Apesar do arrependimento ter sido quase imediato, Arya precisou de pelo menos quatro horas pra criar coragem e ligar pra ele. O problema é que Jon não queria ser encontrado. Ela tentou o celular, tentou ligar na casa dele, mas ele simplesmente não atendia.

Aegon disse para que ela desse um tempo para Jon processar algumas coisas, mas ele não sabia o quanto ela havia sido injusta. Tudo porque ela estava com medo de estar entrando de cabeça em algo com o qual ela não tinha condições de lidar. Ela queria um pouco de tempo e espaço pra pensar e o que acabou ganhando foi mais dor de cabeça.

Ela passou o resto do fim de semana tentando encontrar um meio de falar com ele, mas Jon estava deixando uma mensagem com todo aquele silêncio. Ela teria de resolver aquilo pessoalmente.

Na segunda feira ela saiu da aula e a sensação de não o ver esperando por ela do outro lado da rua era angustiante. Arya pegou o celular e ligou pra Aegon sem nem pensar duas vezes. Ao menos ter dois Targaryens na lista de contatos devia servir pra alguma coisa.

- O deus do sexo falando. – ele respondeu de forma pretensiosa do outro lado da linha. Em outra situação ela teria rido daquilo, mas Arya não estava de bom humor – O que posso fazer por você, reles mortal?

- Jon está na empresa ainda? – ela perguntou enquanto seguia pela rua.

- Sim, ele está. E com um humor tão pavoroso que eu estou começando a cogitar a hipótese de colocá-lo numa camisa de força e amordaçá-lo, mas do jeito que ele gosta de sofre é perigoso ele acabar gostando disso. – Aegon disse debochado.

- Eu estou indo ai. – ela disse objetiva – Se não for pedir muito pode mantê-lo na empresa por mais tempo?

- É claro. Não que eu precise fazer esforço. Quando passei na sala dele ele estava com a cara enterrada numa papelada do departamento jurídico. – Aegon respondeu – Quando chegar aqui pode ir direto pro elevador privativo. Vou avisar que você tem uma reunião particular com ele.

- Obrigada, Aegon. – ela agradeceu.

- Não há de que. Aliás, não me agradeça. Eu estou fazendo isso por ele, não por você. – Aegon disse direto – Não me leve a mal, Arya. Gosto de você, mas meu irmão não tem estrutura pra lidar com crises existenciais além das que ele já tem. Cuida dele direitinho, ou metade dessa empresa vai pro espaço se ele continuar com o humor que ele está no momento.

- Pode deixar. Eu já entendi. – ela respondeu desanimada.

- Boa garota. Agora dê um jeito de chegar aqui e colocar um sorriso safado na cara azeda do meu irmão e eu não quero nem saber que métodos você vai usar contanto que mande a faxineira desinfetar tudo até amanhã. – Aegon disse – Eu odiaria ver aquele sofá de couro arruinado por causa da perversão de vocês. Aquele sofá vale ouro, não existe uma cama no mundo que faça pelo meu sono o que ele faz. – Arya não conseguiu conter o riso.

- Ok, vou me lembrar disso. – ela respondeu rindo – Até mais, Aegon.

- Até mais. – ele desligou o telefone.

Não ia ser fácil, mas ela não queria que aquilo que ela e Jon tinham acabasse por uma discussão tão ridícula quanto aquela. Arya decidiu pegar um taxi e ir direto pra empresa e resolver o assunto de uma vez por todas, ignorando seu bom senso e até o fato de que o pai dela provavelmente estaria lá também.

Ela se lembrava de ter ido a empresa quando era criança e o pai dela a levou até lá só para que ele pudesse pegar um documento urgente. Era impressionante naquela época e continuava sendo quando ela desceu do taxi. O saguão do prédio era de mármore polido e no chão havia o emblema da empresa. Um dragão vermelho de três cabeças que costumava assustá-la quando ela era pequena.

Arya tomou o elevador privativo, como Aegon havia dito para ela. Havia duas salas no último andar. Uma para Aegon e outra para Jon, enquanto Daenerys e Eddard ficavam no penúltimo andar.

