Duas vidas
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Agonia.
Era o sentimento que tomava Sasuke.
Ele não saberia dizer há quanto tempo ele se sentia assim, mas pareciam dias, apesar do Sol ainda não ter se posto.
Sakura havia sumido.
Ele estava tocando com a banda Taka algumas músicas, inclusive duas composições dele. Torcia para que Sakura estivesse ouvindo, porque escreveu pensando nela, em como ela preenchia a vida dele e como ele se sentia completo ao seu lado.
Mas quando desceu do palco e voltou ao lugar que a deixou, não encontrou ninguém.
Ligou em seu celular e nada.
Procurou com Hinata, com as garotas do fã-clube dela, até mesmo com Neji e Tenten se havia a possibilidade de alguém tê-la visto.
Ligou de novo. Ainda sem resposta.
Sasuke continuou circulando aqui e ali. Algumas pessoas o paravam para parabenizar por seu discurso em defesa de Tazuna, e ele sorria, mas sequer ouvia, deixando algumas perguntas sem resposta, ou com respostas evasivas.
Não precisava ter Sakura sob sua tutela o tempo todo, ela era senhora de si, mas sentia um frio na espinha que lhe dizia que algo não estava certo.
Ele só se sentiu assim quando Itachi morreu, e pensar nisso só piorava sua situação.
Ligou de novo. Caixa postal.
- Sakura, quando puder me ligue. Só quero saber se está bem.
Deixou um recado tentando não transparecer o nervosismo. Também não queria parecer um controlador neurótico.
Sasuke continuou circulando, voltou ao Tribunal, mas esse já estava fechado, porque haviam cancelado todas as sessões por conta da algazarra organizada por eles.
Aos poucos as pessoas iam se dispersando. A banda Taka tinha acabado o seu show, e já juntavam as coisas para irem embora.
Sasuke caminhou até seus amigos, na esperança de eles terem visto alguma coisa.
- Eu vi ela perto de onde vocês estavam, Sasuke. Já ligou para ela? – perguntou Karin.
- Sim. Mas, só dá caixa postal.
- Relaxa, cara. O telefone dela deve estar sem bateria. – Suigetsu completou.
Sasuke assentiu, mas relaxar era uma coisa impossível de se fazer.
Despediu-se e começou a pensar em novas possibilidades para o paradeiro de Sakura.
- Ei cara – Naruto o segurou pelo braço – o que foi? Você acha que aconteceu alguma coisa?
Sasuke agradeceu em silêncio por pelo menos Naruto dar a ele algum crédito sobre sua preocupação. Não era à toa que Naruto era seu melhor amigo. Ele o conhecia bem demais.
- A Sakura sumiu, Naruto. Eu já rodei isso aqui tudo e, sei lá – olhou para outro lado – eu estou com uma sensação ruim, como quando o Itachi...
- Não, Sasuke. A gente vai achar a Sakura-chan – interrompeu – o Suigetsu não é muito inteligente, mas ele pode ter razão. O celular dela deve estar descarregado.
- Mesmo assim, Naruto. Para onde ela foi então sem avisar?
Naruto ficou sem resposta por um instante.
- Eu já liguei para o Kakashi, e em casa ela não chegou. – Sasuke continuou.
Dizer as suas preocupações a Naruto foi de certa forma um alívio, mas ouvir a si mesmo o deixava mais preocupado.
Talvez estivesse exagerando, e Sakura encontrou alguma amiga, saiu com ela e a bateria do celular acabou. Talvez fosse só a ansiedade de que ela estivesse ouvindo a música que ele tocou e desse uma resposta ao que ele queria dizer, mas quando não a encontrou, sentiu-se frustrado.
- É, ela não me atende também. – Naruto desligou o telefone enquanto Sasuke estava absorto em seus próprios pensamentos. Pensou que talvez Sakura não quisesse falar com ele, e por isso não o atendia, mas não falaria isso com ele, obviamente.
Sasuke balançou a cabeça.
- Eu vou dar mais uma volta. Talvez ela esteja conversando com alguém e perdeu a noção do tempo.
- Okay, me avise qualquer coisa. – Naruto se despediu sorrindo. Esperou Sasuke se distanciar e começou a procurar também.
Não queria deixar Sasuke ainda mais agoniado, mas também não estava se sentindo tão confiante assim. Sakura era sim um espírito livre, mas esse sumiço dela estava estranho. E Naruto ainda se lembrava de Sasuke ficando inquieto no dia da morte de seu irmão.
