Estou colocando esse capítulo mais rápido que consegui! Vou tentar manter isso de, poucos dias de intervalo entre um capítulo e outro!

Obrigada, reviews são importantes pra me dar coragem de continuar ou não.

Violet's POV

Ela não via nada além de borrões em sua frente, ela estava correndo rápido, muito rápido, ela não queria parar até chegar bem longe, outro estado, outro país, outro planeta, ela queria correr pra longe daquilo tudo, mas ela não podia, tinha que ficar ali. Agora ela não passava de uma prisioneira. Chegou no gramado da frente e se jogou no gramado, se ajoelhou e colocou a cabeça entre as mãos enquanto chorava muito alto, seu peito doía como se algo estivesse apertando seu coração tão forte que ela mal podia respirar, mesmo do lado de fora ela ainda podia ouvir ele gritando seu nome por toda a casa, os passos apressados nas escadas, mas é claro que ele não a encontraria, ele jamais a encontraria, enquanto ela não quisesse, ela estava invisível para ele, ela queria ficar invisível para todos pra sempre, quanto tempo mais ela teria que aturar isso? 'Toda a eternidade idiota.', ela pensou em resposta e isso fez seu peito doer ainda mais, como ela deveria conviver na mesma casa que ele e se sentir feliz, se sentir bem? Claro, ela tinha seus pais, e ela estava feliz por eles estarem felizes e aparentemente nunca brigavam, mas quando ela os via tão felizes, tão amorosos, tão vivos, mais vivos e felizes do que jamais ela os vira em vida, ela sentia algo que não se orgulhava, inveja. É claro que seus pais tinham passado por toda a merda do mundo,mas ela também tinha passado e só tinha dezesseis anos. Contava o tempo que ela estava morta? Droga. Ela se deixou sentar na grama e colocou seu queixo apoiado em seus joelhos. Não tinha como ela ser feliz enquanto morasse, ou estivesse presa, confinada, foda-se o que isso realmente era, ela estar na mesma casa que ele, saber que ele estava ali em algum lugar era atormentador e doloroso e momentos como esse eram os que doíam mais, porque demônios ela tinha se deixado ver? Ela não queria isso, ela não queria que ele a visse, ou queria? Queria? Sua mãe estava certa? Ela queria perdoá-lo? Esse pensamento a fez sorrir, um pequeno e irônico sorriso, um sorriso naquele rosto manchado por lágrimas, ela tinha que ser realista, como sempre fora... Ela queria perdoá-lo. Ela queria tê-lo de volta, tê-lo por perto, sentir os braços dele envolta do corpo dela, ela queria sentir outra vez aquela sensação de que nada de ruim aconteceria enquanto ele estivesse com ela. Mas ela tinha que encarar a realidade, querer não é poder, ela nunca mais poderia beijá-lo da mesma maneira, tocá-lo da mesma maneira sem pensar em tudo que tinha acontecido. Ela ainda conseguia ouvir os gritos dele pela casa e isso fez ela voltar a chorar mais uma vez, por quê tinha que ser tão difícil? Não era justo. Ela não tinha que ser infeliz toda a eternidade, tinha? Os pais dela agora estavam felizes, mas eles tinham um ao outro. Isso a fez lembrar do dia que ela e Tate estavam em seu quarto e ela havia dito isso a ele "ninguém aqui é feliz, Tate" e ele havia respondido "É, mas nós temos um ao outro" como se isso fosse a resolução para todos os problemas do mundo, talvez realmente fosse, mas agora eles não tinham um ao outro. Os gritos dele cessaram. De repente, tudo ficou mais silencioso. Ela se sentia cansada, chorar a deixava cansada, ela odiava isso.

Quem diria que morrer acabaria dando mais trabalho que viver?

Tate apareceu na porta de entrada da casa e saiu rumo a lateral dela, parecia em transe, sua expressão facial estava entre raiva e desolado, ela não sabia dizer. Ele estava subindo algumas escadas e se sentou no telhado da casa, ela ficou o observando e se perguntando o que ele estava pensando, ela não conseguia ver seu rosto, mas via seu cabelo loiro, com ligeiros cachos bagunçados refletindo contra o sol, ele parecia um anjo, claro, um anjo do mal.

