City of lovers
AVISO:Essa Fic tem Yaoi. Ou seja, homem com homem, se beijando e tudo mais! . Se você é um leitor que não gosta de Yaoi, volte na setinha ali no canto da tela, jogue um bloco de construção na Fabiana-sama, mas não me encha o saco com reviews reclamando!
AVISO2: Essa fic é em universo alternativo, ou seja, o que minha imaginação mandar ta na historia! E também tem OOC, Ou seja, se você ver algum personagem e falar: OHmeudeus! Ele não era assim no jogo! Significa que fui eu que mudei!
Kingdom Hearts não me pertence! Pois se pertencesse eu estaria ganhando dinheiro! Mas eu sou apenas uma adolescente que jogou o jogo, achou muito fofo e decidiu fazer uma fic! XD
– Isso – é uma fala.
"– isso–" é um pensamento.
OoO. OoO. OoO
Capitulo 8: Can you fell the Love tonight?
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Seifer olhou pro céu limpinho daquele dia, passavam das duas horas mais ou menos e ele não sabia por que Hayner o tinha chamado pra ir ao rio. O Garoto havia dito que era Algo importante e que ia o ajudar com seu "Problema".
"– Problema... Até parece que ele ia fazer algo assim. –" E suspirou, triste. Hayner nunca iria ajudá-lo, provavelmente queria tirar sarro dele, ou brigar, como fazia de costume. Então, porque ele ainda insistia? Porque ia lá vê-lo, sabendo que não era nada daquilo? Era estranho aquela sensação que tinha. Ao chegar no rio, o garoto não viu ninguém.– Sabia... – Suspirou novamente, deu as costas e foi fazer o caminho de volta.
– Aonde você vai? – Seifer segurou a respiração por um segundo e se virou, vendo a cabeça de Hayner flutuando na superfície do lago. – Eu não disse que tinha a solução pro seu problema. – Hayner saiu de lá, mostrando que estava apenas com sua bermuda de estampa militar, e balançou os cabelos loiros de um lado para o outro, bagunçando-os.
– Eu não tenho um problema. – Seifer falou irritado, Hayner olhou pra ele incrédulo. – Ta, é uma fobia. – Seifer olhou pro inimigo, que sorria pra ele.
– Sei... Agora, fique só de calça. – Seifer ficou surpreso com o pedido de Hayner e ficou parado por alguns momentos. – Que foi? Vai, tira! – Hayner falou enquanto ajeitava o Ali-chan. Seifer hesitou um pouco, mas logo começou a se desfazer das roupas.
– O que você quer comigo só de calça, hein Hayner? –Seifer tinha uma suspeita do que poderia se seguir, mas era bom perguntar.
– Antes que você pense besteiras, saiba que eu-- – Hayner se virou pra encarar Seifer, o que ele não esperava era que ia ficar vermelho com a visão do rapaz sem camisa. – Eu... – Ele havia saído do foco completamente.
– Você? – Seifer olhou pra Hayner, que continuava sentado na grama, bobo. – Ô loira, Vai ficar admirando meu corpo o dia inteiro ou o que? – Seifer falou já constrangido com aquela situação. Hayner piscou algumas vezes antes de notar o que estava fazendo e se levantou. – Como você pode me ajudar, loira?
– Fácil, você aprender a nadar na marra, com o método de educação espartana. – Seifer fez uma careta e olhou pra Hayner. – E alias, a partir de agora é Mestre Hayner. – O garoto se gabou. Seifer rolou os olhos e se aproximou do outro.
– Presta atenção, loira, eu não quis vir aqui hoje. – Ele olhou para Hayner e apontou para o peito dele. – Eu não me importo se ficar o resto da minha vida morrendo de medo de nadar. – Hayner olhava-o num misto de raiva e decepção, talvez tristeza. – Se eu não me importo, porque você se importaria? – Seifer viu o outro mudar a expressão e olhar pra ele confiante.
– Primeiro: Eu não me importo com você. Segundo: não aponte esse dedo pra mim, eu não sei por onde ele andou. E terceiro: Você quer me dar um motivo pra te zoar? – Hayner viu o inimigo parar por um momento e raciocinar, pra se render em seguida. – Vamos entrar na água.
– Falou, Loira.
– Mestre Hayner, pra você. – o garoto falou, cheio de si, levando um pescotapa em seguida. – Hey, por que fez isso???
– Por que deu vontade, loira. – Seifer falou enfatizando bem a ultima palavra. Hayner bufou indignado, como esse cara podia ser tão... Tão... Cabeça dura.
– Eu to querendo te ajudar! – Hayner falou quase gritando.
– Eu não pedi a sua ajuda! – Seifer rebateu no mesmo tom de voz. – Eu nunca quis que você soubesse nada disso... – e virou o rosto, respirando fundo.
– Então porque contou, seu idiota? – Hayner pegou no ombro do outro, virando ele, queria encará-lo. – Por quê? – nenhuma resposta. – Fala!
– Eu não sei por que! – Seifer respondeu alto. – Eu só desabafei naquela hora, foi só isso! – Ele não sabia o que estava pensando naquela hora, em que o inimigo dele o havia chamado pensando ter uma solução pra tudo aquilo. Era como se de repente, cada coisa que Hayner fizesse o atraísse, cada momento com ele o fizesse mais feliz, como jamais fora. – Cansei disso! – Ele disse, indo na direção das roupas largadas.
– Aonde vai?
– Não é da sua conta. – Seifer pegou as roupas emboladas e caminhou na direção da trilha. Hayner amarrou a cara novamente, ele estava ali, abrindo mão do tempo que ia compartilhar com os amigos pra ajudá-lo. Então, porque aquele cara não queria a ajuda dele?
– CLARO QUE É DA MINHA CONTA SEU IDIOTA! EU SÓ QUERO TE AJUDAR PORQUE EU ME IMPORTO COM VOCÊ! – O sangue ferveu e ele gritou a plenos pulmões, o coração estava acelerado demais e Hayner não tinha nem noção da gravidade do que tinha acabado de fazer. – Quer dizer... Eu... –Ou talvez tivesse.
