Dois lados

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Dois dias haviam se passado depois do trabalho polêmico que Sasuke apresentou junto com Sakura. E as coisas voltaram ao normal.

Ela, sempre rodeada de amigos, admiradores, e todo tipo de gente, e ele voltara a ser ignorado junto com sua amiga Karin.

Exceto que agora, quando Sakura passava por ele, dava um leve aceno ou sorria. Era um pouco estranho, mas ele respondia com um sorriso contido ou um leve aceno com a cabeça.

- Agora vocês são melhores amigos é? – disse Karin de braços cruzados observando os dois.

- Não é isso. É só que, ela não é tão ruim.

- Sei. Vai se iludindo no "efeito-Sakura" também, vire um desses idiotas amiguinhos dela.

- Sai dessa, Karin! Eu não te devo explicação de nada. – disse ele saindo de perto dela.

- Tá, me desculpa. É só que, eu falto um dia e você vira melhor amigo da Miss Universo que nunca ligou pra gente. Não dá para entender.

Sasuke parou por um instante se virando para a amiga e levando as mãos para o alto.

- Karin, eu não sou amigo dela. Fizemos um trabalho juntos, um! Bota isso na sua cabeça. Só que ela não é a pessoa antipática que você acha que ela é, e ela me cumprimenta. Só isso.

Karin deu um leve sorriso assim que Sasuke saiu pisando fundo deixando ela para trás. Ela nutria uma paixão por ele, e odiava a ideia de ter ele perto de outras garotas, principalmente uma que já tinha tudo.

Ela já havia se insinuado para ele uma vez, mas Sasuke disse que eles eram só amigos, e sempre a tratou assim, mas ela ainda não havia perdido a esperança, afinal eles combinavam tanto, gostavam das mesmas coisas, passavam pelos mesmos problemas, eram tão parecidos. Patricinhas como aquela cor-de-rosa não faziam o tipo dele, mas Karin tinha medo de Sasuke ser só mais um atraído pela beleza rosa artificial dela.

- Sasuke-kun! Você está se lembrando que vamos tocar hoje no Kuchyose Caffe, não é?

- Estou.

- Você poderia passar lá em casa com a sua moto e me levar – disse ela meio insegura, enlaçando o braço dele.

- Tudo bem.

Karin abriu um largo sorriso. Adorava as raras chances que tinha, quando Sasuke concordava em dar carona naquela moto, e que ela aproveitava para andar agarrada a cintura dele. Mas Sasuke, quase nunca o fazia. Aliás ele quase não levava ninguém naquela moto.

Ele não fazia o tipo egoísta, mas aquela moto era especial pra ele, e uma vez perguntado por que ele não cedia caronas, ele disse que "esse é meu lugar".

Karin foi retirada de seu sonho, quando Sasuke parou de supetão levando a mão na cabeça e fechando os olhos.

- Ai droga! Esqueci que preciso fazer o trabalho da professora Kurenai.

- Mas, é para amanhã.

- Eu sei, mas eu não consegui fazer antes, agora vou ter que voltar e fazer. – ele pensou um pouco e olhou para trás – Vou fazer aqui mesmo na biblioteca. Acho melhor você ir sozinha para o Kuchyose Caffe, eu vou sair daqui direto pra lá.

- Não, Sasuke-kun! Copia o meu! Mas me dê carona, por favor. – ela não se conformava em ver a sua chance evaporar dessa maneira. – ou então, deixa sem fazer dessa vez.

Sasuke a olhou incrédulo.

- Como você é egoísta, Karin. Se quiser eu pago o taxi pra você ir até lá, se o problema é dinheiro.

- Sasuke-kun, n-não briga comigo. Eu não...

- Não o quê? Você me pede pra que eu me prejudique só para te dar carona?

Sasuke respirou fundo para tentar se acalmar. Karin o tirava do sério as vezes, mas não era má pessoa. Ás vezes ela só não pensava no que falava.

- Karin, desculpa. Mas, por favor, faça o que eu te disse. É melhor você ir e se arrumar, descansar a voz. Eu fico aqui, de agora até a hora do show temos apenas 3 horas, mas conseguirei fazer e chego lá na hora do show. Até mais.

Sasuke virou as costas e se encaminhou para a biblioteca, antes que Karin começasse a argumentar de novo e ele perder mais tempo.

Ele chegou a biblioteca e por sorte estava quase vazia, exceto por um grupo de 3 rapazes no canto da área de estudos, absortos em seus próprios trabalhos. As aulas daquele dia já haviam encerrado, e a maioria dos alunos já tinha ido embora

O que a professora Kurenai havia pedido, era algo aparentemente simples, mas quando Sasuke começou a procurar, percebeu que era o tipo de trabalho, que se encontrava em poucos livros, e os que Sasuke conhecia já havia usado, e não tinha material suficiente. Teria que apelar para a sessão de livros mais antiquados.

