Dois passos

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É interessante as vezes como que pequenos gestos podem fazer uma grande diferença. Sasuke quase nunca falava de seu irmão para ninguém, e quando falava, sempre era respondido com um "sinto muito" ou "coitadinho, que mundo injusto", o que sinceramente não o ajudava em nada a aplacar a raiva que sentia.

Mas, nunca imaginaria ver alguém conversar e agradecer ao seu irmão morto, que tanto merecia, com uma das flores que ele mais gostava, principalmente alguém como Sakura, que até então, era só mais uma nobre mimada.

Sasuke não conseguia explicar o que sentia. Era como se fosse preenchido em si um vazio que ele sempre convivera.

Permaneceram abraçados por alguns instantes, até que ouviram leves batidas na porta.

- Sasuke, hoje é seu turno no Ichiraku's. Não se esqueça. – disse Kakashi do outro lado da porta.

Sasuke soltou Sakura de seu enlace, cedo demais para seu gosto e respondeu.

- Sim, tio. Eu já estou indo. – virou os olhos para Sakura – eu tenho que ir, aqui no mundo dos mortais nós trabalhamos.

Sakura fez uma careta colocando a língua para fora.

- Você trabalha no Ichiraku's ? – disse ela com um leve brilho nos olhos e sorrindo.

- Sim. Eu sou garçom lá. Eu, Tio Kakashi, Naruto e Karin na verdade. – ele colocou as mãos nos bolsos.

- Eu adoro o Ichiraku's, eu sempre vou lá. Ele faz um Caubillaud au vin Rouche, mas ele acrescenta um molho – ela fechou os olhos e mordeu os lábios – que eu ainda não consegui identificar o que é, eu percebi a geléia de framboesa e queijo brie, mas tem mais uma coisa que eu sempre tento, mas não consigo identificar o que é.

Sasuke olhava para Sakura, com uma certa curiosidade e um sorriso de canto irônico.

- Eu não sabia, que você era uma conhecedora assim de comida. Aliás, eu nem achava que você comia, tipo, para manter a forma, e tudo mais.

- Aí que você, se engana. Eu adoro a Gastronomia. – ela abriu um sorriso largo – Vai, me conta, o que ele coloca no molho?

Sasuke ponderou um pouco a situação, olhando para ela.

- Por que você não vem comigo e você mesma pergunta ao Ichiraku-san?

- O quê? Eu? Eu, falando com Ichiraku-sama? – Sakura exalou o resto de ar que tinha – eu sempre tento falar com ele quando ele vai na nossa mesa receber cumprimentos, mas ele raramente vem nos atender, e quando vem, é sempre tão rápido, e só o papai fala, e eu não consigo falar com ele, e agora perguntar a ele, e se ele não gostar, e eu fizer papel de tonta, e ...

- Ei, ei, Sakura! – Sasuke segurou os braços dela – Calma. Ichiraku-san é um senhor bem bacana, pode ficar calma.

- Você jura? É que eu fiquei tão ansiosa, desculpa.

Sasuke ria.

- Deus, Sakura. Você conhece cantores, modelos, atores e é tiete de um cozinheiro? Você não existe.

- E você é chato. – ela cruzou os braços e inflou as bochechas,

- Vem, vamos. – disse ele segurando a mão dela e arrastando pra fora da casa, até a moto.

Ao chegarem no restaurante, Sasuke levou Sakura pela entrada dos funcionários, e ela não conseguia esconder a ansiedade que sentia, principalmente quando adentraram na cozinha do famoso restaurante.

- Vamos, ele está lá. – disse Sasuke apontando para uma bancada mais à frente.

Sakura ajeitou a roupa e cabelo, e Sasuke apenas ria internamente da situação. Era engraçado e surreal demais, alguém tão mais popular e famosa, se comportar assim.

- Ichiraku-san.

O homem virou-se para cumprimenta-lo.

- Olá, Sasuke-kun! Como você está hoje? Vejo que está acompanhado, oh, é a menina do Sr. Haruno. – disse o corpulento cozinheiro.

