Dois em um
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Já sentiu que às vezes um segundo pode significar tudo em sua vida?
E que um piscar de olhos pode ser o tempo exato que você tem entre a vida e a morte, e o bater de asas de um colibri pode ser o exato momento do último sopro de vida?
Um segundo é pouco para dizer que se ama alguém, e se arrepender de seus erros.
Às vezes, a vida da gente vira de cabeça para baixo até fazer sentido de novo. Como num giro de 360º.
Sakura mal teve tempo de entender o que estava acontecendo. Ouviu um clique, o cano de um revólver apontado para ela, e o som alto de um disparo.
Fechou os olhos.
Ouviu um grito.
Quando os abriu novamente, Sasori estava sem cor e com orbes esbugalhadas, mas mal teve tempo de seguir seus olhos para ver o que lhe causava essa reação. Suas feições tomaram ares de fúria de novo e ele se preparava para atirar nela mais uma vez.
Os ouvidos de Sakura zuniam. E em um segundo seu corpo reagiu.
Lembrou-se de uma tarde que passara com Naruto nas aulas de defesa pessoal, e como se estivesse ligada no automático, usou esse movimento para desarmar Sasori.
Movido pela raiva ele foi para cima dela.
Sakura tropeçou em alguém. Ainda estava zonza e chocada.
E antes que a alcançasse, como um raio, Sasori foi jogado para longe dela.
Sasuke não deixaria esse monstro chegar perto dela de novo. Jurou que, dessa vez, não o deixaria impune. E imaginou que a cara que fazia deveria ser realmente assustadora, já que Sasori não conseguia se levantar, e era visível o medo que sentia olhando para ele.
Bom.
Pagaria pelo que fez a Sakura.
Sasuke o levantou pela gola da camisa já encharcada de suor frio, enquanto Sasori implorava como o covarde que era para deixa-lo ir.
Sasuke sorriu de canto, antes de deferir o primeiro soco.
Não se orgulharia disto. Mas a raiva o consumia, e Sasori era muito menos que um ser humano.
Mais dois socos, e o brilho vermelho de sangue cuspido no chão apareceu. Sasori tentou agarrar um enfeite de mesa de vidro pesado para usar contra Sasuke, mas o arremesso foi fraco e sem direção, e mesmo se atingisse Sasuke não recuaria. Sasori alcançou um jarro de flor.
- Seu desgraçado de merda! – avançou contra ele na tentativa de acertar sua cabeça.
Mas Sasuke sabia se defender, desviou do caminho e segurou em seu braço, e com o joelho acertou seu tórax, e Sasori perdeu o ar dos pulmões, indo ao chão cuspindo sangue.
- Você pensa que é alguém só por estar com essa vadia, mas é um nada! – dizia ele tentando se recuperar – Um nada! – gritou com o resto de fôlego que tinha.
- Eu posso não ter muito a oferecer à Sakura, mas eu não sou um lixo como você, sem o mínimo de caráter.
Sasuke juntou toda força que tinha, e sem dó deferiu mais um soco, do qual Sasori não se levantou mais. Estava desmaiado no chão, ao lado de dois dentes arremessados de sua boca.
Não desperdiçaria mais tempo com esse verme. Mesmo porque, ouvia Sakura chorando.
Virou-se e foi para o lado dela correndo.
Sakura segurava a mão de seu pai, que estava com a cabeça apoiada no colo de Mebuki. O Sr. Haruno pulou na frente da filha, quando Sasori atirou, recebendo o projetil no peito.
Sasuke havia pulado também. Seu corpo se moveu sem pensar muito, quando viu que o tiro tinha Sakura como destino, mas o homem mais velho estava mais próximo da filha, e a protegeu primeiro.
Nunca simpatizara muito com ele, mas agora o respeitava pelo que fez. Por ter protegido a pessoa mais importante de sua vida.
Só era triste demais assistir Sakura e sua mãe aos prantos. Desoladas assistindo à respiração descompassada do patriarca.
- Querido! Por favor! – chorou Mebuki.
