Escudo

Capítulo IV

Por Mel

Esmeraldas Quebradas

Com os olhos cheios de água Sayuri entrou no grande salão de cerimônia acompanhada por sua filha que levava a cauda dourada de seu magnífico vestido azul marinho. Ela era uma bela e forte mulher e disso ninguém tinha sombra de duvidas. Sakura estava no altar perto de seu pai assistindo a cena com um certo incomodo inexplicável no coração. Algo no fundo da alma lhe dizia que havia alguma coisa errada naquilo tudo, mas não conseguia identificar o que. Sorriu fracamente quando o pai pegou-lhe a mão e a beijou com carinho, antes de se dirigir a sua noiva e recebê-la na ponta dos cinco degraus revestidos de camurça que levavam ao trono.

A postos, juntamente com Meyling e Takashi, Li observava sua princesa ao longe e não gostou nada da expressão melancólica da jovem. Talvez ela não estivesse exagerando. Talvez fosse cedo de mais para se envolver com outra pessoa, mas quem era ele para julgar afinal? Só queria que Sakura fosse feliz, e estava disposto a qualquer coisa para devolver-lhe aquele sorriso contagiante que tanto amava.

Olhou para o reluzente anel em seu bolso. Era o aniversário de Sakura, mas quem tinha recebido o presente fora ele. Sorriu timidamente olhando na direção dela. As barreiras que o impediam de viver esse amor intensamente se desfazendo em pedaços.

"O que o rei queria com você?"- A voz feminina tirou-o de seus devaneios.

Ele a olhou confuso como se o seu próprio coração não soubesse como explicar.

"Eu perguntei o que o rei queria com você"- Meyling repetiu o questionamento. Os olhos de Takashi repousaram sobre ele.

Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, o cerimonial começou e um grande silêncio invadiu o lugar. Na presença de toda realeza, convidados e do povo de Tomoeda, Sayuri fora coroada rainha no lugar de Nadeshico. O reino finalmente tinha outra soberana. Aplausos e gritos de alegria ecoaram por todos os lados até que em um sinal com as mãos, o rei pediu calma e, aos poucos, o ruído cessou.

"Povo de Tomoeda, hoje temos muitas razões para celebrar"- Falou firmemente em um meio sorriso- "Nosso reino tem uma nova rainha e outra princesa para alegrar mais a nossa vida"- Sorriu beijando a mão da esposa- "Mas hoje também minha filha e única herdeira legítima do trono, Sakura"- Pegou a mão da filha e a trouxe para frente- "Completa 18 anos"- O povo gritou em alegria novamente enquanto ela lançava um tímido sorriso em direção a multidão- "Por isso eu gostaria de homenagear a pessoa responsável por permitir que esse momento se realizasse".- Sayuri fez o possível para não demonstrar a raiva profunda que se apossava de seu coração naquele momento. Aquela princesa de meia tigela estava roubando toda sua cena.- "Há oito anos atrás minha menina quase foi levada pelas correntezas"-a voz dele mudou. Claramente incomodado pela lembrança- "Se não fosse pela ação rápida de um jovem corajoso"- A essa altura Syaoran estava tão nervoso que suas mãos tremeram sem querer. – "Comandante, por favor. Aproxime-se".

Ele percebeu os olhos de sua princesa sobre ele e sorriu timidamente. Ajoelhou-se diante dos degraus, enquanto o rei tirava a espada dourada da bainha de sua roupa imperial.

"Hoje, nesse dia tão especial"- Começou devagar- "Eu lhe nomeio, Li Syoaran"- Olhou nos olhos do rapaz- "Duque de Tomoeda". Desceu a espada sobre os ombros fortes.- "Em homenagem ao aniversário de salvamento da minha filha. Levante-se, vossa excelência."- Virou-se para a multidão- "E que comecem as festividades".

O povo gritou em alvoroço, cochichos ecoaram por todos os lados. A música alta encheu o ambiente. Algumas damas circularam o novo duque, enquanto Sakura puxou o pai em particular. Aquilo tudo fora tão inesperado.

"Papai, porque o senhor não me contou que faria isso?"- Perguntou um pouco chateada.

"Quis fazer uma surpresa..."- Respondeu de uma vez olhando desconfiado para a sua menina- "Achei que fosse ficar feliz".

"Eu fiquei, acredite"- Disse observando Syaoran corar por um comentário qualquer- "Mas pelo visto eu não fui a única".- Suspirou.

