Olá pessoal! Como de costume, é domingo estou aqui pra atualizar a fic! As coisas ainda vão demorar um tempo pra começarem a andar realmente, então, por hora, desfrutem as confusões do roteiro, os problemas que cada um está cavando para sí mesmo, porque isso, sim, vai ser importante mais adiante! Desde já agradeço a quem está se dando ao trabalho de ler e peço: Deixem comentáriozinhos pra fazer a autora ficar sorrindo feito boba e escrever mais depressa!
:*
Crossing Lines
Chapter 03 – 99 Problems
Com um copo de qualquer coisa na mão, começou a andar pela fraternidade. Era tudo estranho demais quando alguma festa acontecia ali. Parecia deixar de ser uma "casa de bonecas" e se tornar um verdadeiro inferninho. Olhava de cômodo em cômodo, procurando o amigo, a namorada dele, Mike ou Cassidy, ou qualquer outra pessoa que lhe desse alguma informação útil para que pudesse sair dali e ir pra seu quarto, dormir, ou pelo menos tentar. A música alta inebriava seus sensos, e enquanto andava, passou por uma porta aberta. Seus olhos focaram na cena. Conhecia aqueles cabelos, conhecia aquelas costas.
— Sandy?
Sussurrou, não sendo ouvido. Não sabia no colo de quem ela estava, subindo e descendo lentamente. Seu sangue ferveu. Vadia desgraçada! Em passos largos foi até onde as bebidas estavam. Precisava, e muito, delas! Por que diabos ela o havia chamado se ia se pegar com o primeiro que aparecesse? Não, não queria entender.
Direto à cozinha da fraternidade. Direto às bebidas. Jensen estava recostado à ilha, bebendo rapidamente, como se o ponche batizado fosse fugir com conchas e tudo mais.
— Por que não bebe na vasilha de uma vez?
Alfinetou. Ele olhou em sua direção.
— Olha só, a margarida resolveu vir se embriagar! O que foi? Viu algo que não gostou?
— Claro! — ele havia pisado em seu calo — Você está bem na minha frente!
— Hahah, — ele riu alto, cínico — Eu estava aqui primeiro.
— Vá se ferrar! Por que é tão imbecil?
Mandou para dentro meio copo daquela coisa doce e vermelha. Preferia estar bebendo vinho barato ou removedor de esmalte, porque santa porcaria!
— Pra lidar com você tem que ser! De igual pra igual, sabe?
Ele disse, enchendo mais uma vez seu copo.
— Me erra.
Estavam próximos sem se bater. Isso já era um grande passo. A música, de repente, ficou alta demais. A festa parecia ter chegado ao ápice. Bebeu calado ao lado dele por alguns minutos, tão rápido quanto o mesmo. Quando ele se desencostou do balcão, não pôde evitar:
— Pendurou as chuteiras, Ackles?
— Não. Tenho pessoas pra pegar, algo bem melhor pra fazer do que ficar desfrutando da sua adorável companhia.
— Idiota.
— Imbecil.
Ele saiu de cena, e a vontade de jogá-lo no chão e estampar seu punho na carinha prepotente do mesmo, o fez, ainda com seu copo em mãos, sair pra procura-lo no meio de toda aquela gente. Queria arrumar confusão. Fato.
Pessoas, pessoas, mais pessoas em corredores escuros... Parou, olhando em volta. Deveria ter parado em um local mais claro, mas não pôde seguir sua linha de raciocínio quando uma mão tomou seu pulso e sentiu-se ser estampado à parede. Logo pensou se tratar de uma briga, mas quando sentiu a mão contra sua boca, ouviu um pedido sutil de silêncio e detectou um corpo se prensando ao seu, ah, soube que era uma coisa bem diferente. Não estava a fim de relutar, não. Talvez isso fosse melhor que perseguir Jensen no intuito de encontra-lo e quebrar a cara dele. Talvez. Tentou entender algo, mas não podia ver de quem se tratava, e no meio de toda aquela baderna, com todas as bebidas que já tinha mandado pra dentro, nem se importava, pra dizer a verdade. Sua mente estava uma tremenda confusão, porque sabia, sabia ser um garoto ali, com o corpo colado ao seu, os lábios nos seus e a voz rouca, aquela voz que o lembrava de... Jensen.
