Ele deixou a casa dos Stark pouco tempo depois de saber o resultado do teste. Não ficou para falar com Ned de homem pra homem, nem receber os olhares escandalizados de Cat e Sansa. Arya precisava de espaço e tempo pra pensar e ele não queria que ela se sentisse pressionada naquele momento.
Jon tentou continuar a sua rotina normal no dia seguinte, mas tudo o que ele conseguia pensar era em como sua vida havia mudado drasticamente desde aquele baile de máscaras. Aquilo serviu para que ele se tornasse um homem mais corajoso e levemente relapso com seu senso de responsabilidade. Ao mesmo tempo ele se permitiu embarcar numa relação sem pressão de tornar aquilo um compromisso maduro, estável e sem se preocupar com perspectivas de um futuro. A gravidez dela foi um descuido e uma fatalidade, o pedido de casamento foi uma saída racional para garantir a Arya alguma segurança e todo conforto do mundo para o filho deles.
Mesmo assim ele se culpava por ter sido irresponsável o bastante para esquecer do preservativo. Um descuido como aquele estava colocando em choque não só a vida dele, como também afetaria diretamente todos os planos que Arya havia feito para o próprio futuro. Ela estava confusa, com medo e tinha de redefinir suas prioridades naquele momento. Talvez ela decidisse que um filho não era o que ela queria, talvez o culpasse por ter tirado dela suas escolhas, ou apenas desistisse dele de uma vez.
Aegon havia sumido durante todo aquele dia. Jon desconfiava que o irmão estava se sentindo envergonhado por toda confusão que ele e Sansa acabaram criando. Por um momento ele chegou a sentir falta do humor desmedido do irmão e do alívio que aquela personalidade extravagante era para os dias austeros dele.
Estava tentado a deixar o resto dos compromissos de lado e tentar falar com Arya mais uma vez, quando o telefone do escritório dele tocou. Sua secretaria anunciou que Ned Stark estava do lado de fora da sala de Jon, esperando para ter uma audiência com o dono das empresas Targaryen.
Ele respirou fundo. Não era como se ele pudesse dispensar Ned sem ao menos lhe dar algumas explicações possivelmente implorar o perdão do homem a quem ele considerava como um segundo pai.
Eddard Stark pediu licença e entrou na sala dele. Jon se levantou para recebê-lo e fez sinal para que Ned se sentasse. Os dois se encararam por um breve instante e pela primeira vez Jon se sentiu realmente envergonhado de seu comportamento nos últimos tempos.
- Confesso que eu não estava preparado para vê-lo tão cedo, Ned. – Jon disse sério.
- Situações drásticas requerem rapidez nas ações. Eu lhe ensinei isso, lembra-se? – Ned perguntou.
- É claro que sim. – Jon respondeu encolhendo os ombros – Eu sinto muito que as coisas tenham acontecido de uma maneira tão descontrolada. – Ned respirou fundo, como se ponderasse suas palavras.
- Não posso dizer que estou feliz com tudo isso. – Ned disse com seu semblante sério – De certa forma eu sempre temi e até esperei que Arya acabasse se metendo em problemas realmente sérios, mas descobrir que você é o pai do filho que ela está esperando...Jon, isso foi um golpe duro.
Jon sentiu os olhos arderem e o coração ser espremido dentro de seu peito. Ele não tinha o que dizer em sua defesa. Qualquer coisa que ele dissesse naquele momento seria uma desculpa ruim, uma justificativa fraca diante de alguém que ele tinha em tão alta estima. Até aquele momento Jon havia imaginado que Robb seria a pessoa que ele mais lamentaria magoar, mas ficar cara a cara com Ned provava que aquele pensamento estava errado.
- Me perdoe. – aquelas palavras saíram da boca dele como se lhe custassem dez anos de vida. Ele notou que o semblante de Ned havia suavizado um pouco e aquilo lhe deu um pouco mais de segurança.