Não queria passar por aquilo de novo. Mesmo porque, Sasuke não aguentaria passar por aquilo de novo.
Sakura era tudo para ele. Eles podiam não admitir, mas para Naruto tudo já estava muito claro.
Enquanto Naruto circulava por um lado, Sasuke ia pelo outro com o celular na mão. Não mais ligaria, já que percebeu que não adiantava, mas se ela retornasse ele poderia ver.
Já havia passado mais de uma hora e nada de Sakura. Sasuke perguntava aqui e ali. Ligava para alguns amigos e colegas de classe, mesmo os que não conversavam tanto.
E o tempo todo olhava para a tela do celular, na esperança de que ela fizesse contato.
Três horas e meia haviam se passado.
Agora os amigos dele também se preocupavam.
Karin e Hinata vasculhavam as redes sociais, porque alguém poderia ter postado alguma foto de Sakura recente, mas nada encontravam.
Suigetsu foi até a casa deles levando as meninas, porque Sakura poderia ter ido para lá e parado no caminho, e ter tido o celular roubado.
Naruto foi até a academia, e Sasuke para o Ichiraku's.
Quando Sasuke chegou, e viu os semblantes deles, já imaginava que ninguém a tivesse encontrado. Soltou o ar pesadamente e passou a mão pelos cabelos.
Fazia tempo que não se sentia tão perdido.
Aprendera a ser mais fechado e menos propenso a sofrer. Mas desde que Sakura entrou em sua vida, aqueceu e abriu seu coração, fazendo crescer nele um sentimento tão aconchegante e incrível de se sentir. Ela se tornara um ponto de luz, e deu um novo sentido em sua vida. E agora esse iminente sumiço o fazia se sentir sem chão que pudesse se apoiar.
Era irritante se sentir assim, mas não abriria mão de se perder nela nem por um segundo.
Sakura era incrível. Necessária em sua vida.
O nervosismo e a ansiedade já haviam tomado conta. E com isso, vários cenários ruins passaram pela cabeça dele.
Seu telefone vibrou.
Ele olhou para a tela e quase deixou o aparelho cair.
Mas o conteúdo não o acalmou nem um pouco.
"Sasuke, conversei com meu pai depois do julgamento, e ele disse que me aceitará de volta como filha e herdeira e sairá do caso Tazuna, se eu terminar com você.
Foi bom enquanto durou.
Seja feliz e adeus. "
Sasuke leu a mensagem, e só entregou o celular a Naruto, sem conseguir dizer uma palavra, e Naruto leu em voz alta.
Todos ficaram em silêncio. Não sabiam o que dizer, e apenas se entreolhavam.
- Eu sinto muito, cara. – Naruto foi o primeiro a dizer algo.
Sasuke se virou para ele, com uma expressão confusa.
- Essa não é ela.
- Qual é cara, eu acho que ela foi bem clara na mensagem. – continuou Suigetsu que estava em pé no canto da sala com as mãos no bolso.
Sasuke apenas o fuzilou com o olhar.
- Sasuke-kun tem razão. – Hinata chamou a atenção de todos – a Sakura-chan não é assim. Se ela fosse mesmo terminar com alguém, ela não faria desta forma.
Todos ponderaram as palavras de Hinata e concordavam que Sakura não se prestaria a isso. E Sasuke verbalizou o resto do pensamento.
- Além disso, a Sakura que eu conheço jamais se venderia ao pai. Ela estava orgulhosa de lutar e conquistar. Ela tem fibra e corre atrás das coisas da maneira correta, e não aceitaria esse tipo de chantagem. Não sem alguma coisa a obrigando. – fechou os punhos – a Sakura é uma mulher forte.
Todos concordaram com ele.
Realmente não fazia sentido essa tentativa de término com uma explicação tão sem sentido como se ela fosse uma pessoa superficial.
- E o que faremos? – Karin perguntou.
- Talvez ir na casa dela. Já que ela mencionou o pai. – respondeu Naruto.
Sasuke pegou as chaves e rumou até a mansão dos Harunos enquanto os outros meninos, circulavam por lugares que os pais dela frequentavam indicados por Hinata.
O anoitecer já havia caído quando voltaram. Novamente Sasuke foi o último a chegar.
- E então Sasuke, alguma novidade lá? – perguntou Naruto.
Sasuke balançou a cabeça em negativa.
- Mas tem uma coisa. Eu pedi para falar com a Sra. Chyo, e ela me disse que fazia pouco tempo que o pai dela havia recebido uma ligação e ele e a Sra. Haruno saíram apressados de casa.