- Meu amor... eu não cumprirei ... a nossa promessa... de envelhecermos juntos e compensarmos os nossos erros com nossos... futuros netos. – ele respirava com dificuldade – Seja feliz, meu amor... Fale que o vovô os amaria muito.
Mebuki soluçou alto e beijou o marido, com todo o amor que sentia pelo seu companheiro de uma vida toda.
- Papai! – Sakura chamava aos prantos.
- Querida... me perdoe.
- Não tem que me pedir perdão, papai. Só fica com a gente. – ela apertava a mão dele.
- Tenho sim... Eu não acreditei em você... não reconheci a mulher forte... que se tornou. – levou a mão ao rosto da filha para um carinho – Eu me orgulhei tanto... quando vi do que você era capaz...
Sakura agarrou a mão do pai e firmou ao seu rosto. Chorava muito, não precisava dizer que ele se referia ao julgamento.
- Você é muito melhor... que eu. E... vai ser uma grande Chef... e uma grande mulher...
- Obrigada pai. Eu te amo muito. – Sakura dizia entre lágrimas e um sorriso.
- E você... rapaz... – olhou para Sasuke – obrigado... por ter feito... o que eu não fiz... Você acreditou na minha filha. – Sasuke assentiu recebendo suas palavras – Faça ela feliz. É uma ordem.
Sasuke olhou para Sakura, e ela para ele.
- Filha... – chamou – eu nunca deixei de ser seu pai... eu...
- Eu digo querido. – Mebuki o interrompeu para que não se esforçasse – Sakura, o seu pai nunca tirou seu nome da lista de herdeiros. – a mulher soluçou – nós erramos com você, mas nunca lhe negaríamos como filha.
Sakura olhou para os dois e acariciou o rosto do pai.
- Quando Sasori nos disse ontem, que vocês reatariam, e se casariam em breve, o seu pai passou os bens para o meu nome. Mesmo não acreditando em você a princípio, os anos como advogado, fizeram seu pai desconfiar de que Sasori estaria tramando algo para ter o nosso dinheiro a qualquer custo, e que poderia ir atrás de você ou dele, o que se confirmou quando ele nos ligou para vir aqui. Eu confesso que nunca acreditei, até hoje. – a mulher levou as mãos ao rosto – me desculpe, minha filha.
- Mãe... – Sakura colocou a mão na cabeça dela alisando seus cabelos.
- Seu pai tentou me proteger, quando Sasori queria obriga-lo a assinar, não contando que ele não era mais o dono do dinheiro. E tentou proteger você quando...
Mebuki não conseguiu dizer o resto da frase. Não precisava.
Kizashi demorou tempo demais para entender a ameaça que Sasori era, mas pelo menos conseguiu a tempo proteger as duas mulheres que amava e o patrimônio de uma vida que construiu para elas. Arrependia-se de muitas coisas, mas não de ter tomado um tiro que seria para sua filha. Entendeu que não adiantava todo aquele dinheiro e status, se a vida de seu bem mais precioso fosse tomada.
Orgulhava-se tanto dela...
Apesar de ter sido negligente, viu a mulher encantadora que se tornou, sem pensamentos mesquinhos e egoístas, tinha garra e era uma lutadora. E de todos os namorados que teve, agora sentia que ela encontrou um que faria ela feliz a qualquer custo, até mesmo da própria vida.
- Me perdoe, minha filha... Cuide de sua mãe.
Sakura concordou enquanto lágrimas tomavam seu rosto.
- Eu... amo vocês.
A última palavra não passou de um sussurro, e eles assistiram o último sopro de vida se apagar de Kizashi, a vida se esvaindo de seus olhos.
Mebuki agarrou o corpo do marido aos gritos, e Sakura abraçou Sasuke cravando as unhas em sua jaqueta, enquanto ele a apertava com todas as forças para que fosse seu porto seguro, o alento que ela tanto necessitava nesse momento.
