City of lovers

Aviso: essa fic é um yaoi, ou seja, homem com homem se beijando e fazendo coisinhas do tipo. Se você não gosta, não me encha o saco, volte ou feche a pagina.

Kingdom Hearts não me pertence. Se fosse assim, o jogo seria um yaoi descarado e eu estaria ganhando dinheiro até hoje!

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Capitulo 11: Decisões, amor e dia especial.

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Se existe um som irritante no mundo, Leon diria, com certeza, que é o do despertador pela manhã. Não importa o quando tentem mudar o som do famoso relógio despertador, para toques polifônicos ou até mesmo musicas um barulho terrivelmente alto, te tirando de seus sonhos mais profundos as seis da manhã é o tipo de som que faz Leon odiar levantar cedo.

Ouviu os passos de Sora saindo de casa e se encontrando com Riku e Kairi, ambos reclamando sobre o atraso dele. Era praticamente rotineiro isso, enquanto o sol ainda estava nascendo no horizonte, as vozes altas e alegres dos três amigos praticamente acordavam a rua toda.

Leon suspirou, ainda pensando em ficar algum tempo na cama, mas não tinha tempo pra isso, afinal, Tinha que se arrumar e tomar café, seu dia, como sempre, seria longo e entediante. Em pouco tempo o homem havia terminado de se aprontar, pegou rapidamente os papeis que estavam sobre a estante da sala e foi para seu carro, esperando não pegar tanto transito naquela manhã.

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–Acorda Roxas. – Kairi disse, sacudindo o amigo que dormia todo largado sobre a carteira. Era incrível como Roxas conseguia dormir tanto em uma aula, a garota não entendia o amigo de Forma alguma. – Acorda! – Kairi o chacoalhou mais, mas o garoto ainda dormia. Hayner olhou aquela situação e resolveu ajudar.

– Você tem que fazer assim, Kairi. – Hayner se levantou, tomou distância e depois correu até a mesa de Roxas, dando um chute forte o bastante para fazer a mesa se mover, caindo no chão logo depois. Roxas se assustou com o súbito movimento e acordou alarmado.

– E não é que funciona... – Kairi sorriu satisfeita. – Hayner, consegue fazer isso sem se quebrar todo? – Viu o rapaz se levantar com certa dificuldade, confirmar e voltar para carteira que pertencia.

– Porque me acordaram? – Roxas bocejou de forma preguiçosa e demorada.

– Aula de teatro, meu bem. –Kairi sorri simpaticamente pra Roxas, que fez uma careta, nunca se dava bem nas aulas de teatro, principalmente quando era pra fazer uma cena na frente de todos.

– Então, vou dormir mais. – Roxas voltou a posição em que estava, sem ao menos colocar a carteira de volta no lugar. Na noite anterior ficou acordado até tarde, conversando com Axel pelo telefone.

– Hoje a gente vai pro palco da escola. – Kairi viu o amigo nem se mexer, apenas resmungava algo sobre "a fada do sono chegando", mas a garota não desistiu de fazer o rapaz se levantar. Kairi foi até Roxas e puxou, com todas as forças que tinha a cadeira dele, que desavisado, caiu de bunda no chão. As gargalhadas dos colegas de classe não foram o bastante para fazê-lo se envergonhar, mas ficar com raiva de Kairi, nada que durasse mais de cinco minutos.

– Ta bem, eu vou ficar acordado. – Roxas bocejou novamente. O professor chegou em seguida, sem nada em mãos. O homem olhou para a sala, e seus alunos conversando, andando e até dormindo.

– Bom dia alunos. – disse Xemnas, enquanto caminhava para sua mesa. Não demorou muito até que o professor terminasse a chamada e levasse os alunos para o teatro, e enquanto desciam as escadas, ninguém saberia dizer quem estava mais entusiasmado, Xemnas ou os alunos.

De qualquer forma, ao chegar a seu destino, todos olhavam maravilhados, apesar de ser um pequeno palco de madeira com cortinas simples, não era todo o dia em que podiam entrar ali, visto que a escola não tinha tantos projetos que envolviam peças ou danças, apesar de haver a aula de teatro.

– Odeio aula de teatro. – Hayner disse, já cansado.

– Você só não gosta porque teve que fazer uma cena de casal com o Seifer. – Mesmo sabendo que corria o risco de levar um soco de Hayner, Sora disse a frase em voz alta, ouvindo alguns cochichos dos outros alunos.

– Sora, só não te meto a porrada, porque você é meu amigo. – Hayner suspirou, não estava com muita paciência naquele dia, muito menos pra brigar com um amigo. Agora que estava estudando com Seifer, tinha muito menos tempo pra aproveitar, isso o tonava muito mal-humorado. O garoto ouviu o professor os mandando esperar. Não demorou muito, até que Xemnas subisse no palco e começasse seu discurso sobre os exercícios de confiança e coisas do tipo. Hayner, como sempre, não prestou muita atenção.

– Professor, a gente vai fazer esses exercícios? – Naminé levantou a mão, assim que o professor terminara de falar. A resposta positiva veio curta e sem delongas, porem, a pergunta o levou a falar sobre confiança no palco, um discurso com mais ou menos dez minutos de pura falação.

– Naminé, porque você teve que perguntar? – O rosto de Roxas se contorcia numa careta de desgosto puro. Odiava ficar ouvindo o discurso enorme de Xemnas.

– Desculpa, não sabia que ele começaria a falar sem parar. –Naminé suspirou, adorava as aulas de teatro, mas realmente, às vezes parava de prestar atenção no que o professor falava.

– Porque ele não termina de falar? – Até mesmo Kairi estava cansada disso, queria fazer os exercícios que o professor tanto falara.

– Bem, acho que já falei o bastante... – Xemnas conseguiu ouvir a comemoração de alguns alunos, mas não lhes deu atenção, apenas focou-se em juntar os grupos pro primeiro exercício que teriam. – juntem-se em grupos de cinco pessoas. – As várias perguntas sobre adicionar mais uma pessoa no grupo vieram. – Grupos de apenas cinco pessoas, nem mais, nem menos! – Disse em tom alto, para que todos pudessem ouvir no meio daquela algazarra toda.

– Okay, um dos dois vai ter que sair. – Kairi apontou para Hayner e Roxas.

– Porque nós? – Hayner disse, recuperando toda a vontade de discutir por um momento.

– Porque, obviamente, Riku e Sora não vão se separar só pra fazer esse negócio e a Naminé não conseguiria encontrar outro grupo que pudesse entrar. – Kairi disse simplesmente.

– E porque você não sai? – Roxas falou como se fosse comum, Kairi era popular e bonita, e a maioria das pessoas gostava dela.

– Apenas imagine isso: esse grupo precisa de mim pra que nada saia dos eixos. – Kairi se aproximou de Roxas e o olhou nos olhos. – Sabe o que eu vejo? – Roxas respondeu negativamente, apenas balançando a cabeça. – Destruição e sangue! É isso o que eu vejo. –Kairi estava mais dramática que o normal.

–Porque não vira uma atriz, de uma vez? – Roxas foi até Hayner. – Vai, uma rodada só, par ou impar? – Roxas olhou para Hayner, com o punho fechado, bem em frente ao corpo.

– Impar. – Hayner havia desistido de discutir, não havia argumentos quando se tratava de Kairi, ela sempre conseguia convencer os outros, e às vezes isso irritava Hayner, mas não tinha escolha, de qualquer forma. Suas mãos balançaram, no ar, e logo em seguida o total de dedos eram seis. Hayner se amaldiçoou por sempre colocar três na primeira jogada.

– HÁ, sabia! – Roxas comemorava.

– Desgraçado. – Hayner bufou e fechou a cara. – Melhor de três! – Hayner fechou o punho novamente, mas Roxas não o atendeu.

– Nem pensar, vou parar enquanto ainda estou vencendo. –Roxas foi pra junto de Naminé.

–Parem com isso, não é uma competição. – Kairi disse, já se irritando. – O Roxas venceu, pronto. Desculpe Hayner, mas é a vida. – A garota sorria abertamente, mas com o mau-humor que Hayner estava, poderia até mesmo bater nela.

