CAPÍTULO 10: DE VOLTA PARA O FUTURO

Mais de doze horas haviam se passado desde que o grupo de resgate liderado por Adam retornou à Ponderosa.

Hoss e seu irmão faziam companhia às moças na grande sala da casa da fazenda. Não tinham notícias do estado de Little Joe desde que o Dr. Martin anunciara que necessitaria realizar uma cirurgia para corrigir todos os danos internos que o acidente havia provocado. O grupo manteve um silêncio opressor no cômodo aquecido pela lareira acesa. Olhares angustiados, brilhantes de dor e receio eram trocados, sem palavras ou gestos maiores, manchados de amarelo pelas chamas bruxuleantes.

Por duas vezes Hop Sing retirou a mesa da refeição intocada. O criado não só se solidarizava com os membros da família e suas convidadas, mas também se entristecia por sua impotência. Seu papel nesta aventura mórbida foi encerrado no momento em que o médico declarou finda a operação e entregou a recuperação de seu jovem mestre ao criador.

Todos os olhares se voltaram para o alto da escadaria quando o som de passos ecoaram pela casa. Ben ateve-se no primeiro degrau, percebendo que todas as atenções estavam sobre ele. Por um breve momento pensou em girar sobre os calcanhares e voltar para junto de seu menino, mas seus outros filhos e todas aquelas moças também precisavam de uma palavra de alento. Tomou o ar profundamente e iniciou a descida pausadamente, sentindo o peso dos anos como nunca antes.

_ Pai? – a voz de Hoss saiu mais trêmula do que ele gostaria.

O patriarca seguiu em seu caminho e deixou-se cair sobre a poltrona azul onde Adam esteve acomodado. Todos perceberam o quão desgastado aquele pai estava. Suas mãos correram vacilantes sobre seus cabelos grisalhos, na tentativa vã de dar-lhes algum alinhamento sobre a cabeça. Suas pálpebras caíram pesada e lentamente, lutando contra o cansaço, até que voltaram a abrir-se.

_ Paul espera que Joe comece a reagir aos medicamentos nas próximas horas – o nó na garganta não era privilégio daquele homem _ Eu gostaria de agradecer por todo o esforço que vocês fizeram para manter o meu filho vivo – Ninguém ainda era capaz de verbalizar qualquer pensamento _ Estou realmente grato... - Benjamin Cartwright nunca teve dificuldade para expressar-se, mas naquele instante, sentia como se uma nuvem de gafanhotos devorasse seu cérebro e uma boiada pisoteasse seu coração. Sua mão calejada cobriu parte do rosto, abafando o som de um soluço sofrido.

Adam segurou firmemente nos ombros de seu pai, oferecendo silenciosamente, seu apoio e amor. Poucas foram as vezes em que o rapaz testemunhara o homem que sempre fora o esteio e o norte daquela família em frangalhos.

Dois longos e torturantes dias se passaram.

Os habitantes da sede da fazenda se revezavam nos cuidados com o jovem inconsciente que lutava contra a febre e a fraqueza causada pela perda de sangue no andar superior. O trabalho no rancho foi deixado aos cuidados de Frank e outros capatazes que, a cada troca de turno, surgiam na varanda para saber notícias do filho do patrão.

As janelas do quarto de Joe foram abertas por Virgínia, puxando parte da cortina para proteger seu adorado menino dos raios de sol que invadiam o recinto.

_ O Doutor pediu para arejar o quarto – Virgínia aproximou-se e sentou-se na beirada da cama, encontrando o olhar da amiga, do lado oposto, que resfriava o rosto e o peito descoberto do rapaz com um pano úmido.

_ Eu nunca mais escrevo um SJS – Crica sussurrou.

_ O que? – Virgínia, a princípio, não entendeu.

_ Isso não tem graça, Vi – os olhos, por trás das lentes de vidro estavam rasos d'água _ Eu juro que nunca mais escrevo uma linha onde ele sofra...

_ Você nunca quis que ele sofresse de verdade, amiga – um toque suave no ombro de Crica demonstrou compaixão.

_ Não... Mas como eu vou saber se quando escrever as histórias ele não vai...

_ Deixe de bobagem. Você está parecendo eu – Virgínia sorriu _ E todas nós temos essa tara de SJS. É só uma fantasia...

_ E tudo o que nós estamos vivendo também?

_ Eu gostaria que fosse – os olhos da loira desceram sobre o jovem suado acomodado sobre os travesseiros.

_ Eu só queria que esse inferno acabasse de uma vez e Joe acordasse logo. Talvez se nós não os encontrássemos no deserto... Talvez... Nada disso estivesse acontecendo...

