City of lovers

Diz que vai cancelar a fanfic

aparece dois anos depois com um update!

CALMA GENTE! Eu não vou voltar a escrever essa fanfic. Eu só encontrei esse capitulo escrito em uma das minhas pastas no computador enquanto fazia uma limpeza geral. Eu decidi finalizar ele e postar porque há tanta coisa aqui e eu sinto que eu simplesmente jogaria fora um capitulo legal e mais um pouco de história pra vocês de divertirem a toa. De novo, eu não terminarei essa fanfic, isso é só um capitulo a mais que foi finalizado.

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As horas passavam lentamente dentro daquele carro, embora mal conseguissem notar quando a noite chegava, fazendo o horizonte parecer se fundir ao asfalto. Riku olhava mais uma vez para a carta que recebera a três noites.

Caros Xehanort e Riku, como vão? Eu espero que bem.

Estou mandando essa carta para avisar que neste fim-de-semana (16,17 e 18) haverá uma reunião de família Urgente.

Atenciosamente, Galateia.

A carta era tão vaga e sem informação alguma, que Riku tinha certeza que não era coisa boa. Afinal, chamar ele e seu tio, depois de cinco anos pra uma reunião de família era algo que não soava bem. Entretanto, ver os parentes depois de tanto tempo o deixava feliz, pois finalmente iria apresentar Sora. Só não sabia como fazer isso.

De qualquer forma, aproveitava a viagem, tendo seu amado encostado no seu ombro enquanto ninava um ovo. Sim, exatamente, Sora estava ninando um ovo como se fosse uma criança pequena. O motivo? Seus queridos professores deram a tarefa de cuidar do bendito ovo e fazer um relatório, valendo nota para todas as matérias. A coisa boa de cuidar de um ovo era que era um ovo e não uma criança de verdade, então, obviamente seria fácil cuidar dele.

Pelo menos poderia fazer isso com Sora, já que Larxene parecia não se importar com a formação dos casais, desde que Hayner e Seifer formassem um deles. Hayner já dizia que era um castigo, tinha que ser. Não era possível que nem em um trabalho que era, supostamente, para ser em casais de sexos opostos, tinham que juntá-los. Eram todos os anos de brigas e dentes arrancados em forma de castigo, segundo Kairi.

Mas não tinha motivo para se pensar nos amigos, inimigos, que seja. Sabia que depois da ultima parada, que seria dali a algumas horas, estariam de volta a estrada péla manhã, então naquele momento, o melhor seria apreciar a paisagem ao longo da estrada.

.OoO

O sinal tocou e os adolescentes pegavam suas mochilas, saindo rapidamente das salas para seus desejados dois dias de descanso, menos poucos alunos que ainda permaneciam na escola, a pedido de alguns professores das aulas extracurriculares.

– Eu acho que esse filho não é meu. – Seifer disse, olhando para a carinha desenhada no ovo.

– Como não, os olhos são iguais aos seus. – Hayner zombou.

– Bom saber que meus olhos são grandes e esbugalhados. – Seifer ainda não entendia aquilo. Certo, os professores queriam que eles fizessem alguns trabalhos, já que, segundo eles, Hayner e Seifer deveriam dar o exemplo e trabalhar juntos, até ai era compreensivo. Mas fazer um trabalho daqueles com um menino era totalmente diferente, sem falar que a professora deixou Kairi dar uma de "mãe solteira".

– Não, os olhos são para serem como os do Hayner, o nariz e a boca que são do Seifer. –Naminé dizia indignada, principalmente por ser ela quem tinha feito o desenho no ovo. – Não é obvio pelo tamanho e curvatura dos olhos? – Naminé bufou, enquanto olhava para o próprio "filho". – O trabalho na mamãe não é reconhecido, bebê. O que eu devo fazer?

– Vamos embora devagar, que daí ela não percebe. – Hayner disse, já que Naminé não estava em estado exatamente normal. – Alias, porque nós estamos aqui ainda?

– Você eu não sei, mas eu tenho assuntos pendentes. – Seifer olhava indiferente para Hayner. – Vai querer ficar aqui?

– Não, vou embora mesmo. – Hayner olhava para seu ovo. – Depois eu te vejo pra você cuidar um pouco do ovo, tá bom? – Viu Seifer confirmar e sair andando.

– Vejo que estão se dando bem. – Naminé falou detrás de Seifer, o rapaz podia ouvir o sorriso sabichão nas palavras da garota.

– Melhor não falar nada sobre isso. – Hayner ajeitou a mochila nas costas. – Tenho mais o que fazer agora.

– Tipo cuidar do seu filho? – Naminé sorriu abertamente, com aquela expressão de quem quer irritar os outros. – Ah, hoje você tem aulas de física com o senhor salva vidas! Cuidado pro seu filho não ver vocês dois fazendo coisas feias, viu? – Os olhos dela brilharam. Hayner queria revidar, mas era a verdade, além de ter que fazer aquele trabalho tinha as aulas, e ainda iam ser na casa do Seifer. Pela primeira vez estava com receio do que poderia acontecer.

– Eu já disse pra parar. – Hayner continua andando, sem mudar o tom neutro de sua voz. – Não é assim.

– Ah, Hayner, não vem com essa. – Naminé andou até a frente de Seifer e cruzou os braços. – Vocês estão tendo essas aulas já faz tempo, estão se dando bem, ele até te chama pra fazer os trabalhos quando você ta sem grupo. – A garota fez uma pausa. –Você está negando.

– E nós não podemos ser amigos? – Hayner se arrependeu do que havia dito, pois Naminé simplesmente caiu na gargalhada. – Naminé, eu tenho que ir agora. – Suspirou, cansado. – Diz pro pessoal que não vou poder ir à lanchonete hoje. – E se despediu da amiga (desde quando as vida de Seifer tinha se revirado tanto que considerava Naminé uma amiga?), antes que ela fizesse algo mais para irritá-lo.

– Se você parar de negar essas coisas vai se sentir muito melhor. – Naminé viu o garoto caminhando lentamente, mas antes que ele fosse embora, ela subiu para a sala de economia doméstica, lá Marluxia esperava sentado em sua mesa, Seifer, não tão inesperadamente sem sua usual touca, estava na frente dele e não parecia muito feliz.

– Vejo que a senhorita chegou. – Marluxia sorriu daquela forma que Naminé odiava. – Eu tenho que tratar de algo com vocês dois. – E aquele sorriso continuou em seu rosto. A garota respirou fundo, antecipando o que estava por vir.

– Encontre outra pessoa. – Seifer disse, cruzando os braços.

– Mas você é um dos melhores na minha aula e o único que deve ter um tempo disponível para.

– Eu já disse que não. – Seifer olhou rapidamente para a garota. –Eu já tenho muita coisa pra fazer.

– Do que vocês estão falando? – Naminé estava mais confusa do que nunca, não sabia por que estava ali, mas os dois pareciam ter falado de algo que a envolvia.

– Estávamos falando que você precisa de uma ajuda em economia doméstica. – Marluxia estava sério agora. – E eu pensei que o Seifer poderia ajudá-la, já que vocês se falam. Mas acho que estava errado. – O professor coçou a parte detrás da cabeça, recostando-se a cadeira. Seifer pareceu alarmado com o que o professor tinha dito, e naquele momento olhava para Naminé como se ela soubesse de um segredo de Estado.

– Não será necessário. – Naminé disse. – Se estou me saindo mal significa que não estou me esforçando o bastante, e se é esse o caso, posso muito bem me empenhar mais. – A garota estava determinada, não queria ajuda de ninguém pra uma aula como aquela. – E o Seifer já tem alguém que precisa mais dele do que eu. – Seifer parecia surpreso com aquilo, até mesmo com a piscadela que Naminé havia lhe mandado em seguida, indicando a cumplicidade. O professor não parecia tão surpreso, nem poderia, já que não sabia das coisas ditas pela aluna ainda parada na porta. – É só isso, professor?

– Sim. Eu gosto da sua iniciativa. – Ele arrumou alguns papeis que estavam jogados sobre a mesa. – Só me prometa que vai melhorar, e que se precisar de ajuda vai me falar. – Naminé concordou. – Tá ok, já podem ir. – Marluxia viu os dois saírem pela porta.

Enquanto andava pelos corredores da escola, Seifer ouvia Naminé falar rapidamente sobre várias coisas, de como ela odiava o professor, do dia na escola, mesmo que Seifer tenha estado na mesma sala o tempo todo, mas enfim Seifer decidiu interrompe-la. – Naminé.