– Ta bom, ta bom, eu vou procurar outro grupo. – Hayner saiu com os comentários dos outros se aquilo foi justo, ou bom. Hayner não terminou de ouvir a conversa e foi procurar um grupo, apesar de tudo, ele não era tão odiado ou temido pelos outros alunos, sabia que tinha pelo menos um grupo que ia aceitar ele. Um grupo incompleto logo ao lado, simplesmente perfeito. – Ah, oi, posso me juntar ao grupo? – Hayner deu seu mais simpático sorriso forçado, mas aparentemente, não convencia.

– Anh, você não é o garoto que fugiu da barata á umas semanas atrás? – Algumas risadas contidas forma ouvidas das outras garotas e do único garoto do grupo.

– Por favor, não toque nesse assunto... – Hayner mal conseguia ouvir o nome do tão temido animal, sem sentir um arrepio, porem o que lhe afetou mais, foi o fato delas rirem dele.

– Desculpe na hora ninguém pensou nisso, mas realmente foi engraçado. – A garota sorriu pra ele, mas tava na cara que mal podia se agüentar. Hayner tentou relevar aquilo, não queria tornar seu dia ruim, realmente não queria. – Mas desculpe, nosso grupo já está completo, o John só foi colocar a mochila dele perto do palco.

– John? – Tudo bem, ser temido era uma coisa, mas perder o respeito só por um deslize era outra completamente diferente. Era o que Hayner entendia com aquelas frases, apesar de não ter praticamente nada a ver com o incidente da barata. – Ta, valeu de qualquer forma. – Saiu irritado, com as mãos nos bolsos e foi procurar outros grupos incompletos. A única coisa com que não contava era que todos já estavam com seus grupos de cinco pessoas, não era possível que não tivesse nenhum grupo que faltasse uma pessoa ou duas.

– Todos prontos? – A voz do professor ecoou pelo recinto, Hayner suspirou, sem ter o que fazer, sentiu-se bravo por não ter tido uma melhor de três com Roxas, às vezes odiava não ter o que queria. Alias, sempre odiava não ter o que queria. – Tem alguém ai sem grupo? – Hayner ia levantar a mão, mas alguém o impediu, segurando seu braço e o puxando de repente.

– Professor, só sobrou nós três. – Seifer chamou a atenção do professor, ao lado de Fuu e segurando o braço de Hayner. – Podemos ser um grupo? – O homem não tinha muito o que fazer quanto aquilo, por isso, Xemnas deixou.

– Porque fez isso? – Hayner soltou-se de Seifer com um puxão.

– Você tava sem grupo, e aqui tava faltando gente. – Seifer olhou para Hayner como se fosse obvio.

–Mas, porque, como assim? A gente não... Deveria... Supostamente... – Hayner tentou falar algo. Era meio obvio que eles já não eram tão inimigos quanto poderiam ser, mas olhando dessa forma, eles estavam quase virando amigos. "– Ou eu definitivamente, to perdendo respeito. –" pensou ele, suspirando em seguida. – Deixa quieto.

– Não faço idéia do que você ta falando, só vem aqui e vamos fazer essa droga de exercício logo. – Seifer andou um pouco mais para trás junto de Fuu, ambos não queriam ficar perto do resto dos alunos, seja lá qual atividade o professor passasse.

O professor falou o nome do exercício, mas Hayner não o ouviu mais uma vez. – Um do grupo de vocês vai ser o boneco e vocês vão "modelar" ele, mudando a posição dos braços pernas e etc. – O professor olhou os rostos confusos dos alunos, a maioria tinha estampado no rosto uma grande interrogação. – Desse jeito. – O professor chamou um aluno para perto e explicou algumas coisas, mas ninguém mais poderia ouvi-lo. Em poucos minutos Xemnas deixou o seu aluno em uma posição bem ridícula, os risos baixos foram ouvidos e alguém muito lá no fundo, escondido entre a turma, gritou alguma brincadeirinha. – Dessa forma. Depois de umas três poses ridi... Enfim, revezem. – O professor dispensou o rapaz e depois os alunos começaram a fazer o exercício entre risadas e zoações.

– Eu não vou primeiro. – Disse Seifer, cruzando os braços.

– Idem. – Fuu disse indiferente, como sempre.

– Por que eu sempre sou o primeiro a fazer coisas constrangedoras? – Hayner suspirou e ficou parado entre Seifer e Fuu.

– Simples, – Fuu disse ainda no seu tom indiferente. – porque se não fosse a gente, você estaria sem grupo. – A garota começou a mexer os braços de Hayner, de forma aleatória.

– Você ta falante hoje, Fuu. – Seifer mexeu uma das pernas de Hayner, dobrando-a. – O que aconteceu?

– Nada de mais. – Fuu passou a mão sobre a franja caída no olho, mas sem tirá-la do lugar.

– Foram seus pais de novo? – Seifer perguntou o seu tom, apesar de discreto, era preocupado. Fuu não respondeu, mas sua expressão mudou, parecia mais triste que antes, então a conversa se encerrou desse modo, pois Seifer não tentou conseguir uma resposta.

Hayner achou estranho, não pelo fato da conversa ter terminado de tal forma, mas sim pelo fato de que os dois pareciam entender um ao outro tão bem, que apenas poucas palavras bastavam. Talvez a amizade deles fosse assim, ou simplesmente estavam acanhados de falar coisas pessoais na frente dele, o que Hayner não estranharia. Nos minutos seguintes o silêncio reinou absoluto, ninguém parecia querer começar um assunto, a tensão no ar parecia fazer qualquer tema sumir de suas mentes.

– Ai. – Reclamou Hayner, ao tentar deixar o braço em uma posição que Seifer tentou fazer. – Meu braço não vai ficar assim nunca, então PARA DE TENTAR TORCER ELE! – Hayner gritava, seu braço doía muito e Seifer parecia não se importar muito.

–Vai dar uma de menina agora? Sem ofensas Fuu. – Fuu não parecia se importar, a garota parecia imersa em pensamentos.

Hayner se continha pra não choramingar, com certeza Seifer gostava de ver as pessoas sofrerem. "–Maldito sádico, quando for a vez dele, vou fazê-lo sofrer! –" pensou Hayner. Seifer largou o braço, vendo que não conseguiria fazer Hayner deixar de tanta frescura.

– Desgraçado, sádico, espero que você apodreça e morra sofrendo. – Hayner disse, de forma infantil. – Queria quebrar meu braço, é? – Hayner passou a mão no ombro que doía.

– Cala a boca, você que é todo cheio de "nhenhenhe". – Seifer estalou os dedos da mão. – Mas o que eu esperava do cara que correu de uma barata.

– HEY! –Hayner parecia uma criança que fora provocada, queria bater em Seifer, depois de tantas semanas se ao menos um soco na cara dele. – Pelo menos não sou eu que não consegue entrar numa piscina de criança sem pensar que to me afogando. –Hayner saiu da posição que estava e foi para cima de Seifer. Ambos se encaravam, porem, Hayner, que estava tão bravo segundos atrás, ao encarar os olhos de Seifer não conseguia manter o foco. Podia até sentir suas bochechas corarem levemente.

– VOCÊS AI ATRAS, SE BRIGAREM EU TIRO A NOTA DO BIMESTRE! – O grito do professor ecoou por todo o lugar. Todos os outros alunos olharam para eles, curiosos. – Voltem ao trabalho. –Xemnas podia ser muito autoritário quando queria e assustador também.

– Parabéns "bad boys". – Fuu disse cansada da briga deles. – Sai daí, eu vou ser o boneco agora. – realmente, a garota estava sem paciência nenhuma naquele dia, assim como os outros. Parecia que aquilo era contagioso. – Se me "zoarem", mato vocês. – Foi o necessário para que Hayner e Seifer sentissem como se um balde de água fria caísse sobre eles, fazendo os ânimos se acalmarem.

Hayner não aguentava aquele silêncio, pois sempre começava a pensar em coisas que o levavam, estranhamente, a pensar em Seifer. Apenas pensar sobre isso já o fazia pensar em Seifer e logo imaginava o porquê dele ter medo d'água, sempre se perguntava isso, mas nunca teve coragem para perguntar diretamente. Bem, se tinha um momento para perguntar sobre isso, era agora.