Antes que o rei pudesse dizer qualquer coisa, a nova rainha lhe puxou pela mão dando-lhe um carinhoso beijo nos lábios. Os olhos verdes entristeceram-se de repente. Agora ela não era mais a prioridade do seu pai e teria que se acostumar com isso. Tentando não transparecer o que sentia naquele momento, dirigiu-se ao balcão do salão para observar a grande campina esverdeada. A paisagem que tanto amava. Não se deu conta de quanto tempo ficou ali, apenas olhando a imensidão de grama.

"Princesa Sakura"

Então... a voz dele invadiu seus ouvidos.

"Olá Syaoran...".

"O que faz aqui sozinha?".

"Precisava de um pouco de ar, comandante, ou devo chamá-lo de vossa excelência?"- Perguntou divertidamente tentando esconder o nervosismo.

"Se assim fosse princesa, eu teria que te chamar de alteza o tempo todo"- Sorriu- "E você nunca gostou dessa formalidade".

"Isso é verdade"- Fez uma careta- "Títulos parecem coisas de velhos".

Ele sorriu com o comentário inocente.

"Pode ser..."- Remexeu no bolso. O presente dela esperando para ser entregue. Agora mais do que nunca tinha motivo para comemorar. Observou-a mexer as mãos. O que havia de errado com ela afinal?- "Está tudo bem?".

Arregalou os olhos – "Sim, por que pergunta?".

"Não sei, parece que você está diferente...distante".

Ela o encarou profundamente. Era impressionante o quanto ele a conhecia.

"Na verdade, eu estou um pouco chateada. Achei que não houvesse segredos entre nós".- Os olhos esmeraldas brilhando. Esse era sem dúvida um dos motivos.

Ele a encarou confuso.

"E não há".

"Mas você escondeu de mim que seria nomeado duque".- Fez bico olhando para baixo.- "E eu que te conto tudo".

Riu um pouco da doçura dela. – "Eu não escondi, Sakura. Eu fui pego de surpresa pelo seu pai e viemos tão rápido para cá que eu não tive tempo de falar. Recebi uma bronca da Meyling por causa disso também. Acredite, eu queria ter contado".- Levantou o rosto dela e a encarou profundamente. Todo o amor que nutria por aquela linda criatura explodindo dentro de si.

"Comandante!"- uma voz aguda e feminina o interrompeu- "Finalmente o encontrei. Queria dizer que fiquei muito feliz por você"- Kimie começou com um sorriso tão iluminado quanto uma estrela- "Agora você é um duque."- Se aproximou dele ignorando Sakura por completo.- "Tem um título real tão alto que o coloca na linha de sucessão ao trono".

"Obrigado pela consideração"- Sorriu um pouco sem graça passando as mãos no cabelo, sem se dar conta do quão sexy parecia fazendo isso.- "Mas não estou interessado em usurpar o poder de ninguém senhorita"- Olhou para a princesa- "Muito pelo contrário".

"Acho que poderíamos comemorar, não acha?"- Ignorou o último comentário. Ela estava muito próxima. O perfume de patchouli e especiarias inundaram o ambiente ao redor deles.

"Talvez uma outra hora".- Comentou incomodado. O semblante de Sakura nitidamente entristecido.

"Outra hora?"- Se aproximou mais. O decote a mostra- "Depois da festa, por exemplo?".

"Olá, lady Kimie"- Sakura finalmente interrompeu a loira. Seu auto-controle indo para o espaço. Eles não iriam combinar um encontro na frente dela, ou iriam?

"Alteza"- Fez uma careta enquanto a reverenciava. Soltou um sorriso sarcástico- "Não a havia visto".

"Não há problemas. Eu também não havia reparado na senhorita hoje"- Sorriu da mesma forma.- "Mas se não se importa, estamos no meio de uma conversa importante relacionada ao reino. Por que não acha alguma coisa para fazer enquanto isso?"- Os olhos esmeraldas levemente escurecidos.

"Claro"- A raiva nítida nos olhos castanhos.- "Nos vemos mais tarde então, comandante"- Sorriu sedutoramente.- "Ou devo dizer, vossa excelência"- Piscou, antes de se virar e voltar para o salão com cara de 'poucos amigos'.

Sakura o encarou feio.

"Não sabia que já tinha planos para comemorar o título, vossa excelência"- Começou tentando inutilmente esconder seu ciúme.

