Olá pessoal! Era pra eu ter postado isso ontém, mas a preguiça foi tão grande que dormi pelo sofá mesmo, com o computador no colo. Numa posição estava, na mesma acordei hoje cedo. E só agora tive a coragem de pegar nisso pra postar. Não esperem muito. Está uma droga, não parece querer andar. Espero que o próximo seja melhor. Não sei se perceberam, mas os títulos dos capítulos sempre (até o presente momento) tem algo à ver com músicas. Pode ser o título de uma canção, ou uma frase da mesma... Não sei. Se tiverem curiosidade (e paciência), procurem. Várias vezes eu escrevo escutando, então as coisas parecem mais interessantes. Bem, chega de enrolação... Beijos da Ly!

Ps: Perdoem eventuais erros, inconsistências e lacunas da história. Não foi betado.


Crossing Lines


Chapter 05 – Hiding Inside The Horrible Weather

Conversar com Tom por tanto tempo, o havia feito entender que por mais que tentasse descobrir, por hora, seriam esforços em vão. O jeito como ele olhava em sua direção enquanto falavam dava alguma porcentagem de certeza de que havia se entendido com ele, entretanto o que o mesmo dizia, vinha e tornava nula esta porcentagem, sem nenhum problema. Ainda que tentando entender, despediu- se dele com um abraço, que só serviu para embolar ainda mais seu raciocínio... Ele o havia beijado o pescoço durante o contato e agradecido baixinho por tê-lo de volta, por tê-lo escutado.

Quando trancou a porta, teve a certeza de que precisava de mais um banho para digerir tudo aquilo e depois, uma boa dose de ânimo. Traduzindo: Bebidas e garotas. Será que havia alguma outra festa pelo campus, para dessa vez se divertir com alguém que não lhe trouxesse tantos problemas? Para fazer algo que não fosse tão errado e que não causasse tanta inquietação depois?

Questionou-se, antes de se trancar no banheiro, em seu mundo, em seus próprios pensamentos que estavam lhe custando caro.

XXX

— Jared, você não tem ideia de quanto o Jensen está confuso! Ele esteve conversando comigo, fui até lá, e parece que nem ele sabe o motivo da própria estranheza!

Contou o de olhos azuis, gesticulando como se o outro pudesse ver.

— Isso não parece normal, Tom... Ainda que ele seja seu amigo, não sei por que, mas acho que ele tá tentando esconder algo.

— Eu sei, mas o Jensen é o Jensen... Ele pode ou não estar fazendo isso. Nunca vamos saber, a menos que ele queira que a gente saiba...

— Tudo bem então... Eu... te ligo amanhã antes das aulas..

— É bom que ligue, porque teremos um longo dia! Estou sobre os livros e nem comecei uma linha sequer!

— Eu estou pior, acredite. Nada do que escrevo faz sentido*! A gente se fala amanhã.

Dito isso, Jared desligou o telefone. Haviam sido inúteis os esforços de Tom, ao menos na parte de descobrir algo. Pelo menos ele e Jensen haviam "retomado" a amizade. Tinha que achar isso bom, porque sabia o valor que Tom tinha para sua pessoa, e sabia que com Jensen não devia ser diferente. O garoto de olhos da cor do céu era um bom amigo, daqueles que independentemente de qualquer coisa, estaria sempre por perto, sempre capaz de entender e perdoar. Perder um alguém estimado por poucas besteiras não deveria ser legal nem quando se tratasse de seu pior inimigo.

Suspirou prostrado sobre os livros. Era muita coisa pra estudar em pouco tempo, um resumo enorme pra fazer, que por suposto tomaria toda a sua noite. Também tinha que arcar com as consequências, afinal, na última noite optara por se divertir ao invés de fazer o que realmente precisava fazer.

— Ah, como eu queria estar morando com o time agora...

Disse para si mesmo, começando a grifar, circular e anotar algumas linhas. Seus olhos passavam sobre o livro, desconcentrados, e sabia que não renderia nada. Por um lado, até que era interessante a ideia do treinador de fazê-los morarem juntos. Se o time se ajudava em campo, talvez se ajudasse com os estudos também, um salvando o outro sempre que necessário.

