Notas da Autora

Os sentimentos de Naruto e Youko despertam pouco a pouco, enquanto o loiro cura gradativamente o coração dela...

Uzumaki sente a presença de alguém na Vila da Aliança, porém, esta pessoa misteriosa conta com uma joia divina para ludibriar qualquer busca ou leitura da mente e chakra, em decorrência de seu conhecimento da verdade sobre tudo e inclusive os bijuus...

Ino e Karin tem Youko-chan em alta estima e a ajudam na construção de seu senso-comum e demais ensinamentos da vida em sociedade...

Capítulo 20 - Convívio NarutoKyuubi -Sentimentos contraditórios

Cap. 21- Convívio Naruto&Kyuubi - Sentimentos contraditórios.

Sentando-se na borda da cama, fala com os olhos pesarosos:

– Me perdoe, Youko-chan... Embora saiba que o que fiz não tem perdão. Lhe machuquei e a assustei muito. Perdi o controle... Me perdoe... Prometo que isso nunca mais vai acontecer.

– Não me assustou! - ela exclama em um misto de raiva e indignação, não querendo concordar com ele em nome de seu orgulho - Nem me machucou! Sou a Kyuubi no Youko! Quem pensa que é, humano desprezível?!

Uzumaki sentia pelo chakra dela o receio, embora ela não quisesse demonstrar e também sabia que tal comportamento agressivo era o único que conhecia, frente as adversidades ou problemas, consciente do que ela deve ter sofrido em sua existência, tal reação seria esperada. Demoraria para curar o seu coração tão fatigado e lacerado pelo orgulho, ódio e sede de poder dos humanos, sendo também mais uma vítima do ciclo do ódio, assim como milhares de outros. Bee conseguiu salvar Hachibi desse ódio desmedido e o loiro jurou a si mesmo que conseguiria também, nem que fosse a última coisa que fizesse na vida.

– Eu sei... Mas, mesmo assim... peço o seu perdão e prometo que não acontecerá mais... Se quiser, pode bater em mim, se isso for aliviar o que lhe fiz. Fique a vontade. Ninguém vai interferir.

A raposa sentia pelo chakra o estado de Naruto, pois passou a compreender as alterações, já que estavam unidos pelo fuuin. Via os olhos do loiro. Olhos, que nunca imaginou ver para si.

Afinal, todos sempre a olharam com ódio e raiva. Ele, após os anos e dominar o chakra que lhe tomou, atualmente, mudou também o olhar, que era novo a raposa e a fazia sentir-se estranha.

Era de certa maneira novo, pois, ele nunca chegou a olhar para ela como todos os outros a olhavam ao longo dos séculos, mesmo quando estava com muita raiva e com razão. Sempre foi diferente dos demais e ultimamente, seus olhos tornaram-se mais complexos, não conseguindo discenir que tipo de olhar era aquele para com ela, desde que foi tirada do fuuin e assumiu uma forma semelhante a humana.

Sua mente se perdia em recordações do passado, de quando era uma raposa feita de chakra, até depois que saiu do fuuin na forma humana e até o dia passado. Algo dentro dela a acossava. Era um sentimento desconhecido que vinha nas memórias do que disse ao loiro em seus momentos de raiva. Das ofensas para com ele, do assassinato de Kushina e Minato, além da tentativa de assassina-lo quando era um recém-nascido.

Esse sentimento pesava em seu coração e ela se sentia mal, embora ainda não compreendia com clareza todos os sentimentos novos e inesperados, tão diferentes dos habituais. Seria o que chamavam de culpa? Pesar? Remorso? Ela se questionava.

Sacode a cabeça para os lados, achando uma besteira, uma vez que era a bijuu mais poderosa e portanto, não sentiria algo assim. Odiava o loiro, pelo menos assim pensava, embora sentimentos desconcertantes vinham conforme via Uzumaki e inclusive, quando ainda estava dentro do fuuin, sentindo pontadas dolorosas em seu peito ao saber que ele ficava com várias mulheres, embora não ouvisse e nem via nada por causa do selo, já que ouvia somente nos momentos em que os sentimentos do loiro eram intensamente fortes.

– O que disse? Imbecil?!

– Você ouviu... Se quiser bater em mim para se sentir melhor, fique a vontade. Não vou impedi-la e nem ninguém, porque comuniquei a decisão aos meus amigos... Talvez, assim, se sentirá melhor. - fala sem se alterar, já que estava determinado a lidar com o que causou a raposa.

Ela o observou por alguns minutos, o seu olhar indo de atônita para o de raiva, voltando ao olhar inicial, retornando em seguida ao de raiva, enquanto praticamente saltava em cima dele, o derrubando no chão com violência, batendo nele, assim como usando suas garras, ferindo-o.

