Primeiro de tudo, eu queria pedir desculpas pela demorada em colocar aqui o segundo capítulo, eu andei fazendo milhares de coisas e só consegui terminar ele agora e colocá-lo aqui.

Queria agradecer a Tami the Strange pelo elogio, significa muito. E quem dera eu ter escrito o roteiro hhahah

O capítulo 3 vai demorar bem menos do que esse, eu prometo.

Aproveitem e mandem reviews, a opinião de vocês é realmente importante.

Tate POV

Tate virou rápido o suficiente para ver uma garota de cabelos claros sair correndo pela porta do porão.

Violet? Era mesmo ela? Por que ela estava ali? Se recuperando do choque de vê-la, mesmo que de relance depois de tanto tempo, ele subiu a escada o mais rápido que pôde, gritando por ela a plenos pulmões, mas ele não conseguia encontra - lá em lugar algum da casa.

Entre lágrimas e soluços ele passou a tarde toda gritando seu nome e olhando cada cômodo vazio da casa. Nada.

Ele se sentou no chão do que um dia foi a sala de jantar e olhou desconsolado em sua volta. Ele sabia que ela estivera lá, ele a viu, reconheceria seus cabelos em qualquer lugar, em qualquer época, mesmo depois de tanto tempo sem vê La. Ele havia sentido sua presença no porão, mas não tinha acredito que fosse realmente verdade, que ele estava certo, tudo que ele pensava era que ele estava perdendo a cabeça, que toda a falta que ele sentia dela estava o deixando louco. Mas ela estivera lá.

Porque?

Era tudo que ele queria perguntar para ela, porque ela estava ali, porque estava vigiando ele, ou talvez ela só tivesse entrado no porão na hora errada. O que ela tinha visto? Ela teria visto ele quebrar a cadeira contra a parede? Chorar descontroladamente e chamar pelo nome dela? O que ela tinha visto? Porque não era capaz de aparecer e falar com ele pelo menos uma vez?

Tudo que ele queria era uma chance.

Uma chance de explicar tudo que ele tinha feito o que tinha feito, porque ele tinha feito. Mas ela nunca daria essa chance a ele.

Ele se deitou lentamente no chão do quarto vazio e fechou os olhos.

O que ele não daria para conseguir dormir, para poder sonhar, para ter um pouco de paz e calma, para arranjar um jeito de tudo se resolver ou pelo menos imaginar que tudo estava resolvido. Mas tudo que passava por sua mente era dor e angústia, raiva e ódio, ele estava sozinho. Realmente sozinho, nem mesmo sua mãe vinha vê-lo mais desde que tinha roubado seu "filho" daquela casa. Mas ele não sentia falta, não mesmo.

- Andou chorando de novo é? – Uma voz ecoou da porta, ele nem precisava levantar e se virar para saber quem era. Hayden. – Que foi queridinho, andou chorando pela sua querida aberração de novo? – Ele ouvia os passos dela, ela estava perto dele agora, ele não ia olhar, tudo que ele fez foi serrar os punhos, ele odiava quando chamavam Violet de 'aberração', principalmente Hayden. –Oh, você não esta falando comigo de novo? É isso? Hahahaa – ela tinha a pior risada do mundo, cortante, uma risada que expressava puro deboche, isso o fez ficar com mais raiva. –Não se esqueça que... – ele sentiu uma cortina de cabelos caindo sobre seu rosto e em seguida um sussurro em seu ouvido – eu sou a única que você tem aqui. – Ele abriu os olhos e socou o ar, ela já tinha ido, os olhos queimando de raiva enquanto em seus olhos lágrimas iam se formando ele se levantou do chão e saiu da sala de jantar.

Hayden, ela nunca o deixava em paz.

Ele subiu as escadas e foi em direção ao sótão, talvez Beau o fizesse sentir melhor, menos sozinho talvez... Ele subiu as escadas do sótão e chamou o irmão, não ouviu nada em resposta, ele não estava lá.

Ótimo, agora todos tinham o deixado sozinho, talvez ele devesse voltar pro porão e ficar mofando sem fazer absolutamente nada lá.