–Seifer... –Chamou Hayner, não muito confiante.

– Fala Hayner. – Seifer dobrou uma das pernas de Fuu.

– Por que você tem medo de nadar? – Hayner não ouviu a resposta de Seifer de primeira, mas não estava esperançoso sobre uma resposta desde o começo.

– Eu... –Seifer começou a falar baixo. – Não sei direito, mas eu tenho esse medo desde pequeno. – O rapaz parecia perdido em pensamentos. Suas memórias eram confusas desde que era pequeno, apenas pensar em entrar em algum lugar onde a água era mais alta que seu joelho, o fazia se arrepiar todo. – Eu só...

– Simplesmente afunda. – Fuu disse suspirando cansada.

– É... – Disse Seifer envergonhado, em seguida olhou para Hayner, que não sabia como encará-lo, afinal não esperava uma resposta do tipo. – E você, porque tem medo de barata. – Hayner quase pode ver um sorriso se formar no rosto de Fuu, provavelmente foi impressão.

– Bom... – Hayner coçou a bochecha, sua história não era nada misteriosa quanto a de Seifer. – Quando eu me mudei pra cá, eu era muito pequeno, sabe uns três ou quatro anos... Então eu, meu pai e minha mãe estávamos arrumando a casa... – O rapaz não sabia como contar aquilo, era completamente constrangedor. – Quando eu fui abrir um dos armários da cozinha e saíram milhões de baratas de lá de dentro. – O riso no rosto de Fuu foi claro naquele momento.

– Deve ter sido no mínimo, engraçado. – Seifer olhou para Hayner, com um sorriso torto no rosto.

– Qual é, eu tinha três anos, você queria que eu achasse o máximo? – Hayner fechou a cara.

– Mas deve ter sido mesmo. – Fuu disse, sorrindo levemente.

– Olha, você conseguiu um sorriso da Fuu. – Seifer disse, sorrindo abertamente, recebendo um tapa forte de Fuu, que já voltava a sua expressão normal. – AI! Acho to perdendo o respeito... – reclamou o rapaz.

Hayner riu baixinho, ambos voltaram as suas posições, mas o rapaz nem prestava atenção no que fazia, sua atenção se voltou a forma com que Seifer estava lhe tratando. Era tão amigável e casual que imaginava que a discussão de poucos minutos atrás foi fruto de sua imaginação. Talvez, agora ambos estavam ficando sem disposição para brigas e coisas do tipo, talvez para discussões, mas, aparentemente não queriam brigar entre si. Hayner sentia isso, e talvez, fosse preocupante.

– Sua vez, Seifer. – Fuu disse, saindo da posição completamente desconfortável que estava. Seifer trocou de lugar com a amiga e depois daquilo a conversa continuava de forma comum e, incrivelmente, sem mais brigas.

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Os papeis estavam espalhados pela mesa de trabalho, em frente ao computador, essa era uma das partes que Cloud mais odiava no trabalho, a burocracia. Ser o mais novo membro do Comitê de restauração de Hollow Bastion tinha suas desvantagens (1). Respirou fundo e voltou a fazer os formulários e assinar os papeis.

Logo, voltou a olhar pra o calendário, talvez fosse a vigésima vez que fizesse isso apenas naquela manhã. Era realmente um dia especial, talvez não fosse um dia que ele e Leon gostassem de comemorar, mas era especial. Cloud se lembrava de tudo o que acontecera naquele dia, a alguns anos atrás.

– CLOUDZINHO! – A voz de Yuffie veio estridente aos seus ouvidos, cortando-o de seus pensamentos.

– Fala Yuffie. – Cloud bocejou e voltou sua atenção a ninja.

– Olha, o chefe mandou isso pra você. – A ninja colocava os papeis na mesa, toda feliz e saltitante.

– Yay, tudo o que eu queria. – Cloud disse sarcástico e já desanimando. Yuffie olhou para ele, parecia estranho, mais quieto e bravo que o normal.

– Que foi Cloud? – A garota se sentou sobre a mesa de Cloud, encarando-o de forma curiosa. – Não tem se encontrado com Leon ultimamente? – Yuffie disse de forma brincalhona, porem, Cloud suspirava.

– Não é isso, só que... – Cloud parou por um momento para pensar no que Yuffie havia dito. – Cala a boca, Yuffie. Desde quando você sabe detalhes do meu relacionamento com ele?

–E você acha que o Leon lida com as situações por si só? – Yuffie sorriu abertamente, orgulhosa de ter uma parcela de "culpa" no namoro deles.

– Leon nunca me disse que pede sua ajuda... – Cloud estranhou, podia até ser que Leon fosse reservado com as outras pessoas, mas com ele era diferente, afinal, era seu namorado.

–Eu aposto que você também não. – Yuffie desceu da mesa lembrando-se da época em que ela foi conselheira de muita gente, ela sorria, mesmo sabendo que Cloud e Leon não tinham falado tudo que sentiam, mas, adorava ser útil. Sentia falta da época de escola. – De qualquer forma, hoje não é o aniversário de namoro de vocês?

– É. –Cloud disse, sua expressão era neutra, mas seus olhos pareciam mostrar uma tristeza que ela desconhecia.

– Ai, vocês vão a algum restaurante? Já preparou o presente dele? –A ninja ficava muito animada com essas coisas, como estava solteira no momento, adorava saber sobre como iam os relacionamentos de seus amigos, porem, ao ver Cloud negar com a cabeça todas as perguntas, Yuffie ficou realmente intrigada. –O que você quis dizer com esse balançar de cabeça?

– Eu e o Leon não comemoramos, se lembra? –Cloud disse, simplesmente voltando a prestar atenção nos papeis à sua frente.

– NÃO, ISSO É IMPOSSIVEL! – Gritou ela, assustando Cloud e mais algumas pessoas que passavam por ali. –Um casal não pode simplesmente não comemorar o aniversário de namoro. – percebendo que chamou atenção demais, Yuffie diminuiu o tom de voz.

– Mas nós não comemoramos. –Cloud desistiu da pilha de papeis e se espreguiçou na cadeira. – Você sabe por quê.

– Sei que foi difícil, mas você tem que superar. – Yuffie falava da tragédia que aconteceu quase duas semanas depois que Leon se Declarou para Cloud. Os pais de Cloud e Roxas haviam morrido num estranho incêndio, mesmo que fosse considerado um "incêndio acidental" não havia como explicar o porquê da casa pegar fogo, então o caso foi arquivado. Naquela época, Cloud tinha apenas 16 anos, mas ainda assim, cuidou sozinho de Roxas. – Não é motivo para vocês não comemorarem.

– Yuffie, você tenta nos convencer todo ano, e todo ano a gente não comemora. – Cloud disse. Já estava cansado da amiga fazer toda aquela cena só por causa daquele dia. – Eu e o Leon já decidimos e pronto, não tem o que discutir. – Cloud já se irritava com a insistência de Yuffie.

– Mas... Mas... – Yuffie estava completamente inconformada, não podia aceitar que seus amigos agissem daquela forma, mesmo que tenha sido por escolha própria, não era justo.

– Yuffie, por favor, eu tenho trabalho pra fazer... – Cloud voltou aos papeis tão odiados sobre a mesa. A ninja foi até ele, olhando-o no rosto.

– Você e seu namorado me irritam. – Yuffie cochichou, seus olhos pareciam mandar faíscas diretamente para Cloud, porem não conseguia ficar seriamente brava com aqueles dois. – Mas tudo bem, – Yuffie deu tapinhas no ombro de Cloud. – eu não sei como deve ter sido difícil pra vocês... – A ninja saiu dali, sabendo que não poderia entender a dor de Cloud, mas ainda assim tinha na cabeça que era simplesmente besteira não comemorarem.

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O intervalo seguia bem, as dezenas de adolescentes andando, falando alto e brincando vez ou outra.

– Ah, depois daquele exercício eu fique meio dolorida... – Naminé reclamava, esfregando uma de suas articulações do braço. – culpa do Sora. – A garota dizia chorosa.

– Você é que não tem preparo físico nenhum. – Sora dizia, se espreguiçando.