Ele travou a mandíbula, enquanto se concentrava para lidar com a dor, seguindo um ensinamento que aprendeu, pois, não queria chamar a atenção dos outros ninjas, que com certeza, tentariam interferir, acabando por agravar ainda mais o ódio deles para com ela.

Decorrido dois minutos, Youko para, ofegante, após se esforçar para bater nele, pois lhe faltavam forças, ainda mais, ao começar a usar as suas garras, só conseguindo arranha-lo 8 vezes. Não compreendia o por que disso, afinal, algo a fazia parar e não era cansaço. Era algo mais forte do que ela, que lhe influenciava e agora a fazia verter lágrimas, embora não compreendesse o por quê.

Afinal, chorava pela segunda vez na vida e não sabia se era de raiva ou de dor. E mesmo se fosse de dor, não sabia o porquê, enquanto este era agravado ao ver os ferimentos em seu jinchuuriki, juntamente com as memórias fugazes em sua mente, de tudo o que fez contra ele.

Bateu uma última vez com os punhos cerrados em cima do tórax ferido dele pelas garras, enquanto as lágrimas peroladas ainda caíam em cima dos ferimentos, com ela sentindo raiva de si mesmo, por não compreender o porque de tantos sentimentos contraditórios, diferentes e pensamentos que emaranhavam-se em seu coração e mente naquele instante.

Naruto sente os ferimentos arderem pelas lágrimas salgadas, mas, travara a sua boca, enquanto a olhava em um misto de dor e pena. Sentia o sofrimento pelo fuuin e isso o deixava imensamente triste. As lágrimas dela o feriam e muito, como se fossem apunhaladas em seu coração. Não queria faze-la sofrer, uma vez que sofrera até mais do que ele, que só foi por onze anos, enquanto que o dela foi por séculos.

A raposa cerra os dentes, parando de bater, enquanto sentia uma fraqueza também desconhecida, envolve-la. Estava com os olhos fechados e com raiva, não conseguindo discernir se era dela ou do loiro por causa do selo.

Quando sentiu uma mão amável afagar o seu rosto, abriu os olhos, ficando embasbacada ao ver Naruto acarinhando o rosto dela, carinhosamente, enquanto a olhava gentilmente com o seu típico sorriso estampado na face dele.

Seu coração batia desgovernadamente no peito, enquanto sentia um calor imenso toma-la e arrepios percorrendo a sua cintura, enquanto sentia-se hipnotizada pelos orbes azuis do loiro que lhe prendiam. Sentia sua mente nublar, enquanto transpirava e arfava, somente com o seu toque gentil.

Suas bochechas aqueceram-se, enquanto entreabia levemente os lábios, perdendo a noção do raciocínio. Não compreendia o porque de sentir-se estranha, ao ponto de aproximar o seu rosto do dele, enquanto a sua mente paralisada, não conseguia pensar racionalmente.

Já, Naruto, também estava hipnotizado pela raposa, perdendo-se nos contornos delicados do rosto e dos lábios, achando-a fofa quando ficava ruborizada.

Desejou sentir os lábios dela e ergueu o seu rosto, conforme ela abaixava o dela, com a sua mente em torpor também. Não pensando ou racionando, assim como o loiro, que nunca se sentiu assim em sua vida. Seus sentimentos em relação à Youko eram diferentes do habitual. Era algo novo. Novo e deliciosamente inebriante.

Acreditava inicialmente que era só atração, pois, ela tinha um corpo perfeito e desejavél. Tanto, que vários homens a cobiçavam. Mas, inclinava-se a não ser somente uma atração fisíca ou meramente desejo. Sentia que era algo mais. Algo que nunca sentira nem por Haruno.

Porém, antes que pudessem se beijar, um sapo surge de uma nuvem de fumaça ao lado deles, pois era um ser de invocação de Naruto e por isso, podia passar pela barreira.

Nisso, os três se entreolham, enquanto ao mesmo tempo, ficavam ruborizados, principalmente Youko e o sapo.

O anfíbio corou ao ver a cena, principalmente por ver a raposa com uma perna em cada lado do corpo do loiro, sentada em cima da cintura e inclinada para o tórax dele.

Então, o anfíbio fecha os olhos, enquanto a bijuu sente o seu coração bater acelerado, além de ficar constrangida, embora não compreendesse exatamente o porque dessas reações, que pareciam ilógicas para a mesma.

Mesmo assim, sai rapidamente do colo dele, ficando de pé, sem conseguir encarar o sapo e o loiro, ao mesmo tempo que Naruto se erguia, visivelmente constrangido pela posição comprometedora que estavam, com a face levemente rubra, para depois se acalmar, assim como o sapo, que torna a abrir os olhos, enquanto suspira aliviado.