Sakura ainda chorava, tudo era muito turvo e desconexo, mas viu a polícia entrando no lugar. Um policial falava com Sasuke, foram acionados por Naruto, enquanto outro algemava Sasori. Sua mãe ainda se debruçava sobre seu pai, segurando a mão dele enquanto girava a aliança de casamento.
Houveram depoimentos, acusações, e um velório. Muita gente compareceu, e os dava apoio.
Sasuke não saía um segundo do lado de Sakura. Garantia que ela comesse, tomasse banho, e a noite a colocava no colo, acariciando seus cabelos até que dormisse.
Ela estava na mansão dos Haruno novamente, queria ficar com Mebuki, mas pediu que Sasuke fosse para lá todos os dias depois do trabalho. Daria forças para sua mãe, mas precisava muito dele.
Uma semana havia se passado até que as duas mulheres começaram a sentir que a vida precisava continuar.
Estavam na recepção da cerimônia realizada em memória do Sr. Kizashi e vários de seus amigos e conhecidos compareceram. Ino e Hinata ficaram ao lado da amiga, enquanto Naruto estava com Sasuke, conversando sobre como seria daqui para frente. Ele interrompeu o assunto, quando viu alguns homens e a Sra. Haruno indo em direção a Sakura, eram do escritório dos Advogados Haruno.
- Srta. Haruno. – chamou o homem de cabelos pretos lisos. - Meu nome é Maito Gai, a senhorita talvez já tenha me visto no escritório de seu pai.
- Ele é um dos sócios de seu pai, Sakura. – completou a mulher.
- Sim, eu me lembro do senhor. No que posso ajudar? – perguntou ela.
O homem arrastou uma cadeira para se sentar antes de continuar o assunto.
- Nós precisamos conversar sobre o futuro do escritório, agora que seu pai... – pigarreou – não está mais entre nós.
Sakura olhou para a mãe, e viu em seus olhos que ela não sabia o que fazer. Mebuki não era advogada, e nem Sakura seria. Afinal, abandonou a faculdade.
Nunca imaginou que esse dia chegaria, e agora o escritório que seu pai lutou para construir e fazer crescer, estava sem seu líder.
Pensou em uma solução enquanto todos olhavam para ela, até que sentiu Sasuke apertar seu ombro com firmeza, atraindo sua atenção. Olhou para ele, e viu em seus olhos uma confiança de quem acreditava que ela saberia como resolver a situação, e até um certo orgulho, o que lembrou os olhos de seu pai quando disse que se orgulhava dela. Sorriu.
- Eu vou assumir o lugar do meu pai. – todos se entreolharam – sei que não sou uma advogada, mas eu seria uma. Tenho plena noção dos assuntos, e também convivi com ele e acompanhei alguns dos processos.
- Você tem certeza, senhorita? – perguntou o outro homem que Sakura lembrava se chamar Iruka.
- Eu posso avaliar os casos que pegaremos, administrar o escritório e continuar o legado do meu pai. Pelo menos por enquanto, até que as coisas se ajeitem.
- Sakura pode manter o espírito do pai dela no escritório. – completou a Sra. Haruno.
- Contrataremos outro bom advogado, e na segunda estarei lá.
- Sakura – chamou Sasuke – mas e o seu sonho de ser Chef?
Ela respirou fundo.
- Eu não desisti, Sasuke-kun. – sorriu para ele – eu só estou adiando um pouco. De qualquer maneira, eu comecei a estudar Gastronomia e até me formar, eu trabalharei no escritório do meu pai, e com este salário pagarei o meu curso, e investirei no meu sonho.
- Tem certeza?
- Tenho sim. – olhou bem fundo em seus olhos. – Eu sei o que quero.
- Então eu estarei ao seu lado. – sorriu para ela.
Iruka e Maito Gai conversaram mais uns instantes com Sakura e Mebuki, sobre os trâmites legais que deveriam ser feitos para que tudo fosse oficializado. Eles tinham certo receio pela idade da moça, mas o próprio Kizashi havia dito a eles antes do fatídico dia que Sakura era teimosa, mas era uma menina de fibra, e por isso deram a ela o benefício da dúvida.