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– Você ta me dizendo que eles dividiram uma Paopu? – Kairi mal acreditava no que estava ouvindo, apenas via Ollete confirmar a informação.
– Isso explicaria muita coisa, viu? –Riku se manifestou.
– Eu ainda acho que eles se gostavam antes dessa história toda ai. –Namine falou enquanto colocava uma mecha de cabelo atrás da orelha.
– Nem vem. – Roxas disse, levantando uma sobrancelha. – Uma das coisas que Hayner e Seifer têm em comum é que eles se odeiam.
– Num sei não, viu Roxas... – Sora falou desconfiado. – Pra mim eles não se entendiam, porque não queriam.
– Eu aposto cinco munny que vai rolar até beijinho. –Namine falou convencida.
– Pra mim o Seifer vai tomar um fora do Hayner. Aposto dez. – Riku falou com um sorriso de canto no rosto.
– Eu aposto quinze que nada vai acontecer! – Roxas olhou pros dois amigos e sorriu em seguida. – E você Sora?
– bem, eu acho que vou ficar com o pessoal que não aposta nada, porque eu não faço idéia do que possa acontecer.
– Eu to com a Namine! – Ollete falou, indo para o lado da amiga ouvindo um "toca ai amiga" dela.
– Só uma pergunta. – Todos olharam para Pence. – Como vocês vão saber quem ganhou? Cês devem saber que se "rolar beijinho", como a Namine diz, nenhum dos dois vai querer dizer. –Pence tinha razão, ninguém ali ia convencer o garoto de se abrir.
– A gente pode seguir ele e ver o que acontece. –Riku falou e todos se entreolharam, concordando com a idéia.
– É uma ótima idéia! –Namine falou entusiasmada.
– Mas, algum de vocês por acaso sabem onde ele ta agora? – Kairi falou, deixando todos na estaca zero novamente.
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Seifer pareceu não ter reação de primeira, mas logo se virou, suspirando.
– É por isso que insiste tanto? – Seifer levantou uma sobrancelha, colocando a toca cinza escura e o sobretudo prateado. – Você ta caidinho por mim, só porque coisas estranhas aconteceram ontem? – Seifer falou de forma irritante.
– Mas do que você...?
– E não me venha com "mas", você está estranho desde ontem. – Seifer se aproximou. – Cheio de ficar todo vermelho quando me vê sem camisa, pensativo, E o que diabos foi aquilo de manhã? – Seifer perguntou sem se preocupar se o estava magoando ou não, tinha que dar um basta naquilo. – Não pense que só porque aquilo aconteceu ontem, que eu vou virar seu amiguinho. – Ele falou para Hayner, que olhava o chão, sem ter nenhuma resposta boa.
– Seifer eu... – Nada vinha. Apenas cenas do dia anterior. Tinham se falado antes de dormir, e antes montaram a barraca juntos, e antes ainda, o abraço.–Só pensei que... – Os punhos se fecharam. Pensado? Em que? Talvez no modo em que Seifer havia pegado em sua mão, como havia sido gentil conversando com ele. Como se sentia bem melhor sem ter que brigar com ele.
– Hayner. – Seifer levantou o rosto dele. – Não é real. – As três palavras da frase, fizeram com que viesse apenas uma á cabeça de Hayner. Paopu.
– É tudo sua culpa. – Nada era de verdade. Era tudo culpa dele, que tinha que dividir o suco da paopu com ele. Hayner colocou a Mão na frente da boca. – Se não tivesse feito aquilo. Se você não... Não... – Porque estava chorando?
– Ah, Hayner. – Seifer não acreditou no que viu. – Qual é, não vai chorar agora não é? – Pegou no ombro do menor, que tentava fugir do toque.
– Não encosta em mim. – Hayner se soltou e foi andando. Seifer não soube o que fazer, tinha que acabar com o que acontecia, mas ver Hayner daquela forma era no mínimo perturbador.
– Hayner. – Seifer viu o garoto começar a correr mais e mais, e os dois se afastaram do acampamento pouco a pouco. – Para de correr!
– Para de me seguir! – Foi o que Hayner conseguiu dizer. Mas Seifer não parou. Hayner desviou o curso pra dentro do rio, sabia que Seifer não o seguiria lá.
– Hayner sai daí! – Seifer falou em tom autoritário. – Lembra do que a monitora disse!
– Ta preocupado com o que? – Hayner falou ironicamente. –Você nem é meu amigo.
– É, mas eu não quero que você morra! – Seifer falou impulsivamente. Hayner olha pra ele e mostra a língua, submergindo na água do rio. Seifer ficou apreensivo só de olhar como Hayner mergulhava na água. – Hayner...
– Você ainda ta aqui? – Hayner começou a nadar de costas e mergulhou fundo. Seifer suspirou e esperou mais um pouco antes de ir embora. Hayner estava demorando pra voltar pra respirar. Não sabia quanto tempo Hayner agüentava embaixo d'água, mas a demora era demais. O que a mulher tinha dito mesmo? Correnteza forte. Não poderia ser, Hayner teria pedido ajuda. O meu deus, o que era aquela cor vermelha na água? As pedras? Sim, as pedras!
– Droga! –Seifer falou. A respiração acelerou, assim como o coração. Tinha que se acalmar e ir buscar ajuda, mas Hayner estava lá embaixo a muito tempo. "– O que eu faço? –" Seifer conseguiu se ver com medo pela primeira vez em sua vida. "– O que eu faço? –" bolhas de ar vieram a superfície, Hayner estava sem ar. "– Não. Eu não vou deixar ele morrer desse jeito! –" Seifer tomou fôlego e coragem e entrou no rio, foi até onde tinha visto Hayner mergulhar da ultima vez.
