Hello People!

Como de praxe, passando no fim da tarde de domingo pra atualizar, agradecer os comentários e esperar que a fic continue sendo bem recebida por vocês, meus queridos. Espero que gostem!


Crossing Lines


Chapter 04 – It's a Hickey or a Bruise?

Quando Tom entrou na sala, tudo o que pôde notar foi o alvoroço em torno de sua pessoa. Sentiu a cara queimar. Como se num milagre, Jared adentrou a sala logo em seguida.

— O que tá pegando? — perguntou o mais alto, vendo o amigo de olhos azuis completamente desconcertado — E o que o Jensen tá fazendo aqui com aquele amigo esquisito dele?

— Tá falando do metido a cantor? — apontou destemido — Parece que finalmente Jensen achou alguém tão prepotente quanto ele pra cantar e tocar junto.

Disse, mexendo na própria unha.

— Qual o nome?

— Murphy. Cillian, eu acho.

— Que diabos...

Conversavam parados perto da porta, até Jared se encher e ir se aproximando de seu maior desafeto.

— O que tá fazendo aqui? Exibindo seu suéter de gola alta ultrapassado?

Perguntou topetudo, fazendo o outro rir alto.

— Quem quer saber? O que trombou com uma vampira por aí?

Apontou o pescoço de Jared, quem riu de canto.

— Não, não... só... — estralou os dedos, cortando o riso de Jensen no mesmo instante — Alguém que vai te expulsar logo se não sair por bem...

— Só vim avisar que seu amigo ali, tá com a maior fama de galinha. Parece que a namorada que encheu a lata ontem resolveu espalhar boatos...

Dito isso, saiu de cena, seguido pelo amigo, a baderna na sala logo se dispersando. Jared olhou para Tom.

— O que aconteceu que eu não tô sabendo?

O outro apenas corou enquanto apontava para o pescoço. Oh droga! Aquilo realmente havia saído do controle na última noite. Pôs-se a caminhar em direção ao amigo quando a porta da sala foi escancarada de novo. Ficou estático.

— Jared Tristan Padalecki! — Sandy McCoy estava ali, uma carranca no rosto, mesmo que não tivesse direito algum à isso — Só vim dizer que não me procure mais! Eles filmaram você com a vadia da Alona! Como pôde!?

Os olhos de todos os presentes se arregalaram e Tom começou a rir alto, sem conseguir se conter. Jared saiu apressado atrás da, provavelmente, ex-namorada. Era fato que seu dia não seria fácil, não mesmo! Até seus amigos estavam desfilando com problemas!

XXX

Depois de uma discussão acalorada com Sandy sobre os fatos da festa, sentiu-se um tanto quanto aliviado. Se os olhos ávidos da morena haviam estado ocupados com um cara qualquer durante boa parte da noite e não o haviam visto com algum tipo de comportamento absurdo, provavelmente ninguém mais havia. Já era meio da tarde quando adentrou o vestiário do time pra se trocar. Treinariam até as seis. Tom havia vindo antes, para ter uma conversa com Jensen, procurar saber o que andavam espalhando realmente e tentar desfazer o boato do modo mais apropriado possível, caso houvesse surgido algo sobre ele e Jared.

Foi até o corredor de seu armário, se deparando com Jensen, quem o olhou torto, estranho, de um modo bem diferente de todas as outras vezes. Estava sem camisa, e a marca imensa no pescoço fez Jared tremer nas bases, com as engrenagens de sua mente a mil, olhos colados no hematoma.

— O que foi? Nunca viu? Ou tá apaixonado?

Um cinismo um tanto quanto diferente, bem mais ácido que o usual. Franziu o cenho.

— Qual é o seu problema?

— Você.

— O que?

E ele saiu com a camisa do time em uma mão, um gesto obsceno na outra, deixando o mais novo no vácuo, indignado. Sem entender nada e com aquele jeito de falar inédito do outro na cabeça, se trocou sem nem ver o que fazia, indo ao campo tão aéreo quanto podia estar. O que diabos Jensen tinha? Ainda que seu desafeto, preocupou-se. Quis entender por que ele estava mais estranho que o normal, quis descobrir. Na festa ele parecia tão bem, tão prepotente! Manteve-se observando-o durante todo o jogo, sem dizer nada a ninguém. Ele jamais havia sido de desviar o olhar, de ficar se esquivando. Muito pelo contrário! Ele era aquele tipo de pessoa que poderia perder uma guerra, mas o orgulho nunca deixava abaixar os olhos. Algo sério havia acontecido. Talvez fosse pela última discussão de ambos, ou Tom houvesse pesado a mão para encobrir algum boato com um provável desfecho desastroso, mas não, não parecia nada disso. Tinha cara de ser algo bem pior, mesmo, bem mais profundo.

