*surge das cinzas* OLÁÁÁÁ \8D/

Bem, acho que nenhum "me desculpem" cabe direito aqui. Muita coisa aconteceu e, depois de tanto tempo, estou voltando para trazer a continuação e enfim o final de "Colega de Apartamento". Obrigada pelas reviews que eu recebi ao arrumar os capítulos e um abraço em especial para . Considere esse capítulo um especial para VOCÊ que me fez ter vontade de retomar esse capítulo com força total! Obrigada, de coração!

E, claro, um beijo para minhas lindas Emely, Karen, Nicole e Isabela, por terem continuado a acreditar nessa história, mesmo depois de tudo. Eu amo vocês! s2

Uma boa leitura! ;)


Naruto não aprendia. Depois de mais cinco encontros desastrosos com o mais diverso tipo de de mulheres, ele resolveu enfim encarar os fatos de que não estava dando certo. Konohamaru tentou consolá-lo falando das inúmeras possibilidades femininas a disposição, mas Naruto mostrou-se irredutível.

- Vou virar padre, me isolar no alto de uma montanha e ficar até morrer! – dramatizou.

- Quem faz isso são monges.

- Então eu fico eunuco! – declarou sem querer deixar seus argumentos caírem.

- Você pelo menos sabe o que isso significa? – Konohamaru começou a rir. Como o esperado, o silêncio do Uzumaki reinou. – Então você precisa assistir mais Game of Thrones.

- Tem muitos eunucos lá é?

- Tem um muito especial... – Konohamaru perderia o amigo, mas não a piada. Talvez o emprego junto, mas não a piada.

Os risos do rapaz só dissiparam quando uma cliente entrou na loja. Bem, talvez nem mesmo cliente, o famoso "estou só dando uma olhadinha" sempre desarmava os vendedores – aquela era uma espécie de "não" disfarçado – e os fazia voltar a arrumar planilhas, contatar fornecedores e ouvir algum cliente chato despejando inúmeras reclamações sobre o plástico do colchão estar desalinhado quando a encomenda chegou.

Naruto simplesmente odiava aquele tipo de reclamação sem sentido.

- Hei, Konohamaru, deixe a moça em paz e vem me ajudar aqui! – esbravejou colocando o fone no mudo. A mulher estava reclamando há mais de dez minutos. – Entendo Orochimaru-san, mas esse tipo de embalagem em desalinho não quer dizer necessariamente que o produto esteja danificado...

- Veio um furo no plástico. Um furo! – ele berrou do outro lado.

- Konohamaru! – Naruto transferiu a raiva do cliente para o vendedor.

- O quê?! – chiou Konohamaru, até então empinando o peito para a garota que cercava os inúmeros colchões.

- Orochimaru. – o loiro devolveu no mesmo tom. O rosto do outro vendedor se contorceu. – Venha resolver.

Xingando baixinho Konohamaru se afastou, tendo os risinhos da jovem de cabelos castanhos acompanhando ele. Era só o que faltava, Konohamaru flertando com uma cliente...

- Valeu, Naruto. – resmungou.

- Valeu mesmo, ele estava quase chamando o marido. – isso fez o rapaz suspirar em alíivio. Kabuto conseguia ser mil vezes pior que Orochimaru , tendo decorado todos os códigos de defesa ao consumidor de pelo menos três países.

- Moshi moshi?

Enquanto Konohamaru fazia caretas para o balcão, ouvindo todo o tipo de reclamação possível, Naruto se afastou caminhando até a jovem. Não poderiam perder nenhum cliente potencial, mesmo que fosse preciso um enorme desconto na compra de dois travesseiros, com brinde disponível: um aromatizador de ar em três opções de cores diferentes! (Já que o únimo aroma era o de pinho).

- Yoo, em que posso ajudar?

Quando a garota lhe voltou os olhos perolados Naruto instantaneamente lembrou de Hinata. Eram idênticos, quase uma cópia perfeita, com a diferença daquela garota ser mais baixa e ter cabelos castanhos. Notando a demora do raciocínio do loiro ela riu.

- Pelo jeito você é o Naruto.

- Como sabe meu...? – ele lembrou-se do crachá. – Esquece, foi uma pergunta ridícula.

- Na verdade foi minha irmã que me mandou. – ela riu. Naruto não usava crachá algum. – Hinata.

- Ah, eu sabia que seria muita coincidência alguém com olhos tão parecidos! – ela riu mais uma vez, tirando um envelope da bolsa.

- É, herança genética, todo mundo tem. – e lhe entregou o envelope lacrado com um selo em cera branca. Coisa de gente rica, ele pensou.

- Coisa de gente rica... – ele falou em voz alta. Se Nami estivesse por perto teria acertado a própria testa. Ou a dele.

