Duas ações

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É intrigante o fato de que nem sempre o que é o certo parece fazer sentido.

Era assim que Sasuke pensava depois da noite passada.

Por que as coisas tinham que ser assim? Por que as amarras sociais se impunham sobre seus anseios? Por que Sakura tinha que ir embora daquele jeito? Mas principalmente por que ele deixou...

À noite passada, o fez ir do céu ao inferno.

Ele não esperava fazer o que fez, mas quando se viu preso naquela armadilha e enlaçado por seus desejos, tentou ainda lutar, mas perdeu aquela batalha.

Ele ainda sentia os lábios formigarem mesmo já passadas horas do ocorrido, o toque macio dos lábios dela, o gosto dela, e todas as sensações que ela provocou nele.

Mas seus devaneios sempre eram consumidos pela lembrança dela indo embora.

Adeus, Sasuke

Adeus, Sasuke

Adeus...

- Mas que droga!

Ele esfregou a mão nos olhos, para aplacar a raiva e acordar das poucas horas dormidas daquela noite.

A vida continuava.

Mesmo que Sasuke não conseguisse aceitar, ele precisava ir pra faculdade.

Tomou um banho, vestiu-se e foi até a cozinha comer pelo menos uma fruta, mesmo que não tivesse mais fome.

Kakashi encontrava-se sentado à mesa, tomando café e lendo seu jornal.

- Sasuke, ontem você estava bem humorado. O que houve?

Sasuke mordeu um bom pedaço da maçã antes de responder.

- Nada.

- E sua amiga? - Kakashi escolheu as palavras- Vem aqui hoje?

- Por que ela viria, tio? O que tem aqui que atrairia alguém como ela? O que temos pra oferecer aqui? Nada aqui é bastante para pessoas como ela.

Sasuke dizia em um tom amargo demais, suficiente para Kakashi entender a situação. Ele apoiou uma das mãos no queixo e disse:

- Realmente não haverá nada para ela se você não mostrar.

Sasuke balançou a cabeça, pegou a mochila, as chaves da moto e saiu para a faculdade.

- Cabeça-dura como sempre. Ah, Itachi, se pelo menos você estivesse aqui...

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Sasuke chegou na faculdade algum tempo depois, decidido a não se importar com mais nada e focar na matéria de hoje.

Mas seus planos foram desfeitos, assim que entrou na sala, e viu Sakura sentada ao lado de Hinata, e Ino. As duas últimas conversavam e riam, e Sakura olhava, mas era perceptível que ela sequer escutava o que elas diziam.

Os verdes olhos dela encontraram os olhos de Sasuke.

Era como numa tempestade repentina, correntes elétricas e um semblante fechado tomou conta do rosto dos dois.

Sasuke seguiu seu caminho e Sakura abaixou os olhos.

- Sakura-san, o que houve? - perguntou Hinata.

- Nossa Sakura, que cara é essa? - completou Ino.

Sakura sorriu para elas.

- Não é nada. Eu tomei chuva ontem, acho que peguei um resfriado.

- Tem certeza, Sakura-san? - insistiu Hinata, ela sabia que algo estava errado, afinal aquele semblante de dúvida ela também andava tendo.

- Tenho. Eu só... Fiquei tempo demais onde eu não deveria.

- Hm. Você está muito estranha. - completou Ino, enquanto o professor entrava na sala para alívio de Sakura.

Enquanto isso, Sasuke sentava-se a algumas cadeiras atrás, tentava ao máximo não olhar para ela, mas era impossível não ter seus olhos capturados por aquela cabeleira rosa.

- Mais um pouquinho, e você vai conseguir furar as costas dela. - disse Karin.

- O quê? - respondeu ele sendo retirado de seu conflito interno.

- Sakura. Você vai furar as costas dela de tanto olhar. O que é uma pena, por que eu estou tentando explodir a cabeça dela a horas. - ela riu triste de sua própria piada.

Sasuke não respondeu. Ser perceptível tanto assim até para Karin, por mais que não conseguisse corresponder seus sentimentos, ele sabia que deveria ser difícil demais para ela assistir aquilo.

- Tudo bem, Sasuke. Eu sei quando eu perdi. - os olhos dela encheram-se de água - no momento que ela capturou sua atenção, eu vi você mudar. Eu nunca tinha visto você olhando pra alguém daquele jeito.

Sasuke permanecia calado. Karin não estava errada. Ele já havia saído com outras garotas, mas algo em Sakura era totalmente diferente, ele não sabia explicar.

