Boate Suna!
De novo.
Ora, porque Naruto iria perder tempo procurando outras boates se a Suna estava oferecendo outro evento temático? E também, nenhum sobrancelhudo estava por perto. Deu de ombros; era só ser cauteloso para o gerente não vê-lo e tudo estaria bem.
Sábado, enfim! Quem não amava o sábado? Esse dia da semana que é que como o domingo só que mais legal? E com mais mulheres, mais bebidas, mais mulheres, mais aperitivos, mais mulheres e... Ele se esquecia de algo? Ah sim! Mais mulheres. E ele via mulheres em toda a parte: mulheres entrando no banheiro, mulheres saindo do banheiro, mulheres vomitando em meio a pista de dança – o que não era muito bonito de se ver, confessava. – mulheres pedindo drinks, mulheres entrando desacompanhadas – suas preferidas! – e mulheres acompanhadas de ruivos altos e de aparência terrivelmente mais simpática que a dele.
Essa parte não o agradou muito, principalmente ao ver quem acompanhava o ruivo alto de aparência terrivelmente mais simpática que a dele:
- Nina! – exclamou de braços abertos chegando na mesa em que os três casais haviam se sentado – Você por aqui!
- Ai, só posso ter grudado chiclete na cruz! – falou Nami visivelmente chateada.
- Mas o que temos aqui? Convenção de palitos de fósforo? – sorriu como só ele sabia sorrir. – Incluindo um artificial – olhou para Nami que, se possuísse raios lazer ao invés de olhos não teria perdido tempo em reduzir o loiro a pó – Olha só, Nami, retocou a raiz!
- Achei que depois de ontem nunca mais voltaríamos aqui. – riu Nina tentando apaziguar a situação.
- Ontem? – Gaara pronunciou a primeira palavra da noite (ou do dia). Ele havia se esquecido em quais circunstâncias Sasori havia conhecido a morena na noite passada.
- Sim, Bozo. – continuava se referindo ao cabelo do ruivo. - Ontem, quando minha namorada grávida de dois meses veio me buscar aqui.
- Muito engraçado meio-homem, meio-jegue. – rebateu Nerak. – Pode calar a boca agora?
- Bozo? – Gaara não tinha visto graça na comparação. Não mesmo.
- Grávida de dois meses? – Deidara arregalou os olhos. – Você tem imaginação.
- É por isso que a sua barriga já está apontando? – Sasori riu. – É brincadeira, viu?
- Claro... – murmurou Nina com um sorriso torcido. Por que tinham que insistir em falar isso para ela?
- Não se insinua nunca, nem de brincadeira, que uma mulher está nem que seja um pouquinho acima do peso. Além de não ter nenhuma importância você só cutuca uma coisa que elas infelizmente ainda tem mania: aparência. - disse Naruto em sua maior pose de palestrante. - E a Nina não se encaixa no perfil das que está acima do peso. Mesmo que estivesse, seria linda da mesma forma. – depois de uma pausa assombrosamente tensa, Naruto se voltou para Nina que ainda estava vermelha. – Quer vir comigo um instantinho, amor? – queria conversar com a colega a sós. Não tinha gostado da cara de Sasori
- Claro!
- Que não! – Nerak e Nami novamente em coro.
- Meninas... – chiou Nina.
- Já não basta morarem na mesma casa, agora ele quer te arrastar para os mesmos programas de índio? Nem pensar! Você fica! – e o que Nami tinha dito, era uma ordem.
- A gente se fala depois, Naruto... – disse como se pedisse desculpas.
- Tudo bem... Quando quiser ir embora, eu estou ali... – apontou para o quiosque e se afastou.
- Quer ir dar uma volta lá fora? – Sasori interveio a seu próprio favor, percebendo como Nina estava mexida com a presença do tal amigo. – Já percebi que não vamos beber mesmo...
- Claro que ela quer! – Nami não deixaria que um bom partido como Sasori escapasse da irmã. – Ela adora o ar fresco!
- Não adoro, não! – sussurrou para a irmã, mas a essa altura o ruivo já tinha a levado para o jardim dos fundos.
- Ótimo, – pensava Naruto de cara amarrada. – agora ele vai levar ela pra "tomar um ar", enrolar a Nina com aquele papo mole de "ai-como-seus-olhos-são-lindos" e tentar fisgar ela... – e ele sabia porque era exatamente o que tentava fazer com as moças que encontrava em suas baladas.
Não obteve muitos sucessos com suas cantadas do tipo: "sua mãe é caixa de supermercado? Porque você é um bombonzinho", ou então "Seu pai é um ladrão, porque roubou as estrelas do céu e colocou em seus olhos". O máximo que obteve foram tapas dados com vontade e com as mãos bem abertas.
Ficaria de olho. Deu graças aos céus pelas janelas serem inteiramente de vidro, pelo menos assim poderia ver com transparência o que ocorria e o que poderia ocorrer no jardim do Suna.
E isso incluía o gerente do estabelecimento estar dando uma vistoria geral no local.