_ Vai dar tudo certo, você vai ver...

_ Hoss? – Penny entrou no celeiro, percebendo a grande sombra projetada na parede _ Posso entrar?

_ Sim, claro, pequenina – Hoss limpou as mãos no colete e aceitou a caneca de café quente que Penny ofereceu.

_ Eu não queria incomodá-lo – a jovem guardou as duas mãos nos bolsos do jeans e olhou sem jeito _ Pensei em trazer um pouco de café e tomar ar.

_ Está meio tenso lá dentro – o homem alto tomou um longo gole do líquido escur senhorita não me incomoda. De jeito nenhum – ele indicou um fardo de feno onde ambos sentaram-se lado a lado _ Eu precisava fazer alguma coisa... Toda essa espera está me deixando louco, sabe? Decidi vir cuidar de Cochise. Joe ama esse cavalo e vai querer que esteja lustroso quando melhorar.

_ Você fez um bom trabalho... – Penny sorriu, mantendo os olhos no cavalo e arrastando a ponta do tênis no chão empoeirado, formando pequenos círculos _ Joe ficará feliz.

_ Sabe, senhorita Penny... – Hoss encontrou os olhos castanhos _ Vocês salvaram a vida do meu irmão.

_ Ora, Hoss, nós não... – A moça foi interrompida por um gesto do rapaz.

_ Como o pai disse, nós somos gratos – ele depositou a caneca meio vazia sobre o fardo de feno e tomou a mão esquerda de Penny entre as suas, cuidadosamente _ Não só por Joe, mas por nós também... Eu... Bem, eu não sei como poderíamos passar por isso... Quero dizer... Não sei como eu poderia passar por isso... Sem o seu apoio, quero dizer... Sem a sua atenção, senhorita...

_ Hoss... – A jovem tocou levemente a face do rapaz ao seu lado, trazendo seu rosto em sua direção, até que pode segurar seu olhar naqueles profundos olhos azuis _ Não me agradeça. Eu sempre sonhei em... Quero dizer... Eu sempre sonhei em conhecer alguém como você.

_ Senhorita... – Penny calou-o, depositando o indicador sobre seus lábios.

_ Não existe e nem existirá em todo o mundo, em tempo algum alguém como você, Hoss Cartwright – Penny levantou-se sem soltar o olhar de Hoss e tocou suavemente seus lábios nos dele.

Hoss sentiu seu coração pular uma batida. Doces e mornos lábios de uma bela jovem tocando os seus. Um arrepio subiu-lhe pela coluna e, soltou as mãos da moça que, imediatamente correram sobre seus ombros, indo parar em sua nuca, intensificando o beijo.

Penny estava perplexa com sua ousadia e, ao mesmo tempo, flutuando de emoção. As poderosas mãos de Hoss circundavam sua cintura pequena, trazendo-a mais para perto. Surpreendente com um homem tão grande poderia ser tão gentil e suave.

Instintivamente, como se pudesse quebrar a frágil criatura que tinha em seus braços, Hoss afastou-se. Manteve o olhar preso nos da moça que sorria para ele com um leve rubor sobre a face. Ela era tão linda. Tão jovem. Como alguém como ela poderia ter qualquer sentimento por ele?

_ Eu sinto muito, senhorita Penny... Eu não deveria...

_ Você não fez nada de errado, Hoss. Se bem me lembro, eu comecei tudo isso.

_ Mas eu deveria saber me conter. Não é assim que se trata uma dama. Estou envergonhado.

_ Eu esperei a minha vida toda por isso, Hoss.

O Filho do meio dos Cartwright não compreendeu a declaração da jovem Penny, mas estava satisfeito porque a moça não se sentia ofendida. Seu coração estava em festa por aquele breve momento, mas, ao mesmo tempo, sofria com o temor pela vida de seu irmão.

_ Acho melhor voltarmos para casa – Hoss levantou-se e indicou o caminho para que a menina passasse.

_ Como está o braço? – Adam Carwright surpreendeu Sílvia recostada na cadeira de balanço da varanda.

_ Melhor – sorriu para o jovem que se debruçava sobre o muro ao seu lado _ Como está o seu irmão?

_ Joe está na mesma. Maria está com ele agora – o homem de preto cruzou os braços sobre o peito num gesto que lhe era muito comum _ Mas parece que meu outro irmão está mais animado – sorriu observando Hoss e Penny atravessarem o pátio em sua direção.

_ A Penny é doida por ele – Sílvia confidenciou depois que o casal passou para dentro da casa.

