CAPÍTULO 5
Com um feitiço de levitação, conseguiu erguê-lo, pensando rápido, pois tinha certeza de que Bella logo perceberia o truque, tentou fazer a única coisa que passara na cabeça... aparatar para um lugar seguro.
Tentou uma, duas, três vezes... mas nada aconteceu!
- Aquela mulher infernal... deve ter posto um feitiço na redondeza... não tem como sair daqui!
- Harry...?
- Graças a Merlin ... Draco você está bem?
- Estou sentindo dores pelo corpo... e... Husty... ela... ela...
- Sinto muito...
Enquanto conversavam, Harry continuava andando pela casa, indo em direção ao quarto, com Draco em seus braços.
- Olha... Precisamos de um lugar para nos esconder... vamos trocar de roupa, pegar alguns casacos e sair daqui ok?
Por mais que tentasse ser profissional, lembrando-se de todos os passos que um auror deveria tomar em momentos assim, Harry sentia o coração disparar ao pensar como poderia sair dali sem que Bella percebesse.
- Eles... aquelas pessoas... elas...
- Calma, não fala nada, depois conversamos esta bem?
Depois de colocar Draco na cama, Harry começou a revirar o guarda-roupa a procura de peças mais pesadas para enfrentar o tempo fora de casa.
- Elas são bruxas como você? – perguntou Draco com um voz grave.
Harry estacou no lugar onde estava, sentiu o sangue fugir de seu corpo, lentamente virou-se e olhando naqueles olhos cinzas... percebeu que não poderia ocultar a verdade, deixou os ombros caírem, como se demonstrassem todo cansaço do momento... abaixou a cabeça e deu um longo suspiro.
- Desculpe bagunçar sua vida assim... eu, eu vou tentar consertar tudo...
- Elas são bruxas como você? – perguntou novamente.
- Sim...
Instantaneamente, talvez sem perceber, Draco se encolheu na cama e, quando Harry deu um passo em sua direção, ele se afastou demonstrando medo e confusão.
Ao perceber a reação do outro, Harry evitou qualquer movimento, e procurando mostrar segurança, falou com uma voz firme porém calma:
- Draco, nós temos que sair daqui agora, aquelas pessoas vão voltar... não tenho como te proteger por enquanto, preciso de mais algumas horas para minha magia se estabilizar... olha – disse enquanto procurava se aproximar lentamente da cama – vamos nos vestir e sair ok? Aqui não é seguro...
O médico olhava para aquele rapaz a sua frente... apenas 19 anos incompletos... com um olhar tão decidido, como se acontecimentos assim fizessem parte de sua vida há muito tempo. E ele... 27 anos... totalmente perdido em um mundo que nem sabia que existia... como isso pode acontecer? Sua vida estava com um caminho tão certo... e agora...
- Se afaste de mim...
- Draco... sou eu ... Harry... por favor, nada mudou, eu nunca iria machucá-lo... você sabe disso... – enquanto falava, ia se aproximando lentamente.
- Eu... eu preciso de um tempo... me deixe só por alguns minutos...
- Draco, deixe-me ajudá-lo...
- EU PRECISO FICAR SOZINHO OK?!
Ao ouvir a voz alterada de Draco, Harry percebe que realmente precisava se afastar por alguns minutos... afinal, um trouxa não estaria habituado com tantas informações sobre bruxos e feitiços.
Ele olhou diretamente nos olhos cinzas e saiu lentamente do quarto, não sem antes dar um recado:
- Nós não temos muito tempo...
Saiu, fechou a porta e com as costas apoiadas na parede, lentamente foi escorregando até o chão, como isso podia ter acontecido? Tudo era sua culpa, logo que tinha recobrado a consciência deveria ter saído daquela casa, como pode ser tão inconsequente e permitir que a vida de uma pessoa fosse ameaçada?
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Draco procurou respirar profundamente... uma, duas, três vezes...
Procurava colocar os pensamentos em ordem, ele era uma pessoa racional... muito racional na maioria das vezes... mas agora, como racionalizar o que tinha acabado de vivenciar há poucos minutos na sala de sua casa?
