Duas chances
.
.
As coisas não estavam fáceis.
Kakashi podia ver isso no semblante do sobrinho e no de Sakura, quando chegaram em casa.
Há quatro dias, ele tomou um susto quando viu Sasuke entrar com ela em casa só de jaqueta e calcinha branca. Por um instante, até pensou que fosse algum fetiche do jovem e fogoso casal.
Sakura sempre ia para a casa deles, se enfurnavam no quarto, e ele não mais os via durante um bom tempo. Até tentavam ser silenciosos, mas vez ou outra acabava ouvindo certos sons.
Não culpava Sasuke, aquela menina era realmente muito atraente. Se tivesse essa chance faria o mesmo, mas por hora contentava-se em só admirar.
Mas naquele dia, percebeu que apesar de bastante interessante, o visual dela não era um joguinho. Sakura estava tremendo, e Sasuke olhou Kakashi, fazendo-o entender que o assunto era sério.
Ele correu no quarto de Sasuke, e pegou um roupão para moça, enquanto Sasuke fazia ela se sentar no sofá.
Sakura não chorava, mas tremia e parecia em choque.
Depois de uma xícara de chocolate quente, ela respirou fundo, e contou a eles o que havia acontecido.
Ela enfrentara o pai, e com isso ele a negou como filha.
Kakashi viu a tremedeira de Sakura passar para Sasuke, mas se a dela foi pela situação com o pai, a dele era de raiva. Kakashi sabia que Sasuke odiava injustiças, e imaginou que sendo com sua Sakura, provavelmente estaria bem pior.
Viu o sobrinho fechar os olhos com força, apertar a base do nariz, e cerrar os dentes, tudo em fração de segundos para que Sakura não notasse.
Ensinou-o bem. Não era hora dele se mostrar abalado, quando os nervos de Sakura já estavam em frangalhos.
Os dois conversaram com ela, a acalmaram e a distraíram. E desde então, ela tem ficado na casa deles.
Kakashi sente que ela está bastante incomodada com isso, sequer desfez as sacolas de roupas que comprara, já que havia chegado ali sendo dona de apenas uma calcinha, mas em contrapartida, andou notando que Sasuke não faz questão que ela saia. Até encheu a geladeira de comidas diferentes, iogurte grego, queijo de búfala e quando lia "molho bechamel" em um pote, os ouviu batendo a porta.
- Eu não acredito que namorei uma pessoa tão baixa como Sasori. – Sakura sentou no sofá e apoiou a testa com as mãos.
Kakashi olhou para Sasuke em busca de respostas.
- Ela não consegue contrato com nenhuma das grifes que costumava desfilar, ou fazer fotos.
Kakashi levantou as sobrancelhas compreendendo parte do problema.
- Mas o que tem a ver com Sasori?
Sakura respirou fundo, e olhando para ele, explicou:
- Lembra que eu disse que esperava fotos minha seminua em todos os jornais quando eu vim para cá? E que no outro dia não tinha nada, só alguns boatos em redes sociais, mas ninguém provava nada? – Kakashi assentiu – Pois bem, eu sabia que tinha alguma coisa errada. Ao que parece, Sasori andou ameaçando e fez com que ninguém falasse de mim, nem sobre aquele dia, nem nada sobre mim de ruim ou bom. Com isso, as grifes me abandonaram, e não consigo trabalho.
- E como você descobriu isso? – perguntou Kakashi.
- Uma das representantes da Dior é do meu fã-clube, e me contou que Sasori os procurou e às outras grandes marcas que eu representava, e recomendou que não usassem mais minha imagem, porque a qualquer momento ele estouraria uma "bomba" e não seria bom ter minha imagem arranhada associada a elas. E ele provavelmente também deve ter abordado ou ameaçado fotógrafos e outras revistas.
- Ele tem esse poder? – Kakashi perguntou chocado.
- O poder que as mídias têm vai muito além do que a gente imagina. – Sasuke quem respondeu.
Estando com Sakura, e o crescente sucesso da Time Taka o mostrava isso. Ele foi até a cozinha buscar um copo de água para ela, sentou-se ao seu lado, e passou um dos braços em volta dela de forma protetora. Fato que Kakashi não deixou de notar.
- Eu não sei o que fazer. Meu pai bloqueou meus cartões e eu pretendia viver das minhas fotos e desfiles, mas aquele desgraçado do Sasori me tirou isso também.
