Hello everybody! Postando em trânsito. Sim, ainda não terminei de comprar coisas novas, arrumar gente decente pra empregar aqui em casa e ajeitar as coisas... Enfim, o capítulo está mais enrolado que "Salve Jorge", portanto...
Muito obrigada à todos os comentários, vou responde-los. Sei que tenho sido ausente, mas...
Here we go!
Crossing Lines
Chapter 08 – One Step at a Time
Foi acordando pouco a pouco. Seus olhos lacrimejaram. Provavelmente havia pegado um belo resfriado ou uma linda crise alérgica. E pensar que teria que adiantar o "expediente"... Não queria Jensen fazendo as coisas sozinho, e o mais velho havia comentado no outro dia que aproveitaria o tempo livre do domingo para adiantar o processo. Havia escutado, na verdade, boa parte do time falando a mesma coisa.
O time. Tom... Estava se sentindo sufocado. Talvez pelo dia anterior, talvez pelo que ele estivesse tentando dizer com aquelas palavras de quando foi até ele... Por que diabos havia achado que se entendera com Jensen? E por que diabos havia agido daquele modo? Nunca fora de criar caso com as coisas, nunca fora de brigar pelo que quer que fosse. Isso estava estranho, e fazia com que sentisse vontade de simplesmente sair correndo de perto do rapaz de olhos azuis.
Resolveu se levantar. Ficar pensando nas coisas, deitado, era para ele a pior coisa a se fazer. Foi direto para o banheiro. O calor estava irritante. Nem se dera trabalho de abrir as cortinas. O clima deveria estar cinza, como quase sempre.
Depois de bons minutos, muito shampoo e muito sabonete, sentiu-se agradável o bastante para começar bem sua "rotina". Comeu alguma coisa e, só enquanto estava escovando os dentes, que percebeu: Aquele calor não provinha do aquecedor. Ele estava desligado. Temeu estar doente, o que logo saiu de sua cabeça quando prestou atenção na quantidade de risadas e gritos do lado de fora da república. Terminou de fazer o que fazia e vestiu-se.
Já do lado de fora da porta, e exalando aquele delicioso aroma amadeirado, alcançou o celular no bolso, indo com ele na mão até a porta da república. Qual não foi sua surpresa quando se deparou com o sol. Sim, tinha sol, o que nos últimos dias havia sido uma raridade. Não pôde se conter e sorriu, voltando para seu quarto, abandonando o casaco, mantendo apenas uma camisa de mangas curtas de flanela e uma regata por baixo. Trocou também as botas por um all-star que não usava há séculos. Trancando mais uma vez a porta, foi, com um incrível bom humor até a fraternidade, que, por fora, ainda parecia mais com uma espelunca, caindo aos pedaços. Grande maioria do time já estava ali, e aquilo parecia mais uma festa do que qualquer outra coisa. Chegou sendo cumprimentado, abraçado, servido de cerveja... O dia seria, provavelmente, ótimo. Quando resolveu entrar e ir até o quarto, passou pela cozinha. O som estava alto, e lá, Jensen, Tom e Michael estavam rindo de qualquer coisa. A única garota no meio de tudo aquilo era Cassidy. Claro, se Mike perderia o domingo com algo que não fosse ela, ela teria que estar incluída, caso contrário, ele ficaria sem rumo uma semana. Os observou. Pareciam se divertir. Deixou-se olhar nos olhos de Tom, quem mordeu o canto do lábio inferior, provocando. Teve que sorrir de canto antes de devolver à altura, lambendo os lábios e sair de cena, porque ainda que tivessem tido um momento desagradável, ele continuava atraente. E muito! Voltou-lhe as costas e subiu as escadas. Não pararia por ali. Tinha muito o que fazer para livrar Jensen. Ainda achava que o mais velho estava fazendo mais do que devia, mais do que realmente era para ele fazer, então, sentia-se na obrigação de correr até o quarto, calado, e começar seu trabalho.
Quando abriu a porta, ligou o som. Foi a primeira coisa que fez antes de se perder por um bom tempo preparando as tintas e varrendo até mesmo as paredes, para que nada saísse errado.