O treino havia se convertido em jogo e a garoa fina tão usual nos últimos dias havia servido para aplacar o calor do time e dar uma pitadinha de ânimo. Como o treinador havia dito, pareciam zumbis no início das atividades. Era realmente uma péssima ideia dar uma festa daquele calibre bem no meio da semana. E pior ainda, era a ideia de ir, se embriagar e fazer merda. Repreendeu-se mentalmente.

— Hey Jensen! E a ressaca?

O cantor — como era mesmo o nome dele? Ah, Cillian — gritou ao amigo enquanto passava pelo local com o violão nas costas e os cabelos um pouco longos ao vento. Jensen apenas arqueou as sobrancelhas e sorriu amarelo, correndo de costas pelo campo, com os braços meio abertos num gesto, como quem dizia "fazer o que?". Ressaca? Jared havia ouvido bem? Então ele tinha se embriagado? Não se lembrava de tê-lo visto depois da discussão na festa, e ele não parecia tão bêbado. Talvez por isso estivesse absurdamente fora do comum, talvez algo houvesse acontecido com ele dentro de quatro paredes, no meio de toda aquela gente. Algo forte o bastante para perturbá-lo e que, por consideração de alguém, ainda não houvesse vindo à tona.

Voltou sua atenção ao jogo, afinal de contas, dentro de campo, era uma estrela e tinha por obrigação de brilhar, até mesmo nos treinos.

XXX

Adentrou o vestiário mais uma vez naquele dia, direto ao chuveiro, ainda tentando colocar sua mente em ordem para entender o que acontecera ao outro. Pouco demorou. Quando saiu, Tom parecia disperso demais engajando um assunto qualquer com Mike, então olhou em volta, procurando por alguém que pudesse saber de alguma coisa. Numa parede estavam Chad e Justin, conversando sobre trivialidades, num outro canto, Lafferty, o "pirralho", brigando no telefone, provavelmente com o irmão, e outros jogadores, dispersos por natureza. Jensen parecia estar numa das cabines, tomando uma ducha. Era o momento perfeito para escolher seu alvo e colher informações. Em sua mente, organizou um esquema infalível: Primeiro procuraria saber à qual festa ele tinha ido além da das garotas, e depois, era fato que o assunto se desenrolaria sozinho. Demorou-se mais um pouco, se trocando, secando os cabelos, e quando jogou a toalha sobre os ombros, se aproximou displicentemente de Chad e Justin.

— E ai, loiras! — cumprimentou-os, recebendo um riso gostoso de Justin antes de um gesto obsceno. Já estava acostumado com o jeito do amigo — O que, espantei ele?

Fingiu-se preocupado e ofendido. Chad revirou os olhos, rindo também, e começou a vasculhar o próprio armário, provavelmente em busca de algo que fosse precisar. Era o momento perfeito.

— Não, ele foi caçar encrenca em outra área...

Respondeu ao amigo.

— Por quê? Estava te caçando e eu atrapalhei algo?

Pôde comparar a expressão do outro à de quem tem na boca uma imensa barata cascuda;

— Ele quer que eu arme um encontro com Erica Durance... Ela é muito...

— Antipática.

Riram. Sabiam que pelo jeito da moça, jamais se interessaria por alguém como Justin, tão brincalhão e expansivo.

— Por falar em confusões, o que rolou noite passada, Tristan?

— Como assim? Eu ia te perguntar a mesma coisa!

— É que tá todo mundo estranho. Nunca fui de ver o Ackles pelos cantos, o Tom de rusga com alguém e mais cedo ele e Jensen pareceram discutir... Mas também, ele colocou a namorada do cara pra cima da mesa! Se fosse meu melhor amigo, ainda assim ia ganhar uns cascudos.

— Eles saíram no braço?

