Ele estava a, pelo menos, meia hora tentando entender o que o irmão queria. Aegon entrou na sala dele, pálido como alguém que havia acabado de ver uma assombração, ou algo do gênero, sem conseguir formar uma frase completa. A única coisa que Jon conseguia entender de todo falatório sem sentido era que Aegon queria tirá-lo de seu escritório e levá-lo para o bar mais próximo.
Era algo em torno das três da tarde, de um dia particularmente atarefado para o quadro da diretoria, já que eles haviam passado a manhã em reunião. Jon estava mais preocupado em planejar um meio de ser apresentado aos Stark como namorado de Arya, do que em dar atenção aos dramas libertinos do irmão.
- Jon, sério. Eu preciso... – Aegon começou pela milésima vez – Você não está entendendo...É sério!
- É claro que eu não estou entendendo! – Jon respondeu – Você não conseguiu completar uma frase até agora. Volte aqui quando conseguir colocar em palavras o problema, ai nós podemos conversar a respeito.
- Jon! É um caso de vida ou morte! – Aegon insistiu. Jon levou a mão à cabeça, massageando a têmpora. Deixou de lado os relatórios que estava analisando e ficou encarando o irmão à espera de uma conclusão lógica para aquele raciocínio. – Droga! É importante e eu não sei nem como começar.
- Talvez do princípio? Costuma funcionar. – Jon sugeriu debochado e Aegon ficou mais nervoso com o que queria dizer.
O irmão dele chegou a abrir e fechar a boca várias vezes, mas nenhum som saia. Quando ele achou que Aegon finalmente ia começar a fazer sentido o telefone tocou, mas antes que Jon tivesse a chance de atender, alguém abriu a porta da sala como um vendaval.
Jon registrou a altura do invasor, o cabelo avermelhado e os olhos azuis. Robb parecia transtornado por algum motivo. Ele pensou em perguntar ao amigo o motivo daquela entrada, mas antes que pudesse fazer ou dizer qualquer coisa Stark lhe acertou um soco bem colocado na mandíbula, deixando-o tonto imediatamente.
Robb rosnava como um cão enfurecido, Aegon gritava enquanto tentava segurar o agressor do irmão. Jon tentava recuperar o equilíbrio, sentindo a dor turvar seus sentidos. Ele se segurou na mesa do escritório e levou a outra mão à mandíbula para se assegurar de que não havia nada deslocado. O que diabos estava acontecendo ali?
- SEU SAFADO TRAIDOR! – Robb rosnou e Jon finalmente conseguiu entender o que alguém na sala estava falando – COMO VOCÊ PODE FAZER ISSO? EU CONFIEI EM VOCÊ, CRETINO! – Robb se debatia, enquanto tentava se livrar dos braços de Aegon, que o mantinham afastado de Jon.
- Alguém pode me explicar o que está acontecendo aqui? – Jon finalmente perguntou.
- O que está acontecendo? Você ainda tem coragem de me perguntar isso na minha cara como se não soubesse exatamente do que eu estou falando? – Robb vociferava – Eu confiei em você a vida toda! Você era como um irmão pra mim, seu miserável traidor! Eu confiei em você pra ser uma boa influência pra minha irmã, não pra levar ela pra cama, desgraçado!
E aquela era a confirmação de suas suspeitas. Jon imaginava que a reação de Robb ao relacionamento seria ruim, mas não esperava agressão física. Ele tentou se colocar numa posição digna. Respirou fundo e tentou limpar o sangue que lhe escorria pelo canto da boca graças ao lábio cortado. Aegon ainda tinha problemas em controlar Robb e Jon já considerava a possibilidade de chamar a segurança.
- Se você se acalmar, eu posso tentar me justificar, Robb. – Jon disse – Eu nunca fiz nada com o intuito de atacar você ou qualquer pessoa de sua família.
- Obviamente não. Você fodeu a minha irmã por puro amor a todos nós e em respeito a tudo o que meu pai fez por você, sua víbora! – Robb continuava.
- Não foi isso o que aconteceu. – Jon retrucou em tom firme – E eu não vou admitir que desrespeite a mim e a sua irmã dessa maneira.
- Não foi o que aconteceu? – Robb repetiu com a voz carregada de desdém – Pelo amor de Deus, Jon! Eu posso não ter sido um aluno brilhante em termos de biologia, mas pelo que eu saiba esse é o método mais simples de se engravidar uma garota!