- Bem, eu acho que não tenho muita escolha no assunto. – Ned respondeu – Você é o pai do meu primeiro neto. Além do mais, eu sempre o considerei como um filho. Entretanto, acho que mereço algumas explicações. Eu ouvi a versão da minha filha, mas quero saber de você porque tudo isso aconteceu?
- Deve saber como eu e ela nos reencontramos, eu suponho. – Jon sondou o território.
- Ela me contou. – Ned pareceu perturbado – E também me disse que tentou evitá-lo por semanas até você aparecer na porta de escola dela. Isso me parece tão diferente de tudo aquilo que eu conheço a seu respeito que nem sei o que pensar, Jon.
- Ela não mentiu. – Jon assumiu sentindo-se envergonhado – Eu queria falar com ela mais uma vez. Não conseguia pensar em outra coisa desde a noite da festa. Eu a procurei, nós conversamos e a partir daí começamos a namorar.
- Uma menor de idade. Tem noção de tudo o que poderia ter acontecido se alguém da imprensa visse? – Eddard perguntou severo – Eu deveria estar revoltado com você, mas tudo o que eu consigo pensar é que algo deve ter acontecido pra justificar esse comportamento.
- E aconteceu. – Jon concordou – Sei que pode parecer absurdo, mas eu me apaixonei pela sua filha. Acho até que uma parte de mim sempre tomou Arya como um referencial feminino muito importante, até eu me deparar com ela adulta.
- Então porque escondeu isso de nós durante todo este tempo? – Ned insistiu – Eu não teria me oposto ao namoro de vocês, Jon. Eu só odeio a sensação de ter sido enganado por duas das pessoas que eu mais amo no mundo. – aquilo sim foi um golpe duro para ele.
- Eu queria. – ele respondeu – Eu queria tornar nosso namoro público assim que ela completasse dezoito anos. Arya insistiu que eu desse mais tempo a ela para que ela pudesse preparar vocês. Chegou a alegar que eu a esta pressionando de mais para que ela tomasse uma atitude e isso chegou a causar uma briga.
- Posso saber o que pretende fazer agora? – Ned perguntou sério e determinado.
- O que eu vou fazer depende da decisão dela. – ele respondeu sério – É Arya quem tem que decidir se quer ou não a gravidez e principalmente se quer ou não aceitar o que eu tenho a oferecer a ela. Quanto às minhas responsabilidades como pai, com essas não precisa se preocupar. Eu quero ser o pai desta criança.
- Cat conversou com ela ontem. Arya não está considerando aborto ou nada do tipo. – Ned disse de forma austera – O que exatamente você ofereceu a ela, Jon?
- Eu a pedi em casamento. – ele falou por fim – Ela será a mãe do meu filho, ela já revirou minha vida de pernas pro ar e tudo o que eu sei é que eu amo a sua filha. Desesperadamente, eu diria. Mas é ela quem vai decidir isso, não posso e nem vou obrigá-la a dar um passo tão grande se ela não se sentir preparada pra isso.
- Ao menos neste ponto você está agindo como o homem que eu sei que você é. – Ned disse levemente aliviado – Eu não sei o que te dizer, Jon. Particularmente eu não quero ver minha filha casada aos dezoito anos, mesmo nestas condições, mas também sei o reflexo que isso pode ter na sua imagem. A diretoria e os acionistas não vão gostar nem um pouco quando a notícia for a público. Aparentemente Arya conseguiu colocar o império que seu pai construiu em xeque.
- Não estou me importando com a diretoria, nem com os acionistas neste momento. – Jon respondeu convicto – Já passamos por momentos ruins antes, duvido que este tenha potencial pra acabar definitivamente com a nossa imagem. Como eu disse, não vou obrigá-la a aceitar, também não quero que vocês a pressionem neste sentido. É uma decisão dela.
- Robb está indignado com você. – Ned disse massageando a cabeça – Não pode imaginar o quanto ele está se sentindo traído por vocês.
