Capitulo IV

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-VOCÊ! –Exclamou ela com fúria.

Na sua cabeça tudo aconteceu de forma muita rápida, impossibilitando-o de assimilar corretamente o que acontecia. Tentou se concentrar e se recordar de como exatamente chegou naquela situação, naquele dia tinha acordado sentindo-se sufocado e foi visitar os gêmeos, que logo o convenceram a vir visitar a Toca, até alguns minutos estava feliz por sua escolha em aceitar o convite e decidiu até mesmo dar uma volta nos jardins e foi exatamente nesse momento que viu tudo desmoronar ao ser literalmente e dolorosamente atropelado pelo seu passado.

Levantou-se de forma brusca como se o simples gesto de ficar próximo dela fosse algo imperdoável. Respirando profundamente procurou manter o quase inexistente autocontrole, bloqueando qualquer impulso. Virou-se para os Weasley em busca de alguma justificativa, entretanto estes pareciam tão ou mais impressionados que ele.

Seu olhar foi direcionado a mulher loira em pé ao lado da porta, estava visivelmente confusa, mas quando seus olhos se encontraram adquiriram um brilho de compreensão.

Arqueou as sobrancelhas em desconfiança, mas logo sua atenção foi desviada para a ruiva que se levantava. Sentiu-se desconfortável perante todos aqueles olhares embasbacados, como em todas as situações em que ficava deslocado passou a bagunçar os cabelos já desalinhados, um discreto tique nervoso que tinha herdado do pai.

De repente, viu-se despreparado para aquela situação. Estava totalmente desprotegido e inquieto, consequentemente passou a se irritar com suas próprias reações. Precisava arranjar uma forma de se afastar dali o mais depressa possível.

A primeira a se recuperar do choque foi Molly, que tratou de se jogar chorosa nos braços da filha, a apertando em seus braços enquanto suas lágrimas molhavam a camisa da caçula.

Em seguida, assistiu em câmera lenta cada um dos Weasley abraçarem as inesperadas visitantes. Enfiou as mãos no bolso e olhou discretamente para ruiva, de alguma forma ela pareceu pressentir seu olhar e o encarou com genuína raiva. Seus lábios se curvaram em um sorriso sarcástico, ao menos não era o único afetado com o encontro.

Aproveitou a distração de todos e passou cautelosamente por eles em direção a saída, ao pisar nos jardins avistou ao longe as malas que possivelmente pertenciam aquelas duas. Como nunca pensou na hipótese dela voltar à Inglaterra? Harry Potter, seu idiota!

Apressou os passos e foi em direção ao morro. Agora que estava longe de todo sentiu um enorme peso cair sob os ombros, ao mesmo tempo em que algo em seu peito comprimia seu coração. Com a respiração descompassada andou lentamente e incerto. Alcançou os limites do feitiço anti-aparatação e se permitiu contemplar a casa dos ruivos, tinha um gosto horrível na boca, era amargo assim como os sentimentos que lhe enchiam o peito, os mesmos sentimentos que anos atrás carregava.

...

-VOCÊ? –Não conteve o grito.

O susto foi tão grande que não conteve o impulso de recuar, demonstrando estar acuada. Sabia que tinha tido uma atitude ridícula e vergonhosa, entretanto totalmente involuntária. Recuperando-se parcialmente do choque, o fitou por alguns instantes e se sentiu indignada ao vê-lo admirar seu decote de forma descarada.

Prestes a esbofeteá-lo o viu sacudir a cabeça e desviar o olhar ao mesmo tempo em que se erguia de forma rápida, da mesma maneira inconsciente que ela agiu segundos atrás. Vê-lo tão perto de si sem ter se preparado antes, era o mesmo que receber um balde de água fria quando se estava dormindo, apenas raiva e um torpor que não a deixava raciocinar direito. Pensava estar preparada para o momento em que o encontraria, teve até mesmo a ilusão de que quando o olha-se não sentiria nada em relação a ele, seu corpo tremeu como prova do seu engano.

