Notas da Autora

Conforme caminhava com Ino e Karin, Kyuubi procurava divagar em sua mente para evitar de olhar os olhos assustadoramente frios que lhe eram dirigidos e que faziam sentimentos diferentes surgirem, a deixando desconfortável...

As duas kunochis não percebem e quando Naruto aparece, Youko odeia sentir certos sentimentos por ele...

Dias depois, os sentimentos de Youko e Naruto ficam ainda mais fortes, contra a vontade da raposa, que cada vez mais se rende, enquanto o vulto, enfim, resolve agir...

Capítulo 21 - Pensamentos...

Alguns metros longe dali, Youko andava junto delas, enquanto tentava não olhar para os lados e ver os olhos assustadoramente frios que começavam a faze-la sentir-se irritada e levemente angustiada.

Não gostava de ficar naquela forma, porque ficava no mesmo nível dos olhares humanos, além de acreditar que sentimentos indiferentes á ela no passado, pareciam reger a sua vida atualmente e isso a desagradava. E muito.

Cerra os punhos, enquanto tenta conter as suas caudas irritadas.

Cada vez mais perdia a capacidade de dar um olhar de ódio mortal, que faria qualquer humano recuar de medo. Exasperava-se ao sentir as mudanças dentro dela. Era algo novo e aterrador para a mesma, embora nunca assumiria publicamente para não aparentar fraqueza.

Afinal, tinha o seu orgulho e não ficaria bem, a lendária e temível Kyuubi no Youko, o bijuu mais poderoso daquele mundo, sentir medo como uma criatura fraca e patética ao seu ver. Isso a revoltava e não a faria ceder às sensações novas. Temia perder a identidade que construíra ao longo dos séculos e que a protegeu ao longo dos mesmos. Ou seja, batalhava com todas as suas forças para o que parecia ser inevitável.

Para o seu desespero, sentia perder gradativamente a luta interna contra oponentes inesperados e poderosos. Não queria recordar-se de como era no início, quando foi criada juntamente com os outros e depois, do que passou a sofrer nas mãos egoístas dos humanos ao bel capricho deles. Desde que era nova, jurou enterrar estes sentimentos, enquanto criava novos nascidos do ódio, da raiva e da revolta. Queria ficar forte e se libertar das sensações angustiantes quando era ainda recém-criada.

Era a sua defesa contra a dor da solidão e da perda, fora o egoísmo e ódio dos humanos. Amava Rikudou Sennin como um pai, considerando que era o seu criador. A perda dele foi angustiante e ela não queria passar novamente por isso ou sofrer.

Fazer o seu chakra se tornar do mais puro ódio e maledicência, era o escudo adotado para o seu ser. A proteção contra o sofrimento lacerante e a dor angustiante. Seu ódio direcionado aos humanos dava a falsa sensação de conforto e a fazia esquecer da dor.

Consequentemente, as palavras dele de que surgiria um guia para eles, ficou esquecido em uma parte de sua mente, pois, se lembrar disso, era ameaçar despertar as sensações que temia com toda a força do seu ser e das quais, não queria recordar-se nunca mais, se dependesse dela.

Notava que conforme esquecia o ódio, perdia a batalha para si mesmo. Por causa disso, sensações latentes desejavam despertar e isso a afligia. Não queria sentir dor nunca mais. Não queria sentir medo da solidão e da perda. Assim como, não queria sofrer novamente e também nas mãos dos homens como sofreu no passado.

Para fazer frente a estes seres, a maioria cruéis e egoístas, teve que se tornar um monstro. Só assim, conseguiu lidar com o mundo frio, perverso e deplorável em que vivia e que enfrentou diariamente ao longo de sua existência.

Afinal, estava sozinha e separada de seus "irmãos", tendo que encarar por si mesma todas as adversidades e crueldades que lhe eram impostas pelos homens em nome do desejo de vingança, poder e glória deles, passando a ser somente um objeto para luta e fonte de poder, nunca sendo vista como um ser com sentimentos e sensações.

Para eles, não passava de uma massa de chakra e portanto, uma ferramenta para batalhas movidas todas, puramente, por orgulho, ódio, vingança, enriquecimento ou desejos falsos de paz e justiça. No fundo, não havia sentimentos nobres, apenas o orgulho escondido pela máscara da dita justiça e paz, que nada mais, nada menos, eram orgulho e vingança em sua essência.

Portanto, não havia nobreza na guerra, não importando os motivos de justiça e paz, que nada mais eram do que torpes. Guerra era guerra e nada mudava a sua verdadeira essência e consequências. Ela sabia disso, embora muitos fizessem crer que uma batalha pela justiça e paz era algo nobre e bem-vindo.

Era na verdade, meramente, uma propaganda falsa, idealista, além de uma visão equivocada que ocultava o que de fato sentia e o que movia aquele que era o causador inicial do conflito. Guerra nada mais gerava do que dor, sofrimento e vingança, fora ódio. Era algo sórdido não importando as razões, assim como criava "monstros" oriundos do sofrimento.

Ela sabia disso, pois passou por várias guerras, presenciou as batalhas e conheceu o desfecho, além de testemunhar o que surgira delas. Conhecera a face dos homens para o mal, a maioria esmagadora, assim como os escassos para o bem, pois, havia exceções à regra e seu jinchuuriki era um, senão o maior de todos, se fosse analisado o coração nobre e puro dele.

O que elas trouxeram ao mundo, mesmo as cujos motivos eram a dita paz, foram imensos sofrimentos, angústias, dor, pesar e novos "monstros" nascidos do ódio. Era algo imutável.

Estava tão entretida em seus devaneios bem-vindos, já que podia se abster nestes momentos de encarar a população, que não notou um certo loiro que surgia, visivelmente indignado em meio a uma nuvem de fumaça.

As kunochis fingem não vê-lo, enquanto caminhavam com um sorriso no rosto, passando ao lado dele como senão o vissem. Confessavam que se divertiam em vê-lo irritado.

Notando que era ignorado, Naruto ultrapassa ambas e cruza os braços em frente ao tórax.

–Oh! - Karin finge surpresa, assim como a sua amiga - Não sabíamos que havia chegado, Naruto-kun.

Ao ouvir a menção do nome de seu jinchuuriki, Youko ergue a face, saindo de seus pensamentos, aborrecendo-se pelos sentimentos que surgiram quando o viram, porque somente a presença dele a confortava, além de faze- la sentir-se segura e isso a incomodava, ao ponto de sentir-se ofendida, ficando ainda mais irritada por si mesmo, tendo em vista que estes sentimentos a faziam ainda mais fraca do que já se encontrava, segundo a sua perspectiva.

Por mais que tentasse suprimir essas sensações de paz, confiança e segurança, ela não conseguia. Eram fortes em demasia e cada vez mais se intensificavam para o seu completo desespero.