- Mas você não tem nada? Nem desses desfiles? – questionou Kakashi.
- Eu tinha um pouco em uma poupança, meu pai deve ter esquecido. Pelo menos consegui tirar todo o dinheiro do banco, antes que ele desse um jeito nesse também. – ela se levantou e começou a andar de um lado para o outro – mas esse dinheiro só vai dar para alugar um apartamento e pagar a faculdade por alguns meses, depois eu não sei o que fazer.
- Você poderia ficar aqui? – disse Sasuke.
- O que? Não, Sasuke-kun. Eu sei que vocês não têm tantas condições assim para abrigar mais pessoas.
Sasuke buscou os olhos de Kakashi, e ele assentiu. Sabia que o sobrinho era geralmente impulsivo, mas desta vez ele lhe dirigiu um olhar ao mesmo tempo pedindo e ao mesmo tempo se impondo. Kakashi entendeu, e deu seu olhar permissivo.
- Sim, nós não temos tantas condições, e nem moramos em uma mansão com vários quartos e suíte como está acostumada, mas você pode economizar com aluguel e pagar mais um tempo a faculdade até aparecer algo. Além disso, você não sabe viver sozinha. – ele se aproximou e segurou os dois braços dela que estavam cruzados – Me deixa cuidar de você.
Sakura mantinha os olhos presos aos de Sasuke, e o coração acelerado.
Mas não perderia a compostura, Kakashi estava ali.
- Sasuke, eu não sei, eu...
- Se for por minha causa, não se preocupe, Sakura – se adiantou Kakashi – Sasuke tem razão, você economizaria bastante se morasse conosco.
Sakura ponderou alguns instantes, ainda relutante, mas completamente desarmada quando olhava no rosto confiante e convincente de Sasuke.
- Está bem. – disse derrotada – mas eu vou ajudar nas despesas, pelo menos por enquanto.
Sasuke fez menção de abrir a boca, mas ela levantou a mão.
- Eu só fico se me deixar ajudar.
Ele sorriu, e a puxou para um abraço sem discussão. Não conseguia esconder a felicidade que sentia em ter Sakura perto. Ela também começou a sonhar acordada com a nova vida, estar ao lado dele todos os dias, dormir e acordar com ele.
Nunca morou com nenhum namorado, nunca quis abrir mão de seu quarto e regalias da mansão. Mas também, Sasuke não era seu namorado oficial, não é mesmo? Para dar um passo tão grande. Por hora, encararia que estava morando com amigos, enquanto seu coração explodia.
- Vamos arrumar alguma coisa para comer? – disse Sasuke sorridente, como Kakashi viu poucas vezes.
- Me deixa cozinhar? – Sakura perguntou esperançosa.
Sasuke esticou o braço, como se desse a passagem para a cozinha e Sakura se dirigiu para lá aos pulos e batendo palminhas.
Sakura falava e falava, explicava o porquê de cada ingrediente que ela estava usando em seu sanduíche que levava desde tomate seco e peito de peru a creme de cereja e cogumelos. Sasuke assistia a mesa, com a mão apoiando o rosto, apesar de faminto estava realmente interessado em tudo o que ela tinha para falar.
Os três comeram, conversaram, riram e planejaram. Sakura até que poderia se acostumar com isso. Estar em uma casa em que realmente se sentia livre.
E assim, os dias corriam. Ela sentia falta de sua suíte, banheira, closet, e de todos os luxos, mas não poderia dizer que estava infeliz ali. Sasuke sempre a acordava com maçãs, massagens nos pés, ou algo do tipo. Seguiam com banhos e beijos, e se houvesse tempo, até mais.
A vida com ele estava realmente muito interessante.
O problema estava da porta para fora. A notícia de que Sakura não era mais uma Haruno estava correndo pela cidade.
Algumas regalias ela não possuía mais. Chegou atrasada um dia que a moto de Sasuke esvaziou o pneu, e levou uma bronca do professor Yamato. Nunca havia levado bronca na vida de nenhum professor.
Mas a pior parte era o afastamento de suas amigas. Não por que elas queriam, mas porque foram obrigadas.
O telefone de Sakura vibrou – ela pediu à senhora Chiyo para pegar seu telefone, já que havia sido presente de uma operadora que ela fez campanha e não do dinheiro do pai – era uma mensagem de Ino.