- Maldito efeito-Sakura! - disse ela em outra triste piada.

Os dois riram tristes desta vez.

Sasuke bateu o lápis algumas vezes na mesa e finalmente falou:

- Não se preocupe Karin. Eu nunca terei chance.

Karin colocou a mão no rosto de Sasuke, olhando em seus olhos.

- Quem dera isso fosse verdade.

Sasuke foi liberado de uma resposta, se é que ele tinha alguma, pelo som do sinal marcando o final da aula ecoando nos corredores.

Todos começaram a juntar suas coisas e Sakura foi uma das primeiras a deixar a sala acompanhada de Hinata.

Sasuke saiu um tempo depois, iria à biblioteca pegar livros para ter com o que se concentrar até a hora de ir trabalhar. Alguns minutos depois, chegou ao estacionamento e encontrou Sakura em pé parada ao lado de sua moto.

Quando ela o viu, prendeu a respiração e aguardou a aproximação dele.

- Oi.

- Oi. - respondeu ele.

- Eu queria, aliás eu preciso falar com você.

- Hn.

- Sasuke eu, bem, sobre ontem à noite. - ela respirou fundo - me desculpe.

Sasuke deu uma risada amarga.

- Desculpa? É isso que você tem para me falar?

Ele não estava facilitando as coisas.

- Sasuke, aquilo não deveria ter acontecido. Você sabe que somos diferentes e...

- Diferentes? É assim que você diz que eu não estou à sua altura?

- Não é isso, Sasuke.

- Então é o que Sakura? Me explica. - ele buscava os olhos dela - eu não pedi isso, eu nunca quis entrar na sua vida, mas você veio e bagunçou a minha, e quando entrei, não achei que éramos tão diferentes assim.

- Sasuke, por favor...

- Eu tento entender Sakura, eu me perguntei à noite toda, o dia todo, e... Por que não? - era difícil admitir, mas as palavras simplesmente jorravam da boca dele - Eu nunca imaginei que eu desejaria tanto alguém como desejo você, Sakura. E eu sei que é recíproco.

Sakura não conseguia mais se conter, abraçou-se e começou a chorar.

- Eu não posso Sasuke.

- Por que não Sakura? Por favor, me diz.

- Eu voltei com Sasori. - disse ela baixinho.

Nem um soco, um braço quebrado e esfolado de um tombo de moto, doeram tanto em Sasuke, como aquelas palavras sussurradas de Sakura.

Ele sentia-se paralisado.

- O quê?

- Eu voltei com Sasori - ela ainda chorava - ontem à noite quando eu cheguei, ele e meu pai estavam me esperando em casa. Os dois conversaram e conversaram comigo, e achamos melhor nós reatarmos.

Sasuke não acreditava no que ouvia.

- "Nós achamos"? "Nós" quem, Sakura? Seu pai e Sasori, ou isso te inclui?

- Sasuke, por favor... - Sakura não conseguia conter as lágrimas.

Sasuke segurou os braços dela, fazendo-a virar para ele.

- Sakura, esse cara te agrediu. Você não pode voltar pra ele, você não pode fazer isso consigo mesma. Sakura ...

Ela soltou-se de suas mãos.

- Já está decidido. Vai ser melhor assim. - Ela passou a mão no rosto enxugando as lágrimas e ergueu o corpo - me desculpe pelo mal-entendido.

Incredulidade passou pelo rosto de Sasuke, ele balançou a cabeça e deixou os braços caírem de lado.

- Tudo bem. Se é assim que você quer. Você tem razão, nós somos mesmo diferentes.

Ele se virou, subiu na moto e partiu.

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Naquela noite, Sasuke foi trabalhar e tentava ao máximo não passar seu mau humor aos clientes que atendia.

Mesmo Naruto, provavelmente alertado por Karin, evitou implicâncias rotineiras com ele. Podia imaginar o que o amigo estava passando, mas o conhecia tão bem, que sabia que não era hora de falar, que ele não iria se abrir e só queria ficar no mundo dele.

Seria bom focar-se em trabalhar, trazia o sabor de realidade.

Mas como nada na vida de Sasuke era tão fácil, ele foi chamado a cozinha por Kakashi e o senhor Ichiraku.

- Sasuke, um dos nossos clientes especiais, dispensou o Kakashi, e disse que queria que os convidados fossem atendidos por você. - disse o senhor Ichiraku medindo as palavras

- Tudo bem. Mas por que eu sinto que não é só isso? - respondeu Sasuke

Kakashi colocou uma das mãos no ombro de Sasuke.

