Duas quedas
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As coisas não estavam fáceis entre a banda. Não em sua musicalidade, que estava funcionando muito bem já que cada vez mais Suigetsu se adequava a Naruto e Karin, e eles ao novo guitarrista. Mas as relações interpessoais eram um desastre. Especificamente entre Karin e Suigetsu.
Naruto já aprendera a lidar com ele, e já tinha a liberdade de respondê-lo à altura, ou só de resumir sua resposta ao típico "Vá se foder". Mas Karin tinha sangue nos olhos quando via Suigetsu, e vez ou outra saía um tapa, sempre dado por ela.
A sorte é que Sasuke estava lá, e em um rompante de paciência esgotada, levantou a voz para os dois e jurou que os trancaria num banheiro se brigassem de novo durante o ensaio.
Aterrorizada com a hipótese, Karin resolveu não brigar com Suigetsu durante os ensaios. Durante.
Ela jogava toda a raiva que ele lhe causava em pegadinhas. A primeira vez que ela o viu realmente nervoso, foi quando ele entrou na sala arrotando bolhas de sabão, por conta do detergente que ela colocou na garrafa de água dele. Ninguém conseguia aguentar pra não rir. Ele correu atrás dela, até agarrá-la e carregá-la até um chuveiro.
Naquele dia, o ensaio foi cancelado.
E assim foram nos dias subsequentes. Suigetsu tirava Karin do sério, ela aprontava com ele, ele devolvia na mesma moeda... Pelo menos com isso as brigas diminuíram. Sakura andava até desconfiada de alguma coisa, mas por hora deixaria passar.
Estava apenas sentada observando a banda e Sasuke conversando, fazendo ajustes aqui e ali, quando Hinata a tirou de seus devaneios com uma "bomba".
- O Naruto me pediu em namoro. – disse ela baixinho.
Sakura se sentiu paralisada, arregalou os olhos e virou a cabeça lentamente para a amiga.
- O quê? – gritou e abriu a boca.
Todos olharam para elas, e enquanto Hinata a beliscava, ela acenou para os amigos disfarçando.
- Minha nossa, me conta isso direito Hinata. Eu sabia que vocês estavam ficando, mas não que tinha chegado a esse nível. – cochichou.
A amiga se virou para ela e colocou as mãos no colo.
- Pois é, não foi muito diferente de você com o Sasuke, você sabe. Ele me chamou a atenção desde o primeiro momento, e a energia dele, o sorriso, a espontaneidade – ela levantou olhos brilhantes e sonhadores – me atraíam cada vez mais. Quando ele me beijou naquele dia que fecharam contrato... eu me senti tão parte da vida dele.
Ele me ligava, ou então simplesmente aparecia na minha casa, o que me deixava apavorada em pensar que meu pai poderia encontrar ele lá, diga-se de passagem, e me levava para sair, ou aqui para academia, e eu fui ficando tão envolvida. Até que ele me pediu. "
Sakura colocou as duas mãos na boca contendo um sorriso, e os olhos brilhando.
- Que coisa mais linda, Hinata. Eu estou tão feliz por vocês.
Hinata sorriu, um pouco envergonhada.
- Obrigada, Sakura. Eu estou um pouco apavorada e preocupada – ela abaixou os olhos novamente – eu quero muito sair desse namoro escondido, mas meu pai vai surtar quando souber. Eu não sei o que faço. Eu não sou forte como você.
Sakura segurou as mãos da amiga buscando os olhos dela.
- Você é forte sim, não duvide nem um segundo. Você vai saber lutar quando chegar a hora.
Hinata sorriu e abraçou Sakura, suspirando com o alívio de colocar isso para fora.
- Você é incrível Sakura, e me inspira sabia? Eu não teria toda essa coragem, se não visse a sua luta para ter o Sasuke como namorado.
O sorriso de Sakura se desfez.
- Bem – ela deu de ombros – eu e Sasuke não somos namorados oficiais. Estamos apenas nos curtindo, saindo, sem compromisso.
Sorriu um pouco sem graça, e recebeu um sorriso singelo e sincero de Hinata.
- Você me inspira muito, Sakura, mas não minta para si mesma.
Ela colocou uma das mãos no rosto de uma Sakura congelada pela segunda vez, e saiu para ir embora com seu namorado, já que o ensaio havia acabado e todos estavam saindo.