Sentiu um arrepio percorrer toda sua espinha, enquanto mantinha seus grandes olhos azuis arregalados que acompanhavam o fino homem descer as escadas enquanto observava atentamente o movimento. Assim que o mocassim atingiu o piso térreo, o loiro atravessou a pista de dança correndo, antes que o gerente visse Nina – infelizmente – acompanhada:
- Senhor! – gritou animado. – Que bom que te encontrei! – sorriu enquanto sentia o suor frio escorrendo por suas têmporas.
- Rapaz, o que faz aqui? – estava espantado, mas não mais do que Naruto que tentava desesperadamente chamar atenção da amiga.
- Eu... – e abriu a boca para não falar nada.
- Onde está sua namorada?
- Em casa fazendo sapatinhos para os trigêmeos! – disse automaticamente enquanto encarava a morena que ainda não o tinha visto.
- Vocês não iriam ter gêmeos?
- Aham... Quer dizer, é! Gêmeos! Mas hoje nós fomos fazer outro ultrassom e descobrimos que são três... – e a última frase foi dita tão seriamente que até mesmo Naruto se convenceu do fato...
- E não está feliz? – ...e convenceu o gerente.
De novo.
- Estou! – gaguejou – É que... – sem ideias, falou a primeira coisa que lhe veio à mente – O que é aquilo lá? – e apontou para direção contrária, enquanto jogava sua taça a janela de vidro para assim Nina enfim vê-lo.
E ela viu. Não porque o líquido manchou a transparência, ou porque a taça estilhaçou-se em mil caquinhos. Pelo contrário: o que estilhaçou foi a própria janela. Que hora mais perfeita para dar tudo errado!
- Que barulho é esse? – o gerente pulou assustado enquanto Naruto o abraçava pelo ombro, ainda de costas para o estrago que tinha feito.
- Eu também ouvi, veio da cozinha! – e com a mão livre apontava para a porta de saída. Nina não julgou aquilo necessário, já que a janela quebrada era motivo suficiente para ela desejar sumir dali.
.
Nerak achava incrível como Gaara e Nami não se desgrudaram nem um mísero minuto, nem quando Naruto deu seu showzinho à parte. E olha que a boate era do ruivo. A situação estava se tornando constrangedora e Nerak estava olhando a cena sem pudor, como se assistisse um filme e estivesse esperando pelo clímax. No caso seria quando um dos dois engolisse a cabeça do outro como em um filme de Alien.
Que droga. Só ela não estava contente com a situação?
Tentou se dar bem com Deidara, mas depois de cinco minutos de conversa não sabia se se jogava do carro ou jogava o loiro. Achou muito melhor se jogar; não queria correr o risco de ele não calar a boca mesmo em coma. E não, não era só porque ele era um mala-sem-alça-sem-rodinha-sem-zíper-sem-botão-e-sem-forro que ela pensava daquela maneira. Sempre odiou homens que a olhavam de cima a baixo como se fosse modelo da Victoria's Secrets sem as peças íntimas da coleção. E Deidara se encaixa nessa lista de homens que ela adoraria ter a oportunidade de fazer uma vasectomia sem anestesia.
Quando estava quase dormindo de tédio, sentiu o lugar ao seu lado afundar e o calor de um hálito que cheirava martine de maçã dizer pausadamente como um locutor de rádio-motel:
- Você não fica com vontade? – ele se referia ao casal ruivo.
- Fico... – disse chateada. – Fico com vontade de ir para casa. – se levantou pegando sua bolsa e em seguida cutucou Nami. – Hey...
- Não enche. – disse entre um beijo e outro.
- Mas eu estou com sono!
- Vai ver as estrelas lá fora, então... – disse a primeira coisa que quicou em sua cabeça. Nerak se sentou novamente ao lado de Deidara que insistente, continuou falando pausadamente.
- Você gosta de estrelas?
- Adoro uma estrelinha. – falou com um sorriso tão falso quanto o Armani da platinada de botóx na mesa ao lado.
- Eu conheço um motel que tem cinco.
Como é?! Ela havia ouvido direito?
- Parabéns. – disse ainda mais chateada, enquanto se levantava pela segunda e ÚLTIMA vez. – Nami, vai comer aqui ou quer que embrulhe? – os dois pararam o que faziam e cada um olhou para um lado distinto: Nami arregalando os olhos indignados para a loira movendo os lábios num mudo "o que você disse?", enquanto Gaara agora percebia o que a janela de sua boate havia se tornado.
- Mas o que aconteceu? – e Nerak não soube identificar qual era a emoção na voz de Gaara. Não era pânico ou indignação, nem mesmo preocupação.
Seria indiferença?
- Uma besta loira – disse olhando para Nami. – jogou uma taça na janela e deu no que deu. – a irmã de Nina bateu a mão contra sua testa, fazendo mil juras mentais de morte para Naruto. – Podemos ir embora agora?
- Claro – disse fechando os olhos irritada. – Eu vou para casa... – disse para o ruivo. – Sinto muito pela janela...
- Tudo bem. Eu te ligo – e as duas seguiram para a saída. A loira não entendia como Nami não tinha medo do Sabaku e sua expressão tão gentil quanto a do Jig Saw.