A posrta se abriu e ela caminhou até a entrada da sala dele. Havia uma moça sentada atrás de uma mesa, digitando algo no computador. Ela encarou Arya como se estivesse confusa a respeito do que uma garota vestida com o uniforme de um colégio particular poderia querer com o presidente da empresa.

- Poderia avisar ao senhor Targaryen que Arya Stark está aqui? – ela se dirigiu a secretária ignorando o olhar impertinente que a mulher lançou a ela – É importante.

- É claro, senhorita Stark. – a mulher disse – Mas eu temo que o senhor Targaryen esteja muito ocupado hoje.

- Faça o que eu pedi, por favor. – Arya insistiu e a secretária desistiu de tentar detê-la.

- Ele pediu para que a senhorita entrasse. – a secretária respondeu após ligar para a sala de Jon.

- Obrigada. – Arya não se dignou a lançar um segundo olhar à mulher. Ela tinha coisas mais importantes a fazer, como por exemplo amansar a fera.

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Ele sabia que cedo ou tarde ela ia desistir de ligar e iria até ele pessoalmente. O que Jon não esperava era encontrá-la em sua sala, numa segunda feira, quando ele tinha tanto trabalho pela frente. Na verdade, o trabalho não era urgente, mas ele estava buscando um meio de não pensar na discussão que tiveram durante o aniversário dela.

Arya ainda estava vestindo uniforme quando parou diante dele. O semblante sério, mas não havia nenhum sinal de raiva nela. Ela ficou em silêncio, esperando por uma palavra, ou um olhar dele, antes de começar a falar.

- Achei que quisesse manter a discrição. – ele acabou quebrando o silêncio – Seu pai ainda está no prédio, caso não saiba.

- Não estou preocupada com o meu pai. – ela respondeu imediatamente.

- Não? – ele finalmente ergueu os olhos para encará-la – Meu engano então. Achei que a única coisa com que se importava era em como manter nosso caso de baixo dos panos.

- Jon, por favor. – ele disse séria – Eu não estou aqui pra começar outra briga. Ao contrário, o que eu quero é me desculpar com você.

- Pelo que exatamente? – ele insistiu, enquanto a encarava com seus olhos severos.

- Aquela discussão não deveria ter acontecido, eu...- ela fez uma pausa – Eu estava com medo e ainda estou. Medo de não ser o bastante pra você, medo de assumir um relacionamento sério e acabar magoando você por não conseguir atender às suas expectativas. Eu não devia ter falado aquilo sobre Ygritte.

- Quando eu fui atrás de você na porta da escola eu assumi um risco, Arya. – ele respondeu num tom austero – Eu estava ignorando a minha imagem pública, ignorando minhas responsabilidades com a empresa, minha amizade mais antiga e o respeito que eu tenho pelo seu pai, tudo isso para ter uma chance com você. Tem noção de quanta coisa eu tive que passar por cima pra criar coragem de ir até lá? Você sozinha colocou em xeque todas as minhas noções morais e a minha lealdade. Não teria feito isso por ninguém além de você.

- Eu sinto muito. – ela disse soando mais frágil do que ele jamais a havia visto.

- Eu não preciso que me peça desculpas, o que eu preciso é de uma contra partida, de uma resposta sua. – ele disse se levantando da cadeira e indo até ela – Eu preciso que você se decida se está ou não tão comprometida quanto eu.

- Eu estou aqui te pedindo desculpas. Eu não quero acabar como o que temos. – ela disse enquanto ele se aproximava cada vez mais dela. Jon passou direto por ela, indo até a porta e trancando-a. – Isso não é o bastante pra você?

- Não. – ele respondeu voltando a caminhar em direção a ela – Eu quero mais de você.

- O que você quer exatamente? – ela perguntou. Jon estava atrás dela. Podia ver os cabelos da nuca dela se arrepiarem diante da respiração quente dele.

- Pra começar, eu quero um pouco mais de coragem da sua parte. – ele disse num tom controlado – Posso te dar mais tempo pra preparar o terreno, mas nós vamos abrir o jogo com a sua família. Eu não quero fazer papel de amante, nem ter que ficar calado enquanto algum cara inconveniente tenta colocar as mãos no que é meu.

- Achei que já tivesse dito que não sou sua. Eu não sou de ninguém. – ela disse de forma impertinente. E foi ai que Jon perdeu o controle.