Hinata poderia admirar Sakura, mas se existia uma qualidade que a diferenciava era a sensatez.
Talvez Sakura realmente estivesse mentindo para si mesma, talvez pelo medo que sentia do que estava sentindo por Sasuke. Olhou para ele se despedindo dos amigos, enquanto pensava em seu relacionamento, e no que sentia com ele.
Eram deliciosos os beijos, transcendental o sexo, interessante a conversa, mas o fato de só estar ao lado dele sem uma palavra já a deixava tão bem, tão feliz, tão... completa.
E como se ele adivinhasse, olhou para ela com olhos semicerrados e sorriu de canto, aquele sorriso de canto.
O arrepio pela coluna foi inevitável.
Ela se levantou e foi andando na direção dele, e ele a imitou indo até ela. Beijaram-se com tanta vontade, perdiam-se nos lábios um do outro, com dedos emaranhados em cabelos tanto negros quanto rosas, e a outra mão explorando, alisando, apertando, tomando posse.
- O que foi isso? – perguntou ele quando se soltaram ofegantes.
Ela sorria e encarava bem fundo no negro dos olhos dele, que brilhavam como ônix, e ele era contagiado sorrindo também.
- Sasuke, você quer ser meu...
A porta foi escancarada.
E a visão tornou-se a pior possível. O Sr. Haruno com Sasori em seu encalço entraram pela porta.
- Dessa vez você não me escapa, Sakura.
Sakura sentiu seu corpo paralisado devido ao choque.
- P-pai? – balançou a cabeça – O que você faz aqui?
- Você se acha muito esperta fugindo de mim, mas eu cansei de brincar de gato e rato com você. – ele respondeu.
O sangue subiu, e os olhos de Sakura tomaram um tom verde acinzentado de fúria. Estava cansada de como seu pai a tratava como criança. Mas tentava se segurar por respeito, afinal ele ainda era o seu pai.
- Se estamos brincando de gato e rato, eu provavelmente estava indo bem, não é? Já que você teve que descer do seu trono e vir até aqui. – cruzou os braços. – Me diga papai, como foi respirar o ar do subúrbio?
- Querida, não irrite seu pai. – se adiantou Sasori – ele só quer o seu bem.
Sakura se virou para ele e com os dentes cerrados respondeu:
- Nunca mais me chame de querida, eu não sou nada sua.
- Eu só quero o seu bem, Sakura. Eu sei que você ainda me quer e só está sendo iludida por esse canalha. – apontou para Sasuke.
- Iludindo? Você manipula coisas pelas costas dela e eu que estou iludindo? – Sasuke começou a andar devagar na direção de Sasori com uma fúria palpável – Você mente, você a machuca, a diminui, anda como um cachorrinho atrás do pai dela e a negligenciava, e eu sou o canalha?!
Sasori engoliu seco com a proximidade de Sasuke que continuou:
- É você o canalha e covarde aqui. Rato de esgoto.
Sasuke não sabe bem como aconteceu, mas havia canalizado toda a sua raiva, desde o apertão no braço de Sakura à sua saída da banda em um soco em cheio no nariz de Sasori.
Sakura correu segurando o braço dele, tentando acalmá-lo, mas ele já não pretendia atacar aquele covarde chorando no chão segurando o nariz ensanguentado.
- É com esse tipo de troglodita que você sai, Sakura? – disse o pai dela se colocando na frente de Sasori.
- Com quem eu saio ou deixo de sair é da minha conta, papai.
Ele inflou as narinas, e em uma voz fria e cortante respondeu.
- Eu ainda sou seu pai, Sakura. Ou você vem para casa comigo agora, ou as consequências serão desastrosas e permanentes.
Ele mantinha os olhos vivos em cima da filha, mas desviou-os por um instante sobre Sasuke, o suficiente para que Sakura visse e empalidecesse.
Ela já tinha visto o pai destruir empresas e famílias, apenas usando a lei a seu favor. Sasuke havia acabado de socar o rosto de um futuro Senador, mas apesar de Sasori merecer, sabia que seu pai conseguiria até uma prisão perpétua se quisesse.
Ela olhou para Sasuke, apertou o braço dele de leve e caminhou na direção do pai.
- Sakura!
Ela só virou o pescoço e balançou a cabeça, e seguiu em frente. Enquanto Kizashi o olhava de cima a baixo com expressão de nojo.