_ E parece que Hoss está olhando para a sua jovem amiga com outros olhos. Só espero que Penny não o faça sofrer como as outras.

_ Ela nunca faria isso! – Sílvia afastou-se do encosto da cadeira, indignada.

_ Não seria justo com ele – Adam passou os dedos por dentro do cabelo _ Apesar de todo aquele tamanho e aparência, Hoss é muito sensível.

_ Nós sabemos.

_ Como podem saber? Mal nos conhecem – Sílvia encarou Adam, erguendo uma das sobrancelhas e torcendo o lábio como se fosse dizer algo muito óbvio _ Oh, sim... – o moreno ampliou o sorriso sarcástico _ Vocês são do futuro...

_ Olha, você pode acreditar no que quiser. Eu não ligo. Só acredite que a Penny jamais faria o seu irmão sofrer. E além do mais, nós logos voltaremos para casa.

_ Carson City?

_ Não exatamente Carson City, mas já serve.

_ Assim que Joe estiver melhor, as levaremos até lá – Adam prendeu os dedos no cinto e caminhou em direção à grande porta de carvalho _ Tenho que fazer algo útil com meu tempo. Estou enlouquecendo com toda essa espera – e desapareceu dentro da sala.

No andar de cima, Maria estava a postos, ao lado da cama de Joe. A febre havia quebrado há algumas horas, mas sua temperatura ainda não era satisfatória. Ela observava atentamente as linhas do rosto perfeito, agora pálido e com grandes fundos círculos escuros ao redor dos olhos. Como ela queria ver aqueles olhos esverdeados outra vez.

_ E aí? - Virgínia parou, apoiando-se no portal.

_ Ele ainda está febril – Maria passou o pano úmido sobre o rosto e braços suados.

_ Ainda não acordou, né? – A loira aproximou-se, indo ajoelhar-se ao lado da amiga.

_ Não.

_ As garotas estão falando em partir assim que o Joe melhorar.

_ Eu sei.

_ Maria... – acariciou a mão do rapaz _ Estive pensando... – Virgínia puxou uma mexa de cabelo para fora da testa úmida de Joe e voltou a descansar sua mão sobre a dele _ Não vou voltar com vocês.

_ O que? – Maria franziu a testa, surpresa com a revelação.

_ É isso que você ouviu – os olhos de Virgínia finalmente encontraram os da companheira_ Eu não quero voltar.

_ Mas , Vi... A sua vida... Você tem uma vida lá, uma carreira, família... Como é que a gente vai explicar?

_ Eu já decidi, Maria – Virgínia ficou pensativa por uns breves instantes _ Eu sempre sonhei com isso aqui. Eu amei esse homem a minha vida inteira – ao sinal de que Maria ia falar, Virgínia continuou _ Eu sei. Ele é um personagem de um seriado de TV, mas e daí? Nós não estamos aqui? Esta vida que estamos vivendo agora não é real o bastante para você? Pois para mim é. Eu vou ficar.

_ Quem te garante que o sonho não vai acabar de uma hora para outra, assim como começou, minha amiga? Como é que você vai ficar?

_ Feliz – Virgínia sorriu _ Feliz por ter aproveitado cada minuto. Você viu como ele me olhou. Viu que ele gosta de mim e, se eu tiver um tempinho, posso fazer dar certo. Se eu escrever uma carta pro meu pessoal, você entrega?

_ Claro, amiga.

_ Certo. Não diga nada às meninas ainda. Não quero nenhuma campanha "Volta, Virgínia!" por enquanto. Melhor elas só saberem na hora.

_ Você decide. Eu só espero que esteja fazendo a coisa certa...

_ Eu estou – Virgínia percebeu o pequeno movimento das pálpebras do jovem _ Ele está voltando, amiga!

_ Graças a Deus!

O pequeno tremor das pálpebras de Joe cresceram para um movimento da cabeça e um abrir e fechar de lábios ressecados. Imediatamente Maria buscou um copo com água fresca e, levantando a cabeça do rapaz com muito cuidado, permitiu que o líquido tocasse seus lábios e ele sorvesse um pouco da água.

De volta ao travesseiro, Joe esforçou-se para abrir os olhos. As íris tinham um tom de verde incomum. Aqueles olhos vivos, porém ainda um pouco desfocados, procuravam um ponto para se fixar. A ponta da língua correu lentamente o lábio inferior. Um leve gemido sucedeu a inspiração cortada pela dor. Olhos apertados, fugindo da sensação desconfortável. O ar saiu de seus pulmões com mais cuidado. E lá estavam eles outra vez, olhando para elas. Um pequeno sorriso de reconhecimento e uma expressão dita num esboço de voz:

_ Ei, quanta moça bonita...