XXX

Jensen desligara o telefone. Tom havia ligado para desejar boa noite e reclamar do maldito resumo. Riu de canto. Poderia muito bem emprestar o que fizera, idêntico, há alguns tempos. Só não o faria por saber-se tirando pouco a pouco a responsabilidade de quem quer que tivesse acesso ao material. Começou a revirar seus livros, em pé, frente à escrivaninha, até encontrar um papel rosa com sua própria letra anotada:

— Artigo científico? Sexta-feira?

Leu para si mesmo em voz alta, com um tom incrédulo. Foi como se perdesse o chão. Estava ferrado. Fato. Só precisava ligar para Cillian e avisar que guardasse energia depois de se apresentar naquele barzinho, porque teria que chegar e fazer um... "pequeno" trabalho antes de ir para a aula no outro dia de manhã. Até que morar com o time não seria má ideia... Ao menos poderia escravizar uns calouros quando pintasse uma situação dessas.

Bufou, espalhando sobre a escrivaninha todo o seu material. Com o cenho franzido, alcançou seus óculos e decidiu, como bom soldado, vencer mais aquela batalha.

XXX

O sol raiou sobre o campus imenso. Por sorte não amanhecera chovendo, mas a atmosfera cinzenta continuava a mesma. Levantar-se depois de meia hora dormindo parecia um insulto à sua condição de ser humano. Não era uma máquina! Poxa vida, merecia um pouco mais de sossego!

— Cillian... — chamou, não obtendo resposta. Será que ele havia morrido na cama, sobre os livros? — Cill!

Praticamente gritou, atirando uma de suas almofadas contra o corpo inerte sob os edredons. Alguns segundos e ele se sobressaltou, parecendo finalmente "voltar à vida".

— Que droga Jensen! São seis e meia!

Praguejou, observando o despertador e o outro se levantar.

— São seis e meia, mas precisamos levar essa joça pra alguém revisar antes das oito se quisermos alguma nota!

— Qual é...

O outro murmurou, escondendo seu rosto exótico dentre os tecidos e papéis. Parecia estar ainda mais acabado que Jensen.

— Vou pro chuveiro. Quando sair, se não tiver levantado ainda, vou te puxar até lá, e pelos pés!

Dito isso, esvaneceu, acabando com a boa paz do outro, quem ainda meio adormecido, resolveu se levantar para preparar um café forte enquanto o mais novo se banhava. Talvez se não tivesse dormido, estaria se sentindo melhor. Sua cabeça estava estourando, um enjoo terrível por ter acordado tão subitamente tomando conta de seu ser...

— Oh, Deus, maldita faculdade...

XXX

Jared se levantou. Não havia dormido. Se sentia acabado, um lixo! Tudo o que pensava era em entregar o maldito resumo e voltar para a cama. Perdeu uns bons minutos tomando banho, tentando realmente se manter acordado. Quando terminou de vestir seu casaco, ouviu sutis batidas à porta.

— Tom?

Estranhou quando abriu. Que diabos... Ele sempre parecia estar tentando arrancar a droga do objeto do lugar!

— Eu vou morrer, é sério. Passei a madrugada fazendo isso. Estou me sentindo um nerd, não consigo comer nem dormir. Jay, eu levei meia hora pra tomar banho! Meia hora! Eu faço tudo em, no máximo, doze minutos!

Ele estava surtando. Dava pra ver pelos olhos, que inquietos, pareciam vasculhar todo o maldito lugar.

— Calma. Quer entrar?

Convidou, tentando melhorar a situação.

— Entrar? Era pra você estar saindo! Ainda precisamos lidar com alguém para que revise isso pra gente...

— Alguém de algum período à frente?

— Exato.

Disse, exasperado, recostando-se ao marco da porta.

— Por favor, não diga que vai procurar o Jensen essa hora da manhã... — choramingou, terminando de calçar as botas. Seus dedos das mãos estavam gelados — Quantos graus hoje?

