Primeiro de tudo, eu devo desculpas.

Enormes desculpas. Não tenho idéia de quantos leitores tenho e tampouco se os que tinha continuam esperando outro capítulo, mas minha vida virou puro inferno e eu fiquei incapaz de ter paz, imagine então de escrever.

Me desculpem, de hoje pra frente postarei com mais freqüência e eu agradeço MUITO a vocês que ainda lêem.

Violet POV

Tudo que ela fazia era chorar e ver suas lágrimas caindo incolores na pia branca do banheiro. Ela não queria, mas sentia, sentia a dor no coração que não batia mais, sentia que estava perdendo tudo, tudo de novo. Ela não queria pensar, muito menos aceitar que um dia pudesse perder o garoto, o homem que ela amava para alguém como Hayden. Uma parte dela dizia "Vai ser ótimo! Eles se merecem, depois de tudo que ele fez" e outra dizia "Ele fez o que fez, mas ama você, Moira mesmo disse, ele nunca te esqueceria e muito menos te trocaria" mas ela não sabia quem escutar, ela não sabia quem queria escutar, ela não sabia mais se era ela mesma falando em ambos pensamentos. Fora isso que Hayden falara pra ela, com todas as letras antes dela se trancar no banheiro, que ela e Tate agora eram amigos e se davam bem, ele não odiava e repugnava mais ela, ele agora gostava dela e via ela como uma amiga e não tardaria a se tornar algo mais". Lembrar dessas palavras doiam, doia pensar nele se apaixonando por ela, doia pensar nos lábios dele se juntando nos lábios de alguém como ela, doia pensar no corpo dele junto ao dela e ele dizendo que a amava e que nunca deixaria ninguém machucá-la. Assim como fora com ela. Assim como seria só com ela. Assim como ela queria que só existisse ela na vida dele. Mas tudo era complicado demais para se acertar com um beijo, para se acertar com uma ou três palavras. Mas segundo Hayden, era exatamente um beijo ou uma palavra que ele seria dela. Ela, Violet só devia importar na vida dele, não importa o quão egoista isso parecesse, porque não era egoísmo, ela o amava e só ele existia em sua vida, ela se sentia sozinha, incompreendida, incompleta sem a presença dele, ela nunca sentira nada parecido por ninguém e por isso mesmo ela sabia que era amor, por que ela ainda sofria sem o toque dele, sem o cheiro dele depois de tanto tempo, e amor é isso, é sofrimento. Ela não queria mais pensar nisso, ela precisava fazer a dor ir embora, e ela não podia fazer a dor ir embora pra sempre, mas ela podia fazer agora. Como uma luz ela se lembrou e abriu o armário na parede do banheiro, pegou a caixinha exatamente igual a que ela tinha embaixo da tábua solta no assoalho do que um dia fora seu quarto e a abriu. Viu o material prata brilhar contra a luz e o olhou atentamente, era sua salvação, foi sua melhor amiga por tanto tempo quando ninguém conseguia amenizar sua dor, foi seu colo, seu consolo. Ela se sentia mal por quebrar uma promessa, mas tinha raiva, sua dor, sua tristeza desapareceram, se ele pudesse ser capaz de quebrar a promessa que nunca deixaria de amá-la, ela então tina permissão de tirar a dor que ele mesmo causara. Um, dois, cinco, dez, e ela sentiu.

Quanto tempo eu não faço isso... a quanto tempo eu ansiava por isso, Era tudo que ela conseguia pensar enquanto via seu sangue escorrer pelos pulsos, fechou os olhos e jogou sua cabeça pra trás sentindo o sangue escorrer rapidamente das suas veias para a pia e o chão do banheiro Como é bom. Mas a extrema tontura que fez ela colocar uma de suas mãos na parede tentando se apoiar inutilmente e a fraqueza em seu corpo quando ela atingiu o chão ainda tonta a fez voltar a realidade. Ela olhou para seus pulsos extremamente abertos e todo o sangue no qual ela sentava no chão. Levantou rapidamente o que só piorou a tontura que sentia. Droga droga droga. Desespero. Era o que ela sentia enquanto se apoiava na pia do banheiro tentando não cair de novo. Como pode sair tanto sangue? Eu estou morta essa merda ja devia ter parado. Porque não estou curando?