- Na verdade eu posso sim. – Jon disse sério – Eu não queria que nada tivesse acontecido desta forma. Teria sido tão mais fácil se eu a tivesse reencontrado só depois do aniversário dela, ou em uma situação menos controversa. Talvez, se Arya tivesse concordado em falar logo que nós estávamos juntos nada disso teria acontecido.
- Você trocou Ygritte por Arya. – Ned balançou a cabeça de leve – Você sempre gostou de mulheres complicadas, não é mesmo? – havia um toque de humor naquele comentário – Nem chega a ser surpreendente que vocês tenham acabado juntos. Eu ainda me lembro de como você fazia todas as vontades dela e de como Arya o adorava. Isso tudo só é muito repentino.
- Também não é a forma como eu pretendia que as coisas tivessem acontecido. – Jon afirmou.
- O que me espanta é você não ter me perguntado o que eu acho que ela vai decidir. – Ned acrescentou. Jon arqueou a sobrancelha.
- Por favor, me diga. Eu estou bem ansioso com toda essa expectativa. – Jon respondeu.
- Arya pode ser imprevisível a maior parte do tempo, mas pelo que eu entendi o relacionamento de vocês é o mais longo que ela já teve e você é de longe o melhor pretendente que já apareceu lá em casa. Sinceramente, em parte eu estou aliviado que você seja o pai do meu neto. – Ned disse de forma simpática – Eu acho que ela realmente gosta de você, Jon. Por tudo o que eu ouvi da conversa dela com Cat, bem...Arya o defendeu com veemência. Ela gosta de você, talvez o bastante para criar coragem e aceitar o pedido. Se tiverem uma menina, um dia você também vai descobrir o quanto é difícil admitir que ela cresceu e que você já não é mais o único homem da vida dela. Pelo menos eu sei que você é um homem descente e gosta dela, isso é tudo o que um pai pode desejar pra própria filha.
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Ela se trancou no próprio quarto depois que Jon saiu da casa. Não queria encontrar ninguém naquele momento. Não quando ela ainda precisava assimilar a ideia de que havia algo crescendo dentro dela. Era um pensamento assustador, seguido pela sensação de que sua vida já não lhe pertencia mais.
Jon foi muito claro quando falou sobre a repercussão que aquilo teria assim que a notícia fosse a público. Por um breve instante ela chegou a cogitar a hipótese de um aborto, mas aquilo não era a resposta para o problema. Além disso Arya teria de ser cega para não notar o quanto Jon queria aquela criança. Independente da decisão que ela tomasse, aquilo refletiria nele também.
E como era de se esperar, ele fez aquilo que era honrado e a pediu em casamento. Arya se jogou sobre a cama e ficou encarando o teto enquanto suas mãos brincavam com a corrente que ele havia dado a ela de presente de aniversário. Seria mais fácil se Jon não mexesse tanto com ela, se ele fosse só mais um dos caras sem futuro com quem ela saia, ou se ele não fizesse tanta questão de deixar evidente que estava apaixonado por ela.
Ela poderia abrir mão, poderia deixá-lo sem remorso e com quase nenhuma dor a respeito, mas aquilo já não era mais possível. Sem que ela se desse conta, Jon havia tomado conta dos pensamentos dela, redefinido os rumos de sua vida ao ponto dela se pegar desejando que o que eles tinham durasse pra sempre. Ela se perguntou quando havia se tornado tão pateticamente romântica quanto Sansa.
Alguém bateu na porta e ignorou o desejo dela de ficar sozinha. A porta abriu e Catelyn entrou, sentou-se ao lado da filha e colocou a cabeça de Arya sobre seu colo. Eram tão raras as vezes que a mãe havia feito aquilo por ela, em parte porque Arya sempre se considerou autossuficiente o bastante para não precisar do carinho de ninguém, mas a verdade é que aquilo era reconfortante.
