Notas da Autora
Ryuushin encontra-se preocupado com as suas lembranças de antes do orfanato, pois, para ele, pode mudar tudo o que ele pensava sobre si...
O jovem médico encontra-se sobre perigo de vida ao deparar-se com...
Capítulo 5 - Ataque
Mais tarde, Ryuushin encontrava-se sentado em um confortável zabuton no meio da sala de tatame, observando o lago cristalino com carpas rodeado de pedrinhas a sua volta, tendo próximo dali um pedaço de bambu preso em uma armação, que quando se chocava com uma pedra produzia um som harmonioso.
Via árvores de sakuras em torno do doujo amplo e espaçoso. Era um lugar próprio para meditações e ele estava tentando meditar.
Porém, as descobertas e recordações fracionadas de sua infância afligiam a sua mente e lhe desconcertava, não conseguindo faze-lo alcançar a paz. A prova disso, era o fato de nunca te ido tão mal em uma aula como foi naquele dia.
Estava tão compenetrado em suas divagações contra a sua vontade, que não ouviu a porta de fussuma ser aberta e um senhor entrar na área do tatame, pegando um zabuton e sentando ao lado de seu aluno, olhando-o atentamente, antes de se servir do chá que sua filha trouxera alguns minutos antes.
Vira um pouco do líquido em uma xícara fina de porcelana, antes de sorver e apreciar, enquanto passava a olhar o céu, cujo entardecer despontava no horizonte.
O barulho da xícara sendo depositada no pires, desperta Ryuushin de seus pensamentos, fazendo-o surpreender-se pelo seu mestre estar ao seu lado, sem sequer ter percebido.
– Encontrava-se distraído, jovem aluno. Estou ao seu lado já faz algum tempo.
– Sim, sensei. Isso é inadmissível. Eu devia estar meditando, porém... - ele pega um xícara e derrama um pouco de chá dentro do recipiente.
– Porém, seus pensamentos não lhe dão trégua. Estou certo? - o mestre torna a beber mais um pouco de chá, segurando a xícara com ambas as mãos.
– Sim. Ultimamente, descobri muitas coisas sobre o meu passado. Formulei hipóteses inquietantes... Temo que tudo o que sei sobre mim, seja mentira. - ele fala em tom quase exasperado, após sorver um gole do liquído quente.
– De fato. Qualquer um se sentiria assim. Viveu a vida de uma maneira, viveu-a como esperava que fosse e agora, descobre que talvez tudo isso seja um engano. - o senhor fala pensativo, enquanto deposita a xícara na bandeja.
– O senhor acertou. Temo que tudo o que vivi seja mentira. Sinto, agora, que talvez meu lugar não seja aqui. Contei ao senhor sobre ser adotado e o véu que oculta as minhas lembranças de antes do orfanato.
– Sim... Então, pensas que tudo o que viveu seja uma mentira? Uma ilusão, por assim dizer? Afinal, falaste que não sentia mais que pertencia a esse lugar, por assim dizer.
– Antes, conseguia ocultar. Afinal, minha vida é agitada e poucos dias encontro-me tranquilo. Aqui é um dos poucos lugares que tenho tempo de analisar meus pensamentos e agora que consigo fazer isso, confesso que me assusto.
O mestre levanta e caminha até lá fora, seguido por Ryuushin, retirando um pequeno saquinho de petiscos para carpas e se posiciona em frente ao lago e fala, ao pegar um punhado na mão e atira-lo, provocando ondulações na água.
– Veja, jovem aluno. Sua mente encontra-se assim... Tumultuada de pensamentos que o impedem de enxergar o que realmente importa.
Nisso, quando as ondulações da água diminuem, viam melhor as carpas que nadavam afoitas para se alimentar dos petiscos e inclusive o fundo do lago.
– Veja o fundo. As pedras. Agora, consegue ver, não é? - pergunta calmamente enquanto fechava o saquinho.
– Sim. Vejo tudo nitidamente. Antes via embaçado.
– Sua mente fica assim. Quando conseguir isso, poderá ver além, sem tumultos ou falsas ideias. Posso fala-lhe seguramente, que não importa o passado. O que foi, o que passou... Isso, é o passado. O presente é o presente. É o que faz com a sua vida que é importante. Não pode deixar o passado domina-lo. Além de que, o que importa o que deveria ser, segundo a sua ideia? Nada. Você determina sua vida, seu futuro. Somente você e mais ninguém, sem contar que o que vivenciou, não foi ilusão. Foi bem real. As coisas boas e as coisas ruins.
– Será de fato real? - ele perguntando, sentindo sua preocupação diminuir lentamente e gradativamente.