Após alguns minutos constrangedores, o sapo pigarreia, para depois falar, ainda com uma leve coloração rubra.

– Sinto incomodar Naruto-sama... Mas, não sabíamos... assim, que... os dois, poderiam estar tão íntimos... - o anfíbio fala, enquanto coça o rosto sem graça, mas, sem deixar de notar as marcas de garras e hematomas no tórax de Uzumaki, que percebeu o olhar dele.

– Não era isso, dattebayo! - o Sennin fala levemente irritado pela insinuação baseado em sua reputação, pois, não queria que ela ficasse mais constrangida do que já estava, embora concordasse em seu intímo, que estavam em uma posição que permitia uma interpretação errônea - E esses ferimentos foram porque pedi que Youko-chan me batesse, para poder aplacar o que fiz com ela e acabou saindo um pouco do controle...

– Entendo... Bem, ainda acho melhor avisar aos outros sapos para terem mais cuidado quando vierem vê-lo, sem invocação. - o tom saía um tanto descrente, irritando o loiro, que decidiu tentar se acalmar, pois, o que ele fizera ontem, apenas o ajudou.

Sem contar, que bem no íntimo, concordava que estavam ficando cada vez mais íntimos. Ele e Youko, achando que era por causa da beleza dela, que era ímpar e o fato de ser sua bijuu. Acreditava que era possessividade que sentia por ela e que era agravado pela inocência desta e súbito desejo de protege-la, que surgia dentro dele.

Julgava também, que era pelo fato dela sempre estar com ele, mesmo quando era somente uma raposa, além de conhece-lo profundamente, assim como os seus pensamentos, já que ela ouvia e muito deles, além de ter sido testemunha do que passou em sua vida, como os maus tratos dos aldeões e que atualmente, fora do selo, passou a sofrer o mesmo que ele, encarando os mesmos olhares que via quando criança.

Acreditava que sentia por isso tudo, carinho por ela, junto de compaixão e piedade pelo que sofreu por séculos, além de empatia, juntamente com o fato dela ser solitária como ele era no passado, além de não ser tratada como um ser com sentimentos, assim como ele foi tratado quando criança pela maioria esmagadora do povo de Konoha.

Ele lutava com todas as suas forças contra um enorme desejo, que surgia nele e que só seria saciado completamente com Youko.

Mas, não queria que ela fosse mais uma das mulheres que se deitavam com ele. A bijuu merecia muito mais e por isso se controlava. Ela era especial e praticamente inocente.

Afinal, não sabia o que era sexo.

Por causa disso, se sentia mal pelo imenso desejo que nutria para com ela. Ele a respeitava e a bijuu era importante para ele. Sem contar, que diferente das outras, não sabia nada sobre sexualidade. Temia que se deitasse com ela, seria assolado pela culpa no dia seguinte.

Por isso, sabia que teria que lutar com todas as suas forças contra os seus desejos, nunca cedendo, como tinha feito há alguns minutos antes, sem que tivesse noção.

É tirado de seus devaneios pela voz do sapo e vê Youko olhando-o em confusão.

Então, suspirando, passa a dar atenção ao anfíbio.

– Naruto-sama, Gama Dai Sennin-sama e Fukasaku-sama, pediram para que fosse até o Monte Myouboku, para explicar sobre Youko e como ela saiu do selo...

– Não posso ir via kutchyose reversa, pois, a Youko-chan não tem o contrato e não sei como o selo reagiria. Não quero arriscar.

– Bem... Então, por favor, envie um pergaminho explicando e quando puder, poderia ir para lá, através do labirinto, que não permite que use outros meios, além do próprio chakra para ir lá... Ou seja, não pode usar o poder da Kyuubi, já que seria outro chakra junto do seu. Quando puder ir lá, nos avise, que enviaremos um guia.

– Claro. Quando terminar o pergaminho, chamo um sapo. Acho que vou demorar um pouco. Obrigado pela mensagem e pode ir.

– Doutashimashite ( por nada). Sumimassen (com licença).

Nisso, fazendo um selo, desaparece em uma nuvem de fumaça, enquanto Naruto senta na cadeira, abrindo um pergaminho em branco, pondo-se a escrever, detalhando o máximo que pudesse todos os acontecimentos, enquanto Youko deita de qualquer jeito na cama, ficando perdida em seus próprios pensamentos a respeito do ocorrido minutos antes entre eles.

Nisso, um clone entra na Tenda com uma bandeja contendo pão e queijo, além de uma jarra de suco e dois copos, para que o sannin e ela tomassem o desejum. Após colocar na mesa, desaparece em uma nuvem de fumaça.