Bruxos realmente existem, logo que percebeu isso na noite anterior, tinha achado a descoberta fantástica, um fato que poderia mudar toda a sua vida... e realmente mudou, mas não da forma que tinha imaginado...
"Aquele garoto, de aparência tão inofensiva era na verdade um bruxo, e de acordo com os últimos acontecimentos, cheio de inimigos... Ótimo... com uma descoberta nova à sua frente e ele tinha que topar logo com a pessoa mais problemática do mundo... era muita falta de sorte mesmo!"
- Ok Draco Malfoy, respire fundo e tome uma atitude... qualquer uma... reaja!
Andando no quarto de um lado para o outro, o loiro tentava colocar os pensamentos em ordem, agir racionalmente, não se deixar abalar... chega de histerismo... como diria sua mãe:
" Nada pode ser tão ruim a ponto de deixar um Malfoy sem ação!"
Com segurança, o jovem médico se dirige à porta, abrindo-a percebe que Harry estava sentado no chão. Os dois se olham diretamente nos olhos.
- Então Harry Potter... pode me explicar que porra é essa que você me meteu? E como poderemos sair dessa sem que eu morra como a Husty?!
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Harry não pode deixar de ficar surpreso com a atitude do médico à sua frente... ele estava totalmente recuperado... pelo menos aparentemente! Isso era um bom sinal...
- Er... – sentindo-se inferior sentado, ou melhor, largado ali no chão, levantou-se o mais rápido possível. – Nós precisamos sair daqui... tem algum lugar onde possamos ir, sem que haja muitas pessoas... eu... não quero que nada de ruim aconteça...
- "Algo" de ruim já aconteceu! – interrompeu Draco de forma ácida.
Respirando fundo, tentando não piorar ainda mais a situação, Harry preferir fingir que não ouvira nada e continuou, tentando ser o mais firme possível.
- Não podemos ficar aqui por mais tempo, eles vão voltar.
- Certo...podemos pegar o carro e ir até a ponte... talvez consigamos atravessá-la... não sei...
Concordando com um aceno de cabeça, Harry entra no quarto e começa a pegar algumas roupas mais pesadas, para enfrentar a temperatura lá fora...
- Você tem uma mochila?
Os dois trabalhavam em sincronia, talvez devido à profissão, Draco conseguia se antecipar à verbalização dos pensamentos de Harry, em pouco tempo, já tinham organizado duas pequenas mochilas com medicamentos, alimentos e algumas roupas.
Tudo não levára mais do que alguns minutos, estavam na garagem, organizando as coisas no carro quando ouviram vários "estalos" do lado de fora.
- Se abaixe! Eles voltaram – sussurou Harry ao reconhecer os sons dos bruxos aparatando perto da casa.
- HARRY POTTER... chega de brincadeiras... saia... e terá uma morte rápida... hahahahaha...
Bella estava parada diante da porta da entrada, que havia sido destruída anteriormente, juntamente com seus comparsas... todos com as varinhas em punho... preparados para atacar ao seu comando.
Ao ouvir a ameaça... Draco olhou diretamente para Harry:
- Pode-se dizer que ela tem um sentimento muito forte por você não?
- Eu tenho o poder de despertar isso nas pessoas - respondeu sorrindo - Acontece que matei o bruxo das trevas que era seu mestre... agora ela quer vingança.
- Hummmm... parece que eles não gostaram muito do que você fez.
Quando ia responder... o som de pequenas explosões o interrompeu. Bella havia cansado de esperar e todos disparavam feitiços na casa, pequenos focos de incêndio estavam se formando.
- Logo eles vão vir para cá... - disse Harry demonstrando preocupação.
Draco não pode deixar de perceber que, apesar de estar muito frio, uma linha de suor estava marcando a testa do jovem e que ele segurava o braço direito, tentando não deixar transparecer que sentia alguma dor... fato que para ele era impossível pois sabia muito bem a real extensão de seus ferimentos e depois dos últimos acontecimentos, com certeza estaria começando a sofrer.
- Eu tenho uma ideia...
Harry virou-se para Draco e percebeu que o médico estava com um sorriso nos lábios como uma criança travessa que vai aprontar alguma coisa.