Na segunda feira, Sakura estava lá. Chegou mais cedo, e fez uma reunião com todos os funcionários. Notou que alguns torciam o nariz para ela, e outros ela via no fundo dos olhos que realmente torciam para que a excelência do escritório fosse mantida.
Sakura avaliou os principais casos, assessorada por sua agora estagiária Ino, e contratou um advogado renomado de uma outra cidade para não desfalcar o escritório. O próximo ato, foi retirar a Advogados Haruno do caso Tazuna.
Ela engoliu seco, e chorou no banheiro, quando todos concordaram sem objeções, já que ela estava preparada para o dia difícil que enfrentaria quando abordasse o assunto. E quando perguntou o porquê, Maito Gai respondeu.
- Foi um pedido de seu pai, quando saiu do Tribunal. Eu estava com ele no carro, e ele me disse que se retiraria do caso. "Eu perdi. Minha menina me superou". – Gai sorria para ela – Imagine eu ouvir isso de um homem tão orgulh...
Gai não terminou a frase. Sakura colocou a mão na boca em uma falha tentativa de tentar segurar as lágrimas que já tomavam seu rosto.
- Obrigada, pai. – sorria entre lágrimas.
A retirada dos Harunos Advogados do caso não o impedia de continuar tramitando. E por isso, Sakura continuava em sua campanha, conversando com mais e mais gente em seus momentos de folga, dando entrevistas em blogs, vídeos, e todo tipo de campanha que ela conseguia fazer. Algumas pessoas famosas aderiram à sua causa, e ela tentava convencer as pessoas a não desanimarem, enquanto corriam contra o tempo para o dia do julgamento final.
E Sasuke sempre a seu lado.
Ele arriscou algumas palestras explicando o caso na faculdade e em sindicatos, por insistência de Sakura, que dizia que era bom para sua oratória e poder de argumentação. Ele admitia que foi interessante, e sentiu sua evolução.
O dia havia chegado, e eles saíram cedo para ir ao Tribunal. Sakura soube que a representação seria feita por um velho rival de seu pai, Dr. Orochimaru, o que a deixou bem nervosa.
As pessoas foram chegando, desta vez Sakura não se assustaria tanto, porque já calculava que pelo menos 70% das pessoas que compareceram da outra vez estariam aqui neste dia, o que já era bastante gente.
Passado uma hora do início da sessão, a quantidade de pessoas ocupava três quarteirões.
Sakura achou que não se surpreenderia.
Mas um mar de gente como aquele passou a interromper programações locais de rádio e TV, e virou uma grande notícia.
As pessoas gritavam em uníssono e carregavam cartazes com palavras de ordem e apoio a Tazuna e aos pescadores.
Sakura estava tão orgulhosa. Permanecia de mãos dadas com Sasuke, e ele podia sentir a mão dela fria e tremendo.
- Nós vamos conseguir. – Ele disse apertando ainda mais a sua mão.
Ela sorriu para ele e balançou a cabeça. Estava nervosa demais para responder.
As pessoas continuavam gritando, e fazendo bastante barulho. O coração de Sakura disparou quando um informante fez sinal para ela indicando que o resultado seria lido lá dentro.
Sasuke a puxou para frente, para que ficasse no topo da escadaria. Lá de cima Sakura olhou para trás, e viu a enorme quantidade de pessoas a vários degraus abaixo, todos olhando para ela, em seus rostos, expressões de quem acreditavam que juntos poderiam qualquer coisa.
Ela respirou fundo e fez a cara mais confiante para mostrar a estas pessoas que acreditaram nela e em sua causa. Independentemente do resultado, ela queria mostrar o quanto estava agradecida.
O informante mandou uma mensagem de texto no celular de Sasuke.
Ele leu, e virou a tela para Sakura. Mas, o sorriso lindo que estampava o rosto dele, já dizia o resultado que estava na tela.