Algo queimou em sua pele, e como um ímã seus olhos se encontraram brevemente, o que só não durou mais pois havia se forçado a desvia-los, afinal não confiava o suficiente em suas reações para se dar a este luxo.

Antes de ter qualquer reação foi agarrada pelos braços reconfortantes da mãe, Molly Weasley, a mulher mais forte, chorava e ria alegremente em meio ao abraço. Por um breve momento esqueceu-se do que sentia por aquela pessoa horrível a suas costas, estava protegida e o mais importante: acolhida, durante todos esses anos nunca sentiu que sua casa fosse outra além daquela, em todos os lugares que morou sempre tinha a impressão de estar na casa de outra pessoa, um lugar ao qual não pertencia. Sempre teve falta de alguma coisa, e hoje ao retornar soube exatamente o que.

Molly foi apenas a primeira de uma longa fila de abraços apertados e sussurros de saudades. Um nó se formou em sua garganta ao ser acolhida por todos aqueles braços másculos e superprotetores, estava de volta com os irmãos. Não lhes confessaria nunca, mais tinha saudades de implicar com eles.

Abraçava Fred quando seu olhar se perdeu pela sala e pode ver ao longe ele. Seus olhos estavam firmes sob si, Não escondia a incredulidade em vê-la de volta e muito menos o típico sorriso sarcástico que estampava em seus lábios, ela sempre soube que era para afetá-la. Procurou manter o semblante impassível, mesmo que gostasse que ele soubesse que seria fácil para ela lhe acertar a face com socos.

Evitou estragar qualquer felicidade que sentia naquele momento, desviou sua atenção novamente para sua família, porém segundos depois não resistindo à tentação olhou para onde minutos antes estava seu maior inimigo, Harry Potter, e se surpreendeu ao não encontra-lo.

-Mas... Cadê o Harry? -Perguntou Penélope, assim que haviam acabado a sessão de abraços.

Por alguns segundos um constrangimento tomou conta de todos na sala, afinal era de conhecimento geral que tanto Harry quanto Gina não suportavam a presença um do outro, e nenhum deles na euforia do reencontro percebeu a partida do moreno.

O constrangimento foi quebrado com a chegada de Winky, que os chamou para jantarem, pois o mesmo estava servido.

Abraçada a Fred e Jorge, passou por Rony que olhava seriamente para o jardim, antes de entrar na cozinha Jorge o abordou.

-Você não vem Roniquito? -Perguntou Jorge rindo da careta do irmão.

Se limitando apenas a fazer um gesto obsceno para o irmão, os seguiu até a cozinha.

...

Passaram-se horas e desde que chegará o moreno se encontrava na mesma posição: estirado no sofá com o olhar perdido no teto, como se através desse pudesse desvendar algo profundamente interessante.

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Harry estava sozinho na casa dos tios, quando ouviu alguém bater a porta.

-O que raios vocês dois vieram fazer aqui tão cedo? E ainda com estas caras!

A morena lhe lançou um olhar que exibia uma grande fúria contida, preferiu portanto se calar e sentar-se em um dos sofás, de preferência um que o fizesse ficar em segurança das mãos ameaçadoras da amiga.

De soslaio olhou Rony, este apenas lhe retribuiu de maneira tímida. Literalmente bufou de raiva, sabendo que o amigo não se meteria em uma briga entre os dois melhores amigos, sendo que a morena além disso era namorada dele.

-Ela está indo embora Harry. -Falou Hermione o encarando com impaciência.

Este permaneceu alguns minutos impassíveis até fazer uma pequena careta de compreensão para depois se levantar e andar calmamente até a cozinha, de costas para a amiga perguntou de forma casual, menosprezando qualquer sentimento que pudesse ter com aquela revelação.

-E para onde Hermione?

Ouviu uma exclamação de puro exaspero sair dos lábios semicerrados da morena, essa parecia querer manter o pouco controle que tinha, e a sua atitude como era previsto estava a frustrando seriamente.

-Nova York. –Falou tentando novamente ver alguma reação que seja dele. –Estados Unidos, Harry, isto é outro país!