Arrepiou-se. Não sabia se estava desejando o outro ou o que era, só sabia que aquilo estava acontecendo com alguém provavelmente tão embriagado quanto ele, e que sequer se lembraria no outro dia de ter se entendido pelos corredores de alguma fraternidade de Stanford. Nada além da adrenalina momentânea importava. Seu coração, assim como seu sangue, estava quente, sua pele arrepiada, e as unhas curtas... Ah, droga... como arranhavam bem! Que diabos! Por que é que tinha decidido se meter com um cara que nem enxergava o rosto direito? Não, não queria realmente saber, não mesmo. Não agora. Não era hora para esse tipo de coisa. Não queria pensar, não queria nada além de continuar prensando-o na parede, enquanto procurava qualquer quarto destrancado, qualquer quarto que pudesse cair pra dentro e... bem, não importava.
Sentiu o agarre firme em seus fios acastanhados, fazendo com que deixasse todo o pescoço à mostra, sutilmente desprotegido, direto àqueles lábios deliciosamente perfeitos e macios...
— N-não!
Tentou. Mesmo assim, sentiu sua pele ser marcada, sentiu que queria cada vez mais e que estava disposto a arriscar qualquer coisa, pagar qualquer preço para um pouco mais daquilo. Retribuiu à mesma altura, ouvindo um gemido tão deliciosamente rouco que teve certeza, poderia ter bebido toda uma destilaria, mas não iria esquecê-lo, não mesmo!
— Qual é? Eu nem mesmo...
Começou a falar, arrastado, rouco, mas o outro não deixou.
— Cala a boca!
Depois de tamanha interrupção só pensou em levar as coisas ainda mais adiante. O tomou no colo, com toda a brutalidade que conseguiu naquele momento. Pelo corredor, subiu o primeiro lance de escadas, e ele gemia, com as pernas ao redor de sua cintura, a fricção enlouquecendo-os cada vez mais...
Uma porta destrancada, um quarto vazio com o perfume de Sandy... teve que rir. Estava no quarto dela com um cara. Chutou a porta, jogando-o na cama, em seguida. O jogo continuou tão animado quanto antes. Se viu sem camisa, assim como ele, e o contato pele-a-pele era tão delicioso que poderia... Teve sua linha de raciocínio cortada abruptamente quando sentiu que ele desabotoara seus jeans, os dele também, e que sua boxer estava sendo abaixada. Sentiu quando a mão forte agarrou seu membro, sentiu quando os pontos críticos se encontraram. Oh, droga... Aquilo era delicioso. Ele estava massageando-os juntos! Começou a investir contra ele, ouvir aqueles gemidos que calava com sua boca... Não soube quanto durou, mas sentiu que ele se esvaía e acabou por fazer o mesmo. Os gemidos, tanto os seus quanto os dele, foram ficando mais e mais baixos, e o torpor se apoderando de seu ser... Precisava sair dali, precisava se mandar. O beijou mais uma vez, lentamente, deliciando-se com a maciez daqueles lábios, antes de se levantar, catar sua camisa de repente e sair porta afora ainda ajeitando suas roupas.
Correu, correu dentre as pessoas, correu. Nem viu Alona, Sandra, Tom, Kristin ... só correu, correu em direção a república, chegando em tempo recorde e logo procurando por rumo seu quarto, sem saber ao certo o que estava fazendo.
Encontrou sua porta, mas estava aberta. Adentrou já se preparando para o pior. Tudo o que encontrou foi Tom com Kristin pagando caro por ter bebido tanto, dentro de seu banheiro. Ele, ainda segurando os cabelos dela e a ajudando a não cair, olhou em sua direção.
— Puta merda! O que é isso no seu pescoço?
— Eu... n...
Tentou raciocinar para ter ao menos coerência no que quer que fosse falar, mas falhou miseravelmente.
— Não é possível que você tenha se embriagado a esse ponto em tão pouco tempo, Jay! Oh Deus... E quem vai cuidar da minha embriaguez?
Tom praticamente gritou. Tudo o que Jared fez foi voltar até a porta e fechar com chave. Foi para sua cama, tombando. Não queria pensar em mais nada. Minutos depois, ouviu a voz de Tom.