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Bella estava começando a ficar totalmente descontrolada, e seus comensais já estavam percebendo isso... aliás, estavam adorando perceber isso, pois a cada minuto que passava, as chances de ver Harry Potter sofrer as piores maldições aumentavam consideravelmente. Se em seu "estado" normal ela já era considerada mestra em torturas... imagine assim, totalmente desvairada.
Sim, eles queriam ver o escolhido sofrer muito nas mãos de Bella.
- Comecem!
Foi uma ordem simples e direta. Imediatamente todos começaram a lançar feitiços, destruindo a casa.
Claro que, com tantos anos de experiência, a comensal logo percebeu que não havia ninguém lá e começou a olhar ao redor da casa, procurando outro local onde eles poderiam estar. Não demorou muito e logo notou outra construção. Virou-se e começou a caminhar, sendo imediatamente seguida por alguns bruxos.
Sem esperar por novas ordens, todos começaram a disparar os mais diversos feitiços caminhando naquela nova direção.
Em meio a novas explosões e à fumaça que tomava conta do local, os bruxos foram surpreendidos por um carro que avançava pelo imenso portão de madeira parcialmente destruído e ia de encontro a eles.
A reação foi instantaea, Bella ergueu sua varinha e no mesmo instante os bruxos aparataram há pouca distância do veículo e disparam em sua direção, fazendo com que o veículo começasse a se incendiar, explodindo logo em seguida. Eles correram em sua direção para verificar se havia algum sobrevivente.
Bella ia começar a lançar alguns feitiços, como seus comparsas, quando outro barulho chamou sua atenção. Enquanto todos se distraíram com carro que avançava pela estrada em alta velocidade e começava a se incendiar, "outro" veículo partia, em direção contrária.
Sem perder tempo, ela começou a lançar feitiços, passando por dentro do galpão, totalmente destruído, sem reparar em nada... apenas no veículo que estava à sua frente.
Não demorou muito e o carro também começou ficar em chamas, parando a alguns metros de distância.
Enquanto caminhava por dentro do galpão parcialmente destruído, um som estranho chamou sua atenção, olhando para trás, viu que alguns de seus comparsas estavam caindo, gritando de dor.
Percebeu então que havia caído em uma armadilha, estavam sendo atingidos por alguma arma trouxa. Não demorou muito e observou um homem loiro no alto de uma janela segurando um objeto que nunca tinha visto, ele estava com o rosto bem próximo desta estranha arma que soltava uma linha bem fina de fumaça na ponta.
Apontou a varinha em sua direção, mas antes que tivesse tempo para lançar uma maldição, uma voz chamou sua atenção.
- Desista Bella! Vá embora antes que os aurores cheguem! Você perdeu!
- Nunca! Você vai morrer aqui!
Ela então começou a atacar o moreno com toda maldição que pudesse lembrar mas, graças aos anos de treinamento como auror, e até mesmo aos jogos de quadribol, ele conseguiu desviar da maioria, conseguindo ao mesmo tempo se aproximar ainda mais da maluca.
Enquanto isso no alto, Draco conseguia com uma fantástica precisão, atingir todos os comensais que mirava. Com o imprevisto e sem saber o que os atacavam, eles ficaram parados tentando idendificar algum feitiço que poderia estar sendo usado.
Mas estavam perdidos, sem saber de onde vinham os tiros. Vendo que estavam perdendo terreno, eles aparataram, fugindo do local, deixando Bella sozinha.
Totalmente concentrada em Harry, Bella nem percebeu o que acontecia do lado de fora e, apesar da dificuldade, conseguiu atingir o jovem quando explodiu uma caixa que estava bem próxima a ele. Ele estava há apenas alguns passos de distância, era a oportunidade de finalmente acabar com o escolhido!
Mil pensamentos passavam em sua cabeça, a falta que seu mestre fazia... os anos de solidão presa em azkaban, a perda do "prestígio". A cada passo que dava, mais a ansiedade aumentava... finalmente teria a sua vingança.
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Olá leitores, leitoras...
;)
Enfim... temos mais um capítulo...
Bjs a todos!
