Capitulo II:

.

Logo que saiu do bar decidiu voltar para casa a pé, assim teria mais tempo para achar uma solução para o seu problema. Por sorte as ruas estavam praticamente desertas, o que era verdadeiramente um milagre para aquele horário e se tratando de uma cidade como Londres.

Um casal passou ao seu lado discutindo.

-Amor, hoje é dia 9 de fevereiro! -Resmungou o homem, deveria ser uma data importante para ele.

A garota pareceu raciocinar um pouco, logo Harry percebeu a face dela se tingir de rosada segundos antes de se jogar nos braços do namorado.

O moreno se afastou deles, lhes dando privacidade, porém antes de se afastar ainda pode ouvir os pedidos de desculpas dela.

Harry riu levemente com a cena dos dois namorados, afinal alguém estava se dando bem naquele dia... Porém seu sorriso se desmanchou ao se recordar do que aquele homem falou, agora entedia o porquê estava tão irritado naquele dia 9 de fevereiro, todo ano se sentia deprimido naquela data, era o dia em que foi traído por Ginevra Molly Weasley!

De repente se viu perdido em meio às lembranças daquela que lhe fez sofrer tanto quanto amar.

Estava novamente naquele lugar, distraído olhando as estrelas de forma intensa, aquela vista incrível era proporcionada apenas em um lugar: na torre de Astronomia. Tinha consciência que a qualquer momento alguém poderia encontrá-lo e provavelmente isto lhe acrescentaria mais uma detenção para sua enorme lista, mas não estava nem um pouco preocupado para o que pudesse acontecer. Afinal tudo o que poderiam fazer era obrigá-lo a passar algumas horas desagradáveis fazendo alguma tarefa inútil, grande coisa.

Não saberia dizer exatamente quando e nem o porquê ultimamente todos seus pensamentos eram voltados para uma única jovem de cabelos flamejantes, essa por sua vez parecia não reparar ou não dava a mínima para os seus olhares.

Se deitou no chão e cruzou os braços em baixo da cabeça.

Como se não bastasse o fato de não ser correspondido, estava apaixonado pela irmã do seu melhor amigo. Você é um grande idiota, Potter!

Gina tinha tido uma apaixonite por ele quando era mais nova, porém ele nunca antes se preocupou em trocar mais do que três palavras com ela. Pelo menos não até vê-la passear de mãos dadas com Dino Thomas, companheiro de dormitório.

Ao lembrar das mãos dos dois entrelaçadas sentia o sangue ferver e sua visão ficar um pouco turva, se o colega grifinório soubesse a raiva que estava sentindo iria começar a dormir de olhos bem abertos!

Passaram-se minutos, horas, e continuou deitado no chão daquela sala deserta. Pelo menos naquele lugar poderia fingir não ser Harry Potter e se lamentar como um garoto qualquer por ter perdido a garota. Só gostaria de ter certeza que Dino soubesse o quanto especial aquela ruiva poderia ser, mesmo com todo aquele temperamento. Gina era perfeita aos seus olhos, desde seu sorriso meigo aos socos e tapas que distribuía quando irritada.

Viu as nuvens começarem a mudar de tonalidade e aquilo o preocupou, Hermione provavelmente comeria o seu fígado!

Pensando nisso que se virou para sair mas parou surpreso ao perceber que a grande dona de seus pensamentos estava ali, saindo discretamente.

Sem se conter um genuíno sorriso da felicidade correu até ela lhe segurando o cotovelo.

-Meu Merlin! –Ela exclamou arregalando os olhos castanhos, para Harry ela estava encantadora. - Assim você me mata de susto!

Ela riu, porém não conseguiu ocultar o nervosismo.

Harry ao vê-la rir não conteve o enorme sorriso nos lábios, talvez fosse impressão dele, mas ela parecia ter corado um pouco.

-Por que veio aqui? -Perguntou esperançoso.

Dessa vez era inegável que ela estava envergonhada, sua face estava tão vermelha quanto a de Rony quando era pego no flagra. Por sua vez, ele a cada segundo sentia o peito se encher de esperança.

-Eu vim aqui... -Ela começou com grande esforço, molhou os lábios secos e tentou prosseguir. -Por que estava preocupada com você... –Gaguejou a ruiva se sentindo patética, mas ao perceber que o moreno sorria cada vez mais tentou corrigir. - Quer dizer o Rony me disse... –Arregalou os olhos castanhos ao ver a sua perigosa e tentadora aproximação. -A Hermione ela estava perto...

A cada palavra dita, o sorriso dele se alargava mais. Não tinha mais qualquer dúvida do motivo que a tinha levado ali, sabia que estava por causa dele, porque estava preocupada com ele!