"Eu não tenho plano algum, Sakura"- Sentiu-se injustiçado pela acusação sem cabimento. O que ela estava pensando afinal?- "Eu te disse que fiquei sabendo há pouco tempo atrás".

"Mas não perdeu tempo de marcar uma festinha particular com a Kimie".-Cruzou os braços.

"Eu não marquei festinha nenhuma com ninguém, por que é tão difícil de você entender isso?".

"Porque ...Deixe-me pensar, porque foi na minha frente que essa dama sem vergonha tentou te seduzir e você deu esperanças para ela".

"Que esperanças?"- Ele estava começando a perder o temperamento- "Eu estava achando uma forma 'educada' de falar que eu não queria nada com ela".

"Esse seu argumento, duque...Não me convenceu nenhum pouco".

"Ah não, princesa?"- Ergueu uma sobrancelha.

"Não!".

"Não mesmo?".

"Já disse que não".

"Acho que vou ter que te provar de uma outra forma então"- Foi a vez dele de encurtar a distância entre eles e roubar um beijo no meio do balcão. Um beijo doce, suave e completamente apaixonado- "Ficou claro agora?".

"O quê?"- Ela piscou várias vezes totalmente perdida. Deu dois passos para trás.- "Por que você fez isso?"- Sussurrou deixando as lágrimas inundarem seus olhos enquanto tocava nos próprios lábios.- "Você não tinha esse direito...Você-".

O que quer que fosse que a princesa iria dizer foi cortado por outro beijo apaixonado. Ela o encarou sem chão, um misto de sentimentos invadindo seu pequeno coração.

"Antes dela chegar eu ...eu estava prestes a dizer que esse título me possibilitou alcançar aquilo que eu achei que nunca alcançaria"- Ele passou as mãos nos cabelos dela e brincou com uma das fitas e ela prendeu a respiração sem perceber.-"Seu pai me deu a possibilidade de poder dizer o porquê, naquele dia na campina, eu disse que você havia pagado o débito sem perceber"- Sorriu abertamente a fazendo corar- "Que eu não a beijei apenas porque eu 'quis'... Olhou dentro dos olhos dela- "Eu sempre amei você, Sakura".

"Vo-você me ama?".- Ela piscou várias vezes tentando processar o pensamento- "Mas eu pensei que-".

Ele a beijou de novo a impedindo de continuar. Ele queria que ela entendesse que ela sempre foi a melhor coisa de sua vida, que sem ela nada fazia sentido. Seu mundo era ela.

"Posso beijá-la novamente se você ainda não acredita"- Sorriu de lado ao vê-la corar novamente.

"Talvez eu ainda não acredite"- Sorriu docemente o fazendo corar.

"Posso resolver isso"- A beijou novamente aprofundando o toque cada vez mais.- "Tenho um presente para você"- Disse ao final do beijo e retirou do bolso um saquinho de camurça.

"Um presente?"- A voz soou contente enquanto pegava cuidadosamente o saquinho. Dentro havia um pingente de âmbar no formato de um lobo presos a fios de couro cujo feixe continha duas flores de cerejeiras cravejadas com quartzos cor de rosa. – "Mas isso é lindo! Syaoran... Por que foi se preocupar em comprar um presente tão caro?".

Ele sorriu com a reação dela. E com cuidado virou-a para colocar seu presente no delicado pescoço. – "Eu tenho algumas economias, e achei que seus 18 anos não poderiam ser ofuscados".

"Eu te amo"- Ela repetiu a frase olhando dentro dos olhos âmbares, fazendo cada músculo do corpo másculo se contrair. Ela era tudo o que o seu coração sempre desejou.

Ele sorriu novamente. Era tão fácil sorrir quando se estava feliz daquele jeito.

"E eu amo você, minha flor de cerejeira".- A abraçou apertado com medo de acordar e descobrir que tudo isso não passava de mais um sonho seu.

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Banho com lavanda, rosas e óleos especiais vindos das Índias, assim era a preparação para a noite de núpcias. Sayuri olhou triunfante para o belo anel real enquanto sentia uma de suas servas derrubar água quente em seu corpo sobre o grande mármore quente. Agora ela era rainha. Encarou a adaga de Fukushima e a fita de Sakura que jaziam no apoio da sala de banho. A maioridade da princesa havia complicado as coisas para ela. Ainda mais depois que seu marido indicara claramente um pretendente. Sabia que ao casarem-se Akemi não entraria para sucessão. Sakura logo geraria um herdeiro e nunca esteve em seus planos matar uma criança. Suspirou pesado.