– Sim?

– Você sabia que eu estava na turma o tempo todo? – Seifer a viu confirmar. –Então porque não me disse antes?

– Por que sempre achei que fosse obvio demais. – Ela sorriu. – Você não achou que só ia tirar a touca e eu e o Sora não íamos te reconhecer, né? – Naminé se lembrava que só reconhecera Seifer por causa daquele passeio, mas não ia dizer isso pra ele. – Não precisa se preocupar, eu e o Sora não vamos contar, já que somos só nós dois que fazemos essa aula, ninguém saberá.

– Entendo.

– Eu tenho que ir agora, meu pai quer que eu ajude numas coisas lá em casa. – Ela sorria abertamente. – Ele disse que é sobre uma fruta ou algo do tipo. Enfim, ensine o Hayner direitinho, ok? – Ela mandou mais uma piscadela.

Seifer não entendia aquela garota. Mesmo sabendo que ele era um dois inimigos de Hayner, pelo menos na época em que começaram as aulas, ela conversou com ele e convenceu Sora a fazê-lo também. Os dois eram boas pessoas para se conversar e conviver, embora não se falassem fora das aulas de economia doméstica. Parecia que tudo o que era considerado estranho á alguns meses, estava se tornando normal, sua vida parecia tomar outro rumo, que ele nunca havia imaginado antes. Seifer balançou a cabeça de um lado para o outro, estava pensando demais nesse assunto e tinha que ir pra casa esperar por Hayner.

.OoO

– Vovó! Vovó! – Uma menina pequena, de não mais que cinco anos, pulava de um lado para o outro enquanto chamava a velha mulher.

– Calma. – A mulher acalmou a pequena. – O que foi?

– Tem um carro paladu na fente da casa! – Ela disse. – E tem teis home lá.

–Então nós devemos ir ver o que eles querem, certo? – Ela sorriu para a menina, que concordava com ela. As duas foram juntas para a porta da frente da casa e abriram a porta. A velha mulher mal podia acreditar nos seus olhos.

O carro parado na frente de sua casa era seu segundo filho mais velho, trazendo consigo seu neto e um garoto, mas esse ultimo não lhe importava muito, pois ao vê-los, seus olhos encheram de lágrimas.

– Vó! – Riku praticamente largou sua mala no chão e foi abraçar sua avó, quem não via há muito tempo.

– Riku. – Ela acariciava os cabelos do neto carinhosamente. – Como você cresceu. – A avó logo soltou seu neto e derramou suas lágrimas de felicidade ao ver como havia crescido.

– Mãe. – Xehanort foi até ela e a abraçou.

– Xehanort. – Ela o abraçou, depois o olhou nos olhos e deu um tapa na testa dele. – Como ousa deixar meu neto longe de mim por cinco anos, hein? Como você acha que seu pai ficou?– A avó olhava incrédula pro homem a sua frente.

Enquanto Xehanort se desculpava e continuava a conversar, Sora observava tudo, ele sabia que Riku visitava seus parentes até os dez anos, se lembrava dele saindo de carro durante os feriados, mas de uma hora para outra, ele parou. Nunca soube o porquê, e também nunca quis perguntar.

– Me diga quem é o belo rapaz?

– É o Sora, meu melhor amigo, lembra? – Riku fez um sinal para que o namorado se aproximasse.

– Oh, sim... Como ele cresceu. – A avó olhou atentamente Sora, levantado o rosto dele e virando-o de um lado para o outro com as mãos. – E ficou bonito também.

Sora não conseguiu deixar de rir. Não se lembrava da avó de Riku muito bem, nem mesmo que ela agia daquela forma. – Obrigado.

– Agradeça aos seus pais, que te fizeram. – A avó disse, abrindo mais uma vez seu sorriso.

– Eu que o diga. – Riku não conseguiu segurar.

– Mãe. –Xehanort cruzou os braços, em desaprovação.

– Não posso fazer nada, o meu neto até concordou. – Ela riu daquela forma rouca e gostosa que somente as avós sabem rir, com sua voz gastada pelo tempo, mas ainda firmes para mais. Riku não pode deixar de sentir a nostalgia daquele momento, mas logo se foi, pois seus olhos pousaram na criança que se escondia atrás da saia comprida da avó.

– E quem é essa princesa? – Riku fez seu tom mais simpático e ao se aproximar da garotinha.

– É sua prima. – Ouviu a avó dizer. Riku ficou confuso por um momento, mas não era a toa que não conhecia a prima, ela não devia ter mais que cinco anos. – Vamos, cumprimente seu primo. – A avó a tirou detrás da saia.

– Oi, eu sou Riku. – A menina olhou para trás, praticamente implorando com seus olhos grandes e brilhantes para que sua avó ajudasse. Ela, por sua vez, apenas acenou para que ela prosseguisse.

– Eu sou Olga. –Ela dizia enquanto enrolava as mechas escuras das Maria-Chiquinhas com os indicadores.

– Olá Olga. – Riku acariciou a cabeça da menina, desarrumando a franja curta dela. – Quem é o pai dela?– Perguntou a sua Avó.

– O Curt.

– Sério? – Riku olhou abismado para a menina de cabelos pretos e bochechas rosadas a sua frente. Logo se levantou e foi até a avó, sussurrar algo em seu ouvido. – Ela nãos e parece nada com ele, muito menos com a Galateia.

– Você sabe que eles não podem ter filhos. – A mulher olhou para a menina. – Mas não é assunto pra se falar aqui. – Ela foi até a sobrinha e a pegou no colo. – E então Olga, que tal me ajudar na cozinha? – Assim que a avó disse, a menina balançou os braços alegremente, concordando em seguida. – Seus tios estão lá dentro, melhor irem logo. – E assim, ela foi porta adentro. Xehanort logo fez o mesmo, levando as malas consigo.

– Há quanto tempo não venho aqui. – Riku suspirou. Olhando demoradamente para frente da grande casa. Estava tudo igual ao que se lembrava.

– Você nunca me disse que a casa da sua Avó era tão grande assim. – Sora se sentia quase intimidado pelo tamanho da casa. – Só ela mora aqui?

– Ela comprou essa casa quando meu avô ainda estava vivo, pra fazer uma pousada mesmo, sabe? – Riku foi caminhando até a porta. – Quando meu avô morreu, ela continuou firme e forte. – Ele se virou, sorriu, – Vem, quero que o pessoal te conheça. – e estendeu a mão.

Sora não hesitou em segurar a mão de se namorado, e antes de entrar na casa, sentiu seu coração disparar. Estava tão ansioso, não por ir conhecer os parentes de Riku, mas sim, pela revelação que iam fazer. Segundo Riku, no ultimo dia de toda reunião de família, os adultos e adolescentes se reuniam e contavam sobre as novidades, notícias importantes, esse tipo de coisa. Sora ficava feliz pela decisão feita de contar sobre seu relacionamento, mas era assustador, de certa forma. Sora logo foi acordado de seus devaneios, a voz estridente de uma mulher o fez se assustar.

– Riku! – Uma mulher alta que parecia estar na faixa dos trinta anos o abraçou. – Garoto, como você cresceu! E olha o seu cabelo. –Ela falava rapidamente. – Mal acreditei que era você, se não fosse o Xehanort.

– Oi tia Galateia. – Riku se soltou rapidamente da mulher. – Como andam as coisas?

– Bem, bem. – Ela sorriu, e olhou para Sora. – Seu amigo? – Riku confirmou. – Não sabia que tinha amigos tão bonitos. Cuidado pra Samantha não roubar ele de você.

– Eu não me preocuparia com isso, tia. – Antes que os dois pudessem ir cumprimentar o homem sentando no sofá, a mulher começava a falar sem parar, trocando de assunto rapidamente. – Calma tia, acabamos de chegar. – Galateia se desculpou e deixou que os dois fossem até o homem sentado no sofá, lendo um jornal qualquer. – Tio Curt? – O Homem apenas os observou por cima do jornal, Riku o cumprimentou e apresentou Sora.

– Como tem andado?

–Bem.

Curt apenas balbuciou algo que não foi compreensível, mas a conversa parou e aquela sensação de ar pesado ia tomando o ambiente, fazendo todos ali se sentirem desconfortáveis. Aparentemente Riku e seu tio não se relacionavam tão bem quanto o resto da família.