Como um garoto que parecia tão inofensivo, tão, bonito, podia ter feito tantas coisas ruins? Tanto mal a tantas pessoas? Causado tanto sofrimento? Ele tinha se arrependido de tudo isso? Ela não sabia dizer, todos na casa o odiavam e ele havia estado o tempo todo sozinho desde que - ela lembrou com um nó na garganta – ela o mandara embora.

Ela nunca mais havia falado com ele, ela sabia que ele a vigiava, ele sabia quando ela o vigiava e nisso eles ficavam, um olhando o outro sem poder conversar, não que ele nunca tivesse tentado, toda vez que ele sentia a presença dela ele corria pelo quarto perguntando onde ela estava, ela já era o contrario, tudo que ela queria fazer era olhar pra ele. Por enquanto isso era suficiente.

Mas ela estava enfraquecendo, ela odiava admitir isso, mas estava. Ela queria poder conversar com ele, pelo menos tocá-lo por uma fração de segundo, nem que fosse nos fios de cabelo dele, ele era como uma doença para ela, mas também a cura. E tudo dependia dela.

Quando ela estava pensando com ela mesma, ela não descartava a possibilidade de perdoá-lo, de dizer que tudo estava bem, que ele ainda era dela e ela ainda era dele, que ele não devia temer perdê-la jamais, pois, ela nunca seria de outro, só dele. Mesmo separados eles sempre estaria juntos, pelo menos na cabeça dela. MERDA! Tudo que eu queria é que isso saísse da minha cabeça. Eu não posso perdoá-lo, não agora, sem mais nem menos, o que eu faria "Oi Tate, então... Eu to a fim de te perdoar agora porque tá sendo tudo uma merda sem você. Dá pra me beijar agora?" Não, definitivamente não. Não agora, não desse jeito. Quem sabe um dia, ou quem sabe nunca.

O som de uma telha quebrando a assustou e ela olhou mais uma vez pra cima, ele havia quebrado a telha com um soco. Ele havia se tornado violento, cada dia mais, ela se perguntou se ele tinha matado mais alguém, mas ele não podia sair da casa, e ninguém vivo tinha entrado mais na casa além daquela família que eles haviam assustado da qual ele quase tinha matado o filho alegando ser "porque ela estava sozinha e precisava de alguém" claro, teria sido bom alguém da idade dela pra conversar, ouvir música e fazer coisas normais, mas, ela nunca chegaria a amar tanto alguém quando ela o amava, tudo que ela queria era ele, depois de tanto tempo sem tocá-lo, sem trocar sequer uma palavra, ainda era ele que ela queria, claro, eles passaram por tanto juntos, tantas coisas que ela nunca havia feito com outros garotos. Merda. Mais uma coisa que eles tinham que ela jamais conseguiria apagar da cabeça dela.

"Senhorita Violet?"

"OH DEUS! MERDA! MOIRA! O que houve?" – Ela se assustara, ela achou que estivesse sozinha. Não tinha visto ninguém se aproximar.

"Nada. O que esta fazendo sozinha aqui fora?" – Moira sempre fora doce e gentil com ela, era difícil acreditar que quando quisesse podia se tornar uma mulher promiscua e vulgar. Mas ela achava que isso já era trabalho de Hayden.

"Hm... nada exatamente, só... –Ela olhou ligeiramente pra cima onde Tate estava e voltou a olhar pro chão antes de completar - "passando o tempo"

Moira olhou pra cima e sorriu com bondade. "Você esta olhando o garoto Langdon."

"O que? Não. Não estou. Eu já estava aqui quando ele saiu e subiu lá." – Ela apressou a dizer.

"Ah sim, ele tem se tornado um pouco mais..."

"Agressivo"

"Eu ia dizer sombrio" – Moira a estudou com curiosidade no olhar.

"Ah, sim... isso também."

"Desculpe a intromissão senhorita Violet, mas, eu não tenho simpatia nenhuma pelo garoto, já passamos por coisas juntos nesses anos todos presos nesta casa, mas, não me preocupo nem nada com ele. Mas, -ela se abaixou um pouco e colocou a mão no ombro de Violet – talvez você só esteja vendo o lado que você quer ver disso tudo. Eu tampouco aprovo qualquer coisa que alguém tenha com o garoto, mas, devo admitir que estou sentindo pena dele.