- O bom gosto é meu. – disse em falsa soberba. – Eu tentei fazer Hinata desistir do canino, mas parece que a conversa com um tal de "Uzumaki Naruto" a fez abrir os olhos para o que realmente importava. – ao ver os nomes "Inuzuka & Hyuuga" na parte de trás o loiro deu um pulo.

- A Hinatinha se resolveu com o crush dela?! – riu animado. Ele sentia-se como a personificação do cupido.

- Ai, foi com você que ela aprendeu essa palavra é? – riu – Sim, ela se resolveu e em menos de um mês ficaram noivos. – Naruto quase rasgou o envelope no meio ao tentar abrir. – Será um café colonial, pode levar um acompanhante se quiser.

- Ah, pode deixar! – os olhos azuis brilhavam. Comida de graça! A Nina não comia mais que meio prato de comida direito, mas iria de qualquer forma. Ele não tinha muitas opções, não é?

- E, caso queira uma sugestão... – ela deu um olhar significativo em Konohamaru, que estava quase babando de tédio com o fone preso à orelha. – Até mais, Uzumaki.

Naruto se despediu e deu um riso malicioso para o colega. Konohamaru que o perdoasse, mas ele precisaria ter outra oportunidade para ver a caçula Hyuuga...

..

Nina não iria ao café-noivado de Hinata. Naruto não conseguiu disfarçar a expressão de total choque com a revelação, tão pouco a careta torcida em raiva quando ela informou que o encontro já marcado para mesmo dia e horário era com Sasori.

- Você é... É... – ele tentou, grunhindo contrariado. – Mas Nina, esse cara é estranho! – ela ria enquanto enchia a cama com peças de roupa. – Ele tem uma coleção de bonecos ventríloquos! Isso não pode ser coisa boa! Quer dizer, você nunca viu Anabelle?

- É um hobbie de família... – tentou explicar, mas os risos não a deixavam. – E além disso nenhum deles está possuído pelo demônio.

- Shh! – pediu quase em desespero. – Não diga isso, nunca se sabe de onde pode sair uma boneca daquelas. – Nina deu uma gargalhada gostosa antes de se virar e dar um beijo no rosto do loiro.

- Eu estarei em casa antes da meia-noite, não se preocupe.

Naruto resmungou conformado. Não teria como ir contra ela, ninguém tirava uma ideia da cabeça de Nina, nem que a abrisse a marretadas. Nisso ela era infelizmente idêntica à Nami.

- Acho bom, mocinha, não gostaria que sua carruagem virasse abóbora.

Ela riu, mas Naruto sabia que sua princesa favorita era e sempre seria Ariel. A ideia de sereias tornando-se princesas sempre cativou Nina desde a pré-escola, e mesmo depois de adulta ela e Kimy perdiam intermináveis horas assistindo "A Pequena Sereia" e brincando de trançar cabelos como se fossem elas donas de caudas escamosas.

Naruto ficou com medo que Nina criasse pernas e fugisse para longe dali. Longe dele.

Balançou a cabeça com a ideia e se jogou na cama da amiga, deitando por cima das saias e demais blusas bordadas com lantejoulas. A morena quase teve um ataque quando viu Naruto abrindo e fechando os braços e pernas, com um anjo de neve, mas sem a neve.

Os risos e protestos de Nina o fizeram permanecer naquela brincadeira de gosto duvidoso, onde o golpe baixo foram as cócegas como ataque por parte dela. Entre um pontapé e outro ambos rolaram para o chão como duas crianças birrentas. Como Naruto gostaria de encontrar uma companheira como Nina...

..

- Pô Naruto, valeu mesmo por me convidar para esse noivado, a Hanabi é uma gracinha... – Konohamaru arrumava o paletó, ansioso por rever a Huuga mais nova.

- Que isso, cara, você foi a primeira pessoa em que eu pensei quando recei o convite. – respondeu dando uma risada constrangedora.

Konohamaru era a última pessoa na face da terra e na lista de Naruto para um evento chique, o rapaz tão sem noção seria capaz de cometer gafes até mesmo dando "Bom dia" para alguém. Não que o Uzumaki fosse muito diferente, mas ele podia fingir por cinco minutos ser uma pessoa fina, bastasse não falar. Ou respirar, como Nami aconselhou.

- Espero que você fique sentado atrás de algum vaso. – ele ouviu a voz da Arishima mais velha com tanta clareza que sentiu-se arrepiar por dentro e por fora.

- Ah, maldito demônio! – deu de ombros para afastar a sensação.

- Me chamando de quê?! – a mão dela apertou seu ombro com tamanha força que Naruto quase perdeu a conciência.