- Você acha que eles estão com a Sakura? – perguntou Karin.
- Eu não sei. Mas é a única coisa que temos. – respondeu Sasuke com uma visível frustração.
O telefone de Hinata tocou.
- Alô. Oi, Ino. – ela escutou a amiga do outro lado da linha por uns instantes. – O quê? Você viu a Sakura?
Sasuke sinalizou para que Hinata colocasse no viva-voz, e ela obedeceu.
- Ino, a Sakura sumiu e nós estamos muito preocupados, você está no viva-voz, por favor, repita o que disse. – pediu Hinata.
- Er... oi pessoal. Eu liguei para a Hinata, porque vi a Sakura hoje com Sasori, e achei muito estranho, já que eles terminaram. – Ino dizia desconcertada.
- Onde você a viu, Ino? – Perguntou Sasuke.
- No escritório do pai dela. Eu tinha ido hoje conversar sobre um estágio que estou tentando lá, mas estava tudo fechado, porque o Sr. Haruno mandou que todos fossem para o Tribunal assistir o julgamento. Quando eu entrei no meu carro para ir embora, eu vi a Sakura e Sasori chegarem lá, e fiquei confusa.
O clima na sala ficou tenso.
- Ino, como eles estavam? – perguntou Sasuke.
- Não entendi?
- Estavam conversando, rindo, brigando?
- Bem, o Sasori estava segurando o braço dela. Mas eles não conversavam, nem nada.
Um silêncio pesado tomou conta de todos e Sasuke passou as mãos nos cabelos.
Ele sabia que tinha alguma coisa errada. Uma raiva absurda tomava conta de si e jurou pelos deuses que socaria a cara de Sasori desta vez.
- Sasuke? – chamou Ino
- Sim. – ele respondeu.
- Eu tive medo de que vocês tivessem terminado. Mas se esse não foi o caso, eu tenho medo do que pode acontecer. Você é o porto seguro dela. Por favor, traga ela de volta.
As palavras de Ino ecoaram pela sala.
Sasuke olhou para os seus amigos e viu que todos concordavam com Ino e o apoiavam. Sakura precisava dele.
- Pode deixar, Ino. Eu trarei ela para casa.
Ele passou as mãos na chave de sua moto e em uma jaqueta decidido em ir até o Harunos Advogados.
A fúria tomava conta de si. Por que não pensou em Sasori?
É claro que era ele, para fazer Sakura sumir do nada, e mandar aquela mensagem imbecil. Quando pensava no que Ino dissera sobre ele estar segurando o braço dela, mais raiva ele sentia. Acelerava a moto passando muito do limite, pensando no que ele poderia fazer a ela.
Se a machucasse, ou fizesse algo a ela, ele não o perdoaria e acabaria com ele desta vez. O caçaria até no inferno se preciso fosse.
Mas o pior não era nem pensar nele, mas em Sakura. Não queria pensar nela sofrendo, ou coisa pior.
Não demorou muito para que chegasse ao escritório, e entrou correndo no saguão principal. Não havia vigia ali, o que o já fez estranhar. Caminhou entre os andares, chamando por Sakura, até chegar ao terceiro andar, onde ficava a sala do Sr. Haruno.
Sasuke abria porta por porta, gritando por Sakura, até que uma ele encontrou trancada.
Ele chamou mais uma vez e tentou abrir. Viu sombras passando por baixo.
Estavam ali.
Não seria essa porta que o faria parar sua busca, e não se daria por satisfeito enquanto não visse Sakura bem com seus próprios olhos.
Chutou a porta, e ela abriu se chocando contra a parede.
Sakura estava ali.
Os olhos arregalados concentrados nos de Sasuke.
A atenção dele, só foi tirada dela, quando ouviu um clique e a voz enjoada de Sasori.
- Mas, você é um garçonzinho insuportável mesmo, não é?
Sasuke olhou para ele, e viu a arma que ele apontava para si.
- O que você fez com ela, Sasori?
- O que eu fiz? O que eu fiz? – colocou a mão no peito – O que você fez a ela? Essa sim deveria ser a pergunta. Eu só estou ajeitando as coisas fazendo elas voltarem ao que eram.
- Ele te machucou? – Sasuke perguntou se virando para Sakura.
- Não. – ela sussurrou – Não era para você ter vindo, Sasuke-kun. – lágrimas se formaram em seus olhos.
- Viu? Viu só? Ela não te quer, você não recebeu a mensagem que ela te mandou? – Sasori foi para perto de Sakura olhando para ela – Nós voltamos, não é meu amor. Conta para ele.