Ele estava se contorcendo em desespero, um pouco mais a frente, Seifer foi andando, pois a água chegava à altura do seu pescoço. Tomou fôlego e mergulhou a cabeça. Tentou tirar o pé que estava preso entre duas rochas, sangrando. Hayner estava parando de se mexer, estava sem ar algum. Seifer voltou a superfície, pegou ar e mergulhou novamente, soprando um pouco na boca de Hayner, quase inconsciente. Depois de muito se esforçar, Seifer conseguiu tirar o pé de Hayner do meio das rochas e os dois emergiram.
– Sei... fer... – Hayner falou fraco.
– Cala a boca, idiota. – Seifer falou respirando fundo. – Só não morra... – Seifer tentava andar com Hayner agarrado aos seus ombros, mas a correnteza estava ficando forte, como disseram que ficaria. Ele não conseguiu resistir por muito tempo, por mais que quisesse e sentiu as águas levarem os dois corpos.
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– Riku, eu já disse pra você sair de cima de mim. – Sora dizia tentando sair de baixo de Riku. – Você anda muito tarado ultimamente, viu?
– O que eu posso fazer? – Riku beijou a bochecha de Sora. – Eu não posso te paparicar o dia inteiro por causa dos outros alunos... Eu sinto sua falta. – Riku saiu de cima de Sora e se sentou na cama. Sora por sua vez o abraçou.
– Eu sei. – o moreno sentou-se no colo do maior, beijando-o calorosamente. Riku aproveitou a situação e colocou a mão por baixo da camiseta de Sora, que na hora sentiu o rosto corar. – Riku... – Ele ofegou. Riku foi dando beijos no pescoço de Sora, fazendo-o corar ainda mais. Aquela camiseta que Sora usava atrapalhava muito, então Riku começou a tirá-la, sem objeção nenhuma do companheiro.
Sora começou a sentir os beijos do namorado se distribuir pelo seu corpo magro. Sentiu Riku depositar os lábios sobre seu mamilo e sugá-lo. Sora arqueou as costas e se afastou um pouco dele.
– Hey, espera! Tempo! Tempo!
– O que foi? –Riku pergunta carinhosamente e vê o rosto de Sora ficar vermelho como um pimentão.
– É que... Eu... Nós, sabe... Íamos...
– Íamos? – Riku riu um pouco ao ver a vermelhidão no rosto de Sora aumentar mais e mais.
– Íamos... Ah, você sabe. – Sora coçou a parte detrás do cabelo. – E eu não sei se nós já...
– Sei. – E beijou a bochecha de Sora. – Tudo bem, paramos aqui por hoje. – Riku viu seu namorado suspirar e sorrir.
– Que bom que você entende. – Sora encostou a testa na de Riku.
– Tudo bem. Quando você estiver pronto, faremos isso, ok? – Sora concordou e os dois se abraçaram.
– QUE LINDOOOOOO! – Os dois ouviram o grito abafado do outro lado da porta. Um grito de uma voz conhecida. Riku deixou Sora na cama e foi abrir a porta, vendo que Namine estava "saindo de fininho". A garota pigarreou e tentou se explicar rapidamente. – Cês deviam vigiar melhor essa porta. –E sorriu da forma como só ela sabia. – Tem gente por ai espiando pela fechadura, cuidado.
– Fala Namine. –Riku falou suspirando cansado.
– Vocês viram o Hayner? – Riku negou, Namine olhou pra dentro do quarto, onde Sora colocava a camisa.
– Eu também não vi não. Por quê? – Sora se levantou da cama e foi até eles. – Vai dizer que ainda é por causa da aposta?
– Não. É que eu fui azucrinar ele, como eu faço sempre, e ninguém sabe dele dês do almoço. – Namine colocou o polegar na boca e roeu um pouco a unha. – Já o procurei em todo lugar.
– Já foi na barraca? – Sora perguntou e Namine confirmou. – Refeitório? Sala de jogos? – Namine voltou a confirmar.
– E o rio? –Os dois olharam pra Riku. – Eu vi ele indo naquela direção, hoje mais cedo.
– Eu vou checar vocês vêm comigo? – Riku e Sora se entreolharam e assentiram. Ao terminarem o caminho que leva ao rio, os três ficaram decepcionados. Hayner não estava ali.
– Será que vocês só não se desencontraram? – Riku perguntou o obvio.
– Tem umas roupas soltas por aqui. – Sora se aproximou. Lá estava a camiseta e o colete de Hayner, junto aos seus sapatos. – São do Hayner. – Sora pegou elas e segurou no braço.
– Aqui tem mais. – Namine falou. – Essas botas de soldado não são do Seifer? – Namine pegou as botas desamarradas, junto a uma camisa. – Eu to começando a me preocupar com eles... – Namine pareceu apreensiva.
– É melhor a gente falar com alguém. – Sora falou, olhando pras roupas sujas de terra.
– Espera, vamos primeiro procurar melhor. Se a gente não encontrar, avisamos os instrutores. –Riku fala ciente do que roupas largadas por ai podiam significar.
– Eu vou chamar os outros.
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Seu corpo se arrastou pela margem do rio. Com certeza á aquela altura, eles já estavam longe demais do acampamento. Grande, agora estava perdido na floresta com seu inimigo fresco. Olhou-o por instantes, o garoto estava deitado e de olhos fechados.
– Loira levanta, a gente tem que ir andando. – Seifer se pôs de pé, mas Hayner não moveu um músculo. – Para de brincar. – Seifer se agachou e sacudiu o corpo do outro. Nada ainda. Seifer começou a se preocupar. – Hayner! Hayner! – O que havia acontecido? Ele tinha certeza de que Hayner estava bem a um minuto atrás. – Eu falei pra não morrer, panaca. – Seifer pegou o menor nos braços, tirando alguns fios de cabelos que ficaram presos no rosto molhado, não podia deixá-lo morrer, não assim. Apertou o nariz empinado de Hayner e sem ao menos hesitar juntou os lábios, assoprando. Tentou duas vezes e nada, Hayner não acordava. Assoprou mais uma vez, mas sem reação. Abraçou o corpo e chorou silenciosamente, talvez culpa por ter ocasionado aquilo. – Não morra Hayner.