Vez ou outra bebericando sua cerveja para tentar, inutilmente, aplacar o calor, perdeu-se no que fazia, distraído, solfejando junto às músicas. Enquanto dava um retoque numa parte do rodapé próxima à janela, ajoelhou-se e se desfez de sua camisa. De sua regata também, colocando-as nos passantes da calça e voltando ao que fazia. Tão compenetrado estava, que não pôde perceber que havia alguém na porta, olhos colados à sua silhueta. Levantou-se, olhando para o lado de fora enquanto se espreguiçava. O calor estava consideravelmente mais forte para aquele que beirava a entrada do quarto.
— Animado, hein?
Ouviu a voz um tanto quanto grave. O olhou por cima do ombro. Seu coração disparou. Aquilo era incomum. Só quando estavam se matando ou coisa assim.
— Jensen!
Exclamou, sorrindo amarelo. Talvez por perceber sua falta de tato, o outro adentrou o cômodo, observando o que já havia sido feito. Sorriu de canto.
— Sabe, não pensava que você pudesse fazer tanto em tão pouco tempo.
Aquilo soou estranho. Não responderia. Não mesmo.
— Pouco tempo?
Respondeu, fingindo-se ocupado demais para prestar atenção realmente. Vez ou outra se deixava observar o mais velho. Todos os malditos pensamentos da noite anterior voltando em sua cabeça, caindo com todo o peso do mundo! Sua boca secou. Droga. Alcançou a cerveja e tomou um gole nada sutil. Voltou-se ao lado de fora, tentando respirar fundo. Impossível. Era como se estivesse sufocando.
O escutou solfejando enquanto preparava sua tinta. Não demorou até que ele viesse para perto, conversando sobre qualquer coisa, fácil demais para que respondesse até mesmo sem precisar pensar. O que realmente lhe chamou a atenção foi o fato de ele ousar pegar sua cerveja e levar até os lábios, olhando em sua direção. Por que diabos parecia estar jogando? Bem, talvez não estivesse. Talvez fosse apenas maluquice de sua mente deturpada.
Viu quando ele começou a limpar a janela, cada uma das partes que seria pintada. Não pôde deixar de observá-lo de esguelha. Ele não estava percebendo, não é mesmo? Então não tinha importância! Sentiu-se como sempre se sentia quando se deixava pensar nele com seu desvio comportamental. Alcançou hesitante sua cerveja, levando-a até os lábios. Queria provar o gosto dele, ver se através daquele gesto tão simples conseguia decifrá-lo.
— Vai descobrir meus segredos.
Ele disse, rindo de canto, daquele jeito que só ele sabia rir. O olhou.
— A cerveja é minha. Você é quem vai descobrir os meus...
Sua voz saiu estranhamente rouca. Ele parou o que fazia, voltando-se à direção do mais novo. Com uma expressão quase que indecifrável e uma sobrancelha arqueada, deixou-se jogar.
— E você tem segredos que eu deveria descobrir?
Estavam próximos. Muito próximos. Jensen o estava intimidando. Não sabia que diabos de comportamento era aquele. Talvez ele só estivesse sentindo saudades de ser hostil. Mas não era aquela hostilidade ruim, não mesmo.
Jared se deixou sorrir de canto.
— Talvez. Talvez eu tenha muitos segredos. Mas eles não são fáceis de serem descobertos...
— Então acho que... — tomou a cerveja da mão do outro e levou até bem próximo dos lábios — Talvez eu deva tentar descobrir cada um deles com um pouco mais de empenho...
Sorveu os últimos goles, lambendo os lábios em seguida, assim que afastou a garrafa vazia deles. Viu que o mais novo parecera hipnotizado pelo gesto, não podendo deixar de sorrir.
— Sabe o que eu acho?
— Não.
Disse baixo, perto demais, ameaçador, adorando o jeito que o estava tirando de órbita.
— Acho que eu preciso de mais cerveja.
O empurrou sutilmente com as pontas dos dedos, sentindo o toque fazer seu próprio corpo tremer ainda mais e se arrepiar, saindo de cena enquanto o outro ria audivelmente.
— Maluco!
Gritou, já da porta, o ouvindo rir ainda mais. Que droga de jogo era aquele? Olhou para baixo. Estava com um belo problema.