"Encontre-me no vestiário daqui a 10 minutos"
O sinal tocou, Sakura aguardou os minutos combinados e foi para o local de encontro.
- Sakura! – Ino foi até ela e a abraçou, e logo depois Hinata.
- Como você está Sakura? – perguntou a morena.
- Eu estou bem. Acostumando a ser mortal. – ela riu sem graça da própria piada.
- Ah, Sakura. Eu queria tanto estar com você, sabe que não pude te aceitar, mas foi por conta do meu pai. – Ino choramingou. – eu pedi, implorei para ele deixar você ficar quando me pediu, mas ele não quer me ver com você.
- Eu sei Ino.
- Eu me sinto tão mal, tão falha, eu...
Sakura colocou a mão no rosto da amiga.
- Ino, eu sei. Não se sinta. Sei que se fosse sua escolha, me ajudaria, independente do que fosse.
Hinata secava algumas lágrimas silenciosas, mas que também não passaram despercebidas por Sakura.
- O que foi Hinata?
- Eu queria ter a força que você tem, Sakura. Abrir mão de tudo para seguir o seu coração, e tudo mais. – Ela olhou para cima e respirou fundo secando mais lágrimas – O meu pai não só me obrigou a me afastar, como me deixou de castigo. Colocou meu primo Neji para me vigiar, caso me visse perto de você, e vem pessoalmente me buscar no fim da aula. Confiscou meu celular para eu não falar com você... E nem com Naruto.
- Seu pai sabe sobre Naruto? – Sakura perguntou assustada.
- Depois de eu ter sumido alguns dias, Naruto foi até a minha casa me procurar. Ele disse que era meu namorado, amigo seu, e bem, desde então estou praticamente em prisão domiciliar.
Sakura a abraçou e esfregou os braços da amiga.
- Me desculpa. – puxou Ino – Me desculpem por todo esse transtorno de ser uma bandida perigosa. Eu poderia só atirar em velhinhas, e jogar criancinhas no rio, mas não, eu sou perigosíssima por que quis fazer minhas próprias escolhas.
As três riram da ironia de Sakura, que tentava fazer a sua melhor cara de mafiosa.
- Aqui, Sakura, eu trouxe algumas roupas para você. – Ino esticou uma pequena mochila – eu não pude trazer muito, já que estou sob vigilância.
- E bem, como minha mãe sempre olha minha mochila, eu não pude trazer roupa, mas ela não vai dar falta de maquiagem. – disse Hinata.
Sakura pegou as bolsas, olhou para dentro e apertou próximo ao coração.
- Maquiagem e Channel. Vocês são as melhores amigas de uma garota. – Sakura as abraçou de novo e riram juntas.
O tempo era curto, conversaram e fizeram perguntas, contaram o que podiam, e desejaram sorte umas às outras.
Sakura esperou as duas saírem, e agradeceu por esse momento com elas. Eram amigas que ela gostava muito, e torcia para que não se perdessem num mundo individualista e ousassem mais na vida, além do que seus controladores e mesquinhos pais almejavam para elas.
Depois disso, Sakura resolveu ir embora. Pensou que poderia levantar suspeitas de Neji caso ela aparecesse, depois de Hinata e Ino.
Mandou uma mensagem para Sasuke avisando, passou em um caixa rápido para consultar suas provisões e viu que o resultado não era muito animador, depois de pagar duas altas mensalidades da faculdade.
Enquanto ia para casa, dentro do metrô, pensava no que deveria fazer. Não poderia ficar esperando ser sustentada por Sasuke e o tio dele. Era muito boa a vida com ele, mas os gastos aumentavam e seus recursos diminuíam.
Sakura passou a tarde cozinhando, e conversando com Kakashi. Ele era uma ótima companhia. Contou a ela sobre os pais de Sasuke, como o irmão Itachi cuidou dele, e depois como eles sofreram quando ele se foi.
- Eu realmente temi por Sasuke. – disse Kakashi mastigando um Crostini Caprese que Sakura havia feito – ele quase se perdeu. Arrumou uns amigos estranhos, mas por sorte e muita insistência de Naruto em ser amigo dele, o pior não aconteceu.
- O Naruto é realmente uma alma iluminada, não é. – respondeu ela sorrindo.
- Sim. Mas mesmo que ele tenha salvado ele de se tornar alguém ruim, fazia tempo que eu não via Sasuke sorrir tanto, ou se abrir tanto, como eu vejo agora com você.