Sasuke correu até a porta e viu os três entrarem no banco traseiro e o motorista sair com o carro. Correu pegando seu capacete, e foi seguindo o Audi preto de longe. Não deixaria Sakura sozinha.
Ela ia dentro do carro, engolindo sua raiva, adiara esse confronto enquanto fora possível. Pensava muito sobre esse momento, a ponto de parecer desligada às vezes. Temia, mas o momento chegara, e precisaria enfrentar os pais.
Não era só porque queria ficar com Sasuke, mas porque queria ser dona de sua própria vida e de suas escolhas.
O relacionamento com Sasuke não era o motivo, mas sim o estopim para que ela enxergasse que estavam tentando transformá-la em algo que ela não era.
O silêncio era quebrado só pelos gemidos dolorosos de Sasori.
- Aquele animal selvagem me pegou desprevenido.
Sakura apenas rolou os olhos.
- Agora está tudo bem, minha querida – ele colocou a mão na perna dela – eu sabia que era melhor avisar seu pai que você andava com gente de baixo nível. Foi pro seu bem, e eu sei que ainda vai me agradecer.
Sakura deu um tapa na mão dele enojada. Sabia agora como seu pai descobriu onde ela estava.
Quando chegaram em casa, Kizashi abriu a porta e Sakura entrou pisando fundo.
- Minha filha, finalmente te encontraram. – a Sra. Haruno colocou as duas mãos no rosto da filha – moramos na mesma casa, mas você sempre foge da gente.
- Oi mamãe. – disse ela ainda contrariada.
- Aposto que estava com aquele aproveitadorzinho.
Sakura bufou e saiu das mãos da mãe balançando a cabeça e se jogando no sofá. Era demais esperar que alguém ficasse do lado dela.
- Não a culpe, Mebuki. – disse Sasori se fazendo presente.
- Meu filho, o que houve com você? – Sra. Haruno se precipitou até o rapaz, já mandando uma empregada trazer gelo e depositando nele carinho e preocupação.
Sakura não deixou de notar a intimidade deles.
- Você vai terminar esse relacionamento, Sakura. – o pai se sobrepôs e todos fizeram silêncio.
Havia começado.
- Você vai terminar com esse rapaz, e nesse seu tempo ocioso vai aprender alemão. Você já domina duas línguas, mas a Alemanha é uma economia crescente, e em breve estaremos lidando com eles. E quando Sasori se tornar Senador, ele vai trazer algumas companhias para a cidade, e nós seremos os advogados deles.
Sakura apenas o observava com olhos semicerrados. Respirou fundo, levantou-se devagar e andou até o pai. Aprendeu isso com Sasuke.
- Tora-chan.
Kizachi a olhou sem entender o que ela havia dito.
- O-o quê?
- Tora-chan. Era o nome do gatinho que eu salvei voltando da escola num dia de chuva, eu me apeguei a ele, e foi por semanas a minha companhia preferida. – cruzou os braços – e o senhor quando descobriu me deu um sermão, e fez o motorista atirar o gato na rua sem nem perguntar o nome dele ou o que eu queria para ele. Eu chorei por semanas.
- O que isso tem a ver com o assunto, Sakura?
- Você não foi ao meu recital de balé. – começou a andar de um lado para o outro como em um júri – e quando me via chorando, dizia pra parar com besteiras. Diga, qual a minha comida favorita?
- Sakura, deixe de bobagens.
- Boeuf bourguignon. É meu prato favorito. Mas qualquer prato que eu puder cozinhar se torna meu preferido. – ela sorriu para o pai – ah, mas você também não sabia que eu gosto de culinária.
- Eu sempre te preparei para ser uma herdeira, não para esquentar barriga em fogão. – ele disse apoiado em um pouco de razão.
- Nisso você tem razão, papai. Eu realmente seria uma negação como dona de casa, e odiaria que me obrigassem a isso. Realmente, machista o senhor não é, mas, e quanto ao meu direito de escolha? E as coisas que quero fazer? Você já me perguntou alguma vez o que eu queria fazer, hein, papai?
- Eu não tenho que te perguntar nada. – ele alterou um pouco mais a voz um pouco descontrolado de sua habitual frieza – Eu sei o que é melhor para você.
- O melhor? Tem certeza? Pois no momento você me quer aliada a um ex-namorado que eu abomino e que machucou o meu braço, por dinheiro.
A Sra. Haruno interviu por Sasori.