– Eu vou ver a Olga. – Galateia foi a primeira a sair de lá, aparentemente não gostava daquele clima. Ninguém realmente gostava, mas ela em particular, não aguentava ficar em um lugar com aquele tipo de atmosfera tensa.

– Melhor irmos até o meu quarto. – Riku puxou Sora pelo braço, levando-o escadas acima.

– Você tem seu próprio quarto aqui? – Sora disse, incrédulo.

–Sim, como todos os da família. – Riku ia subindo a escada rapidamente. – Minha avó sempre deixou quartos separados para nós, já que a pensão é grande. – Sorriu. – Como éramos sempre eu e meu tio que vínhamos, o quarto dele ficava fechado e dormíamos no mesmo quarto.

– Entendo. – Sora apenas se deixou levar até a porta no fim do corredor. Ao abrir a porta, via-se um quarto não muito grande, com duas camas e uma cômoda, suas malas já estavam lá. Algo bem simples, que trazia um aconchego gostoso. Sora riu ao ver Riku se jogar na cama de forma cansada, pelo tanto que haviam viajado naquele dia não duvidaria se o namorado dormisse ali mesmo.

– Acho que vou dormir aqui mesmo, me acorde só às duas da tarde. – Riku se acomodou nos travesseiros, suspirando lentamente.

Sora logo se deitou na sua cama também, olhando pára o teto. Espreguiçou-se gostosamente na cama, desarrumando os lençóis, com os olhos fechados, continuou naquela posição por alguns minutos.

– Você sabe onde foi parar nosso "filho"?

A voz veio em seu ouvido, suave, lhe fazendo cócegas. Sora se sobressaltou, lembrando o ovo que carregava a tiracolo á alguns minutos atrás. – Onde foi que eu deixei? – Sora olhou pelo quarto, desesperado atrás do ovo.

– Sora.

– O que? – Sora viu Riku segurando o ovo em sua mão, suspirou aliviado.

– Você seria um péssimo pai. – Riku sorriu, debochando do namorado.

– Você também. – Sora fez um bico, inchando as bochechas. – Devolve aqui, que você vai deixar cair. – Antes que pudesse pegar o objeto que lhe preocupava tanto, Sora foi abraçado por Riku.

– Estou tão cansado que mal consigo ficam em pé. –Riku "caiu" sobre Sora.

– Estamos na casa da sua avó. – Sora disse, suportando o peso de Riku.

– Só um pouco. –Riku apertou mais o abraço. Sora suspirou, sentindo-se derrotado pelo pedido feito por Riku e apenas aproveitou o momento.

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– Sim, entendo... Uma festa? Pra que? – Leon andava de um lado para o outro da sala, enquanto falava com sua supervisora ao telefone. – Espera, eu? Mas eu sou só... – Ouviu a ultima frase da mulher – Sim, levarei alguém comigo. Ok... Até mais. – E desligou.

Suspirou copiosamente, aquela mulher queria deixar ele louco, só podia. O motivo? Em dois dias, o Rei iria visitar Hollow Bastion para ter uma conversa com o comitê de restauração e sua supervisora resolveu que fariam uma festa de boas vindas ao Rei. E ela queria que Leon fosse junto, já que segundo ela, Leon era "Um dos poucos primeiros funcionários que ainda trabalhavam ali.". O outro funcionário que estava ali desde o começo era Yuffie, a ninja aceitaria o convite para a festa com toda a certeza. Para Leon, seria muito melhor a forma mais discreta o possível, mas faria o quê?

Massageou suas têmporas e voltou para seu lugar de trabalho, praticamente se jogando na cadeira. Pensando em como ainda era obrigado a preencher formulários sendo funcionário daquele lugar desde sempre? Era um mistério, até para si próprio.

Teria que convidar alguém para ir para aquele baile. O certo seria escolher algum familiar, mas Sora estava fora, não faria mal nenhum chamar Cloud. Enquanto mexia em vários papeis sobre sua mesa, Leon pensou na possibilidade de conhecer o Rei, o famoso Mickey, ainda na companhia de Cloud.

Sorriu de forma boba.

– Pelo visto, recebeu as boas noticias. – Yuffie passou atrás de Leon. – Vai levar o Sora?

– Ele está fora da cidade. –Leon se ajeitou na cadeira. – Vou levar o Cloud, se ele concordar.

– Que romântico. – Ela falou com a voz de uma sonhadora. Leon não pode fazer mais nada, alem de soltar um riso abafado. Não sabia como ser romântico.

.OO.O

Hayner mal havia visto a hora passar, dentro daquele quarto o tempo voou, parecendo as horas que ficou estudando no quarto de Seifer, serem meros minutos.

– E a altura máxima que esse objeto vai alcançar é?– Seifer dizia, enquanto olhava para uma revista em quadrinhos qualquer.

Após um tempo fazendo números e completando fórmulas, Hayner pode responder: – cinco metros. – Ele olhou apreensivo para Seifer, que por sua vez, foi até Hayner, leu seus cálculos e confirmou a resposta certa.

– Parabéns. –Sorriu.

– Nem acredito que consegui. – Hayner suspirou aliviado. Conseguira, pela primeira vez no ano, fazer uma conta por si só, sem nenhum ajuda de Seifer. – Foi graças a você, Seifer. Valeu mesmo.

– É minha obrigação. Afinal, sou bom com matemática, física... Devem ser as únicas matérias em que sou bom mesmo. –Seifer sorriu de forma debochada. Não pode deixar de notar o céu ficando escuro e as estrelas aparecendo por detrás da janela. – É melhor você ir. – E apontou para a janela atrás de Hayner.

– É mesmo. – Estava ficando tarde e Hayner não morava exatamente perto da casa de Seifer, seria melhor ir naquele momento, já que ainda não era tão tarde assim. Seifer se levantou de sua cama e começou a pegar os livros jogados por ali, devolveu os que eram de Hayner e guardou o resto na estante.

– Você fica com o ovo hoje, ou é melhor eu ficar com ele? – Seifer perguntou, enquanto procurava as chaves da casa, jogadas em algum lugar da sua escrivaninha.

– Eu fico, amanhã você pode pegar ele. – Hayner olhou para o ovo com olhos esbugalhados feito de caneta permanente. "Eu não tenho olhos assim, nem ferrando." Pensou.

– Achei. –Seifer mostrou as chaves. Com isso, ambos desceram as escadas, e na porta se despediram. – Até amanhã.

– Até. – Antes de ir embora, Hayner olhou mais uma vez para Seifer. O rapaz já estava fechando a porta da casa e não prestava atenção nele mais. Hayner suspirou e começou sua caminhada para casa, perdendo-se em seus pensamentos.

Mal acreditava que conseguiu fazer uma daquelas coisas, que todos chamam de contas de física, sozinho. Com um pouco mais de treino, conseguiria entender tudo sozinho e não precisaria mais fazer reforço e não precisaria encontrar Seifer depois das aulas. Não precisariam mais se ver. Por um momento, Hayner sentiu medo do que aquilo significaria na vida dele.

"Não é como se não fossemos nos ver em outros lugares, mas..." Suspirou. Pelo menos todos os professores ainda os abrigariam a fazer qualquer tarefa juntos. Mas estava certo pensar daquela forma? Sempre se odiaram tanto, mas já fazia tanto tempo que não dava – ou recebia – qualquer tipo de agressão. Aquilo estava enchendo sua cabeça nas ultimas semanas, deixar de pensar em Seifer se tornou difícil para ele. Balançou a cabeça de um lado para o outro. Não era hora de pensar naquilo, ele tinha que voltar para casa, onde poderia descansa do longo dia que teve.

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A madeira das escadas parecia que iam quebrar quando os dois garotos as desceram correndo. Apesar de se preocupar com a casa velha, a avó ficava feliz de ouvir as pessoas andando pelas escadas e seus corredores antigos, já que não se acostumara a viver sozinha.

– Vovó? – Olga disse sonolenta.

– Sim.

poque meu pai non gosta do Primo? – A menina balançava os pés para frente e para trás.

– Por que você acha isso, querida? – A Avó não se virou, apenas esperou que a menina respondesse.

Poque ele não fala com ele e sempe fica com atela cara de mau.

