e as comparações entre ela e Sansa eram irritantes. Ela nunca se encaixou naquele cenário. Era a garota desajeitada, rebelde e um tanto masculina. Um caso perdido. Uma estranha naquele cenário harmonioso que era sua casa. Essa incapacidade de se adequar sempre a levaram de encontro a todo tipo de transgressão e pessoas tão desajustadas quanto ela.
Não fazia sentido querer Jon. Não fazia sentido se render a oferta de uma relação estruturada, por mais que pairasse entre eles a sensação de completo descaso pelo apropriado. Ele sempre esteve na mente dela, como uma lembrança da única pessoa que pertencia ao mundo no qual ela nasceu e não se importava com seu temperamento arredio e falta de modos. Jon era a única coisa naquele mundo monótono que não a repreendia por ser diferente.
A rua estava vazia. Jon parou o carro do outro lado da rua e se virou para encará-la. Beijou-a mais uma vez e Arya se pegou desejando que aquele momento pudesse durar mais. Ela jogou os braços ao redor do pescoço dele, num pedido silencioso.
- Eu não devia querer tanto passar o resto da noite com você. – ela resmungou e Jon sorriu satisfeito, antes de beijá-la mais uma vez.
- É uma pena que seja tão breve. – ele disse deslizando a mão por debaixo da saia dela. Arya estremeceu inteira, sentindo-se imediatamente excitada ao sentir os dedos dele tendo livre acesso as suas partes mais íntimas. – Vou lhe dar algo pra se lembrar de mim pelo resto da noite. – a voz dele era cruel ao falar em um tom tão abafado e rouco junto ao ouvido dela.
Os dedos ágeis deslizavam sinuosamente. O dedão massageava o clitóris com cuidado e Arya se agarrou a ele, como se fosse a única coisa confiável dentro daquele carro. Respirar era quase impossível, enquanto ele movia os dedos dentro dela e lhe beijava o pescoço, sem se preocupar com o fato de que ela arruinaria o banco do carro assim que chegasse ao fim.
Foi rápido e incontrolável. Antes que Arya pudesse tentar frea-lo, o orgasmo veio e ela se agarrou a Jon com mais força. Quando os espasmos pararam, ela se escorou no encosto do banco, jogando a cabeça pra trás. Jon tirou os dedos de dentro dela e os levou a boca, lambendo-os cuidadosamente. Ele tinha uma irremediável fixação oral.
- Você é realmente deliciosa. – ele disse quando terminou. Arya riu – Vai pensar em mim essa noite.
- Não tem como pensar em outra coisa, depois disso. – ela respondeu.
- Te pego amanhã depois do treino. – ele disse sorrindo.
- Vou me lembrar de não usar calcinha então. Poupa o esforço. – Arya respondeu rindo – Até amanhã, Jon.
- Vou esperar ansioso. – ele disse beijando a boca dela mais uma vez.
Arya desceu do carro ainda sentindo a sensação viscosa e desconfortável entre as pernas e seus músculos languidos. Tudo o que ela queria era um banho e uma boa noite de sono.
Abriu a porta de casa, deu boa noite aos irmãos e aos pais, antes de se trancar dentro do quarto e jogar suas coisas ao lado da escrivaninha. A água quente foi uma benção e a visão de sua cama uma tentação.
Ela se jogou na cama e fechou os olhos. Seus sonhos eram povoados pelo rosto simpático de Jon.
Nota da autora: Capítulo quente neh? Jon tá tão...taradinho pra dizer o mínimo XD. Bem tensão sexual resolvida, agora começa o drama. Será que essa relação vai dar certo? Será que alguém vai suspeitar de caronas estranhas e atrasos constantes? By the way, anyone interested in an English version of this fic will be able to read it now with a certain delay. Espero que gostem e comentem.