Perguntou. Não queria passar a aula inteira tremendo feito um condenado porque não havia vestido um casaco que prestasse.

— Não sei, mas tá frio pra caramba! Vamos logo! Eu já marquei com o Mike na sala de prática jurídica, ele quem vai nos ajudar!

Fez o outro passar perfume e juntar as coisas feito um fugitivo da polícia. Nem tivera tempo de secar os cabelos. Assim que o moreno trancou a porta, saíram andando rápido em direção ao prédio das salas. Um caminho que percorriam em mais ou menos vinte e cinco minutos, gastaram apenas dez. Mike já os esperava.

— Eu vou começar a cobrar!

O de cabelos curtos disse, as mãos na cintura e uma cara de quem havia sido chutado da cama mais cedo que o necessário. Sua namorada, Cassidy, sempre tinha o poder de fazer isso. E ele terminava sempre a agradecendo.

— O que?

Jared perguntou desatento enquanto ajeitava suas luvas. Começara a tremer. Seus pensamentos só giravam em torno de sua própria cama, um lugar confortável e quente.

— Jensen e Cillian vieram agora e me deixaram com isso, — mostrou os papéis manuscritos — e agora vocês! Cara, não é só porque que tiro as melhores notas que eu sei de tudo!

Parecia ultrajado, irritado, mas todos sabiam, inclusive ele mesmo, que não passava de uma faceta social.

— Mike, a gente sabe...

Tom piscou para ele. Mike conseguia ser insuportavelmente modesto. Além de ter entrado com honras, ser absurdamente inteligente, rico e bonito, ainda conseguia fazer sucesso com as garotas enquanto amava apenas uma... Era um tipo de deus aos olhos dos amigos. Sempre estava cercado por colegas pedindo conselhos para relacionamentos, pedindo ajuda em matérias que, para ele, soavam mais como atividades de escrever o próprio nome umas dez vezes na pré-escola, oferecendo dinheiro para que fizesse os trabalhos... Por azar dos desesperados, Michael ainda era rico, então quando resolvia não atender a um dos "pedidos", não havia dinheiro que o comprasse.

Filho de pais abastados, não precisava de nada. Estava acima de chantagens, barganhas ou qualquer outra coisa, e na faculdade apenas por querer se socializar e ter um diploma na parede de seu futuro escritório, que compraria só para ter uma das melhores vistas de uma cidade grande e receber seus clientes com esmero, mesmo que, por preguiça, pagasse terceiros para fazer seu serviço enquanto talvez se pegasse com uma de suas secretárias caras e bonitas.

E era este filho de pais abastados que, no início da tarde, assim como todos os outros do time, havia sido surpreendido pelo treinador os recebendo na... bem, não podiam chamar aquilo de fraternidade, não ainda. Nas escadas da entrada, Jeffrey, ao lado de algumas muitas latas de tinta e mais um monte de coisas, se mantinha com um sorriso empolgado e os braços cruzados.

— O que é isso?

Jensen foi o primeiro a perguntar, apontando os materiais.

— Isso é o que eu costumo chamar de... construir suas próprias bases. Assim como fazemos nos jogos, alguns costumam fazer isso em suas personalidades também.

Claramente dizendo isso aos próprios alunos, demorou alguns minutos mais intercalando explicações e lições de moral para prover um milagre em certas personalidades no time. Quando entrou, fez questão de mostrar cômodo por cômodo, deixou cada um escolher a cor que usaria para pintar os ambientes. Como o time divergiu absurdamente, logo se encheu. Essa era uma das características mais marcantes do técnico. Se desse uma oportunidade, era melhor aproveitar e estar certo de seus objetivos. Do contrário, tudo andaria do modo dele. Novamente no primeiro degrau de uma escada, dessa vez do lado de dentro esquentando as mãos uma contra a outra, levantou o tom de voz.