Dois dias depois, bem longe dali, próximo de um lago imenso e cristalino, rodeado por uma mata densa e fechada, vozes ecoavam, enquanto o dono de uma delas, o mesmo vulto de outrora, olhava ao longe as bases distantes do Acampamento da Aliança.

– Então, Naruto aceitou pacificamente ir para a Vila da Aliança por algum tempo? - a voz soava em um tom incrédulo.

– Sim. Ele e a raposa encontram-se na Vila e também conseguiu encontrar alguns selamentos do clã, que ajudaram a aumentar consideravelmente a distância que podia dar da raposa, fora um outro meio, de ampliar ainda mais, caso fosse necessário um maior distanciamento. Porém, o tempo de uso e intervalo tem que ser controlado rigidamente.

Um sorriso ilumina as faces deste, que fala em um tom divertido, quase gargalhando.

– Aposto que isso tem o "dedo" de Susano no Mikoto-sama ou Amaterasu Oumikami-sama, isso sim!

– Bem, acredito nisso. Até porque, quem é péssima em apostas é Tsunade. Se ela tivesse apostado nisso, com certeza não seria plausível.

– Tsunade só é péssima apostadora, quando as apostas envolvem dinheiro... Quando não envolve isso, você se surpreenderia.

– Verdade... analisando por este lado... Bem, qualquer outra dúvida, basta me convocar. Sumimassen (com licença). - e nisso, desaparece em uma nuvem de fumaça.

O vulto maior apenas consente com a cabeça, enquanto se virava, crendo que não era sensato se aproximar da Aliança. Havia traçado um outro método mais seguro e prático, que envolvia visitar um certo alguém, antes de mais nada.

Então, faz selos com as mãos e desaparece em uma nuvem de fumaça sem deixar vestígio.

No dia seguinte, na nova casa de Naruto, porém, temporária, ao menos até conseguirem eliminar Sasuke, Sakura e Kabuto, ele se levanta do confortavél sofá e caminha para a janela, olhando atentamente para fora, procurando sentir qualquer chakra estranho, pois, desde aquela manhã, tinha a sensação de ter alguém o observando.

Estranhava de não sentir nenhuma ameaça hostil, mesmo usando os poderes de Youko dentro dele, para poder sentir com mais exatidão, qualquer possível inimigo nos arredores da Vila.

Por mais que não sentisse qualquer ameaça, não deixava de tentar rastrea-lo.

Afinal, estavam em guerra. A desconfiança veio com o advento dos conflitos e os métodos para engana-los. Ficar ressabiado, sempre em alerta, era uma das coisas que todos aprendiam, invariavelmente naqueles tempos.

Portanto, mesmo na Vila, não havia um descanso completo, tendo em vista o risco de qualquer ataque iminente.

Estreitando os olhos ao fitar, agora o céu, decide que enviaria uma mensagem à Hokage, contando a sua desconfiança, assim como o fato de não sentir qualquer ameaça hostil, por mais estranho que parecesse.

Então, se dirige a mesa, abrindo um pergaminho em branco e começando a escrever nele, tudo o que conseguiu averiguar sobre essa presença, o que não era muita coisa, decidindo que pediria ajuda á Karin para tentar rastrear, mesmo sabendo que o seu poder para isso, era infinitamente melhor do que os dos ninjas rastreadores.

Mas, julgava que devia ter algum jutsu ou alguma outra coisa que o impedia de sentir as sensações de outras pessoas e que por isso, tentar um dos melhores ninjas rastreadores, era uma boa opção, além de alguém do melhor clã em assuntos relacionados a mente, os Yamanaka´s.

Após escrever tudo o que podia, ele mergulha o pincel no reservatório de naquim, enquanto espera Karin e Ino descerem com Youko, pois ambas foram até a casa dele para dar mais algumas aulas de noções básicas.

Após terminar a análise dos venenos trazidos por Hanabi e entregar os seus relatórios, a ruiva pediu alguns dias de folga na Vila e conseguiu. Se encantou com Youko, por causa das orelhas e caudas, principalmente ao tocar uma das caudas, enquanto a bijuu cochilava a sono alto, sem contar que ajudou e muito, o fato de nunca ter tido motivo para sentir raiva ou ódio da mesma, fora a sua fraqueza por coisas fofas, como bichos de pelúcia felpudos.

Naruto se sentia incomodado pelo fato das duas serem "animadas" demais e um tanto quanto "liberais". Não pôde conter um leve tremor, ao imaginar o que poderiam estar ensinando á ela, já que não tinha mais nenhuma "professora" de senso comum disponível, além delas.

Portanto, não havia escolha. Ela precisava de outras mulheres para a ensinarem, já que muitas coisas, ele não poderia ensinar e outras, que não seria certo. Podia ser um pervertido, de certa maneira, mas, ainda tinha sua honra e abusar de alguém inocente, ia contra todos os seus princípios, não se aproveitaria de uma inocente, que nem sabia o que era sexo. Nunca forçaria ninguém a ser sua. Só tinha relações se fossem consensuais.