Tinha que ser rápida. Talvez depois de ter o marido de Nadeshico naquela noite, colocaria seu plano em ação. Ficar viúva não era tão terrível assim, ainda mais que no seu caso não amava a Fujitaka de verdade. Amava o que ele poderia lhe oferecer, mas ser rainha regente era muito mais especial. Era como tocar as estrelas com as próprias mãos, mas para isso tinha que se livrar de Sakura o mais rápido possível e o faria. Aniquilaria dois coelhos com uma cajadada só. Pediu que a serva se retirasse. Precisava de um tempo sozinha para pensar.

Não tinha mais idade para engravidar. Aliás depois do nascimento de Akemi, nunca mais uma criança repousou em seu ventre, então ter um filho homem estava fora de cogitação. Decidida a ir até o final levantou-se e cobriu-se com um roupão de linho fino, ajeitando a adaga em suas costas. O rei a esperava na cama. Aproximou-se devagar. Não queria admitir, mas estava nervosa com a situação. Um erro mudaria toda sentença de uma vez.

Foi então que ela o encarou...

Havia algo nos olhos dele que a irritaram profundamente a ponto de despertar todos seus instintos assassinos. Ele estava triste. Uma tristeza profunda invadira os olhos castanhos e a apunhalaram pelas costas. Seria possível que ele estaria pensando nela? O encarou com raiva. A mente totalmente escurecida.

Despiu-se e esperou que ele a encarasse, mas tudo o que via nos olhos de seu marido eram lágrimas amargas. Não estava pensando com clareza, subiu em cima da cama e o encarou. Ela estava nua diante dele e mesmo assim, ele não a desejava.

Aquilo era humilhante de mais.

"Me perdoe"- Ele disse- "Prometo que serei um marido como manda o protocolo, mas estou muito assustado com tudo isso".

Assustado? Sua mente gritou em desgosto. Ele estava pensando nela. Na usurpadora de seu trono. Na princesa de Ueda que roubara toda atenção no dia da escolha da noiva para o príncipe herdeiro de Tomoeda. Casara-se com ele, ela agora virara pó, mas a lembrança dela era tão viva que chegava a ser obscena.

"Sabe, meu querido..."- Ela sorriu sedutoramente se aproximando- "Sei exatamente como se sente"- O olhou profundamente- "Não se preocupe...Vou fazer essa dor ir embora"- Colou seus lábios nos dele, mas tudo o que conseguia sentir era o gosto das lágrimas na boca do rei.

E ele não reagia!

Beijou novamente. E nada...Então percebeu que não haveria outro jeito, talvez não houvesse outra chance como essa. Aproximou-se mais e enquanto que a sua mão enfiava a adaga no coração do rei abafou o grito de horror dentro de sua própria boca- "A sua filha tinha razão"- Disse no ouvido dele ao leito de morte- "Era muito cedo e você mal me conhecia"- O viu arregalar os olhos em pânico. A morte o levando aos poucos.- "Eu estava naquela festa há anos atrás. Era eu quem estava prometida a você, até aquela princesa de araque chegar e acabar com os meus sonhos"- Sentia a vida dele se esvair entre seus dedos- "Morra sabendo que vou destruir toda felicidade da sua mulherzinha. Sakura vai padecer...".

"Na-de-shi-co"- Foi a última palavra que deixou os lábios do soberano de Tomoeda.

A respiração cessara para sempre. Levantou-se rapidamente. Pegou a fita do cabelo de Sakura e a colocou do lado da cama. Olhou-se no espelho demoradamente antes de molhar novamente o cabelo e recolocar seu roupão. Subiu na cama abraçando o corpo do marido.

"Ahhhhhh"- Gritou em pânico.- "Alguém me ajude!"- Gritou de novo chamando a atenção dos guardas. "Socorro".

Soldados invadiram o quarto para se deparar com a cena mais terrível que já viram na vida. O rei, o bom rei de Tomoeda, morto na cama de núpcias e a nova rainha aos prantos gritando desesperada sobre o corpo ensanguentado.

"Eu"- Chorou alto- "Estava no banho...me preparando...e-" –Chorou mais ainda fingindo um colapso nervoso- "O encontrei desse jeito".- Um dos soldados a retirou da cama, enquanto outro vasculhava o local. A adaga brilhante enfiada no peito do soberano. O balcão estava aberto e do lado da cama, perto do corpo do rei jazia a bela fita de cabelo que pertencia a princesa de Tomoeda.