Sasori passou a mão nos cabelos de Sakura, que se afastou com cara de repulsa. Sasuke fez menção de ir na direção deles por não suportar ver a cena.
- Não, não, rapazinho. – Sasori apontou de novo a arma para ele – fique aí onde está. Eu já cansei de você atrapalhando meus planos.
A Sra. Haruno soluçou, encolhida no canto, e foi confortada pelo marido.
- Sogrinha, não chore. Eu só estou consertando as coisas. A senhora sabe que eu sou o melhor genro para a sua filha. – aproximou-se deles – e vocês são os melhores que eu posso ter. Vocês terão a filha de vocês de volta, e eu a minha noiva e apoio incondicional de vocês na eleição para Senador. Todos ganhamos. – deu um sorriso afetado. – agora vamos.- apontou para a mesa - Assine esse papel colocando Sakura como sua herdeira de novo. E amanhã nós vamos viajar para os Estados Unidos, e como um casal apaixonado que acabou de reatar, vamos nos casar em Las Vegas. Vai ser emocionante, não é, meu amor?
Caminhou de volta para o lado de Sakura, levando a mão para um carinho em seu rosto.
- Não toque nela! – gritou Sasuke.
E Sasori fez uma cara de cansado, olhando para Sasuke.
- Você se acha o príncipe encantado, não é, garçom? Mas, pensando bem, foi bom você não ter acatado o fora da Sakura, e ter vindo para cá. – Sasori ergueu a arma na direção dele – vai para lá – apontou para próximo do Sr. e Sra. Haruno – quando assinar, eu vou ter que matar ele, e depois vou matar você, e aí na manchete dos meus jornais vai estar escrito assim "Ex-namorado inconformado de Haruno Sakura mata o ex-sogro e se mata por não aceitar o fim", vai ser uma publicidade e tanto. E eu vou assumir com todo o meu amor e inteligência a família e o patrimônio dos Harunos.
- Por favor, Sasori. Não faça isso. – implorou Sakura.
- Como você pode ser tão nojento? – perguntou Sasuke fazendo Sasori parar com a mão no ar – por algum instante você pensou na felicidade de alguém, além da sua? Como você pode achar que elas vão viver bem depois disso? Olha para a Sakura, você acha que ela vai ser feliz assim?
Sasori se afastou devagar em silêncio, até ficar um pouco mais próximo de Sasuke e respondeu.
- Eu não me importo. – disse baixinho – eu só quero uma bela esposa com um bom nome, para me acompanhar nos compromissos e me satisfazer. Se um cartão de crédito gordo não a deixar feliz, não posso fazer nada.
- Seu...
Sasori apontou a arma para Sakura.
Sasuke estagnou e Sasori deu um sorriso vitorioso. Sabia que era seu ponto fraco.
- Assine logo, Kizashi. – mandou apontando a arma para ele.
Kizashi relutou uns instantes, olhava para a mulher com medo de deixá-la e depois para a filha. Tentava mostrá-la como estava arrependido por não ter acreditado nela pelo homem sem escrúpulos que Sasori era, mas ao mesmo tempo, demonstrava que não abaixaria a cabeça.
- Você não vai conseguir nada, Sasori. Eu não te darei nenhum centavo. – gritou.
- Assina essa porcaria de papel e me dê o meu dinheiro! – gritou Sasori ainda mais alto.
O Sr. Haruno pegou a caneta devagar, virou-se colocando ela na altura dos olhos de Sasori e a quebrou ao meio.
A cara de Sasori foi do choque a uma raiva insana.
- Eu tentei. – apontou a arma para Sakura – Adeus meu amor.
Um pulo.
Um grito.
Um tiro.
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Betado por AnneChan23
E aí chuchus
Não me matem _
Desculpa a demora, mas janeiro foi realmente muito complicado pra mim. Consegui um tempinho hoje e escrevi \o/
Não me matem [2] por voltar com um capitulo assim sahushhusuhsauauhsa
Pois é, Sasori não ia ficar na dele né -.-'
Enfim
Um super beijo no coração de vocês S2222
Amei demais as reviews do capitulo passado. Responderei todas em breve
Para quem só leu, beijos também.
A fanfic está acabando T_T
Esse foi o penúltimo capítulo, acredito eu. A não ser que o próximo fique grande demais. Mas ainda assim pretendo postar.
Já tá batendo a dor no coração ;.;
Bom, beijokas
Se quiserem deixar sugestões e críticas, aceito todas
Até a próxima
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