Em movimentos rápidos ele a agarrou pela cintura e a conduziu para frente, até que Arya estivesse com as pernas encostadas na mesa de madeira. Num puxão Jon arrancou a camisa branca dela de dentro da saia e sua mão se esquivou por debaixo do tecido, tocando a barriga dela e tentando subir cada vez mais até alcançar um dos seios dela.

- Então nós temos um problema. – ele disse com a voz rouca junto ao ouvido dela – Eu quero que você seja minha. – a outra mão dele subiu em direção ao pescoço dela. Seus dedos logo a baixo da mandíbula dela, fazendo Arya girar a cabeça e deixando sua boca a milímetros de distância da dele – Eu quero ser o seu homem, não um dos caras com quem você se diverte e depois descarta. Mereço mais do que isso.

Ele não permitiu que ela respondesse. No instante seguinte ele estava atacando a boca dela e depois o pescoço, deixando marcas avermelhadas sobre a pele e deixando um rastro de saliva. Seu corpo se inclinou sobre o dela, forçando-a a apoiar as mãos sobre a mesa do escritório.

Podia senti-la totalmente pressionada contra o corpo dele. O sangue seguindo em direção à parte inferior de seu corpo, queimando dentro de suas veias até alcançar a ereção latente dele. Jon a empurrou até que o tronco dela estivesse totalmente deitado sobre a mesa, fazendo os papeis caírem no chão.

Usou uma das mãos para suspender a saia do uniforme dela, deixando-a exposta e seminua diante dele. A calcinha desta vez era branca, sem qualquer desenho ou detalhe particular. Ele rasgou aquela única peça de roupa em um puxão, fazendo Arya emitir um grito curto de susto. Em seguida, Jon levou a mão até o sexo dela, tocando-a entre as pernas para sentir aquela umidade quente e familiar que ele tanto desejava.

- Ainda acha que não é minha? – ele perguntou rouco junto ao ouvido dela, praticamente rosnando diante da necessidade de deixar claro para o mundo que ele a desejava por completo e não se conformaria com migalhas.

- Bancar o machão comigo não vai me fazer mudar de ideia. – ela provocou, roçando o traseiro contra a ereção dele, fazendo Jon rosnar a agarrá-la com mais força pela cintura.

- Vamos ver se vai continuar pensando assim quando eu terminar com você. – ele respondeu deslizando dois dedos pra dentro dela.

Arya gemeu quando sentiu o toque dele. Moveu o corpo, como se tentasse afastar a mão dele, mas a única coisa que conseguia era pressionar seu traseiro ainda mais contra o corpo dele. Jon usou seu próprio peso para mantê-la no lugar. Seus dedos se movendo habilidosamente, enquanto a palma de sua mão roçava contra o clitóris dela.

Arya respirava com dificuldade, enquanto Jon a tocava sem misericórdia e beijava seu pescoço como se quisesse devorá-la. Ele aumentou a velocidade dos movimentos tentando levá-la ao ápice mais rápido, mas Arya estava resistindo. Ele podia sentir o início dos tremores e os músculos dela se contraindo em espasmos. Ela estava quase lá. Naquele ponto em que o prazer e a necessidade de libertação se misturam de forma quase dolorosa. Jon retirou os dedos de dentro dela e Arya protestou quase que imediatamente diante da perspectiva frustrada de um orgasmo.

Jon desafivelou o cinto e desabotoou a calça, deslizando-a junto com a cueca até os joelhos. Arya tentou se levantar da mesa, mas ele a fez deitar o tronco mais uma vez. Ela parecia revoltada e ele gostava daquilo. Gostava de saber que ela estava desesperada por ele.

- Vai me deixar nesse estado? – ela perguntou entre os dentes.

- Não há porque eu continuar. – ele respondeu rouco – Você insiste em dizer que não é minha, então não posso fazer nada por você. Isso seria muito inapropriado, não acha? – ele roçou sua ereção contra a entrada dela, fazendo Arya grunhir de frustração – Eu sou um cavalheiro. Eu não fodo colegiais no meu escritório, mesmo que estejam loucas por isso.

- Por favor, Jon! – ela estava implorando. Deus do céu, aquilo era bom de se ouvir.

- Implore. – ele disse junto ao ouvido dela – Diga que você me quer. Que quer sentir o quão duro eu estou.