- O-olá, Ichiraku-sama – Sakura abaixou a cabeça – é um imenso prazer conhecer o senhor.

- Querida, nós já nos conhecemos – ele segurou as mãos dela – você e sua família são ótimos clientes. É sempre um prazer recebe-los.

Sakura sorriu desconcertada.

- É, verdade. Mas é que é sempre tão rápido, e é sempre o meu pai que fala com o senhor, e eu nunca consigo, e...

Sasuke notou o embaraço de Sakura e resolveu intervir.

- Sakura admira muito a sua comida, e quer lhe fazer uma pergunta de um dos seus segredos, senhor Ichiraku.

Ele olhou curioso para Sasuke e depois para a moça a sua frente.

- Pode perguntar querida. Se você é amiga do Sasuke, então eu te conto um dos meus segredos. – disse ele sorrindo.

- Bem, é que eu adoro o seu Caubillaud au vin Rouche, e o fato de o senhor usar molho nele, que normalmente não tem, o que para mim dá um toque especial. E é esse molho que me intriga, eu notei que o senhor usa geléia de framboesa e queijo brie, mas eu sei que tem mais uma coisa que eu não consigo identificar. O senhor poderia me dizer o que é?

O chef olhou para ela admirado.

- Você tem uma ótima percepção querida. E curiosa também.

Sakura abaixou a cabeça envergonhada.

- Molho Dijon.

Sakura levantou o rosto, com um semblante de compreensão e leve encantamento.

- Molho Dijon. É claro! Misturado a geléia de framboesa, ele vai apurar o sabor do bacalhau do Caubillaud au vin Rouche. – ela olhou pra ele admirada – O senhor é mesmo um gênio.

Ichiraku ria.

- O que é isso querida. Eu só gosto muito de cozinhar para as pessoas, e faço o meu melhor. Vem, vamos cozinhar comigo hoje.

- Eu posso mesmo? – perguntou Sakura maravilhada.

- Claro que pode!

Sakura saiu acompanhada pelo senhor Ichiraku, mostrando quais utensílios ele utilizava, quais ingredientes, melhores marcas, o ponto certo do fogo para fazer determinados pratos. E ela estava maravilhada, opinava e perguntava, enquanto Sasuke a assistia sorrindo. Era inebriante o brilho nos olhos dela. A deixava ainda mais linda.

- Toma aqui.

Naruto havia chegado sorrateiramente por trás de Sasuke e esticado um lenço para ele.

- O que é isso? – perguntou Sasuke.

- Pra você limpar essa baba aí.

Sasuke virou o rosto.

- Idiota.

Sasuke seguiu pisando fundo até o vestiário para colocar o uniforme, seguido por um Naruto as gargalhadas.

- Sério, Sasuke, pelo menos disfarça.

- Disfarçar o que, imbecil.

- Já tá rolando, ou você ainda tá esperando ela te dar uma chance? – perguntou Naruto cochichando.

- Não tá acontecendo, nada, Naruto! – Sasuke respirou fundo – Não ta,... acontecendo nada.

Naruto cruzou os braços e colocou uma das mãos no queixo.

- É. Então está esperando uma chance.

- Não estou, Naruto. Por que eu nem tenho uma chance. Nós somos de mundos diferentes, o mundo dela, está muito acima do meu, ok.

Sasuke não queria admitir o gosto amargo e a frustração que sentia em finalmente verbalizar a conclusão a que chegara e que se apegava. Não que ele estivesse interessado, mas se estivesse, Sakura era inalcançável para ele. Mas por que era tão difícil aceitar.

- Besteira. Se você já se sente um derrotado, problema seu. – Naruto virou-se e caminhava deixando o vestiário – eu, ao contrário de você, não vou desistir daquela Hinata.

Sasuke ficou de cabeça baixa por um instante, pensando em como as coisas eram com Naruto. Geralmente ele era melhor que Naruto em tudo, mas se tinha uma coisa que ele nunca poderia vencê-lo era em determinação. Às vezes, ele o invejava por isso, e gostaria de ser um pouco mais como ele e lutar pelo que desejava. Mas, ele não era Naruto, um idiota sonhador.