É tirado de seus pensamentos pela conversa animada de Karin e Ino, que combinavam os planos para aquele dia, enquanto Youko as seguia em uma face neutra, embora um discreto sorriso jazia em seus lábios pequenos e delicados.

– Naruto-kun, Kyuu-chan precisa de roupas, portanto, vamos as compras. - Ino fala, como se estivesse só comunicando ao loiro - Kyuu-chan concordou.

– Tem uma loja grande e nova que inaugurou a algumas quadras daqui, Ino-chan. Que acha de irmos lá? - a ruiva pergunta para a loira, que já estava pegando a bolsa que havia deixado no sofá.

– Excelente ideia! Não acha, Kyuu-chan? - a loira pergunta sorrindo gentilmente e a raposa não consegue conter novamente um discreto sorriso.

Youko estava em seu íntimo, entusiasmada para ver uma loja de roupas por dentro, pois, em sua forma bijuu, somente destruía as coisas. Pela descrição das duas sobre como era, deixou-a entusiasmada e extremamente curiosa. Por isso, continha a todo o custo a agitação de suas caudas, embora elas se mexessem levemente, fazendo elas e inclusive Naruto, notarem que ela estava se contendo a muito custo.

– Devo confessar que estou curiosa. Já que somente destruía e nunca vi como era por dentro.

Os três se entreolham e então, Naruto fala:

– Youko-chan, por favor, quando saímos não comente sobre isso.

A raposa empina o nariz, enquanto cruza os braços, falando em visivél irritação, com as caudas agitando-se nervosamente:

– Saiba idiota que estou pouco me lixando! Afinal, podem ver as minhas caudas e orelhas! A menos, que sejam cegos ou retardados, para não saberem que eu sou a temivél Kyuubi no Youko! - e rosna levemente, enquanto continua irritada.

Naruto suspira cansado e aguenta o mau humor dela, pois, ontem saiu com algumas garotas e como sempre, quando voltava na manhã seguinte, após passar a tristeza da Kyuubi, ela ficava com um péssimo humor, tornando impossível um diálogo, sem envolver agressões verbais, já que ficava sensível demais nesses momentos.

Aceitava calado, pois era culpado e agora, tinha que aguentar também os olhares acusadores de Ino e Karin, que queriam fuzila-lo com os olhos.

Após alguns minutos, com Youko sentando-se bufando em uma poltrona, o loiro fala, antes de suspirar novamente:

– Sinto que tem alguém me observando desde esta manhã. Não sentir, mas, sim, uma sensação, digamos assim.

As kunochis desfazem as feições irritadas, enquanto se entreolhavam com o cenho arqueado e depois, voltando-se para o loiro.

– Por que sensação e não sentir, Naruto-kun? - Ino pergunta sentando-se ao lado dele - Afinal, tem os seus poderes que puderam, inclusive, derrotar os Kisei Bushin (clones parasitas) que assumiam a forma de shinobis da Aliança.

– Eu sei disso, dattebayo.

– Então, por quê? - Karin senta do outro lado dele, confusa.

– Acredito que possa existir algum poder ou até mesmo um jutsu, que poderia interferir... Se for isso mesmo, deve ter alguma maneira de contornar e confirmar, nem que seja por apenas alguns minutos, se há de fato alguém por perto.

Conforme elas se sentam ao lado de Uzumaki, a bijuu desfaz a face emburrada para uma irritada, sentindo raiva ao vê-las junto dele, igual quando alguma mulher se aproximava de seu jinchuuriki, enquanto conseguia conter a muito custo, um rosnado que ameaçou se formar em sua garganta, enquanto agitava as suas caudas, não compreendendo o porque de sentir aquilo, pois era algo ilógico para ela..

Não percebera, que aquilo foi feito propositalmente pelas kunochis, para confirmar as suas suspeitas sobre os sentimentos que a bijuu sentia por seu jinchuuriki.

Após confirmar, não puderam conter um sorriso discreto de satisfação, ao notarem que as suas dúvidas foram completamente sanadas.

Só tinham pena da Youko, pois, se ela não compreendia os seus sentimentos, Naruto também não e pelo que souberam da história de Minato e Kushina, assim como o da Mito, parecia que o Clã Uzumaki tinha sérias dificuldades em reconhecer os seus próprios sentimentos e os dos outros, pelo que puderam averiguar nos 3 membros desse clã. Parecia mais, era uma espécie de sina dos Uzumaki´s.