- Amanhã nós duas vamos ao médico. – ela disse enquanto passava as mãos pelo cabelo da filha – Vamos fazer os exames e ter certeza de que está tudo bem com você e com o bebê.
- Eu não quero pensar nisso agora. – Arya disse num tom fraco.
- O agora é tudo o que você tem. – Cat disse – Você poderia ter pensado antes, poderia ter evitado tudo isso se apenas tivesse sido honesta com todos nós, mas você não fez isso. Suas decisões daqui pra frente vão refletir em muita gente é bom se habituar a lidar com a pressão e a tomar decisões difíceis.
- A senhora está muito brava comigo? – Arya perguntou amedrontada.
- Estou, mas você já aprontou tanta coisa que isso nem chega a ser uma grande surpresa. – Cat respondeu sincera – Mas ao mesmo tempo a ideia de ter meu primeiro neto é emocionante, mesmo nestas circunstâncias e mesmo que o pai seja Jon.
- Por que a implicância com ele? – Arya perguntou de forma impertinente.
- Ele é mais velho que você, é o chefe do seu pai e em tese deveria ter mais bom senso antes de se meter numa situação como esta. Vocês dois foram irresponsáveis, mas eu sempre tive a sensação de que você nunca ia sossegar sem antes conseguir alguma coisa com ele, nem que fosse uma aventura.
- A senhora me ofende deste jeito. – Arya resmungou e Cat riu.
- Você nunca viu como ficava perto dele quando era criança. Eu sempre tive problemas pra conseguir que você colocasse um vestido pra qualquer evento, mas bastava dizer que Jon estaria presente que você corria pro seu quarto e procurava seu melhor vestido e até penteava o cabelo sem eu ter que mandar. – Cat disse com um toque de humor – O pior é que eu o via se desdobrando pra agradar você também. Eu me perguntava se aquilo não era uma forma cruel de incentivar sua paixonite e se um dia aquilo acabaria se tornando uma grande decepção pra você. Ao menos ele é um rapaz correto e assume suas responsabilidades. É o mínimo que ele podia fazer por você.
- Você fala como se ele fosse sair correndo a qualquer momento. – Arya retrucou – A senhora não faz a menor ideia de como ele é.
- O que eu sei é que não custaria nada a ele virar as costas pra você numa situação como esta. – Cat respondeu – Esse tipo de coisa acontece todos os dias.
- Jon não faria isso. – Arya se sentou na cama, afastando as mãos da mãe – Pode acreditar, ele está extasiado com a ideia de ser pai. Ele sempre quis isso, sempre quis construir uma família. É assustador estar ao lado de uma pessoa que tem tanta certeza sobre o que quer pro futuro, quando eu não sei nem o que pretendo fazer no ano que vem, além de trocar fraudas.
- É bom saber que ele está determinado em apoiá-la. Não vou mentir pra você, ser mãe não é uma tarefa fácil. – Cat disse.
- Ele está mais do que determinado a me apoiar. Ele me pediu em casamento, pelo amor de Deus! – Arya disse levando a mão a testa – Que tipo de cara faz isso hoje em dia?
- Aparentemente, Jon Targaryen. – Cat respondeu surpresa – Você já deu uma resposta a ele?
- Não. – Arya respondeu – Eu pedi um tempo pra pensar e ele concordou. Eu não quero piorar a situação e sinceramente não sei se casar com ele resolve, ou piora o problema.
- Você gosta dele? – Cat perguntou.
- Eu não teria tantas dúvidas se não gostasse. – Arya respondeu – Em alguns meses ele entrou na minha vida e virou tudo de pernas pro ar. Eu penso nele o tempo todo, nós brigamos uma vez e eu fui atrás dele pedindo desculpas, eu estou considerando a ideia de me casar com ele. Acredite, eu não faria nada disso se eu não amasse aquele imbecil com síndrome de príncipe encantado.