— Não, não... Jensen tá até meio calmo hoje! — riu alto — também, olha o estrago no pescoço do garoto! Se tiver sobrado energia pra brigar, não sei não, mas ele deve andar com uma bateria no bolso!

Apontou, recebendo um imponente gesto obsceno do que saía do chuveiro. Jared riu.

— Será com quem ele se pegou?

— Camarada, dizem que foi uma das garotas da Delta Zeta mesmo... espero que não tenha sido sua namorada... Porque se lembra da última festa, né, ela e você com esse tipo de coisa...

Jared ainda abriu a boca por umas três vezes para tentar argumentar com o amigo. Sabia que Sandy seria tão capaz quanto qualquer um banhado em lascívia de deixar o pescoço de alguém como Jensen estampado daquele jeito! Arregalou os olhos e fechou os punhos ainda que aquilo não parecesse realmente fazer sentido.

— Eu não acredito! — Chad arregalou os olhos enquanto falava — Espera aí, Jay!

Deixou o loiro falando sozinho, e antes que alcançasse Jensen para mais uma confusão, cego de raiva por mais uma afronta da parte dele, agindo por instinto, teve o caminho impedido por Tom.

— Calma aê, calma aê... O que tá pegando?

Ele segurou o mais alto contra os armários. Jared bufou.

— Era ele quem estava com a Sandy!

Ainda resfolegando de raiva, conseguiu se soltar do agarre de Welling com as mãos abertas em claro sinal de rendição. Estava chamando atenção demais ao seu redor.

Para descontrair, Chad soltou uma piadinha depois de chegar bem perto de Tom e tocar o hematoma no pescoço do mesmo.

— Espera aí!? Galera, — todos olharam para ele, era mestre nisso — Ou vocês três pegaram a mesma garota ou estamos tendo um surto de vampirismo na Delta Zeta!

O alvoroço que se fez presente piorou ainda mais o dia de Jensen, porque tudo o que se lembrava era de mãos fortes, de ter sido levantado do chão e de várias cenas que trariam um problema considerável pra dentro de suas calças se pensasse agora. Era como se fosse castigo por ser tão leviano, por criar um vínculo muito forte de amizade na noite passada com o ponche batizado... E a incógnita em sua mente só se tornava cada vez mais e mais indecifrável... Se Jared e Tom estavam com um hematoma da mesma "intensidade" que o seu, se ambos eram mais altos e tinham as mãos grandes e com agarres fortes... bem, isso tudo só indicava uma coisa: Havia aprontado com um deles.

Dentre toda a balbúrdia, teve a chance que precisava para escapar correndo em direção ao seu dormitório, na garoa que ia cada vez se intensificando mais. Precisava relaxar, pensar. E tentar não enlouquecer.

XXX

Não era tarde, mas também não era cedo. Sabia que tinha uma porção de coisas pra fazer, pra estudar, mas não conseguia focar em nada. Sabia também que se manter pensando daquele modo agonizante, não o levaria a lugar nenhum, porque sempre fora assim. Teria que cavar fontes, tentar cuidadosamente descobrir o que havia acontecido na festa conversando com qualquer um que não fosse Jared. Achava mais fácil falar com Tom, perguntar sutilmente o que ele havia feito, por que diabos havia chegado tão tarde, por que havia tirado Kristin da mesa com tanta brutalidade e para onde tinha ido depois. Baseado nas respostas do mesmo, saberia se ele havia voltado à festa, se ele havia passado por algo, no mínimo, intrigante.

Bufou, revirando-se na daybed* que adornava sua janela. Estava cansado demais, estava irritado e seu dia não podia ter sido pior. Sentia que todos estavam olhando em sua direção, e até Jared havia notado, a ponto de não tirar nenhuma piadinha, o que significava que qualquer um poderia realmente perceber. Corou. Talvez fosse melhor morrer com a dúvida do que perguntar algo a alguém.

Ouviu batidas na porta. Que diabos? Cillian tinha a chave, mas toda vez fazia isso. Só tentava entender se era o nível de preguiça do amigo ou se estaria carregando compras muito pesadas.

Se levantou muito mal-humorado, andando feito um morto até a porta e abrindo-a.

— Tom? — perguntou rouco. Depois que criara uma amizade notável com Jared, o amigo o havia parado de visitar — Não é querendo ser rude, mas... O que faz aqui?

