City of lovers

AVISO:Essa Fic tem Yaoi. Ou seja, homem com homem, se beijando e tudo mais! . Se você é um leitor que não gosta de Yaoi, volte na setinha ali no canto da tela, jogue um bloco de construção na Fabiana-sama, mas não me encha o saco com reviews reclamando!

AVISO2: Essa fic é em universo alternativo, ou seja, o que minha imaginação mandar ta na historia! E também tem OOC, Ou seja, se você ver algum personagem e falar: OHmeudeus! Ele não era assim no jogo! Significa que fui eu que mudei!

Kingdom Hearts não me pertence! Pois se pertencesse eu estaria ganhando dinheiro! Mas eu sou apenas uma adolescente que jogou o jogo, achou muito fofo e decidiu fazer uma fic! XD

AVISO ULTRA ESPECIAL: Esse capitulo é presente pra Buru-chan! Espero que você goste menina!

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Capitulo 9:Pôr-do-sol

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Já fazia duas semanas desde o acampamento acabara e os dias pareciam passar mais devagar para Roxas, Pence e Ollete, já que seu "líder" estava de castigo, Seifer parecia não agir como antes, a calmaria reinava. Mas não era algo que tornavam os dias mais divertidos, pelo menos para o garoto sentado com seus amigos na lanchonete de Xaldin. Roxas via o tempo daquela quinta-feira passar devagar.

– Que tédio... – Pence falou bocejando.

– Podíamos fazer algo melhor não é? – Ollete brincava com os palitos de dente jogados sobre a mesa, a garota viu Namine ouvindo o Mp3 calmamente. – Namine, quer ir ao shopping comigo? – Sem resposta. – Namine? – A loira continuava em silencio. – NAMINE! –Ollete gritou bem alto, chamando a atenção de todos, que pra sorte de Xaldin, não eram muitos.

– Chamou? – Namine apenas tirou os fones os ouvidos e perguntou, totalmente aleatória a situação.

– Não santa, imagina... – Ollete falou enquanto terminava de montar o boneco feito de palitos de dentes deitado sobre a mesa.

– Desculpa. – A loira riu sem graça, colocando um dos fones no ouvido de novo. – É que eu to esperando por um sor... Ah! – Ela exclamou de repente. – É agora! –Namine parecia ansiosa e depois de alguns minutos começou a comemorar, alegre e serelepe, deixando todos sem entender nada. – Ganhei! Ganhei!

– O que foi Namine? – Roxas perguntou preocupado pra a loira chateada á sua frente.

– Olha os pedidos. – Kairi chegará a mesa com a bandeja.

– Eu acabei de ganhar um par de convites pra ir á um parque de diversões nesse sábado. – Namine suspirou e desligou o mp3, se levantando em seguida.

– Sério?– Todos perguntaram juntos.

– Isso é ótimo Namine. – Kairi falou enquanto colocava o copo com refrigerante na mesa. – Você vai levar quem?

– Eu não posso ir. – ela pega o copo e toma um gole generoso do refrigerante.

– Por quê? – Roxas perguntou confuso.

– Eu vou pra casa da minha avó no sábado e não vou poder ir. – A loira terminou de tomar o conteúdo do copo rapidamente. – Mas quem quiser os ingressos... –ela olhou para os amigos.

– Não posso, tenho que fazer o projeto de ciências. –Pence se manifestou.

– Eu enjôo fácil, não da pra aproveitar os brinquedos comigo por perto... – Ollete falou desmontando o homenzinho de palitos á sua frente.

– Kairi? – Namine olhou pra amiga.

– Nope. – Ela pegou a bandeja e voltou a andar. – Eu vou visitar os meus pais! – Kairi falou toda alegre. – Sabe-se lá quanto tempo eu não falo com eles.

– Será que o Riku e o Sora vão querer? – Namine olhou curiosa pro casal que conversava no balcão da lanchonete.

–Acho que sim... O Riku tava quebrando a cabeça porque queria levar o Sora pra sair nesse fim de semana. – Kairi suspira. – Aniversário de namoro, essas coisas de casal. – Nesse momento, Kairi, Ollete e Namine suspiram juntas.

– Quem dera eu ter um par romântico assim... – Ollete olhou para os palitos de dente e se recostou no ombro de Pence.

– Eu vou lá falar com eles. – Kairi falou ainda sorridente.

– OK, eu já vou indo, senão meu pai vai ficar me perguntando onde eu estive a tarde toda. – Namine se despediu dos que estavam na mesa, e do casal quando passou pelo balcão. – Ah, Kairi, me liga depois pra ver se eles querem mesmo o ingresso ta? – Kairi concordou e viu Namine sair, pra em seguida se afastar da mesa e se aproximar de Riku e Sora. Todos ouviram algumas batidas no vidro, Namine fazia alguns gestos estranhos, parecia alarmada.

– O que ela ta fazendo? – Roxas olhou para a loira.

– Sei lá... Ela é estranha. – Pence fez uma careta e olhou para os amigos novamente. – Ela me dá medo. – Assim que a porta abriu, Namine fez uma estranha careta de desistência e saiu.

– Acho que eu sei do que a Namine tava querendo avisar. – Ollete apontou para o grupo que acabara de entrar no local.

– Bem vind- – Kairi sorriu, mas quando, infelizmente, viu tantos rostos conhecidos junto a John, seu rosto sorridente transformou-se em uma careta. – Ah são vocês... – Sora e Riku olharam para a porta, surpresos. Na mesa numero dois, todos olhavam para porta semi-aberta.

– O que eles estão fazendo aqui? – Sora cochicha para Riku, que já estava com caras de bons amigos.

– Eu não sei Sora, mas não vai prestar. – Riku respondeu.

– Olha, e eu que queria vir aqui só por que parecia um lugar legal. – John falou se aproximando da ruiva. – Mas eu encontrei algo muito mais interessante, não é ruivinha? – John colocou a mão no rosto de Kairi, que se solta rapidamente.

– Já não bastava os idiotas nos incomodarem na escola, agora aqui também? – Kairi falou.

– Lembre-se que eu sou seu cliente agora, melhor me tratar bem. – John olhava para Kairi estranhamente, tentou colocar a mão na cintura da garota. – Que tal um tratamento especial? – Sora e Riku queriam fazer algo, mas se brigassem lá, com certeza seriam despedidos. Mas Ollete, salvadora da pátria e barraqueira, faz questão de sair de onde estava e ficar do lado da ruiva.

– Olha aqui, Johnatan, ela não ta afim! – Ollete falou alto e claro. – Repetindo: Não! Repetindo de novo: Nããão ta afim! – John fez uma careta que deixou o rosto ainda mais estranho. Ollete pode sorrir vitoriosamente. – Agora vaza.

– Tem sorte dos meus amigos estarem aqui... Senão eu ia... – Dessa vez o rapaz parecia irritado.

– Ia o que? Eu não tenho medo de vo-- – Antes que Ollete terminasse a frase, Roxas tapou a boca dela e a levou de volta para a mesa. Ollete se solta do amigo loiro e olhou irritada. – Ta fazendo o que?