Ele precisou de um minuto para processar o que Robb havia falado. Engravidar uma garota...Aquelas palavras ecoaram em seus ouvidos e em sua mente várias vezes. Não havia possibilidade daquilo ser verdade! Eles sempre foram tão cuidadosos neste aspecto em particular. Todas as vezes que...Não. Houve uma vez. Um descuido após a briga deles quando Arya decidiu aparecer no escritório dele.
- Você disse que Arya está...- Jon respirou fundo e se sentou mais uma vez. Aegon largou Robb, que agora parecia mais controlado – Oh meu Deus!
Ele ia ser pai...Ele ia ser pai. Ele ia ser pai! Não fazia sentido. Não podia ser verdade. Arya era tão nova e se assumir um relacionamento público com ele já era algo que ela tinha dificuldades em lidar, um filho era...Era inimaginável e ao mesmo tempo tudo o que Jon queria era rir. Rir como um maluco e abraçá-la. Ela provavelmente ia querer arrancar a cabeça dele após castrá-lo, mas mesmo assim ele queria correr o risco.
- Jon...- a voz de Aegon soou em algum lugar da sala – Jon, você está bem?
Bem? Como ele poderia estar bem depois de levar um soco e descobrir que tinha engravidado uma colegial? E por incrível que pareça, Jon poderia jurar que nunca esteve melhor. Era confuso. Era irritante. Ele queria praguejar e amaldiçoar sua burrice, seu descuido, seu descontrole e ao mesmo tempo gritar pra todo prédio ouvir que ele seria pai.
- Acho que ele está catatônico. – Aegon comentou mais uma vez – No mínimo o soco que você deu nele fez o pobre coitado perder o resto do juízo, como se sua irmã delinquente juvenil já não o tivesse deixado doido o bastante. O que acontece nessa família perturbada de vocês?
- Essa é a sua ideia de piada? – Robb rosnou mais uma vez – Eu pareço estar me divertindo, Targaryen? Esse merda que você chama de irmão abusou da nossa confiança, da minha amizade e dos anos de consideração que eu tinha por ele pra seduzir a minha irmã caçula! Não satisfeito em levá-la pra cama, ele ainda se achou no direito de arruinar a vida dela!
- Arruinar a vida dela? – Aegon encarou Robb incrédulo – Você prestou atenção na burrice que você acabou de falar? Ela vai ser mãe de um Targaryen, isso é tipo ganhar na loteria. Eu sei dessas coisas. Pelo menos uma vez por ano uma doida vem pra cima de mim com essa conversa de gravidez.
- Está insinuando que minha irmã é uma golpista? – Robb avançou em direção a Aegon.
- É claro que não! Eu gosto da sua irmã. Ela tem mais senso de humor num fio de cabelo do que o resto da família inteira. – Aegon revidou – Arya é a ovelha negra, eu gosto desse tipo de gente. Costumo me identificar com gente assim. O que eu estou tentando dizer é que ninguém aqui vai se esquivar das responsabilidades. – ele ponderou - Talvez se fosse eu o acusado a situação poderia ser diferente, mas é do Jon que nós estamos falando.
- Ela tinha uma carreira na esgrima! Estava prestes a entrar pra universidade! O que você acha que ela vai fazer agora com um filho na barriga? – Robb continuava com seu discurso superprotetor.
- Ela será a mãe de um futuro milionário, pelo amor de Deus. Você está falando como se ela tivesse que passar o resto da vida dela trabalhando em dois turnos, morando em uma casa minúscula e tentando criar um filho sozinha enquanto lamenta não ter tido juízo o bastante pra usar pílula ou mandar o imbecil ali botar uma camisinha! – Aegon disse exasperado – Agora já foi. Ele comeu a tua irmã, agora ela está grávida e ele vai assumir. Supera!
- Aegon, quer fazer o favor de calar a sua boca! – finalmente Jon saiu de seu estado de choque e se levantou da mesa. Ele encarou Robb diretamente e apontou o dedo em direção ao ex amigo – Com você eu me entendo depois.
Ele vestiu o paletó às pressas, pegou a chave do carro, o celular e a carteira. Ligou para a secretária e pediu para que todos os compromissos daquele dia fossem desmarcados enquanto Aegon e Robb o encaravam sem entender toda aquela disposição repentina.
- Aonde você pensa que está indo, seu filho da mãe? – Robb rosnou.