- Sim. – ela disse num tom desesperado – Por favor. Por favor, Jon.

- Quem é o seu homem? – ele continuava provocando-a. Arya se remexia de baixo dele, tentando obter mais contato, mais fricção.

- Você. – ela disse – Você é.

- Isso que dizer que você é minha? – ele perguntou beijando o pescoço dela mais uma vez – Você é minha mulher, Arya? Minha e de mais ninguém?

- Sim! – ela exclamou – Por favor, Jon!

- Então diga que é minha. – ele insistiu, torturando-a um pouco mais.

- Eu sou sua! – ela disse e sem aviso ele a penetrou de uma vez, tão fundo que Arya não conteve um grito curto que lhe escapou da garganta.

- Continue dizendo. – ele ordenou enquanto se movimentava dentro dela. Arya não conseguia obter fôlego o suficiente para formar uma frase completa enquanto ele a estocava cada vez mais fundo e com mais força – Diga!

- Sua! – ela disse no meio de um gemido – Sua!

E a cada vez que ela repetia aquela afirmação Jon se lançava dentro dela, aumentando o ritmo gradualmente, procurando se enterrar entre as pernas dela e deixar claro que ninguém a faria gemer e implorar daquela maneira. Ninguém além dele.

Arya continuava repetindo a afirmação como um mantra, fazendo-o se perder de vez o controle sobre seu corpo enquanto Jon buscava prazer e autoafirmação dentro dela. Às vezes ela gemia o nome dele, as veres era só um lamento desconexo. Ele não estava fazendo questão de medir forças e muito provavelmente quando terminasse ela estaria dolorida, mas isso era algo para se pensar em outro momento.

Jon levou a mão até o ponto de prazer oculto entre as pernas dela, bem a cima de onde seus corpos se união e o atacou sem piedade, fazendo Arya se render a um orgasmo tão forte que os joelhos dela chegaram a vacilar. Ele continuou estocando-a e tocando-a até Arya ter de levar a mão à boca para conter os sons que estava fazendo. Os músculos dela se contraíram com tanta força ao redor dele que Jon não resistiu por muito mais tempo. Seu alívio veio de uma vez e o canal estreito, quente e úmido parecia tragá-lo para dentro de Arya.

Ele fechou os olhos enquanto sentia sua mente ficar mais clara. Arya ainda estava deitada sobre a mesa, incapaz de mover um único músculo naquele momento. Roçou o nariz contra o pescoço dela e beijou-a com carinho. Arya ronronou em resposta.

- E eu que pensava que você era um santo. – ela disse parecendo totalmente satisfeita, quase sonolenta.

- Machuquei você? – ele perguntou finalmente se dando conta de que não havia dado qualquer importância a toda força que usou.

- Juro que te conto quando voltar a sentir meu dedão do pé. – ela respondeu rindo – Acho que isso foi o que eu chamaria de orgasmo trauma. Você simplesmente nunca supera, o que pode ser frustrante. Isso foi uma tentativa de me dar uma lição, ou foi sexo de reconciliação?

- Um pouco dos dois, eu acho. – ele respondeu. – Por que?

- Porque se isso foi sexo de reconciliação, acho que vamos começar a brigar toda semana. – ela respondeu e Jon riu – Falando sério agora. O que foi tudo isso?

Jon saiu de cima dela e vestiu novamente as calças, tentando ficar um pouco mais apresentável. Arya teve alguma dificuldade pra se levantar da mesa, mas assim que o fez ela ajeitou a própria roupa e se sentou em uma das cadeiras do escritório.

Ele se ajoelhou ao lado dela e a beijou na boca. Arya fechou os olhos e se deixou levar pelo cuidado dele, que parecia totalmente estranho depois de Jon ter se mostrado tão intenso e possessivo.

- Você revirou meu mundo de pernas pro ar, sabia? – ele disse de forma gentil – Quando você começa a me pedir por tempo e me dizer que eu a assusto por fazer planos, ou porque acha que não é capaz de atender às minhas expectativas, sinto que o que você quer é se afastar de mim, me deixar de vez. Eu não quero perder você, Arya.