– Eu é que pergunto o que você ta fazendo? – Roxas olha indignado pra Ollete. – Quer dar uma de barraqueira justo com o John? Ele é, tipo, três vezes o seu tamanho! – A garota ficou emburrada.

– Não faz a sorumbática Roxas. Se eles vão começar a vir aqui, é melhor saberem que é nossa área, e não a deles. –Bufou, virando o rosto e apertando os punhos. – Se o Hayner estivesse aqui, faria a mesma coisa... – Pence olhou para Roxas e concordou silenciosamente.

– Você se auto-intitulou líder reserva ou coisa do tipo? – Roxas realmente não entendia o que se passava na mente da amiga.

– Ah, não to nem ai, já to vazando. –Ollete pega as coisas dela e vai se afastando dos amigos, – O Ar ficou pesado aqui. –ela falou antes de sair da lanchonete. No momento seguinte, Xaldin volta para o balcão, onde Kairi, Sora e Riku pareciam discutir algo. Kairi apontou pra ela e Sora, Riku suspirou cansado e foi atender a mesa em que os arruaceiros se sentaram.

– Roxas, você acha que vai acontecer algo ruim aqui? – Pence tomou o resto do refrigerante dentro do copo, mas Roxas não respondeu nada, apenas observando a atividade da mesa três. Viu Sora se dirigir até sua mesa.

–Roxas e Pence, se quiserem ir embora podem ir. – Sora falou com um ar cansado.

– Por que diz isso? – O loiro perguntou.

– Já ta ficando tarde e seria ruim vocês ficarem aqui. – Sora respondeu. – A Kairi disse que não precisam ficar aqui pra protegê-la, o expediente acaba só em uma hora, já vai estar escuro e podem ficar preocupados... Principalmente o seu irmão, Roxas. – Roxas balbuciou algo, mas logo desistiu, pois sabia que era verdade. Ficou preocupado com Kairi, mas sabia que ela ficaria bem com Riku e Sora por lá, sem falar que o dono da lanchonete estava lá pra colocar ordem na situação.

– Se a Ollete ficasse aqui ia rolar um barraco daqueles, hein? – Pence fez o comentário, que fez os dois outros rirem da situação.

– O pior que é verdade... – Roxas pegou as coisas e se levantou, seguido de Pence. – Agora eu vou embora, porque dessa vez quem paga é o Pence! – E correu pra fora da loja, deixando Pence e Sora sem reação.

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Roxas não sabia bem para onde iria, apenas pensou em andar. Olhou para o céu, o pôr-do-sol era agradável para ele. O jeito que as cores laranja e vermelho se misturava nas nuvens enchia os seus olhos, havia algo naquilo que lhe encantava. Suspirou. Roxas parou num parquinho vazio que havia ali por perto, sentou-se num dos balanços sem um motivo, apenas pensou em sentar-se e apreciar o céu. Era meio raro ver um céu colorido daquele jeito em Hollow Bastion, se perdeu nos pensamentos enquanto empurrava levemente o balanço com um pé.

– Hey. – Alguém chamou. – Você é o Roxas certo? – Roxas olhou para os lados, alarmado tentando encontrar quem o chamara.

Perto do banco, uma figura com os cabelos rebeldes em forma de juba acenou. Roxas não reconheceu de primeira, apenas quando o estranho chegou mais perto, Pode ver a face comprida e com as tatoos em forma de gotas nas bochechas.

–Você é... – Roxas soube quem era , sentiu o coração acelerar. – Axel. O que faz aqui? – Roxas falou, ruborizando levemente.

– Procurando emprego. – Axel sorriu e mostrou o jornal do dia. – Posso me sentar? – Roxas balançou a cabeça afirmativamente. O ruivo se sentou e ambos ficaram em silêncio por um tempo, Roxas não sabia o que falar.

– Você foi demitido? – O loiro perguntou, se reprimindo mentalmente depois. Que tipo de pergunta idiota era aquela? Era obvio que ele tinha sido demitido.

– Não. – Axel respondeu surpreendentemente. Roxas ergueu um sobrancelha. – Eu me demiti. – E sorriu abertamente.

– Por quê? – Roxas não entendia bem porque o irmão de Kairi sorria como se fosse um prisioneiro saindo na condicional.

– Sabe, o chefe era chato, o salário era baixo e não tinha nada lá que me interessasse. – Axel respondeu simplesmente e começou a balançar bem alto. – E você, o que faz aqui? – Roxas ruborizou mais um pouco.

– Eu queria ver o pôr-do-sol... – Roxas não conseguiu conter o rubor. –Não é sempre que vemos um desses por aqui. – Roxas suspirou novamente. Axel olhou para o olhar perdido de Roxas.

– Você deveria ir à Twilight Town. – Axel disse olhando pra frente. – Dizem que lá tem um belo pôr-do-sol. – O Céu escurecia, logo não havia mais o sol, o as nuvens se tornavam púrpuras e Roxas foi tirado de seus devaneios.

– Caramba, olha a hora! Eu tenho que ir, senão o Cloud me mata! – O garoto se levantou e saiu correndo. Roxas correu até a calçada e se virou para Axel. – Te vejo depois "tio". – E saiu com um sorriso sapeca no rosto.

– TIO NADA! – Axel gritou, com uma falsa irritação, para o garoto que corria desesperado, que nem chegou a ouvi-lo. Olhou para o céu novamente, agora já azul escuro. – Ele gosta do pôr-do-sol... – Axel ficou impressionado quando soube que Roxas gostava do pôr-do-sol, assim como ele. Olhou para o jornal nas mãos e suspirou pesadamente.

Levantou-se e tomou o caminho de casa. Afinal, precisava avisar Kairi que teriam um desocupado na casa novamente. Pelo menos eles não dependiam do próprio lucro pra cuidar das contas em casa. Era estranho como mesmo com uma diferença de três anos, eles e Roxas tinham preocupações diferentes. Seguiu pela rua pouco movimentada.

Roxas chegou a sua casa com um sorriso bobo no rosto. Tinha falado com Axel, e não foi só um "oi" ou um "tchau" como sempre fazia. Roxas tinha conversado com ele, tinham sentado nos balanços e conversado.

– CHEGUEII! – Roxas gritou enquanto abria a porta com tudo.

– Oi Roxas. – Cloud se assustou com toda aquela felicidade do irmão mais novo e deixou o livro que lia cair no chão. – Como foi o dia? – Cloud se ajeitou no sofá.

– Maravilhoso. – Roxas falou sorridente e um pouco diferente do comum, o que fez Cloud olhá-lo intrigado.

– Tem algo errado Roxas? – Cloud se levantou, viu Roxas ir até o corredor e negar. – Tem certeza? – Ele gritou. A porta do quarto se fechou e a resposta não veio. Cloud franziu as sobrancelhas, preocupado. –Roxy?

– Não tem problema nenhum Cloud! – Roxas abriu a porta. – Eu estou feliz hoje, só isso. – E correu na direção do banheiro com uma muda de roupas e uma toalha nas mãos. – Vou tomar banho.

