Duas forças

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O coração de Sakura batia acelerado, e suas unhas cravavam o tecido grosso da jaqueta de Sasuke. Sentia medo pelas ameaças de seu pai.

O coração de Sasuke também estava acelerado pela fúria.

Acelerou ainda mais a moto, pra que talvez o vento levasse deles tais sentimentos ruins. Só havia um lugar onde ele desejava ir, e que agora era o lugar que a acalmava também.

Chegaram ao parque das cerejeiras, e Sasuke estacionou sua moto. Os dois desceram, se entreolharam, e apenas deram as mãos e caminharam até se sentarem na beira do lago, observando o deslizar suave dos cisnes e das pequenas flores caídas, enquanto vários minutos se passaram.

Sakura sentia o nó na garganta.

- Você está bem? – perguntou ele.

Sakura assentiu.

- Tem certeza? Não se machucou?

- Tenho.

- Nós podemos ir até a mãe da Karin, que é enfermeira, se quiser.

- Não precisa.

Notou uma certa frieza.

- Olha, não liga para eles, ok?– se aproximou um pouco – Você não precisa deles.

Sakura sorriu e passou as mãos pelo cabelo enquanto soltava o ar.

- Você tem razão. Eu não preciso deles. Mas o fato é que meu pai me ameaçou, Sasuke. Ameaçou seu tio, o restaurante e... Você.

Sasuke balançou a cabeça, entendia agora o modo arredio dela.

- Você não tem que se preocupar comigo, Sakura.

- Não tenho?! – se levantou – não tenho?! O meu pai ameaçou destruir você, a sua família, o restaurante do Sr Ichiraku e consequentemente a vida de várias pessoas que ficarão sem emprego, e você diz que não tenho que me preocupar?

Ela enfiou os dedos no cabelo e segurou bem forte, talvez a dor aplacasse um pouco da frustração. Enquanto isso Sasuke permanecia sentado, e concentrado em girar uma flor de cerejeira com uma das mãos.

- Você tem razão. Preocupe-se, avise as pessoas que você gosta para que se preparem – olhou para ela – mas não se deixe vencer aceitando a chantagem do seu pai.

Sakura o olhou, estava difícil demais segurar as lágrimas. Sentou ao seu lado novamente.

- Eu... – buscou as palavras – eu estou pensando em voltar para casa.

- Não.

- Sasuke, eu não consigo achar justo fazer isso com as pessoas a minha volta. Tenta entender.

- Não, Sakura. – respondeu mais enérgico.

- Você não pode decidir por mim.

- Mas, eu posso lutar com você! – segurou suas mãos.

Uma lágrima teimosa caiu do rosto dela, enquanto se encaravam. Sasuke soltou a mão, levantou devagar, e em um toque suave trilhando com o dedo o mesmo caminho, secou a lágrima.

- Não vai.

- Sasuke eu... – mais lágrimas caíram e Sakura decidiu não segurar mais - eu não posso te pôr em risco, eu não posso destruir a sua vida, eu não suportaria. Eu já fiz você sair da banda, te coloquei na mira deles, te prejudiquei demais, eu só quero que você seja feliz, porque eu...

Antes que ela terminasse, Sasuke segurou o rosto dela e a puxou para um beijo carregado de sentimentos, tão afetuoso e reconfortante que Sakura não conseguia resistir e só pôde se entregar.

Beijaram-se demoradamente, enquanto Sasuke acariciava seu rosto e cabelos, e depois a envolvia em um abraço. Quando finalizaram o beijo, Sakura encostou a cabeça em seu peito, e não deixou de pensar por um momento que era idiotice a dela negar o que sentia por ele, se era inegável o quão envolvida ela estava. E agora com a possibilidade de ter de deixa-lo, parecia um castigo por ter admitido seus sentimentos.

- Eu não duvido da ameaça do seu pai, mas você não pode ceder, Sakura. Não digo, só em – titubeou – em terminar comigo, mas por você. Você descobriu que pode fazer tanta coisa por si mesma, e está feliz com isso. Você era uma mulher forte que precisava ser testada, e desafiada.

Ela se sentou para olhar para ele.

- Eu falei sério, Sakura – ele continuou – eu acredito em você, e eu luto com você, mas não ceda à chantagem do seu pai. Juntos vamos conseguir.

Sakura sorriu e o abraçou com toda força.

- Você não existe. – disse ela.

- Ei, essa frase é minha.

Riram e se beijaram mais uma vez.

Encostaram as testas e permaneceram de olhos fechados, apenas sentindo a respiração um do outro.