- Ao banco. – Jon respondeu imediatamente – E eu espero que seu pai esteja em casa. Preciso falar com Ned.
Robb o encarou como se não tivesse entendido uma única palavra da explicação dele. Jon ignorou o amigo e o irmão, enquanto caminhava em direção a porta. Aegon havia levado a mão à boca, sem saber se devia ou não dizer alguma coisa.
- O que diabos está acontecendo aqui? – Robb urrou mais uma vez.
- Meu Deus, você é tão lerdo quanto a Sansa! – Aegon retrucou – Você ainda não entendeu que ele está indo pedir sua irmã em casamento?
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Havia alguns momentos na vida dela em que Arya considerava seriamente a ideia de assassinar a própria irmã, mas no fim das contas ela sempre arranjava uma desculpa pra deixar Sansa viva por mais um dia. Mas isso foi antes daquele ser desequilibrado causar a maior confusão por causa de um teste de gravidez ainda lacrado e acusar Arya de estar mesmo grávida, num tom de voz que permitiu à metade da cidade ouvir o último escândalo do momento.
E graças ao escândalo que Sansa fez e ao timing perfeito de Robb, o irmão mais velho dela havia saído da casa determinado a matar o até então melhor amigo. A mãe dela estava chocada e não parava de dizer o quanto aquilo era um absurdo e como ela ainda era uma criança. O pai dela chegou alguns minutos depois e teve a reação mais peculiar de todas.
Ned Stark se sentou de frente pra Arya com o rosto severo, como quem está prestes a passar um sermão em alguém. Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, sua expressão facial se converteu num olhar piedoso e Arya podia jurar que ele ia dizer que ela continuava sendo a garotinha dele, mas ele continuou calado. Depois ele simplesmente desistiu de dizer qualquer coisa e foi atrás da esposa em busca de algum apoio moral.
Rickon estava vendo tudo do alto da escada, com os olhos arregalados, enquanto fazia um grande esforço pra entender toda aquela agitação repentina. Bran estava sentado no sofá e ficou quieto durante toda confusão, com um semblante tão calmo e sereno que alguém poderia sugerir que ele era uma reencarnação de Buda.
E não importava quantas vezes ela dissesse que não havia nada confirmado, ou como aquilo poderia ser apenas um alarme falso, já que Arya não havia feito o teste ainda. Todos ignoraram o que ela estava dizendo, apenas assumindo que Jon Targaryen havia se infiltrado no santo lar dos Stark para seduzir a pequena Arya e engravidá-la como parte de algum plano maquiavélico para suprir seu desejo perverso de construir uma família a qualquer custo. Por sorte apenas Robb ouviu quando Sansa mencionou o nome de Jon, mesmo que Arya soubesse que aquele não era um segredo que duraria muito tempo.
O resultado de todo aquele desastre se resumia a uma tentativa de assassinato por asfixia. Arya voou pra cima da irmã e entre puxões de cabelo, tapas e unhadas, ela acabou agarrando Sansa pelo pescoço.
Bran finalmente saiu de onde estava e afastou as irmãs, antes que Arya tivesse mesmo a chance de enforcar Sansa. A gritaria continuava. Sansa correu para o outro lado da sala e se escondeu atrás da mãe, que continuava falando algo sobre irresponsabilidade e esse tipo de coisa. Uma zona de guerra seria um lugar mais pacífico do que a casa dos Stark naquele momento.
O interessante é que até aquele momento ninguém se quer havia perguntado quem era o pai, até Ned Stark recuperar suas funções cognitivas e pedir que Arya se sentasse no sofá. Mais uma vez o senhor Stark se sentou diante da filha mais nova, respirou fundo e ponderou as palavras que usaria.
- Quem é o pai, Arya? – ele perguntou num tom de voz controlado. Definitivamente aquela não era a forma como ela pensou em anunciar seu relacionamento com Jon, mas diante das circunstâncias, ela não tinha muita opção.
- Pra começo de conversa eu nem sei se estou grávida. Eu não fiz o teste ainda e Sansa saiu gritando desesperada como se eu já estivesse com uma barriga! – Arya se defendeu imediatamente.
- Mas há uma suspeita, Arya. Nós sabemos que você está se encontrando com algum rapaz, o mínimo que pode fazer por nós é dizer quem é. – Ned respondeu firme. Arya fechou os olhos e levou a mão à cabeça.