-Eu sei que é outro país Hermione, tudo bem que não era o melhor da classe como você, mas nunca cheguei ao ponto de ser um trasgo. –Respondeu com irritação.

Ao voltar da cozinha carregava em seus braços uma bandeja com uma vara de suco e copos. Em sua face conservava um sorriso sarcástico, aquilo foi a gota d'água para Hermione.

Viu a amiga vir em passos decididos para cima dele, que estremeceu com a ameaça no olhar furioso dela. Ela estava com a face extremamente vermelha, um sinal claro de eminente perigo. Qualquer um temeria se visse Hermione Granger vir em sua direção daquela forma, ele por sua vez pensou em fugir, mas era tarde de mais. Parada a sua frente, a assistiu agarrar o colarinho de sua camisa e empurrá-lo para parede enquanto a bandeja e tudo o mais caia no carpete novo da tia Petunia.

-Sabe... –Começou Mione com a voz baixa e perigosa. –Ao meu ver, Harry "querido", você é realmente um trasgo. –O moreno abriu a boca para protestar mais a amiga foi mais rápida. –Só um trasgo mesmo para não conseguir entender que tudo o que foi visto em Hogwarts não passou de um grande equivoco, esta na hora de parar com essa mania de enxergar apenas o que lhe é esfregado na sua cara! –Cuspiu as palavras sem conseguir se conter. -Acorda Harry, enquanto ainda há tempo. - Suas mãos tremeram levemente. -Já passou na sua cabeça que você pode estar simplesmente ERRADO? –Falou com um tom de voz que deixava claro que era isso que pensava. –Você vai se arrepender disso Harry, e eu não vou fazer nada para ajuda-lo.

Estava visivelmente aturdido com a reação violenta da amiga, não entendia como ela poderia se voltar contra ele daquela forma, principalmente após saber sobre tudo o que havia acontecido há alguns meses atrás. Será que era difícil para ela entender que a culpa não era dele?

-Você só pode estar louca se acha que irei implorar para ela ficar, ainda mais depois de tudo! –Disse com raiva.

-Acorde homem! –Nesse momento ninguém além de Rony tinha mais controle sobre o que fazia. –Para de enxergar com esse maldito orgulho e abra os olhos para o que está acontecendo ao seu redor. Você a ama, e nem ouse negar isso para mim Harry. –De repente a voz da amiga voltou a soar baixa e magoada. –Não a deixe ir!

- Eu não consigo! -Ele falou irritado.

Hermione olhou para o amigo, aquele em que com os anos se tornou um irmão. O mesmo irmão que viu cometer um erro atrás do outro desde que terminará o namoro.

-Harry, você sabe que é o meu irmão e nada vai mudar isso, mas se não for atrás dela eu não mais o reconhecerei. -Sua voz cortou com um pequeno soluço, era doloroso dizer aquilo.

Isso pareceu chamar a atenção de Rony, este tocou levemente os ombros da namorada que continuou a segurar a gola da camisa de Harry em suas mãos. Em sua ação não havia mais ameaça, era apenas medo, medo que se o soltasse ele fosse capaz de fugir para longe de si, a cada dia assistia aquele que considerava como irmão se tornar um estranho, alguém sem sentimento, a guerra estava conseguindo transformar o herói em seu próprio inimigo e ninguém parecia se importar com isso.

Harry bateu a cabeça levemente na parede ao mesmo tempo em que sentia sua boca incrivelmente seca, sua mente conturbada estava cada vez mais pesada e seu coração parecia que alguém apertava lhe causando a mais profunda e silenciosa dor.

Esforçou-se em olhar diretamente nas íris castanhas e decepcionadas de Hermione, sentindo como se algo estivesse entalado em sua garganta o impedindo de respirar. Suas mãos que até então estavam inertes tomaram vida própria quando tocaram levemente as da morena que ainda lhe segurava, sem grande dificuldade a afastou de si, escutando o soluço alto da amiga que foi amparada pelos braços de Rony, trocaram um olhar repleto de significados a fazendo se desmanchar em lágrimas.

