Havia algo podre no reino das empresas Targaryen naquela manhã, mas Aegon não sabia dizer exatamente o que era. Começou com ele tendo insônia, depois de uma noite sem sexo, e decidindo fazer de conta que ia trabalhar. Ele chegou no escritório, flertou com a secretária, verificou sua caderneta de ações, até deu uma olhada no balanço do mês passado, tudo isso antes das dez horas da manhã.
Isso por si só bastaria pra classificar aquele como um dia estranho, mas não parou por ai. Daenerys passou na sala dele perguntando onde estava Jon e ele não soube responder. Aliás, ninguém na merda do prédio sabia dizer onde estava o maldito presidente da empresa! E foi ai que Aegon se conscientizou de que o fim dos tempos estava próximo. Era uma quinta feira, e Jon além de se atrasar para o trabalho decidiu desligar o celular.
Era um caso de polícia. Alguém precisava avisar as autoridades, chamar os bombeiros, o FBI, a Scotland Yard, o CSI, Sherlock Holmes, ou quem sabe o cara da coluna de fofocas, o tal do Varys! Jon Targaryen no mínimo havia sido abduzido por ET's!
Dez e meia da manhã. Essa foi a hora que Jon decidiu dar as caras como se nada de mais tivesse acontecido. O irresponsável quase se atrasou para a reunião da diretoria! O que Aegon ia fazer sozinho naquela sala, rodeado por aquele bando de velhos sanguessugas? Tentar descobrir como Mindinho conseguiu dobrar o faturamento em um semestre? Tentar descontrair o ambiente com uma piadinha e ter as bolas congeladas pelo olhar implacável de Eddard Stark? Jon devia saber que aquela empresa era uma prioridade! Devia levar o negócio da família a sério e ter mais consideração pelo irmão, que estava a ponto de sofre um ataque do coração só de ver Ned sentando no fim da sala com aquela cara de quem chupou limão ao invés das tetas da mãe quando nasceu.
Bem ou mal, Jon apareceu e foi o mesmo de sempre. Mesmo assim Aegon notou que ele havia sorrido pelo menos dez vezes ao longo da reunião. Ele elogiou a elegância de Dany. Ele até tentou fazer uma piadinha, mas não deu muito certo. As suspeitas de Aegon estavam se confirmando. Jon havia sido abduzido e sofrido uma lavagem cerebral.
A reunião acabou por volta do meio dia. Aegon não comentou nada sobre o comportamento estranho do irmão, mas sugeriu que eles fossem almoçar juntos. Jon concordou e disse que estava morrendo de vontade de devorar um bom filé.
Jon costumava evitar carne vermelha durante a semana. Ele se contentava com peito de frango e salada, ou peixe, coisas leves de um modo geral. O que diabos ele queria com um filé ao ponto com direito a purê de batata como acompanhamento?
Eles conversaram sobre o andamento da reunião enquanto esperavam pela comida. Jon não chamou a atenção dele por ficar desenhando no canto da folha de rascunho, nem por ficar mexendo a perna o tempo todo, enquanto tentava não dormir durante a explicação do Ned. Quando a comida chegou, Jon pegou os talheres da mesa e começou a cantarolar uma música que Aegon não soube distinguir. Aquilo era a derradeira confirmação de que algo não estava certo!
E como um tiro a ideia o certou. Aegon soltou os talheres sobre a mesa antes de conseguir dar uma garfada na comida. Bateu as mãos sobre a mesa fazendo Jon desviar a atenção do prato e encara o irmão como se Aegon tivesse enlouquecido, que era exatamente a forma como metade do restaurante estava olhando pra ele naquele momento.
- Você comeu ela de novo! – Aegon acusou, fazendo Jon olhar para os lados só pra se assegurar de que ninguém mais tinha ouvido aquilo – É isso, não é? É a única explicação. Você desliga o celular, chega atrasado pro serviço, faz piadinha em reunião da diretoria, pede carne vermelha numa quinta feira e fica cantarolando! A única coisa que consegue mudar o temperamento de alguém desse tanto é sexo! – e ele continuava atônito com a constatação. Em condições normais, Aegon já falava além da medida, agora havia se tornado uma enxurrada verbal – Você andou suspendendo uma saia de pregas seu safado!
- Eu acordei de bom humor. – Jon disse calmo enquanto saboreava o filé – Não era você quem vivia dizendo que eu precisava melhorar nesse sentido? Não estou entendendo toda essa agitação.