Antes que pudesse se conter estava com o corpo ao dela, acariciou a face pálida dela como se fosse algo extremamente precioso e delicado. Seus olhos cor de mel por um momento se desviaram para o seus lábios, a viu molhar o lábio inferior involuntariamente com a ponto da língua. Temia o momento que Gina recobrasse a consciência do que estava acontecendo, por isso segurou seu queixo de maneira firme o puxando para perto do dele, e antes que ela pudesse reagir pressionou seus lábios nos dela, a princípio viu a dúvida preenchê-la, porém logo a sentiu entreabrir os lábios lhe dando passagem para aprofundar o beijo.

Esfregou a mão na face com força, afastando as recordações do primeiro beijo deles, não deveria estar se lembrando dela, não depois de todos esses anos! Porém contra tudo o que seu lado racional lhe gritava ele ainda sorria ao recordar os lábios macios e vermelhos dela.

De onde estava poderia enxergou o condomínio que morava, e isto o fez estancar e arregalar os olhos. Maldição estava sorrindo igual um adolescente apaixonado ao se lembrar dela de novo! Apressou-se em direção a seu apartamento, se recusava a pensar nela daquela forma novamente, só um grande idiota sem orgulho agiria daquela forma, e definitivamente Harry James Potter não fazia parte daquela lista.

Entrou no prédio que morava e teve sob o olhar de censura da velha sindica, cumprimentando-a se dirigiu ao elevador, algumas mulheres que saiam dali o mediram enquanto este cansado adentrava o lugar e apertava o número do seu andar, fingia não notá-las.

Ao abrir a porta do seu apartamento algo pulou em seu pescoço, um perfume enjoativo invadiu suas narinas o obrigando a se desvencilhou do abraço enjoado. Sem qualquer remorso pelo gesto indelicado adentrou completamente no apartamento indo direto ao frigobar, com uma garrafa de whisky e um copo voltou para sala.

Zangada, a mulata bateu a porta e a trancou jogando a chave no colo dele.

Não disse nenhuma palavra a ela, apenas se serviu em silêncio e passou a tomá-lo calmamente enquanto a assistia lhe fuzilar com as mãos na cintura.

-Você não vai dizer nada? -Perguntou incrédula, seus negros cabelos cacheados balançaram com o gesto de cabeça indignado, seus olhos chocolates ficaram levemente marejados, cruzou os braços em cima dos avantajados seios.

-O que você quer que eu diga?

-Oi Vanessa, seria um ótimo começo! –Ela disse com ironia. -Você sabe quantas horas passei sozinha? Por acaso se quer se recorda que hoje eu iria fazer o jantar para nós? –Sua voz falhou levemente, e ela teve que parar e respirar profundamente antes de prosseguir. -Sem falar do tempo que gastei atendendo a chata da sindica.

Harry se sentiu um miserável, porém não gostava de sentir-se pressionado e tudo o que Vanessa fazia depois que ficaram juntos era tentar arrancar atitudes que não poderia ter.

-Oi Vanessa. – Disse de mau gosto.

Caminhava em direção ao quarto quando a sentiu lhe segurar o braço com força. Com raiva virou-se pronto para dizer poucas e boas para ela, porém parou automaticamente ao ver que as lágrimas que ela seguravam corriam livremente por sua face. Arrependido por seu comportamento tentou abraçá-la, reconfortá-la, mas desta vez quem se desvencilhou de seu carinho foi ela.

-Desculpe Van...

Sem dizer nada a mulher levantou a cabeça lhe lançando um olhar zangado onde dizia perfeitamente para ficar calado, Harry nervosamente colocou as mãos no bolso, percebendo a seriedade do que viria a seguir, por sua vez Vanessa tentava ao máximo conter as lágrimas traiçoeiras.

-Cansei, não vou mais te desculpar essas atitudes. Do que adianta continuarmos fingindo? –Sua voz demonstrava que finalmente havia tomado uma decisão difícil. -Esse relacionamento nunca irá dar certo se apenas um de nós esta envolvido nisso. Assumo minha responsabilidade, eu quem pedi uma segunda chance, mas que droga Harry! Você esta aí, preso ao maldito passado, não sei o que aconteceu e na verdade nem me importo mais, porém não é justo, não com você e muito menos comigo! –Lágrimas corriam pela face da morena enquanto ele a olhava com remorso. – Procure-a, diga tudo o que precisa dizer de uma vez por todas e esqueça, se desprenda do passado e talvez você seja capaz de prosseguir, mas não agora.

O moreno mantinha os punhos semicerrados dentro do bolso, era difícil de refrear a vontade de protestar contra aquilo, nunca voltaria a falar dela, ou pior, com ela. Porém não ousaria interromper o desabafo da namorada.

-Eu... –Sua voz voltou a falhar e ela abaixou a cabeça. –Te amo. –Murmurou timidamente. –Mas... acabou, não vou mais fingir que ficar ao seu lado esta me machucando.