— Vou deixar Kristin. Não tranque outra vez, volto logo.
— Não pretendo me levantar...
Disse, vendo o amigo levar a namorada já um pouco melhor embora a pedido da mesma. Em sua mente, tantas coisas! Estava tonto pelas bebidas, pensamentos, pelo que havia feito... Sentiu seu corpo acordar. Mais especificamente, uma parte que não deveria fazê-lo, de modo algum! Gemeu. Tom havia saído. Que mal tinha em se lembrar e se divertir mais um pouco? Rolou na cama algumas vezes, desassossegado. Estava relutando. Não queria de todo acreditar no que havia feito no meio de uma festa, se expondo sem se importar, e mais uma vez não queria pensar, em nada, em ninguém. Deixou sua mão deslizar por seu corpo, adentrando sob os tecidos, apertando, colocando força, sua mente então livre para trabalhar a mil por hora... Não se lembrava do rosto daquele com quem tinha dado uns malhos mais cedo, mas se lembrava nitidamente da voz rouca, talvez pela luxúria, talvez por ser daquele jeito mesmo...
— Aah!
Apertou-se com bastante força e deixou-se gemer feito uma vadia. O calor começava a tomar conta, e tudo o que desejou foi repetir o momento, sem a necessidade de sair correndo para se preservar, a vontade de consumar o ato e explorar até não poder mais quem quer que fosse ali...
Ouviu a porta ranger e nada pôde fazer além de tirar sua mão rapidamente de onde estava e deitar-se de bruços, praticamente movendo-se contra a cama, tentando esconder mais um de seus problemas. Afundou seu rosto contra o travesseiro na ínfima esperança de que o outro nem mesmo notasse que estava acordado. Ouviu a porta ser trancada, ouviu os passos e a respiração pesada. Ouviu também quando ele pegou a garrafa de vodka que ainda jazia sobre a mesa e levou aos lábios.
— Sabe, Jay... Eu não quero mais nada com a Kris. Ela não me ama, pouco se importa comigo, com o que as pessoas vão falar de mim por causa dela... Eu não quero mais.
Dentre palavras pausadas, goles e silêncios que demonstravam claramente que ele estava pensando pra falar, foi se aproximando, enquanto andava pelo quarto e sem perceber realmente acabou assentando-se na cama do amigo.
— Jared? Está me ouvindo?
O tocou o ombro, e sem mais escapatória, o mais alto teve que levantar o rosto. Dentre a penumbra, pensou que suas alterações não estivessem tão evidentes.
— Está tudo bem? — Tom perguntou, levando uma mão à testa do outro — Cara, você está quente!
Ainda em silêncio, Jared abriu um sorriso de canto, que fez um conjunto perfeito àquele olhar pesado. Então disse:
— Eu tô bem, sério.
— Você tá queimando!
— É, eu estou.
Tom recolheu a mão pouco a pouco, observando enquanto o outro escondia o rosto novamente. Seu coração acelerou, e deixou-se tomar mais alguns goles, até sentir Jared se mexendo na cama, assentando-se.
— Me dá... eu preciso.
Ele disse, apontando para a garrafa enquanto observava o amigo. Os lábios dele estavam avermelhados, e os cabelos um tanto quanto bagunçados, provavelmente pelo vento, ou pelo gesto de passar as mãos por eles quando nervoso... Os cílios longos faziam uma combinação perfeita quando tinha os olhos fechados... a pele clara, então afogueada...
— Você tá olhando pra mim?
Perguntou, enquanto via Jared beber da garrafa.
— Eu não sei. Por quê?
— Isso tá estranho...
— É, e daí? Quem se importa?
Tom sorriu de canto. Sentia-se torpe, sentia-se exposto ao mundo enquanto observava Jared com todas as intenções que jamais deveria ter para com o mesmo, como todas as outras vezes. E o mais alto havia acabado de fazer uma nota mental: adicionar o que pretendia fazer ao amigo à sua humilde lista de problemas...
Estavam bêbados. Nem tanto, mas isso serviria de desculpa para qualquer coisa que viessem a fazer, para que a amizade não fosse pelo ralo. O primeiro passo foi dado quando Jared tocou o rosto do outro no mero intuito de acariciar.
— O que aconteceu na festa pra você estar assim?