- Não vem com essa pra cima de mim! – Aegon disse indignado – Você é o cara com a personalidade de uma rocha. Você não acordar um dia e decide mudar todo seu estilo de vida só porque está de bom humor. Você está transando com alguém e esse alguém é aquele projeto de Lolita! Eu sempre soube que tinha um pervertido dentro de você. Eu não podia ser o único Targaryen com essa falha de caráter.
- Não, na verdade você não é o único. – Jon disse mantendo uma expressão indiferente – Todo mundo sabe que a Dany tem tendência à zoofilia, já que foi cientificamente comprovado que Drogo é um meio equino. – um segundo de silêncio e Aegon desatou a rir até perder o fôlego.
Ele se recompôs e usou todo seu talento artístico pra imitar a cara de carranca habitual do irmão.
- Então, seu depravado irresponsável. Eu quero que você fale e fale tudo. Não poupe nenhum detalhe sórdido ou eu juro que vou fazer da sua vida um inferno. – Aegon disse – Como foi que você conseguiu a façanha de botar suas mãos na pequena A?
- Eu me recuso a falar a respeito dela com você, ainda mais depois de você se referir a minha relação com Arya em termos tão vulgares. – Jon disse sério e Aegon fechou a cara.
- Relação? Com Arya Stark? – ele repetiu indignado – A coisa foi boa mesmo.
- Não foi nada de mais. Uma hora ela tinha que concordar em me encontra, depois de eu ter importunado ela por duas semanas. Mesmo assim eu tive que recorrer a uma medida extrema. – Jon disse calmo enquanto terminava seu almoço.
- Que tipo de medida extrema? – Aegon perguntou interessado.
- Esperá-la na porta da escola pra conseguir uma resposta. – Jon respondeu – Depois disso foi tranquilo. Nós fomos pro meu apartamento, eu fiz um risoto pra nós, tomamos um bom vinho, aproveitamos a companhia um do outro e depois eu a deixei em casa com direito a um toque especial para que ela se lembrasse de mim.
- Você tá inventando isso. – Aegon sugeriu desconfiado. Jon balançou a cabeça negativamente.
- Não. Tenho duas calcinhas dela pra provar. – Jon revidou deixando Aegon boquiaberto.
- Deixa eu ver se entendi. – Aegon falou por fim – Você passou semanas planejando sequestrar a menina na porta da escola. Levou ela pro seu matadouro. Gastou suas habilidades culinárias. Fez e aconteceu dentro do quarto. Utilizou a técnica Targaryen milenar dos dedinhos mágicos e depois deixou ela em casa? – Aegon soou escandalizado – Você arruinou essa garota pro mundo. A faculdade vai perder a graça e ela ainda vai passar o resto da vida achando que pegou o irmão bom de cama. Eu não sei mais se estou morrendo de orgulho de você ou se devo te chamar de pedófilo safado!
- Guarde sua opinião pra você e apenas me dê uma sugestão para um encontro. Eu estou sem ideias do que posso fazer já que nós estamos evitando lugares públicos, pelo menos até o aniversário dela. – Jon disse sorrindo discretamente.
- Eu não devia fazer isso, mas já que essa menina operou o milagre de te deixar de bom humor, mestre Aegon vai te indicar o caminho para o fim de semana supremo. Aviso que esta é uma técnica especial que deve ser usada apenas em casos extremos como esquecimento de datas comemorativas, suspeita de infidelidade, ou tentativa desesperada de por fim a uma greve de sexo. – Jon riu da descrição do irmão. Aegon tirou de dentro do paletó um cartão – Este hotel é o que eu gosto de chamar de pedaço do paraíso. Tem um excelente restaurante, quartos luxuosos, estão acostumados a preparar o quarto para situações românticas e, acima de tudo, são absolutamente discretos.
- Posso mesmo confiar nisso? – Jon perguntou desconfiado – Como você encontra essas coisas?
- Maninho, nesta escola que você está se matriculando, eu já fui diretor. – Aegon disse satisfeito – Pode confiar de olhos fechado, afinal de contas, eu sou dono do lugar.
x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x
Na quinta feira ele usou uma tática diferente. Ao invés de ir buscá-la na porta da escola, Jon ligou pra Robb e perguntou se Arya estaria livre depois das sete horas. Robb confirmou o que Jon já sabia.