"Nós conseguimos"
Sakura respirou fundo olhando nos olhos de Sasuke, e se virou para a multidão gritando.
- NÓS CONSEGUIMOS!
A explosão de gritos e assovios naquele momento era ensurdecedora.
A causa de um simples pescador, contra um Estado munido de advogados e possibilidade de facilitação para um ganho de causa sobre um joão-ninguém era claríssima. Uma voz de um trabalhador cansado, não seria ouvida por ninguém. Mas Sakura acreditou que se vários trabalhadores cansados, anônimos, e cidadãos se unissem, poderiam fazer essa diferença.
As pessoas se abraçavam e choravam. Eles haviam conseguido.
E as comemorações iam desde bebidas estouradas, a pessoas nos ombros das outras, cantoria desafinada de músicas que sugeriam vitória, choro, abraços e até mesmo o nome de Tazuna e Sakura ecoavam nos gritos.
Naruto não deixou de tirar uma foto do momento da comemoração de Suigetsu que agarrou a cintura de Karin e curvou sua coluna para trás e tomou-lhe um beijo.
Hinata batia palmas ao lado de Ino e TenTen, enquanto Neji jogava sua bebida em cima deles para "apagar o fogo", enquanto Naruto ria e já se preparava para enviar a foto para Sasuke, olhou para o topo da escadaria, e viu um beijo apaixonado entre seus amigos acontecendo na frente a um mundo de gente.
- Parem de ser idiotas. – disse para si mesmo sorrindo.
Sakura não se importava com nada a sua volta. A felicidade que sentia naquele momento era algo indescritível. Havia conseguido, a sua luta não foi em vão, mesmo com poucas chances, eles conseguiram.
Quando gritou para todos o resultado, o único impulso que teve foi de se entregar aos beijos de Sasuke. Estar nos braços dele era perfeito para qualquer momento, desde as circunstâncias difíceis que passou até a um momento de glória como esse, de felicidade extrema. Sasuke a completava. Nele, ela se encontrava e se perdia.
Ele terminou o beijo, e abriu de novo um sorriso enorme para ela. Afinal, ela merecia, era a causadora de sua felicidade, quem lhe arrancava sorrisos.
Era ela que provocava um turbilhão de sentimentos dentro dele, e preenchia um espaço que a muito não era ocupado. Sakura entrou na vida dele como quem não queria nada, e ele nem percebeu o momento que ela passou a ser tudo.
Eles sorriam e mantinham os olhares fixos um no outro.
Era tão claro agora.
- Sakura – segurou em seus ombros – eu sei que a gente nunca definiu o nosso relacionamento, sequer sei se somos mesmo namorados. Talvez eu devesse ter perguntado antes, não sei... – olhava para cima, para os lados, fugindo dos olhos dela – ou não pular etapas...
- Sasuke-kun, você não está fazendo sentido. – disse ela rindo.
– O fato é que eu...
Sasuke passou uma das mãos no cabelo, se sentia tão eufórico, ao mesmo tempo com medo e ansioso, mas desta vez não voltaria atrás. Fechou os olhos e engoliu seco.
E de uma só vez, soltou Sakura, e colocou um dos joelhos no chão.
- Sakura, você quer casar comigo?
Em um segundo, as palavras de Sasuke foram capazes de paralisar o coração de Sakura, e tudo ficou lento a sua volta. Ela levou as mãos à boca em um ato reflexo. Respirava fundo, tentando recobrar os sentidos, e foi despertada pelo som da voz dele.
- É você, Sakura. É você que eu esperei por toda a minha vida, que me completa e que faz meu mundo girar. – respirou fundo – Eu te amo.
Lágrimas silenciosas desceram pelo rosto dela.
- E-eu...
Sasuke sentia um leve arrependimento bater, mas estava cansado de esconder o que sentia. Havia uma grande chance de se machucar e Sakura desistir pela pressão. Mas, não mais negaria ou disfarçaria seus sentimentos para ela.
- Eu sei que foi repentino, e sequer conversamos sobre nós, mas é isso que eu sinto. Eu sempre quis te dizer, mas nunca quis te pressionar, mas agora eu preciso, porque eu...
