Hello people! Estou atualizando agora por pegar a estrada hoje às três e meia da manhã, destino Aracaju –SE! Sim, estou me mudando! Estou muito nervosa, muito mesmo! Nem imaginam o quanto. Mas será melhor, porque aquela cidade é incrível. Não que Natal não seja, mas... Enfim: Respondo os comentários no processo, porque com meu nervosismo não consigo nem mesmo raciocinar pra retribuir o carinho de todos vocês, que acompanham, comentam... Me desejem boa viagem e... Ao capítulo!
Crossing Lines
Chapter 07 – Please, Don't Let Me Be Misunderstood.
— Thomas, eu sei o que você está fazendo!
Ela disse, olhando nos olhos dele. O havia cercado no próprio dormitório. Seu rosto estava contorcido numa carranca, tão obscura quanto o tom negro de seu casaco caro. Ele sentiu a garganta apertar, a boca secar.
— Se pensa que pode me enganar, vai se dar muito mal. Não só eu sei, como Sandy também! E é só uma questão de tempo até que todos dessa maldita universidade saibam! Tom... — pareceu lamentar-se. E estava irritada! Muito. — O que vocês tem feito é muito errado! E... eu não entendo como diabos me trocou por... isso!
Ela dizia, como se estivesse argumentando com um juiz, quem decidiria a sentença que serviria para alçar, alavancar sua vida profissional! Já ele, sentia seu coração disparar. Oh, droga, precisava contar a Jared o quanto antes, precisava sentar com ele e descobrir um modo de corrigir tudo aquilo. Se Kristin havia vindo bater em sua porta depois de declarar guerra, as coisas, definitivamente, não estavam bem.
— O-olha só Kris, eu não me importo, com nada, me entendeu bem?! Pouco me importa que toda a universidade saiba, você não vai me manipular mais!
— Tom, por favor! — ela praticamente gritou — Eu sei o que você está passando, isso é errado, isso vai te destruir!
Ele saiu, bateu a porta, trancando-a em seguida. Cara a cara com ela, olhos nos olhos, disse amargurado e rancoroso:
— Você não sabe de nada!
A deixou ali. Ela colocou as mãos contra o rosto.
— Tomi... Você não precisa disso...
Disse para si mesma. Pensar que vez ou outra o vira com comportamento suspeito, fumando coisas suspeitas e não fizera nada! Agora, ah, ainda que tarde, não desistiria dele. Não mesmo. Precisava falar com Sandy. Não podiam deixar os garotos se meterem com drogas. O que seria da reputação do time? E da reputação de ambas!? Escandalizada, pôs-se a andar enquanto telefonava para a amiga. Ainda preferia que ele estivesse galinhando pelos cantos com Jensen do que se metendo em roubadas com Jared... Ah, um rapaz tão bonito, com um futuro tão promissor ajudando seu namorado a se enfiar naquele buraco!
XXX
O barulho no andar de baixo, as vozes e o som ligado eram claros sinais de que o resto da turma havia chegado. Provavelmente ainda estariam engajados em suas tarefas, rendendo tanto quanto bichos-preguiça incumbidos de carregar algumas árvores.
Abandonaram o sótão. Estavam ofegantes, o cheiro do verniz fazia com que seus olhos e vias respiratórias ardessem como nunca! Jared se afastou da porta, puxando o ar com força, seguido pelo mais velho, quem tentava esfregar os olhos com as costas da mão.
— Caramba... Isso não é brinquedo.
Disse, observando Jensen se recuperar. O outro riu audivelmente.
— Todo o time disperso por aí, provavelmente nem mesmo fazendo o que tem que fazer, e a gente carregando isso nas costas. Ainda temos um quarto inteiro para pintar.
— Não, por favor!
Choramingou, rindo, ajudando o outro a carregar as latas de tinta e verniz para o quarto no fim do corredor. Tinha uma vista ótima, assim como o sótão, porém melhor. Dava para a frente da casa, e a janela imensa o deixava até mais claro que o necessário durante o dia.
— É sério, é só pintar, mas olha o estado do piso! Se todo mundo tivesse dado uma quantia, teriam pessoas fazendo isso por nós.