- Eu vou ficar do seu lado, ok. – disse e ela assentiu. – eu também preciso de você.

Sakura se sentia mais leve. Só conseguira enxergar a única alternativa que seu pai lhe dera, mas agora sentia que poderia lutar, de algum jeito que ainda não sabia, mas poderia. Sentia que era a mulher forte que Sasuke falava.

Ele desencostou a testa da dela, e segurou em suas mãos abrindo um sorriso meio sem graça e engoliu seco.

- E bem, sobre eu ter dito "minha namorada", me desculpe. Foi calor de momento para responder aqueles dois. Não se sinta pressionada por relacionamento, eu estou bem com o nosso sei-lá-o-quê da forma que está.

Sasuke tentou ser o mais casual possível. A verdade era que dizer aquilo de boca cheia havia lhe dado uma energia libertadora. Lamentava por ter sido como resultado de uma briga, mas gostou de olhar para a cara de Sasori quando o fez, e mostrar quem havia perdido dessa vez. Sasuke não era santo, e aquele prazer ele sentiu.

Tinha vontade de continuar a dizer e espalhar aos quatro ventos, mas estava extremamente inseguro por dentro. De certo modo, ainda considerava Sakura inalcançável. Não queria pressioná-la e fazê-la se afastar.

Tudo a seu tempo.

Tudo a seu tempo, foi o que Sakura também pensou. Havia se dado conta de seus sentimentos, mas talvez Sasuke ainda precisasse de um tempo, e até mesmo, quem sabe se dar conta que o pai dela era uma ameaça perigosa e ele decidir que deveriam se afastar. Já que ela não conseguiria se afastar dele, talvez ele fosse mais racional e fizesse isso por sua segurança.

Ela abriu um largo sorriso e roubou um beijo dele.

- Tudo bem, garoto do gorro.

Ele levantou as mãos em confusão.

- Eu nem estou de gorro.

- Uma vez garoto do gorro, sempre garoto do gorro. – ela disse levantando e bagunçando o cabelo dele, e quando ele fez uma falsa cara de revolta e vingança, ela começou a correr.

Corriam um atrás do outro, se agarravam pela cintura e se derrubavam, e finalizaram a brincadeira comendo uma casquinha de sorvete de baunilha e caminhando até a moto.

Sasuke olhava para ela terminando seu sorvete, e via de novo aquele brilho natural emanado dela. Lutaria contra qualquer um que ousasse lhe tirar isso de novo, faria qualquer coisa para sempre vê-la sorrir.

- Você já pilotou moto? – perguntou.

Ela olhou para ele, já lambendo os dedos.

- Quando tirei carteira de moto. Mas confesso que nunca mais ousei encostar em uma, até conhecer você.

- Quer dirigir?

Sakura arregalou os olhos.

- Não?! É sério?! – olhou dele para a moto ainda boquiaberta – a sua moto que você tanto ama e morre de ciúmes?

Sasuke estava com as mãos no bolso e deu de ombros balançando a cabeça sorrindo.

Sakura bateu palminhas e foi até ele dando um selinho.

- Meu Deus eu tenho muito medo, mas essa moto é tão linda, e tão potente.

- Não sabia que gostava de motos potentes. – disse ele em um tom de ironia.

- Não gostava, até você me viciar em vento no rosto apesar da bagunça no cabelo também. – fez língua para ele e pensou por alguns instantes. – Eu quero!

Sasuke riu da animação dela, e a levou até a moto. Explicou o funcionamento da mesma, e o que deveria e o que não deveria fazer.

Sakura deu a partida, com Sasuke na garupa.

- Passe a marcha como te ensinei. – aguardou ela obedecer o comando – e agora solte o freio e a embreagem devagar.

Sakura soltou. Não devagar o suficiente.

A moto deu uma guinada para frente e empinou, enquanto Sakura gritava, e Sasuke tentava alcançar o freio.

Sakura se lembrou da breve aula e conseguiu estabilizar a moto, e começou a rir, enquanto Sasuke repetia que não havia sido uma boa ideia.

Deram algumas voltas, e a confiança de Sakura já era bem maior, a ponto de andar em uma velocidade razoável. Era muito libertador andar na garupa daquela moto, mas dirigi-la enchia de uma adrenalina que a deixava em puro êxtase.

- Isso é incrível, Sasuke!

- Espero que tenha mesmo gostado. Por que eu estou arrependido com você fazendo curvas fechadas assim.

- Ah qual é! Você só está com inveja por que sou ótima nisso. Qualquer dia te ensino, Uchiha!

Sasuke só balançou a cabeça rindo, enquanto Sakura acelerava de novo e gritava a plenos pulmões.