– Ta bom. – Cloud viu o mais novo fechar a porta do banheiro. O que estava de errado com ele? Estava estranho, mais feliz do que o normal. Sentou-se novamente no sofá e pegou o livro do chão. – O que poderia ser?

Não demorou muito para Roxas sair do banheiro, Cloud continuava naquela duvida. Viu o irmão se sentar no sofá, com os cabelos molhados e já com outra roupa e começou a assistir a Tv, totalmente aéreo a tudo.

– Tem lição de casa? – Cloud perguntou. Roxas acenou negativamente e logo depois deu um suspiro. Um suspiro longo e cheio de sentimento. Seus olhos estavam longe, muito longe, as bochechas levemente ruborizadas, o que com certeza, não era o normal do garoto. Mais um suspiro. Cloud olhou aquilo e simplesmente jogou o livro na cabeça do irmão mais novo.

– AI! – Roxas colocou a mão na cabeça, onde tinha um enorme galo. – O que foi isso? – Olhou para o irmão.

– Escorregou. – Cloud se levantou e foi até perto do outro sofá, onde Roxas se lamentava da dor. – Você está estranho. – Cloud lançou um olhar mortal para o irmão. – Fala logo o que aconteceu.

– Eu já disse que não aconteceu nada! – Roxas falou bravo. Olhou para baixo, não gostava de mentir para o irmão, mas não podia chegar e falar para ele: "Ah maninho, hoje eu falei com o Axel, o irmão mais velho da Kairi! Pelo qual, por acaso eu tenho uma quedinha!", seria constrangedor para ele falar dessas coisas com Cloud. – Por que você não acredita?

– Hum... – Cloud não acreditou muito em Roxas, porem resolveu deixar quieto por um tempo. – Ok. – Quando ele quisesse falar, iria fazê-lo por si mesmo. – Eu vou começar a fazer o jantar...

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– Graças a deus é sexta-feira! – Kairi se espreguiçou. As aulas já estavam acabando, e por alguma razão, o professor Saïx havia chamado Hayner para ter uma conversa séria, não demorou muito, logo o garoto estava de volta.

– O que o professor queria com você Hayner? – Namine perguntou curiosa.

– É sobre minha nota na matéria dele. – Hayner se sentou na cadeira logo atrás da de Roxas. – Eu to péssimo... – Hayner encosta a cabeça no caderno sobre a mesa.

– Suas notas não podem estar tão ruins assim Hayner. – Riku comentou, enquanto arrumava o material dentro da mochila.

– É ruim assim sim! – Hayner falou em tom irritado. – O professor quer que um aluno bom da sala me ajude.

– Não vejo qual é o problema nisso Hayner. – Sora olhava para os amigos. – Eles vão te mandar estudar com a Namine, provavelmente. – Sora falou, se lembrando que Namine era quase um computador em forma de gente.

– Acho que não vai dar certo. – Namine falou sorrindo.

– Por quê? – Kairi olhou pra a loira. – Você é muito inteligente, porque não te indicariam?

– Simples, eu não gosto de tirar notas altas. – Namine disse olhando pra algum lugar do teto. – Aquilo estava ali ontem? – Namine apertou os olhos.

– Acho que não... – Kairi olhou para o mesmo ponto no teto, realmente tinha algo preso no teto, e era estranho.

– Espera. – Riku chamou a atenção das duas. – A Namine não tira notas altas porque não quer? – As duas olharam para Riku, e Namine acenou afirmativamente.

– Eu aqui, me matando pra tirar notas boas e essa ai na maior folga... – Hayner colocava os cadernos na mochila. A campainha estridente ecoou pelos corredores, e todos se levantaram dos lugares. – Você bem que podia doar um pouco da sua inteligência pra gente, não é Roxas? – Hayner se virou para o amigo, que ainda guardava as coisas na mochila, totalmente distraído.

– É... – Roxas sorriu e voltou a andar, cantarolando. – Vamos? – E saiu todo alegre. Hayner não entendeu bem, ver Roxas sorrindo tão abertamente e com o olhar tão perdido era, no mínimo, estranho.

– Vocês notaram algo diferente nele? – Sora olhou para a porta que Roxas acabara de sair.

– Eu não. – Riku passou os braços pelos ombros de Sora, abraçando seu pescoço carinhosamente. – Pra mim ele ta o mesmo de sempre, só que de bom humor. – Beijou a bochecha de Sora, fazendo um estalo alto.

– Riku, já falei para não me beijar desse jeito. –Sora falou emburrado. – Deixa um monte de marca em mim.

– Desculpa, é que eu não resisto a essas bochechas lindas. – Riku beijou Sora novamente, mas agora as bochechas estavam mais quentes que o usual, Sora havia ficado vermelho novamente.

– Ok, parem com isso, estamos em publico! – Hayner falou para os dois, que se esqueciam totalmente que estavam no meio da sala de aula. Certo que não tinham muitos mais alunos lá, mas era sempre bom, prevenir.

– Parem não! – Namine pediu manhosa.

– Ok, parem com isso. – Kairi falou alto, colocando ordem em tudo, como sempre. – Se algum professor ver vocês dois assim, eles vão querer dar outro sermão... – Kairi suspirou cansada. Ela era como uma irmã mais velha, para todos ali. Sempre cuidando para que eles não se metam em encrencas, mas no fim, ela acabava indo na bagunça.

– Eu não ligo. – Riku se aproximou mais de Sora. – Eu sou a mochila do Sora agora! – Kairi rolou os olhos e começou a andar.

– Aliás Hayner, você não disse quem ia te ajudar em Física. – A ruiva falou e viu, em seguida, o rosto de Hayner se contorcer em uma careta.

– É o... – Hayner engoliu seco e disse. – Seifer.

Silencio.

– Pff... – Kairi se segurava para não rir.

– Seifer? – Sora perguntou ainda surpreso com a noticia. – Você tem certeza? – Hayner acenou afirmativamente, cabisbaixo.

– Você e o Seifer? Juntos? Presos sozinhos dentro de um quarto? – Namine falou com os olhos azuis e brilhantes arregalados.

– Não é nada disso que você ta pensando sua doida! – Hayner fez uma cara horrível para Namine, que mostrou a língua pra ele.

– Tem certeza absoluta Hayner? – Riku parecia não acreditar. – Eu achei que ele fosse, sabe, meio burro.

– Ele só não é burro inteiro porque só tem metade do cérebro. – Hayner falou, pensando que talvez fosse um pouco mais inteligente que Seifer.

– Quem é bom em física, normalmente é bom em matemática e Química também, não é? – Sora perguntou a Riku, que não soube responder.

– Admita Hayner, Seifer é mais inteligente que você. – Namine falou, ainda andando. – Quem sabe ele não te ensine algo interessante. – Namine tinha malicia na voz novamente.

– Quer parar sua maluca? – Hayner olhou para a amiga estranhando o comportamento dela. – Você me dá medo.