Ela respirou fundo, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa alguém tocou a campainha. Todos ficaram em silêncio enquanto Bran atendia à porta. Todos pareceram surpresos ao ver Jon parado a porta, com o lábio cortado e parecendo que havia competido uma maratona.
Ótimo, agora o circo estava completo. Arya revirou os olhos. Sansa soltou um gritinho histérico, enquanto os outros Stark pareciam absolutamente confusos. Jon pediu licença e atravessou a sala inteira numa fração de segundos parando de frente para ela e se colocando de joelhos.
- É verdade? – foi tudo o que ele perguntou, como se isso lhe custasse todo fôlego do mundo. Cat e Ned trocaram olhares preocupados.
- Eu não sei! – Arya esbravejou – Pela milésima vez, eu não sei se eu estou grávida e todo esse circo ridículo não estaria acontecendo se Sansa não fosse uma histérica descontrolada! Ela e o seu irmão!
- Acho que eu realmente preciso de alguns esclarecimentos, Arya. – Jon disse sério.
- Meu ciclo está atrasado, mas isso não chega a ser uma novidade pra mim, já que eu nunca fui muito regular. – ela disse imediatamente – Mas como eu me lembrei de um pequeno incidente no qual nós não fomos muito cuidadosos eu comprei o teste pra ter certeza. Todo mundo satisfeito agora? O meu namorado secreto é o Jon e se eu estiver mesmo grávida, o que ninguém tem certeza ainda, ele é o pai.
O silêncio tomou conta do lugar. Ela não queria encarar os pais, ou os irmãos naquele momento. Jon a encarava com o semblante sério, muito mais controlado do que qualquer outra pessoa naquela sala. Arya notou como ele respirou fundo e segurou a mão dela entre as suas. Ela podia pressentir que o que ele estava prestes a dizer não iria agradá-la nem um pouco e mesmo assim não podia ser evitado.
Jon se levantou do chão e se virou para encarar a família dela pela primeira vez. Apesar da situação em que se encontravam, ela não conseguia imaginar ninguém agindo com tanta dignidade quanto ele, mesmo em condições tão drásticas.
- Ned, Catelyn, eu sinto muito que tudo tenha acontecido de forma tão precipitada e drástica. Sei que não estou em condições de pedir nada neste momento, mas mesmo assim, se puderem nos dar alguns minutos a sós, eu e Arya precisamos conversar.
Os pais dela trocaram olhares mais uma vez e foi Catelyn quem pediu para os outros filhos deixarem a sala. Ned seguiu a esposa sem dizer uma única palavra. Jon se sentou ao lado dela no sofá e respirou fundo mais uma vez. Estavam sozinhos e Arya conseguia sentir a expectativa e a ansiedade irradiando dele. Aquela seria uma conversa difícil e ela sentia suas mãos tremerem.
- Por que não me contou que tinha uma suspeita? – ele perguntou antes de encará-la – Você não tem que passar por estas coisas sozinha.
- Porque eu não acho que há um motivo pra tanto alvoroço. Sempre foi normal pra mim atrasar duas semanas, até um mês inteiro, mas como eu me lembrei daquela vez decidi comprar o teste. – ela respondeu levando a mão a cabeça - Eu não acho que vá dar positivo, mas é melhor ter certeza.
- Eu sinto muito pelo descuido. – ele disse sério – Você ainda é nova de mais pra passar por tudo isso.
- Ainda é uma suspeita, Jon. Não comece a falar como se estivesse sentindo um bebê se mexer na minha barriga. – ela respondeu e talvez aquilo tivesse soado muito mais cruel do que ela pretendia.
- Se você estiver mesmo grávida...- ele disse num tom controlado – Eu quero que saiba que não vou me eximir de nenhuma responsabilidade. Mais do que isso, eu vou assumir todos os deveres de um pai.
- E se eu decidir não continuar com a gravidez? – ela testou. Sabia que aquela era uma opção que seria difícil para ele aceitar. Ele ficou em silêncio por alguns segundos. Sua respiração era profunda e seu rosto demonstrava uma expressão peculiar, como se ele estivesse digerindo cada uma das palavras dela com muito cuidado.