Afastou-se dele e foi até a mesa de centro onde estava sua bolsa a abriu e dela tirou uma chave, caminhou até o moreno e o pegou pelo braço que se matinha rígido o levando até a porta, de costas e com o olhar fixo nos dele conseguiu abrir. Respirou profundamente, reunindo a coragem que precisava para desistir de um amor, no entanto antes disso se permitiu despedir dele, na ponta dos pés agarrou sua face com as duas mãos tremulas e lhe beijou com ardor. Não havia engano, aquele era o último que trocariam, sem deixar de beijá-lo tirou a chave da fechadura e a colou em seu bolso esquerdo.

Deu um passo para trás e com um último sorriso forçado saiu do apartamento, não ousaria olhar para trás novamente.

Não houve despedida, nenhuma maldita palavra. Parado na porta a assistiu entrar no elevador de cabeça baixa, lágrimas escorriam por sua face. Seu coração se apertou ao ver o sofrimento que havia causado na mulher que tanto tinha lhe dado força nestes últimos meses, mais uma vez Harry Potter tinha sido um monstro sem sentimento.

Com a certeza de que não poderia deixá-la sair de sua vida daquela forma desceu as escadas correndo, pulando de dois em dois degraus, quando estava próximo a portaria esbarrou em um homem que vinha na direção oposta, gritando desculpa terminou de descer os lances de escada. Não se importando com os olhares curiosos do porteiro e da sindica correu até a morena que estava do outro lado da rua em frente ao seu carro.

-Vanessa espera! -Pediu o moreno a alcançando, este ofegante se curvou apoiando as mãos no joelho tentando recuperar o fôlego. -Não podia deixar você partir sem te dizer nada! – Confessou pouco antes de se erguer e olhá-la seriamente. -Sinto muito, nunca fui bom quando o assunto é relacionamentos. Deveria ter sido sincero desde o começo, você merece alguém que saiba lhe tratar com toda a admiração e amor do mundo, você é uma mulher maravilhosa e eu sou um grande tolo por ser incapaz de amá-la. Por favor, Vanessa sei que fui um lixo pra você, mas, por favor, me perdoe?

O moreno se ajoelhou perante a figura surpresa da morena, alguns curiosos que passavam por eles pararam para assistir a cena. Vanessa por sua vez se agachou e colocou as mãos do moreno entre as suas, seus olhos brilhavam de forma amorosa para o homem, soltou uma das mãos dele e lhe beijou demoradamente o lado direito de sua face.

-Tem como não te perdoar? –Perguntou tentando soar divertida, mas sua voz vacilou por um momento. -Me faz um favor sim, procure-a!

Sem ter mais o que dizer, os dois levantaram e se abraçaram. Vanessa sabendo que naquele momento estava perdendo o homem que amava e Harry sabendo que estava deixando partir uma das mulheres mais especiais que poderia conhecer. Naquele momento suas vidas tomavam novos e diferentes caminhos.

Gina encarou o amigo seriamente, sentia a culpa lhe dominar. Adrian estava daquele jeito por ter enfrentado o pai e tudo unicamente para ajudá-la, pensou durante alguns minutos em que o silêncio se tornava cada vez mais incomodo, tomando sua decisão fez menção de dizer algo mas antes uma voz grave se tornou presente.

-Você vai a esta missão Gina.

Gina bufou. Como ele sabia? Deveria ser mesmo muito óbvia para Adrian saber exatamente o que estava se passando por sua cabeça, fixou suas íris castanhas nas deles e elas brilhavam em determinação, suspirou cansada, ele havia tomado sua decisão e nada o faria voltar atrás... A menos que alguém falasse em seu favor.

Virou-se para a loira a sua frente e ela apenas negou com um aceno de cabeça. Desta vez deixou-se escorregar pela cadeira enquanto soltava um resmungo de indignação, tinha sido vencida em uma votação inexistente.

-Olha, eu sei o que passa dentro dessa sua cabeça, então vamos deixar algumas coisas claras: não é por que eu tive uma discussão com meu querido pai que vou deixar você estragar sua oportunidade de se tornar a auror número um!

A loira fez um leve barulho com a garganta, e quando recebeu o olhar confuso do namorado, respondeu com seu sorriso típico.

-Adrian, não vamos exagerar. Gina só seria a número um se eu não estivesse aqui, lógico que número dois se encaixa perfeitamente para ela. –Falou parando de massagear o namorado e jogando os cabelos para trás enquanto dava seu sorriso mais confiante.

O moreno simplesmente revirou os olhos, como foi achar uma namorada de ego tão grande?