A falsa surpresa delas, faz o loiro ficar ainda mais irritado:

– Isso foi sacanagem! Por que não esperaram, dattebayo?!

– Para quê? - Ino arqueia o cenho - Somos fortes. Claro, não como você, mas, sabemos lutar muito bem e sem contar que estamos na Vila.

– Não sabemos a identidade e muito menos as habilidades dessa pessoa infiltrada na Vila. Lembrem- se que ele conseguiu neutralizar o meu poder e mesmo com três habilidades unidas, ainda conseguiu nos ludibriar.

– Mas, não foi você que disse que não parecia hostil? - Karin questiona, pondo o dedo no queixo, olhando atentamente para o sennin.

Naruto passa a mão na sua cabeça em visível irritação, suspirando depois cansado e falando, ao recobrar a calma:

– Mesmo não tendo o perigo imediato dessa presença... Esqueceram do passado da Youko-chan junto a nós humanos?

Ambas olham para o lado e então, notam o olhar das pessoas para com a raposa. Estavam tão absortas, imaginando a cara que Naruto faria ao descobrir que deu a carteira sem notar, que não repararam nos olhares das pessoas e de que, como Youko devia estar se sentindo frente a isso.

Sentem-se ligeiramente envergonhadas e falam, virando para Youko, que lutava contra a vontade de olhar para o seu jinchuuriki a muito custo:

– Desculpe, Kyuu-chan.

– Nós sentimentos muito, Kyuu-chan, de não termos percebido os olhares.

A bijuu fica pasma frente a desculpa delas, pois não esperava algo assim.

Afinal, nunca em sua vida, tiveram consideração para com ela, sem ser o seu pai, Rikudou Sennin e Naruto, apesar de tudo o que fez contra ele, mesmo quando tentou praticamente mata-lo para evitar ter o seu chakra retirado, além do fato de quase mata-lo também quando era apenas um recém-nascido para não ser selada nele.

Lembrava-se dele pedindo desculpas, não sendo só nessa situação, como em várias outras, enquanto a olhava de uma maneira, que mais ninguém a olhou, a não ser o seu pai. Olhava para ela como um ser vivo e não algo, próximo de uma propriedade, mesmo sabendo que ela era a assassina de seus genitores e motivo de seus infortúnios e sofrimentos quando mais novo, por tê-la selada nele.

A tratava como um ser com sentimentos e isso sempre a desconcertava, embora conseguisse disfarçar pela indiferença e ódio secular que ainda guardava em seu ser, mesmo quando era somente uma raposa, embora sentisse esse ódio diminuir gradativamente.

Porém, não queria que visse a sua vergonhosa fraqueza. Aquilo seria o fim de sua fama e o faria enxergar o seu âmago. Seus temores, receios e sentimentos não esperados de uma bijuu que os mantinha reprimidos para que não a dominassem, embora que ultimamente se tornara uma batalha infrutífera.

Isso sempre a preocupou, principalmente nos últimos dias, conforme convivia diariamente com o seu jinchuuriki de uma maneira que nunca imaginou antes e que soava como surreal á ela, enquanto descobria novas sensações desconcertantes.

– Se esqueceram que eu sou Kyuubi no Youko? - ela pergunta em um tom agressivo, após se recuperar do ato delas - Não sou afetada por seres inferiores... Se pudesse, destruiria essa vila e faria questão de erradica-los deste mundo!

Exclama com ira no olhar e se volta para os aldeões, fazendo um esforço sobre-humano através de seu pouco chakra restante, para dar uma expressão aterrorizante, juntamente com um rosnado feroz, ameaçador e audível, fazendo com isso que muitos fugissem dali temendo por sua vida, instaurando um pânico considerável.

Mas, ela sabia que não conseguiria novamente, pois, se cansou. Apenas, não queria que elas vissem os seus sentimentos mais profundos através de seus olhos.

Naruto suspira cansado, enquanto esfregava a nuca. Ino e Karin se entreolhavam com um olhar triste, pois, ambas já haviam conversado e sabiam que aquilo era uma mentira, pois, a bijuu estava perdendo gradativamente o seu ódio e a raiva secular.

Desconfiavam que era um mecanismo de defesa, segundo as ideias de Ino, já que ela era uma Yamanaka e seu clã se especializou em assuntos relacionados a psique e a comportamento.

Após alguns minutos, Naruto fala, pondo-se ao lado de Youko, que sentiu seu coração se aquecer contra a sua vontade, enquanto ficava emburrada por suas "sensações vergonhosas e patéticas" ao ver dela:

– Aonde é a loja?

Despertando de seus pensamentos, ambas lhe explicam onde é, enquanto caminhavam pelas ruas, com Naruto fazendo os moradores baixarem ou desviarem o olhar, através da irradiação de seu chakra.

O vulto de antes, observa o grupo, enquanto encontra-se escondido em um beco próximo dali.

– É incrível... Mesmo nessa forma, ela ainda não se recorda de sua verdadeira natureza?

– Sim... Amaterasu Oumikami-sama apenas enfraqueceu o selo das memórias dela, antes de Susano no Mikoto-sama retira-la... As recordações devem vir naturalmente e não forçadas. Enquanto isso, predominam as falsas sobre Rikudou Sennin. Ele fez também um excelente trabalho, ao espalhar as mentiras da origem deles, sob ordens da Deusa-mãe da Criação e que recebemos também, não só nós, como os outros. Temos que nos manter calados e nada podemos revelar, a menos que sejamos autorizados a isso. - um outro vulto fala, em cima do ombro dele.

– Considero-me um privilegiado por ter tais informações confidenciais... Afinal, elas colocariam o mundo ninja de ponta-cabeça... E pensar, que Madara nunca conseguiria cumprir os seus planos, pois, suas ideias eram baseadas nas mentiras contadas e escritas por Rikudou Sennin. Nunca o Tsuki no me ( olho da lua) seria completado, mesmo se tivesse os nove.

– Amaterasu Oumikami-sama e Susano no Mikoto-sama confiam no senhor... Por isso, a joia, invisível aos outros, impede o acesso as suas memórias e seus conhecimentos... Todo o cuidado é pouco. A Deusa mãe conhece as suas criações com exatidão e sabe o que pode se esperar delas.

– Tsukiomi no Mikoto-sama não reveu a sua posição?

– Não... Ele prefere permanecer alheio. Já deu a sua condenação e não pode intrometer-se no que está senda feito... Isso foi um acordo realizado quando foram criados os seres vivos, como você sabe agora. Cada um com sua condenação ou salvação no julgamento que fazem, individualmente.

– Pelo visto, ele é teimoso demais...

Nisso, o céu fecha e trovoadas violentas ecoam além do horizonte por alguns minutos, até que silenciam-se, enquanto ele começava a suar frio por suas palavras de outrora.