– Parem com isso e vamos logo. – Kairi falou autoritária. – Eu e os dois pombinhos ali temos trabalho na Lanchonete. –Kairi massageou levemente as têmporas. – E como temos.

– Depois que o John começou a frequentar aquele lugar, só temos trabalho... – Sora falou, enquanto tentava andar sincronizado com Riku.

– Nem fala. – Riku largou Sora por um momento, para ir pegar a bicicletas, mais atrás, perto de alguns armários, Kairi tirava os patins. – E você Hayner, já vai poder sair de casa? – Riku tirou a corrente que estava em volta do guidão e a colocou na mochila.

– Já sim. – Suspirou. – Mas parece que eu entrei em outro... Quando meu pai e minha mãe souberem, eles vão com certeza me mandar estudar com o Seifer todos os dias. – E fechou a cara, numa mistura de aborrecimento e manha.

– Bem que você queria que fosse mais que reforço, não é? – Namine falou maliciosamente, mas com aquele rostinho de anjinho de sempre.

– Namine, eu só não te respondo como devo porque eu respeito você, ok? – Hayner saiu portão afora, pisando pesado e bufando, parando alguns passos a frente e encostando-se na parede, batendo a cabeça.

– Adoro quando ele é carinhoso desse jeito. – Namine sorriu.

– Quando quem é carinhoso? – Logo atrás dela Ollete vinha feliz pimpona e serelepe, acompanhada de Pence e Roxas. – O Hayner? Ta brincando não é?

– Claro que eu to. – Namine falou e Pence fez um rosto de "elementar, minha cara...", mas lá atrás, Roxas continuava daquele jeito, pensativo e distante. – NÃO É ROXAS? – Namine foi até ele toda feliz.

– É SIM! – Roxas sorriu abertamente e enlaçou o braço de Namine com o próprio. – Não faço idéia do que você esta falando, mas parece ser legal! – E os dois saíram saltitando por ai, deixando os outros sem reação.

– Notaram que ele esta estranho? – Pence perguntou franzinho as sobrancelhas.

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Já passavam das cinco da tarde. O céu não estava tão bonito quanto no dia anterior. Axel se sentou no banco do mesmo parquinho, desanimado e cansado. As roupas formais suadas e amarrotadas, Axel ficou o dia inteiro andando por ai, procurando emprego. Desmanchou o cabelo que havia penteado de manhã.

Não havia aparecido nenhuma chance, nenhuma vaga. Era só "Desculpe, mas as vagas estão todas preenchidas" ou "A entrevista foi ontem, moço", a maioria queria ver o currículo de Axel. Talvez fosse por que Axel era ruivo daquele jeito, por mais que ninguém acreditasse, ele era ruivo natural!

– Preconceituosos. – Talvez fossem suas estranhas marcas nas bochechas. – Eles não entendem... – Suspirou, gostaria de ter alguém que o entendesse. Claro que tinha a Kairi, sua querida maninha, mas ainda era diferente. Alguém que o admirasse, que gostasse dele, que Axel pudesse proteger. Alguém como... Roxas. O sol já estava quase se pondo por completo. Axel olhou para os lados sem ver ninguém.

– Ninguém vem mesmo para cá. – Axel se levantou. Estava mesmo esperando Roxas?Lembrou-se dos olhos azuis do menor, o rosto ruborizado se misturando com a cor do pôr-do-sol que iluminava seu rosto. Balançou a cabeça, tentando esquecer tal visão. – O que eu to pensando? Ele é um menino e quatro anos mais novo... – Axel falou pra si mesmo, mas desde que viu o loiro pela primeira vez, o que não era muito mais que um ano, não parava de pensar nele. Mas não podia pensar nele! Respirou fundo e deu o primeiro passo para ir embora, mas...

– Aonde vai tio? – A voz lhe chamou, Axel arregalou os olhos e se virou. Roxas o olhava, de perto do balanço, com os mesmos olhos azuis. – Eu disse que te via depois, não disse? –

– Sim... – Axel falou constrangido. – Espera, que negocio de tio é esse? – Axel se aproximou do garoto, com uma falsa raiva na voz. – Caso você não saiba eu só tenho 18.

– É você que ta dizendo. – Sorriu. Roxas reparou nas roupas que o ruivo vestia, parecia cansado e arrasado. – Você está bem?

– Ah, eu to sim... Quer dizer não. – Axel se atrapalhou. – Eu fui procurar emprego hoje. – Ouviu o som das correntes do balanço rangendo. Roxas se balançava levemente.

– Você conseguiu? – Roxas viu Axel levantar as sobrancelhas e desviar o olhar. – Ah... – Roxas entendeu. O mais velho se aproximou e sentou no balanço do lado.

– Nem tive chance. – Axel suspirou. – Os Chefes devem achar que eu sou algum tipo de vândalo ou coisa do tipo...

– Não entendo por que. – Roxas olhou indignado para Axel, que logo apontou para as tatuagens.

– Eles me vêem de uma forma diferente. – Axel olhou para o chão, sua barra da calça arrastando no chão de terra. – Eu já estou acostumado.

– Pois não deveria. – Roxas fechou na cara. – Só porque você é diferente não significa que eles têm que te tratar de qualquer forma! – Roxas viu Axel olhá-lo. Seus olhos estavam cheios de surpresa, Admiração e felicidade, que logo se transformaram em duvida.

– Você não me acha estranho? – Axel começou a balançar levemente.

– Não. – Roxas falou, acanhado. – Você é... – Bonito, foi o que Roxas pensou. –Legal. – Mas não pode dizer. Não podia.

– Valeu. – Axel sorriu. Roxas pareceu impressionado primeiro, mas logo depois sorriu, Axel fixou o olhar em Roxas. Ficaram se encarando por um tempo, seus rostos se aproximavam aos poucos. Roxas fechou os olhos por instinto, aproximando mais os rostos. Axel foi o primeiro a perceber o que estavam fazendo e pigarreou, fazendo Roxas abrir os olhos e ver que o outro já estava de pé.

– Axel eu... – O que tinha acabado de fazer? Roxas olhou para o chão, estragou tudo. Tinha que ter dado uma de impulsivo novamente e ter estragado tudo. – Me dês...

– Roxas, – Axel falou antes que Roxas falasse algo mais. – você gosta do pôr-do-sol também, não gosta? – Roxas não entendeu bem o motivo da pergunta, mas respondeu afirmativamente, Axel ainda não olhava pra ele. – Ta livre amanhã? –

– Se eu to livre? – Ele disse desorientado, Roxas não pode acreditar na pergunta que acabara de ouvir. – Claro que eu to! Por quê? –

Axel se virou, – Quero te levar a um lugar. – seu rosto estava sério, parcialmente encoberto pela própria sombra. – Quer? – Roxas não encontrou palavras, apenas balançou a cabeça. – Ótimo! Me encontre na estação central às cinco da tarde. – Sorriu.

– Eu estarei lá. – Roxas respondeu de imediato.