- Eu também te amo.
Ele se calou.
- E sim, casar com você é tudo o que eu mais quero. – completou ela.
Ele se levantou e tomou Sakura em um abraço, e a girou no ar. Quando a colocou no chão, ela segurou seu rosto, e o puxou para o primeiro beijo em seu agora noivo.
Foram interrompidos por uma gritaria de comemoração ao estilo final de campeonato.
Eles se esqueceram que havia uma multidão de pessoas abaixo deles, que assistiram ao momento íntimo do casal, mas que se manteve em silêncio pela expectativa de ver o "sim" a um joelho curvado por um pedido de casamento.
Todos gritavam e comemoravam. E pela quantidade de celulares levantados filmando a cena, certamente seria o assunto da semana em todos os ângulos.
Sasuke tapava o rosto envergonhado. Mas, por pouco tempo.
Não precisava esconder de ninguém que estava feliz, e que se casaria com a mulher que amava.
Enquanto isso, Sakura mandava beijos e gritava que iria se casar enquanto descia as escadas, contava aos prantos para as amigas o que sentiu, e recebia toda a atenção e felicitações de todos que conseguiam chegar perto dela, enquanto a banda Taka, improvisava um show ali mesmo iniciando com a marcha nupcial na guitarra.
Depois, de algumas fotos e entrevistas, eles conseguiram fugir um pouco da multidão.
Ainda estavam eufóricos, mas mal tiveram tempo de curtir o grande passo de um relacionamento que mal tinha nome.
- Que loucura! – ela disse colocando as mãos na cabeça se sentando em um muro baixo.
- Você tem certeza? – ele perguntou ainda incerto. Parecia bom demais para ser verdade que alguém como ela se casaria com ele.
Sakura olhou para ele, e sorrindo segurou em sua mão entrelaçando os dedos.
- Se eu tenho certeza que quero ser a mulher mais feliz do mundo? Sim, eu tenho.
Eles sorriram, e selaram o compromisso com um doce beijo.
- Eu amo você, Haruno Sakura.
- Eu também amo você, garoto do gorro. – ela deu mais um beijo em seus lábios – e me chame agora de Uchiha Sakura.
6 anos depois...
- Essa gravata não combina, querido.
Sakura tirou a gravata bege das mãos dele e foi até o closet.
- Você acha que demora a chegar hoje? – ele perguntou.
- Não sei. As gravações do programa começam hoje e eu preciso deixar as últimas ordens para deixar tudo certo no restaurante à noite. – ela caminhou até ele com duas gravatas e colocava as duas próximas a gola da camisa branca analisando – você sabe que depois que assumi como Chef do Ichiraku's tudo depende de mim.
- É, eu sei. Quem diria que ele se aposentaria para só trabalhar no interior com lámen agora. É por isso que ele aceitou você como aprendiz, ele viu uma substituta a altura.
Sakura o beijou sorrindo.
- Eu sei.
Sasuke enlaçou sua cintura e a puxou para um beijo mais profundo e quente. Ela era irresistível. Apertou sua cintura enquanto a outra mão subia por seu vestido.
- Não, não – Sakura dizia tentando se desvencilhar dele – não amasse meu vestido. Eu já te disse que começam as gravações dessa temporada do meu programa, e não posso chegar amassada.
Além de trabalhar no Ichiraku´s como Chef de cozinha, Sakura assinou um contrato e apresentava um reality show anual em uma emissora de TV chamado Super Chef onde orientava os participantes, que cozinhavam para ela e alguns jurados. O programa se tornou líder de audiência no horário e era renovado todo ano.
- Esse ano promete, pelos participantes que vi inscritos. – ela dizia animada. - Aqui, vermelho combina mais com você.
Jogou o tecido em volta do pescoço dele e começou a fazer um nó.
- O que seria de mim sem você. – ele disse e selou os lábios dela.
- Seria o advogado brilhante que é.