– Olha só quem fala, bracinho de graveto. – Naminé disse, enquanto pegava no braço de Sora e o balançava.

– Para com isso. – Sora se soltou de Naminé.

– Okay, okay. – Naminé se deitou sobre a grama mal cortada e virou sua cabeça, vendo Hayner. O garoto estava olhando para nenhum lugar especifico. Ou talvez estivesse. Naminé seguiu a direção do olhar de Hayner. Ou ele estava olhando para uma das garotas do terceiro ano, ou para Seifer, Rai e Fuu. A última opção era, realmente, a mais provável de todas. Naminé se aproximou do amigo, sorrateiramente e disse em voz alta: – Olhando alguém especial? – Riu ao ver que Hayner se assustar.

– Não, eu... Eu não tava olhando... Claro que não era pro Seifer... – Hayner se atrapalhou todo e sentiu as bochechas esquentarem muito ao perceber que Naminé não havia nem mencionado Seifer. – Vou ali e já volto... – Hayner se levantou e foi andando em direção ao outro pátio. Naminé, muito satisfeita, voltou ao seu lugar sorrindo.

– Adoro ver que a paixão desse menino crescendo. – Naminé falou para Kairi.

– Você acha mesmo que ele ta gostando do Seifer? – Kairi olhou para Naminé, já desconfiada. Já tinha conversado com ela algumas vezes sobre isso, mas nunca achou mesmo que Hayner e Seifer se gostassem. – Se bem que eles estão muito estranhos esses tempos... – Kairi realmente achava estranha a forma como eles se olhavam e até conseguiam conversar um com o outro normalmente.

– Até mesmo eles podem mudar, certo? – Riku disse, estava prestando atenção na conversa delas, apesar de não ter se manifestado até o momento. – Como eu disse, eles podem ter se cansado dessas criancices de ficar brigando um com o outro... – Riku acariciou os cabelos de Sora.

– Ou, talvez eles estejam se gostando mesmo. – Olette disse, suspirando. – Apesar de parecer muito estranho e quase impossível, talvez eles realmente estejam levando isso a sério. – A garota parecia mais distante que o normal. – Sabe, eu sempre falo "Paopu isso" e "Paopu aquilo", mas não acho que seja realmente uma fruta mágica. – Olette olhou para Roxas, que ouvia musica com apenas um dos fones, para poder prestar atenção ao seu redor. – O que você acha, Roxas?

– Eu? – Roxas olhou para o aparelho em sua mão e pausou a musica. – Sei lá, o Hayner é meu amigo, mas eu não sou adivinho... – Roxas bocejou. – Qualquer escolha que ele fizer, por mais estranha que seja, eu vou continuar sendo amigo dele. – Roxas dizia a verdade, se importava com o amigo, sempre estaria lá para ele, mas Hayner nunca foi de falar muito sobre essas coisas, muito menos com ele.

– Não era você que dizia que "parecia tão errado". –Olette olhou para Roxas, incrédula, mas o garoto apenas deu os ombros. O que podia fazer? Realmente parecia errado, mas não poderia falar nada se Hayner realmente estivesse gostando de Seifer, o que viesse, teria que aceitar, afinal, um dia ainda iria dizer para todos ali o quanto amava Axel.

Sim, amava Axel. Roxas não se lembrava muito bem desde quando, mas sabia que gostava dele a um bom tempo. Apesar de se falarem apenas quando Roxas se tornou amigo de Kairi, ele já notara o rapaz de cabelos espetados andando pelo parque abandonado que costumava passar no caminho de casa.

No começo não era nada de mais, apenas ficava olhando o cara que simplesmente ficava no balanço enferrujado, com seu olhar triste, depois, de certa forma, começou a se interessar por ele. Nunca chegaram a se falar naquela época, mas sempre que cruzavam seus caminhos, Roxas o cumprimentava com um sorriso. A verdade é que ficou impressionado ao ver que Axel, o rapaz que ele via todos os dias na volta pra casa, era irmão mais velho de Kairi.

"–A vida é estranha...–" Ele pensou. "– Mas mesmo que estejamos namorando agora, não trocamos nenhum beijinho sequer...–" Roxas suspirou. Queria que o namoro deles fosse sério, mas não parecia nada alem de uma coisa passageira.

–Roxas. – A voz de Kairi entrou em seus ouvidos de forma brusca, não devia estar ouvindo-a, pois a garota praticamente gritava. – Ta dormindo? – Roxas balançou a cabeça negativamente. – Fica de olho nas mochilas, por favor. – Não havia sido um pedido, pois depois disso, a garota simplesmente saiu de lá com Naminé ao seu lado.

– Elas foram resolver coisas de mulher... –Sora se deitou no colo de Riku, repetindo a frase que Kairi acabara de dizer para ele.

– Melhor não deixar ela brava durante uns dias. – Riku começava a mexer nos cabelos de Sora novamente. Aqueles dois não tinham medo de parecer para todo mundo, era verdade, até mesmo sobre os olhares mortais que cada uma das garotas da escola davam sobre eles.

E ainda havia garotas que não acreditavam na história toda ou em seus olhos e simplesmente continuavam mandando bilhetinhos de amor para Riku. Não que eles tenham anunciado para todo mundo, mas era mais que obvio.

"– Gostaria tanto que eu pudesse ficar assim com Axel...–" Roxas não conseguia tirar os olhos do casal. Gostaria de ficar assim com Axel, mesmo que fosse por pouco tempo, gostaria de poder acariciá-lo, de beijá-lo, de parar de ficar apenas nos telefonemas tarde da noite, mas ele parecia ter medo. De qualquer forma, Roxas não queria pensar sobre aquilo, iria falar com Axel uma hora ou outra.

– Não encanta não, viu? – Riku disse de forma brincalhona, ao ver que Roxas encarava ele e Sora por tanto tempo. – O Sora é só meu. – E abraçou o namorado fortemente.

– Riku, para de apertar tanto. – Sora reclamava, com as bochechas pegando fogo de tanta vergonha.

– Não se preocupe Riku, se eu quisesse roubar o Sora, já teria feito isso. –Roxas disse com um sorriso maroto no rosto. Logo, as garotas voltaram, mas mal deu tempo para elas se sentarem, pois o sinal estridente que anunciava o fim do intervalo tocou. Viu todos pegarem suas coisas e se aprontarem para subir para a sala de aula. De relance, viu a data no celular e se sentiu triste por estar pensando em coisas triviais, quando deveria estar pensando em seus... Era melhor pegar a mochila e ir pra sala, ainda havia muito para aquele dia.

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Através do grande computador, Leon observava o sistema de segurança em cada ponto da cidade. Seus olhos já ardiam de tanto olhar para aquela tela. Sentia falta da época em que ele, Yuffie e a "trupe" saiam para defender Hollow Bastion com as próprias mãos, parecia que eram anos e anos, mas era coisa de dois anos, quase. Talvez a cidade estivesse ficando tão grande e desenvolvida, que não precisasse mais de seus defensores humanos.

Com este pensamento, Leon se recostou na cadeira, lembrando-se de acontecimentos de seu passado. Conseguia sorrir, se lembrando de seus amigos de escola, de Tifa, sua irmã mais velha, participando dos treinos e competições interescolares, Yuffie sendo apenas Yuffie, e Cloud... Ah, Leon se lembrava de cada expressão dele, cada riso contido, e não muito mais, pois logo foi interrompido por Yuffie, que apareceu em uma Bomba de fumaça, como sempre.

– E ai, Squall? – Yuffie sorriu de canto, vendo que Leon estava irritado. O rapaz odiava que o chamassem pelo nome original. Leon tinha mudado o nome assim que atingiu a maior idade, não que seus amigos já não o chamassem de Leon, mas ele gostava que fosse oficial.

– É LEON. – Enfatizou, mesmo sabendo que a garota o chamava assim só para irritá-lo. – O que quer? – Viu a ninja observar a tela do computador e formar um triste sorriso nos lábios.