– Cara de mau? – Ela se virou, esperando uma explicação para a "cara de mau". Olga simplesmente inchou as bochechas e fez um bico com a boca, suas sobrancelhas franziram de forma engraçadinha. – Querida... – A avó disse entre os poucos risos que sua voz permitia – Esses assuntos não são para crianças. – Ela acariciou os cabelos negros da menina. – Não quer ver se seu primo quer brincar com você?

– Ele sabe brincar?

– Sabe. –Ela sorriu. – Sabe em qual jogo ele é o melhor? – A menina negou, obviamente. – Esconde-esconde.

– Sério? – Os olhos da garotinha brilharam ao ver a avó confirmar.

– Se conseguir vencer ele nesse jogo, pode escolher a sobremesa de hoje. – Antes que a Mulher pudesse dizer mais alguma coisa, a garotinha já estava correndo a procura de seu primo mais velho.

Galateia olhava para a TV, alguma noticia sobre a visita do Rei à Hollow Bastion, mas estava muito mais entretida com os dois garotos de chegavam a sala, conversando alto e som seus belos sorrisos no rosto. Não se lembrava de ver Riku com um sorriso tão belo e sincero em, tanto tempo, sentia-se feliz por poder ver aquilo. Pensou em falar com ele, mas antes que o fizesse, viu uma garotinha correr como um foguete na direção do sobrinho e pular, derrubando-o no chão.

– Riku! Brinca de esconte-esconte! – Ela dizia animada.

– Calma Olga. – Riku a colocou no chão.

Brinca! – Ela puxou a mão do primo. Riku olhou para Sora, que riu com a situação, e olhou para sua tia, que parecia lhe dar permissão para que brincassem.

– Ok, eu brinco com você. – Ele bagunçou as mechas da franja da garota. – Você conta primeiro, ta? – Ela concordou. – Pode começar. – Riku sorriu para a prima.

A garotinha encostou a testa na parede e envolveu a cabeça com os braços, limitando a visão. Assim que terminou a contagem, Riku não estava mais ali, então, Olga abriu um sorriso e pôs-se a procurar. Sora ria da forma que a garota procurava por Riku, com todo aquele jeito desajeitado que toda criança tem para andar. Quando ela terminou de ver em todos os lugares que ela achava possível de se esconder, foi correndo pelo corredor.

– Ela já foi. – Galateia falou em um tom que apenas as pessoas da sala pudessem ouvir. Riku saiu de detrás do sofá, conferindo o local. – Daqui a pouco ela se cansa e vai dormir.

– Eu não duvido, eu já to quase dormindo aqui. – Riku sentou-se no sofá, enquanto olhava as noticias na televisão. – O Leon não trabalha no comitê de Hollow Bastion, Sora?

Sora apenas concordou com a cabeça. – Acho que essa visita do Rei pegou todos de surpresa. –Antes que o silencio tomasse conta da sala, ouviu-se uma buzina ser tocada repetidas vezes.

– Deve ser o Filipe.

Por um tempo, a Tv foi a única coisa que fez algum barulho, e naqueles momentos, Sora pode sentir um desconforto, do tipo que se sente apenas quando não se pertence à um local, daquele em que se começa a prestar atenção até em como suas pernas estão posicionadas, perguntou-se várias vezes se aquela sensação era normal, ou se realmente não pertencesse aquele lugar.

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A pequena casa cor de terra se destacava das outras, mesmo em um horário como aquele, em que tudo parecia ter a mesma cor, com sua mureta cercando-a e impedindo que seu mais novo animal de estimação corresse livremente pela rua. Hayner sentiu-se menos cansado quando viu sua casa, abriu um pequeno sorriso, pois hoje não estariam apenas ele e seu pai em casa; finalmente poderia ver sua mãe depois de muitas noites de horas-extras que ela fizera.

Talvez por isso Hayner não esperasse ouvir a voz fria de seus pais conversando de forma tão impessoal.

– Você realmente acha que não tem volta? – era a voz de Bastian. – Não posso acreditar que chegamos a esse ponto.

– Eu sei. – Mesmo calma, a voz da mãe de Hayner parecia tensa. – Mas essa é a única solução que temos. – Um suspiro. – Depois de quinze anos, não da mais. Eu disse que não daria certo.

E um silêncio.

– Mesmo me esforçando pra que tudo desse certo... Vejo que não consegui.

– Não tinha o que dar certo, Bastian. – Passos no assoalho de madeira. – Só... Não era pra ser.

– Se casar por causa da sua gravidez foi tão errado assim? – A voz de Bastian parecia mais triste que nunca.

– O Hayner é a coisa mais preciosa que eu tenho, você sabe que eu não mudaria nada. Mas se divorciar é o certo a se fazer, antes que as coisas comecem a sair de controle.

– As coisas já saíram do controle. – um baque abafado. – Sabe o quão frustrante é isso?

– Frustrante? – Uma risada. –Sabe o que é frustrante? Ter que mentir pro meu filho, dizendo que estou feliz vivendo aqui, eu quase não saber nada sobre ele, porque eu fico o dia todo fora para não ter que chegar a minha casa e ficar brigando com você. – ela já estava quase gritando. – Frustrante é ver o tanto que me esforcei pra manter a minha carreira e continuar presente aqui, junto de você e do Hayner, mas por mais que eu tentasse você parecia nunca valorizar isso.

– Você nunca esteve presente depois que o Hayner começou a andar! – o som de algo se arrastando, a cadeira talvez. – Nunca prestou atenção nas coisas que ele fez ou o que se esforçou pra conseguir. Os únicos momentos em que você estava lá era para repreendê-lo.

– Você queria que eu estivesse o tempo todo com ele como, se sou eu quem mantém essa casa? –pareceu dizer entre os dentes. – Você nunca se incomodou em sair e procurar algo que pudesse pelo menos me ajudar a pagar algo. Não, afinal, o seu sonho é ser escritor!

– Desculpe senhora "eu acho seu trabalho de escritor idiota", nem todo mundo pode ser um advogado. Pelo menos eu tenho algo do que me orgulhar! Eu escolhi o que eu queria fazer e consegui o meu objetivo! Eu tomei atitude e, desde o começo disse que ficaria do seu lado o tempo todo, eu até decidi me casar com você. – A respiração rápida e forte de Bastian pareceu como a de um animal enraivecido. – Agora, Annie, se você não estava feliz com isso, deveria ter me dito desde o começo.

Mais um silêncio, dessa vez por muito mais tempo. O som de um suspiro pareceu flutuar pelo ar, muito embora não amenizasse o clima tenso da situação.

– Como vamos contar para Hayner? Ele deve achar que ainda estamos felizes juntos.

– Ele já deve saber. Meu filho não é tão burro assim. – Annie disse. – Falaremos com ele quando chegar. – Hayner mal se moveu, sua cabeça tinha muita coisa, não sabia como interpretar tudo aquilo, não queria ouvir mais, não queria estar ali, então abriu a porta e correu. Não sabia para onde iria, só queria estar longe dali, queria pensar no que estava acontecendo.

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Cloud já havia chegado a sua casa, cansado por seu dia no comitê de restauração, ainda se perguntava como um negocio que era tão pequeno a dois anos atrás foi se tornar algo tão grandioso a ponto de receber o Rei Mickey. Deitado em seu sofá e esperando que seu irmãozinho chegasse, Cloud apenas fechou os olhos e girou o corpo para ficar de lado, precisava de pelo menos um descanso rápido.

Uma pena que seu celular, com um toque bem alto, diga-se de passagem, o fez levantar antes mesmo de bocejar de sono. Sem sair do sofá, alcançou o celular na mesa de centro de sua sala e o atendeu.

– Alô... – Disse com sua voz sonolenta.

– Cloud, sou eu, Leon.

–Oi Leon. Tudo bem?

– Sim. – O rapaz parecia animado, de certa forma. – Você tem alguma coisa marcada para domingo?

Cloud estranhou a pergunta, mas respondeu. – Não.

– Você sabe sobre a festa que vai ter para o Rei, certo? – Cloud afirmou. – A chefe pediu para que chamássemos alguém da família, eu pensei primeiro no Sora, mas ele está fora da cidade. Então, quer ir comigo?

Cloud demorou pra entender o significado completo daquela frase. Levantou-se de supetão. – O que? – Foi o que conseguiu dizer. Nunca pensou em ir sequer numa festa realmente importante, grande, com pessoas importantes, não que fosse relevante pra sua vida, mas aquilo era diferente.