- Minha filha, ele não quis te machucar, foi só um momento de raiva porque ele te ama.
- Ele não me ama, mamãe! – Sakura falou mais alto com a mãe.
- Respeite a sua mãe. E você vai fazer o que eu estou mandando. Aquela sua aventura acabou, e você vai parar de andar com aquela gentinha, está me ouvindo, Sakura?
Sakura respirou mais uma vez buscando força.
- Eu não vou, papai.
- Sakura. – ele respondeu entredentes.
- Eu não vou, papai! – disse mais firme.
- Você vai sim! – gritou.
- A vida é minha, e eu decido por mim. – a voz dela foi aumentando a cada frase – Você nunca se importou com o que eu sentia, você só queria uma imagem e uma nova máquina de fazer dinheiro. Você não manda mais em mim!
Ela ofegava. Havia percebido que estivera gritando também por conta da dor em sua garganta, mas ela se mantinha firma encarando os olhos nublados do pai.
- Mebuki – ele falou sem quebrar o contato visual – ligue para o banco, e mande cortar todos os cartões da Sakura.
Ela arregalou os olhos e ele continuou sentindo a vitória.
- Mande o motorista esvaziar o tanque do carro dela. Ela não receberá nenhum centavo meu enquanto insistir nesse namoro. Quero ver quanto tempo vai durar, se aquele gigolô vai ficar com ela muito tempo. – ajeitou o terno – E o dinheiro que você tem na carteira, eu quero ele também. Você não terá um centavo meu, filhinha.
O tom de desafio somado à raiva que Sakura sentia a fez buscar forças de algum lugar que ela não sabia. Foi impulsivo, mas não voltaria mais atrás.
- Tudo bem. Se é assim.
Ela pegou a bolsa e abriu, retirando a carteira. Pegou o dinheiro e cartões e jogou nos pés do pai. Olhou para a carteira, pensou, retirou os documentos e jogou também.
Vasculhou a bolsa e jogou batons, um perfume, echarpe... pensou mais um pouco e jogou a bolsa aos pés do pai.
Todos a fitavam, e quando ela começou a desabotoar a blusa, Mebuki levou as mãos à boca e soltou um gritinho quando Sakura a jogou no chão aos pés do pai.
- O que você está fazendo Sakura? – perguntou o pai já vermelho de constrangimento e raiva.
- Se para ter a minha vida sob minhas decisões eu preciso abrir mão do seu dinheiro – ela tirou a saia e sapatos e jogou junto à pilha que jazia na frente do pai – toma tudo que é teu, papai.
Sasori tentou amenizar:
- Meu bem, você nã...
- Não fala comigo. – Sakura apenas ergueu a mão sem nem olhar para ele – a calcinha eu vou usar por que foi a Ino que me deu. Até mais.
Sakura começou a se dirigir até a porta, e nem a respiração de uma sala cheia de pessoas era ouvida. Até que Kizashi falou em um tom frio quando Sakura colocou a mão na maçaneta.
- Se você sair por essa porta, Sakura... Você não é mais minha filha. Considere-se fora do meu testamento.
Sakura vacilou os passos e respirou fundo. Olhou para o lado, e de uma porta que dava para um pequeno armário de casacos, viu a senhora Chiyo olhar em seus olhos e dar um aceno com a cabeça e um sorriso de orgulho.
Ela se virou lentamente para trás.
- Você pelo menos me amou alguma vez, papai?
Ela esperou uma resposta que não veio. E depois saiu.
A noite estava fria, e ela atraiu os olhares de alguns dos empregados. Queria chorar, não sabia o que fazer. Mas, como um príncipe em um cavalo branco, ou um garoto de gorro em uma moto preta, Sasuke estacionou tirando o capacete e, atônito, olhou para uma Sakura quase nua chegando ao portão.
- Sakura...
- Só me leva daqui.
Ele tinha mil perguntas, mas apenas jogou a jaqueta que usava em cima dela, e os dois partiram.
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Betado por: AnneChan23
E aí chuchus _
O que acharam? Tenso né?
Mas a Sakura se libertou \o/
Sasori dá azia em Sonrisal.
Sakura foi corajosa
Enfim, não tenho muito a falar ahushuashash
So mandar muitos beijos pra vocês que continuam comigo lendo S2 e me mandando reviews S2222
Continuem S22
Ashuashuahuas
Beijos, e até a próxima
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