- Então talvez seja hora de você perder esse medo de fazer a escolha errada e arriscar. – Cat disse sorrindo pra ela – Jon sempre foi uma parte da família de qualquer jeito, e eu prefiro ver meu neto com um pai presente e você do lado de alguém que está disposto a tomar até socos do Robb por você.
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Dois dias haviam se passado sem que Arya desse qualquer sinal de vida. Jon já estava preocupado com a falta de notícias, mas ao menos Aegon fez o favor de entrar em contato com Sansa e ela disse que Arya havia ido ao médico com Cat para fazer todos os exames necessários.
Aquilo o deixou parcialmente aliviado. Ao menos Arya estava se cuidando e Catelyn tinha experiência no assunto. Ele estacionou o carro na garagem e pensou em ligar para ela pra saber se havia corrido tudo bem na consulta.
Ele abriu a porta do apartamento e ascendeu a luz. Para sua surpresa Arya estava sentada no sofá, abraçada as próprias pernas como costumava fazer desde criança. Ela não disse nada, apenas esperou até que ele se sentasse ao lado dela no sofá.
- Como conseguiu entrar no apartamento? – Jon quebrou o silencio.
- Aegon me deu a chave. – ela respondeu – Eu disse que queria fazer uma surpresa, mas eu não sei cozinhar tão bem quanto você, então provavelmente nós dois acabaríamos com indigestão no fim da noite. – Jon sorriu e a puxou para um abraço.
- Está tudo bem? Sansa disse que você foi ao medico ontem. – ele disse.
- Tudo certo pelo que eu entendi. E aparentemente eu estou no segundo mês e sem nenhum enjoo, ou coisa do tipo. – ela respondeu – Só sono e vertigens de vez em quando. Soube que meu pai falou com você ontem. Como foi?
- Difícil. – Jon respondeu sério – Você sabe que ele é como um segundo pai pra mim e eu não esperava chegar ao ponto em que eu o veria decepcionado comigo.
- Isso eu posso entender. – ela concordou – Ainda acho que minha mãe pensa em você como um vilão de quinta categoria que roubou a menininha dela no meio da noite.
- Eu sempre achei que era essa a imagem que Cat fazia de mim, mesmo antes de ficarmos juntos. – ele comentou rindo – Acho que ela desconfiava que um dia eu acabaria seduzindo você descaradamente.
- É melhor deixarmos a minha mãe na ignorância quanto a essa parte da história. – Arya completou rindo.
- Já decidiu o que vai fazer agora? – Jon perguntou.
- Faculdade ano que vem está fora de cogitação, mas eu pretendo voltar a estudar assim que puder. – ela disse séria – Administração de Empresas talvez.
- Uma boa opção. Quando se formar pode trabalhar comigo. – ele respondeu sorrindo.
- Um passo de cada vez, Jon. – ela responde séria – Primeiro eu vou ter que sobreviver a uma gravidez.
- E vai se cuidar direito. – ele completou – Sem riscos desnecessários.
- Eu sei. Meu treinador vai ficar furioso quando souber que não vou poder competir mais. – ela disse.
- Ele vai ter que se conformar com isso. – Jon respondeu sorrindo – E eu acho que logo vou ter que converter o escritório que tenho aqui em um berçário.
- Ainda está cedo pra pensar nisso. – Arya disse rindo – Temos alguns meses pela frente e muita coisa ainda pode acontecer.
- Robb pode tentar me socar outra vez. – Jon sugeriu.
- Ou Aegon pode decidir virar um padre e Sansa entraria em desespero. – Arya disse rindo – Não conte a ninguém, mas eu acho que ela sente uma atração fatal por ele.
- Isso seria um problema. – Jon comentou.
- Ou talvez seja a solução pra necessidade que a minha irmã tem de se intrometer na vida dos outros. Ela bem que poderia aproveitar um pouco a vida com o Aegon. Ele tem uma fama e tanto. – Arya disse rindo – Talvez eu devesse ter olhado pra ele, ao invés de ficar com o irmão certinho logo de cara.