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"Para onde está me levando?"- A voz alegre perguntou. Uma faixa de linho tampava os grandes olhos esmeraldas. E tudo o que sentia era o calor de Li a abraçando por trás enquanto cavalgavam.

"Eu já disse é uma surpresa"- Deu-lhe um carinhoso beijo no pescoço- "Estamos quase lá".

"Está me sequestrando?"- Ergueu uma sobrancelha divertidamente.

Ele riu da piada antes de parar o cavalo e ajudá-la a descer.

"Preparada?"- Perguntou tentando conter toda ansiedade.

"Não sei..."- Sorriu- "Acho que sim".

Ele se aproximou do ouvido delicado.

"Você confia em mim?"- Perguntou em um sussurro doce.

"Com a minha vida"- Ela respondeu firmemente enquanto o pano que vendava os seus olhos caía.

Era a cachoeira, aquela que levara sua mãe, aquela que lhe aproximara do amor de sua vida. Árvores ao redor estavam enfeitadas com flores e lampiões e uma cesta cheia de frutas jazia sobre uma toalha bordada. Ela piscou várias vezes, sem acreditar no que via.

"Você preparou isso so-sozinho?"- Perguntou mal contendo a emoção.

"Não, Meyling e Takashi me ajudaram".- Ele sorria com a expressão de deleite que ela fazia ao observar o carinho empenhado naquela surpresa.

"Então foi por isso que vocês desapareceram da festa de casamento"- Sorriu timidamente- "E eu que pensei que o exército precisara de vocês".

"Feliz Aniversário, Sakura"- Falou contente a abraçando novamente. Céus! Jamais se cansaria daquilo. Ter sua princesa em seus braços parecia a coisa mais certa do universo.

"Esse é o melhor aniversário de todos"- Ela sorriu abertamente- "Ganhei o que eu sempre quis"- O encarou de forma apaixonada.

"Está errada, minha flor"- Ele se aproximou mais, tocando no belo rosto. A forma carinhosa como a chamara saíra tão natural que foi impossível brecar- "Quem ganhou o presente fui eu".- E a beijou com carinho, logo em seguida. Se encararam profundamente como se os olhos pudessem falar o que o coração sentia.

Foi então que tudo mudou...Como um mal pressagio, o vento leste invadiu o lugar apagando os lampiões. Barulhos de cascos de cavalos imperiais começaram a se aproximar da clareira. A voz aflita de Takashi ecoava pelo bosque, enquanto chamava pelo nome do casal. Li encarou o amigo e não gostou nenhum pouco da expressão apavorada.

"O que foi?"- Ele perguntou de pronto se colocando na frente da princesa- "O que aconteceu?".

"Princesa..."- Ela se aproximou. Seu coração aos saltos- "Eu...não sei como contar eu-".

Li o segurou pelos braços, nitidamente nervoso.

"Desembucha capitão".

"Ela tem que ser forte"- Os olhos repletos de luto.

"Forte?"- Levou a pequena mão ao coração tentando controlá-lo- "Fala comigo Takashi, o que aconteceu?".

"Eu sinto muito princesa, mas...O rei foi assassinado"- Falou de uma vez observando a princesa empalidecer.

"Não! Não... Você está mentindo!"- Ela gritou em pânico. Li tentou abraçá-la, mas ela não permitiu. Aproximou-se de Yamasaki e o chacoalhou fortemente – "Fala para mim que você está mentindo".

"Eu não estou mentindo..."- Os olhos dele falavam tudo. De repente sentiu o chão sumir e uma dor aguda, profunda, invadiu seu peito a ponto de deixá-la sem ar. Ela bambeou e Syaoran a segurou por trás- "Eu sinto muito Sakura, estamos fazendo o possível para identificar o culpado e fazê-lo pagar".

Então tudo ficou turvo de repente. O mundo ao seu redor pareceu girar e tudo o que Li sentiu foi o corpo de Sakura pesar sobre os seus fortes braços.

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Sakura levantou de supetão abafando um grito desesperado, sem reconhecer o quarto em que estava. Olhou para o lado deparando-se com a amiga que dormia em uma cama próxima. Lágrimas voltaram a seus olhos. Achava que dormindo acordaria em uma outra realidade, mas infelizmente seus pesadelos a perseguiam mesmo quando estava acordada. Virou-se para a porta. Syaoran estava lá, sentado em uma poltrona vermelha, dormindo de mal jeito e respirando de leve, enquanto sua mão esquerda não soltava sua espada. Talvez fosse a arma que ele tinha para estraçalhar pesadelos.