-Acho que a tinta afetou seus neurônios, querida loira oxigenada, porque qualquer um é capaz de ver que eu ganharia facilmente o título de melhor auror. - Falou a ruiva imitando o gesto da loira, fazendo seus cabelos flamejantes esvoaçarem para trás de forma sexy, acrescentando um beijo jogado no ar. - Mas como sou uma pessoa boazinha deixarei pegar o segundo lugar. – Concluiu por fim.

Mulheres! Poderia viver mil anos e nunca as entenderia. Uma hora estavam desanimadas, com baixa autoestima, na outra com um comentário seu ego crescia contaminando a todos a sua volta. Revirou os olhos pela segunda vez seguida ao perceber a leve discussão das duas sobre quem era melhor, porém tinha plena consciência de que tudo aquilo não passava de uma brincadeira que as duas faziam para descontrair o ambiente.

Levantou-se e pegou a loira pelos braços, ela se virou surpresa para ele que apenas sorriu de fora maldosa. Isso a fez arregalar os olhos prevendo seus atos, mas era tarde de mais, antes que fosse capaz de reagir ao seu ataque estava encurralada e se debatia, altas gargalhadas preencheram o ambiente após o inesperado ataque de cócegas.

Gina se manteve de canto rindo, Jéssica se contorcia perante aos ataques, vez ou outra ela tentava contra-atacar mas nenhum deles surtiu o efeito esperado.

Adrian enquanto a atacava dava sonoras risadas ao ver seu esforço, os cabelos sempre cuidadosamente arrumados tinham se desmanchado e agora estavam jogados para frente.

-Será que devo deixar o casal a sós? – Questionou Gina com diversão.

Tão logo falou se arrependeu, o sorriso maldoso do moreno se alargou mais com a possibilidade da nova vítima. Com pesar o assistiu finalmente largar a loira na cadeira e caminhar lentamente em sua direção, quando Adrian estava próximo começou a correr e qual não foi sua surpresa ao notar que este a seguia insistente com as mãos erguidas e os dedos se mexendo rapidamente. Para quem visse de fora a cena seria no mínimo cômica, para não dizer patética, três aurores devidamente treinados fazendo guerra de cócegas. Sua distração foi seu erro, graças a isto ele foi capaz de alcançá-la.

-Agora você vai pagar por rir de mim!

-Ah não, por favor...

-Tarde de mais mocinha, agora terá que pagar pelos seus pecados.

Quando a loira recuperou um pouco da sua força foi em passos cautelosos até o moreno, o atacou pelas costas. Este surpreso se virou tentando se livrar dela, porém foi a vez da ruiva de ataca-lo. Ficaram assim por um bom tempo, ora fazendo cócegas no moreno, ora gargalhando recebendo o ataque dele, exaustos e com lágrimas de tanto rir concordaram com uma trégua.

Se alguém entrasse naquela hora iria com certeza pensar em algo diverso da realidade. Estavam em estado lastimável, jogados molemente no chão, um por cima do outro, suas roupas amassadas e seus cabelos totalmente embaraçados. Entreolharam-se com sorrisos cansados. Poderiam ter acabado de fazer uma brincadeira infantil, mas quem foi que disse que adultos às vezes não poderiam agir como crianças novamente?

-O que vão pensar quando nós três sairmos desta sala?- Perguntou Adrian.

-E quem disse que vamos sair daqui tão cedo? -Perguntou as duas mulheres juntas.

-Pensei que queriam ir para casa. -Comentou divertido.

-Desse jeito querido? –Perguntou Jéssica apontando para si. -Nunca!

...

Uma semana depois

...

Dormia tranquilamente no sofá quando de repente a campainha começou a tocar incansavelmente. Imerso em sono tentou abafar o som tampando a cabeça com o travesseiro, porém de nada adiantou, após ter falhado miseravelmente ergueu um pouco a cabeça sonolento, a única coisa que conseguiu enxergar foi borrões a sua frente, tateou a cômoda ao seu lado até finalmente achar o que procurava, colocou seus óculos antigos e olhou o relógio forçando seus olhos para se manter abertos. Soltou alguns palavrões ao ver o horário, extremamente cedo por sinal.

Quem seria o chato a incomodá-lo a esta hora da manhã?

Procurou ignorar a campainha, mas essa parecia penetrar em sua mente, ecoando de forma irritante, com um grito de raiva e frustração chutou para longe suas cobertas enquanto se levantava e arrastava-se até a porta com a pior carranca que possuía.

Ao abrir a porta se deparou com um homem vestido elegantemente em um terno de gala, era alto, ruivo, de olhos azuis e um sorriso incrivelmente irritante.

-Bom dia. -O ouviu dizer alegremente enquanto invadia o seu apartamento.

