Hello People!
Mais um capítulo do meu novo projeto, chegando atrasado em algumas horinhas devido a minha viagem para Aracaju, mas agora está aqui! Aproveitem, porque tá ruim, sem nexo e o próximo deverá ser um tanto quanto melhor. Perdoem quaisquer erros ou incoerências. São todos meus. Não foi betado, muito menos corrigido. Acho que a fic não vai pegar, mas mesmo assim, vou levando. Enfim... Have fun.
Crossing Lines
Chapter 02 – Punishment
Onze da noite. A chuva e o vento pareciam castigar impiedosamente as construções e quem quer que estivesse circulando pelo campus. Seus passos eram rápidos, porque já estava atrasado. Havia tentado descansar um pouco e acabara dormindo. Estava um bagaço.
Quando avistou o campo, viu que o outro ainda não havia chegado. Lá estava apenas o treinador, com um guarda-chuvas e uma capa, protegido daquele inferno. Ah, como queria que ele simplesmente desistisse da ideia improcedente de castiga-los no meio de toda essa chuva...
Aproximou-se, e em mais ou menos cinco segundos, o outro chegava ofegante, cansado. E pra completar ainda o olhava com aquela cara de desafeto, como se fosse culpa sua estarem ali. Só não o praguejou em respeito a Jeffrey, o treinador, mas sentia que se o mesmo os deixasse ali, acabaria por sair no braço com ele outra vez.
— É bom ver que vieram. — falou a ambos — A tarefa é simples: duzentas flexões, quinze minutos correndo ao redor do campo. Repetindo enquanto eu mandar. E sem trapaças.
Dito isso, ele foi até a entrada do vestiário, recostando-se à parede, uma área coberta onde ele decerto não se molharia.
— Comecem!
Bradou. Jared olhou para o outro antes de se abaixar. Seus braços doeriam, fato. Teria que, ao menos, demonstrar-se melhor do que ele, ao menos nisso. Esforçou-se, e a chuva parecia cortar sua pele, o frio fazendo com que travasse os dentes... E sua exímia contagem.
Atingido o primeiro objetivo, quis rir quando se levantou antes do outro e começou a correr. Dois segundos depois, ele o fazia também. E ainda que não tivesse motivo, ele estava apanhando o ritmo, tentando ir mais e mais rápido. Se aquele era o único modo de atormentar o mais alto, então tiraria proveito.
XXX
Depois de boas horas correndo em círculos e malhando feito condenados, o treinador se desencostou da parede e foi até eles, mandando que parassem. Já eram quase três e a chuva tinha diminuído consideravelmente.
— Espero que isso tenha valido de algo. Não quero mais saber de brigas no meu time, e qualquer coisa que não me deixe satisfeito agora, vou até o reitor Jim solicitar a expulsão de ambos. Há dois anos eu aguento seu comportamento, Ackles. E muito me admiro não ter mudado em nada até hoje. E você, Padalecki, espero que não trilhe o mesmo caminho do seu... "amigo". Dispensados.
Sem mais palavras, cada qual seguiu seu rumo. Ambos garotos ainda se viam irritadiços, porque um acabara por culpar o outro pela palhaçada do castigo. Restava agora, uma boa... madrugada de sono, isso porque a noite já se via mais da metade consumida.
XXX
O sol raiou fraco sobre o campus naquela manhã. Jared abriu os olhos sentindo-se enjoado. Certo, talvez fosse apenas o esforço desmedido na madrugada, no meio da chuva, talvez. Só esperava não ficar doente. Estudar em tais condições e ainda ter que treinar seria um suplício ainda maior do que ter que suportar o mais velho. Por sorte não estavam na mesma sala. Jensen fazia direito, alguns períodos à frente. Por sorte ainda estava no segundo, então dava para ter algum tempo de sobra e se cuidar sem falhar miseravelmente com suas obrigações discentes.
Levantou-se um pouco tonto e perdeu apenas alguns minutos no banheiro, saindo de lá ainda cheirando a sabonete, embalado pela "suave" trilha de murros em sua porta. Vestindo apenas uma toalha, fez o favor de abrir sem avisar, puxando de uma só vez.
— Não te ensinaram a ter educação não?
Indagou.
— Calma lá, Jay! — o outro adentrou sem nem ser convidado, os olhos correndo de cima a baixo pela imagem do amigo — Aposto que com as noticias que trago vou transformar seu dia!
Fechou a porta e puxou o anfitrião até a cama, fazendo-o se assentar.
— E se eu te dissesse que... — fez uma pausa dramática, os olhos azuis brilhando mais que o necessário. Provavelmente era mais uma das suas ideias de jerico — Teremos uma festa incrível onde lançaremos a nossa fraternidade?
— Hã? — Jared o olhou com incredulidade. Será possível que ele tinha tido coragem de vir tão cedo por uma coisa tão... absurdamente inútil dessas? — O que eu tenho à ver com isso? E... nossa fraternidade? Como assim? Será quantos dias eu dormi?