– Enlouqueceu?! - o outro vulto ao lado exclama em uma mescla de indignação e medo.

– Não pensei na hora... - fala sem graça.

Na Dimensão Divina, mais precisamente no imenso e luxuoso pátio do magnífico Castelo Divino, uma raposa enorme, alva e felpuda de 18 caudas, olhava indignada com seus orbes azuis como céu, o seu esposo e também irmão à sua frente, já que sugiram de um único ser de 36 caudas que criou o universo e consequentemente o tempo e espaço.

A outra raposa, uma cópia em aparência da que chegou, brilha intensamente, enquanto assumia uma forma semelhante a humana com orelhas e 18 caudas felpudas, trajando roupas nobres e imponentes, perguntando, levemente indignado:

– Estás olhando para este Tsukiomi?

– Para quem mais, esta Amaterasu olharia? - a imensa raposa, também assume uma forma semelhante a humana dele com orelhas e 18 caudas, após o seu corpo imenso refulgir, fora o fato de trajar uma vestimenta tão nobre e imponente como a dele.

– Aquele humano está insolente. - fala simplesmente, enquanto caminha para dentro do palácio.

– Não é "aquele humano"... E sim, um de nossos filhos. Quando irás largar teu pensamento acerca dos seres que criamos? - pergunta indignada com as mãos na cintura.

– Porque perguntais? - arqueia o cenho - Já fazem milhares de anos que este Tsukiomi pensa assim... Tal pergunta é um despautério.

Nisso, dando as costas á ela, entra no palácio, enquanto ao mesmo tempo, Susano no Mikoto surge em um flash ao lado de sua genitora que suspirava cansada, enquanto colocava os dois dedos em suas têmporas, as massageando.

– Senti a pertubação no espaço... Foi chichi-uê, né? - pergunta mais em tom de confirmação do que interrogação.

– Tsukiomi não mudará sua visão tacanha e limitada.

– Não és novidade... - a jovem Deusa fala olhando para a mãe.

– Esta Amaterasu esqueceu-se que foi a motivadora para criar seres vivos... Por Tsukiomi, nesse mundo só teria plantas e alguns animais... - nisso, a Deusa olha para a filha e para os lados.

Antes que pronunciasse algo, ela ou Susano, dois flashs surgem ao mesmo tempo, revelando duas crianças, gêmeos idênticos. Uma menina e um menino, ambos com orelhas e 18 caudas felpudas, além de cabelos alvos e olhos azuis, roupas majestosas como seus pais e irmãos, tendo em seus rostos um sorriso idêntico, que fez a irmã mais velha e a genitora arquearem o cenho.

– Porque olhais assim, Haha-uê e anee-uê? - a menina pergunta, fingindo tristeza. ( uê- acima, para objetos ou parentes, como sufixo, indicando que este está acima dele/a)

– Sempre pensais mal. - o menino fala fingindo indignação.

Susano balança a cabeça para os lados, enquanto Amaterasu suspira cansada, pois conhecia todos os seus filhos como a palma da mão, além de que, nada que faziam passava despercebido para ela e seu esposo.

– Vós sabeis que nada podem ocultar de sua haha-uê e chichi-uê...- olhava preocupada para eles.

Os gêmeos se entreolham preocupados, pois se esqueceram desse pequeno detalhe, enquanto sentem o poder divino do pai insuflar, ao saber o que fizeram.

Suas orelhas ficam abaixadas e a face cabisbaixa, enquanto se dirigem relutantemente ao palácio com a sua mãe e irmã mais velha junto deles. Todos se preparavam para uma longa batalha oral que se sucederia.

Na Vila da Aliança, Naruto, Ino, Karin e Youko chegam na loja e logo que entram, as atendentes sorriem, até ver a raposa e nisso, fecham a face e olham assustadoramente frio para a Kyuubi, que não notou, por olhar em volta maravilhada, não escondendo sua surpresa e visível alegria de conhecer uma loja por dentro.

Antes que notasse, o sannin olha de maneira irada para as atendentes, que se encolhem, enquanto ele fala:

– Não são obrigadas a atenderem... Se quiser, podem voltar a conversar no balcão. Porém, ocultem os seus olhares, entenderam?

Elas consentem com a cabeça, se retirando dali, visivelmente indignadas pelo tratamento dispensado à elas por causa da raposa.

– Uau! Isso que chamo de intimidação. - Ino fala surpresa, já puxando Youko pela mão, agora olhando para ela - Vamos, Kyuu-chan? Você não viu nada ainda. Nós três vamos comprar roupa. Afinal, qual a graça de entrar em uma loja linda como essa e sair sem comprar nada para nós três?

– Naruto, fique sentado lá, quietinho, entendeu? - Karin fala, olhando o loiro com os olhos entrecerrados - Se ousar espiar, deve imaginar o que o meu Hibiki e o Gaara farão, né? - pergunta com um sorriso que não chegava aos olhos, fazendo Naruto suar frio, ao imaginar a tortura de Hibiki e o caixão do deserto de Gaara.

Enquanto as três se afastavam, os batimentos cardíacos do loiro voltavam ao normal e com isso, ele pôde falar, agora, indignado pela suspeita delas, que ele iria espiona-las.

– Não sou pervertido, dattebayo!

Ino olha para trás e fala:

– Foi discípulo do lendário sannin pervertido Jiraya e tem uma enorme libido. Por que não pensaríamos isso de você?

– Isso não quer dizer que irei espiona-las, dattebayo! - exclama indignado.

– Imagina... Tá... eu acredito... - fala com descrença, enquanto se afasta dele para a seção de peças íntimas, deixando um loiro bufando indignado.

Após alguns minutos, faz selos e invoca 30 Kage Bushins para investigar o local onde sentiu a presença, enquanto torna a sentar no sofá ali perto.

– Ei! Como se coloca essa coisas?

Naruto olha para onde vinha a voz de Youko e fica em transe ao vê-la nua, segurando sutiã e calcinha, enquanto caminha em direção a Ino, que estava de costas, escolhendo algumas roupas, enquanto Karin olhava algumas sandálias próximas dali.

Um pouco antes das duas olharem para Youko, Naruto se recupera da visão e corre até ela, a escudando com o seu corpo, sobre os protestos dela sobre rosnados:

– Idiota! O que está fazendo! Me solte! Não sou um imóvel, retardado! - e nisso começa a xingar de tudo que é nome que conhece e até aqueles que desconhece o significado.

Ele a ignora, enquanto dirige uma aura opressora pelo seu chakra, que juntamente com o seu olhar irado, faz alguns homens que estavam babando pela visão de Youko nua, corressem apavorados, acabando por dispersar uns poucos que haviam parado para ver a cena.

– Hentai!