Assistiu incrédulo o ruivo se jogar no seu sofá, não sem antes jogar ao chão as roupas ali largadas. Arregalou as íris esverdeadas com tamanha ousadia do amigo, mas ele pareceu não notar. Folgado, pensou enquanto empurrou a porta com força fazendo esta se fechar em um enorme estrondo, provavelmente depois disso teria que escutar um grande discurso sobre bons modos da sindica bisbilhoteira.

-O que tem de bom? –Se lembrou de responder.

Ronald Weasley fingiu não tê-lo escutado, mesmo com todos os resmungos do amigo.

O ruivo parecia estar desligado sobre o que Harry fazia no momento, se preocupando apenas em cruzar os braços atrás da cabeça para se apoiar neles enquanto analisava detalhadamente o apartamento.

-Pensei que seus pais tivessem lhe deixado uma herança. - Comentou repentinamente Rony em tom casual.

Harry que estava em seu pequeno frigobar ergueu as sobrancelhas em confusão, parando de preparar os drinques e passando a prestar atenção nele.

-E deixaram.

-E onde esta? -Perguntou com uma curiosidade idiota, afinal de contas ele sabia muito bem de tudo isso.

-Dentro do meu colchão. –Respondeu o moreno carregado de deboche, ao receber o olhar aturdido do amigo se lembrou do fato dele não conhecer alguns "costumes dos trouxas". -Em Gringotes, onde mais estaria Rony?

O amigo apenas balançou os ombros com pouco caso, provavelmente ainda tentando entender sua piada de péssimo gosto. Com mau humor terminou de servir os drinques e se dirigiu até o ruivo, estendendo um dos copos em sua direção.

-Não deveria beber a essa hora da manhã. - Repreendeu-o de forma séria.

Então agora aquele ruivo sabia ver as horas? Perguntou-se Harry irônico, quando o assunto é tirá-lo da cama enquanto praticamente quebrava sua campainha o horário era esquecido.

- Se não queria beber era só falar. -Falou dando as costas ao ruivo e indo se sentar em uma poltrona vaga. –Além do mais Hermionizinha, isso daqui é só para acordar. Afinal tenho um amigo intrometido e sem qualquer senso de horário, que invade minha casa fazendo perguntas incoerentes. Aliás, quase me esqueço de perguntar: O que queria fazendo estas perguntas, Weasley?

Desviou o olhar dele e voltou a observar a casa do amigo com um sorriso falsamente inocente nos lábios.

-Estava pensando que seria melhor você parar de ser pão duro e contratar uma empregada, sua casa até mesmo para um homem solteiro esta inabitável.

Fixou seu olhar no ruivo, por um curto período já que não resistiu à curiosidade de observar seu apartamento. Assustou-se ao ver que o amigo estava certo.

Começou a olhar detalhadamente a sala, sua estante estava cheias de capinhas de Cd jogadas, seu tapete negro quase não se mostrava pelo tanto de roupas sujas e sapatos largados de qualquer forma, em seu frigobar as bebidas estavam espalhadas, assim como, os copos usados. Sua cozinha pelo pouco que via estava com a pia cheia de louça, em cima do fogão sabia haver uma panela cheia com uma coisa gosmenta que tinha tentado preparar no dia anterior, há dois passos a direita estava a mesa onde esquecida sobre ela havia uma pizza descoberta praticamente inteira.

Coçou a barba por fazer se lembrando do banheiro e do quarto que mesmo não dando para vê-los de onde estava sabia perfeitamente que seu estado não era melhor do que aquele. Suspirou se dando conta do trabalho que teria para arrumar tudo aquilo.

-Você, por acaso, não teria o telefone de uma empregada, ou teria? –perguntou deixando a bebida de lado.

Rony gargalhou alto antes de responder:

-E quem em perfeito juízo arrumaria isso?

...

Gia correu até sentir os músculos do corpo implorar por descanso, com os fones de ouvido e a música alta tentou se esquivar do grudento vizinho, mesmo quando ainda namorava o inútil do Dimitri o insistente vizinho vivia arrumando desculpas para encontrá-la.

Rangeu os dentes ao vê-lo se aproximar, porém quase foi capaz de gritar de alegria quando viu a velha Sra. Lawson pedir para ele descarregar suas compras do carro.

Se aproveitando da chance oferecida pelo destino voltou a correr, porém dessa vez de volta para casa. Ainda precisava acertar os últimos detalhes antes de sair em missão.

Assim que atravessou a porta tratou de trancá-la e fechar as janelas, apenas para garantir que nenhum outro incidente como o da última vez acontecesse. Assim se lembrava do chato do Luke, mais conhecido como "vizinho-grude" invadiu sua casa pela janela porque supostamente escutou gritos. Era incrível o dom que tinha para atrair os homens errados.