- Acho que você sabe que está opção não me agrada nem um pouco. – ele disse sério – Não é uma questão apenas ideológica, é também algo que pode refletir na minha imagem pública e na imagem da minha empresa de uma forma muito negativa. Não sei se você entende isso muito bem, mas eu assumi o controle dos negócios muito novo. Eu ainda sou muito novo para muitas das pessoas com quem eu tenho de lidar neste meio e isso gera desconfianças em relação a minha pessoa e à minha empresa. É uma escolha sua, eu sei disso, mas se interromper a gravidez e a notícia vazar isso será um escândalo e muitos investidores e consumidores podem achar que não é confiável lidar com um homem que não assume responsabilidade por seus erros. Isso refletirá na empresa, na minha vida pessoal até mesmo no trabalho do seu pai.
Ela ficou em silêncio. Era a primeira vez que Arya percebia o óbvio. Jon era responsável por várias pessoas. Seus empregados, os acionistas da empresa e os parceiros de negócios, além de ter de lidar com uma vida pública, as expectativas de um público que usufruía dos serviços da empresa e acima de tudo, tentava conciliar este fardo com sua própria satisfação pessoal. Jon ainda não tinha trinta anos e lidava com aquele mundo como se não tivesse conhecido outra realidade.
- O que acontece se eu decidir continuar? O que acontece com a gente? – ela perguntou e sua voz saiu tremula. Jon segurou a mão dela mais uma vez.
- Você não vai ter que passar por nada sozinha. – ele disse num tom gentil e levemente sonhador. Ele queria que ela estivesse mesmo grávida, ou ao menos parte dele queria isso. – Eu vou estar do seu lado e nós vamos continuar juntos. E se você aceitar, nós podemos começar uma família de verdade.
- Você está sugerindo o que eu acho que está? – ela perguntou sentindo os joelhos enfraquecerem. Seria tão mais fácil pensar racionalmente se seu coração não falhasse uma batida toda vez que ele a encarava daquela maneira, como se ela fosse uma obra de arte, ou tão necessária quanto oxigênio.
- Você não tem que aceitar se não quiser. – ele disse sério – E eu não estou sugerindo isso só por causa da possibilidade de estar grávida. Eu sempre quis começar minha própria família, principalmente depois que perdi meus pais. Nunca te disse, mas às vezes me pegava imaginando se você aceitaria ser minha cúmplice nesse plano daqui alguns anos. Obviamente uma gravidez nesta altura queima várias etapas.
- Por que você tem que ser sempre tão sério e tão correto? – ela perguntou exasperada – Você não se contenta com nada pela metade, não é mesmo?
- Eu posso lidar bem com negociações, mas quando o assunto é você eu não consigo me contentar com uma parte razoável. – ele disse acariciando o rosto dela.
- Até parece que você quer que eu esteja mesmo grávida. – ela disse desviando o olhar – Isso mudaria tudo na minha vida, sabia? Minhas ambições, meus planos e até mesmo a nossa relação. Não vai ser fácil, Jon. Você começa a falar assim e eu fico com medo de você estar me idealizando, de tudo isso ser algo absolutamente impensado. Um dia você pode acordar e perceber que cometeu um grande erro, que nós dois embarcamos nisso sem pensar nas consequências.
- Nós podemos tentar. – ele respondeu parecendo totalmente consciente dos riscos que estava correndo – Mas antes, por que não acabamos logo com a dúvida? Ainda está com o teste?
- Estou. – ela respondeu – Só não fique decepcionado se tudo isso não tiver sido um patético alarme falso.
- Prometo que não vou ficar. – ele disse beijando o rosto dela em seguida.
Arya pegou o teste e foi até o quarto dela. Se trancou dentro do banheiro, abriu o pacote e se preparou psicologicamente para esclarecer uma duvida que poderia mudar sua vida inteira drasticamente.
Ela estava quase certa de que tudo aquilo não passava de um alarme falso, somado a uma grande histeria coletiva. Enquanto ela encarava o palitinho, esperando para ver o resultado tudo o que Arya conseguia pensar era na remota possibilidade do teste dar positivo e ela se deparar com a decisão mais importante de sua vida.
Não havia mais uma razão para não assumir um relacionamento público com Jon e ela tinha certeza que se o teste desse positivo sua própria família apoiaria um eventual casamento se ela optasse por isso. O problema era saber se ela estava preparada para ser a esposa de alguém, ou pior ainda, para ser a mãe de alguém. Pra completar, mesmo que ela decidisse não aceitar a proposta dele, aquilo ainda poderia se tornar um escândalo e acabar afetando a imagem de Jon e da empresa.