Abanam a cabeça para os lados, desanimadas por verem que ambos ainda demorariam para poder dar vazão aos seus sentimentos, compreendendo a natureza dos mesmos. Por isso, decidiram que iriam ser cupidos para ambos, caso a situação não mudasse até a próxima semana, enquanto esperavam que Kyuubi as questionasse sobre os seus própros sentimentos, para elas poderem explicar e ajudar, com isso, o casal.

Naruto fala, após pensar por alguns minutos, exibindo agora um sorriso:

– Tive uma ideia, que pode dar certo.

– Qual? - Karin pergunta, curiosa.

– Vamos ampliar o método de busca. - fala simplesmente.

– Ampliar? - Ino não entendia por completo.

– Simples. Nós três buscaremos ao mesmo tempo, todos juntos de uma só vez.

– Mas, se o seu poder não foi suficiente, já que identifica até sensações das pessoas, como poderia a minha técnica e a de Karin funcionar? Já que ela fica limitada ao chakra e eu a mente?

– Irão direcionar através de mim, eu serei o "catalizador", digamos assim, e com isso, serão três formas de busca diferentes, no mesmo instante e de uma só vez... Se for algo que impede cada uma das formas de busca, essa realizada em conjunto e ao mesmo tempo, através de uma única fonte, poderia ludibriar, nem que fosse por apenas alguns minutos, aquilo que impede a detecção. Bem... é uma hipótese e não custa tentar.

– Pode funcionar. - Karin fala sorrindo e se levantando.

Nisso, Naruto concentra o seu chakra e o de Youko, assumindo a forma de chamas douradas, pondo a mão na cabeça de Ino, enquanto Karin segurava a sua outra mão.

O loiro supreende-se ao ouvir um rosnado irritado de Youko e o olhar nada amistoso para com eles, enquanto as caudas agitavam-se ainda mais agressivamente no ar.

O sannin não compreende e Ino fala:

– Calma, Youko-chan... É necessário fazermos isso... Não esqueça que sou casada e amo o meu marido, assim como Karin-chan é noiva e perdidamente apaixonada por Hibiki.

O rosnado dela parecia diminuir de intensidade, embora continuasse com um olhar mortal, principalmente para Naruto, que sente o sangue gelar, embora não compreendesse o porque dela agir assim.

Ino e Karin se entreolham, notando que o loiro não entendeu ainda e limitam-se a suspirar desanimadas.

– Agora, dattebayo! - Naruto se refaz e se concentra fechando os olhos, assim como elas.

No parque da Aliança, em cima de um galho, o colar no pescoço do vulto brilha, indicando que estavam tentando rastreá-lo novamente.

"De novo? Me esqueci de como Naruto é persistente... Bem, porque não posso tornar as coisas mais interessantes? Confesso que não tenho nada para fazer por aqui e estou entediado... Vou deixar senti-lo, por apenas alguns segundos. Vamos ver se a Aliança é de fato eficaz, também."

Nisso, rindo, pega a joia na mão, fazendo selo de tigre. Ela então, passa a brilhar do tom azul escuro para um claro. Isso por aproximadamente alguns segundos, antes de voltar a cor escura, enquanto é guardada novamente abaixo do haori.

De volta ao apartamento temporário de Naruto, o loiro, Ino e Karin se separam, enquanto se recordavam, de que, por alguns segundos, puderam sentir uma presença estranha.

Ao se separarem, Youko cessa o rosnado em visível confusão, não compreendendo o porque daquele alívio, fora a sensação de outrora, que era estranha e que se apoderou dela novamente, sempre que via seu jinchuuriki com outras mulheres.

– É verdade, Naruto. Tem mesmo alguém aqui na Aliança que não quer se identificar. - Ino fala pensativa.

– Só pode ser um inimigo. Um aliado não faria isso. - Karin comenta, enquanto passa as mãos nos cabelos.

– Vou reportar a Baa-chan e deixar que ela comunique aos outros. - abaixa a cabeça e fica pensativo, para depois ergue-la, com o cenho franzido - Pode ser estranho o que vou falar, mas, não senti intenção hostil nele. Ao contrário. Confesso que foi uma sensação que me deixou saudoso.

– Saudoso? - ambas se entreolham em visível confusão.

– Sabem do meu poder... Não há sentimento oculto que eu não possa sentir... Aliais, vou mandar os meus clones investigarem o local e proximidades em busca de pistas.

– Entendo que precisa fazer isso... Mas, não exagere. Está aqui para descansar e se recuperar, certo? - a loira pergunta em tom de preocupação e leve repreensão.

– Pode deixar, dattebayo!Vou descansar. Apenas será um aquecimento.

– Bem... Se acha que não é hostil... - Ino se afasta, enquanto pega a bolsa - Depois falo com o meu marido. Agora, nós três vamos fazer compras... Kyuu-chan precisa de roupas e urgente, além de artigos de higiene pessoal e uma toalha.