Levantou-se e foi trabalhar.

A noite seguia normal. Sasuke, Naruto e Karin, com um péssimo humor, serviam mesas, e a cozinha estava agitada, com o Cheff e os cozinheiros de apoio dando excessiva atenção a Sakura.

Mas para Sasuke valia a pena vê-la sorrindo. Ela passara por tantas coisas nesses dias, sendo diminuída pelo pai, criticada em jornais, aquele namorado idiota que a machucou, ela merecia ser feliz, e ali cozinhando com o senhor Ichiraku ela parecia iluminada.

- Essa cliente gosta de entradas leves, o que sugere Sakura-chan? – perguntou Ichiraku.

Sakura pensou um pouco e respondeu.

- Que tal 2 fatias de queijo branco, regada a limão siciliano salpicado com noz moscada?

- Bem pensado. A noz moscada e o limão vão balancear o gosto, e sobressair o queijo. Gostei. – respondeu o chef balançando a cabeça em aprovação para deleite de Sakura.

Ela olhou para Sasuke sorrindo, e ele correspondeu com um aceno de cabeça.

Era por volta de 22h quando Sasuke, pediu permissão para ir embora, e levar Sakura para casa, já era tarde e ela não tinha ido pra casa ainda.

Sakura despediu-se de todos, e agradeceu um a um que a se disponibilizaram a mostrar e ensinar segredos culinários a ela. Sasuke e ela caminhavam pela calçada até onde a moto dele estava estacionada.

- Obrigada, Sasuke-kun.

- Pelo quê? – perguntou ele curioso.

Sakura olhou para cima, sorrindo, e fechou os olhos.

- Pelo melhor dia da minha vida.

Sasuke parou um instante, pensando no que responder.

- Não foi nada demais, foi só uma cozinha de restaurante.

- Não foi só isso. Digo, andar de moto, compartilhar seus segredos, e conhecer e cozinhar com o grande chef Ichiraku-sama, foi... incrível.

Os dois continuaram caminhando pela calçada, tentando se proteger. Havia começado a chover

-Sakura, você só visitou uma cozinha. Eu não entendi, por que toda aquela empolgação? – perguntou ele.

Sakura olhou pra cima.

- Eu amo comida, Sasuke-kun. Não falo de quantidade apenas, falo também de qualidade, da mistura certa de temperos, e sabores. E por ser algo tão bom - ela colocou uma das mãos no peito - eu acho que ninguém deveria passar fome.

- Hn. Isso explica por que você defendeu Tazuna, naquele caso.- concluiu ele.

- Sim. Eu não consigo entender por que no mundo há pessoas que tem que passar por isso. Não é justo.

Era interessante para Sasuke ver a linha de raciocínio de Sakura. Pessoas como ela não passavam necessidades, mas ainda assim ela se dignificava a lembrar que haviam pessoas que não tinham esse "luxo".

- Eu estava me lembrando agora, Sasuke-kun - interrompeu ela o silêncio - você disse que é garçom ali, e eu sempre frequento o Ichiraku's, por que então eu nunca te vi?

- Bem, é que o Ichiraku-san gosta que os clientes "especiais", como a sua família, sejam atendidos pelo tio Kakashi e Iruka, um outro garçom mais velho. - ele notou a feição de questionamento ainda no rosto de Sakura - É que ele diz que os jovens são impetuosos, e alguns clientes mais especiais são impacientes ou se sentem ameaçados, sabe, suas mulheres, atendidas por garotões de uniforme.

Sasuke corou. Enquanto Sakura começou a rir.

- Isso já aconteceu com você? - Sakura notou Sasuke bufando e colocando os dedos segurando a parte superior do nariz - Não! Serio?! Quem diria que você era um galã conquistador estilo anos 80.

Sakura continuava rindo às custas de Sasuke.

- Você quer rir não é?

Sasuke segurou uma das mãos de Sakura, e arrastou para fora do parapeito que os protegia da chuva, enquanto Sakura gritava.