Perguntou, o cenho franzido. Dentro de seu peito, seu coração acelerado indicava seus temores de ter... "se entendido" com o dono dos olhos da cor do céu na última noite.

— Eu... Só vim saber como está. Todos notaram no treino que parecia estranho... Daí fiquei preocupado.

Tom parecia arredio, gaguejando como se estivesse incerto do que dizia. Isso só fez Jensen sentir-se ainda mais propenso a ter feito coisas indevidas com o amigo, levando em conta que ele sempre fora do tipo expansivo.

— E-eu... entre!

Resolveu sorrir e agir com cordialidade. Isso não o mataria, fato. Quando o outro entrou, fechou a porta, oferecendo-o um café só para que tivesse algum tipo de ocupação enquanto falasse com ele, para talvez não demonstrar-se afetado demais.

— Sabe o que é, Jen? Todo mundo te notou estranho, e por mais recente que seja nossa amizade, acabo me preocupando, porque sei que faria o mesmo se fosse o inverso.

Tom tentava se justificar. Jensen olhou para ele e sorriu.

— Está tudo bem, você tem razão. Eu só... acho que andei bebendo demais...

— Todos nós fizemos isso. Ontem foi o verdadeiro dia para ficar louco...

— Eu... me desculpe por ficar botando fogo quando Kristin estava dançando na mesa...

— Não tem problema, não foi culpa sua, cara...

Enquanto conversavam sobre amenidades e assuntos relacionados à festa, o clima tenso foi se desfazendo pouco a pouco e os risos vindo à tona. Desde que Tom entrara para a universidade, havia desenvolvido instantaneamente uma amizade com o mais velho, talvez pelos gostos em comum, talvez por serem mulherengos ou por encontrarem um no outro, à primeira vista, o apoio que sempre precisaram. Tudo parecia às mil maravilhas, até Jared desenvolver um vínculo com o mais novo por causa de um maldito trabalho. Desde então, o que outrora haviam construído, parecera ter perdido o valor. Foram se distanciando aos poucos, perdendo o costume de contar as coisas e então, a amizade pareceu findar. Por algum milagre, sentiam ali, juntos, que as coisas poderiam voltar a ser como antes.

— Sabe, Jen... Minha vida tá uma bagunça! Depois de ontem, descobri que a Kris não se importa comigo, com o que as pessoas vão falar de mim quando o vídeo dela dançando sozinha na festa se espalhar, não se importa nem com o que eu senti por ela um dia!

— Como assim sentiu por ela?

— Não sinto mais.

O outro o olhou e sorriu de canto.

— Já sei, tem outro alguém na parada!

Como se tivesse adivinhado o óbvio, Jensen só não se gabou e colocou uma estrelinha na própria testa porque o que Tom disse em seguida quase o fez cair da cadeira:

— É, tem... Na verdade, é um cara.

O mais velho sentiu sua pressão oscilar mais que seu próprio humor. Não sabia se todas as coisas da última noite haviam sido reveladas num único instante ou se o amigo também andava pelo mesmo barco que o seu. Tremeu nas bases, tentando, claro, não demonstrar nada.

— O que foi? É tão ruim assim?

— N-não Tom, não tem nada a ver... Eu só acho que, tipo, tudo bem você contar pra mim, mas o time não deve ficar sabendo, ou vão começar a te crucificar... Por que sabe né...

— Eu sei, ninguém vai querer partilhar o vestiário com um gay — morreu de rir, inconsequente — Não que eu seja um, mas sabe, tô meio balançado. Não sei se é porque ele pode oferecer um tipo de sentimento que Kristin nunca pôde, ou porque... Ah, não sei...

— Eu acho que posso te entender, amigo... — respirou fundo, decidindo-se se contaria ou não — E não deve ser só você no time com essa situação, mas...

— Eu sei! — o interrompeu, as sobrancelhas levantadas numa expressão tragicômica — Tem bem mais gente nessa, mas ninguém conta! Justo como você disse pra eu não fazer.

Então era verdade... Se haviam mais pessoas com o mesmo padrão comportamental, na mesma situação, havia voltado à estaca zero. Droga. Tanto temor para nada! Suspirou exasperado. Era melhor manter-se calado e esperar que ele contasse mais detalhes, para, talvez, ter a resposta que precisava.


Continua...