Ela começou a caminhar em direção a porta da frente da casa antes de se virar e dizer a Violet "Seu pai esta te procurando, acho que você devia se apressar ao entrar"

E com essa frase jogada aos ventos ela se foi.

E foi a vez dela de ficar brava. Como ela ousava dizer uma merda dessas? Ela só queria ver o lado que ela queria? Que porra isso significava? Que ela queria ver o lado "ruim" dele, porque ela queria? Ela estava sofrendo também! Ela sentia um arrepio no estômago só em vê-lo andando pelos corredores. Ela fazia qualquer coisa, menos ver "o que ela queria". E que porra era essa de ter "pena" dele? Pena dela ninguém tinha, não é mesmo? Só porque ela não ficava chorando em todos os cômodos da casa? Porque ela não ficava enfiada no maldito porão quebrando coisas? Ela estava tentando seguir em frente mesmo que quando se esta morto o tempo não passa, era tudo que ela queria, mas o garoto que esta remoendo tudo ela tem pena não é mesmo? Besteira. Era tudo que isso era.

Ela se levantou com violência da grama, limpou o vestido, cruzou os braços e olhou pra cima onde ele deveria estar e procurou em sua volta para achá-lo, sua raiva logo acabou quando ela o viu descendo as escadas e entrando na casa. Ela sentiu dúvida.

Deveria ou não segui-lo? Onde ele iria? Com quem falaria? Falaria com alguém?

Ela permaneceria invisível dessa vez, mas o seguiria.

A curiosidade dela se mesclava com a raiva que ela estava sentindo, era confuso.

Quando ela entrou na casa ela não o via em lugar algum, entrou no porão, mas ele não estava, olhou rapidamente a cozinha e não viu ninguém a não ser sua mãe que a chamou logo que ela virou as costas para o cômodo "Violet, querida, seu pai esta te procurando."

"Ah é mesmo mãe? Ok, depois eu falo com ele ta?" respondeu apressada saindo rápido da cozinha. Onde ele estava?

Subiu as escadas silenciosamente e quando chegou no começo do corredor viu um dos tênis surrados dele enquanto o resto de seu corpo ja estava dentro do quarto dela quarto. Sim, era o quarto dela, ela estava pouco se fudendo se aquele cômodo tinha ou não as coisas dela, mas ainda era dela. Ele havia encostado a porta e estava de costas pra ela, ela entrou o mais silenciosamente que conseguia e o viu mexendo em algo no chão. Ela arregalou os olhos e quase gritou pra que ele se afastasse dali, eram suas coisas pessoais, as que sobraram de tudo que levaram. As únicas coisas que ela tinha no quarto além da cama improvisada que ela dormia, algumas de suas roupas ficavam no sótão dentro de uma caixa com Beau. Ela viu ele pegar seu iPod, colocar os fones de ouvido, colocar o volume no máximo e ir em direção ao que ela chamava de cama – desde quando ele sabia mexer num iPod?- , ela viu ele entrar de baixo dos cobertores e cheirar seu travesseiro, ela observou atentamente enquanto ele ficava deitado ali, de olhos fechados, pensando sei lá o que e tudo que ela conseguia pensar era "Mas que diabos ele esta fazendo?" quando ela viu lágrimas rolarem até o travesseiro ela desmoronou, ela realmente sentiu seu estômago embrulhar e seu coração apertar mais uma vez, ele realmente estava ali porque queria, o que? Ele queria que ela visse? Não é possível que isso esta acontecendo, não é, O que demônio ele queria? Um jeito de sentir o cheiro dela? De ouvir as músicas que ela ouve? As que eles ouviam juntos? Seus olhos começaram a embasar, mas ela não ia chorar outra vez. Ele permanecia de olhos fechados, talvez estivesse dormindo, ela nunca o tinha visto dormir. Ela queria deitar ao lado dele, mexer no cabelo dele, mas ela não podia. Ela não podia tocá-lo. Ou podia? Ninguém estava ali, ninguém saberia, tampouco ele estava vendo ela, ela estava se torturando por isso havia muito tempo.