– O que é real e o que é irreal? Como define as suas experiências, vivência? Olhe para elas e julgue se para você são reais ou não. Somente você poderá dizer. Mas, preste atenção. Deixe sua mente acalmar-se, assim como o lago que foi turvado momentaneamente. Quando ela estiver calma, enxergará a resposta para suas indagações. Quando isso irá acontecer, somente dependerá de você.
O mestre então se afasta deixando Ryuushin com seus pensamentos e sendo consciente, que no momento, sua mente está turva demais para permitir uma maior clareza.
Por isso, deveria deixar de lado, momentaneamente seus receios e ideias. Era impossível chegar a uma conclusão correta para seus tormentos. Somente poderia chegar a conclusões errôneas.
Melhor era dar tempo ao tempo, segundo o que ouvia várias vezes.
Querer chegar a conclusões rápidas só traziam problemas. Deveria seguir o que seu mestre lhe ensinou e após alguns minutos, decide seguir as orientações dele.
Ao fazer isso, sentia-se ficar mais calmo, cada vez mais, como se sua mente estivesse esvaecendo as preocupações de minutos antes, que lhe afligiam enormemente.
Esperava pacientemente pelo dia em que poderia analisar tudo e chegar a uma conclusão correta. Até esse dia, viveria como sempre fazia. Perder tempo com devaneios incertos era desperdício de tempo.
Com isso, após quinze minutos, volta ao tatame aonde ver seu sensei lhe aguardando para mais uma aula e nisso ele se concentra, agora sentindo-se tranquilo, apenas focado no treino.
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Dentro dele, a magnífica e bela raposa alva felpuda abre os seus olhos azuis como o céu, quando surge Rikudou Sennin a sua frente, olhando-a com um olhar bondoso.
Erguendo seu focinho das patas onde encontrava-se apoiado, boceja e um tanto sonolenta, fala, em meio a bocejos que mostram as fileiras de dentes alvos e pontiagudos, perfeitamente alinhados.
– Yo, tou-chan... Já faz tempo.
– Yo, filha... Como anda o infeliz do seu jinchuuriki? - sua feição muda para desgosto, a simples menção dele.
– Tou-chan... Não falais assim dele. Ryuushin-kun sofreu e muito... Além disso, o senhor previu que seria meu jinchuuriki, para que pudesse salvar a vida dele... Sem esta Yuki, teria morrido quando ainda era um recém-nascido.
Rikudou suspira cansado e fala, após remexer nos seus cabelos negros:
– Este Rikudou previu sobre isso, assim como com o que acontecerá... És que mesmo assim, nunca o perdoarei. Não o repudio tanto pelo presente e sim, pelo futuro, pois sei o que passarás e por mais que este Rikudou tenha aceito que isso, em um futuro distante seria de grande ajuda a ti, sofro pelo que te aguarda na mão desse desgraçado, que dificilmente perdoarei, mesmo que leve décadas. - fala tristemente, enquanto acaricia o focinho felpudo da raposa gigantesca.
Então, ela brilha e assume uma forma semelhante a humana com orelhas, caudas e cabelos alvos como a neve, assim como uma pele bem clara, quase alva, com orbes azuis celestes que fitam o sennin com carinho.
Ela o abraça e fala, gentilmente, o olhando:
– Não ficais assim, tou-chan... Não culpe Ryuushin-kun, pois sofreu tanto... tanto, que pela culpa que sentia, esta Yuki foi obrigada a selar as memórias dele.
– O defende demais e é demasiadamente preocupada com ele... Isso irá se voltar contra você, filha... Os humanos são em sua maioria esmagadora cruéis e egoístas. Julgam os outros de acordo com suas ideias errôneas. Esse desgraçado mudou. Esqueçais que um dia foste gentil, bondoso, carinhoso e amável. Esse, morreu a muito tempo e será difícil trazê-lo de volta. Será melhor para ti, esquecer como o desgraçado foi e se concentrar em como é no presente, para não sofreres tanto, quanto o momento de revê-lo pessoalmente chegar. Este Rikudou angustia-se toda a vez que vejo como será. - ele fala pesaroso, abraçando-a fortemente, que fica feliz com o abraço paternal e protetor dele, sentindo lágrimas se formarem no canto de seus olhos por sentir falta dele.
Devido ao chakra que ele deixou com ela, de tempo em tempo, após algumas semanas, o chakra remanescente dele assumia a forma de quando estava no auge de seus poderes, para conversar com ela e orienta-la. Ele sempre se preocupou com sua filha adotiva e por isso, tomou o devido cuidado de sempre estar perto dela, mesmo quando ela não precisasse.