— Daqui a dois anos vai conhecer tão bem o técnico que vai entender por que ele nos fez fazer isso. — largou as latas e tirou a camisa. A chuva havia parado e o calor irritante começava a tomar conta — É sempre assim. Acredite, foi o time que reformou o ginásio na última vez. Ele diz que faz bem pra alma, para o caráter. Diz que funciona para que a gente aprenda a dar valor ao que tem.
— Não é melhor deixarmos isso para amanhã?
Perguntou, preguiçoso. Havia visto alguns dos garotos passando, o som estava mais alto e pareciam mais festejar do que trabalhar.
— Por quê? Temos energia, as lâmpadas estão boas o bastante para que não haja um erro sequer, podemos abrir a janela pra não sufocar... Não são nem sete ainda!
— Cara, a gente tá aqui há bem mais tempo que a galera, então nada mais justo do que poder sair mais cedo! Se a gente for pintar isso hoje, não vamos ter muita boa vontade.
— Eu sei... e entendo! — olhou em volta e estralou o pescoço, se espreguiçando em seguida, colocando a camisa no passante da calça — É, você tem razão. É melhor deixarmos isso para outro dia. Tá a fim de comer alguma coisa?
O que? Jensen o havia perguntado aquilo, mesmo? Não dava para acreditar. O mais velho outrora era quase que seu inimigo declarado! Bem, talvez fosse culpa do álcool. Hesitou por um instante.
— Por que não juntamos o pessoal do time na cafeteria? Acho que seria uma boa!
— Você acha mesmo que do jeito que estão ainda vão querer sair daqui pra enfrentar a cafeteria? Preferem morrer de fome.
Riram.
— Tudo bem então...
Depois de concordar, e ainda respirando com certa dificuldade, Jared saiu do quarto, esperando por Jensen no alto da escada. Quando começou a descer, encontrou-se com Tom, subindo.
— Jay! Jay... eu...
Ele hesitou. Foi aos poucos parando de falar. Jensen havia aparecido no topo da escada, sem camisa, com o rosto afogueado. Olhou para Jared, notando os mesmos detalhes, com exceção da camisa. O mais novo ainda estava vestido. De algum modo, por algum motivo, uma angústia estranha tomou conta de seu ser. Isso o deixou irritado. Muito, na verdade. Tudo o que tinha pra falar lhe fugiu da mente. Sabia do que se tratava, mas agora pouco interessava se Kristin iria espalhar um boato sobre eles, ainda mais com o apoio das amigas.
— Tom?
Jensen perguntou ao sentir-se examinado pelo outro, olhos ávidos estudando sua silhueta, seu corpo. Por um acaso ele o estava observando?
— Eu... — clareou a voz, os olhos azuis com um brilho estranho, pesado, como de quem está cheio de um rancor infundado — Não é nada. Só... se lembre de falar com Sandy depois...
Terminou de subir as escadas sem nem mesmo saber para onde ia. O nó que se formava em sua garganta o estava sufocando! Claro, podia não ser nada, mas do mesmo modo que Jared gostava de fazer as... coisas com ele, poderia estar muito bem gostando de fazê-las com Jensen. Droga! Sua mente estava a mil.
— Que situação Tom, que situação!
Disse para si mesmo, ante o espelho do banheiro. Precisava tirar aquela cara de enterro e se mandar dali, chorar suas mágoas com Mike sem contar a verdade. Um sentimento doloroso em relação à Jensen começava a surgir em seu peito.
XXX
— O Tom...
Estavam conversando na cafeteria. A situação chegava a ser surreal. Pensar-se conversando com o monstro Jensen, cordialmente, sem ameaças de morte ou socos e pontapés era no mínimo, intimidador.
— O que tem ele?
Perguntou, vendo-o praticamente devorar um daqueles sanduíches que vendiam por ali.
— Ele pareceu estranho.
— Eu achei a mesma coisa... Você deveria conversar com ele, afinal, são amigos desde quando ele entrou. E ele diz confiar muito em você.
— Eu? Ele parecia ter algum problema relacionado a você.
— Droga... eu sei. Vou dar um jeito de falar com ele amanhã.