- Não, Sasuke-kun! Meu cabelo!

Mas Sasuke não deu ouvidos. Puxou-a para o meio da rua, e ainda segurando a mão dela começaram a girar.

Sakura continuava gritando, mas à medida que girava e girava, começou a rir de novo. Era tudo tão simples, mas tão intenso com aquele garoto.

Foi pega no susto quando Sasuke passou as mãos pela parte de trás de suas coxas e a ergueu no ar continuando a girar uma Sakura encharcada de braços abertos.

Sentia-se uma criança de novo.

Seus corpos estavam frios da chuva, mas o peito aquecido.

Quando Sakura começou a sentir-se tonta colocou as mãos no ombro de Sasuke e ele em compreensão desceu ela devagar.

Eles não contavam que com isso, tomariam enfim consciência da proximidade um do outro, como animais inocentes que caíram em uma armadilha.

Sakura permaneceu com as mãos nos ombros de Sasuke, e ele segurando sua cintura. Era só soltar, mas por que era tão difícil?

O comando era dado pelo cérebro, mas seus corpos não obedeciam. Travavam uma luta interna tão intensa, se perguntando por que era tão difícil, por que parecia tão errado, por que julgariam, o que pensariam, por que não...

Nenhum dos dois saberiam dizer quem fez o primeiro movimento, mas seus lábios se tocavam agora.

Era um beijo contido, ainda lutando em sua própria batalha interna, mas vencendo o desejo.

Movimentavam os lábios ainda se conhecendo, ainda se entregando e se buscando.

Para Sakura, era quente, delicioso e ao mesmo tempo aconchegante e protetor. E para Sasuke, era macio, lindo e encharcado de desejo assim como a chuva encharcava seus corpos.

Ele ainda apertava a cintura dela, mas permitiu-se envolvê-la em seus braços, e ela não conseguiu mais se segurar e agarrou-se ao pescoço dele. O beijo tornou-se voraz e necessitado, nunca parecendo suficiente, apertavam-se um contra o outro.

Por mais fria que fosse a chuva, eles estavam quentes.

Mas, tiveram que parar em busca de fôlego. Ofegantes, abriram os olhos, e passado um pouco o desejo inebriante a compreensão atingiu Sakura.

Ela se soltou do enlace de Sasuke, balançando a cabeça em negação, e começou a se afastar.

- Sakura! - chamou Sasuke.

- Me desculpe, Sasuke-kun. - respondeu ela, se afastando e esticando a mão para um táxi.

- Sakura!

Sasuke começou a ir atrás dela, até que um táxi parou.

- Sakura. Por favor...

Sakura parou na frente da porta do carro, olhou para ele com o semblante carregado e respondeu.

- Obrigada, Sasuke. Adeus.

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Então amores, o que acharam?

muito água com açúcar?
ou não dá pra ser feliz assim?

XD

O beijo finalmente aconteceu.
Mas essa Sakura...

Eu adoro deixar coisas escondidas na fic, e depois ver que vocês notaram as referências
Porém, não vou me segurar nessa, e mandar um beijo pra quem notou que "Obrigada, Sasuke. Adeus" foi referência ao 181

os pratos que citei: não gente, nunca comi XD Mas é um prato caríssimo. Fui pesquisar na internet pra quem ta se perguntando
o que eu comi foi a sugestão da Sakura, de queijo branco e limão siciliano e noz moscada , inclusive uma delícia.

Enfim, resumindo. Tá ficando dificil negar as aparências e disfarçar as evidências pra esses dois.

hehe

agora sessão beijo de hoje

A todos que estão deixando review, mas como estão anônimos, não tem como responder, mas li todas e S222

Jaque, você faz umas leituras e previsões muito legais menina S2

E Cellinha, que me mandou a trilha sonora dessa fic
e eu ameeeeeeeeeei !

She will be loved - Maroon 5

Cellinha, obrigada
;******

I don't mind spending everyday
Out on your corner in the pouring rain
Look for the girl with the broken smile
Ask her if she wants to stay awhile
And she will be loved
She will be loved