– Era bom na época em que a gente saia pra chutar a bunda de alguns caras maus, hein? – Yuffie suspirou. – Ah, eu usava minha habilidades tão bem, eu era formidável! –Yuffie perdeu o foco da conversa completamente e começou a lembrar de como era quando usava suas habilidades ninjas para escapar de todo tipo de situação.

– Yuffie! – Leon já estava cansado daquilo, queria sabe o motivo da ninja estar lá. – Fala, porque veio aqui?

– Ah, sim. – Yuffie riu encabulada por se dispersar do assunto tão facilmente. – Enfim, sabe que dia é hoje? – O sorriso em seu rosto foi de orelha a orelha, praticamente, mas Leon não teve a mesma reação. Seus olhos estavam baixos e tristes, Leon, com toda certeza, dava muito mais brechas que Cloud. – Não vai me vir com e esses "mimimis" todos, não é? – Yuffie já começava a perder a paciência.

– Não é besteira e você sabe muito bem disso. – Leon não sabia por que a garota insistia tanto. Era irritante às vezes. – Você sabe o quanto Cloud sofreu por causa disso...

– Eu sei que foi difícil, mas vai ser só no domingo. – Yuffie realmente se sentia triste com aquilo. – Vocês não podem fazer uma forcinha e tentar aproveitar o dia? Quem sabe, com isso, vocês possam consolar um ao outro? – O suspiro pesado de Leon pode ser ouvido claramente.

– Nós já decidimos... Apesar de não ser hoje, é meio triste fazer uma comemoração na semana em que os pais do seu namorado morreram. – as palavras saíram mais pesarosas do que queria. Por mais que Leon e Cloud agissem de tal forma, eles queriam comemorar. Queriam poder dar presentes um para o outro, poder passar um dia todo apenas os dois. Eles queriam, mas a tristeza daqueles dias era demais para que uma comemoração fosse feita.

– Tudo bem, vocês já decidiram. – Yuffie suspirou. – Não vou mais insistir com vocês dois. – E saiu dali, pensando em várias coisas. Porque Cloud não queria lembrar-se da data em que, finalmente, Leon se declarou para ele? Tinha sido um dos momentos mais lindos que Yuffie já vira, mas, nunca puderam comemorar. Porque depois de tantos anos juntos, Leon não conseguia tirar aquela escuridão do coração de Cloud? Talvez ele já tivesse desistido de tentar alcançar o fundo do coração de seu amado e tornado aquela parte obscura, uma coisa normal no seu relacionamento.

Mas não podia ser assim. Por mais dolorido que fosse Cloud teria que enfrentar aquela tristeza e simplesmente seguir em frente. Eles tinham que comemorar aquela data, não importando se eles saberiam o que seria feito ou não, era o que Yuffie tinha em mente. Pois ela conhecia-os, sabia da maioria de suas fraquezas e pontos fortes.

A única coisa que a ninja não sabia, ou talvez apenas quisesse ignorar, era que Leon e Cloud poderiam esconder um segredo tão bem, que nem ela saberia.

.OoO

– Um cachorro? –Olette perguntou, depois de terminar o refrigerante.

– Não é legal? – Hayner tinha os olhos brilhando, cheios de felicidade. – Meu pai disse que o cachorro o seguiu ontem, quando ele tava voltando do mercado.

– Mas não tem problema esse cão na sua casa? Sabe, sua mãe... – Pence disse, lembrando que Hayner sempre quis ter um cãozinho, mesmo sua mãe nunca deixando.

– Quando ela viu disse: Desde que eu não vá cuidar e ele não morda a mobília, você pode ficar com ele. – Hayner parecia que a qualquer momento explodiria de tanta felicidade. – Vocês têm que ver, ele é tão lindo. –Disse animadamente. – O pelo dele é marrom bem claro e as patas dele são brancas.

– Calma, cara, respira. – Riku disse, achando engraçada tamanha felicidade do amigo. – É só um cachorro. –Naquele momento, Hayner o olhou como se Riku fosse a pior pessoa do mundo.

– Agora você se deu mal. – Roxas olhava para Riku com certa pena, deixando o rapaz com medo.

– Não é SÓ um cachorro. – Hayner falou, irritado. – Ele é o melhor amigo do homem, ele é o único animal que é capaz de ir pegar o jornal só com um pedido! – Hayner elevara o tom de voz.

– Ok, Hayner, eu entendi, é o seu cachorro, ele é incrível, todo mundo faz festa. – Riku disse, tentando acalmar o rapaz. No momento seguinte, Hayner olhou pela janela e viu Seifer chegando.

– Dá licença que ta na hora da minha aula de física. – Hayner se levantou, com um sorriso bobo no rosto. Logo viu Seifer entrando pela porta e sem nenhum dos dois falar nada, foram pra mesa na qual estudavam.

– E lá foi nosso menininho. – Olette disse, sorrindo e se encostando ao ombro de Pence. – Namorar.

– E pensar que ele já está tão grande. – Pence acariciou os cabelos de Olette e os dois riram em seguida.

– Cara, vocês são piores que a Naminé. – Riku disse, recebendo uma careta de Naminé. – Eu não estou mentindo. Realmente agradeço por vocês não zoarem eu e o Sora.

– Qual é, vocês são um casal lindo e cheio de "fofidão"... – Naminé disse, com seu jeito apaixonado.

– Já o Hayner e o Seifer são um casal que não quer se juntar. – Olette disse ainda encostada em Pence. – Tudo o que eu e Naminé tentamos fazer é um final feliz! – A garota tinha um sorriso bobo no rosto. Apesar de tudo, gostaria de ver se aqueles dois ficariam juntos realmente ou se era apenas coisa de sua imaginação.

– Se você diz. – Riku olhou para a paisagem lá fora, lembrando-se do terrível calor que fazia. Agradecia por Xaldin ter colocado dentro da lanchonete um ar condicionado, senão com certeza estaria morrendo de desidratação no exato momento. Não que Riku odiasse o verão, até gostava daquela época do ano, bem antes das férias, mas apenas odiava o sol queimando sua pele logo pela manhã. Uma musica alta interrompeu seus pensamentos. Roxas recebeu uma mensagem e estava completamente ruborizado.

– Pessoal, eu preciso ir. – Roxas se levantou, com um sorriso tão bobo quanto o de Hayner há poucos minutos atrás.

– Hum, recebendo mensagens de texto... – Olette estava com um sorriso sacana no rosto. – Aposto que não é do seu irmão.

– Vocês tão chatos hoje, hein? – Roxas se virou antes de abrir a porta.

– Posso fazer o quê? Estou inspirada! – Olette disse e viu o rapaz ir embora praticamente correndo, em uma direção na qual ela não sabia.

Roxas esperou virar a esquina para poder começar a correr, se desviando das pessoas que passavam por ali, apenas a idéia de falar com Axel o alegrava. Não havia visto o namorado nos últimos dias, pelo menos, não como gostaria. Odiava ter que fingir para os outros que Axel era apenas o irmão de sua amiga, um conhecido. Queria poder abraçá-lo, beijá-lo, passar mais tempo com ele.

Logo chegou ao parque, seus pulmões queimavam e podia sentir o suor praticamente colando sua camisa no corpo. Axel já estava lá, o esperando.

– Não pensei que chegaria tão rápido. – Disse Axel.

– No recado dizia que era pra eu vir rápido. – Roxas disse, pegando fôlego. – O que é tão urgente assim? – Ele viu Axel se aproximar.

– Eu queria te ver. – Passou a mão nos cabelos do menor, sorrindo. Viu o rosto de Roxas desviar o olhar, ruborizando. – Não é motivo o bastante?

– Acho que sim... – Roxas se lembrara da mensagem de texto que recebeu do namorado, era engraçadinha até. – Mas não coloque mais "cubinho de açúcar" nas mensagens, é vergonhoso.

– Até parece que você não gostou. – Axel riu, tentando imaginar a cara de um dos amigos de Roxas ao ver no celular uma mensagem de alguém o chamando de "cubinho de açúcar". Viu Roxas negar com a cabeça e se aproximar lentamente, beijando o rosto dele, suavemente.

Os dois foram para debaixo de uma das grandes arvores do parque, devido ao sol quente e ficaram ali, observando o dia passar e conversando besteiras, sob a sombra fresca, mas em nenhum momento, Roxas conseguiu entrar no assunto que queria.