Ambas explodiram numa gargalhada de alívio e felicidade.

_ O que eu fiz... para... merecer toda essa a... tenção? – a fala entrecortada revelava a fraqueza do rapaz que sorria como um menino levado.

_ É melhor poupar suas forças, moço.

_ Maria está certa, Joe. Fique quieto. Você terá a vida toda para nos cortejar.

_ Eu vou dar a boa notícia a todos _ Maria saiu correndo do quarto.

_ Não vá chorar... moça bonita... – Joe levantou a mão com grande esforço para tocar a lágrima que escorria pelo rosto de Virgínia.

Nos três dias seguintes, a casa dos Cartwright se encheu de vida e movimento com todas as visitas que chegavam para comemorar a recuperação de Little Joe. Muitos vizinhos, empregados e moradores de Virgínia City passavam para saber da saúde do caçula e trazer mimos para o rapaz. Ben recebia a todos com alegria e gratidão. Ele sabia que seu filho era querido por todos, principalmente pela esmagadora maioria da população feminina da região, mas as demonstrações de carinho e solidariedade que sua família recebera naquela semana obscura o emocionava profundamente, levando-o às lágrimas nos momentos de privacidade, em seu quarto.

Não demorou para que Joseph começasse a reclamar da clausura de seu quarto, da escassez de espaço e atividades, da comida sem substância que lhe era servida e todas aquelas pessoas orbitando sobre ele como galinhas velhas. Hoss ria satisfeito diante das reclamações do irmão menor, sinal irrefutável de sua plena recuperação. A vida estava finalmente voltando ao normal.

Na tarde do dia em que o Doutor Martin autorizou Joe a descer e sentar-se na cadeira de balanço na varanda, uma reunião ocorreu dentro do celeiro, com a presença dos dois irmãos mais velhos e todas as moças hóspedes de Ponderosa. Elas revelaram aos rapazes que era chegada a hora de voltarem para casa. Virgínia aproveitou o momento para revelar a sua intenção de ficar.

_ Quem sabe o senhor Cartwright pode me conseguir um emprego? – Ela sorriu _ Sou boa com documentos e números.

_ Isso é verdade – Adam concordou _ O pai pode falar com o escritório de contabilidade. Eles sempre precisam de um bom arquivista.

_ Aquele escritório vai ficar bem mais agradável – Hoss abriu um grande sorriso _ Nunca tiveram um funcionário tão bonito antes.

_ Então – o mais velho bateu as mãos nas pernas da calça _ Quando partimos?

_ Partimos? - um coro perguntou em uníssono.

_ Sim, partimos _ Hoss interferiu _ Nós dois iremos acompanhá-las até Carson City.

_ E este quesito não está aberto à discussão – Adam foi categórico.

Na manhã seguinte, Ben, Joe e Virgínia estavam na varanda despedindo-se das moças. Hoss e Adam já haviam preparado o carroção e arrumado as provisões providenciadas por Hop Sing para os dois dias de viagem.

As setes amigas uniram-se num abraço coletivo, com direito a lágrimas e sorrisos comovidos.

_ Você vai ficar bem? – Crica perguntou a Virgínia ao que ela respondeu com um gesto afrimativo.

_ Se cuida, querida – Silvia beijou o rosto molhado de Virgínia.

_ Você também – ela cutucou o ombro de Sílvia _ Vê se procura um médico quando chegar em casa.

_ Pode deixar. – Sílvia embarcou na carroça atrás de Crica e Bonanzer, com a ajuda de Hoss.

_ Ainda está em tempo- Maria segurou no braço esquerdo de Virgínia, mas o olhar da amiga afirmava sua certeza _ Está bem... Vamos sentir a sua falta...

_ Eu também vou – Virgínia empurrou as lágrimas para o lado com as costas da mão e se colocou atrás da cadeira onde Joe estava acomodado, ao lado de Ben _ Melhor vocês irem logo. Está ficando tarde – O patriarca cercou a jovem com um braço e puxou-mais para perto de si, acenando para o grupo que partia.

_ Bem, senhoras, aqui estamos – Adam declarou ao estacionar o carroçãoao lado do melhor hotel de Carson City.

As moças desceram e tomaram sua pouca bagagem, amontoando-se na calçada estreita. Uma genuína cidade do Velho Oeste!

_ Se preferirem, nós poderemos cuidar da hospedagem e providenciar passagens na próxima diligência.

_ Nãoé necessário, Adam – Ana Maria declarou _ Nós podemos nos arrumar. Vocês já fizeram demais e não sabemos ao certo quando partiremos.