Ela deu três passos em direção a ele e ele não se mexeu, quatro passos, cinco, seis, até que mais um passo e ela pisaria no pé dele, ela se abaixou e foi sentando aos poucos no chão atrás dele, o colchonete era pequeno, só cabia uma pessoa, de modo que ela precisava sentar no chão, ela ergueu a mão na direção do rosto dele e parou com os olhos arregalados enquanto ele respirava, ela recuou, ficou olhando pra ele, ali, respirando, ouvindo alguma música que ela não conseguia decifrar pois essa era a coisa menos importante agora, ela fez o que achou melhor, deitou atrás dele, sem encostar nem na camisa dele, ali ela ficou alguns segundos, sentindo o cheiro do cabelo dele, ela fechou os olhos bem apertados e se aproximou dele, ela sentiu a camisa de flanela dele levemente tocando sua blusa de manga comprida, ela o abraçou pelo ombro, seu coração palpitou, ela não conseguia respirar, ela aproximou o rosto dela perto da nuca dele e soltou levemente a respiração ao mesmo tempo que abria os olhos. Ele se encolheu um pouco ao toque dela, ela viu a nuca dele se arrepiar, ele se mexeu um pouco como se estivesse se aconchegasse nela, ele estava dormindo, pela primeira vez, ela o estava vendo dormir, talvez estivesse muito cansado, ela não sabia dizer, ela só sabia dizer que ela ficou muito surpresa quando ele murmurou "Violet" enquanto dormia, ela ergueu a cabeça até sua boca ficar perto da orelha dele e sussurrou: "Eu te amo Tate". Ela esperava alguma reação? Sim. Mas ela não sabia se deveria se sentir feliz ou decepcionada que ele não disse mais nada apenas ficou ali, como se tivesse toda a paz do mundo enquanto dormia.

Ela ficou mais algum tempo deitada no chão sem pensar em nada, além de o que ela estava fazendo era insano e não estava ajudando em nada a tentativa dela de "seguir em frente", ela estava se torturando, e ela sabia disso.

Ela tirou os braços lentamente dos ombros dele enquanto se afastava, ela precisava sair dali, ficar ali era loucura, o que diabos ela estava fazendo? Ela devia ter saído do quarto assim que começou a pensar em deitar ali.

Ela caminhou decidida em direção a porta colocou a mão na maçaneta e respirou fundo, não ia olhar pra trás, e não olhou, fechou os olhos e girou a maçaneta, só abriu os olhos quando a porta se fechou atrás dela e ela já se encontrava no corredor. Ela encostou a cabeça na porta e respirou fundo. As coisas não estavam fáceis, toda essa dor, esse arrependimento, se é que ela podia chamar isso, essa vontade de ceder a tudo que ela acreditava só por causa dele, ela não podia tratá-lo como um garoto qualquer claro que não e era exatamente por isso que doía mais. Ela tinha acreditado nele, confiado nele, e toda essa merda aconteceu.

Ela foi até o banheiro e se olhou no espelho. Era incrível como aparências podiam enganar tão bem, ela parecia a mesma, a mesma garota que morava em Boston, a mesma garota que tinha se mudado pra essa casa, a mesma garota de quando estava viva. Ela deu um sorriso, grande e largo como se estivesse se divertindo muito com tudo isso. É, ela ainda parecia a mesma, tecnicamente, ela ainda era. Só em corpo. Ela levantou suas mangas e viu suas cicatrizes, pareciam tão curadas agora, algumas não passavam de um borrão rosado e outras marcas mais brancas ou mais escuras que sua pele, ela se perguntou se elas já estavam assim quando ela morreu ou se elas tinham se curado depois de morta. Não importava o quanto suas cicatrizes nos braços estivessem quase desaparecendo, a que ela tinha dentro dela era aberta demais para ser fechada. Tantos anos que ela passara se cortando, tirando a dor que tinha no seu peito e passando para seus braços completamente marcados e nunca ninguém tinha notado, ela nunca tinha contado pra ninguém até conhecer Tate. Como seus pais nunca tinham reparado? Reparado nas milhões de vezes que ela podia ter colocado uma blusa de manga curta por causa do calor e tinha optado em colocar um casaco? Eles nunca tinha achado isso estranho? Talvez um dia ela perguntasse, talvez não. É, provavelmente não. – concluiu abaixando a manga da sua blusa.