Uzumaki não tem tempo de virar a cabeça, quando recebe um soco forte que o arremessa com tanta violência, que faz ele quebrar estantes e trincar a parede no fundo, acabando por ficar zonzo, enquanto tentava colocar os pensamentos em ordem, sentindo que ficaria um enorme hematoma na face atingida.

Mexe a mandíbula, verificando que não foi deslocada e nisso, já conseguindo racionalizar corretamente, olha em direção a Youko, com ela sendo afastada por Karin de volta ao provedor com a face visivelmente consternada, enquanto a ruiva lançava um olhar que poderia congelar o inferno, além de Ino o olhar com um olhar assassino que o fez suar frio.

Recuperado da visão assustadora delas, ele pergunta, irado:

– Por que fez isso, dattebayo?!

– Você agarrou a Kyuu-chan nua! Hentai! - Ino aponta irada, com os olhos saltando das órbitas tamanha a sua fúria.

– A Youko-chan saiu nua e tinha pessoas olhando! Eu usei o meu corpo para ocultar o dela! Você sabe como ela é! Ou por acaso, não ouviram ela perguntando algo para vocês, dattebayo?!

Ino fica desconcertada, para depois ficar ligeiramente envergonhada e murmura:

– O que você imagina vendo uma mulher nua e um homem com fama de mulherengo e pervertido, que já deitou com a maioria das kunochis no Acampamento da Aliança e saiu com várias mulheres daqui na Vila, segundo o que soubemos pela Kyuu-chan?

– Apenas curto as coisas boas da vida e só tenho relações se são consensuais! Qual o problema? - levanta-se ainda irritado, enquanto sacudia o pó nas roupas.

– Sua fama o precede, baka. - Karin surge, indignada, olhando o loiro que começava a bufar - E se acalme, pois está aqui na Vila para relaxar... Não quero que tenha um surto. Afinal, nós duas estamos de folga.

– Com vocês duas é algo impossível! Pois, hoje, o dia inteiro, só fui atingido, sendo inocente, além de passar por vários momentos de stress, dattebayo!

– Kyuu-chan precisa de nós e senão é capaz de relaxar, deixe a gente sozinha e vá fazer algo... Vá comer ramen, por exemplo. - Karin fala, enquanto tirava algumas roupas dos provedores - Ino-chan, vamos pegar algumas dessas e deixaremos a Kyuu-chan escolher e hoje, podemos ensina-la a comprar roupas e calçados. O que acha?

A ruiva pergunta à Ino, ignorando completamente o loiro, que após bufar irritado, tenta se acalmar através da meditação.

Horas depois, eles saem da loja, com várias sacolas de roupas e calçados, que eram carregadas pelo Uzumaki e seus clones, sobre protestos iniciais dele, que aumentaram ao saber que, praticamente, o obrigaram a pagar pelos prejuízos, já que Ino e Karin haviam saído, assim como Youko, enquanto conversavam entre si, deixando Naruto para carregar as dezenas de sacolas também.

Só conseguiram isso, pois aproveitaram que ele meditava, para saírem.

Assim, não tendo como cobra-las, teve que pagar os prejuízos, que não eram poucos, sendo o único consolo dele, que foram elas pagaram por suas roupas e calçados.

Porém, o transformaram no carregador delas.

O resultado foi que ele teve que invocar nada menos do que 8 Kage bushins para poder carregar as compras delas e de sua bijuu.

Após uma hora, chegam ao apartamento dele e enquanto os clones de desfazem, após colocar as compras no chão, todos com a face irritada, um jounnin surge dentro do apartamento em uma nuvem de fumaça e se prostra, enquanto fala, olhando para as kunochis.

– A Hokage-sama está convocando Ino-sama e Karin-sama para irem até a tenda dela, discutirem alguns assuntos relativos a alguns pacientes.

– Ainda faltam 12 horas para voltarmos... Que saco. - Karin resmunga, enquanto pega a bolsa.

– Não podemos fazer nada. É um pedido de Tsunade-sama e com certeza é algo sério. Afinal, ela sabia que ainda temos algumas horas de folga... Não nos chamaria por algo que pode ser resolvido amanhã, não acha, Karin-chan?

– Mesmo depois desses anos, não conheço profundamente a Hokage... Mas, por mais irritada que esteja, concordo com você. Ela não parece ser do tipo que chamaria a toa.

– Informe-a que daqui a 2 horas, estaremos na Tenda dela, por favor. - Ino fala gentilmente.

Quando olha para o ninja, vê ele praticamente babando em cima de Youko, que está alheia ao olhar extremamente malicioso do jounnin, enquanto procura algo nas sacolas.

Então, ela vê o shinobi olhar apavorado na direção de Naruto, que está emanando uma áurea tenebrosa, enquanto praticamente fuzila o ninja a sua frente que começa a suar frio, enquanto sem falar nada, apenas consente com a cabeça para Ino, tendo em sua face o pavor, enquanto some rapidamente em uma nuvem de fumaça.

A aura some de Naruto, que suspira cansado, pois, sempre acontecia isso e estava cansado dos outros comerem a sua bijuu com os olhos. Aquilo o enervava, enquanto não compreendia o porque de tanta possesividade. Nem com Haruno era assim. Tinha ciúmes, mas, não nesse grau extremo como tem em relação à Youko.

É tirado de seus devaneios, quando Ino e Karin se despedem dele, falando que a ensinaram a tomar banho e depois a se trocar, além de explicar muitas coisas para ela, para em seguida prometerem que voltariam para ajudar em algo mais.

As kunochis se despedem de Youko e Uzumaki, enquanto pegavam as sacolas, para depois sumirem em uma nuvem de fumaça.

Naruto vai para a cozinha preparar algo, enquanto Youko deita, como sempre, folgadamente no sofá, com as caudas caindo no chão, enquanto pegava um livro dado por Ino, para que lesse, mal sabendo que Naruto teria um choque, algumas horas depois, ao se iterar do tipo de história que o livro tinha.

Na noite seguinte, desanimado pelos seus clones não terem descoberto nada ainda, encontrava-se deitado em sua cama só de bermuda, descansando após treinar na parte da manhã, enquanto Youko lia mais alguns dos livros que Naruto considerava mais indecentes do que os do Jiraya, ele estava pensativo, enquanto recordava-se do achado dos 2 selos complementares que permitiram uma maior liberdade, fora a recordação de ter feito duas imensas crateras profundas e outras menores em um local designado para liberar as suas tensões e que ajudou e muito, a clarear os seus pensamentos e acalma-lo, consideravelmente, além de ter sentido o peso em seus ombros mais leves.

Descobrir que Hanabi estava viva, apesar de tê-la resgatado quase morta e de que, Konohamaru sobreviveu, havia deixando-o feliz, embora tal sensação tenha sido apagada imediatamente ao deparar-se com os seus amigos mortos, assim como os seus outros discípulos, Udon e Moegi.