O próprio Robb havia pedido para que Jon se reaproximasse de Arya num esforço de se tornar uma boa influencia para ela. Obviamente Robb não fazia ideia de que estava acontecendo entre o melhor amigo e a irmã. Confiava totalmente em Jon, ao ponto de acreditar quando ele disse que havia conversado algumas vezes com Arya pelo telefone (o que tecnicamente não era uma mentira) e que ela parecia disposta a sair e conversar um pouco. Como Jon sairia mais cedo da empresa naquele dia, a ideia de sair com ela para ir ao cinema parecia inofensiva o bastante.
Ele passou na casa dos Stark para buscá-la no horário marcado. Ninguém pareceu se importar com a gentileza suspeita de Jon. Arya se despediu dos pais e prometeu não chegar tarde em casa, agindo de forma tão convincente que Jon teria acreditado nela.
Quando eles entraram no carro Arya começou a rir descontroladamente de toda situação e até Jon teve que ceder a vontade de gargalhar. Pareciam duas crianças aprontando uma travessura, mesmo que quando a euforia passasse ele sentisse peso na consciência por mentir para o melhor amigo.
- Essa foi a ideia mais bizarra do universo! – Arya disse rindo – Você se passando pelo meu anjo da guarda, se oferecendo pra sair e conversar comigo e ver se consegue colocar juízo na minha cabeça. Sério, eu não fazia ideia de que você podia ser tão engenhoso assim.
- Você me dá pouco crédito, sabia? – Jon disse se fingindo de ofendido – Duvida das minhas habilidades culinárias, achava que eu não tinha criatividade e até pensava que eu era uma pessoa sem graça. Assim você me magoa, Arya.
- Desculpa. – ela disse sem graça – É que eu ainda não me acostumei com você desse jeito. Ainda me lembro de você com dezessete anos.
- É compreensível. – ele disse sorrindo.
Eles não foram para o cinema, como haviam dito aos Stark. Acabaram no apartamento dele, assistindo filme e comendo pipoca. Na metade do filme já não sabiam dizer sobre o que se trava a história e quando os créditos terminaram o sofá estava em estado lastimável.
Arya estava deitada sobre ele. Os cabelos dela estavam revoltos, os lábios vermelhos e inchados, a testa molhada de suor, enquanto ela descansava nua sobre o corpo dele. A sensação era maravilhosa. Chegava a ser assustador pensar em como ela despertava tanta paixão nele, quando ele já havia tido a chance de se relacionar com verdadeiras beldades.
Ygritte era uma modelo requisitada, com uma carreira brilhante no mundo da moda, mas não conseguia nem de perto deixá-lo tão louco quanto Arya deixava. Não sabia dizer se era o fato dela ser mais nova, ou toda sensualidade e fetiche do primeiro encontro, ou até mesmo o gosto de ser um romance proibido. A verdade é que ele sentia essa maravilhosa sensação de familiaridade e confiança. Arya não tinha medo de se entregar sem reserva, apesar de não ser particularmente atraída pela ideia de um relacionamento estável.
Em partes, ela continuava sendo aquela garota de mente esperta e língua afiada que ele tanto gostava. A única diferença era que agora o corpo dela era consideravelmente mais atraente e ela estava longe de ser uma menininha inocente.
Ele queria entender como acabou se deixando levar por uma mera atração e agora estava disposto a enfrentar Robb e o resto da família dela para ficar com Arya. Era um negócio arriscado e ela não gostava da ideia de ficar presa em um relacionamento muito tempo. Entretanto, lá estava ela, nua e deitada sobre ele, acariciando seu peito.
- Em que está pensando? – ela perguntou eventualmente.
- Que você é um tipo de bruxa. – ele disse rindo – E eu cai direitinho no seu feitiço.
- Eu poderia dizer algo parecido ao seu respeito, mas não. – ela disse num tom sonolento – Você sempre teve alguns pontos de vantagem por eu ter sofrido de uma paixonite por você quando eu era mais nova.
- Está comigo pela curiosidade. É isso? – ele perguntou arqueando uma sobrancelha. Arya riu.
- Nada disso. Você continuou sendo um cara legal, simpático e melhor de cama do que os outros perdedores com quem eu já saí. – ela respondeu rindo.