Uma voz conhecida o chamava "Não morra Hayner.", Hayner sentiu apertado contra alguma coisa, duas gotas mornas caíram sobre seu rosto. Ele abriu os olhos lentamente e viu um sobretudo cinza úmido, tossiu de leve e esfregou os olhos. Eram de Seifer as lagrimas, Hayner se recostou, aproveitando o calor daquele abraço. –Seifer? – Hayner se afastou alarmado. – O que ta fazendo? – Seifer não conseguiu dizer nem fazer nada, quando viu o rapaz acordado. – Alôu? Tem alguém ai? – Seifer piscou algumas vezes antes de falar algo.
– Você está bem? Não está machucado? – Seifer se aproximou e viu Hayner negar. – Ainda bem. – Um suspiro aliviado, Seifer se levanta e seca o rosto.
– Espera ai, que negocio é esse de "você está bem"? – Hayner sentiu o sangue ferver, – Não foi você que disse agora á pouco que... – tentou se levantar, mas assim que pôs seu pé direito no chão, uma dor aguda veio e Hayner desequilibrou, foi pego por Seifer antes de cair completamente.
– Você se machucou nas... Pedras... – Os dois se olharam, tão próximos e ruborizados. – Então... Eu... – Seifer lembrou-se do que tinha feito pra salvar Hayner no rio e corou, viu o rosto do outro ruborizar. Aparentemente, Hayner também se lembrou. – Te ajudei. – Seifer viu Hayner respirar fundo e fechar os olhos. O que diabos estava acontecendo ali? Primeiro Hayner é todo "Nem pense nisso seu tarado" E agora se entrega assim? Seifer sentiu-se tentado, mas recuou. Não podia fazer aquilo. – Vai querer ser carregado que nem princesa ou o quê, Loira?
– Claro que não! – Hayner reagiu ao apelido e se debateu até ficar em pé, ou pelo menos o que ele chamava de ficar em pé. – Eu vou sozinho. – Assim que Hayner começou a andar, o pé começou a sangrar, mas ele não desistiu e continuou.
– Então ta. – Seifer começou a andar normalmente, deixando Hayner pra trás. – Só não reclame se eu chegar ao acampamento antes de você. – Seifer foi subindo o rio.
– Aonde você ta indo?
– Já que a nós fomos levados pela correnteza, o melhor a fazer é ir à direção contrária não é?
– Mas disseram que se nos perdêssemos não era pra sair andando por ai sozinho. –Hayner falou preocupado.
– E desde quando você se preocupa com as regras? –Seifer rebateu.
– Desde que eu desobedeci a uma e quase morri!
– E se nós chegarmos lá antes de anoitecer, vamos evitar muitos problemas. – Hayner nada disse, apenas começou a pensar no que Seifer tinha dito. Tinham que chegar ao acampamento antes que acendessem as fogueiras, pois era naquela hora em que eles faziam a contagem de alunos. Se conseguissem e alguém sentisse a falta deles, era só dar uma desculpa qualquer e ouvir um sermão do instrutor, mas se não ai sim, as coisas iam estar ruins pra eles.
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– Acharam? – Riku encontrou-se com Ollete e Selphie perto do refeitório, as duas garotas negaram. – Que droga. –Em seguida chegaram Sora, Pence e Kairi.
– Eles não estão em lugar nenhum. – Kairi falou preocupada. –
– Será que não foi algo que o Seifer e aqueles outros dois não planejaram, não? – Ollete opinou.
– Será? – Pence ficou pensativo. – Ta certo que a gente não se dá bem, mas acho que eles não fariam algo sério com ele.
– Não sei não, viu Pence... – Ollete falou, olhando pra Riku, Sora e Namine. – Vocês acharam as roupas dos dois lá? – Os três confirmaram.
– Gente... – Sora falou, fazendo todos olharem pra ele. – Cadê o Roxas? –Ninguém respondeu nada. Eles se olharam. Será que Roxas também tinha sumido? Antes que alguém saísse correndo atrás do loiro, avistaram Roxas vindo na direção do refeitório junto de... Fuu e Rai?
– Roxas! – Ollete e Pence foram até ele. – Você ta bem? – a morena perguntou.
– To sim.
– O que eles tão fazendo com você, Roxas? – Pence perguntou olhando para os dois que estavam mais atrás do amigo loiro.
– Eles tão procurando o Seifer, então eu propus uma trégua. –Roxas respondeu simplesmente. Pence e Ollete olharam pra Fuu e Rai, sem acreditar. Então Seifer e Hayner tinham sumido de verdade, não era nada mais e nada menos.
– Estamos preocupados. – Fuu respondeu. –É só.
– É. – Rai concordou. – Não vão pensando que só porque a gente vai procurar juntos, que vãos dar folga depois, ta sabendo? (1)– Pence revirou os olhos, resmungando algo como "que idiota", Ollete bufou e viu Roxas dar os ombros.
– Ok, aonde vocês procuraram? – Riku perguntou de onde estava.
– Todo lugar. – Fuu se limitou a responder.
– Nas trilhas, nas quadras, nos quartos, no refeitório, até nos banheiros! Ta sabendo? – Rai contava nos dedos em cada lugar que eles tinham procurado.
– Já foram ver no rio? – Namine perguntou enquanto se aproximava.
– Foi o primeiro lugar que vimos. – Rai parecia preocupado com toda essa situação. – Não encontramos nada. – Rai viu a amiga suspirar e coçar o queixo. – 'Tamos preocupado, ta sabendo? –Namine, Sora e Riku se entreolharam.
– Rai, Fuu... – Namine começou a falar. –Não sei quando vocês foram ao rio, mas nós estivemos lá antes. – Rai arqueou a sobrancelha e Fuu cruzou os braços. – E nós encontramos isso. – Namine deu passagem pra que os dois pudessem ver as roupas de Hayner e Seifer nas mãos de Sora.
