Esperando a primavera – parte II
.
.
.
Sinopse: Não quero lhe fazer falsas promessas, e por isso ainda estou em busca da verdade. O que sei é o seguinte: eu penso nela o tempo todo. SasuSaku. Sasuke point of view.
.
.
Disclaimer: Naruto pertence a Kishimoto e o trecho da musica "My kind of love" pertence à Emeli Sande.
.
.
"Não posso comprar o seu amor, nem mesmo quero tentar.
Às vezes a verdade não vai fazer te feliz e eu ainda assim não vou mentir.
Eu sei que estou longe de ser perfeito, nada como seus amigos. Eu não posso te conceder desejos. Eu não vou prometer-lhe as estrelas.
Mas nunca questione se o meu coração bate somente por você."
.
.
Existe alguma dimensão para os sentimentos?
Eu gostaria de poder medir e classificar para poder entender. Fracassei. Sentimento não se mede e não se entende, é o que me disseram durante minha viagem. Varias vezes.
Eu só queria entender, é tudo tão novo pra mim. Eu queria dizer que me sinto vazio porque a ausência é uma coisa com a qual eu sei lidar. Não é vazio, não é ausência, mas é falta de alguma coisa ou alguém ou uma coisa que alguém fez ou vai fazer. Eu não sei dizer. Só sei que sinto falta do que não sei explicar.
O que sei é o seguinte: eu penso nela o tempo todo. Quer dizer, eu penso em muitas coisas, mas tudo acaba nela no final da linha, não posso evitar. Na verdade eu a evito, muito. Não sei o que fazer, não sei o que ela espera de mim. Queria que ela morasse em baixo do meu casaco para saber que ela está protegida de tudo, mas sei que não é assim que as coisas funcionam. Eu quero dizer pra ela que eu gosto dela, muito, muito mesmo. Mas eu só sei agradecer. Que outra coisa eu falaria para ela?
Estou voltando, sem respostas para todas essas perguntas. Falhei porque me cansei de procurar longe o que eu quero do meu lado. Queria ser como Naruto, resolvido, direto, seguro do que quer. Mas não sou, finjo estoicidade como ninguém e por dentro estou frágil e aberto como uma criança solta na rua. Eu tenho uma grande chance em minhas mãos, posso reescrever minha historia. Poucos tiveram esse privilegio e eu sei que não o mereço. Eles merecem, aqueles todos que me trouxeram até aqui. Se Kami realmente existir, talvez esse seja o modo dele dizer, é por eles, não por você. Você é apenas um bastardo sortudo.
E então foi assim que resolvi voltar, porque decidi que o ultimo dos meus dilemas não se resolveria numa jornada de redenção e sim na descoberta de mim mesmo, dessa parte em especial.
Ela era ela e sempre será ela. Eu a conheço e ao mesmo tempo não. Isso me entristece, eu queria poder fazer parte da vida dela e saber tudo, mesmo fingindo que não me importo porque é esse o tipo de idiota que eu sou.
Cheguei nos portões de Konoha e estou com medo. É isso, estou com medo, mas disfarço as aparências como ninguém. Nenhuma pessoa precisa saber que eu sou fraco, afinal elas já sabem o quanto fui egoísta.
Procurei o chakra dela e isso foi me guiando pelos telhados. Em menos de 5 minutos da minha chegada eu já estava na porta do apartamento da Sakura. E aparentemente nada adiantou ser tão rápido porque não consigo bater na porta. O que eu vou dizer, "voltei"? Simples assim? Oh Kami, porque isso é tão difícil?
Ouvi barulhos através da porta. Que ótima ideia ter mascarado meu chakra, ainda posso ir embora e voltar outro dia. Mais barulhos. Fico tão angustiado que isso finalmente me faz entrar. Fico com raiva dela porque a tranca foi fácil demais de abrir, mas ai me lembro que ela é uma excepcional kunoichi, que ela tem uma força sobre-humana e que só entrariam aqui sorrateiramente pessoas desavisadas ou idiotas. Eu era o segundo tipo.
A sala estava em penumbra, uma parte do piso estava quebrada. Eu esperava que a casa dela cheirasse cerejeiras e fosse toda cor de rosa. Não era. Eu realmente não a conheço. No corredor uma luz acesa e a origem dos barulhos. O que ela está fazendo? O chakra dela oscila muito e eu começo a me preocupar de verdade, a pensar que outro idiota teria entrado aqui e feito alguma coisa ruim. O modo vingador se ativa e eu tento me acalmar, não foi por isso que fiquei tanto tempo fora? Tudo bem.