Tom perguntou.
— Prefere que eu diga ou... mostre?
Estava perto demais, de repente. E isso não era de seu feitio. Saber-se ia lá por que diabos estava agindo daquele modo tão invasivo. Talvez ainda estivesse no ponto. Culpa daquelas malditas bebidas, daquele lance estranho e de Tom saber exatamente como parecer tão disponível. Deixou-se tocar o lábio inferior dele com o polegar, enquanto esperava pela resposta.
— Jay... isso não tá certo...
— Você quer parar aqui?
Olhos nos olhos... Tom abaixou o olhar e sorriu de canto.
— Isso não vai afetar a gente, conheço bem como vamos rir disso depois de tudo...
Acabou com a distância, colando seus lábios aos do outro, indo pra cima, sem saber ao certo o que estava fazendo, sem se importar com nada. Só queria Jared. Não era a primeira vez que isso acontecia, de fato, e nunca havia afetado em nada. Por que teria que ser diferente agora? Desde que entraram para Stanford, andavam se... arranjando pelos cantos. Tanto um quanto o outro podia se lembrar de cada uma das vezes.
Num momento Jared estava por baixo, no outro, Tom, as roupas indo para os cantos, os corpos um contra o outro... E olhos nos olhos... A única coisa que diferenciava essa das outras vezes, era o modo como se olhavam. Era mais forte. Mas isso não pareceu influir em nada, não quando mais uma vez, seus corpos findaram colados até o dia resolver amanhecer sem que quisessem perceber as coisas de um modo mais profundo.
XXX
Tom saiu antes de Jared acordar, antes de se olhar no espelho. Sentia uma pressa estranha em se enfiar em seu dormitório e não sair de lá tão cedo. Queria se trancar. Isso era estranho vindo de sua parte, não se reconhecia. Fato que todo o seu positivismo era apenas mais uma de suas facetas públicas, mas nunca estivera tão irreconhecível a seus próprios olhos, não desse modo. No caminho, pôde ver Jensen com um de seus colegas de classe, e teve certeza que falavam de sua pessoa. Ele estava com uma cara acabada, provavelmente tomando um sermão do outro, quem também não parecia muito inteiro. Isso só fez seus passos apertarem. Quando finalmente adentrou o prédio de sua república, correu, mesmo, para seu quarto, abrindo e entrando, se deparando com Kristin já acordada. Mike e Cassidy ainda dormiam.
— Tom?
Ela o seguiu enquanto entrava no banheiro, e começou a falar centenas de coisas enquanto ele lavava o rosto, até o momento em que resolveu encará-la e ela simplesmente se calou, olhos arregalados.
Ele, só então, resolveu se olhar no espelho. Seus olhos também demonstraram sua surpresa.
— Eu vou acabar com você!
Ela gritou, indo pra cima, como se fosse ataca-lo mais uma vez, mas algo pareceu fazer sentido na mente da mesma, como uma única peça faltosa para um quebra-cabeças imenso finalmente encontrada, o que a fez parar no meio do caminho. Ela sorriu, mas aquele sorriso que prometia o inferno na terra.
— Eu vou descobrir com quem você dormiu, e eu te garanto, Thomas, vai conhecer seu pior pesadelo!
Dito isso, girou nos saltos, saindo dali, quase arrebentando a porta. Ele praguejou, levando uma das mãos à testa antes de cair na gargalhada. Estava muito, muito ferrado.
— Jared, seu filho da mãe!
XXX
Nem precisava acordar direito pra saber que estava com uma ressaca dos infernos, nem pra se olhar no espelho e ver a verdadeira imagem que definia a palavra desordem. Bocejou, abrindo o chuveiro e entrando, de uma só vez, quase gritando com a água fria. Era o que precisava para conseguir enfrentar as aulas mais tarde. Não tinha cabeça para nada, fato. A dúvida sobre quem havia pego na festa não o deixava raciocinar direito e nem mesmo pensar nos problemas que teria pela frente com os assuntos do time, com a história da fraternidade... Estava se sentindo um verdadeiro livro de matemática: cheio de problemas. Essa era a sua definição de vida, Jared Tristan Padalecki, a estrela do time, o comportamento perfeito, da porta pra fora, claro.
Continua...