_ Estamos pensando em conhecer a cidade primeiro – Bonanzer afirmou com um sorriso radiante _ E seu pai nos deu dinheiro suficiente para todas as despesas de um batalhão!

_ Acho que está a hora – Hoss fixou o olhar sobre Penny .

_ É, está...

_ Tem certeza de que não prefere ficar?

_ Hoss, o meu lugar não é aqui... Nenhuma de nós pertence a esse tempo e ainda não estou certa de que a Virgínia tomou a melhor decisão, mas ela é adulta...

_ Vou sentir a sua falta, pequenina – Hoss tirou o chapéu alto e segurou-o com as duas mãos na frente do corpo.

_ Eu também sentirei a sua falta – Pondo-se na ponta dos pés, Penny apoiou-se nos braços de Hoss para beijar-lhe a face _ Você é o melhor cara do mundo, Hoss Cartwright.

O filho do meio de Ben corou, exibindo um meio sorriso e seguiu seu irmão mãos velho, embarcando no carroção de volta ao rancho.

As moças permaneceram na calçada até que a carroça desapareceu na curva, no final da rua principal.

_ Bem, e agora?

_ Bonanzer, querida, agora eu estou implorando por um bom banho quante e uma cama macia – Crica deckarou, passando o braço por sobre os ombros da amiga, conduzindo-a para a porta do grande hotel.

_ Eu daria um braço por uma ducha quente e toalhas macias... _ Ana Maria seguiu as duas.

_ E como é que a gente vai voltar pra casa? – Maria adiantou-se para juntar-se ao grupo.

_ A gente pode pensar nisso depois do jantar?

_ Claro, Sílvia- Penny sorriu para a amiga _ Eu diria que poderíamos pensar nisso amanhã.

O animado grupo subiu os três degraus que separavam a soleira do hotel da calçada e atravessaram a porta alta revestida por vidraças jateadas.

Do lado de dentro do hotel de Carson City, uma multidão de pessoas trajando jaquetas e coletes de couros, botas e chapéus de cowboy, tudo muito natural numa cena de Bag-bang, exceto pela imensa tela plana pendurada na parede do fundo do grande hall iluminado por lâmpadas frias, que exibia a abertura de Bonanza.

_ Mas que diabos... – Maria e suas companheiras pararam estupefatas diante da movimentada pequena multidão que explodia flashes de máquinas digitais em todas as direções.

_ Ora, ora, ora...

_ Me belisca – Sílvia pediu, ainda de boca aberta.

Sem dizer uma palavra, Ana Maria girou sobre os calcanhares e correu para fora. O trânsito frenético e os sons da modernidade estavam por todo lado. Chocada, voltou para junto de suas amigas.

_ Como? – Crica não conseguia compreender.

_ Coisa mais doida...

Por algum tempo todas permaneceram de pé, observando os fãs fantasiados. Um folder foi-lhes entregue por um chinês que usava uma trança presa a um gorro, onde se lia: "XXI Convenção de Bonanza em Carson City" .Não havia mais dúvidas. Elas estavam de volta ao futuro.

De repente, um homem vestido como Little Joe apareceu no alto da escadaria e convidou os presentes a se dirigirem ao teatro para o primeiro painel de apresentações.

_ E, aí? – Bonanzer dirigiu-se às amigas sem muito ânimo _ Vamos?

_ Depois de estar em Ponderosa com todos eles, ao vivo e a cores...

_ Essa convenção perdeu totalmente a graça.

_ Pois é...- Ana Maria Concordou.

_ Quer saber? – Maria levou as mãos aos quadris com os olhos brilhando _Estou muito a fim de alugar um carro e colocar algumas moedas nuns caça-níqueis em Vegas.

_ Grande ideia, Sis!- Sílvia levantou a mão e bateu-a no alto contra a de Maria.

_ Mas nada de Cadilaques! – Bonazer exigiu.

_ Sem Cadilaques.

_ E a Maria fica longe da locadora – Penny solicitou, rindo da expressão no rosto de Maria.

_ Mas eu só queria...

_ Maria, minha amiga, nós amamos você – Crica abraçou-a amigavelmente _ mas se formos alugar alguma coisa, será moderna...

_ Com teto...- Bonanzer completou.

_ Com ar condicionado...- Foi Ana quem lembrou.

_ E GPS, por favor! – Todas explidiram em risos com o detalhe lembrado por Penny.

As amigas do Bonanza Brasil atravessaram a rua em festa, levando consigo a lembrança da maior aventura de suas vidas.

FIM