— Ele vai surtar. — Jensen disse. Pelo pouco que conhecia Welling, já dava pra notar que se tratava de algo sério — Se eu fosse você, iria logo saber do que se trata, porque ele pode ter muito tempo até amanhã pra se dar mal com o que quer que seja. Ele disse algo sobre Sandy, se não me engano, sua ex.
Ponderando por alguns instantes, Jared preferiu seguir o conselho do outro. Qualquer um daquele time sabia que Tom, quando resolvia surtar, se tornava mais perigoso que uma bomba relógio, que a mente do mesmo maquinava a pior das situações e a transformava em algo verídico. Era um dos traços fortes do rapaz. E também, antes de adquirir aquela expressão estranhamente indecifrável, ele parecia realmente preocupado com algo.
É, talvez fosse melhor acabar de lanchar e procura-lo na nova fraternidade ou na república onde ainda vivia.
XXX
Bateu à porta. Depois de revirar meio campus atrás do amigo, resolvera insistir na porta do mesmo.
— Tom, se não abrir, vou entrar com porta e tudo. Sabe que sou capaz disso.
Alguns segundos e antes que batesse de novo, ouviu a porta se destrancar. Ele abriu. Tinha o cenho franzido e os olhos azuis um tanto quanto irritados.
— Esteve chorando?
Perguntou o mais novo, baixinho. O outro parecia estar envolto na mais pura escuridão. Os cabelos ainda estavam úmidos, claro sinal de que havia tomado banho há pouco.
— Vá se ferrar.
O que? Havia mesmo ouvido aquilo? Tom estava mesmo fazendo menção de fechar a porta enquanto lutava para abri-la? Oh, não, era bem mais sério do que pensava.
Forçou a barra, arreganhando a porta, entrando e trancando a mesma antes de acender as luzes e encontrar o outro vestido nas longas calças negras de pijama. Estava sem camisa, e muito, muito transtornado, ainda que tentasse se conter, mascarar.
— Veio aqui pra dizer que não é nada do que eu estou pensando? Ou pra me ver com essa cara de enterro e se vangloriar? Qual é a sua, Tristan?
O havia chamado pelo nome do meio, justo como sempre fazia quando estava muito, muito irritado em campo.
— Olha Tom, eu não estou entendendo...
Abriu os braços abaixados, gesticulando.
— Quem não está entendendo sou eu! Até ontem você e Jensen eram inimigos mortais, sequer se batiam, e hoje, pra completar a droga do meu dia, você sai de sabe-se lá aonde com ele, ofegando, Tristan!
O tom de voz do de olhos azuis se exaltava, ainda que estivesse tentando se conter.
— O Mike está aqui?
— Não, claro que não.
— Você está entendendo errado. Eu não estava fazendo as coisas que você está pensando com o Jensen, muito menos ofegando! Por um acaso sabe o que é passar quase o dia todo respirando verniz, tinta de parede e tíner?
— Eu não quero saber, sério.
Abaixou drasticamente a voz. Aquele era um sinal ainda pior. Com as mãos na cintura, andou de um lado a outro na pequena sala de visitas improvisada do quarto que dividia com um amigo até então ausente.
— Você não tem noção... Sandy e Kristin sabem.
O mais novo empalideceu num único segundo. Estava tonto. Okay, era bem pior do que imaginara.
— E-espera, Tom, sério... Eu e o Jensen...
— Eu não quero saber da droga do Jensen agora! — gritou — Tudo o que passa pela frente ele... fode! Droga! E eu ainda contei tanta coisa! Ele vai se ver comigo... — sem entender nada, Jared apenas observava o outro, os olhos azuis tão mais espertos que o necessário, provavelmente maquinando qualquer razão sobre qualquer assunto. Refreando seu desespero, sua ânsia por saber mais, mantinha-se calado — Mas isso não importa, não agora. Não enquanto a sua ex-namorada e a minha estão do lado de fora dessa droga de porta, provavelmente tecendo o maior boato de suas vidas!
— Eu não estou entendendo..
— Fica esperto Jared! Kris veio me encher hoje mais cedo, dizendo que eu estava me destruindo, que a havia trocado, que sabia de tudo! Ela sabe, e disse que Sandy também. Agora é só uma questão de tempo até que todos saibam! Vamos nos arruinar e arruinar também o time!