- Mas o que... – ele arregalou os olhos azuis para Nami. Ela só não estava o encarando mais de perto porque a barriga de seis meses não deixava ela se aproximar o bastante para se tornar intimidadora. – O que você está fazendo aqui?

- Eu pergunto o mesmo. – arqueou a sobrancelha o analisando de cima a baixo.

- Eu fui convidado, tá? – torceu os lábios em um bico. – Convidado de honra junto com meu amigo Konohamaru! – quase estendeu o braço para puxar o colega quae acabou caindo com seu desequilíbrio. À essa altura ele já havia identificado Hanabi e estava junto à garota, conversando como se ninguém mais existisse.

- Estou vendo... – ironizou Nami, quando Gaara se aproximou com uma taça em mãos. – Acho que seu colega Inuzuka tem um péssimo gosto para amizades.

- Nani? O cabeça de fósforo conhece o noivo da Hina-chan? – Gaara respirou fundo três vezes para conter o impulso de socar o Uzumaki.

- Não só conheço como ele trabalha na divulgação do meu estabelecimento. – disse em sua voz fria como a morte. Pensando melhor, Naruto teria certeza que a morte passaria longe de Gaara. – E eu não lembro de você ter sido citado na lista de convidados dele...

- Fui convidado pela parte da noiva. – e ele quase chegou ao ponto de mostrar a língua como afronta.

- Qual delas? – debochou Nami.

- Como assim?

Apontando para a extremidade do salão, Naruto identificou Hinata cumprimentando alguns convidados ao lado de nada mais nada menos que Anne. Naruto empalideceu e quase desmaiou ao identificar a moça, severos tremiliques subindo por suas pernas.

Se Jeff the Killer tivesse uma irmã gêmea, essa seria Anne. Se ao meio-dia esbarrar nela fosse capaz de matar Naruto de susto, ele não queria imaginar como seria vê-la em meio à penumbra. Ela havia estudado com o loiro e Nina – e ele nunca entendeu o porquê de Anne se dar melhor com a Arishima e não com ele.

- Chamem um padre... – murmurou quase no chão.

- Eu vou adorar ver você a cumprimentando. – Nami riu debochada caminhando até as noivas, arrastando Naruto junto.

Não tendo tempo para reagir ele apenas deixou que seus passos incertos o levassem até elas, sentindo sua alma escapar pelas orelhas quando foi Anne a primeira a vê-lo. E então ela sorriu.

Aquele sorriso seria capaz de abrir os portões do inferno.

- Naruto! – exclamou – Quanto tempo!

- Oi Satan. – disse em um fio de voz. – Quero dizer, Anne! Parabéns! – gaguejou.

- Ora Naruto, achei que já tínhamos crescido... – abanou as mãos de forma displicente. – Você sabe que nós éramos crianças e, no final das contas, eu nem fui tão levada assim... – claro que não... – Veio sozinho? – ele negou em silêncio. Estava visivelmente apavorado. – Ah, deixe-me apresentar meu noivo, Hatake Kakashi.

Um homem alto de cabelos brancos e máscara se aproximou. Um homem sem rosto com Anne. Era quase o casamento de Jeff the killer com o Slenderman.

- E aí... – ele deu um sorriso torto quando uma mão pousou em seu ombro, o fazendo se sobressaltar pela trigésima sexta vez desde que havia chegado.

- Naruto, tudo bem?

Ver Hinata lhe sorrindo o fez acreditar em anjos. Abraçou ela não pela parabenização, mas por ter acredito ser sua salvadora lhe tirar daquele filme de terror filmado pelo próprio Lúcifer. Em meio a risos baixos semelhantes a tilintar de sinos celestiais eles se afastaram. Hinata estava radiante.

- Fico feliz que tenha vindo!

- Eu também! – conseguiu se manifestar recuperando o bom senso. – Fiquei muito feliz quando soube do seu noivado!

- Eu estou tão realizada, Naruto! – disse emocionada. – Eu nunca achei que fosse dar certo, mas no final... – riu. – Eu preciso te apresentar o Kiba, ele disse que quer te agradecer pessoalmente por ter me encorajado!

- Claro, por que não?

Seguindo uma Hinata vibrante, eles se aproximaram da porta de entrada. O Inuzuka era tão alto quando Gaara e ambos conversavam com Kiba gesticulando largamente. Sorriu ao perceber como ele aparentava ser uma pessoa bacana, digno de Hinata. Seu sorriso só morreu um pouco quando identificou Sasori no grupo de homens. Antes que pudesse questionar a própria sanidade quanto à visão dele, ouviu uma gargalhada que seria capaz de identificar ela em qualquer lugar na Terra:

- Nina?