Sakura estacionou depois de um tempo, e Sasuke desceu tirando o capacete e fingindo cair na grama.

- Nunca mais.

Sakura se jogou em cima dele fazendo cócegas em punição.

- Deixa de ser chato!

Quando pararam as brincadeiras, Sakura se sentou de novo olhando para o lago, mas com semblante bem mais leve.

- Obrigada, Sasuke-kun.

- Pelo quê? – ele se sentou.

- Por me dar forças.

Ele alisou rapidamente a bochecha dela atraindo sua atenção.

- Você já é forte. Muito mais do que eu, só precisa que eu repita isso pra você, às vezes.

Sorriu para ele e olhou para frente de novo.

- Nós só precisamos saber como agir agora. Avisar as pessoas à nossa volta – levantou um dedo na direção dele – e caso elas queiram se afastar de mim, ou me despedir no caso do senhor Ichiraku, nós vamos aceitar, ok?

- Ok. Eu só duvido disso, mas se você se sente melhor assim. – deu de ombros.

- Sinto. – bateu o ombro nos ombros dele.

Passaram mais algum tempo pensando no que deveriam fazer a partir de agora, em prováveis saídas e formas de enfrentar o Senhor Haruno.

- Nós tínhamos de descobrir uma maneira de dar uma resposta para o seu pai, mostrar que você é mais forte que ele. – pegou uma pequena pedra e apertou em um punho bem fechado – já que ele vai usar o caso do pescador Tazuna para fazer a demonstração de força dele.

Sakura suspirou e sentiu pena do pobre homem que seria esmagado por seu pai no Tribunal, e até um pouco culpada, uma vez que ele escolheu este caso para fazer seu showzinho para ela. Enquanto isso, Sasuke girou a pedra que estava em sua mão e atirou no lago que caiu em um baque surdo, e os dois observaram as pequenas ondas que se formaram e o balançar das flores e folhas se afastando, e que também assustou os peixes e os cisnes.

Sakura arregalou os olhos se virando na direção de Sasuke.

- E se nós interferíssemos no processo do Tazuna, e derrubássemos meu pai em seu próprio caso?

- Nós somos apenas estudantes, Sakura. Não podemos entrar lá e pedir para defender. Como nós poderíamos fazer isso?

Ela abriu um sorriso largo e soergueu uma de suas sobrancelhas.

- Pressão popular.

Sasuke a olhou confuso.

- Como assim? Tipo, protesto, coisas do tipo?

Ela concordou ainda sorrindo.

- Nós podemos tornar esse caso público, fazer alarde e chamar a atenção das pessoas para os desmandos do Estado, e a pressão popular já ganhou algumas causas, você sabe disso.

- Precisaríamos juntar uma multidão muito grande para isso.

- Eu estou em baixa no momento, mas ainda sou uma celebridade, e posso mobilizar pessoas na internet, já você pode convencer o pessoal da banda, que já anda bem conhecida, a abraçar a causa.

Sasuke pensou um pouco, mas ainda era visível um certo ceticismo.

- Mas somos só nós dois, Sakura. Não sei se teríamos esse poder de convencimento...

- Olha para onde você jogou aquela pedra, Sasuke-kun – ela esperou ele localizar o ponto em que a pedra afundara – era uma única pedra, que você atirou, e mesmo só uma pedra, foi capaz de alterar a formação das flores e assustar os animais, até os grandes. Tazuna não tinha ninguém por ele, agora tem nós dois.

Ele olhou para ela compreendendo sua analogia.

- Você me disse que eu preciso sempre acreditar em mim mesma. E eu acredito que temos força para isso. – segurou nas mãos dele – você não ia lutar comigo?

Ele sorriu.

- Você é mesmo irritante.

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E aí chuchus, gostaram?

Capitulo mais light hoje, para um momento só dos dois

A cena da moto não existia, mas a Anne me mandou uma fanart dizendo que lembrava a fic que achei tão linda e fofa que quis inserir S2

Gennnnnnte

Senta aqui, vamo conversar.

Eu já tinha falado que a fic estava acabando, e pelas minhas contas agora tá mesmo.

D no máximo mais o epilogo

É difícil calcular sem escrever kkkk pq as vezes juntam mais idéias, e acaba saindo maior. Tipo esse, ia ter mais coisa, mas como eu quis fazer a cena da moto, achei melhor encerrar antes

Mas, é isso

Tá acabando

Beijos para todos que leem, aos leitores novos

2 beijos pra quem comenta. Reviews me ajudam demaaaaaaais

E, é isso

Até a próxima

;***