— Jay, acorda! Todos os caras do time se juntaram mais cedo...
— Mais cedo? — olhou o relógio e espantou-se mais ainda. Eram duas da tarde. Em ponto. Por Deus, que onda de azar era essa? — Puta m...
— É, pela manhã, — sutilmente interrompendo o chilique do outro — e falaram com o reitor, e ele achou que seria uma boa ideia pra resolver certas desavenças do time, criando uma convivência mais pacífica!
Enquanto Tom explicava, tudo o que passava pela mente do outro eram lindas cenas de ele e Ackles se pegando escadaria acima, abaixo, quebrando a cozinha e talvez tentando sutilmente enforcar um ao outro nos banheiros de uma fraternidade que cheirava a perfume barato e bebida.
— E eu vou ter mesmo que participar disso? E o... idiota do Ackles também?
—Isso, Jay! Está começando a entender!
Não, de fato, não podia ficar pior. Se levantou, catando qualquer roupa em seu armário e indo se vestir no banheiro. O outro continuou falando empolgado e Jared já sentia a iminência de uma dor de cabeça fazendo as honras de lhe dar "bom dia". Findou saindo de seu dormitório com o outro, praticamente vestido para um enterro, dadas as cores escolhidas. Tom havia realmente transformado seu dia, justo como dissera que faria.
XXX
Chegaram ao ginásio para a bendita reunião que Tom ficara falando todo o caminho. Lá, todos do time já estavam acomodados de algum modo. Decidiriam, além de vários assuntos banais, o local da festa, quem de outras fraternidades poderia entrar e se aceitariam calouros ou não. Jared se assentou ao lado do amigo, pondo-se pacientemente a escutar as decisões, a dar opiniões que pediam... O único problema é que todos pareciam alheios demais, exceto Jensen, que vez ou outra olhava para Jared, de canto, como se o tentasse ameaçar. Tom sabia que ambos estavam ali participando por mera obrigação, e ainda ter que aturar Jensen soltando alfinetadas provavelmente não deixaria o amigo no seu melhor estado de espírito mais tarde. Talvez conseguisse arrastá-lo para uma das festas, só para quebrar o clima e a fama que Jared resolvera construir nas ultimas semanas, tijolo por tijolo, de anti-social.
Quando a coisa toda acabou, ficou claro que o time tinha menos que uma semana para pintar toda uma fraternidade, arrumar os móveis, fazer mudanças e brigar por quartos ou por qualquer outra coisa que estivesse envolvida no processo. E ainda tinham que organizar a festa de inauguração!
O mais impressionante foi a velocidade com que todos se dissiparam ao término do bendito encontro. Pareciam afobados com algum acontecimento marcante. Só Jared parecia não saber de nada. Levantou-se. Tom permaneceu na última rodinha, com Jensen, Mike, Chad e alguns outros garotos que não reparou. Só pensava em descansar um pouco. Seu celular vibrou. O tirou do bolso e viu uma mensagem.
"Jay, mais tarde vamos dar uma festa. Faço questão de sua presença. Sandy."
Bufou. Talvez por motivos como esse não estivesse namorando. Era sempre complicado demais. Depois da última noite, tudo o que queria era juntar forças para lidar com suas batalhas pessoais pelas próximas semanas. Jamais pensara que ficar poucas vezes com Sandra o fizesse sentir-se tão obrigado a acompanha-la e acatar as decisões e "pedidos" da mesma.
Pôs-se a andar rumo a seu apartamento. Seus passos lentos mostravam o quão preso em pensamentos estava. Ter que lidar com tantas mudanças que de fato não queria, o fazia ficar absorto, em busca de uma solução que não fosse se matar, matar Jensen ou explodir a universidade. Ainda podia se lembrar das piadinhas zombeteiras do mais velho, direcionadas, claro, à sua pessoa. Aquele cara ia aprender do pior modo certas lições de respeito, ah, ia. Se dependesse de suas ações, aprenderia rapidinho. Ouviu Tom gritar seu nome. Já era de tardezinha, já estava longe do ginásio e só queria descansar um pouco. Se sentia um lixo e estava impaciente até com o amigo. Quando voltou-se à ele, o viu sorrindo de canto, mas sabia que havia algo errado.
— Vou dormir com você hoje.
— O que? — incrédulo — O que foi?
— Alguns problemas me impedem de voltar para meu dormitório hoje. Não tô a fim de ficar segurando vela pro Mike.
— E a Kris?
— Não faz pergunta difícil, Jay...
Jared não podia acreditar. Depois de um dia completamente estressante ainda teria que lidar com a companhia cheia de falso positivismo de Tom durante toda a noite? Realmente, não andava com muita sorte.