Naquele momento, deu vazão a imensa tristeza que sentia, enquanto fora obrigado a deixar Konohamaru lidar com a dor dele sozinho, pois ele mesmo não conseguia sequer lidar com a dele, quem diria querer ajudar seu único discípulo sobrevivente e amigo.

Naquele instante, o loiro pôde compreender o que seu pai sentiu ao perder o seu discípulo, Obito e anos mais tarde, Rin.

Após algumas horas, conseguiu superar um pouco a tristeza, terminando de supera-las em sua tenda, ficando surpreso de Youko comer quieta o que ele trouxera e com isso, deixando-o se remoer sozinho com as lembranças das vidas tiradas na guerra até aquele instante e as vidas de muitos que foram, praticamente, viradas ao avesso.

Shino estava bem e seu clã não teve baixas, enquanto que os Hyuugas foram praticamente dizimados, por terem sido um dos alvos mais visados por vários motivos e também porque, a Vila da Aliança Ninja foi invadida por alguns shinobis do Ento tensei e dentre eles, Hyuugas da Bouken, que se dirigiram, praticamente, contra o Souken por um ódio antigo, enquanto que os outros atacavam a população, com muitos acreditando que Kabuto queria, apenas, um pouco de diversão, embora também quisesse dizimar alguns clãs e dentre eles, os Hyuugas, que ainda possuíam muitos indivíduos vivos.

Assim, uniu o útil ao agradável.

Tanto, que os outros ninjas edo-tensei, sem ser Hyuugas, possuíam alguns kekkei genkais que o tornaram oponentes perigosos contra os olhos Hyuugas e suas técnicas, além de outros clãs, que sofreram muitas baixas e outros, que foram até extintos.

Foram contidos a muito custo, porém, o "estrago" já havia sido feito para os Hyuugas, pois, a Souken foi reduzida a apenas Hanabi, já que Hinata morreu na guerra. Nem os conselheiros Hyuugas estavam vivos, pois, alguns Hyuugas do Edo tensei, que nutriam um ódio imenso pela Souken, tiveram o devido "cuidado" de destruir o máximo possível de indivíduos da família principal que conseguissem, principalmente o Conselho Hyuuga, que havia, inutilmente, tentado defender-se.

Kiba sobreviveu e sua irmã, assim como Akamaru. Mas, sua mãe Tsume Inuzuka morreu juntamente com Kuromaru para salvar os filhos da morte. TenTen estava bem, assim como o seu noivo, Neiji, já que ambos por pouco não foram mortos, juntamente com os outros nas Tendas, enquanto estavam se recuperando de alguns ferimentos.

Lee os auxiliou a saírem, mesmo estando ferido graças a determinação herdada de seu sensei Gai, que estava em coma induzido por causa dos ferimentos no corpo, por ter voltado as tendas e salvado o maior número de pessoas possível, graças ao seu Ryuutora, que impediu que o ataque de Sasuke se propagasse para as outras tendas que continham feridos que não podiam ser movidos e por isso, sofreu ferimentos severos.

Mas, o quadro clínico, pelo que Naruto soube encontrava-se estável e provavelmente sobreviveria, já que era muito determinado e persistente.

Para a alegria dele, Kakashi, que todos pensavam estar morto, por ter sido soterrado por madeiras e terra ao salvar acamados do ataque do Sasuke, usando em conjunto seu Mangekyou Sharingan e um jutsu poderoso.

Se o usuário estivesse extremamente ferido ao realizar essa técnica, ele morreria e como o Copy Ninja se encaixava nessa situação fatal no momento do ataque, pensaram que ele estava morto.

Pakkun e os outros cães, fora Akamaru e os cães da irmã de Kiba, ajudaram a revolver a terra e com isso, ficou provado que ele não morreria tão facilmente, surpreendendo a todos. Claro, estava entre a vida e a morte pelo seu quadro instável e grave. Mesmo assim, Naruto, assim como os demais amigos, tinham fé que ele sobreviveria.

E havia mais uma agradável surpresa. Sai estava vivo, sendo que o tinham considerado como morto, já que havia sido diagnosticado erroneamente com morte cerebral, por descobrirem que um iryou-nin trocou os exames dele e de outro paciente. Se seguissem com o laudo trocado, teriam o desconectado dos suportes de vida e Sai acabaria morrendo por causa disso.

Naruto ficou irado, mas, soube que este iryo-nin sofreu uma punição severa de Ino e Tsunade, quase morrendo e sendo socorrido com urgência e que ainda seria punido por seu lapso imperdoável pela Hokage e os demais, quando se recuperasse dos golpes sofridos.

Iruka estava em coma e não havia despertado, Ebisu havia falecido no campo de batalha por falta de iryou-nis.

Com a queda dos iryou-nins por causa do ataque de Sasuke e Sakura, muitos foram movidos da Vila da Aliança em caráter emergencial e com isso, mais, o ataque de Kabuto através de Zetsus e Edo-tensei´s, provocou muitos feridos além de mortes, sobrecarregando os Hospitais que estavam com um número reduzido de iryou-nins para a demanda.

Anko foi encontrada entre a vida e a morte graças aos clones de Naruto e Kabuto aproveitou para fugir. Ela estava em coma e os médicos não tinham muitas esperanças que ela se recuperasse por seu quadro encontrar-se instável.

Chouji morreu protegendo os seus amigos. Somente a mãe e seu irmãozinho, nascido naqueles tempos de guerra estavam vivos na Aliança Shinobi. Ele e o pai lutaram juntos protegendo os amigos com a sua própria vida.

Naruto se surpreendia em como Shikamaru estava lidando, até que razoavelmente bem com a situação, considerando que tinha perdido o seu melhor amigo e praticamente um irmão.

Porém, apesar da fachada, sentia pelo chakra o quanto ele estava alterado, juntamente com o aumento do número de cigarros que passou a fumar para lidar com a situação pesarosa em que se encontrava.

Ino solicitou a mudança dele para a Vila, para se recuperar juntamente com o Naruto, mas, Shikamaru só aceitou, se Temari se recuperasse dos ferimentos que sofreu. A amiga disse-lhe que era passaria algum tempo na Aliança para poder se recuperar e ajudar o noivo. Kankurou iria junto, pois, com o namoro e consequente noivado de Temari com Shikamaru, passou a ser amigo do Nara, ao ver que a sua irmã não desistira de Shikamaru.

Sem opção, se esforçou para se dar bem com o futuro cunhado e agora o ajudaria a lidar com a perda brutal que sofrera.

Se recordando disso tudo, Naruto suspira cansado, enquanto esfregava as têmporas.