– É, eu queria que você fosse comigo. Mesmo se o Sora estivesse aqui, não acho que ele iria pra uma festa assim. – um suspiro.

– Claro que eu vou com você. Eu posso deixar o Roxas cuidando de tudo – O barulho da porta abrindo o distraiu por um momento, era Roxas. – e falando nele, acabou de chegar. – Olhou para trás, vendo o irmão acenar para ele e jogar a mochila ao seu lado, mesmo olhando-o só de relance, Cloud conseguiu ver uma marca em seu pescoço. – Eu te ligo mais tarde, ok? – E desligou.

– Falando com quem? –Roxas caminhou até a cozinha e abriu a geladeira, apenas olhando o que tinha dentro dela.

– Leon. – Cloud se levantou e se aproximou do irmão, mas não ficando muito perto e o observou. Roxas andava de um lado para o outro da cozinha, ajeitando a gola de sua gola cada vez que ela ameaçava descer. – O que houve no seu pescoço? – Viu Roxas se fazer de desentendido. – Não mente pra mim, sabe que pode falar de tudo o que quiser comigo.

Roxas olhou para o chão. Sabia como seu irmão reagiria a tudo aquilo. Como ele poderia falar de namorar um cara, ainda mais velho que ele. Se perguntou se Cloud entenderia, não sabendo que seu irmão tinha um segredo como o dele.

– Não deve ser nada demais. – Roxas foi até a geladeira e através da superfície espelhada conseguiu ver a marca obvia do chupão, quase descoberta com a gola. – Eu... Não sei o que é. – Disse, tentando ser firme em sua mentira, mesmo sabendo que seu irmão descobriria.

– Mesmo? – Cloud ainda olhava para ele, conseguia enxergar o rosto nervoso de Roxas. Sabia que ele estava mentindo e não gostava disso, – Tudo bem. – mas tinha um palpite do que ele estava escondendo. – Quando estiver pronto, me conte. – Observou o irmão por mais tempo.

Roxas encostou a testa na porta de geladeira, suspirando. Sabia o que tinha que fazer, mas não era o momento ainda. – ok. – Suspirou e foi andando para o quarto.

.OoO

Hayner não aguentava correr mais, sentia a ardência em seus pulmões e seus dentes doerem, parou e começou a pegar fôlego, olhou ao seu redor. Não sabia que lugar era aquele. Apesar de saber andar um pouco por Hollow Bastion, nunca havia passado por certos bairros, como toda pessoa, apenas conhecia o bastante para não se perder no seu caminho normal e os lugares aonde ia para se divertir com seus amigos.

Olhou o nome das ruas próximas, realmente estava perdido, mal tinha prestado atenção de como chegara ali, e tudo parecia meio deserto, estava ferrado. Olhou mais para frente e viu uma praça pequena, caminhou até lá e se sentou em um dos longos bancos. Em sua cabeça ainda estava tudo o que seus pais falaram e as coisas que não sabia.

Se divorciar? Desde quando estavam se dando tão mal? Era sua culpa? Aquela situação era tão estranha, tão triste. Apoiou os pés no assento do banco e abraçou seus joelhos, sentia que tinha que falar com alguém, não conseguia manter aquilo só com ele.

Sacou o celular e olhou a listas de contatos. Ficou olhando para um dos mais recentes, o de Seifer. Trocaram os números caso acontecesse algo enquanto estavam fazendo um trabalho houvesse como avisar. Hesitou em fazer a ligação, mas já não ligava com quem fosse só precisava ver alguém, e no fundo, queria que fosse ele. Tomou coragem e discou o número.

– Seifer? – A voz saiu mais tremida que o normal.

Hayner? Aconteceu algo? – Seifer foi direto ao ponto, sabendo que poderia só poderia se tratar de algo importante.

– Eu... To perdido. – Sentiu uma lágrima rolar em seu rosto, Hayner a limpou rápido e falou o mais firme que pode. – Pode vir aqui?

Cara, como você fez isso? – Não houve resposta. – Você não pode pedir pra outra pessoa? Eu preciso ficar em casa, sabe?

– Não, tudo bem. – Hayner suspirou. – Eu não sei por que liguei pra você. Vou desligar... Até amanhã.

Onde você está? – Seifer falou antes que Hayner tirasse o celular de perto da orelha. – Dependendo de onde estiver, posso ir te buscar. – Hayner sorriu de uma forma boba e disse o nome das ruas e onde estava sentado. – É perto... Eu to indo, não sai daí.

Levaram alguns minutos para que Seifer chegasse à praça, estava arfando, provavelmente correra até ali. Avistou Hayner de longe, abraçando os joelhos, com o rosto escondido entre os braços. Ele sabia que Hayner não estava só perdido, se fosse assim não teria ligado pra ele. Mas o que poderia ser e porque chamá-lo?

– Hayner! – A voz familiar correu por seus ouvidos. Hayner o olhou por instantes, e tomado por um impulso, que não fazia idéia de onde vinha, correu até ele e o abraçou. Sem falar nada, continuou ali, não se importando com nada.

Seifer viu que não havia o que fazer, apenas afagou o cabelo de Hayner, se perguntando quando tinham ficado tão próximos para que aquilo nem parecesse mais algo de outro mundo. – Que tal se a gente sentar e então você me conta o que aconteceu? –Hayner concordou balançando a cabeça. Depois que voltaram para o banco, Seifer pediu para que Hayner falasse.

– Meus pais... Eles vão se divorciar. – Hayner olhava para baixo. Sabia que agora parecia um idiota, falando sobre a vida com a pessoa que mais odiava, ou pelo menos era isso que achava. – O pior é que eles nem me contaram, eu os ouvi falando. Nem isso, eles estavam gritando já. – passou a mão pelos cabelos já desarrumados.

–É por isso que está tão triste?

– Sim. – Hayner levantou o rosto. – Eu não sabia que as coisas estavam ruins. Nem fazia idéia, foi de repente.

– Cara, como você não pode ter percebido? Pelo que eu sei, as pessoas se divorciam só quando não conseguem mais aguentar umas as outras.

– Eu sei. – Hayner encostou o as bochechas nas palmas das mãos. – Mas quase nunca vejo minha mãe, ela ta sempre trabalhando e meu pai nunca fala sobre essas coisas. Eu to me sentindo mal por isso, por achar que as coisas estavam indo bem, quando a verdade é o contrário. –mordeu o lábio, sentindo sua respiração aumentar.

Seifer não sabia como lidar com a situação, mas queria tentar. – Você esta velho demais pra eu ficar dizendo que não é sua culpa que eles vão se divorciar, não é? – Viu Hayner sorrir rapidamente. – Minha mãe sempre diz que os erros que os adultos fazem não têm nada a ver com as crianças. – Por mais que os dois fossem os únicos a fazer qualquer tipo de barulho naquela praça, Hayner pareceu não ouvir, talvez ignorasse Seifer. – Eu realmente não sei por que você está tão triste. Você ainda vai ter um pai e uma mãe.

–O que você quer dizer? – Uma brisa fria passou por eles e enquanto passava as mãos nos braços, tentando inutilmente fazê-los se esquentar, Hayner ouviu a resposta.

– Eu não conheço os meus pais. – Seifer não fez cerimônia, nunca se sentira complexado ou coisa do tipo em falar sobre o assunto, na verdade, por não conhecê-los se sentia livre para falar sobre aquilo. – Eu sou adotado.

Hayner não sabia como reagir, sabia que Seifer vivia com a mãe dele apenas, mas não fazia idéia de que Seifer tinha sido adotado, talvez se tivesse conhecido a mãe do rapaz pudesse suspeitar de algo. – Eu não sabia.

– Seria estranho se soubesse. – Seifer lhe sorriu. – Eu não falo disso com muita gente, mas não é como se fosse uma coisa de outro mundo.

– Mas claro que é. –Hayner tinha a voz chorosa, se irritava com isso, mas não era o momento certo para aquilo. – Você não se sente... Sei lá. Sozinho, com raiva ou coisa do tipo?

– Não. – Seifer olhou para cima. A noite na cidade não era a das mais bonitas, pra se falar a verdade, aquele céu que mal se podia ver as estrelas não trazia nenhuma beleza, apenas aquela cor avermelhada causada pelas luzes artificiais e pela poluição. – Eu tenho uma mãe que cuidou de mim o tempo todo. E eu não sei o que meus pais passaram, não sei se me abandonar foi por vontade própria ou se eles não puderam cuidar de mim. – Seifer finalmente abaixou a cabeça para olhar para Hayner. – Não é grande coisa. – Hayner o encarava, suas bochechas estavam vermelhas e seu olhar difícil de decifrar. –O que foi?