Entrou no banheiro e deixou seu corpo relaxar na enorme banheira, sentiu cada músculo tenso se render a água morna, fechou os olhos e se permitiu simplesmente relaxar, porém um leve barulho no andar de baixo lhe fez voltar a ficar alerta, se envolveu pelo robe.

Com a varinha em punhos procurou fazer o menor possível, assistiu o vulto de alguém alto e magro entrar em seu quarto, em segundos estava chutando a porta e apontando a varinha para o invasor.

-Eí, abaixa isso, sou eu! –Falou Jéssica que segurava em suas mãos uma toalha.

Gina abaixou a varinha e sua face ficou perigosamente vermelha, poderia ter atingido a amiga com um feitiço perigoso.

-Qual é a sua dificuldade em usar a porta? -Perguntou Gina irritada.

Jéssica arqueou a sobrancelha e continuou a limpar a face fuja de fuligem.

- Sr. Grude. –Falou como se aquilo explicasse tudo, e realmente explicava. – Não tinha combinado de irmos juntas?

Gina balançou a cabeça concordando e foi em direção a cama onde estava com a roupa separa, após agarrá-las voltou ao banheiro.

Enquanto isso, Jéssica se entreteve com a caixinha de música da amiga. Se ela tivesse prestado maior atenção teria reparado que a pequena bailarina ruiva era na verdade uma miniatura da ruiva.

Gina saiu do banheiro e estancou na porta ao escutar a música, aquela música lhe trazia tantas lembranças...

Havia passado da hora de recolher, ao invés de ficar dentro do salão comunal ao lado de seus amigos, era arrastada pelos corredores do castelo pelo moreno de olhos verdes. Ele lhe conduziu por diversos corredores desconhecidos por ela, deixando cada vez mais sua curiosidade aguçada.

-Vamos Harry, me diga onde estamos indo. –Pediu novamente, o obrigando a parar.

-Surpresa. –Falou Harry parando e apertando sua bochecha esquerda levemente.

Voltaram a andar, porém dessa vez acabou fazendo com que ela de desequilibrasse, como não percebeu voltou a puxá-la o que foi desastroso para ambos. Gina caiu por cima do namorado que soltou um urro de dor.

Se afastou dele com olhos preocupados, mas para sua surpresa ele passou a rir.

-Essa doeu. - Comentou o moreno se levantando e a ajudando se erguer.

-Me desculpe. - Pediu timidamente.

Harry sorriu compreensivo, fazendo um leve carinho em sua face rosada, aproximou seus lábios e os beijou ternamente, não queriam que o beijo terminasse. Entretanto, ao escutarem passos de alguém se aproximando não foi preciso dizerem nada, logo os dois estavam correndo pelos corredores novamente.

Harry abriu o mata do maroto, era o Seboso! Fez uma careta ao pensar no escândalo que o professor de poções faria caso conseguisse pegá-los aquela hora.

Dobraram a esquerda e entrando mais uma vez em um longo corredor que havia uma única porta no final.

-Espero que goste. –Falou Harry no ouvido da ruiva que se arrepiou com o contato.

Abriu a porta e fez sinal para que ela entrasse primeiro, assim que ela o fez logo abriu um grande sorriso ao perceber seu encantado.

Recentemente Gina tinha lhe confessado o quanto se sentiu deprimida por não ter sido convidada por ele para o Baile de Inverno.

-É lindo! –Ela disse se virando na sua direção, sustentava nos lábios um sorriso radiante. –Como conseguiu me esconder isso? –Perguntou curiosa.

-Precisei da ajuda de Rony e Hermione. –Confessou levemente corado.

Gina riu pelo constrangimento dele e se jogou em seus braços. Logo os braços dela se enrolam no pescoço dele, ambos sentem aquele frio costumeiro na barriga, fazia tão pouco tempo que estavam juntos que ainda não tinham se acostumados que um pertencia ao outro, ele, Harry Potter era dela!

Com esse pensamento acabou com a distância de seus lábios e o beijou.

-Me lembre de agradecer aqueles dois. –Pediu ela.

Harry riu e logo a puxou para mesa, onde puxou a cadeira para que ela sentasse.

-Lembrarei, assim que ela parar de reclamar com Rony por não ser romântico.

Gina tentou prender o riso, mas acabou cedendo, o irmão e a cunhada não tinham jeito!

Por alguns minutos permitiu-se admirar a decoração que estava perfeita, coisa que só poderia ter sido obra de Hermione Granger.

Todas as paredes da pequena sala estava coberta de gelo prateado e cintilante, com centenas de guirlandas de visco e azevinho cruzando o teto escuro e salpicado de estrelas – o mesmo feitiço que era utilizado no salão principal. No canto ao lado de uma pequena pisca de dança, havia uma mesa iluminada com lanterna, que acomodava duas pessoas.