De fato, a guerra era terrível e nenhuma era justificada. Mesmo aquelas em nome da "justiça", "paz", somente causavam dor e sofrimentos iguais a qualquer outra. Nenhum motivo justificaria, ainda mais, com a guerra sendo um dos grandes alimentos do ciclo do ódio.

Porém, frente a guerra declarada por Madara, nada podiam fazer, além de enfrenta-lo, a aceitando, já que não tinham outra escolha a não ser lutarem contra o desejo de controle dele. Ou seja, uma escravidão, embora a mente distorcida de Madara não via assim e sim, como a única forma do mundo obter a paz.

Mesmo o derrotando, ainda havia o perigo que o trio de nukennins ofertavam e portanto, enquanto não fossem detidos, poderiam provocar novos conflitos e consequentemente, mais mortes e sofrimentos.

Recordou-se da reunião dos Kages a qual ele, Youko e Bee, fora Tenzou, haviam participado, se surpreendendo em ver que a raposa e Tsunade pareciam haver feito uma trégua considerável, após Youko tentar provocar a Senju e desanimando-se ao ver que suas tentativas eram infrutíferas. Além de que, notou que o olhar dela para com a Kyuubi mudara, não sendo mais um olhar assustadoramente frio e sim, gentil.

Ele havia feito um relatório preciso das descobertas de seus clones, que se desfizeram momentos antes da reunião e que juntamente com os dados colhidos pelas equipes de busca e investigação, descobriram a gravidez de Sakura e os prováveis motivos de sua traição, fora a confirmação da captura da Nibi no Nekomata por parte de Kabuto.

Haviam sido formuladas hipóteses. Porém, sem maiores detalhes de alguns assuntos não podiam ser confirmadas. Apenas supunham quais os planos deles para com a retirada de Nibi e das pesquisas em nível de DNA de Kabuto, cujos parcos vestígios eram incompreensíveis para as equipes de investigação, não conseguindo com isso, fornecer maiores bases para uma formulação mais correta de seus planos.

Na mesma reunião, no final, foi cogitado a vontade dos Kages de que ele se afastasse, ao menos por algum tempo da guerra, para poder relaxar devido a tensão a que estava sendo submetido.

Naruto ri levemente ao se lembrar de como reagiria se fosse antigamente. Com certeza, recusaria e teimaria em continuar lutando.

Mas, ele, atualmente, tinha a visão mais aberta e havia amadurecido. Muito. Sabia que precisava de umas "férias", ainda mais após a conversa com Ino e que também, além de servir para relaxa-lo, o ajudaria a melhorar o relacionamento entre ele e Kyuubi, já que a mesma parecia menos raivosa e agressiva.

Sabia que precisava responder as provocações dela, não com raiva ou dentes cerrados e sim, com carinho e gentileza. Algo, que ela nunca teve ao longo dos séculos. E notava os frutos de seu tratamento, juntamente com o fato de ficar envergonhada com certas situações, conforme adquiria lentamente o "senso-comum", auxiliada pela presença de Ino e algumas vezes de Karin, que a ensinavam certas coisas, que somente uma outra mulher poderia ensinar

Com a casa imensa e tendo 3 quartos, ela deixou Youko escolher um para ela, enquanto ele se deitava em um outro, por não confiar em si mesmo. Julgava não ser capaz de se conter efetivamente e temia acabar machucando-a ou assustando-a e isso não era uma alternativa considerável, pois não queria perder os avanços que conseguira e também, pensava no fato dela desconhecer o que era sexo e outros assuntos mais íntimos, porque Ino e Karin não se aprofundaram nisso, pelo que soube.

Não arriscaria tudo o que conquistou por apenas satisfação sexual.

Não negava que sentia-se atraído por ela e que muitas vezes pegava-se pensando nela em diversas situações, até quando meditava. Também não julgava ser só desejo, assim como não sendo só paixão. Se inclinava com os dias a considerar seus sentimentos próximos do amor. Porém, gostaria de ter maior certeza se de fato era amor o que sentia por ela.

Afinal, por mais que soubesse que era uma raposa, não conseguia vê-la assim, uma vez que o fato dela ficar na forma semelhante a humana, contribuía para como a via e também, sabia que havia confundido o sentimento de carinho e gratidão por Sakura pelo amor. Precisava ter certeza de seus sentimentos e até aí, parecia estar "pisando em ovos", onde todo o cuidado era pouco.

Afinal, não queria magoa-la.

Somente confundira seus sentimentos pela rosada, pois em sua infância sofrida, ela foi a primeira criança a conversar com ele, não o evitando e inclusive, brincava escondida com o loiro. Por isso, ela foi um dos primeiros laço de amizade.

Por enquanto, para controlar o imenso desejo que o assaltava, sempre que estava próximo dela, buscava companhia feminina e após o prazer, passava a ser assolado pela culpa ao se recordar, recentemente, dos olhares novos e inéditos da Kyuubi, que estampava uma imensa tristeza toda a vez que o via no dia seguinte e que demorava para passar.

Nesses momentos, ela ficava muito sensível e agressiva, sendo preciso uma enorme paciência por parte dele, que era ampliada pela sensação de tristeza e culpa, ao recordar-se do motivo de seu olhar entristecido.

Seu único alento é que fazia isso para acabar não perdendo o controle e fazer uma besteira com a raposa. Fora que, não era sempre e somente recorria se precisasse e muito. Não conseguia suportar o olhar dela, juntamente com as orelhas e caudas abaixadas, cada vez que ele voltava de uma noite de idílio com uma mulher ou várias, sendo facilitado pela fama dele, já que muitas se jogavam, praticamente, em cima dele por causa disso, embora fosse tido pelas mulheres como um dos homens mais bonitos que existiam.

Nas outras vezes, quando era um pouco mais suportável, tomava banhos de água fria para diminuir a sua libido, apenas para não ver Youko entristecida.

Naquele momento, Youko encontrava-se no banho lavando as suas caudas uma por uma, sentada em um banquinho, para depois retirar a espuma e poder apreciar a banheira para relaxar e dar margem as suas divagações dos últimos dias de convivência com o seu jinchuuriki.

De fato, após vinte minutos, ela entra na imensa banheira, deixando metade de suas caudas para fora, enquanto deitava em cima das mesmas, inclinando a cabeça, tentando compreender o turbilhão de pensamentos que a assaltavam, enquanto estava com Naruto e inclusive quando pegava-se pensando nele várias vezes ao dia.

Por mais que tentasse não se sentir frustada, não conseguia. Apenas era uma gota frente as demais sensações, que inclusive a confundiam e mesmo os sentimentos não sendo mais novos, ainda não conseguia discernir o que queriam dizer.

A complexidade deles, só se elevou a um novo sentimento que surgiu, quando viu o loiro sair com uma das "amigas" dele e voltar no dia seguinte com vários cheiros diferentes, fora o da mulher.