– Nada. – Hayner olhou para o lado. – É só que depois de me dizer isso, acho que meu caso não é tão grave quanto pensei que era.

– Não. Eu nunca vi meus pais, por isso fico normal com toda a situação, mas você conviveu com os seus o tempo todo.

– Vê-los se separar dói muito. – Hayner suspirou mais uma vez e passou os dedos pela testa.

– Não posso te entender, mas... – Seifer não sabia –na verdade se recusava– como dizer as coisas que vinham na sua mente. Não sabia nem por que tinha se dado o trabalho de ir até lá, ele e Hayner não eram amigos, e para ele seria muito dizer que são, no máximo, colegas de sala. Mas algo dentro dele dizia que aquelas palavras precisavam ser ditas, expressadas, da forma que fosse. Pois agora, Seifer parecia se importar. – Pro que precisar... – Coçou a nuca, tentando achar um jeito de fazer as coisas parecerem menos vergonhosas para si.

– Obrigado, Seifer. – Aquele olhar o tirou dos eixos, era diferente do de momentos atrás. O olhar de Hayner era o de uma pessoa agradecida, até mesmo o sorriso dolorido parecia encantar aquele começo de noite tão feio.

–N... Não foi nada. – Seifer não conseguia olhar para outra coisa, só conseguia ver a tristeza de Hayner, acariciou a bochecha de Hayner, vendo que o outro não recusara o toque, Seifer escorregou a mão até o queixo do rapaz e o segurou levemente. – Só me diga que não vai mais ficar triste.

– Seifer, o que..? – Hayner sentiu o coração bater forte.

–Eu estou aqui com você. – Seifer se aproximou, hesitante, tremulo, mas terminou o que devia ter feito a muito tempo.

Não havia como explicar o que foi aquele beijo, foi simplesmente tudo o que deveria ser para aqueles dois, ali no meio de uma praça e num horrível começo de noite. Acolhedor, simples, uma ação de conforto e uma confissão. Ao se separar, mantiveram os rostos próximos, sentindo o calor um do outro, sem pensar em nada por instantes.

Quando Seifer percebeu o que foi aquele beijo, voltou a prestar atenção na pessoa a sua frente. – Hayner...

Hayner ainda não conseguira associar os acontecimentos, apenas olhou para Seifer com seu olhar preocupado no rosto. Porque aquela reação dele se o beijo tinha sido tão bom? Piscou duas vezes antes de examinar melhor seu pensamento. Ele, Hayner, tinha gostado de um beijo do seu (ex?)rival e no máximo colega de turma, Seifer?

– Hayner, eu e você... –Seifer gesticulava enquanto tudo o que fizera há poucos minutos estava sendo processado da melhor forma possível na sua cabeça.

– Seifer. – Hayner sentiu a respiração aumentar de velocidade. – vamos falar disso depois. Só me ajuda a chegar em casa. – Hayner virou o rosto e, ainda tentando aquecer os ombros, esperou que Seifer falasse algo.

Nada.

Não que Seifer não tivesse o que falar apenas a situação não parecia ideal. Então, ele apenas levantou-se e começou a andar, esperando que Hayner o seguisse e não demorou muito para que isso acontecesse.

Enquanto andavam pelas ruas desertas daquele bairro, o silêncio fazia parecer que ambos estavam a reinos de distancia. Mesmo quando chegaram ao destino, Hayner apenas conseguiu dizer um "obrigado" e mal se despediu. Mas por mais que toda aquela situação fosse estranha, Hayner estava se sentindo melhor, pois alguém o havia ajudado de alguma forma e mesmo que não estivesse pronto para tudo o que estava por vir, sabia que o que iria enfrentar talvez não fosse tão ruim.

Ao abrir a porta, Hayner viu o olhar preocupado de seus pais, os pedidos de explicação por causa de sua demora; inventou alguma desculpa sobre a lição, esperando que ao final da explicação eles começassem a falar o que estaria prestes a passar. Mas nada sobre o assunto foi dito naquela noite e Hayner não sabia dizer se foi algo que eles concordaram em dizer num outro momento ou qualquer outra conclusão que chegaram. Pelo menos poderia descansar aquela noite, ter um jantar calmo com seus pais, "talvez o ultimo...", pensou.

.OoO

O jantar já havia acabado à meia hora, Sora tinha se divertido ao ver a tia Galateia colocando conversa em dia com Xehanort e Riku, com Olga se atrapalhando pra pegar os talheres e como a avó se dedicava em cuidar para que a menina não se sujasse ou até mesmo fizesse uma bagunça com a sobremesa.

Não passou muito tempo depois disso para que Sora fosse para o quarto onde ele e Riku estavam para tomar banho, já não se aguentava mais e precisava dormir. Assim que chegou ao seu quarto, pegou suas coisas e entrou no chuveiro. Sentiu-se relaxado, a água quente parecia levar todo seu cansaço embora.

– Sora? – A voz abafada de Riku veio detrás da porta. – Ta no banho? – Riku entrou pela porta, se encostou a parede e ficou vendo apenas o desenho borrado do corpo de Sora pelo vidro cheio de ranhuras do Box.

–Riku... –Sora abriu a porta do Box e olhou para o namorado. – Sério que você vai ficar me olhando tomar banho?

– Se você quiser, eu posso parar. – Sora tinha um daqueles olhares que dizia tudo. – Mas, em troca, terei que me juntar a você. – Então Riku simplesmente foi se despindo, ficando com sua cueca apenas.

– Não! – Sora puxou a toalha rapidamente e se cobriu. – Ou sou eu que tomo banho ou é você. – O rapaz abriu toda a porta do Box sem ao menos desligar o chuveiro, mas antes mesmo que pudesse sair, viu Riku impedir a passagem.

– Não pense que vou te deixar ir assim. – Riku pegou Sora pela cintura e o beijou.

– Riku. – Sora não conseguia afastar Riku, não que as caricias e os beijos que ele dava em seu pescoço naquele momento não o agradassem. – A gente ta na casa da sua avó...

–Mas a gente está no nosso quarto, e com o pessoal chegando, vai ficar muito mais difícil pra nos dois. – Riku o beijou de novo. – E não estamos fazendo nada demais.

– Claro, você só de cueca e eu de toalha embaixo do chuveiro não é nada suspeito. – Sora abraçou Riku, se esquecendo por um momento, que estava só de toalha.

– Ninguém vai vir. As pessoas chegam mesmo amanhã, mas quero aproveitar pelo menos que agora a gente pode ficar sossegado. – Riku o beijou novamente, desta vez o pegando no colo. Sora num impulso enlaçou a cintura do namorado com as pernas.

Devia estar ficando louco, sabia o quanto o namorado estava "eriçado" nesses dias, mas não conseguia negar nada a ele. Sentiu o chupão que Riku lhe dera em seguida e gemeu baixo. Sentiu os chupões que se seguiam, marcando sua pele, fazendo seus pelos se arrepiarem.

Riku não conseguiu se controlar e trouxe o namorado mais para perto, sentindo o corpo magro, mas que amava tanto, encostar a pele ainda molhada nele. Ainda o beijava, não sabia muito que fazer, na verdade, mas queria simplesmente beijar cada parte do corpo de Sora, fazê-lo seu.

Num momento de sanidade, Sora se lembrou onde estavam e o que estavam fazendo, num movimento afastou Riku. – Riku, você sabe onde estamos. Vamos parar ok? – Viu o namorado o olhar, nada satisfeito, mas logo se afastar.

– Ok, ok. – Beijou a testa dele e colocou Sora no chão. – Agora sou eu quem precisa de um banho. E frio. – Sora ficou vermelho ao entender o que Riku queria dizer, afinal ele também havia se "animado" com aquilo, teria que arranjar uma forma de se acalmar. Respirou fundo e foi para o quarto se trocar.

Enquanto colocava a calça, pode ouvir Olga correndo pelos corredores do andar debaixo anunciando que mais convidados haviam chegado. Perguntava-se como eram os outros membros da família de Riku, e esperava que se conseguisse ao menos ter uma conversa decente com um deles. Braços o envolveram de forma carinhosa. – Riku. – Sentiu o rubor em suas bochechas, mas não ligou muito para isso.