- Não acredite em boatos, tenho certeza de que meu irmão não é isso tudo. – Jon respondeu rabugento – E eu me lembro de ouvir você falar algumas vezes que eu era bom de cama.
- Com ciúmes? – ela perguntou arqueando uma sobrancelha.
- É, eu estou sim. – Jon respondeu rabugento.
- Não devia. – ela disse beijando a boca dele de leve – Afinal de contas eu já estou muito bem atada a você. Tenha um pouco mais de fé na sua mulher. Não podemos começar uma vida juntos se você ficar dando crise de ciúmes o tempo todo.
- E nós estamos começando uma vida juntos? – ele perguntou cuidadoso. Arya sorriu e passou a mão nos cabelos dele.
- Achei que tinha me pedido em casamento. – ela disse.
- Eu pedi. – Jon concordou.
- E eu estou aceitando. – ela respondeu encarando-o diretamente nos olhos – Não sei se é a melhor solução, mas você já me fez reconsiderar tanta coisa na minha vida nos últimos meses que talvez o certo seja seguir o protocolo.
- Eu não quero que aceite e fique comigo por causa de protocolos, ou porque é isso o que esperam de você. – Jon disse afastando uma mecha de cabelo que caia sobre os olhos dela – Se não se sentir preparada pra isso eu vou entender, Arya.
- Jon, eu quero casar com você. – ela respondeu encarando-o diretamente nos olhos – Eu amo você desde que eu tinha nove anos e você era só o amigo do meu irmão mais velho. Nós já mechemos o bastante com a vida um do outro, então porque não fazer o serviço completo?
- Então acho melhor eu fazer um pedido descente. – ele disse sorrindo para ela – Espere aqui.
Jon se levantou do sofá e foi até o quarto. Tirou de dentro do cofre uma caixinha coberta em veludo negro e voltou para a sala. Ele se ajoelhou diante dela, encarou Arya diretamente nos olhos e mostrou a caixa. Ela arqueou uma das sobrancelhas e ficou esperando para que ele dissesse alguma coisa.
- Eu não acredito que você já tinha até um anel preparado. – ela comentou fazendo-o rir.
- Não me desconcentre, eu estou tentando fazer um pedido de casamento digno. – Jon resmungou – Nós começamos no escuro, usando máscaras e sem saber a identidade um do outro, mas agora todas as luzes estão acesas, eu estou olhando nos seus olhos e te pedindo pra se casar comigo, porque eu tenho certeza de que você é a mulher da minha vida. Não vai ser fácil, nós vamos passar por inúmeros problemas, mas eu quero arriscar tudo por você. Arya, você aceita se casar comigo? – Jon abriu a caixa revelando o solitário de rubi e ouro branco, cercado por dois diamantes. Era uma joia digna de uma rainha, algo escandaloso, ou como Aegon gostava de dizer, obsceno.
Arya respirou fundo e estendeu a mão a ele sorrindo.
- Eu aceito. – ela disse convicta. Jon retirou o anel da caixa e deslizou pelo dedo dela. Era um anel lindo e pouco convencional, mas ficava bem nela – Ainda não acredito que você já tinha comprado um anel.
- Esse eu não comprei. – ele respondeu sorrindo – Esse é uma herança de família. Meu pai deu pra minha mãe quando a pediu em casamento, como Aegon disse convictamente que não tinha intenção de se casar, ele abriu mão de toda e qualquer pretensão a este anel. Acho que meus pais ficariam felizes em saber que eu encontrei a pessoa certa para usá-lo.
Nota da autora: Como prometido, capítulo totalmente emocional e cheio de conversas tensas e significativas, com direito a Ned e Cat transmitindo sua sabedoria e botando juízo na cabeça dos dois. Nada de Aegon e Sansa por hoje, mas eu prometo que no próximo eu desconto. Próximo capítulo "My Big Fat Stark/Targaryen Wedding"! Espero que gostem e comentem.
Bjux
Bee