– Nunca entendi porque você nunca foi pra uma faculdade Axel. – Roxas olhava para Axel, que parecia pensativo.

– É que eu nunca quis mesmo. – Axel disse, com um sorriso em seu rosto. –Sabe, estou feliz assim, mesmo não tendo achado uma profissão de verdade ainda.

– Entendo... – Roxas suspirou e se aproximou mais de Axel, acomodando sua cabeça no peito dele.

Roxas estava falando muito menos que o normal, por mais que o garoto tentasse disfarçar, não conseguia deixar aquele ar melancólico para trás – Roxas?

– Sim?

– Porque está tão triste hoje?

– É um segredo... – Roxas disse, com um sorriso triste. – Se eu contar, você vai ter que me falar algo seu. – Roxas pensou muito em contar isso para Axel... Bem, poderia compartilhar aquilo, sentia que poderia confiar nele.

– Tudo bem. – Axel sorriu.

–Sabe, Semana que vem vão fazer sete anos que meus pais morreram. – Roxas sentia aquela tristeza de sempre. Por mais que os anos passassem, o tempo não poderia amenizar a dor que ainda sentia. – Sabe, eu tinha nove anos quando eles morreram... Tenho poucas lembranças daquela época, disseram que eu fiquei inconsciente no hospital por muito tempo... Eu só me lembro de estar brigando com Cloud no banco de trás do carro. – Roxas sentiu o nó na garganta subir. – Mas eu não cheguei a ver meus pais serem enterrados... Pra mim, aquilo era como um sonho... Um pesadelo, que logo eu ia acordar e tudo ficaria bem. – Cada palavra que saia da boca de Roxas, parecia sair do mais profundo de sua alma. – Eu não sei por que, mas, na época, não consegui chorar. Vivia me dizendo: Tenho que ser forte, eu preciso ser forte. – As lágrimas teimavam em cair de seus olhos, mas o rapaz sabia que quando elas saíssem, não poderia controlá-las.

– Roxas... – Axel se sentou, olhando fixamente para o namorado, – Eu não estou te pedindo para ser forte. – Acariciou as mechas que caiam sobre a testa de Roxas e viu as lágrimas caírem, de forma tímida, o rosto do garoto ficando avermelhado a cada gota quente que saia de seus olhos. – Você pode chorar se quiser. – Roxas se levantou e pousou a cabeça no peito de Axel, deixando que toda sua tristeza saísse através dos soluços contidos. Então, ali, Axel o abraçou ternamente desejando poder ficar daquele jeito para sempre.

Os minutos se passaram, Roxas parecia melhor, mas não queria se soltar de Axel tão cedo. Queria sentir aquela sensação de segurança por mais tempo, os lábios de Axel beijando sua testa de forma terna.

– Se sente melhor? – Axel viu Roxas confirmar, ele ia se soltar do namorado para que pudessem ir a outro lugar, entretanto, mal soltou as mechas loiras de Roxas antes de sentir os lábios do mesmo tomarem os seus, num beijo simples. Depois que se separaram, Axel o olhou, surpreso. – Você não estava triste?

–Estava. – Roxas disse. – Mas como você não tomava iniciativa... – Mesmo entre os soluços e a dor de cabeça que não passaria tão cedo, Roxas disse francamente, mas não pode deixar de desviar o olhar. – Comecei a achar que não estava querendo me tocar. – Abaixou a cabeça tristemente.

– Não sei por que eu não gostaria de te tocar. –Axel abraçou Roxas mais uma vez.

– Mas então porque não me beijava?

– Por que... Eu não queria que você se sentisse pressionado. – Axel sentiu as mãos de Roxas envolverem as suas de forma gentil. – Eu não queria que você se sentisse obrigado a gostar de mim.

– Axel, eu realmente gosto de você... – Roxas sentiu a testa de Axel encostar-se às suas costas. – Por que tem tanto medo de se aproximar de mim? – Roxas perguntou, acariciando as mãos dele carinhosamente

– Bem... – Axel parecia se preparar para contar algo. – Sabe, quando eu estava no ultimo ano do colegial, eu namorei um cara... Ele era mais velho que eu, mas dizia que me amava e tudo mais... – Axel desviou o olhar, estava triste.

– Mas? – Roxas perguntou, virando o rosto de Axel gentilmente para si.

– Mas ele estava só me usando e quando ele e o namorado reataram, eu já estava gostando muito dele. –Axel tinha a voz baixa e triste demais. – Eu vinha para esse parque pra poder raciocinar direito, sabe? Tentar colocar a mente no lugar... – Os lábios de Axel se curvaram em um sorriso melancólico. – Eu acho que superei a maioria das coisas que ele me fez passar, mas...

– Uma pessoa que machuca pode esquecer a cicatriz que fez, mas alguém que foi machucado, nunca esquece. – Roxas suspirou, olhando para o céu. Não imaginava que seu amado era tão inseguro assim, por isso, sempre que passava por aquele lugar, ele estava sempre sentado naquele balanço, olhando tristemente para o nada. O haviam Machucado, deixado uma grande cicatriz em seu coração. – Eu nunca faria nada pra te magoar.

– Eu sei. – O ruivo afagava os cabelos de Roxas, pensando no que ele havia dito. Riu consigo mesmo, Roxas não podia ser tão sábio assim naquela idade. – Onde conseguiu uma frase dessas?

– Meu pai me disse uma vez. – Notou que Axel se sentiu mal por fazê-lo falar do pai, mas não se preocupou, apesar de ainda sentir a dor de cabeça por causa da choradeira, estava aliviado. Encostou-se ao ombro de Axel, recebendo mais dos gostosos afagos. - Pode me beijar agora?

– Acho que sim. – Axel sorriu e beijou Roxas suavemente, sentiu a mão de o rapaz segurar em sua camiseta. Axel sabia que aquele não era o primeiro beijo de nenhum dos dois, mas não deixava de sentir que era diferente de tudo que já tivera antes, apesar de não durar por muito tempo, foi o suficiente para deixar ambos mais vermelhos que nunca.

Roxas recostou a cabeça no peito de Axel, ouvindo o coração igualmente acelerado e sorriu. Agora tinha uma coisa a menos em sua cabeça, finalmente poderia começar o seu namoro.

.OoO

Yuffie andava de um lado para o outro da sala, falava impaciente ao telefone. – Sim, Sim... Obrigada por fazer esse favorzão, não sei o que eu faria sem você... – A moça ouviu as ultimas palavras do homem que falava do outro lado da linha. – Fico te devendo essa. Tchau. – Yuffie tinha um sorriso de satisfação em seu rosto. Agora só faltava uma coisa para o seu plano dar certo. Voltou a discar em seu celular. – Alô, Cid?

Após falar com Cid, Yuffie corria de um lado para o outro do Comitê de restauração. Era incrível que, com os anos, o Comitê passou de apenas um grupo de jovens com a vontade de tornar Hollow Bastion um lugar melhor, para agora ser tão grande e valorizada. Mas Yuffie não estava pensando nisso.

– Você! – Yuffie apontou para uma das novatas. – Você é da equipe de Leon, certo? – A garota confirmou assustada. – Olha, normalmente ele sai junto do Cloud, sabe quem é?

– Sim senhora...

– Tudo bem, quando eles estiverem saindo, você pode dizer que o portão do estacionamento está emperrado, e que nenhum carro vai sair hoje? – Yuffie viu a garota concordar. – Valeu, você é a melhor. – E saiu, deixando a garota desnorteada.

Não se passou muito tempo desde então, e logo, o expediente havia terminado. Porem Leon sempre saia um pouco depois, muitas vezes, apenas para sair com seu amado loiro. Ele chamou o elevador, se sentia extremamente cansado naquele dia, ter de lidar com uma Yuffie elétrica e boba alegre e seu trabalho ao mesmo tempo, era muitas vezes era cansativo.

– Leon. – Cloud disse, chegando ao elevador. Todos os dias eram assim, Leon e Cloud se viam poucas vezes até o horário de saída, entretanto, não era como se eles quase nunca se vissem.

– Você parece cansado. – Leon olhava o rapaz ao seu lado, parecia completamente destruído.