- Obrigado por inflar o meu ego. – ele riu – Robb falou que eu não me encaixo nos seus padrões habituais. O que você acha?
- Ele tem razão, em parte. – ela disse erguendo a cabeça para encará-lo – O único relacionamento no qual eu me meti foi com um vocalista de uma banda punk. Ele era alemão e tinha a sensibilidade de uma porta. Era bem bonito, mas eu não entendia metade das coisas que ele falava por causa do sotaque. Só fiquei com ele porque Jaqen era o oposto de tudo o que eu deveria querer, mas até eu tenho limites. Ele passou a usar muitas drogas e aquilo não era o que eu queria pra mim.
- Garota esperta. – Jon disse beijando a boca dela.
- E a sua ex noiva? O que aconteceu? – ela perguntou.
- Eu e ela começamos a descobrir que tínhamos objetivos diferentes de vida. – ele disse sério – Ygritte queria tentar uma carreira como atriz, mas não estava tendo sucesso. Ela gostava de lugares agitados, grandes festas e queria fama. Não sei se notou, mas isso não é o que eu quero.
- E o que você quer? – Arya continuou. E aquele era um terreno instável para se caminhar.
- Eu queria começar uma família. – ele disse por fim e Arya pareceu sentir o peso daquelas palavras – Mas não precisa se preocupar. Eu não estou dizendo que quero que você embarque nessa ideia. No momento, o que eu quero é ficar com você, sem grandes planos. Só ficar com você.
- Ela simplesmente foi embora? Te dispensou? – Arya perguntou arqueando a sobrancelha.
- Mais ou menos assim. – Jon respondeu – Ela disse que estava apaixonada por outra pessoa, alguém que tinha ideias mais parecidas com as dela.
- E ela trocou você. O cara rico, bonito, divertido e bom de cama pra ficar com um babaca qualquer. – Arya disse e Jon concordou com um aceno de cabeça – Sempre suspeitei que ruivas eram burras, a começar pela minha irmã. – Jon riu abertamente.
- Mudando de assunto. – ele disse – Tem planos pro fim de semana?
- Meu treinador me dispensou dos treinos esse fim de semana, então não tenho nada planejado. Por que? – ela disse sorrindo pra ele.
- Eu estava pensando em passarmos o fim de semana juntos. Meu irmão sugeriu um hotel no centro da cidade. Um lugar discreto, com um bom restaurante, SPA e mais um monte de coisa. O que acha? – ele perguntou.
- Vou precisar de um álibi pra isso. – Arya respondeu pensativa – Vou ligar pra uma amiga e pedir pra ela me acobertar. Digo pros meus pais que vou passar o fim de semana na casa dela para fazer um trabalho gigantesco pra escola.
- Acha que eles vão cair nisso? – Jon perguntou desconfiado e ela sorriu um sorriso malicioso.
- Sabe, você não é a minha primeira transgressão. – ela disse beijando a boca dele – Só a mais divertida.
x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x
Arya não sabia exatamente o que esperar do fim de semana. Ela esvaziou sua sacola de equipamentos e colocou as roupas que usaria. Jon frequentava lugares sofisticados, lugares onde ela provavelmente teria que usar um vestido ou algo assim. Ela jogou dois dos vestidos mais novos que ela tinha dentro da sacola, junto com uma calça jeans escura, calcinhas e algumas blusas em bom estado.
Ela sinceramente esperava que Jon não acabasse sequestrando mais de suas calcinhas, ou ela acabaria sem nenhuma. Só por precaução ela comprou um novo para e aproveitou para fazer um pequeno estoque de camisinhas só por garantia.
Na sexta feira ela foi para a escola já com sua sacola de roupas. Avisou que não voltaria pra casa até domingo a tarde e tudo parecia bem.
As aulas se arrastaram naquele dia. Arya roeu pelo menos dois lápis inteiros de ansiedade, esperando pelo fim do último horário. Uma de suas amigas ficou de sobreaviso, caso alguém ligasse para confirmar o álibi dela. A aula acabou e Arya se apressou em trocar de roupa, juntar suas coisas e sair da escola o mais rápido possível.
Jon a estava esperando duas esquinas adiante, para não chamar atenção desnecessária. Ela entrou no carro e ele lhe roubou um beijo. Ela queria entender quando ficou tão melosa, mas desistiu de pensar no assunto. Jon valia cada lápis roído, cada calcinha roubada e cada fuga.