— Qual é!
Praguejou ao nada, descendo as escadas. Em seu sorriso, um sorriso macabro, claro sinal de que não estava batendo bem da cabeça. E, mais uma vez, aquele tormento costumeiro voltava a assolar seu pobre ser.
Observou pela janela imensa da sala, vendo os outros do lado de fora, alguns brincando, outros pintando. Prestou atenção em como a sala já estava diferente. Ultimamente andava tão assombrado com os problemas que mal percebia o mundo mudar à sua volta.
De repente, sentiu uma mão sobre sua boca, um corpo contra o seu. Por um instante sentiu-se gelar, a imaginação à mil. Quando ouviu a risada, claro, não deixava de ser sua perdição, mas não se tratava do demônio encarnado que pensara ser.
— Pshhh... Acho que você não quer que eles nos vejam, não é mesmo?
Fez com a cabeça que não. Logo foi solto, rindo alto, seguindo o outro andar debaixo afora, correndo para descontar o susto de um modo bem... peculiar.
Do topo da escada, um par de olhos esverdeados acabara de ver a cena.
— Ah, posso jurar!
Disse para si mesmo, uma emoçãozinha chata no peito, uma vontade de matar algumas pessoas misturada à sutil euforia da vitória e ao lúgubre sentimento da derrota. Não sabia o que estava sentindo. Não era de se estranhar. Fato.
— Ah, Jared...
Sorriu de canto, se lembrando das provocações não tão óbvias de instantes atrás. Podia jurar que ele havia jogado também, pôde jurar. Ele não estava sem malícia, muito pelo contrário.
Pelo visto, teria que buscar sua cerveja sozinho.
XXX
Encantoara Tom no fim do corredor, perto da entrada de uma grande sala que ainda não sabiam para que serviria realmente. Viu quando o mais velho tentou abrir a porta. Azar o dele, estava trancada.
O jeito como riu, audivelmente em seguida, ao tocar uma maçaneta e a porta que dava a sabe-se lá o que abrir, fez a espinha de Tom gelar. No instante seguinte, o mais velho foi puxado para dentro, a porta se fechou, e logo estava estampado contra a mesma, um Jared ofegante e excitado às suas costas, mordiscando seu pescoço enquanto dizia certas indecências e pressionava seu problema contra o corpo do outro.
— Jay, o que...
Tentou perguntar ao mais novo qual o motivo repentino daquele comportamento, mas ouviu o que não devia, bem detalhado com um aperto nada sutil na parte da frente de sua calça, sobre aquele volume que rapidamente se formara ali.
Sentiu as mãos ágeis desabotoando, abaixando seu zíper, colocou suas mãos para trás, retribuindo. Ouvir Jared gemer contido enquanto o posicionava para que invadisse seu corpo naquele lugar escuro e impróprio era alucinante.
— Vou te machucar...
— Eu quero. Com força.
Welling disse, baixo e rouco. Não estava se importando de todo. A adrenalina causara uma euforia perigosa, e só queria sentir o outro dentro de si. Quando ele forçou, pouco a pouco, teve vontade de gritar. A dor fina misturada a todas as vontades impróprias o estava esquentando o peito, e sentir finalmente, depois de toda aquela tensão, Jared por completo, era delicioso. O mais novo ia e vinha, mantendo um ritmo forte, fundo, tocando-o naquele ponto que o fazia estremecer e apertar com a própria mão a mão que estava contra seus lábios, o silenciando. Jared provocava, palavras indecentes ditas ao ouvido do de olhos azuis, a mão esquerda apertando seu corpo, fazendo chegar ainda mais próximo ao seu limite... Tom o fez destapar sua boca.
— Eu vou...
Sussurrou, rouco, gemendo baixo.
— Vem pra mim...
Jared provocou ainda mais, sentindo em instantes ele se esvair contra sua mão, apertando seu corpo. Não pôde conter o gemido alto que escapou de seus lábios enquanto se deixava derramar dentro dele.
Ofegantes, permaneceram parados, desfrutando a sensação. Estavam arriscando demais, sabiam.