– Odeio ter que cuidar de toda aquela papelada. – Cloud suspirou, com certeza preferia a antiga forma de lidar com os problemas da cidade, sem falar na dor de cabeça que sentia.

– Eu também gostaria de sair por ai fazendo as coisas do nosso jeito, – Leon parecia feliz ao se lembrar do passado não tão distante. – mas você sabe o sermão que a gente ouviria e a outra tonelada de papeis pra assinar. – Cloud confirmou.

Alguns segundos depois, uma garota, provavelmente uma estagiária ou novata, já que nenhum dos dois se lembrava muito bem dela, correu até eles afobada.

– Senhor Leon. – A garota disse, com o rosto todo vermelho. – Pediram pra eu avisar que o portão do estacionamento está quebrado. – Ela disse acanhada e com a voz em um tom bem baixo.

– Não de novo... – Leon desanimou completamente, alem do dia cansativo e extremamente trabalhoso teria que ir para a casa de ônibus?

– Espero que ninguém mexa na minha moto desta vez. – Cloud sentiu sua cabeça doer mais ainda, só de lembrar-se de como ficou a moto da ultima vez.

Assim que o as portas do elevador se abriram chegou ambos se despediram da garota e entraram nele. Não havia muito que conversar naquele dia, mas enquanto o elevador não chegava ao andar desejado, Leon e Cloud mantinham suas mãos juntas, aproveitando que quase ninguém ficava alem do expediente, ou se ficava, demoraria mais do que eles.

Logo chegaram ao térreo, se despediram das poucas pessoas ali e quando saíram, viram um grande e reluzente carro parado bem na porta de entrada. Surpresos, mas não o bastante para se descobrir quem era, Leon e Cloud começaram a caminhar para o ponto de ônibus mais próximo, porem, quando a porta do carro se abriu e Yuffie saiu de lá vestida como um quepe chofer, ficaram paralisados.

– Senhores, esta é a carruagem de vocês hoje. – A moça sorriu, dando a volta no carro e abrindo a porta.

– Eu to indo embora. –Cloud se virou e recomeçou a andar, após alguns segundos sendo acompanhado por Leon.

– NÃO! – Yuffie correu até eles, desesperada. – Eu tive o trabalho de pegar um carro emprestado com o Cid e comprar um quepe de Chofer! – Yuffie parou na frente deles, com lágrimas nos olhos.

– Yuffie, o que você quer? – Cloud estava irritado até demais. – E, por favor, diga que nada vai acontecer a minha moto e ao carro do Leon.

– Seus veículos estão sãos e salvos em suas garagens nesse momento. –Yuffie falou polidamente a frase.

– Você dirigiu minha moto? – Cloud sentia sua irritação crescendo.

– Claro que não... Foi o Cid. – Cloud ficou mais aliviado, sua moto sofria até hoje das batidas que Yuffie fez. – Vamos lá, eu só quero que vocês entrem no carro... eu tenho uma surpresa pra vocês.

– Não me diga que é por causa do... – Antes que Leon terminasse a frase, a moça se adiantou e calou a boca dele com a mão.

– Já disse que é uma surpresa! – Yuffie estava brava agora. Leon tinha certeza que a moça era bipolar, mas ainda ninguém ainda tinha descoberto. – Não me forcem a drogá-los!– Leon e Cloud se olharam, desistindo de tentar discutir com Yuffie, que parecia realmente feliz com a ação dos rapazes. – Por favor... – a ninja disse, indo até a porta traseira do carro e abrindo-a.

.OoO

– Definitivamente, Hayner, você e o Seifer não podem mais entrar na lanchonete! – Kairi dizia enquanto patinava pela rua. –Não sei como o Sora consegue agüentar vocês quando eu tenho folga.

– Nem eu sei. – Sora suspirou. – Não é a toa que o Xaldin proibiu vocês de entrarem na lanchonete. – o rapaz entrelaçou a mão com a de Riku.

– Eu não sei por que, nem saiu sangue dessa vez! – Hayner parecia indignado.

– Cala a boca idiota, você não parava de falar sobre o seu cachorro. – Seifer falou irritado.

– Eu não te perguntei nada! E porque você ta andando com a gente? – Hayner e Seifer começaram sua habitual briga novamente.

– Ok, rapazes, vejo vocês amanhã. – Kairi disse, vendo os dois se afastarem ainda discutindo. – Um dia eu ainda vou ver esses dois dando uns beijos. – Kairi riu do seu próprio comentário, mas notou que tanto Sora quanto Riku não prestaram muita atenção nela. Sentiu uma estranha solidão e suspirou, olhando para o chão e suas marcas que passavam rapidamente sobre as rodas de seus patins. Não é que Kairi achasse que tinha perdido seus amigos, mas as vezes, sentia como se fosse excluída de coisas importantes, coisas que ela deveria saber, porem nenhum dos dois se abria completamente com ela.

O resto do caminho os três foram conversando sobre trivialidades, nada que importasse realmente. Ao chegar perto das casas, antes de Kairi se despedir, Sora correu até ela.

– Kairi eu preciso de um caderno seu. – Sora olhou para ela desesperado.

– Claro, mas não é melhor pegar do Riku? Sabe... – Antes que ela pudesse terminar a frase, viu os olhos brilhantes e pidões de Sora. – Ah, tudo bem, vamos lá. – Disse.

Depois de entrarem na casa, Kairi foi direto para o sofá, onde sua mochila estava jogada, mas ao invés de pegar os cadernos, a garota se sentou e olhou diretamente para o amigo.

– To esperando. – Ela diz, arrumando o cabelo. – Que tipo de crise você e o Riku estão sofrendo pra eu ter que dar conselhos? – Ela olhava cansada para o amigo, de certa forma feliz por Sora pedir conselhos para ela.

– Não sei como lidar com o ciúme do Riku... – Sora se sentou no sofá, jogado e desanimado. – Nós já falamos sobre isso, mas ele ainda é super protetor. – Sora tinha o olhar perdido. – Não é que não goste que ele se preocupe, mas está demais, sabe?

– Como assim? – A garota se fez de desentendida, qualquer um saberia o quanto Riku é ciumento em relação a Sora.

– Por exemplo: Naquele dia que eu, ele e a Naminé encontramos o Alex, ele não deixou eu defender ele, mas tenho certeza que o Riku estava com tanta vontade de socar a cara deles quanto eu! – Sora começou a falar tudo que vinha na cabeça, indignado.

– Diga pra ele. – Kairi disse, simplesmente. – Sabe, não é uma coisa que você deve guardar, vá até ele e diga que o ama, mas quer poder defendê-lo da mesma forma que ele te defende. – Sorriu a moça. – Não é difícil, mas também não é fácil. – Kairi sabia, pois já teve que conversar com o ex-namorado, claro que por motivos diferentes e sempre suas "conversas" envolviam mais gritos.

– Ah, Kairi... – Sora estava realmente agradecido não era preciso dizer que ele era novo nesses assuntos amorosos, apesar de ter ido muito bem até agora, havia coisas que realmente não entendia. – O que eu faria sem você? – A menina deu os ombros e entregou um caderno qualquer para Sora. Não demorou muito até que o rapaz fosse embora e Kairi se jogasse mais uma vez no sofá, encarando o teto e o cansaço a fazendo quase dormir ali mesmo.

Do lado de fora, Sora alcançou Riku. Mal havia notado o bolo de correspondências nas mãos dele, e até ficaria impressionado pela demora do namorado para entrar em casa, se não estivesse cheio de coisas na cabeça.

– Riku... – Disse Sora. – Precisamos conversar.

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Estava mudando as estações de rádio a um bom tempo, procurando uma musica boa para ouvir, nem sabia a quanto tempo estava ali, Yuffie esperava no carro, esperançosa de que seus dois amigos pudessem ao menos aproveitar o jantar. Suspirou ao ouvir a musica lenta no rádio e ficou cantando baixinho. Bocejou, sentindo o cansaço e a preguiça tomarem seu corpo. Dormiria ali mesmo se Leon e Cloud demorassem muito.