Tudo o que ela podia fazer era rezar para que o teste desse negativo, para que a família dela superasse o susto e por fim aceitasse Jon. Dessa maneira eles teriam tempo para desenvolver uma relação, ela poderia amadurecer um pouco mais, se acostumar com o estilo de vida dele e um dia, quando ela tivesse certeza de que aquilo não era uma loucura, ou uma atitude irresponsável, talvez ela acabasse concordando em ser Arya Targaryen.
Ela ficou encarando o teste por alguns segundos, observando a mudança gradativa da cor da tira. Uma linha vertical...Uma linha vertical...Uma linha vertical...Era tudo o que ela precisava naquele momento. Tudo o que ela queria naquele momento para ter que evitar pensar em decisões difíceis.
Uma linha vertical surgiu. E em seguida uma segunda linha. Arya fechou os olhos e respirou fundo. O chão havia sumido debaixo dos pés dela. Suas mãos tremiam, sua boca estava seca e seus olhos úmidos. O que ela temia aconteceu.
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Ele se levantou do sofá no momento em que Arya apareceu no fim da escada. Ela estava pálida e trêmula, como se toda aquela pose de garota rebelde e impulsiva tivesse evaporado, deixando pra trás apenas uma jovem vulnerável e amedrontada.
Arya desceu as escadas se segurando ao corrimão. Jon foi até ela, com passos rápidos, mãos suadas e coração acelerado. Ele a encarou esperando por uma resposta. Esperando para que ela confirmasse em palavras aquilo que estava estampado no rosto dela. Arya o encarou, com olhos cheios de lágrimas e mesmo assim lançou a ele um sorriso inseguro e pálido.
- Parece que você não vai ficar decepcionado a final. – ela disse a ele.
Uma parte dele ficou feliz, uma parte dele se sentiu realizada. Mesmo assim, Jon não conseguia dizer coisa alguma a ela por ver o medo e a incerteza estampados no rosto de Arya. Ela ainda era tão nova para ter sua vida modificada drasticamente de uma hora para outra. Foi quando Jon se lembrou de que ele tinha a mesma idade que ela quando recebeu a notícia de que seus pais haviam falecido. A vida não foi justa com ele naquela época, assim como não estava sendo justa com ela.
Ele a puxou para um abraço. Arya descansou a cabeça no peito dele e Jon podia sentir as lágrimas dela molhando sua camisa. Ele passou a mão pelos cabelos curtos dela e não disse nada por um longo tempo. Ela estava chorando e a culpa era dele.
- A decisão é sua. – ele disse num sussurro – E eu vou estar do seu lado pra te ajudar, se você me permitir.
- Você quer uma resposta agora? Eu acho que não estou pronta para te dar uma. – ela disse num tom doloroso de se ouvir.
- Tome o tempo que precisar. – ele disse temendo que ela decidisse que não o queria, que não queria absolutamente nada daquilo que Jon tinha para oferecer a ela. Ele não criou coragem para entregar a ela o anel de rubi que havia pertencido à mãe dele. A joia ficou guardada no bolso do paletó dele, enquanto Jon apenas abraçava Arya como se ela fosse a coisa mais preciosa do mundo e também a mais frágil.
Era difícil perceber quantas duvidas Arya tinha em relação a eles. Jon só podia esperar que se desse a ela opções e liberdade para escolher o próprio futuro ela talvez viesse para ele espontaneamente. Enquanto Arya tinha todas às duvidas do mundo, Jon tinha uma única certeza. Ele a amava e só podia esperar que ela sentisse o mesmo.
Nota da Autora: Então, eu sei que demorei, mas cá está. Capítulo tenso e eu confesso que só decidi que a Arya estaria mesmo grávida ontem de madrugada. Meus motivos? Bem, se ela não estivesse, a relação dela e do Jon não ia mudar em nada e provavelmente o próximo capítulo seria o último. Então eu optei por colocar um bebê no meio do caminho e forçar a Arya a amadurecer um pouco em relação ao que ela sente pelo Jon. Até agora ele era mais um, ele era o amor platônico que por um milagre se tornou o namorado dela, mas ela ainda espera que ele seja como os outros. Isso vai dar a ela a chance de pensar no que ela realmente sente pelo Jon. Próximo capítulo teremos o desfecho desta novela mexicana e uma participação maior do Ned Stark. Espero que gostem e comentem.
Bjus. Bee.