– Te vejo lá então. – Axel se virou e foi andando. Roxas sorriu de orelha a orelha, mal podia acreditar no que havia e Axel saindo juntos. Isso era quase como um encon... Balançou a cabeça de um lado para o outro. Axel não veria aquilo como um encontro, sem chance nenhuma. Para o ruivo com certeza seria só dois amigos saindo num sábado a tarde, só isso.

– Isso mesmo... Só amigos. – Disse pra si mesmo. Mas apenas a idéia de passar a tarde toda sozinho com Axel, fazia com que Roxas ficasse tão bobo-alegre. Olhou pra o céu, a tarde ia embora e Roxas decidiu ir pra casa, já pensando em como seria o dia seguinte.

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– Eu sei que você não tem nada a ver com isso Namine... – Roxas falava no telefone com Namine, já estava na estação central da Hollow Bastion há algum tempo. – Se o meu irmão te ligar, diz pra ele que eu passei o dia com você?

Porque eu diria isso? – A voz no telefone era de uma pessoa irritada. – Eu não te vi o dia inteiro... E alias, eu fiquei sabendo que você vai sair com um certo ruivo pra Twiligth town. –Roxas se engasgou. Como Namine sabia disso?

– Ele vai me levar pra Twiligth Town? – Roxas disse animado, mas logo tentou disfarçar. – Quer dizer, quem te contou isso?

O Axel, irmão mais velho da minha melhor amiga, caso tenha esquecido... – Roxas não disse nada. Tinha imaginado que Axel manteria segredo ou coisa do tipo. – Por que não posso dizer que você vai pra lá com o Axel? O Cloud acha que ele é um tipo de delinquente ou coisa do tipo? – A voz de Namine parecia preocupada.

– Não Namine, não é nada disso. – Roxas falou tentando acalmar a amiga. – É que eu não avisei que ia pra Twiligth town, ele pode ficar bravo. – O loiro se encostou à parede, Namine parecia meio incrédula. – Ta, meu irmão não gosta do Axel! Se ele souber que eu to com ele em Twiligth town, ele vai lá pra me matar e matar o Axel.

Eu tenho medo do seu irmão. – Namine ouviu o riso de roxas pelo telefone. – Olha, eu posso falar, mas se você demorar muito não me culpe, ok?

– Ok. – Roxas viu Axel descer as escadas, usava uma calça jeans preta, uma camiseta azul escura e uma jaqueta, nada muito especial. Mas conseguia deixar Roxas fascinado com o que via. – Tenho que desligar. – desligou o celular, o colocou no bolso e foi até o ruivo. – Axel.

– Roxas. – Axel viu o mais novo se aproximando. Vestia as roupas que costumava usar, A camiseta de zíper, o casaco de detalhes quadriculados e a calça bege e verde-escura. – Esperou muito? – perguntou sorrindo.

– Não muito. – Respondeu abrindo o sorriso.

– Que bom. – Axel olhou no relógio enorme da estação, já estavam atrasados. – Melhor irmos, certo? – Roxas concordou e logo depois, ambos andaram até a plataforma. O trem ainda não tinha chegado, a estação não estava cheia, apenas algumas pessoas paravam para esperar, Roxas estava entretido com o mapa das linhas que os trens percorriam. Era impressionante como dava pra ir a qualquer lugar partindo da estação central. Mais a frente, Axel observava Roxas, admirado com o mais novo. O som do trem chegando à estação chamou sua atenção.

– Roxas. – Chamou, mas o garoto não olhou. – Roxas! – Chamou mais alto, mas ainda nada. O trem já parava na plataforma e abria suas portas. Axel foi até Roxas e o pegou pela mão, assustando-o.

Roxas ficou tão vermelho quanto os cabelos de Axel. – A-A-x-xel! – exclamou enquanto era guiado pelo mais velho.

– Vamos logo! – Axel correu junto de Roxas e os dois conseguiram entrar segundos antes da porta se fechar. Axel encostou-se na porta fechada, arfando.

– O que foi isso? – Roxas perguntou arfando e bem vermelho também.

– Íamos perder o trem. – Axel recuperou o fôlego e olhou para roxas.

– Era só ter me chamado. – Roxas falou irritado.

– Você tava viajando lá no mapa das linhas! –Axel falou já com o fôlego recuperado. – A gente ia perder o Trem, eu tive que te puxar. – Axel olhou o vagão. Não estava cheio, mas não haviam lugares para se sentar. O ruivo andou um pouco, ficando no corredor e se segurando facilmente em uma das barras de ferro mais alta. Roxas viu Axel se afastar, ficou parado onde estava por um tempo, mas logo se aproximou do outro.

– Axel eu-- – O trem chacoalhou, fazendo um estrondo e Roxas desequilibrou, caindo por cima de Axel.

– Uou. – Segurou Roxas como pode. – Toma cuidado Roxas. – Axel olhou para Roxas, agarrado a ele.

– D-Desculpa. – Roxas estava com o rosto inteiro vermelho, – Eu não queria... Você sabe... – largou-se de Axel e olhou através da janela.

– Tudo bem. – Axel desviou o olhar também. Estava acontecendo algo estranho e Axel sabia disso. E não era só o fato de que ele e Roxas não conseguiam olhar um para o outro sem ruborizar, o trem parecia estar andando mais devagar depois do tranco. A paisagem lá fora passava lentamente, até que um outro barulho veio do trem.

– Axel. – Roxas virou para o amigo alto. – Acho que o trem parou. – Roxas foi até a porta, onde havia uma pequena janela. Não estava se mexendo.

– Parou? – Axel se aproximou. Dava para ver algumas casas mais distantes, os trilhos próximos também estavam sem movimento algum. – O que será que houve? – Algumas pessoas se levantaram e se aproximaram das janelas, outras apenas olhavam de onde estavam. Logo o cochicho começou, algumas pessoas preocupadas, outras acreditavam que não passariam mais de quinze minutos parados ali. Axel não esperou muito até se mover e ir até o canto do vagão, para se sentar no chão.

– O que está fazendo? – Roxas perguntou, seguindo o outro com o olhar.

– Eu acho que pode demorar, então, porque não senta aqui comigo? – o ruivo fez um sinal para que se sentasse junto dele. Roxas hesitou por alguns momentos, mas logo percebeu que, mesmo se o trem começasse a andar, não teriam muito o que fazer, então, porque esperar em pé? Roxas foi até Axel e se sentou.

Passaram-se quinze, trinta, quarenta minutos e nada do trem se mexer. Dois rapazes tentavam abrir a janela de emergência, mas estava emperrada. Algumas pessoas estavam encostadas em qualquer canto, outras que mal se conheciam conversavam como se já fossem melhores amigos. Axel e Roxas? Bem os dois conversaram, mudando sempre a posição ou o lugar onde estavam.

Nesse meio tempo, eles puderam jogar conversa fora e conhecer um ao outro, a cada palavra que trocavam Roxas ficava mais interessado em Axel. Queria saber mais, queria ouvir mais, queria saber como era a vida do ruivo. Do que gostava, do que não gostava. E principalmente, o que Axel achava dele.