Isso a irritava por algum motivo, sem saber o porque disso ou do que ele fazia.

Perguntara, mas, não obtinha respostas e este desconversava, falando outros assuntos e a confundindo ainda mais. Só sabia que quando o questionava, ele nunca a olhava nos olhos.

Inclusive, chegou a sentir o cheiro da Mizukage com ele, embora não tenha visto e nem sentido a Kage. Mas, sabia que eles se encontraram e que Naruto sempre voltava das saídas dele, encharcado, como se tentasse dissipar os odores.

Porém, notava que cada vez que ele voltava, sentia uma dor incessante em seu coração, cuja intensidade aumentava gradativamente, enquanto sentia uma certa mágoa envolve-la. Antes, era quase insignificante.

Nesses momentos sentia-se imensamente frustrada e irada por não compreender o que se passava com ela e desejava ter algum meio de saber.

Assim fica por horas, devaneando sobre diversos acontecimentos, até que se levanta da banheira, cansada de ficar dando voltas infrutíferas em sua mente, tentando discernir e compreender tais sentimentos que a assolavam com uma plenitude que, inclusive, a assustou diversas vezes.

Sacode o corpo respingando água nas paredes, antes de enrolar uma toalha e a outra na cabeça, sendo técnicas aprendidas com Ino e Karin, que a ensinaram muitas coisas. Já, sacudir o corpo, principalmente as caudas e cabelos, era um hábito seu, uma vez que era na verdade uma raposa e não humana.

Sabia que certos hábitos não seriam mudados. Ao menos, não tão cedo.

Sai do banheiro e se dirige ao seu quarto para se trocar, não resistindo a vontade súbita de ver Naruto, principalmente quase sem roupas.

Embora não compreendia o que se passava por essas vontades incompreensíveis de fazer isso e quando fazia, os batimentos cardíacos aceleravam, fora o frio na espinha e boca seca, enquanto lhe custava desviar o olhar. Sentia-se estranho, fora as sensações em certas partes de seu corpo que não compreendia, embora nutrisse esperança que algum dia entender tudo o que se passava com ela.

Após observar que estava acordado, através de uma fresta na porta, ficando longos minutos ali, consegue sair da espécie de hipnose que se encontrava e se dirige ao seu quarto, fechando a porta e jogando a toalha de corpo em cima da cama, enquanto abria as portas do armário que revelavam várias roupas.

Se recordava dele juntamente com Ino e Karin levando-a na loja para poder comprar roupas e peças íntimas. Lembrava-se de Naruto a defendendo frente as vendedoras, que demonstravam pavor e raiva para com ela, assim como as pessoas da rua, que abaixavam a cabeça ao sentir o chakra irado de Naruto e seu olhar mortal.

Neste dia ficou estranhamente feliz ao ver que seu jinchuuriki não se afastaria dela. Por algum motivo, sentia-se segura junto dele, sendo esta mais uma das sensações novas para a mesma que fulminavam numa necessidade ainda maior de ficar junto dele.

Enquanto se vestia, gostava de recordar, embora uma fração dela ainda se rebelasse frente a estas sensações, dos passeios juntos, e inclusive comendo ramen, muitas vezes com Youko surpreendida de Teuchi e Shizune não terem o mesmo olhar para com ela, que os demais moradores possuíam.

Estranhamente, Naruto dava forças para ela aguentar os olhares assustadoramente frios, enquanto ele mesmo procurava fazer as pessoas baixarem o olhar.

Naqueles instantes, podia sentir ainda mais, o que ele sofreu quando criança e não pôde deixar de sentir o seu coração se restringir, conforme recordava-se do sofrimento dele e não podendo reter também, a recordação de que ela matara os seus pais.

Embora Minato fosse morrer pelo kinjutsu, ela encurtou a sua vida, além de tira-lhe a mãe também. Aquilo, ainda a fazia sentir-se triste muitas vezes, não conseguindo refrear essa recordação mesmo com Naruto a perdoando.

Não compreende porque sente-se culpada e triste. Perguntava-se quando ela deixara de ser a temível Kyuubi no Youko. Perguntava-se desde quando parecia uma raposa adestrada e com consciência.

Afinal, ela era uma criatura feita de chakra e que vivera por séculos, observando o quanto os humanos podiam ser bons, a minoria, assim como cruéis, que eram a maioria esmagadora e se tornando a personificação do mal e do ódio desse grupo dominante. Custava a acreditar, que agora conhecia o pesar, a culpa e a tristeza. Tentava ficar irada pelo rumo que seus sentimentos tomavam, que eram contra o que desejava na profundeza de seu âmago.

Em seu íntimo, esse desejo era como uma gota em um mar tempestuoso, pois os sentimentos dominantes a faziam ir em frente, ofertando as mudanças que até há pouco tempo atrás a fariam sentir asco. Temia estar se tornando um animal adestrado como Hachibi e isso ainda conseguia irrita-la, embora fosse muito levemente, apesar de tudo o que se recordara de pregar em seu passado como uma raposa gigantesca de nove caudas.

Sacode a cabeça para os lados, desejando dispersar esses pensamentos, enquanto penteava os seus longos cabelos e os prendia em um rabo baixo, para não ficarem esvoaçando demais.

Sai do quarto, trajando um vestido azul florido de alças e rodado, que se estendia até o tornozelo, pois Naruto havia rejeitado um que chegava até o joelho e por sua vez, por algum motivo, ela gostava de vestidos longos que lembravam o tamanho de kimonos, além de calçar uma rasteirinha e um pequeno short colante abaixo da saia, por causa de suas caudas que podiam se levantar demais, acabando por elevar em demasia o vestido.

Fora a orientação de Ino e Karin, embora não compreendesse muito bem a explicação, pelo fato das sensações e pensamentos humanos, principalmente as dos machos, serem tão confusos á ela.

Mas, por algum motivo, algo lhe dizia que devia continuar usando algo por baixo, além da peça íntima. Não dizer. Youko confessava que era mais como uma sensação, assim como quando dormia e memórias fugazes galopavam velozmente em sua mente, embora acreditasse serem sonhos, algo que soava um tanto surreal, já que não se imaginava capaz de sonhar devido a sua verdadeira natureza e por consequência não conseguia acreditar piamente se tratar apenas disso.

Novamente, uma estranha sensação, praticamente latente, fazia ela se inclinar para que esses flashes difusos e aparentemente incoerentes, fossem lembranças há muito perdidas por mais surreal que soasse.

Se lembrava muito bem dela reunida, juntamente com os outros, todos filhotes, recém-criados em volta de Rikudou, ouvindo ele comentar que um dia, após sofrimentos, alguém surgiria para orienta-los.

