- Quer dizer que além de fazer você ir buscar ele naquela SUPER boate – Nami fazia questão de dar ênfase a palavra. – de PIJAMA – e dar ênfase para essa palavra também. - ainda te engravidou de gêmeos?! – a irmã de Nina estava incrédula. – Deixa eu matar ele? – ela não estava brincando.

- Peraí, que super boate? – agora era a amiga das irmãs, Nerak, que estava interessada.

- Suna. - disse Nami como se descrevesse uma sentença de morte.

- SUNA? A BOATE SUNA? VOCÊ FOI DE PIJAMA NAQUELA BOATE? – todas as clientes e vendedoras se voltaram para ela naquela hora.

- Fui... – Nina começava a se sentir um filhote de pulga.

- Certo, ok, tudo bem. – respirou fundo a loira. – Você foi com aquela camisola linda e transparente que eu te dei ou com aquele saco de ovelhinhas amarelas que você dorme? – perguntou pausadamente.

- Não é um saco! E são nuv-ven-zi-nhas. – rebateu irritada.

- Não creio! – Nami e Nerak deixaram que suas bocas se abrissem num "o" indignado – Nina!

- Ok, podem parar de me darem bronca em coro. – disse se levantando das confortáveis cadeiras que a loja oferecia. – Vou logo embora senão vocês podem acabar levando bronca ainda por minha causa e... - e nada. Nerak estava encarando a porta de entrada com a boca escancarada e os olhos semi-cerrados, como quando estava com fome. - Nerak?

- Não diga nada, – alertou Nami. – ela acaba de ver o homem da vida dela. – ambas voltaram os olhos para a porta de vidro da loja.

Lá estava ele: moreno alto, bonito e sensual, tipo atlético com cabelos tão negros que chegavam a refletir luzes azuladas e pele tão branca que deixavam seus olhos negros ainda mais profundos. Nerak estava perdida em sonhos e pensando se no tanquinho bem definido de seu peitoral ela conseguiria lavar alguma peça de roupa.

- Posso ajudar? – se ela iria perder a chance de atender o moreno "ai-lá-na-minha-cama-king-size"? NUNCA.

- Eu procuro uma calça. – curto e grosso. É.

- Para a sua mãe? – perguntou um pouco constrangida. Teria sido dura demais com seu príncipe?

- Como é?

- Aqui é uma loja de roupas voltadas para o público feminino... – sua voz foi sumindo ao longo da frase.

- Eu não sabia. – murmurou constrangido. – Obrigado.

E saiu. Assim, do nada. Sem perguntar se ela tinha facebook, twitter, telefone, whatsapp, tumblr de pandas, qualquer coisa...

Na-da.

Se sentiu destruída. Foi como se estivesse usando um par de saltos 15 centímetros meia-pata e ambos quebrassem segundos antes de sair para algum evento importante. Aquilo foi o mais próximo que já tinha chego do Uchiha que há seis meses lhe tirava o sono, tamanha sua familiaridade com um ex-namorado de adolescência.

- Ele nem deu tchau – disse apoiando a cabeça nos ombros de Nami, completamente atordoada e decepcionada.

- Calma, - Nina tentou consolar a amiga – outras oportunidades virão.

- É... – usou o mesmo tom doce a ruiva-tingida (como Naruto a chamava e quase morria após completar a frase.). – Aí, você não esqueça que não pode chamar o Deus-Grego de "moreno gostosão". – disse a última frase de maneira mais ríspida, para que a amiga arregalasse os olhos castanho-claro e voltasse ao mundo. Os dela, se possível.

- Bom, meninas, agora eu vou. – disse Nina – Vou levar esses analgésicos e... – antes que completasse a frase, Naruto entrou na loja, sorridente como sempre, com o nariz menos inchado e o roxeado dos olhos assombrosamente mais claros do que estavam há duas horas.

- Boa tarde, senhor. Pelo visto, deseja uma anágua, estou correta? – começou irônica e sarcástica Nami.

- Hei, Nami! – Naruto apontou para a própria cabeça – A raiz 'tá aparecendo. – e enquanto o mesmo ria, a gerente de cara amarrada se afastava. – Nina, amiga do meu coração, pessoa que eu mais prezo nessa vida!

- O que você quer? – riu a morena. Muito puxa-saquismo somado ao amigo hiperativo só podia ser motivo de interesse.