O mais novo estava tonto. De verdade. O ar parecia estar pesado demais para ser respirado. Estava reagindo do pior modo possível. Jamais poderia ficar desesperado assim vendo Tom num estado daqueles. Os dois, no mesmo grau de desespero, provavelmente cometeriam algo impensado juntos, acarretando ainda mais problemas. Se as garotas sabiam, se todo o ódio que Sandy expressara assim como Kristin, fosse realmente voltado a fazer algum mal para retribuir o fato de terem sido deixadas, estavam em maus lençóis, de verdade. Sentiu-se ainda pior. E o time? O que o treinador diria? E sua reputação? E a de Tom? Talvez nem mesmo conseguisse estudar!
— Cara, eu vou vomitar.
Colocou as duas mãos contra o rosto. Sentia a garganta fechando, como se estivesse apertada por algo.
— Estamos ferrados, Jay, muito ferrados. — Tom pareceu se acalmar um pouco — E enquanto isso, você se pegando com Jensen! Que droga!
Não, ele não havia se acalmado. Não mesmo.
— Eu não me peguei com o Jensen! Sabe que não fiz isso, sabe que não gosto dele, Thomas!
Os olhos do mais velho tomaram um brilho diferente. Provavelmente o que disse tivera um significado muito diferente do que realmente significava. Oh, droga... Realmente, pensou, não dava para piorar. Estava dentre seus problemas, todos explodindo de uma só vez ao seu redor. Era fato que sairia dessa com alguns – vários – danos.
O mais velho sentou ao seu lado. Nem se percebera sentar, de tão aéreo que ficara por causa das garotas. Parecia mais exasperado do que se sentia. Deixou-se passar um braço ao redor daqueles ombros largos e olhar bem naqueles olhos azuis.
— Nós ainda vamos rir disso.
— E muito, pode ter certeza. Mesmo que a casa caia.
— Se elas sabem, meu caro, a casa já caiu.
XXX
Jared não havia aceitado passar a noite ao lado de Tom. Estava indo para seu quarto. Congelando, claro. No outro dia de manhã não teria nada pra fazer, pelo simples fato de ser domingo. Queria dormir, bastante, e talvez acordar num mundo diferente onde nada daquilo estivesse realmente acontecendo. Não queria ter que se lembrar de Sandy furiosa, muito menos de Kristin ameaçando Tom, e, menos ainda, de Tom o acusando de ter feito coisas com Jensen. O que diabos estava pensando dele? Já não podia chamar Ackles de inimigo, mas ele, de fato, nem amigo era.
Ackles... Pensar que há dois dias ainda não haviam saído na porrada... Era um grande passo. Talvez o treinador tivesse razão, talvez. Se lembrou da festa, da maldita festa. A voz que ouvira se parecia bem com a dele, além do que, tá, certo que qualquer um poderia marca-lo no pescoço daquele modo, mas tinha uma certa inclinação a pensar que talvez tivesse sido com ele que se atracara. Deus... não queria pensar nisso. E se ele, por um acaso, soubesse, estaria escondendo só para não criar um clima ruim... O que eles haviam colocado naquele "ponche" mesmo?
Em meio a tantos mal-entendidos, deixou-se trancar no próprio quarto. Em poucos dias estaria fazendo as malas para um novo quarto como se fosse embora. É, talvez ir embora fosse a solução. Mas não para ele, não para quem havia lutado para conseguir a vaga que conseguira, não para ele, quem havia conseguido virar uma das estrelas do time... Não iria embora. Se as garotas queriam guerra, era o que daria a elas. Só precisava esperar o próximo passo.
Enquanto se deixava despir pelo meio do caminho até o banheiro, se lembrou da maldita festa. Lambeu os lábios de maneira pornográfica, sentindo-se acordar num instante, duro como pedra. Se tocou, apenas um dedo, apenas a glande. Se lembrou do cheiro amadeirado do perfume de Jensen, se lembrou do jeito que ele falava e de como estava bonito com o rosto afogueado... Se lembrou da boca dele. Maldita recaída! Mas não, não queria se importar agora. O estresse com Tom só o havia feito esquentar ainda mais do que deveria.
Se pegou com força, apertando, enquanto abria o chuveiro. Não era a boca de Tom que invadia seus pensamentos agora.
Continua...