XXX
Depois de uma série de barulhos estranhos e abafados que fizeram Jensen rir em sua descida à cozinha em busca de cerveja, agora o que lhe assolava era o simples fato de Jared ter sumido. Não sabia por que estava se importando, mas aquilo era irritante, oras! Tinham muito trabalho a fazer e não, não faria tudo sozinho nem por um decreto. Estralou os dedos. Decidido, saiu do quarto portando sua cerveja, cenho franzido. Alguns passos até a escada e deu de cara com o mais novo.
— Aonde andou?
Áspero. Talvez mais do que o necessário.
— Fui ao banheiro, por quê?
— Banheiro... — voltou as costas a ele, repetindo o que falara — Foi retocar a maquiagem?
O mais novo fechou a cara. Por suposto o outro o estava insultando. Não queria dar cabimento, mas foi inevitável. Algo dentro dele o fazia querer responder, e era forte demais.
— Talvez, pelo menos eu não fico com cara de limão chupado.
— Chupado? — a risada cínica ecoou por todo o ambiente. Ele pôs as mãos na cintura e voltou-se ao mais novo — Não sei por que, mas essa expressão dá mais certo com você;
Uma sobrancelha arqueada e a oportunidade incrível de ver Jared variar do branco pálido ao vermelho sem-graça. Havia pegado pesado. Se sentiu culpado por um instante.
— Escuta... — pensou duas vezes, irritado, abrindo e fechando a boca antes de deixar-se sacudir a cabeça numa leve negativa — Deixa... Eu não quero saber... Não dá pra conviver...
Fazendo que não com o dedo, afastou-se, saindo do quarto, descendo as escadas enquanto o escutava cuspir alguns impropérios, provavelmente vindo atrás, apeçonhando o caminho por onde passava.
Com um gesto obsceno, Jared saiu pela porta da frente. Foi o bastante para o mais velho sentir uma coisa estranha no peito, como se aquele gesto, antes tão corriqueiro entre os dois, realmente significasse algo mais. O apanhou depois de apertar o passo, todos os outros caras do time já em estado de alerta. Bastou sua mão no ombro do mais alto para que ele se virasse:
— Me solta!
Gritou, já, com uma sutil vontade de socar o outro.
— Não enquanto você não voltar e fazer a sua parte!
O dedo apontado ao mais novo, sua arrogância tinindo, brilhando.
— Não me aponte. Tira esse dedo da minha cara.
— O que vai fazer?
Ah, ele parecia realmente querer briga. Isso bastou para que Jared perdesse a paciência e o tomasse o dedo, jogando a mão do outro o mais longe possível de seu rosto. Jensen riu de canto, o empurrando com força o peito.
— Que é? A mocinha está cheia de "não me toques"?
O circo estava armado.
— Vai engolir suas palavras e atitudes, babaca.
Partiu para cima do outro, perdeu a esportiva. Todo o time se juntou, mas Jensen se afastou e gritou:
— Ninguém se mete, que isso aqui não é assunto de mulherzinha!
— Ninguém se mete!
Jared completou. Alguns segundos e voltaram a cair no braço, até que foram ao chão. Vez Jensen por cima, vez por baixo, estavam se soqueando sem querer realmente soquear, só de praxe. Como sempre, uns vigiando algum professor, o treinador ou o que quer que fosse, outros filmando para espalhar a desavença do time, outros preocupados que se machucassem de verdade...
Ofegavam. Sentiam que aquilo estava estranho demais para ser uma das usuais brigas. Estavam rolando demais, no chão, apenas segurando, e ambos pareciam compenetrados demais nas expressões um do outro. Jared ficou por cima, ameaçando soquear o rosto do outro. Refreou-se.
— Quer saber? — levantou-se, abrindo os braços — Eu não vou brigar com você. Isso é descer demais, despencar!
Enquanto o outro se levantava, Jared caminhou porta adentro. Terminaria o quarto e daria o fora. Sabia o que todo aquele contato da briga havia causado, sabia sem nem mesmo precisar olhar para baixo. E sabia que ele também havia ficado do mesmo jeito. O pior de tudo fora sentir como no dia da bendita festa e ter quase certeza de que sim, era ele, dentre toda aquela escuridão e aquele ponche excessivamente alcóolico.
Continua...