- É que hoje apareceu uma super balada e eu queria TANTO ir! – e pela cara que ele fez ao dizer "TANTO", queria dizer que o "TANTO" era um "TANTO" um "TANTO" grande.

- E...? - "o que lhufas eu tenho a ver com isso?" completou em pensamento.

- Posso ir? – pediu com cara de choro. Nina riu.

- Claro! Você é maior e vacinado, pode fazer o que quiser...

- Você fica em casa então? – o sorriso já se alargava a ponto de Nina poder visualizar o maxilar do amor platônico trincar, quando Nerak se impôs.

- Não. – sorriso na face de Naruto = nada. – Nina tem um encontro hoje.

- Tenho?

- Ah é! – exclamou Nami. – Tem sim, Nina. – se aproximou do grupo. – Marquei um encontro com meu quase-namorado na boate em que ele é dono e ele, fofo como sempre perguntou se podia levar dois amigos.

- Um namorado "fofo"? – Nina enrugou o nariz. - Trocou de boy magia, é? - Nami mostrou a língua. - De qualquer forma eu não quero me encontrar com ninguém. – protestou Nina. – E eu vou pra casa com o Naruto agora. – porém, não foi preciso dizer isso: o loiro já tinha a puxado pra fora da loja.

- Te buscamos às nove! – gritou Nerak.

- "Te buscamos às nove" – repetiu Naruto visivelmente chateado. – Elas pensam que você é como elas por acaso?

- E como elas são? – sorriu de lado. As brigas de sua amiga e irmã com Naruto sempre rendiam boas risadas.

- Nada. – comentou apertando os olhos e Nina achou melhor não contestar.

- Naruto, como conseguiu diminuir o hematoma dos olhos?

- Já ouviu falar naquele coisa pastosa que você tem guardada dentro da sua necessaire – eu peguei ela, falando nisso – que você usa de vez em quando pra cobrir suas espinhas do tamanho de crateras? – Nina não sabia o que fazia primeiro: se ficava ofendida, ou confirmava suas suspeitas.

- Base? – foi melhor confirmar.

- Exato! – sorriu vitorioso com sua própria inteligência. Era o que ele achava que tinha pelo menos. – Não vai contar para ninguém que eu usei maquiagem, vai?

.

Antes de se enfrentar uma balada com suas melhores amigas Nina sempre dormia. Tirar um cochilo é muito proveitoso para todas as pessoas que tivessem uma Nami e uma Nerak em sua vida. Assim ela se esquecia por alguns momentos que estava indo num encontro às cegas promovido pela irmã que, mesmo sendo meiga e gentil - Naruto discordava - era uma histérica querendo empurrar homem para ela de qualquer forma. "Qualquer homem que não inclua Naruto", era o que dizia Nerak ao apoiar a amiga na árdua luta para que Nina esquecesse o loiro. Mas esquecer como? Estudaram juntos desde o primário até a faculdade (embora cursassem cursos distintos), moravam juntos desde o final do segundo médio e diviam tudo: desde finanças, pão com ovo até segredos. E ela só percebeu que estava apaixonada pelo amigo há dois anos... Tinha a esperança de que Naruto um dia percebesse que o que tanto procurava nas baladas tinha em casa há muito tempo.

O despertador tocou indicando que era hora de se arrumar para mais uma noitada que a deixaria com os pés inchados e doloridos.

Animador, mas ao contrário.

Ainda sonolenta Nina sentou-se em sua cama e sentiu que seu pé esbarrava em algo, o que a fez se abaixar em gesto automático e pegar o objeto, seguindo rumo ao banheiro, pronta para jogar aquilo fora, quando se deu conta:

- Naruto! – gritou do banheiro, vindo em direção à sala. – Quando você quiser que eu jogue meu copo favorito no lixo me avisa! – ele gargalhou.

- Não acredito que você fez isso de novo!

- Imbecil. – balbuciou deixando o copo em cima da mesa que tinham na sala e voltou para o banheiro.

- Vai demorar, Nina? Eu também tenho que me arrumar! – disse a seguindo.

- Por que não se arrumou antes? – ela já estava com uma escova enroscada nos cabelos.

- Porque eu... Ah, sei lá! – e sem cerimônias como sempre, entrou no pequeno cubículo quase derrubando a amiga no chão com o gesto.