Suspirou. O coração ainda dolorido pela perda recente. Sem fazer muito barulho se levantou. Não conseguia mais dormir e o sol, todavia, não nascera. Abriu a porta com cuidado, mas o simples dedilhar de sua mão na maçaneta de prata despertou o belo guerreiro, que piscou algumas vezes observando sua princesa sair. Antes que ela pudesse atravessar a porta ele segurou a mão branquinha. Sakura pulou de susto ao sentir algo lhe segurando. Achava que ele estava dormindo.

"Eu sinto muito"- Ela começou baixinho- "Não queria te acordar".

"Não tem problema"- Ele sorriu fracamente para ela- "Aonde você vai?".

Ela se sentou no braço da poltrona.

"Não consigo dormir".- Confessou um pouco abatida. Marcas de lágrimas visíveis em seu rosto.

"Sakura..."- Ele falou de leve. Depois do desmaio ele a trouxera para seu quarto, mas para proteger a imagem e a integridade da princesa pedira para que Meyling dormisse com ela. – "Vai ficar tudo bem".- Ele a trouxe para perto e a colocou em seu colo a ninando.

"Não vai"- Ela afundou o rosto no peito dele- "Meu pai...".

"Shiiiii...Está tudo bem"- Passou as mãos carinhosamente pelos longos cabelos mel.

"Você lembra do que me prometeu no dia em que me conheceu?"- Ela perguntou com os olhos brilhando pela dor observando a expressão confusa do rapaz- "Que nunca ia me soltar".

Ele sorriu. Sua princesa precisava dele e lá ele estaria. Sempre. Depositou um beijo carinhoso na testa branquinha.

"Eu estou aqui, Sakura...e nunca vou te soltar"- Entrelaçou a mão dela na sua ganhando um pequeno sorriso como recompensa. Logo a noite viera cumprir seu papel de amiga, e deitado ao lado da cama, de mãos dadas a Sakura a viu adormecer, dessa vez, serenamente.

Ele a encarou preocupado, lembrando-se da conversa que tivera com Takashi enquanto ela dormia.

SSSSS Flash Back SSSSSS

"Como foi isso?"- Foi a única coisa que ele conseguiu perguntar ao ver o olhos esmeraldas se fecharem em seus braços. Por um minuto se sentiu dormente. A encarou tristemente sem saber o que fazer para ajudar.

"Enquanto a rainha estava no banho, alguém entrou pelo balcão e o apunhalou no peito".

"Mas isso não faz sentido"- Ele estava nervoso- "Como que permitiram que alguém entrasse nos aposentos reais? Aonde estavam os guardas?".

"Isso que é o mais estranho. Estavam a postos...".

"O rei é um dos melhores lutadores, ele teria reagido".-Seu coração estava estraçalhado. Perdera um pai naquela noite também.- "A não ser que ele não esperasse que essa pessoa o faria...".

"Como assim?".

"Alguém que ele confiasse Takashi. Alguém que ele conhecesse...".

"Está pensando em que Syaoran?"- Levantou uma sobrancelha, nitidamente incomodado.

"Será que a rainha estava realmente no banho? Como houve movimento sem que os guardas percebessem?".

"Essa acusação é muito grave meu amigo"- Falou preocupado. A testa franzida com medo de alguém ouvir a conversa.

"Eu vou até o fim com isso Yamasaki. Vou encontrar o culpado e fazê-lo pagar...".- Fechou os punhos e contraiu o queixo.

"Cuida da princesa. É melhor que ela não volte para o palácio essa noite"- Disse seriamente vendo o amigo concordar- "E eu espero de coração que você esteja enganado a respeito da rainha...".

"Eu também, meu amigo...eu também"- Disse por fim, ajeitando melhor a princesa entre os seus braços.

SSSSS Fim do Flash Back SSSS

"Não se preocupe, Sakura"- Sussurrou perto do ouvido da bela adormecida. - "Irei encontrar o culpado...e não vou permitir que essa pessoa fique a solta e possa te machucar mais um vez".- Prometeu por fim depositando um beijo nos lábios rosados.

Continua...

NA/ Olá meus queridosss! Estou tão feliz pelos comentários! Obrigada. Pena que agora a parte dramática da história vai entrar em ação né? Mas calmaaaaa! Ainda muitas coisas acontecerão...

Beijossss