Ao chegarem no hotel, Jon deixou o carro com o manobrista e um carregador se ocupou de levar a pouca bagagem para o quarto. Jon foi até a o balcão da recepção fazer o check-in. Ela não fazia ideia se o atendente sabia quem ele era, mas quando ouviu o nome Targaryen fez questão de abrir um sorriso satisfeito e anunciou que já havia uma suíte preparada pra eles.
Quando ela pensou em hotel, sua ideia era algo como um Best Western ou coisa parecida. Obviamente ela não fazia ideia de que a suíte preparada pra eles ocupava quase o andar inteiro. Até Jon parecia surpreso com o tamanho, já que aparentemente era o irmão dele quem estava por trás de tudo aquilo.
Havia uma garrafa de champanhe num balde de gelo e morangos frescos sobre a mesa, ao lado de uma pequena nota dizendo "Tenham um bom fim de semana. Aegon".
- Seu irmão é uma pessoa megalomaníaca. – Arya disse impressionada – E eu tenho a impressão de que não quero mesmo saber o que ele já aprontou neste lugar.
- Somos dois então. – Jon concordou enquanto abria a garrafa de champanhe – Mas tenho que admitir que eu vou ter que pensar num bom jeito de agradecê-lo por tudo isso. Eu nem sabia que ele tinha um negócio paralelo.
- Negócio paralelo? – ela perguntou confusa.
- Ele é dono do hotel. Fiquei surpreso quando soube que foi por causa deste lugar que ele vendeu a maioria das ações dele pra mim. – Jon disse – Aegon não tem talento pra lidar com a empresa, mas sabe como ninguém lidar com entretenimento de luxo, em toda extensão do termo, por mais pervertido que seja.
Arya deu uma volta pela suíte e Jon foi logo atrás dela, com duas taças de champanhe em mãos. Ele entregou uma a ela e propôs um brinde. O som do cristal era estimulante e o gosto da bebida era estupendo.
- Me sinto literalmente vivendo em um daqueles filmes ridículos de comédia romântica que a Sansa tanto adora. – ela disse sorrindo – Como é mesmo o nome daquele? Uma linda mulher.
- Eu não sou tão velho e você não é uma prostituta do Hollywood Bulevar. – ele disse enlaçando ela pela cintura e beijando o pescoço dela – E particularmente te acho mais bonita que a Julia Roberts.
- Bem que podia ter um piano aqui. – ela disse rindo – Aquela cena era a minha favorita. – Jon mordeu o ombro dela em resposta e Arya riu ainda mais.
- Podemos pensar em alternativas. – ele disse afetuoso – O que acha de tomarmos um banho?
- Você tem mesmo ótimas ideias, sabia? – ela disse se virando para ele para desabotoar a camisa que Jon estava usando – E quando foi que você começou a assistir comédias românticas? – ela provocou e ele riu.
- Eventualmente era Ygritte quem escolhia os filmes e um ou outro eu acabei assistindo sem dormir na metade. – ele disse e se inclinou para beijar a boca dela em seguida.
Arya se afastou dele, caminhando languidamente em direção ao banheiro. Pelo caminho foi deixando suas peças de roupa, uma a uma, enquanto Jon a observava atentamente. Ele era sempre controlado, mesmo quando queria se deixar levar pelos desejos dela. Jon era uma boa pessoa, um cara correto e mesmo que ele não se encaixasse perfeitamente nos ideias dela, Arya se sentia tentada a mudar de ideias por ele.
Ela estava nua quando ligou a banheira. O som da água era agradável e o cheiro dos sais de banho a faziam relaxar mesmo diante da perspectiva de passar dois dias inteiros com Jon, sem ter que se preocupar com o mundo lá fora.
Jon a abraçou por trás, tão nu quanto ela. Ele acariciou a barriga dela e beijou o pescoço. Os dedos apenas roçando contra a pele dela, sem fazer qualquer movimento mais ousado. Ele era um cavalheiro até quando ficava tão óbvio que ele queria muito mais do que apenas beijos inocentes e um bom banho.
- Você é linda. – ele disse surrando para ela e aquilo era algo que sempre a pegava de surpresa. Ela não era linda, ela nunca foi, principalmente porque era Sansa quem levava todos os elogios. Arya era só a irmã problemática, a irmã desleixada e o mais próximo de um elogio que ela poderia receber era quando diziam que ela era esperta, ou uma ótima esgrimista. Mas quando Jon dizia que ela era linda, ela acreditava.