– Você ta pensativo. – Riku beijou a bochecha do namorado. – O que houve?

Sora suspirou, cansado. – Não sei se o pessoal da sua família gosta de mim. – Fechou os olhos e encostou a cabeça no peito de Riku.

– Como eles podem não gostar de você? – Acariciou os fios castanhos. – Você é corajoso, gentil, compreensivo, divertido. – Riku o desencostou de seu peito e se sentou na frente de Sora, olhando-o carinhosamente. – É bonito... – beijou a testa. – Você é simplesmente perfeito.

.OO.o

No dia seguinte, Hayner acordou com o som de seu celular tocando, o que era estranho, não apenas por seu um fim de semana, mas pelo som não ser o de seu despertador, mas o das mensagens. Ainda cansado e sonolento pelas longas horas de sono pesado, Hayner desbloqueia o celular e lê a mensagem.

De: Seifer

Preciso falar com você

Me encontra hoje as uma perto da torre do comitê.

Hayner se levantou de supetão, o coração acelerando vendo de quem era a mensagem. Ele não estava preparado para aquilo, de forma alguma. Na noite passada ele tinha beijado Seifer. Seifer que o insulta, que briga com ele, o cara que ele não consegue aguentar por mais de cinco minutos. O mesmo Seifer que o ajudou nas aulas de física, que o foi encontrar na noite passada, que o carregou quando ele estava machucado, que era engraçado e compreensivo com os amigos dele. O mesmo que fazia suas bochechas corarem, o coração bater forte como agora e que tinha os lábios tão macios.

"Não." Hayner pensou "Não, não! Eu não vou pensar nisso! Não agora." Decidindo ignorar a mensagem por agora, Hayner se levantou completamente da cama e foi se arrumar para tomar café da manhã, sair de casa e fazer outra coisa que não seja ver o Seifer.

Ao entrar na cozinha, depois de terminar sua rotina matinal, Hayner vê uma cena estranha. Sua mãe estava sentada à mesa, usando roupas suas roupas casuais e com o cabelo solto, – a esta altura ela já deveria estar no trabalho – Do lado dela Bastin estava saboreando seu café em pequenos goles. Ambos pareciam cansados, como se tivesse sidos privados de uma boa noite de sono.

– Bom dia, Hayner. – Bastin fala com um tom cansado e apreensivo. – Se senta, eu vou preparar alguma coisa pra você. – o homem se levantou e tentou dar um sorriso simpático para seu filho, mas falhando. Enquanto o homem se ocupava em pegar tigelas, alimentos e panelas, Annie suspirou exacerbada e revirou os olhos.

– Bom dia, filho. – Annie sorriu também, mas de forma triste. – Eu e seu pai queremos conversar com você sobre um assunto importante. – O barulho da tigela de plástico batendo na pia da cozinha fez com que Annie desviasse o olhar do filho e olhasse para o seu futuro ex-marido. Os ombros dele estavam rígidos e tensos.

– Por Deus, Annie, espera o menino tomar café pelo menos. – Bastin se vira e a encara.

– Ele vai ter que saber isso logo, pra que ficar demorando pra contar? Ele tem o direito de saber isso agora. – Annie encara de volta, sem paciência para mais delongas. Hayner já não era mais uma criança e ele tinha que saber do que ia acontecer com a família dele, quanto mais rápido melhor. – E ele não é mais um menino, ele já tem quinze anos.

– Eu sei que ele tem quinze anos. Diferente de você eu estava aqui no aniversário dele. – Bastin larga a tigela e o batedor na pia, se virando completamente para a mulher dele. Annie se levanta, ergue o queixo e olha para o marido de forma agressiva, que Hayner nunca havia visto antes.

– Você não vai me fazer a vilã dessa história, ta me ouvindo? Eu tenho tanto dire—Annie já começara a elevar o tom de voz. Com o coração batendo forte e o medo gelando seu estomago, Hayner se levanta, arrastando a cadeira e grita.

– PARA! PARA! Eu sei que vocês vão se divorciar! – Quando Hayner termina, ele abre os olhos que ma percebera que tinha fechado, e vê seus pais o olhando boquiabertos. Com os ombros caídos, Hayner puxa a cadeira e se senta novamente. Os dois adultos se olham e voltam a sentar na mesa.

– Desde quando? – Bastin o olha preocupado. Hayner sabia o que o pai escondia atrás daquela expressão. Preocupação de que ele e Annie não haviam sido bons o bastante em esconder, que as discussões que eles provavelmente tinham durante a noite foram altas o suficiente para ele escutar. Que a mentira não tinha sido boa o bastante.

– Ontem... Eu ouvi vocês conversando sobre isso assim que eu voltei das aulas com o Seifer. – Hayner desviou o olhar dos pais, ele sabia que não conseguiria aguentar os dois o olhando com pena e tristeza. – Depois da briga de vocês, eu sai de casa e... – Hayner se lembrou do que ocorrera com Seifer e sentiu as bochechas corarem mais que nunca, balançando a cabeça, ele decide ignorar. Não é o momento de se lembrar disso. – b-bom, não importa. Ontem foi a primeira vez que eu ouvi sobre o divorcio, ou vocês brigando.

– Oh, Hayner. – Bastin falou – Eu não queria que você soubesse assim. – Um suspiro pesaroso percorreu o ar. Annie passa as mãos no rosto e se levanta, andando de um lado para o outro da cozinha, como se ficar sentada a impedisse de pensar direito.

– Hayner... Filho... – Annie morde o lábio inferior. – O que você ouviu ontem?

– O final dela. Sobre como vocês eram infelizes e... porque vocês casaram.

– É que... – Annie passa as mãos no cabelo loiro e curto, se ocupando enquanto ela pensa no que falar em seguida. – Tem tanta coisa pra te falar sobre a gente. Nossa história, minha e do seu pai, é... complicada.

– Eu tenho tempo. – Hayner os olhou e tentou ser forte, ou pelo menos fez com que ele parecesse forte. Ele tinha entrado em muitas brigas em sua vida, fingir que ele era forte que estava tudo bem era fácil para ele. – Podem me contar.

– Nós vamos. A única coisa que eu quero que você saiba é que nada disso é culpa sua. – Bastin pega na mão de Hayner e da um aperto reconfortante. Hayner balança a cabeça afirmativamente e então se prepara para o que estava por vir. Os fatos que mudariam sua vida pra sempre, seja pra bom ou ruim.

O.O

Horas depois, Hayner não sabia como lidar com toda a situação. Ouvira a história de seus pais, sabia por que não havia dado certo, mas mesmo sabendo de tudo, não conseguia deixar de se sentir culpado. Agora, deitado em sua cama, perdido em pensamentos, não parava de pensar em como as coisas seriam dali em diante.

Seus pais não entraram em mínimos detalhes, mas Hayner sabia o básico: A divisão de bens, cada um vive em uma casa e Hayner viaja entre essas duas durante a semana. Com quem ele viveria definitivamente? Quem ele visitaria? Ele não queria sair da escola e se mudar, deixar seus amigos para trás. Não queria deixar de estar aqui para defendê-los, para apoia-los. E Seifer.

Hayner suspira, e se vira, apoiando o lado da cabeça em seu braço. Ele não tinha tempo para pensar em Seifer. Tudo agora estava confuso, e por mais que Hayner queira esclarecer como se sentia e o que o seu inimigo queria conversar, não podia agora. Mesmo que na noite passada, o beijo trocado tenha sido tudo o que Hayner precisava pra se sentir melhor, aquilo era assustador, muito rápido e muito de repente.

Ao ouvir o seu celular vibrar, Hayner o desbloqueia para ver mais uma mensagem de Seifer. Já eram quase duas horas da tarde e Seifer não parou de mandar recados preocupados. A ultima lia:

Você não vem mesmo?

Eu quero falar com você.

"Esse idiota." Hayner morde o lábio, e franze o cenho. "fia me mandando mensagens como se ele se importasse comigo." O celular vibra mais uma vez, seu coração depara e a respiração começa a acelerar.

Estou na porta da sua casa.

Merda. Merda!MERDA! Hayner pula da cama e corre para o andar debaixo, esperando chegar lá antes de um de seus pais, o som do sangue correndo tapava seus ouvidos de qualquer barulho exterior. Ele não ia ter essa conversa dentro de casa agora, não com o clima pesado, não com o Seifer. Antes mesmo de chegar ao meio da escada, Hayner ouve a voz de Seifer, soando mais simpática do que nunca.