– Vamos, Youko-chan? - Karin pergunta a raposa, enquanto pegava sua bolsa.

Ainda sentindo-se irritada e não querendo demonstrar sua empolgação, ela se levanta sem falar nada, caminhando para a porta.

Naruto estava escrevendo no pergaminho, quando Ino estende a mão e fala, em um tom autoritário:

– Dá a carteira, Naruto-kun.

O loiro estava tão absorto em escrever, para enviar o pergaminho rapidamente, que pegou a carteira de couro lustroso, que substitui a de sapo e deu mecanicamente, sem perceber.

A loira pega com um sorriso vitorioso e nisso, as três saem.

Naruto termina e depois sela o pergaminho, invocando um sapo em seguida.

– Kuchyose no jutsu! Rinu!

Um sapo levemente azulado com manchas verdes, usando óculos escuros, surge, curvando-se levemente para o sennin:

– Chamou-me?

– Sim. Quero que leve esse pergaminho para a Baa-chan.

– Pode deixar.

O sapo guarda o pergaminho em uma espécie de reservatório afinalado nas costas, fazendo um selo e desaparecendo em uma nuvem de fumaça.

Terminada a tarefa, ele levanta-se e então, apalpa o bolso, não sentindo a sua carteira e depois de revira-los, se recorda do momento de Ino pedindo o dinheiro e ele dando, sem perceber.

Irritado, faz um selo e desaparece em uma nuvem de fumaça.

No pequeno e temporário distrito Hyuuga na Vila da Aliança, uma jovem se encontrava em meditação, até que uma porta corrediça é aberta e uma senhora adentra no recinto, curvando-se.

– Hanabi-sama, o desejum encontra-se servido - uma Hyuuga fala, prostando-se para a jovem líder do clã.

– Obrigada, Harumi-san e pode me chamar de Hanabi... És minha parente e não mais serviçal. - fala gentilmente.

A convivência com sua irmã por muitos meses e inclusive sendo treinada por ela e seu primo, fizeram o caráter dela mudar gradativamente, devendo-se a maior influência dessa mudança ao jeito de Hinata, que influenciou a mais nova, enquanto enchia de desgosto o pai delas, que morreu se recusando a falar com as filhas.

Com um ataque certeiro por parte do Edo-Tensei de Kabuto na Vila da Aliança, o resquício dos anciões que prosseguiam com as regras rígidas de séculos para com a divisão das castas do clã, pereceram.

Com tudo isso e contando com a ajuda de seu primo, Neiji, além do apoio de Naruto, que foi decisivo, Hanabi conseguiu remover os selos da família secundária e erradicou a divisão de castas. Agora, eram somente um clã unido e portanto, uma única família.

Fez promessas a antiga casta subjugada pela ordem de nascimento e com um discurso envolvente e ardoroso, juntamente com a liberação dos selos e fim da opressão, acabou obtendo o respeito e admiração dos Hyuugas remanescentes.

Graças a isso, a consideravam como a líder que os guiaria rumo a um novo futuro promissor, assim como uma revolução em todos os sentidos, após séculos de submissão e sofrimento.

Neiji ficou ao seu lado por alguns dias, porém, retornou junto de sua esposa, TenTen, que ainda se recuperava dos ferimentos, tendo um prognóstico muito bom e animador.

A Hyuuga idosa se levanta e sorri, falando:

– É difícil perder os velhos hábitos que vieram ao longo das décadas.

– É compreensivél - Hanabi se vira para a anciã com um sorriso gentil nos lábios - Mas, com o tempo, superará e aí seremos por completo uma grande família!

A idosa fica emocionada e se levanta, sorrindo, retirando-se da sala onde Hanabi se encontrava sentada sobre um zabuton, enquanto olhava o jardim com seu lago contendo carpas, logo a frente, através da abertura de uma porta corrediça de fussumá.

Suspirando, tenta regularizar as batidas seu coração, pois foi inevitável não se lembrar de Naruto, que fora vê-la na tenda médica e que se desculpara também pelo ocorrido a Hinata, sendo visível nos orbes azuis deste, a tristeza ao se recordar dos motivos dela ter perecido e que foi por falta de iryou-nis, quando ela se feriu gravemente no ataque de Sasuke e Sakura na Ala Médica, enquanto protegia os pacientes, dando tempo deles fugirem.

Ninguém sabe quem foi que causou o grave ferimento que a levou a morte, por causa da confusão e caos no momento. Embora não importasse à ela se foi Uchiha ou Haruno, porque odiava ambos profundamente e pleiteava o momento de se vingar.