- E você devia parar de ser tão bonzinho comigo. – ela disse sorrindo e colando seu corpo ao dele. – Eu posso acabar pensando que você é o único cara que vale a pena no mundo.
- Não diria no mundo, mas e se eu for um cara que vale a pena? – ele provocou enquanto brincava com o lóbulo da orelha dela.
- Eu posso acabar me apaixonando por você de novo. – ela disse fechando os olhos.
- Então eu não sou tão bom quanto eu pensava. – Jon disse em tom divertido – Eu podia jurar que já estava apaixonada.
- Falta muito pouco pra isso. – ela disse se virando para beijá-lo. Jon a enlaçou pela cintura e a beijou de leve.
- Então eu vou ter que cuidar para que se apaixone. – ele disse rindo – Porque eu já estou irremediavelmente apaixonado por você.
- Oh eu sei. – ela disse cheia de si – Eu sou muito boa no que faço. – ele riu.
- Não posso negar isso. – ele concordou – Mas acho melhor olhar pra trás. O banho está pronto, querida.
Eles entraram na banheira e ficaram lá dentro até a água esfriar e os dedos ficarem enrugados. Não fizeram absolutamente nada além de tocarem um ao outro, como se desejassem descobrir e memorizar cada contorno, cada traço.
Arya nunca tinha tido uma experiência tão intima, ou tão estimulante. Jon deslizava as mãos sobre as costas úmidas dela, sobre suas pernas, barriga e seios. Beijava-a levemente sobre os ombros e pescoço, lhe causando arrepios. Ele nem mesmo insinuou a possibilidade de sexo, o que a deixou confusa.
Jon pediu para que ela ficasse de pé dentro da banheira e Arya atendeu ao pedido dele. Ele ficou encarando-a por algum tempo, como se estivesse admirando uma obra de arte. Era uma sensação desconcertante, como se um simples olhar pudesse ser a coisa mais obsena do mundo. Ao mesmo tempo ela sentia-se desejada de uma forma que ela nem mesmo conseguiria definir em palavras. Jon a encarava como se ela fosse a própria Venus.
Ele se ajoelhou diante dela, beijou-lhe a barriga. As mãos dele deslizando pelo fim da coluna dela até alcançar o traseiro e as coxas. Arya fechou os olhos, se deliciando com a sensação, com aquela veneração que ele não fazia qualquer questão de disfarçar.
Jon a tocou entre as pernas. Arya fechou os olhos imediatamente, apreciando o toque e a habilidade dele. Ele sorriu ao ver a reação dela e continuou tocando-a, não com a urgência em consequência do desejo, mas como se apenas estivesse ajudando-a a se lavar. Ele beijou a barriga dela mais algumas vezes, insinuando que pretendia seguir caminho em direção ao sul, mas não fez.
- O que acha de continuarmos isso naquela maravilhosa cama que foi preparada pra nós, ou qualquer lugar com apoio pra você? – ele perguntou. Jon contornou o umbigo dela com sua língua e em seguida sugou forte, fazendo Arya gemer.
- Ótima ideia. – ela disse com a voz trêmula – Se continuar aqui é provável que eu acabe caindo dentro dessa banheira.
x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x
Aquela não era o tipo de atitude que uma mulher decente toma, mas alguém tinha que saber o que estava acontecendo com Arya. Não seria a primeira vez que a irmã mais nova dela se metia em problemas graças ao seu comportamento irresponsável e selvagem, mas desta vez os sinais eram bem mais discretos e preocupantes, o que fazia Sansa pensar se a gravidade da situação do que os problemas anteriores que Arya havia causado.
Começou no dia em que ela saiu com Gendry a primeira vez. Sansa só concordou porque sabia quem era o rapaz e que ele vinha de uma boa família. Uma família respeitável como a dela. Naquele dia Arya não voltou pra casa acompanhada do rapaz, mas o estado das roupas dela era similar ao de uma pessoa que havia sobrevivido no centro de um furacão.
Depois foi a reação da irmã toda vez o telefone tocava. Ninguém parecia notar isso, mas Arya ficava muito mais irritada do que o normal quando o celular tocava, ou quando recebia uma mensagem. Ela começou a demorar mais nos treinos, mas ao menos o cheiro de suor e o uniforme diziam que ela estava mesmo se preparando para um campeonato local.