– Olá, O Hayner está?

Ao terminar de descer as escadas, Hayner vê sua mãe abrindo mais a porta e olhando para Hayner, desconfiada. – É pra eu deixar essa coisa entrar? – Hayner não consegue não rir com o comentário de sua mãe. Ela sabia muito bem quem Seifer era e porque perguntar se Hayner realmente queria seu dito inimigo dentro de casa.

– Oi. – Seifer acena para Hayner. Ele parecia nervoso, ou talvez intimidado por Annie, não usava o sobretudo, nem a touca e suas bochechas estavam mais rosadas que o normal. Hayner considerou a chance de sua mãe simplesmente bater a porta na cara de Seifer. Seria engraçado, mas não resolveria o problema por muito tempo. Hayner suspira, se sentindo cansado e derrotado.

– Pode deixar. – Hayner vê Seifer entrar pela porta, pela primeira vez na vida com a cabeça baixa e evitando o olhar da mãe de Hayner o Maximo possível. – Mãe, a gente vai conversar no meu quarto, ok? – E Hayner sobe as escadas, apenas esperando que Seifer o seguisse.

– Se eu ouvir um vidro quebrando eu vou, pessoalmente, matar vocês dois.

Hayner revira os olhos, enquanto ele e Seifer andam em silencio. Ao chegar ao seu quarto, Hayner espera Seifer entrar e fecha a porta atrás de si. Não queria que seus pais ouvissem a conversa intima que teria, principalmente se, por alguma chance, o beijo se repetisse. Hayner cora novamente e balança a cabeça, esperando que o outro rapaz não tivesse notado o rubor. Alguns minutos se passaram, os dois se encaravam sem saber o que falar.

– Então, sobre o que você quer conversar? – Hayner pergunta impaciente. Seifer queria falar tanto com ele e agora ficava demorando?

– Sobre ontem. – Seifer nota Hayner pronto para falar algo, mas interfere antes que qualquer coisa os atrapalhasse. – Olha, antes de você começar a negar, e me dizer alguma coisa absurda, que quero que você saiba que eu gostei.

Hayner o olha incrédulo. O que Seifer havia falado? Foi uma alucinação? Isso é um sonho? Pegadinha? Fuu e Rai estavam do lado de fora com uma câmera?

– É zoação?

Agora é Seifer que parecia incrédulo com a reação de Hayner. – Não. – Ele diz indignado. – Não é zoação. .tei. E eu acho que você também gostou. – Hayner ruboriza de tal forma que talvez nunca havia sentido suas bochechas e orelhas queimarem tanto.

– Eu não gostei não! – Hayner fala indignado. – Foi você que veio todo cheio de mão e- e carícias! E depois me b-beijou e falou essas coisas de "eu to com você", como se fosse alguma musica idiota.

– VOCÊ Me ligou! VOCÊ quem me pediu pra ir te buscar! E eu fui! – Seifer mal acreditava no que Hayner estava dizendo.

–Eu estava perdido! Eu precisava de ajuda pra chegar em casa e não de uns amassos! – Hayner abaixa o tom de voz, sabendo que uma gritaria começasse, os dois seriam expulsos. – Você nem precisava ter ido! Você não tem motivo nenhum pra ter ido lá, você me odeia.

– Então você preferia ter tentado algum dos seu amiginhos? Eles nem deviam saber onde você estava naquela hora! Preferia ficar perdido a ter que me beijar?! Sabe o que poderia ter acontecido com você lá? – Seifer se aproxima de Hayner, mas o ultimo se afasta dele e vira o rosto.

– Claro que eu sei, seu idiota! Porque você liga? – Hayner sente Seifer pegar em seu braço e tentar virá-lo, mas não conseguindo.

– Porque eu me importo com você. Porque nos últimos meses você me ajudou a vencer o meu medo de água, você conversou comigo, e se mostrou algo mais do que eu havia visto antes. Você é dedicado, persistente e cabeça dura. Que você faria qualquer coisa por seus amigos. E sabe o pior de tudo?– A voz de Seifer era calma, mas havia um tom de insegurança. Hayner balança a cabeça, não queria saber mais. Não queria ouvir as palavras gentis de Seifer, nem as complicações que elas trariam. Pois se ele ouvisse mais, nada seria o mesmo. – Você, de alguma forma, se tornou parte da minha vida.

– Seifer. – Hayner se vira, sabendo que só poderia falar com ele sobre isso se o olhasse no rosto. – Eu não sei se eu posso ser parte da sua vida.

– mas

– Olha... Meus pais estão se separando, minha mãe provavelmente vai pra longe. Eu não sei nem com quem eu vou ficar! E o beijo. Olha, foi bom, eu gostei. – Hayner já se acostumara com o calor do seu rosto, mas ver os olhos de Seifer acenderem com esperança, o toque do outro rapaz em seu braço. – Mas ta tudo tão bagunçado. Eu não sei como me sentir sobre você. A gente costumava a se odiar, e agora a gente ta parado no meu quarto, falando de um beijo E como a gente se sente sobre isso, e eu simplesmente não sei. – E isso me assusta muito Hayner não disse. Não sabia se era o certo a dizer, ou se ele pareceria uma garota em um filme romântico brega. – Eu não acho que nos últimos meses a gente estava tão ruim, mas ainda assim, não somos nem amigos. Você ainda me xinga e eu ainda te odeio as vezes. Sem falar nas brigas passadas que tivemos. Eu acho que se a gente se odeia tanto, não deveríamos namorar nem nada do tipo. – Sim. Isso seria para o melhor, não? Afinal, eles nem se gostavam. Não de verdade. Eles passaram os últimos meses em paz, mas não era perto do perfeito.

– Olha, tudo isso me confunde também. Eu não sou tão entendido nesse negocio de gostar, e eu também acho que não deveríamos ter um tipo de namoro que vai nos machucar. Eu não gosto de machucar as pessoas que eu a- gosto. –

– Por isso que queria conversar. Eu definitivamente gosto de você, de alguma forma. Eu quero descobrir se é do jeito que eu penso que é ou se o beijo de ontem foi só algo de momento.

– Seifer... –Hayner desvia o olhar. Novamente o coração disparado, as mãos suando. Hayner sabia o que deveria fazer, pois essa duvida estava em seu coração também. Se ele resolvesse isso, se não gostasse de Seifer, os dois voltariam a ser como antes. Simples. – Eu quero descobrir também. – Hayner sorriu envergonhado para Seifer, que também parecia muito ruborizado.

– Que tal se a gente fazer assim: nos beijamos e vemos se é alguma coisa mesmo. – Seifer viu Hayner concordar timidamente. Ao se aproximar, Seifer acaricia o rosto de Hayner.

Seus olhos se encontram e Hayner sente sua respiração ofegar, ficar presa em seus pulmões por segundos. Ele olha para o lado, mordendo seu lábio inferior, suas bochechas queimam com o rubor que apenas ficava mais forte. Seifer desliza a mão para o pescoço de Hayner e o puxa, gentilmente, para perto de si. Seus lábios se tocam, o coração de Hayner bate tão forte que ele não consegue ouvir mais nada.

Seifer passa a mão na cintura de Hayner e puxa seus corpos mais perto, eliminando o espaço entre eles e a cabeça de Hayner gira. Ele só percebe que está com os braços em volta de Seifer porque eles se separam.

–Ei ai? –Seifer pergunta, fazendo círculos na parte baixa das costas de Hayner. O loiro olha para Seifer, seus olhos meio abertos, fitando os lábios rosados do maior.

–Eu... – Hayner não sabia como falar, o que falar então ele fez a única coisa que podia e beijou Seifer. Desta vez era mais profundo, mais certo, como se Hayner finalmente entendesse o que ele queria e Seifer apenas o recebeu e o beijou de volta. Eles não precisavam de palavras, pois naquele momento os dois sabiam o que eles queriam e que aquilo, em meio a todo o resto, era o certo para eles.

Na: Okay, Esse é o ultimo update de City of Lovers. Embora a vontade de reescrever essa fic seja grande, eu não sei se eu conseguiria ou deveria. Enfim, Eu espero que vocês tenham gostado, Não reparem nos erros e na diferença de escrita de uma parte para a outra, fazem anos, afinal.