- Eu também posso te ligar, Nerak?! – era Deidara quem tentava pela 15973024864682731985 vez uma aproximação.
- Não! – e quando as duas já se encontravam praticamente dentro de um táxi, Nami subitamente se lembrou da irmã o que a levou a perguntar:
- E Nina?
- Depois que o jumento do Naruto quebrou a janela? Sumiu da boate com ele.
As duas reviraram os olhos e informaram a direção ao taxista tendo certeza de que a noite não foi de toda proveitosa.
.
Estava se livrando do serviço quando se encontrou com Konohamaru, o novo estagiário da loja de colchões. Mal devia ter saído da puberdade devido as poucas espinhas que ainda apontavam na testa do moleque irritante de aba reta. Havia grudado em Naruto mais do que chiclete em fibra de tecido e não deixava o loiro sequer respirar. Não sabia segurar a língua e quase soltou para o chefe de ambos que só pediram um bebedouro d'água na porta das dependências da loja para que pudessem dar algumas escapadas ao longo do dia e também poder ver melhor as – diga-se de passagem – belíssimas pernas femininas das moças que experimentavam as fantasias da loja de produtos eróticos que ficava na frente de onde trabalhavam. Deus era misericordioso...
- E aí? Qual a fantasia? - o menino ria como se ele e Naruto fossem bons companheiros.
- Nenhuma, só vim beber água.
- Sei... – riu enquanto dava uma piscadela cúmplice. – A de Branca de Neve, Chapeuzinho Vermelho ou Índia?
- Eu só vim beber água – falou sério. Konohamaru percebeu que era verdade e silenciou.
- Namorando muito?
- Não. Minha última tentativa resultou em mulheres grávidas de trigêmeos, um irmão internado e uma janela quebrada.
- Mulheres grávidas? – seu queixo quase se desprendeu do maxilar, mostrando o tamanho da sua indignação. – E eu nem sabia que você tinha irmão!
- Esquece... – Konohamaru parou de falar e ficou pensativo.
- Já tentou uma agência de namoros?
- Agência de namoros? Tem disso? – o interesse bateu na cabeça do loiro.
- Tem. – sorriu. E que sorriso forçado! – Você se cadastra e espera.
- Espero vídeos?
- Não, o sistema que eu vi é mais divertido, é um "encontro às cegas", sabe? – riu. – Você vai se encontrar e nem sabe quem é a pessoa!
- E qual é a graça? – chateou-se novamente Naruto, não vendo vantagem alguma em sair com uma pessoa que nunca tinha visto antes. Até parecia coisa da Nami...
- Ora, você preenche um formulário com suas características, pontos positivos, negativos e escreve o que procura em uma mulher. Eles então jogam no computador e arranjam alguém em cima do que você procura e que também procure o que você tem. É isso. – os olhos de Naruto começavam a brilhar.
- Eu posso achar a mulher perfeita... – balbuciou para si mesmo. – Konohamaru, você é um gênio! Onde fica essa agência?
- Terceiro andar, do lado da loja de Hard Rock onde tem aquele vendedor estranho.
- O barbudo?
- Não, trocaram, é um cara que tem o rosto meio torcido, como se tivesse enfiado a cara numa centrífuga e... – não pode terminar. Naruto já não estava mais ao alcance dos olhos.
E, a propósito, era de Cinderela.
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Estavam na casa de Nina e Naruto vendo filme juntas naquela fresca e nublada tarde de domingo. Nami resolveu não se estressar com o sumiço da irmã com Naruto, apenas porque ela tinha dado seu telefone à Sasori e aquilo tinha acalmado os ânimos da Arishima mais velha. Bom, pelo menos ela conseguiu ficar calma por algumas hora, mas isso porque o loiro hiperativo não estava presente. Era incrível como o Uzumaki conseguia tirar as amigas de Nina do sério. Aliás, não somente elas, quase todos que o cercavam. Somente a morena conseguia aturar o amigo, a única que o aturava há anos. Na opinião da irmã a mesma deveria ser canonizada como santa...
- NINA! NINA! – ... ao contrário dela própria e Nerak, que desejavam a morte do loiro. Bem lenta de preferência. – ADIVINHA!
- O quê? – sorriu, enquanto as amigas voltavam os olhos para a tela da TV.
- Eu me inscrevi numa agência de namoros! – Nami quase cuspiu todo o refrigerante que tinha na boca enquanto Nerak se engasgou com a pipoca. O sorriso de Nina foi sumindo incrédula, enquanto o de Naruto apenas aumentava exageradamente. – Vou tomar banho! – anunciou cheio de cerimônias.
Mesmo com o filme ainda passando o tempo parecia ter parado num vácuo. A cabeça de Nina pipocava com inúmeras hipóteses de Naruto enfim encontrar alguém que lhe agradasse por completo. E ela, como ficaria? E seus sonhos? Sua esperança? Teriam sido tudo em vão? Antes que lágrimas brotassem nos grandes olhos castanhos, Nerak perguntou pausadamente:
- Posso matar ele?