- Não acredito que eu vou ter que ir para aquela sessão cheirar poeira e mofo. – disse ele baixinho.

A sessão de livros antigos era bem a parte da biblioteca, quase ninguém ia lá, por que as informações mais relevantes já estavam nos livros mais novos ou artigos na internet, mas, Kurenai sempre dizia que era sempre preciso valorizar e conhecer o passado. Sasuke entendeu o recado.

Mas, quando ele começou sua busca, notou um barulho vindo de algum lugar. Estranho. Não viu ninguém entrar ali. Ele começou a seguir o som, e agora pareciam choramingos o que o incomodou ainda mais, fazendo apressar o passo, e parar de uma vez quando encontrou a fonte do barulho.

- Sakura!

- Sasuke-kun!

Nem em um milhão de anos Sasuke imaginaria encontrar uma pessoa como Sakura, sentada no chão em um fundo isolado de uma biblioteca, chorando. Ela estava com um pouco do rímel que usava borrado, o nariz já vermelho e abraçada aos joelhos. Totalmente diferente da Sakura autoconfiante que ele era acostumado a ver. Tão... vulnerável.

Sakura também não conseguia acreditar que havia sido descoberta naquele estado. Ela odiava que alguém a visse daquele jeito. Frágil.

- O que você está fazendo aqui? – Perguntaram os dois ao mesmo tempo e depois de alguns segundos de silêncio e choque.

Outro momento de silêncio.

- Eu vim buscar um livro. – ele colocou as mãos no bolso – trabalho da Kurenai.

- Ah.

Sakura esticou o braço, apanhou um livro e esticou para Sasuke, sem fazer contato visual.

- É esse. Capitulo 3.

Sasuke pegou o livro, e o segurou por alguns instantes, parado na frente dela.

- Olha, eu não sei o porquê de você estar aqui, mas ninguém nunca vai saber, ok?

Sakura enxugou as lágrimas restantes e levantou o olhar.

- Apesar de não te conhecer, eu nunca achei que você seria capaz disso, garoto do gorro. Mas, obrigada.

Ela deu um leve sorriso e Sasuke respondeu com um leve aceno de cabeça. Ele se virou para ir embora, mas não conseguia aplacar o incômodo que sentia, e girou o calcanhar na direção dela de novo.

- Olha, eu não sou o melhor ouvinte, e nem sei dar conselhos. Mas, eu não consigo parar de pensar, o que faz alguém tão brilhante se sentar no chão de uma biblioteca empoeirada pra chorar.

- Brilhante?! Tsc... – disse Sakura com um sorriso amargo.

Sasuke fez uma cara de quem não entendia ou acreditava no que ela dizia, e sentiu a deixa e sentou-se ao lado dela encostando as costas e cabeça na estante atrás deles.

- É só que... fale isso com meu pai, ok. – Sakura balançava a cabeça num misto de indignação e mágoa – ele diz que eu penso pequeno, e sonho demais.

Sasuke permanecia calado, mas fazendo sinal para que ela continuasse.

- Chegou aos ouvidos dele que defendi o caso Tazuna contra o Estado, e ele me repreendeu por ficar do lado do pescador.

- Mas você foi incrível naquele dia. – disse Sasuke chocado.

- Para ele não. Eu tentei argumentar com ele, igual a gente fez, e ele só me disse que fui uma "inútil sonhadora". Que homens como o pescador existiam aos montes e nenhum morreu, que eles sempre se viram na vida.

- Se viram roubando, traficando, pedindo comida. Morrendo. – Sasuke sentia de novo a revolta da injustiça social que sempre o irritava.

- Sim. Mas segundo ele, isso é desvio de caráter. Se você faz isso uma vez, é por que sempre foi ruim e merece passar pelo que passou.

Sasuke bufou, fechou os olhos e respirou fundo. Ele ainda queria que Sakura desabafasse, e responder aquilo não iria ajudar.

- E além dele, meu namorado estava lá também. Mas para ficar do lado do meu pai e completar o discurso me dizendo "querida, não tente ser Madre Tereza de Calcutá".

Sakura fazia cara de ofendida agora. Ela não conseguia acreditar que seu próprio namorado não a apoiava e ainda a diminuía fazendo piada de seus ideais.