Ao repensar nas palavras dele, assim como o seu verdadeiro nome, não conseguia deixar de associar ao Naruto, pois, ele, estranhamento, de uma certa maneira, o fazia lembrar daquele que tinha como pai.

Afinal, ela e os demais ganharam aquelas formas, quando o chakra imenso do Juubi foi dividido, embora não se lembre como era quando todos eram um único ser.

Achava estranho aquilo, o fato de não se lembrar. Porém, após séculos, deixou de pensar nisso ao perceber que não a levaria a nenhum lugar.

Afinal, devia haver algum motivo para isso, segundo o que pensava.

Após alguns dias, acredita em uma hipótese que lhe parecia absurda, pelo menos de início. Seria que seu jinchuuriki era aquele que guiaria todos eles?

Aquela era uma das indagações que ecoavam em sua mente, mas, não ousaria falar ao Naruto. Tanto, que nem ao menos contou-lhe seu verdadeiro nome, Kurama e não sabia o porquê.

Mas, como eram muitas coisas que a assolavam, principalmente a nível de sentimentos, achou melhor dissipar, ao menos por enquanto, até que descobrisse o que se passava com ela, quando estava com o seu jinchuuriki, principalmente após todos esses dias de convivência, assim quando ganhou uma forma humana.

Andando pelo corredor, cede a sua vontade de ver Naruto, novamente, notando que agora parecia adormecido, embora fosse perto das 18 horas.

Abre a porta lentamente, enquanto sentia-se estranhamente tentada a se aproximar dele.

Após chegar perto, senta na beirada da cama, ainda observando-o atentamente, enquanto seus olhos viajavam do rosto pelo corpo dele, amaldiçoando-se após alguns minutos pelo seu comportamento estranho, sendo, que logo depois dessa repreensão, ela foi substituída por uma vontade irracional de toca-lo.

No final, no conflito mental em que se encontrava, a parte que desejava toca-lo ganhou e portanto, levou as suas mãos pequenas e delicadas ao tórax másculo, acariciando-o, enquanto sentia as reentrâncias dos músculos, sendo tomada por um intenso rubor e calor que se apoderava dela, juntamente com o coração descompassado e a boca seca.

Um vulto se aproximava da casa de Naruto, enquanto encontrava-se oculto pelas sombras.

Considerava que a defesa da Aliança era muito boa e só não merecia a nota máxima, porque ele conseguira entrar. Se bem, que como fora ele que entrou, não podia ser tão rigoroso assim em sua avaliação.

Enquanto pensava nisso, esperava ajuda para poder lidar com o Naruto, pois, não podia sozinho e a situação era complicada demais, ainda mais se tratando da situação em si, que para muitos soaria como surreal.

No quarto de Naruto, ela estava tentando conter a excitação de suas caudas, enquanto sua mente racional lutava para recobrar o controle, demonstrando ser quase uma batalha perdida contra os sentimentos antagônicos que a dominavam naquele momento.

Sentiu um desejo súbito de inclinar-se e aproximar seu rosto ao do loiro, cuja respiração compassada revelava que, de fato, adormecera.

Se lembrava de um dos passeios deles, á noite, quando tinha menos olhares, de ter visto um casal com o homem deitado e a mulher aproximando seu rosto do dele e o beijando, com este retribuindo em seguida.

Umidece os lábios com a língua, enquanto sente esse desejo suplantar o seu lado racional, quando ouviu que ele murmurava o seu nome em meio aos sonhos. Sentiu uma imensa emoção toma-la e desejos estranhos a preencherem, além da curiosidade nata por aquele gesto se mostrar extremamente forte.

Após alguns minutos, podia sentir o hálito dele em sua face delicada e por fim, após entregar-se as sensações que a tomavam com ímpeto, encosta os seus lábios no dele, que abre os olhos em uma fresta, ainda sonolento.

Youko começa a separar os seus lábios, quando ele coloca sua mão na nuca e a puxa para baixo, fazendo o corpo dela deitar sobre o dele, depositando a outra mão nas costas delicadas, enquanto a beijava e a preparava para uma aprofundação inédita para a mesma com a língua.

Estava confusa, enquanto era arrebatada pela sensação dele aprofundando o beijo, a deixando sem fôlego, enquanto sentia a mente esmaecer, entregue completamente as sensações que faziam seu corpo se sentir estranho, mas, nem por isso, sendo desagradável, por mais que sentisse um estranho tremor por todo o corpo, frente aos toques dele.

Sentia as mãos másculas acariciando possessivamente as suas costas, enquanto ela apoiava as suas mãos no ombro dele, apertando a pele, no intuito de aliviar as sensações que a tomavam com ímpeto, impedindo-a de racionalizar, enquanto entregava-se por completo, sentindo os lábios dele em seu pescoço e colo.

De repente, se surpreende quando Naruto inverte as posições e vê o brilho intenso e malicioso dele para com ela, que para a mesma era desconhecido, fazendo-a se ruborizar e vibrar o seu coração, antes dele retornar a tomar possesivamente os lábios delicados e em seguida, mordiscar e beijar a pele acetinada do pescoço e do colo.

A raposa se contorcia, enquanto sentia as mãos fortes e másculas percorrerem o seu corpo por cima do vestido e inclusive, começando a acariciar os seios por cima da roupa, arrancando gemidos dela, que somente atiçavam o loiro, enquanto sentia um leve incômodo abaixo do ventre e os seios estranhamente pesados.

Porém, ela sente um cheiro familiar e arregala os olhos, não acreditando que o dono desse odor se encontrasse ali, enquanto Naruto abria os olhos, estarrecido ao sentir o chakra familiar, para depois notar que suas mãos estavam nos seios de Youko por cima do vestido, enquanto ela estava abraçada nele.

Ambos piscam por alguns instantes, para depois corarem, principalmente a raposa que se afasta rapidamente para a outra ponta da espaçosa cama, com Naruto saindo em um piscar de olhos de cima dela, que ao mesmo tempo, praticamente pulava da cama, ofegante, assim como ele.

Então, se recordando do que os despertara do momento de entrega, ambos se voltam para a direção de onde ficava a porta de entrada, no andar abaixo deles.

O loiro se troca rapidamente, enquanto Youko ajeita o vestido.

Porém, o sannin sente que alguém iria aparecer no quarto, instantes antes do visitante inesperado aparecer em meio a uma nuvem de fumaça e então, rapidamente, cria clones que fazem sequências complexas de selo, assim como ele, que passa a escudar Youko por trás dele ao mesmo tempo.

A raposa não gostava de lembrar o quanto estava fraca por causa do seu chakra estar lacrado em Naruto, embora que a sensação de proteção, por algum motivo desconhecido á ela, aquecia o seu coração.

Por instinto, alguns clones avançam na fumaça, enquanto outros continuavam preparando os selos.