A conversa entre eles cessou por um momento, – Axel? – Roxas chamou, virado de costas para o chão.

– Fala. – Axel bocejou já cansado de estar ali.

– Como se sabe que você gosta de alguém? – Roxas falou isso casualmente. Axel se remexeu um pouco, acertando a postura.

– Como assim? – Axel não entendeu, ou pelo menos fingiu que não entendeu, do que Roxas estava falando. – Tem alguém que você está gostando? – De alguma forma, aquela informação o alegrava e entristecia ao mesmo tempo.

– Bem, acho que sim. – Roxas sentiu o coração disparar. – Eu vejo essa pessoa de longe a algum tempo. – Roxas desviou o olhar. Não conseguiria dizer aquilo olhando para aqueles olhos verdes lindos. – Talvez essa pessoa nem ligue pra mim, ou me ache até sem graça, mas... – Sorriu de leve. – Eu acho que estou gostando faz algum tempo.

– Olha quem é que está apaixonado. – Axel falou brincalhão. Suas palavras saiam alegres, mas por dentro ele sentia uma estranha dor. – Aposto que é a Namine. – Falou sorrindo.

– É claro que não. – Roxas falou abismado. – Não tem nada a ver com a pessoa que eu gosto!

– É melhor não ser a Kairi, porque eu não deixo ela sair com "Delinquentes" não. – Axel sentiu-se triste. A idéia de ser a Kairi doía ainda mais.

Roxas ficou sério, seu coração batia forte. – Não é nenhuma das garotas. – Roxas falou em alto e bom som. Não estava irritado, estava nervoso e não conseguia pensar direito.

– Se eu não conheço, acho que não posso ajudar. – Axel falou ainda meio debochado. – Mas você tem que conversar com ela e dizer o que está dentro do seu coração. – Axel não queria dizer aquilo, mas conseguiu disfarçar. Um silencio desconfortável veio entre eles. Observou os rapazes que tentavam abrir a janela de emergência. Por que diabos estavam demorando tanto para abrir aquela coisa? – Quer dar logo o fora daqui? – Falou baixinho antes de se levantar e caminhar até a janela.

– Claro que eu quero e... Axel? – Roxas disse, não sabendo o que o ruivo ia fazer.

– Eu já volto. – Sorriu – Hey, caras... – Chamou, fazendo os três garotos olharem para ele. – O que estão tentando fazer?

– Não ta obvio tio? – um dos garotos disse, irritando visivelmente Axel. – A gente ta tentando abrir a janela pra sair do vagão. – Axel olhou atentamente, se aproximou, viu dos lados da janela.

– Estavam tentando abrir a janela desse jeito? – Os garotos se olharam e assentiram. Axel riu contidamente.

– O que foi, tio? – o maior dos garotos perguntou. – Vai dizer que você consegue abrir essa janela? – Os três riram um pouco.

– Duvida? – Axel viu os garotos darem espaço para que ele pudesse mechar na janela. Sorriu de canto, olhou para Roxas, que parecia apreensivo. – Então ta. – Foi até a janela, olhou para as laterais, encontrando duas alavancas vermelhar, rentes a janela. Puxou uma de cada vez e depois, simplesmente empurrou levemente a janela, que caiu no chão do lado de fora do trem, causando um barulho alto.

– Mas o que? – o garoto convencido ficou pasmo. Axel voltou para perto de Roxas, encarando o menor, que não estava tão impressionado com a façanha do mais velho, mas sim com a cara que os caras ficaram.

– Vamos? – Axel pegou a mão de Roxas novamente. Apesar do dia quente, a mão de Axel era fria, não havia notado da primeira vez em que pegou na mão do ruivo, até porque foi algo muito rápido, mas desta vez, pode sentir perfeitamente enquanto andavam, não sabia se era porque sua mão soava igual a um corredor na maratona ou se era porque Axel era assim mesmo. Logo ambos saíram pela janela, seguidos pelos outros passageiros.

– Você mostrou pra eles. – Roxas falou risonho, mas apenas para ele e Axel ouvirem.

– Acha mesmo? – Axel deu um sorriso divertido. – Eles queriam dar uma de alegres, tentando abrir a janela na marra. – O ruivo viu uma moça tentando sair, a barriga estava grande e oval. Sim, a moça estava grávida! Roxas e Axel pareceram alarmados e foram ajudá-la.

– Moça, quer ajuda? – Roxas se manifestou e pegou a bolsa enorme que a mulher segurava, Axel ajudou-a a descer pela janela.

– Muito abrigado. – A moça sorriu. – Vocês dois são uns amores. – Ambos ficaram vermelhos com o elogio da mulher, que pegou a bolsa e saiu andando devagar pelos trilhos, na direção da estação central. Roxas sorriu, contente pelo que havia feito e seguiu o mesmo caminho. Axel não demorou muito para acompanhá-lo. Seguiram em silencio. Algumas vezes, Roxas assoviava e andava num ritmo mais compassado, lembrando muito uma dança. Axel sorria enquanto via o outro se divertindo. Observou o Sol se por, suspirou. Seus planos tinham ido por água abaixo.

– Me acompanha? – Roxas perguntou certa hora, assoviando uma melodia conhecida. Axel sorriu e começou a acompanhar a musica, entrando no ritmo que Roxas estava andando. Logo os dois estavam cantando e dançando estranhamente, enquanto andavam ao longo dos trilhos. Não demorou muito para chegarem ao destino, sorriram e correram até a estação.

– Chegamos!– Roxas tentou subir na plataforma, mas só conseguiu com a ajuda de Axel. – Valeu. – Roxas estendeu a mão, Axel a pegou, mas só para poder se segurar. Depois de subir, Roxas não soltou a mão de Axel e ficou o encarando por um tempo. Roxas ficou vermelho ao notar e sorriu constrangido. Roxas era realmente lindo.

– Bem, – Axel desviou o olhar pela milésima vez no dia. – Acho melhor irmos pra casa... – E começou a andar. Sentia uma sensação de vazio estranho, não queria mais estar junto a Roxas. Todas aquelas palavras que ele havia dito dentro do trem o machucaram, ele estava gostando de uma garota. Mas porque aquilo o magoava tanto? Roxas o seguiu com o olhar, seus planos não tinham saído da estação. Que lugar de Twiligth town Axel ia levá-lo e pra que? Correu até o outro o mais rápido que pode, queria saber aonde eles iriam.

– Axel posso te perguntar algo? – Roxas pegou na mão de Axel novamente, tirando-a rapidamente.

– Perguntar o que? – Axel tentou disfarçar a voz irritada, mas não foi muito convincente.

– Pra onde íamos hoje? – Roxas estranhou o jeito de Axel, mas perguntou do mesmo jeito.

– Pra onde? – Axel perdeu-se novamente. – Pro topo da estação de Twiligth town... – Ruborizou um pouco. Um sorriso breve se formou em seus lábios, abriu a porta de saída e começou a descer as escadas. – Sabe, é um bom lugar pra se levar aquela garota de que você me falou. – Continuou a andar, mas logo notou que Roxas havia parado.