Sakura parou de mastigar, e podia ouvir o coração batendo em seus ouvidos. Estava desconcertada com a observação de Kakashi, mas foi salva por seu telefone tocando.
- O-oi, Sasuke.
Sasuke havia ligado para avisar que ficou até mais tarde na faculdade para uma pesquisa e ia direto para o trabalho. E por ter deixado escapar que estava com fome, Sakura resolveu ir até o restaurante levar um pouco do que preparara para ele.
Apesar de trabalhar em um restaurante, Sasuke cumpria horários de intervalo, e evitava beliscar os pratos preparados. Não achava certo.
E justamente por saber disso, Sakura não queria que ele passasse mais três horas sem comer, e foi logo para lá antes que iniciasse seu turno.
Chegou ao Ichiraku's, cumprimentou a todos com sorrisos e pequenas conversas, era sempre bem recebida. Orientaram-na que Sasuke estava no vestiário estudando, mas logo apareceu chamado por um de seus colegas.
- Ei.
- Ei. – ela deu um rápido beijo e entregou o bento – Trouxe para você.
Conversaram um pouco enquanto ele comia e contava como foi o resto da aula e o tema da pesquisa, enquanto Sakura escutava, mas realmente prestando atenção nos ingredientes que eram separados para o início da jornada daquela noite.
- Sakura?
- Sim, Sasuke-kun.
- O que foi? Eu te chamei duas vezes, mas você não ouviu.
- Desculpa. – ela sorriu e passou as mãos pelo cabelo - Eu estou com a cabeça cheia, preocupada, e acabei me distraindo com a movimentação dessa cozinha. Mas me diga, o que foi?
- Eu só perguntei o que era isso. É muito bom. – apontou para o prato.
- Ah, isso é Crostini Caprese. Eu fiz hoje à tarde, mas dei uns toques especiais. – disse orgulhosa – E eu caprichei no tomate cereja, por que sei que você adora.
Sasuke sorriu, e a puxou em seus braços distribuindo beijos em agradecimento. Mas antes que ela se levantasse, manteve-a abraçada a si, alisando os fios rosados.
- Com o que você está preocupada?
Sakura suspirou e contou o que lhe afligia.
- Eu fiz algumas contas, com meus gastos e tudo mais, e meus recursos não vão durar muito. Eu preciso arrumar um emprego. – ela se levantou para encarar os olhos dele – e eu fico assustada por que eu nunca trabalhei Sasuke. Eu não sei fazer nada. Sou só uma patricinha inútil.
- Ei – ele colocou a mão no rosto dela – você não é inútil. Nunca mais diga isso. É comunicativa, simpática, criativa, talentosa e... – Sasuke olhou para frente arregalando os olhos de um modo iluminado.
Agarrou-lhe a mão e saiu arrastando Sakura pela cozinha até que chegaram aonde seus olhos apontaram.
- Sr. Ichiraku, por favor, contrate a Sakura como sua ajudante.
O corpulento chef olhou espantado para ele e depois para a moça sem cor ao seu lado, ainda incerto do que estava acontecendo.
- Prove isto senhor, e eu garanto que não vai se arrepender de ter ela aqui. – Sasuke ofereceu-lhe.
O senhor Ichiraku esticou a mão, pegou um dos crostinis e levou à boca.
Sakura até poderia não ser contratada, poderia desmaiar ali mesmo, mas o sorriso que o chef que tanto admirava lhe deu, e o aceno de aprovação, já valera a pena o susto que Sasuke lhe deu.
.
.
.
.
Betado por : AnneChan23
E aí chuchus, gostaram? ^^
Será que a Sakura vai ser contratada?
Hehe
E eu morri de fome com essas comidas _ tanto que fiz uma imitação aqui em casa com ingredientes de pobre kkkkkk
Fiquei com medo do capitulo ficar um pouco embolado, mas espero que não
Enfim, me digam
;***
Um beijão pra todxxx que estão lendo, principalmente quem deixou review *~*
Me ajudam demaaaaaaais
O beijo especial hoje vai para as lindas lovekingslayer e Himebuck (Karol e Val S2)
Leiam a maravilhosa tradução delas : King of Gods
Sinopse: "Eu esperei para que você voltasse para mim, por mais de mil anos," Indra disse. A história na qual Sasuke perde Sakura para seu ancestral."
Foda demais
Beijinhos
E até a próxima
;***