– Merda. – Fuu falou e em seguida se virou, passando a mão sobre a testa. – Não acredito que ele chegou perto do rio! Aquele idiota. –A garota falou em um misto de preocupação e raiva.
– Calma Fuu, você não acha que ele ia pular no rio, né? Sabe, ele não... –Rai colocou a mão sobre o ombro da amiga.
– Ele é um idiota cabeça dura, eu não sei o que ele poderia fazer. – A garota respirou fundo encostando a cabeça no ombro de Rai.
– Calma aê! – Sora e Riku se aproximaram. – Qual é o problema se o Seifer pulou no rio ou não? – Sora perguntou,
– Sabe, o Seifer tem uma... Anh... Dificuldade! É mais uma fobia, ta sabendo? – Raijin tentou responder, sem sucesso.
– Ele não sabe nadar. – Fuu respondeu friamente, deixando todos sem resposta. – Seifer simplesmente afunda. – o Silencio predominou naquele momento, ninguém sabia o que falar, exceto Namine.
– Agora nós podemos avisar os monitores?
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– Estamos andando há quando tempo hein? – Hayner parou de andar e se sentou ao lado de uma arvore qualquer. – Que droga de pé... – Hayner olhava pro machucado feito no rio. Estava com cortes fundos e o tornozelo tinha inchado, estava torcido ou algo do tipo? Mal conseguia colocá-lo no chão.
– Acho que Duas horas, talvez mais. – Seifer falou olhando pra Hayner. – Não vai dar uma de marica agora e reclamar do pezinho, não é?
–Cala a boca! – Hayner falou bravo. – Não é você quem torceu o pé! – Hayner encarou o tornozelo novamente. Não ousava pensar em encostar naquilo, podia ficar pior.
– Do jeito que esta, nós não vamos chegar nunca... – Seifer tinha certeza de que estavam mais longe do acampamento do que imaginara talvez se fossem mais rápidos chegariam lá á noite. Mas pensou na distancia em que andaram e no tempo todo que levou. Suspirou. – Vamos indo Hayner, se quiser sobreviver...
– Eu não! – Ele respondeu. – Só vou quando os monitores che... – Hayner parou de falar um pouco e pensou no que Seifer tinha dito. – Como assim sobreviver? – Hayner viu o outro olhá-lo, sorrir de canto e continuar a caminhar. Hayner se levantou e começou a seguir o outro do jeito que podia. – Volta aqui! Como assim sobreviver?
– Vamos andando, não temos tempo. – Ele se limitou a responder. Os dois continuaram andando diante do céu, que já começava a ficar laranja e rubro. Hayner começou a pensar, pensar em várias coisas. Estava perdido, machucado, descalço e agora que começara a entardecer, com frio. Mas o pior de tudo era ter de discutir com Seifer até nessa situação. Hayner podia ter evitado isso?
"– Eu tinha que querer ajudar! –" Ele pensou. Talvez se tivesse deixado de lado tudo o que havia acontecido, ele estaria na barraca, ou até mesmo com seus amigos, aproveitando o dia. "– Eu não podia ter deixado de lado toda essa história... –" Pensando nisso, Hayner viu a tarde virar noite, sentiu o vento gelado percorrer sua espinha. O tempo estava mudando.
– Acho que vai chover... – Seifer falou olhando pras nuvens no céu. – Vamos ter que ir mais rápido.
– Você acha é? – Hayner sentiu outro calafrio, agora nada poderia melhorar o dia. – Mas você se esqueceu de que esse é o meu "Mais rápido"? – Hayner deu um passo pra frente, esquecendo-se do pé, machucando-o e se agachou no chão, de tanta dor que sentiu.
Seifer revirou os olhos e se aproximou, sentando-se do lado do loiro. – Você ta bem? – Hayner evitou olhar nós olhos do outro, mas confirmou com a cabeça que estava bem. Seifer teve uma idéia, que talvez ele não gostasse, mas era o único jeito deles irem mais rápido. – Vem aqui. – Seifer pegou Hayner no colo.
– TA FAZENDO O QUE? – Hayner foi pego de surpresa, começou a se debater, querendo sair do colo de Seifer de qualquer forma. – LARGA! LARGA! LARGA!
– É o único jeito de irmos mais rápido. – Seifer falou enquanto tentava segurar o outro em seu colo.
– Eu não quero ser carregado igual a uma princesa!– Hayner se debateu mais ainda.
– Eu te carrego de outra forma então! – Seifer colocou Hayner no chão e o olhou. – Eu não queria estar nessa situação tanto quanto você. Mas já que a gente está, que tal uma trégua? – Seifer estendeu a mão, Hayner olhou o outro e excitou um pouco, mas apertou a mão do outro.
– Ta, mas não quero ser carregado que nem princesa. – Hayner esfregou as mãos nos braços e em seguida sentiu algo o cobrir. – Hey! O que é...? – O sobretudo de Seifer. Hayner olhou para o outro, que estava de costas.
– Pode usar. – Antes que Hayner pudesse falar algo, Seifer ficou de pé e falou. – Eu vou te carregar nas costas.
– Tem certeza? – Hayner colocou o sobretudo, totalmente ruborizado. Aquela peça de roupa tinha um cheiro estranho, não era ruim, só deixava Hayner estranhamente envergonhado, – Vou te dever uma... Eu acho... – e se levantou com dificuldade.
– Só não conte pra ninguém, que estaremos quites. – Sorriu. Seifer sorriu. Não era um sorriso convencido, como o que sempre dava. Desta vez era sincero. Hayner retribuiu quase instantaneamente. Seifer virou de costas, pra que Hayner pudesse passar os braços sobe seus ombros, ele pega as pernas de Hayner e as segura na altura de sua cintura. – É melhor você se segurar bem, eu vou correr. – Hayner segurou forte o suficiente pra que não caísse. Seifer pegou fôlego, e correu o mais rápido que pode.