Enquanto ia descendo as escadas do porão ele ouviu uma voz feminina que ele conhecia muito bem "Quem esta ai?" a voz perguntou de lugar nenhum.

- Sou eu Nora. – ele respondeu olhando para a mulher loura, de vestido caro que estava sentada numa cadeira de balanço olhando tristemente para um berço vazio. Ela levantou os olhos lentamente para olhá-lo e abaixou mais uma vez.

- Ah, você...

- Nora, você não pode me tratar assim. Nora, olhe pra mim. –Ela não olhou – Nora. –Ele estava perdendo a paciência, ele não conseguia acreditar que depois de tudo que ele fez, ela ainda estivesse chateada porque ela não conseguia cuidar de uma criança. – NORA OLHE PARA MIM! – Ele gritou, mas ela não mexeu um músculo - Eu fiz TUDO que você queria, - ele ia cuspindo as palavras enquanto flashbacks passavam por sua cabeça - eu fiz TUDO até conseguir o que você queria, EU PERDI TUDO SÓ PRA VOCÊ TER UM MALDITO BEBÊ! – Ele gritou enquanto lágrimas rolavam pelo seu rosto e a frustração só aumentava.

Então ela finalmente levantou e foi em direção dele - É mesmo? E onde esta meu bebê agora? O que houve com ele?

- Você o perdeu. – Ele sabia que essa resposta era a pior que ele podia dar, e ele estava certo. Ela começou a chorar e a gritar

- ONDE ESTÁ O MEU BEBÊ? ONDE?

Ele se aproveitou da situação e disse para machucá-la ainda mais:

- Ah, você o perdeu, sabe porque? Porque você é um lixo de mãe, você não sabe nem cuidar de um bebê. Eu devia saber, olha só o único bebê que você tem é essa coisa que se rasteja na escuridão desse porão. Dói não é? Depois de tudo que eu fiz por você, você nem mais olha pra mim, a culpa não é minha se você não tem, sei lá que merda que é, paciência ou instinto maternal o suficiente pra criar um filho. Eu estou pouco me fudendo pra qual época você morreu, se ser arrogante quando alguém não fazia o que você quer ou o que você queria não dava certo era tudo bem, aqui não é. Eu achava que você era assim porque tinha perdido o seu bebê e tendo outro você seria doce e gentil como era comigo quando eu era criança. Mas você não é.

E com essas palavras ele foi embora, deixando a mulher que durante muito tempo ele desejou que fosse sua mãe se acabar em lágrimas.

"Quando foi que tudo foi pra merda?" Era o único pensamento que passava por sua cabeça enquanto ele andava as cegas pela casa, "foi quando eu conheci Violet? Não, foi bem antes, as coisas já estavam ruins quando ela se mudou pra cá, foi quando eu decidi ajudar a Nora a ter um filho? foi quando eu morri? Foi quando eu mudei pra essa casa? foi quando eu nasci? E esse pensamento o fez parar subitamente, quando ele se deu conta que estava com mão na maçaneta da porta da frente. Sem saber o porque, ele a girou, e continuou andando, ele não sabia pra onde estava indo, mas seus pés sabiam, ele não conseguia se concentrar, seus pensamentos bagunçavam sua cabeça. Ele viu uma escada e começou a subi-la, e finalmente ele estava ali, no telhado da sua casa, da sua eterna casa, ele se sentou. Ele daria tudo para não ter morrido ali, para não ter atirado em todos aqueles adolescentes, para não ter ajudado Nora com a idéia insana de ter um bebê, ele daria tudo para não ter conhecido Violet, na verdade, ele daria tudo para não ter se apaixonado por ela, e ainda mais, ele daria tudo para não ter que passar a eternidade preso numa casa com ela, sabendo que ela esta sempre ali, sempre em algum lugar e não poder vê-la de verdade, não poder olhar nos olhos dela, não poder tocá-la, nem mesmo conversar com ela.

Ele estava destinado a isso, a aquele lugar, a sofrer por tudo que ele fez em vida e em morte, ele sabia que tudo que estava acontecendo era pra ele pagar o que ele tinha feito, não tinha outra explicação.

