CAPÍTULO 2
Harry sentia cada molécula de seu corpo doendo, se fosse possível, até os fios de cabelos estavam sensíveis... como era possível sentir tanta dor? Estava com os olhos fechados, tentando colocar os pensamentos em ordem...
Havia uma luta... certo!
Era uma de suas missões como auror... certo!
Estava combatendo alguns comensais que não aceitavam a derrota de Voldemort... certo!
Durante a luta, para proteger Rony... ele... ele ficou na direção de um feitiço enviado por Bella!
Esse era o motivo para estar tão mal... ahhhhhh
Mas... por que não lhe deram uma poção para dor?
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Draco havia dormido encolhido em uma poltrona, e ao acordar já começava a lamentar esta decisão, estava sentindo uma enorme dor nas costas.
Ao se espreguiçar, olhou pela janela e percebeu que o sol já estava alto, embora a chuva tivesse parado, uma névoa cobria a região. Ainda sem se levantar, observou seu jovem paciente, ainda dormindo... mas um leve tremor nas pálpebras demonstrava que estava ficando consciente.
Lentamente se aproximou para evitar que, ao acordar, ele fizesse algum movimento brusco que poderia prejudicar sua recuperação, fato normal em pacientes que acordavam depois de algum trauma.
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Harry sentia um cheiro diferente no ar... não era de enfermaria...
Franziu a testa, umedeceu os lábios, respirou profundamente e ao tentar erguer a mão, alguém o segurou.
- Calma... tente não se movimentar.
Finalmente abriu os olhos, mas arrependeu-se no mesmo instante... estava muito claro... voltou a abrir, desta vez mais lentamente para adaptar-se à claridade.
- On... onde estou? – perguntou com uma voz rouca.
Alguém lhe ofereceu um pouco de água... só então pode perceber o quanto estava sedento.
- Ei ... calma... isso... assim... devagar...
- Obrigado. – disse com a voz um pouco mais firme.
- Er... eu não sei o que você se lembra mas, esta em minha casa, eu te encontrei ontem a noite em uma pequena floresta perto daqui. Não consegui levá-lo para cidade, pois estamos momentaneamente ilhados.
Enquanto conversava, Draco percebeu que o rapaz ficava mais inquieto, olhando ao redor, demonstrando muita insegurança, ele pensou que fosse reflexo de algum trauma que tivesse sofrido.
- Você se lembra onde estava?
"Por Merlin! Ele estava com um trouxa! Como fora parar ali? E pior... como poderia sair?"
- Bom... eu... eu...
Harry estava desesperado, não conseguia pensar em nenhuma resposta plausível.
"Coitado... com certeza bloqueou a violência que sofreu" – pensou Draco.
- Olha... se você não se lembra do sequest..
- Sequestro?! – repetiu Harry.
Ao sentir o olhar do homem loiro sobre si... Harry simplesmente agarrou a chance que aparecia na sua frente.
- Eu... fui sequestrado... mas, não me lembro direito do que aconteceu.
- Eu sabia! – confirmou o loiro balançando a cabeça – Não tinha outra forma de você aparecer naquele lugar.
Harry olhou para o médico e confirmou com a cabeça. Foi uma conversa estranha... ele não tinha a menor ideia de onde estava... mas com certeza não era em Londres... o médico falava com um sotaque estranho...
- Então... qual é o seu nome?
- Harry... Harry Potter doutor...?
- Malfoy... mas pode me chamar de Draco, afinal não estamos em um hospital... Harry, você está sentindo muitas dores?
Ao assumir um tom profissional, Draco começou a examinar o jovem, verificando a temperatura com o termômetro, abaixando o cobertor e começando a tirar as bandagens, para trocar o curativo do corte.
Harry ficou totalmente paralisado... Só então percebeu que estava usando apenas uma bermuda... apenas: UMA BERMUDA!
Ao perceber que o jovem havia ficado totalmente rígido, Draco se questionou se ele poderia estar sentindo alguma dor... mas, ao olhar em seu rosto, o vermelho de suas bochechas, revelava outra coisa.
- Harry, você sabe que eu sou médico... então não precisa ficar constrangido.
"Ah, claro... não é você quem acordou na casa de um estranho sem roupas e está sendo apalpado..."
- Minhas... minhas roupas...
- Infelizmente tive que jogá-las, não tinham mais condições para uso.
Enquanto falava, continuava o exame, olhando os arranhões e as marcas roxas espalhadas pelo corpo do rapaz, Harry não conseguia olhar em seu rosto, estava virado para a janela, tentando pensar em outra coisa que não fosse estar seminu na frente de um loiro lindíssimo... ops... quem disse que ele era lindo? Um loiro abusado isso sim!
- Então... que tal comermos alguma coisa? – perguntou para deixar o rapaz mais à vontade – Ou você prefere um banho primeiro?
- Sim... pode ser um banho.
Draco deu um ligeiro sorriso e saiu em direção ao banheiro, voltou alguns minutos depois e ajudou Harry. Ao entrar, o jovem pode perceber que a banheira estava cheia, parou na porta e olhou para o médico.
- Bom... você precisa lavar os cabelos... e com esse corte no braço, é impossível movimentá-lo com agilidade... você entra, eu te ajudo com essa parte e em seguida te deixo sozinho para preparar algo para comermos... pode ser?
"Para de agir como uma adolescente virgem Harry Potter! Seja homem!"
- Hummmm... ok – respondeu em um fio de voz.
Discretamente, Draco se virou de costas e só voltou quando ouviu o barulho da água, Harry estava sentado quase no meio da banheira, ao olhar sua pele branca, os hematomas se destacavam ainda mais, sem saber o motivo, Draco sentiu vontade de matar quem teve a coragem de fazer mal a alguém tão jovem.