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O clima na sala dos monitores estava tenso. Os oito amigos já haviam avisado os monitores e agora esperavam as equipes de busca chegar. Passava das sete horas os amigos começaram a ficar mais preocupados ainda.
– Você acha que eles estão bem, Pence? – Ollete perguntou preocupada.
– Eu não sei, Ollete... – Pence, dava os ombros, sem saber o que dizer a amiga. – A gente só pode esperar.
– Vocês ouviram? –Kairi perguntou, pedindo silencio em seguida. O som que vinha do lado de fora eram pingos de água caindo. – Chuva? – Kairi foi até a janela pára olhar melhor, em poucos minutos, a chuva fraca começou a ficar mais forte. A garota viu vários monitores levando os alunos pros alojamentos.
– Podia ficar melhor? – Assim que Roxas terminou de falar, a luz apagou.
– AHHH!
– Selphie, não grita no meu ouvido! – Riku reclamou.
– Desculpa... Eu não gosto do escuro... – Minutos depois a porta se abriu e Jane entrou com uma lanterna acesa.
– Vocês estão bem? – Todos confirmaram.
– O que houve? – Sora perguntou.
– Nada de mais, a luz volta logo. Mas eu quero que vão pro dormitório A-2 e fiquem lá. Assim que tivermos alguma noticia, vamos falar com vocês. – Todos concordaram e antes de saírem, a luz pisca duas vezes, acendendo em seguida. Todos ficaram aliviados e foram para o corredor. – Levem guarda-chuva! – Jane falou saindo da sala, vendo Tarzan entrar pela porta de entrada com o uniforme molhado e com uma cara não muito boa.
– Riku, você acha que o Hayner está bem? – Sora pergunta se aproximando mais do namorado.
– Vai ficar tudo bem com ele. – Riku passou o braço pelo ombro de Sora. – É do Hayner que estamos falando.
– Espero que você esteja certo.
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Hayner olhava a chuva cair forte e impiedosamente, sem trovões, malditas chuvas de verão. Estavam parados embaixo de uma arvore ambos tremendo e impacientes.
– Parece que essa chuva não vai passar tão cedo. – Seifer estava em pé, o frio não o incomodava muito. Olhou para baixo, vendo a terra escorrer pelos pés, entre os dedos e a barra da cala encharcada.
– O que fazemos agora? – Hayner se encolheu dentro do sobretudo bem maior que ele. Sentiu o queixo bater, por deus, como odiava o tomar frio.
– Esperamos, procuramos um abrigo, sei lá. – Seifer realmente não sabia o que fazer em uma situação como aquela. Não podiam continuar o caminho com aquela chuva, a trilha podia ser perigosa quando estava escorregadia. – Uma caverna, ou...
– E aquele papo de "Se quiser sobreviver"? – Hayner olhou o outro de uma forma preocupado.
– Era brincadeira. – Seifer tirou a touca e a olhou desanimado, – Você acreditou mesmo? – olhou para o rapaz ao seu lado. – Cê acha que levariam um bando de adolescentes idiotas pra algum lugar perigoso?
– Bem, eu quase morri, não foi? – Hayner falou enquanto via a escuridão da noite aumentar gradativamente. Que horas eram? Estavam literalmente ferrados. – Aonde você vai? – Seifer começou a se afastar aos poucos.
– Vem, vamos procurar um lugar pra ficar até a chuva parar. – Seifer sentiu o outro vir junto de si, tremendo feito um gatinho. Não hesitou em abraçar os ombros de Hayner e deixar ele mais perto de si.
– O que...
– Fica melhor assim, não é? – Seifer não o olhou, sabia que se o fizesse, teria que encarar Hayner nos olhos. Não podia nem pensar em se perder novamente na cor de madeira, aquela cor de olhos que apenas poucas pessoas tinham. Seifer decidiu não pensar mais nisso, estava perdendo o foco.
Não demorou até acharem uma pequena caverna, onde entraram e observaram a chuva cair, sem trocar uma palavra ou mesmo se olharem, apenas vendo o tempo passar, esperando que acabasse.
Hayner correu os olhos pelo chão da caverna, deitou-se sobre o chão e observou como a noite parecia mais escura, mas ainda era estranhamente possível ver a silhueta de Seifer sentado na entrada. Viu o corpo dele se arrepiar com um calafrio, sentiu-se mal por estar vestindo a algo que pertencia ao outro.
– Está com frio? – Perguntou ainda deitado, olhando para Seifer, que negou. – Mentiroso. – Hayner pode ver os ombros de Seifer relaxarem.
– Eu não to mentindo. Não precisa se preocupar comigo. – Hayner viu o inimigo falar sem encará-lo. Hayner bufou, irritado, estava cansado de ouvir aquilo. Será que Seifer não entendia que ele tinha começado a se preocupar por causa dele? Levantou-se, foi até Seifer sentou ao lado dele e cobrindo ambos com o sobretudo. – Ta fazendo o que? –Seifer estava surpreso, mas evitou demonstrar.
– Cala a boca. – Hayner respondeu, porque nem ele sabia o que passava na sua mente para fazer algo como aquilo. – Assim fica melhor. – Encostou a cabeça no ombro do outro e sem perceber dormiu um sono sem sonhos, apenas descansando, por causa do dia difícil.
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Seifer acordou com uma dor horrível no pescoço, piscou os olhos acostumando-se com a pouca claridade. A Manhã estava nublada, as folhas das arvores mais próximas estavam verde-escuras e aparentava ter chovido a noite inteira. Sentiu algo se remexer em seu colo, olhou e viu que Hayner estava lá, totalmente descoberto babando em sua perna, algo que não foi realmente agradável de notar logo de cara.
– Hayner, acorda. – Seifer falou entre um bocejo, o garoto em seu colo apenas se virou. – Vai Hayner, acorda logo! – Seifer o balançou.
– Pika... Chu... – Seifer chacoalhou mais uma vez e Hayner começou a acordar. O Garoto bocejou, esfregou os olhos e suspirou. – Que horas são? – Olhou pra Seifer e começou a se lembrar do dia anterior. Olhou para o pé, parecia estar pior do que antes.