- Eu não vou te deixar, Jon. – ela disse segurando uma das mãos dele – É só que...Bem, ninguém sabe que eu estou me encontrando com alguém. Jogar a notícia em cima da minha família de uma vez pode não ser a melhor maneira de resolver isso.

- É isso o que você quer? Mais tempo pra preparar o terreno? – ele a encarou no fundo dos olhos com toda seriedade do mundo.

- É. É só isso o que eu estou pedindo. – ela concordou.

- E toda aquela história de eu te assustar com meus infinitos planos? – ele ainda não estava satisfeito com as resposta dela. Arya respirou fundo.

- Olhe a sua volta. – ela pediu – Você é um cara importante, você tem responsabilidades, uma vida já estruturada e pessoas esperam coisas de você. Talvez não note isso, mas não é exatamente fácil ignorar que você é um dos caras mais ricos e influentes do pais. Isso é assustador, Jon. Além disso, você estava pronto pra adquirir o pacote completo, com direito a esposa e filhos, acho que você sabe que se tiver esperanças de conseguir isso comigo, pode acabar esperando muito.

- Eu não estou te cobrando nada nesse sentido, Arya. Isso seria cruel e injusto com você. – Jon afirmou categórico – Um dia, talvez possamos pensar a respeito, mas não agora. Não antes de você pelo menos descobrir o que quer cursar na faculdade, ou ganhar uma medalha olímpica.

- Só não... – ela respirou fundo – Só não me pressione. Eu não faço sentindo quando tenho que lidar com esse tipo de pressão.

- Não quero que se sinta assim. – ele disse beijando-a em seguida – Nós estamos tão bem juntos. Eu só quero você. Só você.

- Espero que as paredes daqui seja grossas, ou a sua secretária vai pedir demissão amanhã. – Arya disse mudando subitamente de assunto. Jon a encarou tranquilo.

- As paredes são a prova de som. – ele disse satisfeito.

- E por que você precisa de paredes a prova de som? – Arya perguntou arqueando uma sobrancelha.

- Bem...Primeiro porque eu já precisei tomar algumas decisões bem sérias aqui e dar instruções cruciais para o funcionamento da empresa. Tudo o que eu não precisava era de alguém ouvindo minhas conversas e vendendo essas informações pra concorrência. E eu divido o andar com meu irmão. Aegon quase não se dá ao trabalho de ficar aqui, mas já aconteceu dele decidir que o escritório dele era um bom local pra ter um encontro. – Arya riu da resposta.

- E acho que você acabou concordando com a ideia dele. – ela provocou.

- Não gosto de misturar negócios com prazer, mas...É, não foi das piores. – Arya deu um tapa no braço dele em resposta e Jon riu.

- Seu safado. – ela resmungou.

- Não posso fazer nada se você desperta esse lado em mim. – ele respondeu rindo – Me encontra mais tarde em casa?

- Hoje não dá. Tenho trabalho pra entregar amanhã e ainda falta terminar. – ela disse beijando-o rapidamente – Amanhã eu apareço por lá.

- Vou ficar te esperando então. – ele respondeu – E eu prometo que vou ser mais gentil com você, pra te compensar por hoje.

- Não que eu esteja reclamando. – ela disse rindo – A propósito... – Arya abriu os primeiros botões da camisa, revelando o pingente de diamante amarelo pendurado alguns milímetros abaixo da clavícula dela – Acho que realmente fico bem com ele.

Jon não disse nada, apenas lançou a ela um sorriso malicioso. Arya lhe deu as costas e saiu da sala, enquanto ele se perguntava como ela conseguia deixá-lo naquele estado sem fazer qualquer esforço pra isso.

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Aquele projeto de cafetão de quinta categoria havia dito um mês. Quando Jon apareceu no churrasco, dando uma joia de presente pra irmã dela, Sansa chegou a prender a respiração achando que ele ia comunicar a todos naquele momento. Seria um desastre, é claro. No dia seguinte estaria estampado em todas as revistas e colunas sociais da cidade, mas Jon era mais esperto do que ela havia pensado.

Alguma coisa aconteceu no dia. Jon saiu da casa dos Stark visivelmente contrariado, Arya sumiu por maior parte da festa e ela teve de recorrer a Aegon para saber o que estava acontecendo e tudo o que o tratante falou foi "eu avisei a ele".