Procurando ter o máximo de controle possível, Draco concentrou-se na tarefa de ensaboar aqueles cabelos negros como ébano que estavam à sua frente. O garoto não estava à vontade e mal respirava.
Sem conseguir se conter, Harry acabou relaxando ao sentir as suaves massagens em seu couro cabeludo, a água estava uma delícia... a mente começou a divagar, o constrangimento foi diminuindo, as dores em seu corpo já estavam até suportáveis, de olhos fechados, tentava lembrar quantos feitiços tinha recebido pois sentia seu nível de magia muito baixo... como se estivesse totalmente drenado.
- Harry... eu terminei... por favor não se esforce muito e volte para cama, vou preparar algo para comermos.
- Hã?... Ah... tudo bem Dr. Draco.
Com um pequeno sorriso adornando seus lábios, Draco saiu e foi preparar uma sopa leve de legumes.
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Demorou ainda alguns minutos para que saísse da banheira. Calmamente observou as roupas que estavam separadas para que pudesse usar. Conseguiu vestir-se com um pouco de dificuldade e, ao observar os botões do pijama pensou: "Por que não?"
Mentalizou um feitiço e direcionou a mão esquerda para os botões, pois o braço direito estava todo imobilizado... um a um começaram a se fechar, mas antes de conseguir abotoar todos, uma leve vertigem o atingiu. Fechou os olhos tentando evitar uma possível queda e lentamente tentou voltar para cama. Ao sentar no colchão, estava ofegante, com a testa suada.
- Olha só o que eu... O QUE VOCÊ FEZ?! – gritou Draco assim que viu o estado em que Harry se encontrava.
- Eu... eu...
- Por que forçou o braço para abotoar o pijama Harry! Que atitude irresponsável... você poderia abrir os pontos!
- Me desculpe!
- Como está se sentindo... – perguntou um pouco mais calmo ao verificar que a palidez estava sumindo do rosto do rapaz.
- Estranho... mas com fome. – acrescentou com um sorriso tímido.
Depois de se acomodar adequadamente na cama, eles finalmente começaram a jantar, para quebrar um pouco o silêncio, Harry tentou iniciar uma conversa.
- Então Dr. Draco... além de médico é ótimo cozinheiro.
- Hummm... Eu consigo me virar... afinal tive que morar sozinho por um bom tempo enquanto estudava medicina... não podia viver de fast food. – Acrescentou, sem perceber, erguendo o nariz, num gesto quase arrogante.
- Qual a sua especialidade? – perguntou lançando um olhar no ombro, que agora já não doía tanto, mas sabia que estava com muitos pontos.
- Eu sou cirurgião plástico... você teve sorte... não vai ficar com cicatriz... fiz o melhor possível.
Enquanto conversava, Harry descobriu que Draco tinha 27 anos, atuava em uma clínica própria, vinha de uma família de posses, pois além dos móveis, podia-se perceber um certo ar "aristocrata", que com certeza vinha de berço...
Ele pensava em todas essas informações enquanto observava o médico lhe aplicar uma injeção, talvez um antibiótico pensou, e lhe entregava um comprimido.
- Isso vai ajudá-lo a dormir, e diminuir um pouco as dores em seu corpo... - explicou ao sentir o olhar questionador do jovem.
- E você Harry... até agora não sei nada sobre sua vida... - perguntou enquanto recolhia os pratos.
- Eu não sei como vim parar aqui... - comentou com voz baixa, preferindo continuar com pelo menos esta mentira - mas moro na Inglaterra, estou ... pensando em continuar os estudos... - enquanto falava, rezava para que não ficasse vermelho, fato que denunciaria mais uma mentira!
- Moro com um tio... - parou de falar e afundou um pouco entre os travesseiros, não conseguindo evitar um bocejo - "espero que monstro não se incomode com o título.." - pensou ao lembrar da antiga casa.
- Estamos muito longe da cidade? - questionou Harry mudando o rumo da conversa.
- Não... apenas algumas horas, mas a ponte está interditada... momentaneamente estamos ilhados... nem meu telefone ou celular estão funcionando... está ansioso para voltar para casa? Preocupado?
- Não... eu estou bem aqui - respondeu sonolento - é um lugar agradável...
Observando que o jovem não estava mais conseguindo ficar acordado, Draco se levantou e arrumou os travesseiros para que Harry pudesse ficar melhor acomodado.
- Harry... quantos anos você tem?
- Hummm... faço 20 final do mês... – respondeu sem abrir os olhos, puxando os cobertores.
Com um leve sorriso marcando seus lábios, Draco não resistiu diante da sonolência de seu paciente e resolveu fazer mais algumas perguntas.
- O que você faz na Inglaterra?
- ...
- Harry ... - insistiu - O que você faz? - perguntou tocando de leve seu ombro.
- Eu ... sou auror... prendo os comensais que sobraram...
- E... o que são comensais?
- Bruxos das trevas ... que...
- Bruxos que faziam o que? Vamos responda.
- Seguiam Voldemort...
Draco, apesar de manter a voz calma e suave, estava petrificado com as descobertas que fazia, seria verdade? Harry poderia estar delirando e falando coisas que estava sonhando... ou...
- Harry... "você" é um bruxo?
- Sou.
- Faz um feitiço para mim...
Embora continuasse sussurrando as palavras, Draco sentia a pulsação acelerar gradativamente a cada revelação ouvida. Vendo que Harry já não conseguiria responder às suas perguntas por muito mais tempo, resolveu insistir tocando o rosto do rapaz.
- Vamos... qualquer coisa... Harry... Harry...
Nesse momento o jovem abriu os olhos, estavam nublados de sono, olhou para as luzes acesas e disse:
- Nox!
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