- E o ponto alto da conversa foi meu pai falando "Eu espero que você repense a idiotice que falou e fique calada. O Estado recorreu, e contratou os melhores advogados para cuidar do caso. Ou seja, nós." – Sakura se virou para Sasuke dessa vez – como eu posso compactuar com isso? Como eu posso ver meu pai defender coisas que eu não concordo? E ainda ter sido tão diminuída e ter que ficar calada? Nâo é justo! Não é justo!

Sakura abraçou os joelhos, abaixou a cabeça e começou a chorar de novo. Dessa vez um pouco mais alto. Ela não sabia por que confiar naquele garoto que ela mal conhecia, e sabia que havia o risco daquela história parar nos tabloides como sempre, mas naquele momento, ela viu que foi bom ter colocado aquilo pra fora.

Sasuke ainda se sentia perdido. Nunca poderia imaginar que alguém que exalava confiança sofresse esse tipo de descrença em sua própria casa. E vê-la chorar daquele jeito, o deixava ainda mais desconcertado, mas ao mesmo tempo sentia vontade de consola-la e fazer diminuir sua dor. Ele chegou a levantar a mão para passar em seus cabelos, mas desistiu, sabia que não tinha intimidade pra isso.

- Você pode não argumentar, mas mostrar apoio a Tazuna. Se fazer ouvir.

- Eu bem que gostaria. Mas, além da fúria do meu pai, eu teria de enfrentar a decepção de Sasori. - ela enxugou as lágrimas – foi ele que intermediou o contrato do meu pai e o Estado. Ele quer ser Senador, então disseram a ele que se evitassem que o Estado perdesse, ele teria o apoio do partido.

Sakura deu um sorriso triste.

- No final, eu acho que sou só uma imagem a ser usada, tanto pelo meu pai quando pelo meu namorado. Se eu fosse muda, seria ainda melhor.

Sasuke não conseguia falar nada, não sabia bem o que dizer, afinal ele também chegou naquela conclusão.

Sakura era a garota perfeita. Amada pelos tabloides, a it-girl, um pai honrado, um namorado bem afeiçoado, uma boa conta bancária. Era como se ela vivesse em um pedestal, e todos a olhavam, admiravam e invejam lá de baixo. Mas o que ninguém sabia é que morar nesse pedestal, a fazia sozinha, isolada, e se quer era ouvida.

Ela era mesmo apenas uma imagem, mesmo que não quisesse.

- Sabe, Sakura, eu não sei muito bem o que dizer, e nem sou tão bom assim, para dar palavras de apoio, mas uma coisa eu sei: fraca você não é.

Sakura o encarou. Sasuke realmente não era um bom consolador, mas ela sentiu o peso de suas palavras. Ela ainda não sabia o que fazer, nem se sentia bem o suficiente para isso, mas realmente fraca ela não era. Ela ia superar, mesmo que fosse só para parar de chorar, mas ela iria. Secou as lágrimas e se levantou.

- Eu não costumo falar disso com ninguém, mas foi bom conversar com você, garoto do gorro – disse ela sorrindo.

Sasuke se levantou e deu um sorriso de canto meio sem jeito.

- Bem, eu vou indo. Obrigada, Sasuke.

Sakura fez um aceno de cabeça e dirigiu-se rumo a saída da biblioteca, mas antes que pudesse se afastar, Sasuke a chamou.

- Sakura! Eu, er... eu tenho uma banda, e bem, a gente vai tocar hoje no Kuchyose Caffe. Se você quiser ver... Sabe, pra distrair.

Sakura notou o quão desconcertado Sasuke parecia, coçando a parte de trás da cabeça e foi impossível não sorrir.

- Vou pensar.

E assim ela se foi.

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E aí?

Lembram quando eu falei que não conseguiria fugir de tooooodos os clichês? Pois então, me perdoem por essa Sakura chorando
Mas em minha defesa, não se enganem que ela é uma Maria do Bairro sofrida, digamos apenas que conhecemos o ponto fraco dela.

Também tivemos a inserção de uma nova/velha conhecida: Karin
kkk mas fazendo ressalva de novo do Sasuke "Karin o tirava do sério as vezes, mas não era má pessoa. Ás vezes ela só não pensava no que falava."
Ela não é muito diferente da do mangá. É uma garota apaixonada lutando por quem gosta, mas não chega a ser uma inimiga mortal da Sakura.

enfim, gente desculpa a incoerência do tamanho dos capítulos XD
meus capítulos geralmente são pequenos, por que eu não sei esticar, mas alguns acabam saindo maiores. Por isso tem capítulo como o passado com 900 palavras, e esse com 2000. Não se assustem se o proximo sair com, sei lá, 600 kkkkk
mas em minha defesa (de novo) eu não demoro a atualizar.

Enfim
que nota enorme

Espero que gostem

Beijos

;**