Mal terminaram de comer e Harry já a conduzia para a pequena pisca, com um aceno de varinha uma música começa a tocar, fato esse que surpreendeu a ruivinha.

Quando sentaram ele lhe estendeu um pequeno embrulho, ansiosa tratou de abri-la logo e se deparou com um caixinha de música, dentro dela havia uma bailarina que era a sua miniatura.

-Quando me contou sobre o Baile, tudo que consegui fazer foi imaginá-la comigo, com toda a certeza a dança teria bem menos assustadora. –Falou arrancando uma risada dela. -Nos dias que antecederam você passou a dominar meus sonhos, sempre dançando.

-Harry... – Gina sussurrou com a voz embargada, seus olhos castanhos mel brilhavam emocionados. –Eu... é lindo!-Concluiu sem palavras.

Gina parou de se arrumar e rumou até a amiga, fechando a caixa que tocava aquela suave música que tanto lhe confundia. Sentiu os olhos da amiga sobre si com uma muda pergunta, apenas mirou a caixinha com tristeza, mas logo tratou de esconder.

-Digamos que me traz péssimas lembranças. –Esclareceu Gina voltando a se arrumar. –Eu sei que deveria me livrar dessa coisa, mas ao mesmo tempo é bom guarda-la para me lembrar o quanto idiota eu fui.

Jéssica balançou a cabeça concordando, sabia que a amiga não estava falando de um namoro recente, aquela caixinha deveria ser presente do famoso herói que havia destruído o coração da amiga quando adolescente.

-Falando em coisas que deve jogar fora, acho que não percebeu que ainda tem um porta-retratos com o Dimitri em sua sala. –Comentou Jéssica com asco ao dizer o nome do trouxa que era empresário e recentemente havia se tornado um político,

Gina pareceu pensar por alguns segundos, como se para lembrar-se de tal objeto.

-Preciso literalmente fazer uma limpeza no meu apartamento, estou acumulando coisas inúteis.

-Se quiser, eu posso jogar aquele retrato fora enquanto se arruma. –Comentou Jéssica rindo.

Com um aceno em concordância viu a amiga descer as escadas em direção a sua sala, a loira teria tanto prazer quanto ela teve ao terminar seu relacionamento com o homem, logo após descobrir o mau caráter que ele era.

-Ginevra! –O homem gritou exaltado.

Os dentes de Gina rangeram, enquanto se virava na direção dele, sua face estava totalmente tingida de vermelho e suas mãos tremiam levemente. Por pouco não tinha tirado a varinha do bolso e lançado uma azaração nele.

-O que quer? –Ela perguntou furiosa.

Ele se aproximou dela e cometeu o erro de tocá-la, um terrível erro por sinal.

Devido aos treinamentos de auror, Gina era uma das especialistas em auto defesa e qualquer um dos colegas sabia que tocá-la naquelas ocasiões implorar por sentir dor. Com poucos golpes ela lhe segurou o braço, o puxou de forma que a sua perna lhe pudesse dar uma rasteira e assim que ele caiu pisou em seu pescoço, o braço ainda em sua posse com grande possibilidade de ser quebrado com o menor movimento dela.

-Não. Ouse. Me. Tocar! –Gritou a ruiva palavra por palavra.

Ele apenas balançou como pode a cabeça concordando.

Ainda o segurando disse:

-Você nunca teve interesse naquele orfanato, não foi? - perguntou com ódio, ele tentou falar porém Gina aumentou a pressão do seu pé no pescoço dele, o deixando cada vez mais vermelho. –Você é podre Dimitri Tremayne, eu sinceramente pensei que você queria ajudar aquelas crianças... –Sua voz parecia cada vez mais revoltada, assim como seus olhos que pareciam estar em chamas de tanta raiva que sentia. –Pode se candidatar, fingir-se o quanto quiser de alguém importante, mas você sabe quem eu sou, e principalmente, o que eu sou. Então se eu souber que você se quer pensou em prosseguir com isso... irá pagar muito, mais muito, caro!

Terminando de dizer isso a ruiva o soltou e chutou suas costelas, pelo barulho do choque aos ossos, com certeza tinha quebrado algo nele.

Dando as costas ao homem, sem se importar com seus gritos de dor, Gina foi até a saída e antes que entrasse no taxi gritou: "E esta tudo terminado, se você não entendeu ainda!"

Novamente Gina despertou de suas recordações, ao menos dessa ultima havia orgulho. Tinha feito o que queria, e graças a sua ameaça o orfanato continuava funcionando e recebendo verbas maiores. Tudo isso porque o novo senador Dimitri Tremayne tinha medo de uma visita da ex-namorada.

...

-Não que esteja reclamando. -Começou Harry quebrando o silêncio. -Mesmo que você mereça. -não deixou de acrescentar. -Mas, aconteceu alguma coisa em especial para você vir me visitar a esta hora e desse jeito?