Seu tédio logo foi cortado, viu os rapazes se aproximarem calmamente, via a satisfação nos rostos deles, algo que ninguém via há algumas semanas.

Rapidamente, Yuffie saiu e abriu a porta para os bancos detrás do carro. – Espero que tenham gostado do jantar. – Viu Cloud olhá-la e sorrir muito brevemente, não iria admitir (ao menos para Yuffie), mas o jantar havia sido divertido, mas a ninja sabia que tinha feito algo de bom. A confirmação disso veio quando Leon ia entrar no carro e sorriu abertamente para ela.

– É vocês gostaram. –Murmurou ela enquanto andava de volta para o banco da frente do carro.

Enquanto o carro passava pelas ruas já sem transito, Yuffie olhou rapidamente pelo espelho e os viu de uma forma que nunca havia visto antes, mesmo quando estavam entre amigos. Os dois estavam sentados bem perto um do outro, Cloud estava com sua cabeça encostada no ombro de Leon, que por sua vez, retribuía o carinho enlaçando a cintura dele com um dos braços, cochichando num tom quase inaudível um para o outro.

Aquela cena foi o bastante para Yuffie saber que a única coisa que deveria prestar atenção era na rua.

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Na sala havia um silencio incomodo que deixavam os dois adolescentes ali inseguros. Riku havia ouvido tudo que Sora tinha pra falar. Aliás, tudo que Sora já havia falado, mas dessa vez ele parecia muito mais seguro e firme do que queria dizer.

– Então, é isso o que você acha? – Era a única coisa que conseguia dizer, não estava conseguindo raciocinar bem.

– É Riku... Você sabe que eu gosto muito de você, – Sora suspirou, abaixando o olhar. – eu não posso continuar assim. Você me trata como seu eu fosse de vidro, não posso te defender, não posso brigar e toda vez que é comigo, você age como se eu não soubesse lutar.

– Você ta dizendo que quer poder brigar e se machucar? –Riku não entendeu o que Sora queria dizer. –Prefere que eu não te defenda se alguma coisa acontecer?

– Não é isso. –Agora até Sora estava confuso. Era incrível como a clareza em sua mente poderia voar pra muito longe. – Eu até gosto quando você faz isso... Eu só quero que você saiba que eu posso me defender e que eu posso, e quero discutir e bater em alguns idiotas que enchem o nosso saco. – tentou dar aquele sorriso de sempre, mas saiu de forma torta.

– Entendo... – Riku suspirou e encarou o namorado. Tinha como ele não se derreter todinho por aquele moço? – Vou tentar ser menos ciumento. – Sorriu, pegando na mão de Sora.

– Que bom que entendeu meu ponto de vista. – Sora se sentia feliz, finalmente conseguiu se expressar da maneira que queria. Sentou-se mais perto de Riku e o beijou na bochecha.

– Mas se alguém te machucar... – Riku disse. – Saiba que vou deixar ele irreconhecível. – Viu um sorriso de deboche se formar no rosto de Sora, sabia que tal fato não aconteceria tão cedo. Sora sabia como se virar, era verdade, mas se por um acaso aparecesse um hematoma sequer, Riku jurava pra si mesmo que seria expulso da escola, mas não deixaria barato. – Só mais uma coisa.

– Fala.

– Sabe que eu sou tão... – Riku parou por um momento e pensou no que dizer. – "Assim"... Porque eu amo você demais, não sabe? – As bochechas de Sora ficavam cada vez mais vermelhas, ele desviou o olhar e assentiu. Riku apenas conseguiu pensar no quanto aquele garoto era fofo.

Os dois ficaram sentados no sofá, apreciando a companhia um do outro até Sora ter de ir embora não saberia como Leon reagiria se não estivesse em casa em naquele horário, e no dia seguinte, de qualquer forma, teriam um dia inteiro pela frente.

Riku após levar Sora até a porta se sentou no sofá, e enquanto olhava o nada, perdido em pensamentos que não se lembraria depois, deixou seus olhos correrem pela mesa de centro. Lá haviam cartas meio espalhadas, como se tivessem sido jogadas ali as pressas. Decidiu colocá-las em seu lugar, já sabendo que seu tio deveria ter saído apressadamente e mal reparou onde as havia deixado.

A maioria eram contas, propagandas, cartas para seu tio, mas havia uma em especial endereçada a Riku. Ao ver o remetente, o garoto sentiu como se borboletas subissem desde seu estomago até sua garganta, segurando sua respiração. Sabia que aquela carta não trazia boas notícias.

E mesmo assim, abriu o lacre da carta.

.OoO

Yuffie parou o carro, e ouviu a porta de trás bater. Apesar de a noite ter saído muito boa, a seu ver, algo ainda a incomodava.

– Não precisa perguntar, Yuffie. – Leon disse do lado de fora do carro. –Eu vou explicar porque eu e Cloud não comemoramos. – Houve uma pausa. – Você sabe que foi difícil aquela coisa toda do incêndio, mas o que faz a gente não comemorar não é só isso...

– E então?

– Bem... Quando isso aconteceu, eu e Cloud ficamos muito afastados um do outro, principalmente com toda aquela coisa dele querer cuidar do Roxas sozinho. – Leon parou por um momento, parecia se lembrar dessa época. – Por isso, mesmo que se a gente quisesse chamar aquilo de namoro, não era. Chegou uma época em que eu achei que não conseguiria vê-lo mais.

Yuffie queria falar algo, mas nenhuma frase vinha em sua cabeça.

– Mas, nós fomos pacientes e, no tempo certo, nós voltamos... – Era engraçado falar dessa forma, pois não havia como voltar para algo que mal havia começado, havia? – E nós realmente não gostamos de comemorar.

– Seus idiotas. – Yuffie ouvia tudo no maio silêncio, imaginando o quão havia sido idiota esse tempo todo, insistindo em algo que não significava nada. – Se tivessem me contado, não ficaria fazendo essa birra todos os anos...

– Apesar de tudo, a noite foi boa. – Leon bocejou. Naquela noite, os dois se lembravam de coisas tristes, mas de coisas boas também. Puderam se lembrar daquele dia especial, no qual Leon segurou na mão de Cloud pela primeira vez, dizendo um tímido "eu gosto de você". Há muito tempo não sentiam isso. Mas claro que nenhum dos dois contaria isso para Yuffie.

– Pode me dizer quando é que comemoram o aniversário de namoro de vocês? – A ninja fez aquela cara de pidona, na esperança que funcionasse.

– Eu não vou te contar, e não adianta fazer essa cara, que eu não caio. – Leon se despediu dela com um aceno.

Yuffie até que tentou, mas decidiu deixar. Sabia que muitas vezes suas palavras e ações não poderiam chegar aos corações de seus amigos, muitas vezes reservados e cheios de orgulho. Num suspiro, engatou a marcha e saiu, imaginando o dia em que poderia saber tudo o que se passava com os amigos, podendo os apoiar por completo e se esse dia chegaria ou não.

Continua...

(1)O Cloud originalmente não faz parte do comitê. Mas vocês já sabiam disso.

N/A: Ai, Jesus... E eu que prometi a mim mesmo que esse capítulo sairia mais rápido. Tá tão grande que nem sei como eu consegui escrever tanto, to com medo de mim mesma.

Então, mó loucura essa coisa AkuRoku, não? Bom, se vocês notarem, eu tinha colocado que antes eles já se admiravam e tal, mas nunca tinha colocado como eles começaram isso ou quando eles se conheceram.

Notei que o nome da Olette é com dois "T" e não dois "L", assim como várias coisas que estão erradas, então vou tentar corrigir tudo que está errado ou mal escrito nos capítulos anteriores (É, FNano tentou corrigir os outros cap., até o fez, mas ainda ficaram erros horrendos e nomes errados no meio da porra toda), vou me dedicar inteiramente a isso. *pose de herói*

Espero que tenham gostado mais uma vez desses meus devaneios loucos em forma de fanfic e não joguem pedras e tomates em mim por atrasar tanto, por favor.

Ah, sim. Se der, vão dar uma olhada no Blog onde eu e minhas irmãs estamos publicando algumas fics. Procurem por "Divinérrima trindade Nonato" e sejam felizes.

Beijos cremosos.