– Veste o sobretudo... A gente vai sair daqui agora.– Seifer falou ficando em pé. – Consegue andar? – Hayner tentou se levantar, mas sem sucesso. – Vem, vamos fazer igual a ontem.
– Como, se eu não consigo levantar? – Antes não conseguia andar direito, mas agora mal podia mexê-lo, menos ainda ficar em pé. Seifer virou de costas e se agachou bem perto de Hayner.
– Se segura nos meus ombros que eu faço o resto. – Hayner fez o que o outro tinha proposto, estava com receio de Seifer não conseguir se levantar daquela forma, mas no minuto seguinte, o rapaz segurou as pernas dele e se levantou com a maior facilidade do mundo. Seifer foi o mais rápido que pode, tomando cuidado para não escorregar no chão lamacento, ambos seguiram em silencio por alguns minutos.
– Como você consegue me carregar tão fácil, Seifer? – Hayner quebrou o silencio. Estava com essa pergunta vagando na sua cabeça. – Quer dizer, eu não sou a pessoa mais pesada do mundo, mas...
– Nada, você é leve. – Seifer colocou um sorriso no rosto. Sim, Hayner tinha os seus quarenta e nove, talvez cinqüenta quilos, mas Seifer nem notava.
"– Leve? –" Hayner pensou. "– Se o Seifer é tão forte pra conseguir me levar fácil assim, significa que... Ele deve ser mais forte que eu. –" Hayner apertou mais as mãos nos ombros do outro. Se Seifer era mais forte, então porque quando ia brigar com ele perdia? Claro que não era sempre, mas era um numero considerável de derrotas, tinham vezes em que Hayner nem saia muito machucado das brigas com Seifer. Será que ele se continha?
– HAYNER! – O garoto se assustou com o chamado de Seifer.
– O que?
– Você ta vendo? – Seifer parou e Hayner olhou para frente. Definitivamente reconhecia aquela parte do rio, aquela trilha de paralelepípedos com estacas enfiadas no chão e ligadas por cordas.
– Estamos chegando! – Hayner falou, abraçando o pescoço de Seifer. – Finalmente.
– Segura firme. – Seifer ajeitou Hayner em suas costas e correu em disparada.
No acampamento, Selphie, Ollete e Kairi andavam perto do começo das trilhas e conversavam sobre a competição que ia acontecer.
– Mal posso esperar pra competir! – Selphie comentava, com um sorriso no rosto. – Eu vou fazer parte do time de Blitzball (2)!
– Sério? – Kairi perguntou interessada. – Não sabia que você jogava.
– O Tidus me ensinou. – E sorriu. – Ele joga muito bem, mas já eu...
– Imagino em que o Hayner iria competir... – Ollete falou entristecida. Kairi e Selphie se entreolharam e decidiram dar uma força pra amiga.
– Ele com certeza vai chegar a tempo de competir. – Kairi colocou a mão no ombro da amiga.
– É, estamos falando do Hayner. – Selphie enfatizou.
– Cê vai ver, ele vai chegar aqui do nada e falar: – Antes que Kairi pudesse completar a frase alguém disse ao longe.
– AH, CARA! CHEGAMOS! NÃO ACREDITO! – As três garotas se viraram e viram o loiro sendo colocado sentado no chão por Seifer. Ollete foi a primeira a sair correndo em direção aos dois.
– Finalmente... – Seifer se sentou ao lado do outro e recuperou fôlego, tinha corrido o caminho inteiro com Hayner nas costas.
– Achei que eu era leve Seifer. –Hayner falou sorrindo de canto.
– É, mas tenta levar alguém nas costas por todo esse caminho e correndo. – Hayner riu do comentário e antes de tentar falar mais alguma coisa viu Ollete correndo na direção deles.
– HAYNER SEU PANACA! –a garota parou antes perto deles. – Onde você estava? Você deixou todos mortos de preocupação! – A garota falava sem parar, não deixando chance de Hayner tentar se explicar. – E não tente me dizer que estava bem, porque você chegou sendo carregado! Fala o que aconteceu! – Ollete parou e respirou fundo, Hayner apenas apontou para o pé.
– Selphie, chame alguém. – Kairi disse no ouvido da amiga, que saiu imediatamente.
– Não quero nem saber o que aconteceu, ok? – Ela se virou – irresponsável, cabeça-dura, quase me mata de preocupação. – e suspirou de alivio.
– Ollete, ficou tudo bem... – Hayner falou despreocupado. – O Seifer me ajudou muit-- – Hayner parou um momento, lembrou-se que era segredo. Olhou para o outro, que sussurrou algo como "Tudo bem... Já estamos quites.", em seguida Selphie apareceu acompanhada de Jane e Tarzan.
–Vocês estão bem? – Jane perguntou, Seifer assentiu, mas Hayner explicou que não podia andar. – Vão pra enfermaria, tomem um banho, que depois o diretor do acampamento que conversar com vocês. – A garota disse. – Tarzan, ajuda o Hayner. – Tarzan pegou Hayner no colo, Hayner fechou a cara, mas deixou. Finalmente estavam de volta ao acampamento e prestes a ouvir um sermão daqueles.
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Por causa do pé, Hayner não pode competir, então a dupla foi liberada da competição. No fim, Kairi e Namine ganharam uma medalha de bronze, a dupla de Fuu conseguiu o ouro e o resto da semana continuou normalmente. Na ultima manhã que passariam no acampamento, Hayner acordou abraçado com Seifer novamente, claro que teve um susto, mas resolveu não acordar o outro. Vestiu suas roupas, pegou as muletas e saiu da barraca. Kairi e Namine estavam esperando-o do lado de fora.
– Então, Hayner, como foi a sua ultima noite numa barraca com o Seifer? – Namine falou, querendo provocá-lo, como sempre.
– Nada mal... – Ele respondeu.