XXX
Já era tarde da noite, estava com Tom em seu quarto, bebendo, o som alto e vários comentários impróprios a respeito de Jensen, do time, das garotas, de um e do outro... Tom havia contado sobre o sutil desentendimento com Kristin, sobre as últimas brigas, sobre o fato dela pular em seu pescoço com as unhas e tudo mais por duas ou três vezes... No fundo, sentira pena do mesmo. Estavam sem vontade de sair, e mesmo havendo três festas diferentes no campus, se mantinham presos. Talvez estivessem sofrendo por antecipação por causa de todo o trabalho que teriam com a organização da fraternidade, ou talvez só quisessem se resguardar para os dias seguintes. Ou talvez preferissem a companhia um do outro. Levantou-se e foi até o som, colocando algumas músicas mais interessantes e quase tropeçando no processo de volta. Tom ria com seu rosto afogueado e olhos pesados, justo como Jared. Estavam ficando bêbados com vodka vagabunda, dentro de um quarto, com músicas de letras promíscuas... Isso era estranho. O mais baixo parecia ter um sorriso torto demais, e Jared sentia que seu rosto estava com a mesma expressão fora de contexto. Quando findou caindo novamente ao lado do amigo, a campainha tocou.
— Tá esperando alguém?
Uma sobrancelha arqueada, cinismo puro! Tinha algo além naquela questão.
— Não, Tom!
Exclamou, se fazendo de ofendido. Bufou e se levantou com o humor de um ogro. Quando tocou a maçaneta, ainda batiam. Abriu e, ao se deparar com Michael Rosenbaum portando uma séria expressão de preocupação ao lado de sua "namorada", não pôde deixar de indagar:
— Mike? O que foi?
Quem fez as honras de responder foi a garota de cabelos ruivos.
— Acho que Tom deve ir agora mesmo à festa das meninas! Kris está dançando sobre a mesa, embriagada, com as outras garotas!
— Como é Cass?
O de olhos azuis chegou na porta em dois segundos, indagando, já se preparando para sair. Jared o acompanhou, trancando o quarto antes de ir república afora. Os passos do grupo foram largos, rápidos, cortando o campus. Quando avistaram a casa rosa da fraternidade das garotas, Tom correu porta adentro. Não queria ficar com a fama de que sua namorada bêbada havia deixado de estar com ele para dançar em cima de uma mesa, fora de si, em uma festa de fraternidade.
A garota estava com um top verde-água, brilhoso, um short desbotado mais curto que o necessário e um belo par de saltos, sobre a mesa, realmente. Jared apenas observou de longe o amigo chegar até ela e puxar, colocando-a sobre um de seus ombros largos enquanto a mesma praguejava e gritar "festa acabou!" para quem quer que estivesse se divertindo com os olhos sobre sua namorada. Antes que todos se dispersassem, alguém subiu à mesa e assoviou. Jared voltou-se novamente à direção e qual não foi sua surpresa ao ver Jensen, sem camisa, sobre a mesa, incitando mais e mais pessoas a surtarem com a música alta e a bebedeira.
— Qual é, galera! A noite é uma criança! — estendeu a mão para a "plateia" e puxou uma garota, provavelmente caloura, que não reconheceu ao longe — Vamos lá!
Ele gritou, enquanto alguns a colocavam sobre a mesa. Jared franziu o cenho e se aproximou enquanto o outro descia. Ela, sobre a mesa, jogou os cabelos e começou a dançar, a roupa tão provocante quanto a da garota anterior.
— Alona?
Teve certeza. Sua amiga, nem tão bêbada, mas tão disposta a se divertir quanto qualquer um ali, dentro de um short vermelho, com um top de bikinni dourado e saltos ainda mais altos do que os que usava no dia-a-dia.
— Isso é absurdo! — se aproximou da mesa, olhando para a garota e estendendo a mão — Vamos, desça!
— Qual é, Jay!
Ela disse, puxando-o pela mão antes de se abaixar e dançar provocantemente frente à ele, quem corou, sem graça, e ficou inerte.
— Qual é, Jarhead! Preferia que fosse um cara aí em cima?
Jensen provocou com um apelido irritante, em alto e bom tom, fazendo o rosto do outro se contorcer em um sorriso escarninho de canto enquanto os outros olhavam em direção à suposta iminência de briga.
O mais novo largou a mão da garota.
— Talvez você prefira jogar suas amigas em cena pra tirar os olhos de sua direção enquanto apronta, enrustido.
Dito isso, calou o mais velho, quem com uma expressão de incredulidade, ameaçou se aproximar pra criar caso, sendo segurado por alguns garotos do time. Alona se abaixou novamente, puxando o colarinho de Jared e o beijando. Retribuiu. Não pôde não fazê-lo, porque sim, ela beijava muito bem, e estava lindamente promíscua. Todos ao redor gritaram animados, enquanto Jensen fazia uma cara de nojo e deixava o local. Logo mais uma garota acompanhava a loira sobre a mesa e Jared teve a chance de sair de cena. Droga, estava encrencado. Se Sandy ficasse sabendo, seria um sério problema. Só mais um para sua sutil lista.
Dentre pensamentos desconexos, sentiu estar sendo observado. Tinha que procurar Tom, mas não antes de tomar alguma coisa. Estava com a boca seca.
Continua...