Sasuke escovava os cabelos que com o passar dos anos ficaram menos revoltosos. Também precisava manter-se bem asseado, agora que se tornara um respeitável e conhecido advogado.
Quando se formou, ele assumiu o lugar de Sakura, e agora comandava a Advogados Haruno em seu lugar, mantendo o legado do Sr. Haruno, mas sempre prestando contas de tudo, e mantinha um salário não muito alto para si. Ou não mais do que merecia.
Sasuke fazia questão de deixar bem claro que não estava ali por ser apenas o marido de Sakura.
- Não sei. Não posso negar que a sua mania de me obrigar a falar em público e dar palestras quando ainda era universitário, foram fatores decisivos para a minha carreira. – disse ele abotoando as mangas.
- De nada. – Sakura respondeu irônica interrompendo o seu trabalho com um rímel.
Sasuke apenas riu e balançava a cabeça.
- Naruto ligou. Ele disse que precisa muito ver a gente. Se possível ainda hoje, por isso perguntei a hora que chega.
Sakura soltou a maquiagem e correu até o marido.
- Eu sei o que é. – disse ela falando baixo e batendo palmas – a Hinata está grávida.
Sasuke arregalou os olhos e abriu a boca.
Agora fazia sentido a ansiedade de Naruto e ele ter feito Sasuke prometer por três vezes que arrumariam um tempo em suas agendas para vê-los.
Ele já estava estranhando o fato dele ter dado uma pausa na turnê internacional da banda, só para voltar à cidade sem muitas explicações, e era tão rápido que só ele e Hinata viriam. Ela agora o acompanhava e respondia como representante legal da banda.
Ela se formou com Sasuke e Ino, mas enquanto a loira continuou na Advogados Haruno, Hinata optou por só trabalhar como representante legal da banda Taka, e assim poder acompanhar o então marido. E agora pai de seu filho.
- É por isso que quando perguntei se Karin e Suigetsu haviam brigado de novo, ele disse que não. Por que geralmente ele só exigia urgência quando aqueles dois brigavam e ameaçavam sair da banda.
- Aqueles dois brigam, mas se amam e sempre acabam voltando, Sasuke-kun. Eu nem me preocupo mais. – ela colocou os joelhos sobre a cama e sentou nas pernas – mas dá pra acreditar que eles vão ter um bebê?
- Não mesmo. – Sasuke respondeu ainda embasbacado.
Era difícil imaginar que um cabeça oca como Naruto seria pai. Mas, estava muito feliz por ele.
- Não diga nada a eles. A Hinata que me contou, ela não aguentava esperar. – ela se levantou da cama – quando ele disser, faça cara de surpresa.
Sasuke se levantou seguindo ela.
- Você não deveria ter me contado. Como vou fingir uma cara de surpresa agora. – disse ele rindo.
- Não é minha culpa. Como a Hina me conta uma coisa dessas e espera que eu fique quieta. – calçou os saltos. – agora estou aliviada e a pressão está com você. – piscou para ele.
- Você é impossível.
Sasuke a agarrou e os dois travaram uma briga de cócegas, beijos e mordidas, que acabou com ele abraçando sua cintura por trás e girando Sakura pelo quarto enquanto os dois riam.
Quando pararam, com ele ainda segurando em sua cintura e já desfeitos de boa parte de sua arrumação, olharam-se ainda rindo, e perdidos nos olhos um do outro. Era incrível a capacidade que os dois tinham de mergulhar na alma um do outro quando se entreolhavam assim.
- Sasuke-kun, você percebeu como as coisas funcionaram em nossas vidas? Foi como – ela fechou os olhos – um giro de 360º.
Sasuke soergueu a sobrancelha sorrindo.
- Como assim?
- Digo – ela tirou alguns fios de cabelo presos em seu rosto – a forma que tudo ocorreu, nós nunca imaginaríamos que seria tão diferente do que imaginávamos.
Sasuke pensou enquanto comprimia os olhos.
- Mas, então não seriam 360º, já que isso representa um giro completo chegando ao mesmo ponto?