– Não me conte, por favor... Pois sei que o destino tem que seguir o seu curso, assim me ensinaste sobre as visões, assim como tenho as minhas, embora as bloqueei por não ser necessário saber de tudo, apenas do que oferecer risco a Ryuushin-kun.
– Algo desnecessário... Esse não pode ser considerado nem um fuuin, pois somente a auxilia a enviar seu chakra ao corpo dele, de uma maneira equilibrada, impedindo-o de morrer. A qualquer momento, poderá rompê-lo e deixa-lo a mercê, se sua vida correr perigo ou o bastardo agir como um infeliz... Nenhum selo sobrepõe a este e nenhum funciona contra ti e agradeço ao fato do sharingan não ter efeito sobre você, assim como o rinnegan e até o byakuugan. Pelo menos isso.
– Sinto pena daqueles bijuus... Quem dera que tivessem toda essa imunidade que possuo. - ela suspira tristemente.
– É o destino deles e algo necessário a humanidade, assim como para eles mesmos... Porém, mesmo sabendo disso, não deixo de sentir pesar... Aquele que os guiará e cuidará deles, ainda não nasceu... Até aí, eles sofrerão e muito. - ele olha perdido para um ponto distante, com um olhar ficando pesaroso e uma lágrima rolando dos orbes dele.
– Não ficais assim, tou-chan... Como disse, concentre-se no fato de que será algo necessário para eles e que terá alguém para cuidar deles. Alguém digno ao seu ver, um jovem Uzumaki em que confiarás.
– O que me entristece, é o fato de ser um descendente deste Rikudou, que trará uma grande tristeza, sofrimento e ódio á Kurama... Justo a que era a mais "grudada" em mim.
Eles conversam por mais algum tempo, até ele esmaecer, ficando transparente, indicando que o tempo estava terminando e que só se veriam após uma semana, no mínimo.
Eles se despedem, com ele acarinhando a cabeça de Yuki, até que sorrindo paternalmente para ela, desaparece, fazendo-a ficar triste e colocar as mãos juntas em seu peito, suspirando tristemente por sentir falta do tempo em que andavam juntos por todo o continente, com ela o ajudando a selar youmas ou destruí-los, salvando assim, muitas vidas humanas.
Permite-se lembrar das recordações aprazíveis, até a descoberta do que sentira por ele e do surgimento daquela que os separou, decidindo aí, encerrar suas lembranças que tornam-se dolorosas para ela a partir deste ponto.
Assumindo a sua forma verdadeira, de uma raposa imensa, felpuda de nove caudas e olhos azuis, torna a deitar novamente e após alguns minutos, adormece com o rosto de Ryuushin em sua mente, exibindo um sorriso em seu focinho, por dormir com o rosto daquele que amava em sua mente, permitindo-se ter sonhos agradáveis com ele.
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Mais tarde, Ryuushin saía da avenida principal á galope para uma rua que se dirigia ao centro da cidade, diminuindo a velocidade do cavalo, passando a trotar, quando ouve um barulho estranho.
Para o animal no acostamento e vira o rosto para os lados.
Então, vê uma bomba de fumaça explodir na sua frente. Porém, não tem tempo para reagir, pois Yorusou empinou nas patas traseiras e relinchou assustado com o barulho. Precisou conter as rédeas muito bem, para evitar dele sair a galope sem controle.
Os demais cavaleiros e carruagens que vinham logo atrás dele, deram meia volta e correram para se afastar do local, sobre o grito de algumas pessoas, que também correram apavoradas.
Conseguindo controlar o animal, demonstrando toda a sua maestria no manejo das rédeas, viu seis pessoas saírem da nuvem, todas com máscaras pretas ocultando seus rostos.
Percebeu de imediato que se tratavam de ninjas.
Rapidamente, ele desmontou e bateu na anca de seu cavalo para ele fugir dali. Ouvira relatos de animais mortos por armas de ninjas quando estes atacavam seus cavaleiros e não queria que seu melhor amigo morresse.
Se sobrevivesse, poderia acha-lo, pois o animal iria para um lugar familiar que era o condomínio e lá, com uma identificação que ele tinha amarrado em sua orelha, além da marca de ferro em sua pele, podia-se rastrear o dono.
Reconhece os sinais que eles faziam como selos e se prepara para o pior, pois segundo relatos não era nada bom.
Eles exclamam:
– Katon! Goukakyuu no Jutsu! - o da direita sopra uma rajada de fogo que forma a aparência de uma bola de fogo.
– Katon! Karyuu Endan! - dispara uma rajada de fogo que queima tudo pela frente
– Raiton! Gian! - o ninja dispara da boca um enorme raio com imenso poder destrutivo.