Ele queria companhia, ele sabia como era se sentir sozinho, era acostumado com isso, mas agora, era o que ele queria, companhia. Como sentia falta de alguém pra conversar, até brigar. Mas não alguém para torturá-lo como Hayden fazia o tempo todo, ou ficar se jogando em cima dele, isso o causava repulsa. Porque ela era sempre assim? Ela sempre foi assim? Ele só a conheceu depois de morta, não é possível que ela tenha passado a vida toda sendo assim, bom, ela era amante de Ben quando viva... é, talvez ela tivesse sido assim a vida toda.

Ele parou de pensar em coisas aleatórias e ficou encarando a grama lá em baixo, ele queria esvaziar sua cabeça, sem nada pra se preocupar, talvez ele conseguisse, por mais que doesse ele pensar, ele já não tinha mais nada com que se preocupar, ele já não tinha nada.

Ele olhou em direção a rua e viu duas crianças por volta dos oito anos andando alegremente pela calçada, chupando cada uma um sorvete e sujando suas impecáveis roupas. Sair daquela casa somente um dia, enquanto ele tinha que ficar ali os outros 364, confinado, sendo torturado, se sentindo sufocado. Como ele queria se matar para poder se livrar de tudo isso, mas ele não podia, ele já estava morto. Como era horrível a eternidade.

Ficar sozinho remoendo em sua cabeça e seu peito tudo que havia acontecido era tão angustiante, tão doloroso que era a única coisa que ele conseguia fazer, ele tentava afastar tais pensamentos e pensar em coisas boas, mas nada vinha em sua cabeça, ele só conseguia se lembrar de quando ficou preso aquela casa e os únicos momentos bons que ele teve foram com Violet.

"DROGA" ele exclamou mais alto do que pretendia e socou uma telha ao lado tão forte que ela se reduziu a meros pedaços. Frustrado com as lembranças que corriam na cabeça dele, ele colocou sua cabeça entre os joelhos e colocou ambas mãos em sua cabeça, seus olhos estavam marejando, não, ele não ia chorar mais uma vez por ela, não podia, desde que ela o mandara ir embora era tudo que ele havia feito, chorado e tido raiva, ele não aguentava mais isso, ele precisava dela, ele sabia que ela também pensava nele, ele sabia pelo jeito que ela ficava aflita quando o sentia por perto, ele não tinha certeza se ela podia sentir a presença dele o tempo todo mas quando fazia, se mostrava chocada, preocupada ou agoniada. Eram sentimentos de quem ainda tinha sentimentos.

Ele precisava de um jeito de ficar perto dela, algum jeito de carregá-la com ele onde quer que fosse, já que ele não podia tê-la. Ele desceu do telhado e rumou em direção a porta da frente, entrou e seguiu direito para onde um dia fora seu quarto e um dia fora dela agora tudo que era, era um cômodo vazio com um travesseiro, um colchonete e um amontoado de cobertores. Ele se abaixou e ergueu uma tábua solta do chão onde se encontravam alguns pertences dela, seu iPod, o carregador dele e uma pequena caixinha que ele sabia o que tinha dentro sem mesmo ter que abri-la. Uma gilete.
Ele pegou o iPod e foi em direção ao colchonete no chão, ele se deitou e se cobriu com os cobertores, era onde ela dormia desde que foram retirar os pertences da família Harmon da casa. O travesseiro tinha o cheiro do cabelo dela, o cobertor tinha o cheiro do corpo dela e o iPod o fazia lembrar dela cada vez mais, ele se sentia envolto, envolto por ela, de olhos fechados ele inalou bem fundo o cheiro do travesseiro e soltou o ar de seus pulmões, ele se sentia confortável, deitado ali, ouvindo as músicas que muitas vezes eles tinham escutado juntos, deitados no que um dia foi a cama dela e conversando sobre coisas aleatórias, ele sentia mais falta disso do que jamais podia imaginar. Tudo que ele queria era ela ali, deitada com ele, era o suficiente para ficar a eternidade ali, pra aturar tudo que acontecia naquela casa, antes que ele pudesse perceber lágrimas pingavam no travesseiro, mas ele nada fez além de ficar deitado ali e sentindo o cheiro dela em todo o lugar, ele se sentia realmente abraçado por ela ali. Ele queria sentir isso pra sempre.