— Vou separar o time em duplas. Se a fraternidade ficar mal pintada, mal arrumada ou mal organizada, sem harmonia, o problema será todo de vocês. Eu não precisarei morar aqui! — riu quando notou as caras de enfado — Portanto pensem em quem dormirá aonde, conversem sobre as cores. Tenho tinta o bastante para que pintem até o campo de futebol, então nada de desculpas. Esta atividade vai até aliviar um pouco o frio de hoje... — disse, malvado, quase rindo dos garotos pela carga de inconveniência num dia tão frio, onde provavelmente estariam loucos para correr pelo campo ou se enfiarem em seus quartos com os aquecedores ou edredons — Ao trabalho. Tom, você vai com Mike, Chad, você e Justin vão juntos...

Enquanto os dividia, apontava os dedos e os liberava. Quando apontou para Jared e o moreno, já inquieto pela pouca quantidade de pessoas, olhou em sua direção, fez questão de sorrir ao aluno:

— Jared, você e Jensen vão juntos. Tentem não brigar e não quebrar nada. Além de tudo, este é um trabalho para que convivam melhor. Levem em consideração, certo? Morarão juntos por bastante tempo, então acho melhor que tudo seja mais fácil desde já.

Ambos se entreolharam, Jared abrindo a boca uma ou outra vez, assim como o mais velho, para questionar o técnico e talvez até mesmo brigar, mas ele não os deixou escolha. Em questão de instantes, quando o mesmo os gritou mais uma vez, para que agilizassem, com os cenhos franzidos e as expressões carrancudas, pegaram os pincéis e algumas latas, alguns outros materiais e subiram as escadas, relativamente distantes. Aquela seria uma tarefa difícil. Mais do que esquematizar uma fraternidade, mais do que decidir coisas importantes das aulas, mais do que qualquer outro treinamento.

Seria a prévia do que teriam pela frente. Talvez uma tempestade, talvez não. Não dava pra saber, porque ainda que Jared tentasse não se irritar com o mais velho, ele sempre parecia fazer questão disso. Talvez fosse apenas o jeito dele. Talvez só precisasse se acostumar e esconder tudo o que pensava sobre ele.

XXX

Haviam escolhido um dos quartos do terceiro andar e o sótão. Estavam neste último. Depois de digladiar bastante, haviam decidido por fazê-lo primeiro. Eram inevitáveis as discussões com o mais velho, mas só o fato de terem parado sem sair no braço já era muito significativo. Jensen estava varrendo o local e Jared preparando as tintas. Pintariam de azul escuro e branco, as cores do time. Poderiam usar o espaço para mais um quarto, já que era imenso e bem iluminado pelas duas grandes janelas. Ocupava praticamente todo o espaço construído.

— A única desvantagem é que não tem banheiro;

O mais velho falou baixo, observando o local ao acabar sua tarefa. Era imenso, mesmo possuindo alguns móveis.

— Será que não tem como colocar uma parede?

Perguntou, só pra render assunto. Sabia que tinha como, mas talvez precisassem estudar o ambiente ou arrumar alguém que entendesse.

— Talvez, o problema são os canos. A parede pode ser colocada com madeira leve. Se a gente colocasse duas paredes... — olhou de um lado a outro — poderíamos arrumar mais dois quartos, como a saída daqui, a porta, é de frente pro banheiro do corredor.

Ele parecia tão empolgado! Parecia outra pessoa. O jeito como olhava para o ambiente, como parecia estar maquinando, planejando... Não poderia deixa-lo no vácuo. Até que estava sendo divertido conversar com ele. Talvez realmente a ideia do técnico de fazer o entrosamento através da convivência não fosse tão falha e absurda como pensara.

— Não ficaria escuro demais?

Rendeu e o viu sorrir de canto, disfarçado, um único dedo tocando a parede.

— Talvez... Vamos falar com o treinador depois?

— É uma boa ideia.

O que diabos era aquilo? Estavam conversando? Civilizadamente? Ele e Jensen? Enquanto o sorriso bobo ainda adornava sua face, olhou para o lado de fora. O mundo parecia cair, mas de dentro de seu peito surgia um calor, diferente, confortável, capaz de fazê-lo não se entender e querer manter aquela sensação, mesmo se isso significasse conversar mais com Jensen.


Continua...