- Avisou o que pelo amor de Deus? – Sansa perguntou aflita.

- Jon as vezes não sabe se controlar quando fica apaixonado. – Aegon respondeu dando de ombros – Eu disse que ele devia ir com calma. Aparentemente sua irmã começou a sentir a pressão de como é fazer parte do mundo dele.

- Acha que eles terminaram? – Sansa continuou e Aegon parecia indiferente.

- Não. Isso foi só uma briga de casal. – ele respondeu – Não se iluda, Stark. Meu irmão não desiste fácil de uma briga e eu tenho que dizer que Arya é uma briga e tanto.

- Você me ameaça pra ficar calada sobre os dois com todo aquele discurso de que só quer o bem do seu irmão e agora age como se não se importasse! Você tem algum problema mental? – Aegon finalmente se dignou a olhar pra ela.

- Eu? Problema mental? – ele disse rindo – O que você quer que eu faça exatamente? Caso não tenha entendido, eles brigaram. É um problema que os dois têm que resolver. De qualquer forma, Jon está de cabeça quente e vai precisar de alguns dias pra melhorar.

- E o que exatamente eu devo fazer com a minha irmã? – ela retrucou severa – Arya deve estar arrasada!

- Sabe que você quase me convence de que está mesmo preocupada com ela? – ele respondeu rindo – Sério, Stark. Relaxa, toma um drink, ou procura outra pessoa pra você infernizar. Os dois são adultos, uma hora vão se entender. Se Arya decidir falar com você ai você faz de conta que é uma irmã legal e posa de melhor amiga dela, do contrário só senta e espera.

E ele a ignorou. Aquele sujeitinho pavoroso e sem escrúpulos queria que ela ficasse sentada observando Arya descontar toda sua raiva em qualquer ser vivo que ousasse passar perto dela. Foram dois dias de tensão, dois dias ouvindo ela xingar e reclamar que precisava treinar. Ao menos quando ela treinava parte da frustração era gasta com um florete.

Para a felicidade geral da nação, algo aconteceu, mesmo que Sansa não soubesse dizer exatamente o que. Arya chegou em casa na sexta feira reclamando que estava exausta por causa de um treino extra e foi direto pro banho, mas o sorriso lerdo na cara dela dizia que ela não havia passado nem perto do treino naquele dia.

Sansa não era ingênua ao ponto de achar que Arya vivia em voto de castidade, mas preferia evitar imaginar a irmã mais nova com um homem. Era o jeito mais fácil de manter sua bolha de felicidade intacta, mesmo que às vezes Arya fizesse questão de chocá-la com um ou outro comentário deselegante. Sansa ainda tinha que entender porque se lembrava de Aegon toda vez que Arya fazia aquilo.

Este não era o ponto da questão. O problema era que o tempo havia passado e apesar de Arya ter dito que estava se encontrando com uma pessoa, até aquele momento nem ela nem Jon haviam tomado coragem pra contar que estavam juntos. Robb chegou a ligar pro amigo pra saber se Arya havia falado alguma coisa sobre o namorado pra ele em um daqueles encontros públicos que eles tinham de vez em quando.

É claro que Sansa quis rir e depois estapear o irmão pela pergunta imbecil. Como ninguém tinha percebido ainda era um mistério além da compreensão dela. A verdade era que Robb estava deixando a raposa tomar conta do galinheiro e ainda tinha esperanças de que ela fizesse um bom trabalho.

Quase dois meses haviam se passado desde o aniversário da irmã dela. Pelo menos Arya começava a dar sinais de que iria apresentar o namorado pra família em breve, o que deixava Sansa aliviada.

A vida era tranquila e feliz naqueles, ela estava ocupada ajudando Jayne com os preparativos do casamento e Sansa mal podia conter a felicidade quando provou seu vestido de madrinha pela primeira vez. Ela tinha que admitir que até Arya ficou bem no vestido de dama de honra. O azul marinho combinava com a irmã dela e ainda fazia os olhos de Sansa parecerem mais azuis.

Aquele teria sido um dia perfeito se Arya não tivesse se sentido mal subitamente. Ela pediu água à costureira e se sentou dizendo que havia sentido uma vertigem. A primeira reação da mãe delas foi dizer que Arya estava treinando muito e não vinha se alimentando direito. E mais uma vez Sansa se perguntava se todos naquela casa haviam ficado cegos pra não perceber o óbvio.