Ela ouviu alguém mexer na maçaneta mas antes que pudesse gritar pra quem quer que fosse deixá-la sozinha ja era tarde demais e ele estava parado na soleira da porta. Ela o viu pelo espelho e se virou para encará-lo. Ele não olhava nos olhos dela e tampouco pra ela, seus olhos surpresos no pulso dela e em seguida moviam-se da pia ao chão, ao chão até a parede. E quando ele olhou pra ela, ela desejou que ele nunca tivesse feito.

Tudo aconteceu rápido demais para os detalhes serem lembrados, ela olhou nos olhos dele e o viu olhando-a como nunca havia feito antes, com ódio. Ela sentiu que ia desmaiar mas nunca chegou ao chão, sentiu mãos fortes agarrarem seus cotovelos e sua cabeça bater fortemente na parede e um corpo grande a prendendo contra a parede. Ela mantinha os olhos fechados não porque queria mas sim porque não conseguia abri-los. Ela o ouviu gritando de um jeito que ela ja havia o ouvido gritar com outros, nunca com ela.

- VIOLET! VIOLET! ACORDA! OLHE PRA MIM! ABRE OS OLHOS! - A cada palavra ele a batia mais forte contra a parede e a cabeça dela se mexia com os movimentos. Tudo que ela pensava é que ela sabia como uma boneca de pano se sentia. - DIGA ALGO! - Ele gritava muito alto e ela não conseguia raciocinar direito. Havia algo errado, ele não parecia desesperado, ele parecia bravo, muito bravo, com raiva. - VIOLET! - mais uma batida. Tudo que ela conseguiu reunir forças pra dizer foi um fraco - Não consigo.. - Quando ela ouviu vozes de outras pessoas mas longe e não tão altas quanto a dele. Ela não conseguia ouvir o que eles dizia mas ela abriu os olhos o suficiente para ver a porta começar a ser aberta, ele soltou uma de suas mãos do cotovelo dela e fechou a porta num baque.

- NINGUÉM ENTRA! - Disse gritando para a porta. Olhou de volta para ela e viu os olhos pouco abertos, os olhos dele brilhavam intensamente enquanto ele dizia controladamente e pelo menos 15 vezes mais baixo com um sorriso malicioso - Ninguém sai. - Ela entendeu. Claro que entendeu. Quem não entenderia? Depois de tantos anos, meses, semanas, tanto tempo, era ela e ele. Resolvendo as diferenças, e ela não gostava nada disso.

-Agora minha querida Violet, você vai me explicar porque diabos você -ele terminou a frase entre dentes como se segurasse para não bater o corpo dela mais uma vez contra a parede - se cortou de novo?

- Me solta. - Ela sentia o sangue parar e sua energia voltar. Ja era hora, na verdade, passou da hora.

- Ah, você quer que eu te solte? - Ele dizia no tom mais irônico e isso doía, dentro dela, em algum lugar que ela não conhecia ela sentia uma pontada de dor. - NÃO! VOCÊ QUERIA SENTIR DOR NÃO É? Então sinta! - Ele a segurou pela garganta e a prendeu com seu corpo contra a porta. Ela sentia as unhas dele entrando em sua garganta e o ar ir embora. Então, ela se concentrou e disse com todo o fôlego que restava - Por favor, Tate.- Talvez ouvir ela dizer seu nome tenha mudado tudo então ele afrouxou seus dedos da garganta dela e disse calmamente em seu ouvido - Claro, sempre tudo que você quiser.

Ele a jogou pela garganta pro outro lado do banheiro e ela caiu dentro da banheira. Ela não teve tempo ao menos de se levantar nos cotovelos até ela o ver em cima dela de novo. Ele tinha uma das pernas em cada lado de seu corpo, ele a agarrou pelos cabelos e deitou um pouco sua cabeça pra trás enquanto ela olhava para o rosto contorcido de raiva dele.