– E o que isso quer dizer? – Namine tinha um brilho estranho no olhar.
– Deixo isso por conta de sua imaginação. – Disse sorrindo. Claro que não havia acontecido nada, mas ficar se preocupando com as provocações de Namine logo de manhã cedo, não era recomendado. Agora ele só se importava em tomar seu café da manhã, pra arrumar logo suas coisas e voltar pra casa.
– E ai Hayner! –Sora, Riku e Roxas estavam mais a frente. – E o pé? – Roxas perguntou totalmente despreocupado.
– Ta bem. – Hayner suspirou. – Acho que vou ter que baixar a bola por uns tempos...
– Pensa bem, podia ser pior... –Sora falou, tentando animar o amigo. – Pelo menos você conseguiu fugir das caminhadas logo cedo.
– isso não é tão ruim assim. – Hayner avistou o refeitório ao longe, e lá Ollete, Selphie e Pence os esperando.
– É se o John te acompanha. – Kairi falou cruzando os braços.
– Ele te fez alguma coisa de novo Kairi? – Hayner olhou pra amiga, indignado.
– Não se preocupe herói mascarado, os rapazes deram um jeito nele. – Namine falou em toda orgulhosa. – Ele ficou todo roxo, você tinha que ver...
– Mas foi divertido, eu tenho que admitir. – Kairi falou enquanto cumprimentava os amigos. – Sabe, tirando a parte de ser assediada e do Hayner ter se perdido na floresta, foi bastante divertido.
– Se você acha... – Roxas disse, enquanto ajudava o amigo a subir os três degraus que davam acesso ao refeitório. Realmente, Hayner nunca tinha odiado tanto alguns degraus quanto agora.
– E você Hayner, o que achou do acampamento? – Riku abriu a porta do refeitório e procurava uma mesa agora, Hayner o olhou impaciente, mas respondeu a pergunta.
– Mal posso esperar pra chegar em casa... – O rapaz se sentou junto aos amigos, o café da manhã passou rápido e sem problemas. Hayner nem avistava Seifer, mas também não ligava muito se ele estava lá ou não, pois depois de voltarem da floresta, não tinham se falado muito, nem sequer tinham brigado. Assim que terminou o café da manhã, deu um até logo aos amigos e foi direto pra barraca pra arrumar mochila. Estranhou encontrar Fuu e Rai parados do lado de fora de sua barraca, mas logo entendeu que talvez Seifer estivesse lá.
– Vai logo Seifer, vamos perder o café da manhã, ta sabendo? – Rai falou impaciente.
– Ok, ok! Só não enche... – Assim que Seifer saiu da barraca com a mochila em mãos, pode notar Hayner parado mais a frente.
– Tava fazendo o que? – Fuu perguntou, mas o amigo não disse nada, apenas ajeitou a mochila e começou a andar. Passou por Hayner sem dizer nada, que não se surpreendeu, apenas seguiu em frente e entrou na barraca. Lá estava sua mochila encostada num canto qualquer, junto ao saco de dormir, Hayner a colocou nas costas, vendo que atrás dela havia uma peça de roupa dobrada e meio sujinha, com um bilhete em cima.
– Mas o que é...? – Hayner abriu o bilhete. – "Loira, presentinho pra você." – O garoto sentiu o rosto corar, mas tinha mais. –"P.S: Não pense besteiras! Eu só to te dando ele porque eu tenho muitos e ficou com seu cheiro nele... Eu não posso mais usar." – Não pôde deixar de sorrir com o recado desajeitado do inimigo. Desdobrou a roupa e viu que era o sobretudo de Seifer, o que ele nunca tirava, o preferido. Alarmado abriu a tenda e olhou pra fora, – Sei-- – Não estava mais lá. – Que idiota. – voltou pra dentro, colocou o "presente" dentro da mochila, deixando-a superlotada e saiu andando com as muletas pra junto dos amigos.
Perto da saída do acampamento estavam os ônibus que levariam os alunos de volta, os alunos esperavam que os professores terminassem a chamada para que pudessem entrar no ônibus.
– Adeus acampamento! – Namine disse com lágrimas nos olhos. – Eu vou sentir saudade...
– Eu não. – Hayner tentava segurar a mochila enorme enquanto andava de muletas. – Já disse que eu odeio acampar?
– Essa semana? – Roxas olhou pro amigo. – Umas 357 vezes...
– Há, há... – Hayner viu Riku e Sora chegarem abraçados, logo em seguida Kairi e Selphie conversando.
– Alunos do 1°B, entrem no ônibus! – Xemnas falou alto e os alunos começaram a entrar no veiculo. – Não quero confusão durante a viagem! E sim, isso foi pra vocês dois, Hayner e Seifer! – O professor falou em tom cansado.
– Isso ta ficando repetitivo. – Pence falou baixo para os amigos, que riram escondidos do professor. Hayner revirou os olhos e subiu para o ônibus, mal podia mesmo esperar pra chegar a sua casa. Aquela semana tinha sido muito doida pra ele, e sabia que alguma coisa tinha mudado, mas durante a viagem calma, Hayner conseguiu não se preocupar com nada, apenas observando a paisagem passar pela janela e ouvindo o murmuro da conversa dos outros alunos.
Continua...
1: Esse negocio do "Ta sabendo" é porque eu notei que o Rai sempre que ia falar, terminava a frase com Y'know e eu tive que adaptar.
2: Blitzball é o esporte praticado no Final Fantasy X, Claro que alguns de vocês já devem saber...
N/A: IO pessoal! Esse capitulo demorou, eu admito. Não joguem pedras, por favor! (Ó.ò)
Foi porque eu estava enrolada com algumas coisas e não estava com cabeça pra escrever... Acho que foi mais uma empacada que me deu! Mas coisas aconteceram nesse acampamento! Eu sei que esperavam mais, mas foi o que eu consegui encaixar na história...
Já adiantando pra todas que pediram, no próximo capitulo tem Axel e Roxas! \o/
Então, até a próxima!