- Não, pense comigo. – prendeu os cabelos atrás da orelhas e levantou um dedo na frente deles – nós tínhamos objetivos. Você queria se formar em Direito, e lutar contra as injustiças, já eu queria contribuir com o mundo, e continuar sendo uma herdeira rica. – levantou os ombros – mas quando nos conhecemos, nossas vidas passaram a girar e virar de cabeça para baixo.
Sakura passou a traçar um círculo imaginário e deu bastante ênfase quando passou do topo para a parte mais baixa do círculo.
- Tudo mudou quando você entrou na minha vida, e por um instante eu realmente me sentia de cabeça para baixo, mas o incrível é que parecia enfim fazer sentido. – ela continuou o caminho do círculo rumo ao ponto de partida – e a gente conseguiu alcançar nossos objetivos iniciais, com algumas mudanças, claro – ela fez uma careta e Sasuke assentiu – mas não foi uma linha reta traçada e fácil de seguir, mas o amor que descobrimos um pelo outro nos deu forças e direção. O que quero dizer é que juntos conseguimos chegar aonde queríamos, mas a jornada que fizemos de altos e baixos é que fez toda a diferença. Como um giro de 360º.
Os dois observavam pensativos o caminho do dedo de Sakura, e quando chegava ao ponto de partida, Sasuke segurou sua mão e lhe abriu um sorriso.
- Como um giro.
E antes que ele tomasse os lábios dela de novo, ela completou.
- Um giro.
Fim
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Betado por: AnneChan23
...
E aí chuchus, gostaram?
T_T
Nem acredito que esse dia chegou.
Não sei bem o que dizer, só sentir.
É a primeira fic grande que finalizo, e agora que acabou não sei nem o que escrever aqui. To feliz por ter conseguido e triste por esse dia ter chegado T_T
Mas o principal é que estou muito agradecida e encantada com todos vocês que me acompanharam até aqui.
Sobre a fic, bem
Esse final foi pensado desde o primeiro capítulo. Não sei se fez sentido para vocês.
Se não fez, desculpem, sou de Biológicas com pé em Humanas –Q
XD
Mas, o importante da fic é que o nosso casal lindo caminhou e cresceu junto. A ideia não era só um ser o fodão, mas que eles crescessem juntos se apoiando e sendo companheiros S2
Me digam o que acharam se quiserem ^^
Eu espero muito que não tenha sido um final meh
Críticas e sugestões são bem-vindas.
Como eu sempre digo ^^ Voces me ajudaram demaaaaaaais
Eu posso ter errado a mão durante a fic ou no final, mas eu acho que evoluí muito a minha escrita ao longo desse quase 1 ano de 360º.
AI MEU CORASSAUM
QUE VAZIOOOOOOO T_T
Enfim
Beijos especiais para todos vocês que leram, que me deixaram reviews, sugestões, MP, cobraram...
É tanta gente que eu queria citar, que não caberiam nas notas T_T e não quero ser injusta com ninguém. Mas saibam que eu nunca imaginaria o retorno que tive nessa fic.
Mas uma coisa eu quero contar.
Quando comecei a fic, a Cellinha veio me perguntar algo do tipo "mas Lari, o título da fic, 360º não é um giro completo e chegar no mesmo lugar?" Na hora eu respirei fundo e deu vontade de jogar o celular na parede da crise de riso. Mas na hora só pude responder com "no final terá uma explicação".
Se fez sentido eu não sei, na minha cabeça fazia XD
Mas isso me marcou, e me deu vontade de continuar a fic até o fim pra responder a pergunta do título. *_*
E bem. Um beijo a todos vocês
Ainda to decidindo se faço um pequeno epilogo. Descobri essa semana que 360º tem 24 divisores. A fic encerra em 24 capítulos. UM FUCKING COINCIDÊNCIA!
Enfim, obrigada mais uma vez por darem uma chance para minha história.
Obrigada ^^
E até um próximo projeto.
Beijo no coração de vocês
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