- Naruto! – riu. – Só não caí porque não tem espaço pra fazer isso aqui... – e numa quase luta pelo espelho os dois tentavam se arrumar entre cutucões de cabos de escova de dentes e mão com gel.

- Assim não dá! – Naruto continuava rindo. – O banheiro desse apartamento é muito pequeno!

- "Apertamento", você quer dizer... – ele riu mais uma vez. – Poderíamos juntar dinheiro e nos mudar para um apartamento maior depois que os gêmeos nascerem... – sorriu lembrando-se da piada, coisa que Naruto só conseguiu depois de alguns segundos.

- Concordo, eles precisarão de espaço para correr... – respondeu fazendo a escova de dentes laranjada escorregar de um lado para outro na boca cheia de espuma.

- Nesse caso uma casa térrea seria melhor, com um jardim bem grande. – continuava brincando enquanto tentava passar rímel com o espaço do espelho que lhe sobrara.

- Deve custar caro. – ele parou e se fitou seriamente no espelho. – Teria que parar de pagar a clínica do meu irmão. – e olhou para ela.

- Ele ganhou o tratamento do governo, lembra?

- É mesmo! – exclamou erguendo os braços para cima. Sorrindo, abraçou a moça pelo ombro. – Um dia teremos tudo isso Nina, eu prometo. Um dia iremos ficar com pessoas que realmente valham à pena constituir família e todo o resto... – falou confiante enquanto saía do cômodo.

- Um dia... – repetiu para si mesma enquanto terminava de passar seu batom – Um dia...

- Eu já vou indo! – voltou para dar um beijo no rosto de Nina. – Aproveite a noite, não beba do copo de ninguém, não fique dando moral para esse tipo de gente que anda com a sua irmã... – percebendo o olhar de desaprovação da amiga, corrigiu o comentário – Desculpe, os "amigos" da Nami e... Pensa em voltar que horas?

- Eu chego antes de você, não se preocupe – sorriu.

- Então 'tá! – e ao ouvir a porta da sala bater Nina sentiu toda a casa ficar estranhamente quieta e sem graça. A influência de Naruto realmente a perturbava.

E a falta dele mais ainda.

Não demorou muito para que Nami chegasse com o namorado de testa tatuada na Mercedes preta. Como era de se esperar no figurino de noite de sua irmã não faltava a cor preta, muito menos maquiagem carregada da mesma cor. O que faltava mesmo era comprimento no vestido. Se fosse com Nina, aquele vestido seria uns trinta centímetros mais comprido, no mínimo. Nerak também se apresentava com aquela calça de couro preta colada que ela fazia QUESTÃO de usar em baladas. A novidade era a blusa frente única de paetês prateados com um decote profundo que era possível ver seu umbigo e mais além. Agora, uma novidade não muito brilhante era a cara de "ai que saaaaaco" que a loira sustentava. Antes que perguntasse o porquê daquela cara, os três rapazes saíram do carro, sendo um mais alto que o outro.

- Nina, esse é o Deidara – e pela cara de Nerak que parecia ter chupado um pacote de limões Nina deduziu que aquele era seu acompanhante. – E esse aqui é o Sasori.

- Você é a Nina...? – o ruivo apertou os olhos como se estivesse se lembrando de alguma coisa. – A menina do pijama azul com ovelhinhas amarelas! É você!

Era só o que lhe faltava...

- Na verdade são nuvenzinhas amarelas... – corrigiu-o sem graça.

- Você foi MESMO com aquele saco? – gritou Nerak.

- Não é um saco... – sorriu Sasori. – É bonitinho. – sorriu dessa vez para Nina – Onde estão suas pantufas?

- Em casa, hoje eu usarei sapatos normais, prometo. – riu tentando ser simpática. O comentário dele estava a deixando mais sem graça mais do que devia.

- Ah, eu fui indelicado, me desculpe...

- Foi nada! – exclamou Nami. – Ela nem ligou! – disse temendo que o encontro desse errado. – Vamos?

Nina deu um suspiro ao olhar a lataria brilhante do carro. O que ela não daria para voltar para seu apartamento, deitar em seu sofá velho enquanto assistia um dos clássicos Disney em seu VHS antiquado...

- Nina! - foi a vez de Nerak gritar. - 'Tá esperando um convite ou o quê?!

Aquela seria uma longa noite...