– Não é... – Roxas falou baixinho. – Não é uma...

– O que? – Axel não ouviu bem o que o loiro dizia. – Repete! – Se aproximou de Roxas.

– Não é uma garota. – Falou em tom que apenas os dois ouviam.

– Não é? – Axel se surpreendeu um pouco com o que o menor havia dito. – Então ta... – Axel não sabia por que, mas sua surpresa sumiu e se tornou compreensão. Passou os dedos sobre as mechas loiras arrepiadas. – Você quer contar pra mim? Desabafar talvez? – Roxas confirmou, Axel sorriu. Roxas desviou o olhar, estava visivelmente ansioso, olhou para o ruivo. Como Roxas era bonito, Axel estava com vontade de abraçá-lo, de dizer que estava tudo bem, beijá-lo. Xingou-se várias vezes em sua mente por pensar em coisas assim.

– Eu gosto dessa pessoa faz algum tempo... – Roxas disse sentindo o coração bater forte, as mãos suarem como nunca suaram. – Ele é muito estiloso e é legal comigo também, eu acho que comecei a gostar dele por isso. – Sorriu timidamente.

Cada palavra que Roxas dizia magoavam Axel por dentro, mas ele tinha que superar. – Quem é? – Sabia que se magoaria, mas se Roxas estivesse feliz, ele também estaria. Isso. Não demonstraria que gostava de Roxas se ele gostava de outra pessoa. Apenas estaria ali, para ser o amigo, para cuidar e apoiar Roxas.

– Essa pessoa é... –Roxas encarou o Ruivo, fechou os olhos criando coragem e disse. – É você Axel!

O Silencio predominou. A informação demorou muito pra ser processada por Axel. Era ele de quem Roxas gostava? Era sério aquilo? Tentou dizer algo, mas nada saia, nem conseguia pensar direito.

– Eu sei que não tenho nem chance. – Roxas sorriu agora, sabendo que provavelmente, Axel iria rir, iria mandá-lo embora. – Mas eu quero só que você saiba que eu gosto muito de você... E eu não... Não... – Não conseguia falar, estava envergonhado demais. – Desculpa. – Roxas ia correr, mas sentiu seu pulso ser segurado. Braços o envolveram, ouviu o coração de Axel tão disparado quanto o dele.

– Está tudo bem. – A voz suave entrou pelos ouvidos de Roxas. As mãos de Axel acariciavam seus cabelos, o acalmavam. Seu coração parou de bater tão rápido, mas suas bochechas ainda queimavam. – Eu to aqui. – Sussurrou e em seguida, beijou a bochecha de Roxas.

– Por quê? – Roxas perguntou, sem coragem de olhar nos olhos de Axel. – Por que faz isso? – Roxas olhou rapidamente para cima.

– Eu não sei. – Axel falou com um enorme sorriso no rosto. – Eu só quis fazer. – O abraçou mais. Ficaram assim por algum tempo, antes de olharem para o horizonte, apreciando o finalzinho do pôr-do-sol, sem soltar as mãos.

– Axel? – Roxas não tirou os olhos do horizonte, apesar de não ser um crepúsculo tão bonito, tinha algo especial nele. – Por que queria me levar pro topo da estação de Twiligth town? – Ouviu um riso envergonhado.

– Dizem que lá tem o pôr-do-sol mais bonito de todos... – Axel apertou mais a mão de Roxas, apenas para sentir melhor o calor do outro. – Eu queria que você visse, mas não deu muito certo. – Sorriu para Roxas, que o olhou de relance.

– Não importa. – Roxas sentiu uma brisa fria, lembrando-o que a noite estava caindo. – Esse foi a tarde mais legal que eu já tive. – Começou a andar, guiando Axel.

– Sério? – Axel viu a cabeça do outro balançar afirmativamente. Sorriu, mas se sentiu triste por não ter feito nada por Roxas. Pensou em que Roxas talvez gostasse, tentou se lembrar das vezes que viu Roxas andando com sua irmãzinha. Mas por alguma razão, sempre se lembrava dele ou na diretoria da escola, ou tomando sorvete. Suspirou. – Roxas, quer tomar sorvete? – O loiro parou, virou lentamente.

– Você vai me levar pra tomar sorvete? – Seus olhos pareciam brilhar mais que o normal. Axel confirmou, estranhando a reação de Roxas. – Claro que eu quero! – Abraçou Axel firmemente.

– Calma Roxas. – Axel falou rindo um pouco. – É só um sorvete. – riu mais um pouco do rubor instantâneo de Roxas.

– Vamos na lanchonete do Xaldin, lá tem um sorvete muito bom! – Roxas sorriu e voltou a andar. – Chamam de Sea salt ice cream, você tem que experimentar. – E os dois saíram andando na direção já conhecida, apenas vendo tudo se tornando mais escuro com o tempo.

.OoO

– Hey princesa, cadê o pedido, hein? – A voz de John veio da mesa ao fundo. Sora bufou, irritado.

– Eu não volto naquela mesa! – Uma das garotas que substitui Kairi, Marie, falou enquanto pegava a bandeja com outros pedidos. – Não quero que aquele panaca ali me mande outra cantada idiota! – e saiu andando até as mesas mais próximas, onde Pence, Ollete, Namine e um Hayner recém liberado do castigo estavam sentados.

– Pode deixar que eu vou. – Sora pegou a bandeja, que logo foi tomada de suas mãos. – Riku! – Sora olhou bravo para o namorado.

– Não tenta dar uma de valentão. – Riku mantinha a bandeja bem alta, para que Sora não tentasse pegá-la. – Lembre-se que nem se sair confusão dentro da lanchonete, vai sobrar pra gente. – Sora tentou pegar a bandeja, mas como Riku a levantava bem alto, ele não conseguia alcançar.

– Eu posso fazer isso! – Sora ainda tentava. – Me da aqui!

– Não mesmo. – Riku começou a andar até a mesa dos arruaceiros e colocou os pratos cuidadosamente sobre a mesa.

– Valeu garçonete. – John falou, fazendo seus amigos rirem. Riku lançou um olhar mortal para eles, mas respirou fundo e decidiu voltar pro balcão. Aqueles idiotas estavam irritando ele fazia tempo. – Ah, pede pra sua namoradinha trazer o catchup, ok? – Mais risos. Riku respirou mais uma vez, mas sua paciência já estava chegando ao fim. Voltou para o balcão.

– Riku? – Sora olhou para o maior, que sorriu e passou a mãos na cabeça dele. – Porque a Kairi tinha que faltar? Você agüenta tudo aquilo sozinho, e não me deixa ajudar!– O moreno perguntou chateado e bravo ao mesmo tempo. – Por que Ri--

– Tudo bem. – Riku interrompeu Sora. – Não quero que aconteça algo de ruim, e por minha causa você ou alguém aqui ser demitido. – abriu o sorriso e foi até o balcão, respirando ruidosamente. Em seguida a porta abriu e Xaldin saiu com alguns pacotes nas mãos.