Já, retornando aos seus pensamentos para com o Sannin, a jovem Hyuuga se questionava quando tinha se sentindo assim. Nunca procurou o loiro e nunca quis. Até porque, ele ficava na frente de batalha e o esquadrão que ela fazia parte, ficava longe dele, na retaguarda. Além de que, quem tinha mais contado com o sennin era Hinata e Neiji.

Nos dias seguintes, após ser mandada para relaxar em sua casa, até por causa dos últimos acontecimentos, tivera tempo de pensar no que sentia quando se recordou de Naruto salva-la de Sasuke e depois dele ir vê-la.

Inicialmente, não entendia esse sentimento em seu peito e custava a compreender. Havia demorado dias para interpreta-lo e considera-lo como amor. Mas, se preocupava se ela de fato amor ou demasiada admiração, que se aproximava de uma paixão, um tanto quanto arrebatadora.

Tudo era confuso à jovem, por nunca ter se sentido daquela maneira e desejava algum dia compreender, considerando momentaneamente como um amor súbito pelo Naruto. Tanto, que ao ver sobre esse prisma os seus sentimentos, passou a sentir um ciúmes imenso da raposa, ao ponto de ficar inconformada de como ela recusava a enxergar o modo como Naruto a tratava e a olhava, que não tinha nada a ver com amizade e sim, próximo do amor, senão o mesmo, pelo que percebeu.

Passou a pensar em como a vida era injusta e outros pensamentos surgiam, como um torvelinho incessante.

– Hanabi-sa... quer dizer, Hanabi-chan... Não está com fome? - uma voz preocupada a tira de suas divagações e pisca, surpresa, olhando para a mesma Hyuuga de antes.

– Estou sim... Por quê? - ela arqueia o cenho em visível confusão.

– É que já faz algum tempo que encontra-se meditando e a comida já está praticamente fria... Quer que requente ou deseja algo fresco?

– Não, tudo bem... Eu me distraí. Não precisa requentar e nem fazer comida fresca. Domo arigatou ( muito obrigada) por me lembrar.

– Doutashimashite ( por nada).

A Hyuuga se levanta e segue a anciã, enquanto tomava a decisão de ir ver Naruto, dali a alguns dias, depois que terminasse de rever os assuntos internos do clã , embora, quisesse na verdade, algum dia tirar satisfação com a raposa, que insistia em menosprezar os sentimentos do loiro, piorando pelo fato de destrata-lo, sendo ele seu jinchuuriki e portanto, dono dela ao seu ver, uma vez que era somente chakra, mesmo tendo uma falsa aparência humana, além de ser meramente uma parte de outro ser. Não era um ser vivo e portanto, era "algo". Ser tratada como um objeto era o máximo que merecia, pois não a via como um ser humano e muito menos como um animal, para merecer uma melhor consideração por parte do seu amado Sannin.

Sem contar, que ela foi a assassina dos pais dele, assim como quase destruiu Konoha duas vezes no passado e também, foi a causadora por tudo que Naruto sofreu quando criança por tê-la selada em seu corpo. Ela somente lhe trouxe sofrimento e dor. Era um monstro, que não merecia sequer consideração e portanto, como toda a besta que se preze, não conhecia sentimentos e não era capaz de senti-los.

Pensava que não era nem mesmo um ser vivo para ser capaz de ter sentimentos, uma vez que somente sentia vontade de destruição e de fazer mal aos outros, segundo a jovem Hyuuga. Portanto, se dependesse dela, a selaria em uma cela para proteger as pessoas. Deixa-la solta era perigoso, mesmo que os poderes dela estivessem selados em Naruto.

Prometeu a si mesmo, que faria tudo para chama-lo de volta a razão e ver o quanto era loucura, senão idiotice, trata-la como se fosse uma humana, embora acreditasse que ele a tratava assim, por ela engana-lo com uma falsa aparência humana, que escondia o seu verdadeiro corpo, que era de um monstro feito puramente de chakra em forma de ódio e destruição. Uma besta monstruosa em todos os sentidos.

E sabia que muitos compartilhavam de sua opinião, pois, a relação de Naruto com a bijuu era de conhecimento público e alvo de cochichos revoltados, não só de civis, como de ninjas, indignados pelo tratamento e consideração que o herói de Konoha, o garoto dos milagres, sannin e Sennin de Konoha, além de shinobi mais poderoso do mundo, ofertava a ela, que era um monstro e uma propriedade.

Era simplesmente um objeto de luta e Naruto era seu senhor e dono, além dela pertencer à Konoha. A vila que Hanabi tinha em grandeza, assim como os demais civis, que a consideravam a mais poderosa dentre todas, por terem em suas mãos o bijuu mais poderoso, assim como o maior e igualmente mais formidável e poderoso shinobi do mundo, que detinha controle sobre a lendária besta de nove caudas.