Sansa chegou a ligar para o treinador da irmã. Syrio Forel tinha um sotaque estranho, que dificultava o entendimento dela, mas ele afirmou que Arya não estava faltando treinos e parecia muito mais dedicada do que o normal. Aquilo foi um alívio para ela, até o dia que a irmã ligou dizendo que ia ao cinema.
Algumas amigas de Arya dirigiam bons carros, mas nenhuma tinha uma Mercedes sedan. Sansa foi a única na casa a ver o carro que parou para deixar Arya. A irmã saiu do veículo como se tivesse acabado de sentir um terremoto. Ela entrou em casa e desejou boa noite para todos e se trancou em seu quarto em seguida.
No dia seguinte Jon apareceu chamando-a para ir ao cinema, como uma forma de cumprir uma promessa que havia feito a Robb. Aquilo por si só já seria muito estranho, até Sansa ver o carro do amigo do irmão. Uma Mercedes sedan.
Quando Arya voltou, disse aos pais que tinha um trabalho em grupo gigantesco para fazer e que passaria o fim de semana na casa de uma amiga para terminá-lo a tempo. Os pais não viram problema algum nisso e nem Sansa veria, se não fosse o fato dela ter entrado no quarto de Arya para procurar o telefone sem fio e ver o que a irmã estava levando na sacola de roupas.
Havia dois vestidos, o que já era algo que Arya jamais usaria a menos que fosse forçada a isso, além de duas calcinhas do tipo que alguém só usa quando quer realmente chamar atenção e um bom estoque de camisinhas. Sansa ficou horrorizada. Seja lá o que a irmã estivesse aprontando, não era coisa boa.
O resultado foi ela ter ido até a escola de Arya. Ela esperou até o horário de saída a uma distância razoável e quando a irmã saiu Sansa esperou para ver aonde ela iria. Duas quadras adiante, Arya entrou em um carro. Uma Mercedes sedan.
Sansa seguiu o carro, tentando não chamar a atenção. Ela viu a Mercedes estacionar na entrada de um hotel sofisticado no centro da cidade. Ela rezou para que estivesse errada e que Arya não estivesse aprontando nada de mais, ou que ela tivesse se confundido, mas quando as portas do carro se abriram todas as dúvidas de Sansa se foram.
Jon desceu primeiro e foi até o outro lado ajudar Arya a sair do veículo. Eles estavam de mãos dadas quando o carregador retirou uma mala pequena e a sacola de treinamento de Arya de dentro do carro. Pouco antes de entrarem no hall do hotel, Jon acariciou o rosto dela e se inclinou para beijá-la.
Sansa ficou em estado de choque. Jon Targaryen, o melhor amigo de Robb, o empregador do pai dela e possivelmente um dos homens mais ricos do país estava levando a irmã mais nova dela para um hotel de luxo. Arya ainda era menor de idade e ele podia ter a mulher que quisesse. Aquilo não fazia sentido. Por que Arya iria querer se envolver como um homem como ele? Um homem com uma imagem pública e que não se encaixava de forma alguma nas preferências duvidosas dela a menos que...
Ela sentiu o estômago revirar diante daquele pensamento. Arya tinha seus gastos severamente vigiados pelos pais desde que começou a se envolver com aquele punk viciado. Talvez sua irmãzinha estivesse ali por dinheiro. Talvez Jon não fosse o homem de caráter que todos pensavam. Talvez ele tivesse algum tipo de tara por meninas mais novas e estivesse se aproveitando de Arya!
Ela precisava fazer algo a respeito. Não podia ficar sentada no carro, vendo sua irmã caminhar em direção à prostituição e degradação de seu nome por causa daquele depravado duas caras!
Sansa desceu do carro e caminhou até a entrada doo hotel. Sua primeira reação foi ficar chocada com o luxo e a grandiosidade do lugar, antes de ser abordada por um recepcionista que perguntou se poderia ajudá-la em alguma coisa.
- Sim. – ela disse – Eu estou procurando uma pessoa. Minha irmã, talvez a tenha visto por aqui. Ela se chama Arya Stark.
O recepcionista pareceu ponderar algo por um momento. Se o homem tivesse bom senso iria evitar um escândalo dizendo a ela onde Arya estava. Ele verificou alguma coisa no computador antes de se virar para encará-la.