Rony olhou pra si mesmo, só agora havia se lembrado que ainda vestia sua veste de gala, passou a mão pelos cabelos ruivos o bagunçando um pouco ao mesmo tempo em que arrumava sua postura no sofá.

-É que eu vim direto da festa de ontem do ministério.

Lembrava-se muito bem da festa, como sempre seu "querido" chefe, havia obrigado a todos os aurores para que comparecesse a bendita festa, se recordou que chegou com quarenta minutos de atraso e isso só atiçou ainda mais a curiosidade dos jornalistas, e foi um verdadeiro desafio se livrar deles.

Quando imaginou que estava livre e enfim poderia se dirigir a mesa de honra, onde se encontrava a única família que conheceu, os Weasley's. O patriarca Arthur Weasley, após a guerra havia se tornado o novo Ministro da Magia, porém ainda era o mesmo homem simples apaixonado por coisas do mundo trouxa. Harry que pensava em se juntar aos ruivos, teve seus planos rudemente interrompidos ao ser abordado por uma grande massa de mulheres da alta sociedade que se diziam fãs dele. Demorou-se uma hora conversando com elas, até que teve a brilhante ideia de pedir licença para ir ao toalete. Sabendo da impossibilidade de ter alguns minutos de paz com os amigos, preferiu se retirar da festa, afinal seu dever como funcionário do Ministério já estava cumprido.

-Eu estive lá. –Comentou com desgosto.

-Fiquei sabendo, só estranhei você não ter ido falar com nós. – Comentou o ruivo com olhar intenso sobre ele.

-Iria se não fosse impedido por um número considerável de abutres.

Rony gargalhou com o comentário do amigo, viu Harry o olhar com curiosidade, tentando adivinhar o que se passava em sua cabeça, e ele apenas agradeceu mentalmente que este fosse péssimo em Legilimência.

-Vim conversar sobre sua missão. - Comentou Rony tentando não demonstrar seu nervosismo.

-Olha Rony se for para falar do casamento, eu realmente sinto muito, mas não sei nada sobre minha nova missão e não poderia lhe deixar na mão sendo seu padrinho e acabar não aparecendo.

Ronald lançou um olhar que dizia claramente que não havia acreditado em sua desculpa. Tomou o cuidado de guarda mentalmente que deveria depois matar o amigo por causa disso, mas naquele momento era necessário se concentrar no motivo de estar ali. Tinha que avisá-lo sobre o conteúdo da carta que Kingsley, por sorte estavam em reunião e soube de primeira mão sobre um detalhe inesperado daquela missão. Suspirou cansadamente, com certeza Harry teria um duplo ataque quando soubesse.

-Na verdade o que vim fazer aqui esta relacionado a sua ...

Porém não houve chance de terminar sua frase pois uma coruja começou a bater na janela, o moreno arqueou a sobrancelha desconfiado ao ver o desanimo na face de Rony, pensou em dizer alguma coisa, mas a coruja batia com mais força no vidro, antes que o quebrasse foi atendê-la.

Abriu a janela e a mesma invadiu seu apartamento deixando cair em sua mesa um jornal, partindo em seguida. Harry lançou um rápido olhar a Rony que parecia ter estranhado tanto quanto ele o jornal. Sabia que o moreno não possuía nenhuma assinatura.

Harry, com profundo desgosto viu seu nome na pagina principal, em baixo um título ridículo: "Harry Potter ataca novamente". Haviam duas fotos dele, uma tirada na companhia de Vanessa em uma festa de aniversário de um colega de trabalho, reconheceu como sendo no começo de namoro deles, e a outra era do evento daquela noite, onde estava rindo de forma forçado ao lado daqueles abutres que lhe cercaram na noite anterior.

Título ridículo, foto de merda, e jornalista Filho da Puta era tudo o que passava pelos pensamentos dele.

Durante os minutos que se passaram Rony ficou assistindo-o proferir uma série de palavrões, que nem ele mesmo conhecia, suspirou novamente, não iria conseguir contar o que havia descoberto na noite anterior. Talvez... fosse melhor ele descobrir por si só.

.

.

.

N/A: Ola, como vão vcs? Não sei quem esta lendo... espero que alguém esteja gostando da fics, dei uma leve mudada antes de postar, colocando a menção ao Dimitri, afinal como minha amiga Anny falou: "Não gosto do Harry garanhão e a Gina bobinha sozinha". Pois bem, ela NÃO esteve sozinha todo esse tempo, e isso só fará diferença no final... Como? Isso vcs terão que ler para saber.

Praticamente os primeiros capítulos são uma introdução ao que vai acontecer, então relaxem que tem MUITA coisa pela frente.

Obrigada a todos pelo carinho, e até o próximo capítulo.