- Sasuke, o senhor Ichiraku está falando do sr. Sasori e Sr. Haruno, e toda a família dele.

Sasuke sentiu-se descendo ao inferno. Ele não tinha vergonha de seu trabalho, mas atender aquela gente, principalmente aquele Sasori, não estava nas suas pretensões de vida.

Mas ele precisava. Sabia que era uma provocação. De alguma forma eles haviam descoberto a relação dele com Sakura.

Mas apesar de tudo, eram clientes especiais e influentes para o senhor Ichiraku que sempre o ajudou.

- Eu vou.

- Sasuke-kun, apesar de terem insistido eu posso conversar com eles para Kakashi atendê-los – disse o velho.

- Não. Pode deixar que eu vou.

Sasuke arrumou o uniforme, pegou o cardápio e a carta de vinhos e foi atendê-los.

Respirava fundo até chegar lá. Assumiu um semblante complacente e iniciou seu martírio.

- Boa noite. Meu nome é Uchiha Sasuke, e eu vou servi-los essa noite.

- Olha ele aí! - disse Sasori - então esse é Uchiha Sasuke.

- Você é colega de turma da minha filha, não é rapaz - disse o senhor Haruno do outro lado da mesa de quatro lugares.

- Sim, senhor. - respondeu Sasuke.

- Que bom que a faculdade já não é mais tão seletiva com seus alunos. - disse o senhor Haruno novamente, esticando a mão para pegar os menus.

Sasuke apenas entregou sem responder.

- O que você sugere para beber, rapaz. - era a senhora Haruno ao lado de Sasori, falando pela primeira vez

Sasori pegou as mãos dela.

- Minha querida e doce sogra, pode deixar que escolherei um vinho maravilhoso, levemente adocicado para combinar com você. O rapaz só deve tomar suco de caixinha, ou o que eles mandam ele indicar. Eles não têm gostos refinados. - disse ele baixinho, mas em volume suficiente para que Sasuke escutasse.

- Pode deixar, garçom Sasuke, quando escolhermos eu te chamo. - e fez um sinal de mãos como se tocasse algum animal.

Nada disso afetava tanto Sasuke. O que realmente o estava afetando era Sakura, encolhida no canto ao lado de seu pai, de cabeça baixa, com as mãos no colo.

Era insuportável para Sasuke, queria arrancar ela dali mas sentia-se de mãos atadas e saiu logo.

Depois de alguns instantes, Sasori ergueu uma das mãos sem direcionar o olhar. E Sasuke foi atender.

- Os senhores já decidiram?

- Se não tivéssemos decidido, sua presença não seria solicitada - respondeu o senhor Haruno.

- Que isso, meu sogro, deixe o rapaz - interrompeu Sasori - ele vem logo para que comamos bastante e no final dar a ele uma boa gorjeta. Não é mesmo, Sasuke? Você precisa de dinheiro não é?

Sasuke notou a duplicidade na pergunta de Sasori, mas obviamente não respondeu.

- Um Foie gra, por favor. - disse a senhora Haruno.

- Eu gostaria de um Coq ao Vin - pediu o Sr Haruno em seguida.

- E eu vou querer Vichysoisse e pode pedir para a Sakura também - Sasori virou-se sorrindo para ela - não é meu amor?

Sakura balançou a cabeça.

- Sim.

- Meu amor, você está tão longe de mim. – virou-se para a senhora Haruno – Sogrinha, deixe sua linda filha sentar aqui do meu lado. Vem, amor.

A senhora Haruno levantou-se de bom grado, sorrindo, e Sakura a seguiu.

Ela estava linda.

Usava uma trança embutida lateral, e vestido semi-curto de cor pérola, assim como as pérolas dele. Na frente ele era comportado e de mangas curtas, mas quando ela passou por Sasuke, ele pôde ver que as costas do vestido estavam quase totalmente desnudas, revelando uma pele alva e aparentemente muito macia, equilibradas em um salto alto vermelho.

Mas como nada é perfeito, viu a mão de Sasori tocar as costas dela, que já estava de pé, guiando-a para o assento, e destruir a imagem e tira-lo do transe.

- Ela é linda, não é Sasuke? – perguntou Sasori olhando para ele ainda de pé.

Sasuke apenas o encarava sem esboçar reação ou cogitar dar uma resposta.