- Sinto muito, senhorita. Não há ninguém com este nome hospedado aqui. – o recepcionista disse.
- Tente Targaryen. – ela disse ríspida – Jon Targaryen.
- Lamento, madame. Não há ninguém. – ele insistiu.
- Deve haver um engano! – Sansa insistiu – Verifique mais uma vez, por favor.
- Asseguro que o sistema é confiável, senhorita. Não há porque procurar outra vez.
- O senhor sabe com quem está falando? – ela perguntou irritada.
Ela tentou pensar em alguma mentira para dizer, algo que fosse mais intimidador do que dizer que era filha de Eddard Stark, ou da herdeira Catelyn Tully, mas nada realmente bom lhe veio à cabeça. Ela ficou ali, encarando o recepcionista com cara de coveiro por alguns segundos, tentando parecer uma mulher forte, uma mulher decidida, até sentir alguém tocar seu ombro.
Sansa se virou para encarar quem quer que fosse, já preparada para fazer um escândalo se fosse o segurança do hotel. Pra sua surpresa ela deu de cara com a figura alta e charmosa de Aegon Targaryen sorrindo para ela.
- Sansa, que prazer encontrá-la aqui. – ele disse num esforço de simpatia – Como estão Ned e Cat?
- Muito bem. Eles estão ótimos. – ela disse se distraindo por um momento.
- Posso saber o que está fazendo aqui? – ele perguntou sem desviar os olhos dela.
- Eu estou... – ela se deteve na resposta – Você! Seu bastardo nojento e desprezível! Você está ajudando ele não está? Eu sabia! Vocês são todos da mesma laia! Uma corja de depravados! Escuta aqui! Eu não vou deixar vocês corromperem a minha irmã com toda essa perversão. Eu quero Arya aqui, na minha frente em cinco minutos ou eu juro por Deus que chamo a polícia e ligo pra todas as emissoras de tevê da cidade!
- Calma, calma. – Aegon disse fingindo espanto – Eu não faço ideia do que está falando, mas você está obviamente muito abalada. Por favor, me acompanhe até a minha sala, onde poderá se acalmar e respirar um pouco. Quem sabe assim eu possa entender qual é o problema e ajudá-la.
- Sua sala? Como assim, sua sala? – ela perguntou.
- É um negócio relativamente novo, mas eu sou o dono deste hotel. Agora, eu insisto que me acompanhe. Não queremos que os seguranças interpretem este pequeno mal entendido da forma errada, não é mesmo. – Aegon disse segurando-a pelo braço e conduzindo-a pelo saguão.
Ela pensou em gritar, pedir socorro, ou qualquer coisa do gênero. Aquilo era coerção! Aquilo era uma tentativa de fazê-la se calar diante de toda imoralidade daquele antro de perdição. Por Deus, aquilo podia muito bem ser um bordel de luxo dada a fama do dono! Aegon queria manter o disfarce, queria silenciá-la! Oh ela poderia até poupá-lo de uma cena no saguão do hotel porque era uma dama, mas se aquele cafetão barato achava que ia conseguir silenciar Sansa Stark ele estava enganado!
A sala dele era bem parecida com um escritório normal, tirando o fato de que havia um pequeno bar mais do que bem abastecido com todo tipo de bebida cara. Aegon indicou a cadeira diante da mesa para que ela se sentar e Sansa o fez com tanta dignidade que até mesmo a Rainha da Inglaterra teria ficado impressionada. O que ela não esperava é que Aegon se sentasse sobre a mesa de madeira, a apenas alguns centímetros dela. Aquilo a deixou mais do que nervosa.
- Muito bem, senhorita Stark. – ele disse sorrindo diabolicamente – Nós dois precisamos ter uma conversinha.
Nota da autora: Tantantan! E eu sou má mesmo XD. Nem preciso dizer que este foi um dos capítulos mais divertidos de escrever, neh? Aegon está totalmente divo, totalmente cômico, totalmente o personagem legal da vez. Eu juro que quando pensei em colocar a Sansa na história eu até fiquei desanimada porque eu odeio ela normalmente, mas quem diria que ela ia ter crises histéricas mais engraças do que os ataques de pânico do Jon? No próximo capítulo nós teremos a "conversinha" do Aegon com ela e outras cositas más. Espero que gostem e comentem.
Bjux
Bee