Sakura sai do quarto e eu me escondo nas sombras do cômodo sem luz. Não adianta. Um segundo depois ela tenta me acertar e foi preciso muita força na hora e no lugar certo pra ela não me matar sem querer.
Mas ela me mata mesmo assim, só com aquele olhar triste. A dor de ver ela assim me desconcerta. Se eu não sabia o que fazer antes, com uma Sakura sorridente e sagaz que eu supostamente conhecia, agora vendo ela assim eu sei que não tenho qualquer estrutura para lidar com isso. Droga, eu devia ter me preparado, eu devia ter vindo um outro dia, um outro tempo quem sabe. Demorei anos pra lidar com a minha dor e achava que agora eu tinha evoluído. Ledo engano, eu não sabia nada da vida. Nada.
A mão dela era quente e eu não quero soltar. O rosto lindo dela marcado por lagrimas, os olhos vermelhos e os lábios inchados. Tão linda que doía. Eu sabia que era por minha causa que ela estava chorando, eu a vi chorar muitas vezes. Contudo, dessa vez foi diferente, havia tanta raiva no seu olhar. Aquela raiva que eu conhecia tão bem.
Sinceramente, eu não sei se já disse, mas não sei o que fazer. Então eu espero. Ela vai reagir e vou tentar entender fingindo que tudo sei. E ela reagiu. Dando um tapa na minha cara.
Eu mereço esse tapa, meu orgulho grita.
Você não a merece, minha cabeça corrige.
Você a ama, meu coração completa.
E aqui está a solução de tudo que eu venho tentando entender por dois anos longe dela. A constatação me faz sentir idiota (mais) porque sempre esteve ali e eu não quis ver. Eu a amo. Acho que se ela me cobrisse de socos nesse momento talvez eu a amasse mais, porque com a dor eu sei lidar. Mas aqui, neste ponto, depois de descobrir que a amava, não se tratava mais de mim, do que eu queria e do que eu sabia. Agora tudo era ela e dela.
Fiz o que a muito quis fazer, mas neguei e neguei porque eu sou quem sou. Eu a abracei. Senti ela desabar em lágrimas enquanto sentia seu perfume cítrico e sorri, porque tínhamos quase o mesmo perfume. Alguma coisa em comum afinal.
Queria dizer coisas que a reconfortassem, queria dizer que estarei aqui pra sempre e que lhe daria as estrelas. Mas se uma coisa eu aprendi nessa minha vida maldita era que a verdade, mesmo que doesse, era melhor do que qualquer promessa.
Decidido a parar de negar o que eu sentia a beijei sem pedir permissão, fazendo o caminho que minha boca alcançava dentro do abraço. Eu não queria soltar.
"Estou em casa, Sakura", eu disse e eu estava porque ali era o meu lugar. Ficamos assim por muito tempo ate que ela se acalmasse.
Eu queria pedir perdão mil vezes ate que ela sorrisse, e agradece-la até que se entediasse, mas até mesmo eu cansei desse discurso. Resolvi deixar que minha presença falasse por si enquanto eu ainda não sabia as palavras certas.
Ela parecia exausta então a peguei no colo, não pesava nada. Como alguém tão magro podia ter a força que ela tinha? O quarto estava um caos. Voltei para a sala porque eu me recuso a soltá-la mesmo que seja para arrumar o lugar que ela vai dormir. A deito no sofá, com sua cabeça em meu colo e coloco meu manto sobre ela.
Alguém poderia pensar que dormir no sofá pode ser desconfortável, que eu deveria aproveitar o momento e dar vida as fantasias profanas que já tive com ela quando adolescente, ou, talvez, que eu devesse fazer um espalhafatoso pedido de casamento. Um dia quem sabe eu farei tudo isso, mas o que sei agora, com ela tão perto de mim, é que minha existência está completa e isso me basta.
.
.
.
N/A:
Bom, essa foi uma tentativa de continuar a fic, em meia hora saiu quase tudo, mas fiquei pensando se postava ou não. Espero que gostem! Um beijão pra todas as gatas do wpp s2
Ah, e o perfume cítrico foi porque eu cansei do clichê cereja x amadeirado