- Eu sou o homem mais feliz do mundo por tê-la. – concluiu Sasori.

Sasuke não deixou de notar uma leve piscadela nervosa em seu olho esquerdo, ao declarar posse sobre Sakura.

Sasori sentou-se, e passou o braço em volta de Sakura, que se recusava a olhar para qualquer um perto dela.

- Bom, o que está esperando? Traga nossa comida.

Sasuke, saiu com os pedidos e no caminho quebrou a caneta que segurava em uma das mãos.

Levou os pedidos a cozinha, e teve um pouco de apoio dos amigos que lá estavam, mesmo que ele não quisesse ouvir uma palavra, era bom saber que sua revolta era compartilhada por aqueles que importavam.

Quando os pratos ficaram prontos, Sasuke respirou fundo novamente e repetia consigo mesmo que estava acabando. Ele só precisaria aguentar mais um pouco.

- Aqui estão os pedidos dos senhores. – disse ele em seu modo automático enquanto colocava os pratos na frente de cada um. – Se precisarem de mais alguma coisa estarei à disposição.

Só mais um pouco.

Ouviu um tilintar de talher caindo no chão.

- Ah, garçom. – Sasuke se virou para ver Sasori apontando para um garfo caído – pega aqui, por favor.

Só mais um pouco.

Sasuke abaixou-se para pegar o garfo, mas antes que se levantasse, sentiu a sopa Vichysoisse caindo em suas costas, e a vasilha com conteúdo para dois se espatifar no chão.

- Mas que droga! – gritou Sasori levantando-se – Você é assim tão incompetente? Desde quando o Ichiraku's contrata garçons que mal sabem se portar frente aos clientes?

- Sasori, não se preocupe, farei uma reclamação direta ao Senhor Ichiraku e exigirei providências. – respondeu o senhor Haruno.

- Querido, acalme-se, eu e Sakura iremos a Gucci amanhã e escolheremos um sapato novo para você, tudo bem? – disse a senhora Haruno do outro lado da mesa, apontando para o sapato dele com alguns respingos.

Sasuke tremia de raiva ainda abaixado, levantou-se devagar, e buscou os olhos de Sakura. Ela ainda se recusava a encará-lo, mas Sasuke já conseguia ver lágrimas acumuladas direcionadas a ele.

- Você é melhor que isso, Sakura.

E saiu sem dar ouvidos a qualquer resposta deles.

- Sasuke... – disse Kakashi quando o sobrinho passou por ele.

- Peça perdão por mim ao senhor Ichiraku. – e foi embora.

Foi para casa e chegou em um instante, não poupou o acelerador de sua moto.

Tomou um banho, enquanto se odiava por ter sido inocente em pensar que conseguiria sair daquela noite ileso. Eles já tinham tudo planejado.

Prejudicou Kakashi, prejudicou o Sr. Ichiraku, tudo por que foi inocente e não se segurou.

E ainda usaram Sakura.

Tentava odiar Sakura, mas acabava se odiando ainda mais, por não conseguir.

Ainda sentia uma vontade imensa de protege-la, e tirar ela de lá.

Saiu do banheiro, vestiu o short, e já secava o cabelo, pronto para ir se deitar. Seria uma noite longa e amarga pela frente, mas que talvez rendesse alguns minutos de sono.

A campainha tocou. Kakashi sempre esquecia a chave.

- Kakashi, olha, me desculpa, tá. Eu... – parou em choque – Sakura?

Sakura estava parada em sua porta, inspirando e expirando fundo como se estivesse tomando coragem para dizer algo.

- Você disse que eu era melhor, não era? – ela perguntou e Sasuke assentiu aturdido – Então me prove.

E passou os braços enlaçando o pescoço e os cabelos dele e o beijou.

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Oi chuchus
E aí gostaram?

que tenso esse capitulo né
Mas no final...
Sakura mana, se joga
XD

Esse capitulo, eu escrevia com tanta raiva
espero ter conseguido passar o quão nojento o Sasori era na minha cabeça.

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Quero pedir mil perdões pela demora
mas podem ficar tranquilas que não pretendo abandonar a fic
eu fiquei um pouco abalada com o Gaiden, confesso
e depois fiquei doente
Ainda to recuperando de uma pneumonia.
Então, desculpem de novo.

As reviews lindas
S2
responderei em breve

Enfim
beijos

Capitulo que vem:
Sasuke provará Sakura
( ͡° ͜ʖ ͡°)