– Que cara é essa Riku? – Xaldin perguntou levando os pacotes estranhos para outro canto. – Vai dizer que são aqueles caras de novo? – Xaldin disse indiferente. Riku respondeu baixo e enrolado, não dava para entender o que tinha falado, mas era algo afirmativo. – Fala com a boca, moleque. – Xaldin olhou para ele, com aquela cara de mafioso de sempre.

– Eu já disse que quando você me olha com essa cara de chefe da máfia me da muito medo? – Riku sentiu calafrios percorrer sua espinha.

– Fala logo o que é. – Xaldin se sentou do outro lado do balcão, se apoiando nos cotovelos.

– Você não deixa eu bater nos manes ali por que eu sou seu empregado, certo? – Riku falou cansado. Xaldin concordou. – Então se eu não for mais o seu empregado, eu posso quebrar o nariz dele, certo? –

– Acho que sim... – Xaldin coçou o queixo, pensando no que Riku havia dito. – Mas se for fazer isso, faça lá fora, ta? – Riku olhou para o chefe e concordou. Era uma possibilidade de qualquer forma.

– Do que estão falando? – Sora perguntou ao chegar mais perto.

– Nada de m.. – Riku não terminou a frase, pois ouviu alguém em alguma mesa chamar.

– Hey! Quando é que a princesinha vai trazer o catchup, hein? – Foi a ultima gota. Riku olhou para Sora, para Xaldin e se decidiu ali mesmo.

– Pra mim já é demais! – Riku soltou o cabelo, e olhou sério pra Xaldin. – To me demitindo! –Estralou as juntas dos dedos e foi até a mesa três. Sora parecia ter ficado em estado de choque, Marie e os outros olhavam como Riku fechou o punho e deu um soco com o maior gosto no nariz de John.

– É essa a hora em que a gente vai lá segurar o Riku certo? – Hayner olhou para Ollete, que já arregaçava as mangas e ia entrar pra separar.

– Ollete sua louca, não é pra entrar na briga! – Namine se levantou e ficou na frente da amiga, tentando controlá-la.

– Riku! – Sora finalmente se moveu e foi impedir o namorado de fazer alguma coisa que se arrependesse depois. – Para!

– Nem pense nisso Ollete! – Hayner falou autoritário. – Eu vou lá resolver isso! – Hayner foi todo feliz, mas antes de ter chance de entrar em uma boa briga, e, para o desespero de Xaldin, a porta se abriu. Duas pessoas entraram, uma com cabelo ruivo e todo espetado e o outro, loiro.

– Na verdade costuma ser calmo aqui e... – Roxas olhou a cena naquele local. Riku com o punho todo ensanguentado, Sora segurando Riku para que ele não avançasse novamente , e o resto do pessoal na maior baderna.

– Acho que entramos no lugar errado... – Axel falou, dando meia volta.

– Não, é aqui mesmo. – Roxas puxou Axel de volta e foram pra o balcão, enquanto Xaldin expulsava Riku, John e o resto dos amigos briguentos dele, incluindo Hayner e Ollete. Logo, Xaldin veio totalmente cansado.

– O que vão querer?

– Dois Sea Salt ice cream. – Roxas falou. – O Axel paga! – Xaldin concordou e foi buscar o pedido.

– Oi Axel, Roxas... Não é meio tarde pra você estar aqui? – Sora veio e perguntou como quem não quer nada.

– Eu já vou pra casa. – Roxas respondeu rápido. – o Axel quis pagar um sorvete pra mim.

– Ah, sei. – Sora olhou para Axel. A Kairi tinha ido visitar os pais deles, mas Axel não? Estranho. – Então ta então. – Saiu e foi se sentar onde Namine e pence estavam.

– O que houve aqui? – Axel olhou para as mesas, algumas derrubadas, outras desarrumadas. – Parece que aconteceu uma guerra.

– Foi só mais uma confusão e uma demissão. – Xaldin trouxe os picolés, e os colocou no balcão. – Tenho uma vaga pra garçom, alguém quer? – olhou para a lanchonte, agora quase vazia. Automaticamente Axel levantou o braço.

– Eu quero senhor...

–Xaldin. – Ele respondeu olhando analiticamente para Axel. – Sabe equilibrar uma pilha de quatro bandejas cheias? – apertou os olhos.

– Sei equilibrar uma pilha com seis bandejas! – Respondeu com um olhar desafiador no rosto.

– Ta contratado. – Sorriu satisfeito. – Começa na segunda-feira.

– Você contratou o Axel? – Sora olhou para eles da cadeira que estava. Axel e Xaldin balançaram a cabeça, confirmando. – Por que quer trabalhar num lugar assim, Axel? – Viu o ruivo apenas dar os ombros.

– Aqui parece ser divertido. – Sorriu.

– Você só viu um pouco do que é isso aqui. – Roxas falou, enquanto pegava o picolé.

– Aqui o dinheiro. –Axel pagou os sorvetes e abriu o pacote, observando a cor estranha do sorvete. – É azul. – Olhou pra Roxas, que sorria enquanto tomava o sorvete.

– Experimenta. – Roxas incentivou. Axel lambeu o sorvete, era salgado e depois ficava doce. Estranho, mas uma delicia.

– É bom. – Sorriu e foi andando para a porta de saída – Até segunda, chefe. – Saiu acompanhado de Roxas. Lá fora a briga rolava solta, e eram dentes e sangue voando pra tudo quanto é lado, mas os dois nem prestavam atenção naquilo. – Quer que eu te leve pra casa? – Roxas balançou a cabeça negativamente.

– É perto daqui, eu vou sozinho. – lambeu mais uma vez o sorvete. – Te vejo depois? – falou olhando para Axel, que confirmou dando um beijo na bochecha de Roxas em seguida.

– Até. – E foi embora, deixando Roxas sem reação, completamente bobo, enquanto olhava-o ir, só depois de algum tempo ele percebeu o que estava acontecendo ali. Olhou para os lados, procurando alguém que tivesse fora do rolo de briga. Olhou para Namine na janela que aparentemente havia visto a cena e estava com os olhos brilhando, já Pence fez uma cara de "melhor não se envolver", ele apenas acenou para os dois e voltou a caminha.

"– Acho que a Namine vai ter mais assunto na segunda-feira... – " Pensou e olhou para o céu,pensando no dia que tinha tido.

Continua...

N/A: Oh meu deus, que capitulo enorme! Eu, na verdade, não ficaria surpresa se algum de vocês me jogasse um bloco de construção civil... Porque demorou muuuito, eu admito!Mas foi por falta de tempo mesmo e sobra se sono!

Mas valeu a pena! Pensem bem, Axel e Roxas juntinhos... Ai, ai... Num saiu beijo na boca ainda, mas logo estaremos lá. *olha pro horizonte*

Enfim, espero que tenham gostado, especialmente a Buru! Feliz niver de namoro super atrasado!

Então, até o próximo capitulo e deixem reviews! To aceitando tanto elogios, quanto criticas viu?

Te mais, porque agora... Eu vou durmi... U¬u