Mas ela havia aprendido sua lição. Ela não ia se meter na vida da irmã sem antes ter certeza de que o mal estar de Arya não era apenas isso. Um mal estar.

Naquele fim de semana Arya ficou em casa e dormiu bastante, o que não era um comportamento típico dela. Mesmo diante desta situação, Sansa manteve a calma e a discrição. Estaria tudo absolutamente perfeito se numa tarde ela não tivesse entrado no banheiro da irmã procurando por seu creme hidratante, pouco antes de sair para se encontrar com umas amigas. Ela já estava toda arrumada, com a bolsa em mãos, só faltava o creme.

Sansa revirou o armário a procura do vidro, mas o que achou no fundo do armário estava bem longe de ser aquilo que ela estava procurando. Se ela tinha alguma dúvida, agora tudo estava explicado. Arya não compraria aquilo se não houvesse uma forte probabilidade. Ela abriu a bolsa imediatamente e pegou o celular. De todos os contatos possíveis, o único em quem ela conseguia pensar para ajudá-la naquela situação era ele.

Um toque...Dois toques...Três toques...

- Fala sério, você quer dar pra mim, só pode! – a voz mal educada de Aegon soou do outro lado da linha.

- Acredite ou não você não faz meu tipo, seu doente pervertido. Meu assunto com você é muito mais sério do que isso! – ela resmungou imediatamente.

- Sansa, nada é mais sério do que essa sua falta de orgasmos. Me dê alguns drinks e eu resolvo isso, mas se não estiver interessada me deixa em paz! – ele retrucou.

- Eu acho melhor você sentar antes de ouvir o que eu tenho a dizer. – ela sugeriu.

- Diz logo o que você quer. – ele revidou.

- Ok, foi você quem pediu. – ela disse séria – Eu estou com um teste de gravidez em mãos.

- Oh, parabéns. – ele disse chocado – Nós não bebemos além da conta e eventualmente acabamos na cama. Eu acho que me lembraria disso. Então, sinto te decepcionar, querida. Não sou o pai, mas espero que você descubra quem é.

- Não é meu, seu imbecil. – ela quase rosnou – É da minha irmã! Acho que nós dois vamos ser tios.

- Nós vamos... – ele repetiu lentamente como se não tivesse entendido o que ela havia falado – Nós vamos? Nós vamos! Oh meu Deus! Me diz que isso é uma brincadeira de mal gosto!

- Eu acho que é bem sério. – ela respondeu tentando recuperar o fôlego.

- Jon...Eu preciso...Meu Deus... – Aegon não conseguia formar uma frase completa – Ele sabe?

- Eu não faço ideia! – Sansa respondeu – Eu o deixaria preparado para notícias bombásticas se fosse você.

- É, tem razão. Eu vou. Oh meu Deus! Que homem burro! Como meu pai conseguiu botar um filho tão burro quanto ele no mundo? – ele respondeu parecendo descontrolado – Eu vou tentar falar com ele e você vê se tira essa história a limpo. Não deixa a doida da sua irmã fazer nada estúpido como beber chás estranhos e marcas consultas suspeitas com médicos suspeitos. Aliás, se puder, amarre ela dentro de casa. Eu tenho que ir. Tchau.

E ele desligou antes que Sansa tivesse a chance de falar qualquer coisa. Ela se levantou do chão enquanto tentava recuperar o fôlego, quando seus olhos se fixaram no reflexo do espelho.

Arya estava atrás dela, imóvel como uma estátua e com cara de quem estava a ponto de assassinar alguém.

- Eu quero saber quem te deu autorização pra mexer nas minhas coisas e eu também quero saber quem era no telefone. – Arya falou com os dentes cerrados.

E foi assim que o caos começou.

Nota da Autora: E a merda atingirá o ventilador em 3, 2, 1...No próximo capítulo para ser mais exata XD. Esse foi tenso de escrever porque até eu estava puta com aquela briga sem sentido, mas acho que deu pra entender onde eu queria chegar com ela. E então, eu quero sentir as expectativas de vocês para o próximo capítulo. Espero que gostem e comentem.

Bju

Bee