- Eu sempre dei tudo que você quis, eu esperei quando você não tinha certeza do que sentia por mim, eu tentei deixar você viva e impedir seu pai de nos separar, eu tentei deixar você viva de novo - e com a pronuncia das ultimas palavras ele apertava mais a mão nos cabelos dela, como se dizer isso doesse nele e ele quisesse que ela sentisse o mesmo- quando você tentou se matar, eu respeitei quando você me mandou ir embora, eu fiquei longe de você o quanto eu pude, eu nunca te obriguei a falar comigo. Mas você não é capaz de cumprir uma -um puxão- só -outro- promessa. -Ela ja estava deitada na banheira com lágrimas nos olhos.

Depois de alguns segundos ele perguntou:

- Você não tem nada a dizer?

Ela tinha muito a dizer, mas as palavras fugiam de sua cabeça, ela estava apavorada, não devia pois estava morta, nada pior poderia acontecer a ela. Mas não era a dor que ela sentia na cabeça quando ele puxava seu cabelo com tanto ódio, não era a morte que ele podia provocar ao querer se vingar da promessa quebrada era o ódio que o motivava, era a raiva que ele falava e agia com ela, as lágrimas em seus olhos misturavam a dor física mas grande parte era tristeza. Tristeza por depois de tanto tempo a primeira vez que ela podia sentir um contato tão direto com ele fosse pela raiva, que ela estivesse sentindo o cabelo dele nas bochechas dela por um motivo tão ruim, por ela sentir o corpo dele tão próximo e com o consentimento dele por um motivo tão agressivo. Ela ia desabar mas não ali, não naquele momento, não na frente dele - Sai de cima de mim.

Ele pareceu confuso mas depois de alguns segundos soltou seu cabelo aos poucos e saiu da banheira. Ela levantou aos poucos e saiu da banheira sem olhar pra ele, ela sentia o olhar dele e decidiu sustentá-lo.

Seus olhos eram pretos como sempre, seus cabelos bagunçados e seus roupas largas. Suas roupas, estavam cheias de sangue, o sangue dela. Ela olhou os próprios pulsos e viu enormes cicatrizes desaparecendo. Foi quando ele falou.

- É, você quase morreu.

- Eu...

- Porque? Ein? Que diabos te levou a isso Violet? Pra que você foi se cortar?

Ela queria dizer tudo o que Hayden disse a ela mas ela não queria admitir que não queria perdê-lo, que foi por ciúme, que ainda amava aquele garoto, o garoto que fez tudo que ela não podia esquecer.

Foi quando mais uma vez ele gritou, mas dessa vez da mesma maneira da noite que ele tentara salvá-la da morte, entre lágrimas. - ME RESPONDE! - Ele a agarrou pelos pulsos que a minutos atrás estavam cortados e sangrando, e a sentou na privada. - Eu exijo que você me responda! AGORA!

Ela se lembrou da dor que percorria seu corpo e seu coração morto antes dos cortes e disse com raiva - Eu NUNCA vou perdoar você!

Ele apertou mais forte seus pulsos e aproximou seu rosto do ela perguntando rispidamente - Posso saber pelo que?

- Por tudo que você fez, por ter destruído minha família, matado e estuprado minha mãe. Você quebrou sua promessa também, não se lembra? Você disse que nunca deixaria ninguém me machucar e você mesmo vez. - Ela sentia que tinha triunfado,até ele dizer:

- Eu nunca vou te perdoar por ter me mandado ir embora. - Ela via as lágrimas em seus olhos escuros, ela via suas narinas dilatadas e seu lábio tremendo. Ele estava perto dela, tão perto, tudo que ela queria era beijá-lo e colocar as mãos em seus cabelos bagunçados e ela podia, tudo seria esquecido, ele com certeza a perdoria por tê-lo mandado embora pois ela pediria pra ele ficar, pra sempre. Eles deitariam no colchão que ela tinha no chão e fariam amor como eles fizeram a tanto tempo atrás. Mas ela não podia pensar assim, ele realmente tinha matado sua mãe e causado todo tipo de dor a ela e sua família, então ela fechou os olhos e chegou a conclusão que ela precisava esquecer, de uma vez, se a Hayden o quisesse ela que pegasse, ela não poderia querer mais, o sofrimento tinha que acabar.

-Eu não amo você.

Ele soltou os pulsos dela imediatamente pronunciando um "Ótimo" abafado, destrancou e saiu batendo a porta.

No instante que a porta bateu ela sentiu as lágrimas correndo pelas suas bochechas e o arrependimento do que tinha feito.