-Eu fiz minha escolha, se irei me arrepender ou não é algo que não tem nada haver com você. Porque não consegue deixar de ser enxerida pelo menos uma vez na sua vida?! - Sua voz soava rouca e vez ou outra falhava levemente, Rony o olhou com raiva, provavelmente se ela não estivesse agarrada a ele teria lhe socado o nariz. –Por que não vai embora? Afinal você esta do lado dela mesmo.

Nada mais foi preciso ser dito, em um minuto os três estavam se olhando e no outro Hermione saia correndo da casa, sendo seguida pelo namorado, após lhe socar merecidamente.

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E esse foi o triste fim de uma amizade de anos de confiança, dedicação, carinho, amor. Uma amizade supostamente inabalável.

-Nada é inabalável! -Concluiu Harry em pensamento.

Ainda perdido em seus devaneios pode ouvir o som da campainha soar repetidas vezes, bateu a mão na testa com raiva pensando em algumas maldições que poderiam ser proferidas contra a visita indesejável.

Depois do jantar com a família onde todos aproveitaram a companhia da caçula Weasley e sua amiga, esqueceram-se do fato do moreno ter saído de forma tão drástica. Gina foi para o antigo quarto acompanhada da amiga.

Não pode deixar de notar que seu quarto se encontrava exatamente como havia deixado anos atrá paredes ainda exibiam um papel de parede rosa suave, a cama de madeira era de solteiro e apenas por isso coubera no pequeno espaço em baixo da janela. Lembrava das noites em que abria a cortina e fica acordada boa parte da noite apenas admirando as estrelas. No canto direito do quarto havia uma pequena escrivaninha de aparência antiga, mas ainda sim conservada, passou todo o começo da adolescência escrevendo poemas de amor. Será que ainda existia algum guardado? Se perguntava mentalmente.

E coberto por dois pôster de bandas bruxas estava o pequeno guarda roupa, ao abri-lo notou que sua mãe havia lançado um feitiço para conservar e proteger suas roupas que estavam penduradas em cabides, como se esperando pelo seu retorno.

-Seu quarto é bem bonitinho. - Respondeu a loira que estava sozinha com a amiga ali. -Não me leve a mal ruiva, mas esse quarto não é nada parecido com o seu de Nova York.

Gina retirou o cabide com a vestimenta de Hogwarts, deslizou a mão pelo respondeu a amiga, sua voz estava rouca.

-Quando estava a caminho de Nova York, prometi para mim mesma que teria uma vida nova, totalmente diferente da qual eu vivia aqui. –Respondeu distraidamente. –Naquele dia eu decidi amadurecer, mesmo que fosse da forma mais difícil.

Nesse momento Fred e Jorge trouxeram as malas das duas, que agradeceram enquanto a mãe da ruiva conjurava uma segunda cama para uma encabulada Jéssica.

Deitaram-se mais cedo do que de costume, cada uma imersa em seus pensamentos, após alguns minutos em um silêncio sufocante a loira decidiu quebrá-lo de uma vez por todas ao ver o brilho de tristeza no olhar perdido da amiga.

-Anda ruiva. –Falou a loira chamando a atenção de Gina que a encarou com confusão. –Diga logo de uma vez por todas o que esta passando por essa sua cabecinha ruiva.

Gina a olhou com tristeza enquanto se sentava, encolheu as pernas e as abraçou em um gesto de fragilidade. Jéssica se sentou no espaço deixado pela amiga.

-Me enganei ao aceitar voltar. - Confessou a ruiva de forma dolorosa.

–Não poderia ter voltado a esse lugar. Vê-lo só fez acordar uma mágoa que tinha trancafiado, é como se o meu coração voltasse a entrar em chamas.

A loira sorriu de forma compreensiva, depois desviou seu olhar para o teto.

-Lembra da primeira vez que te vi? -Perguntou Jéssica, no que Gina confirmou levemente. –Naquele dia eu tinha acabado de brigar com meu pai, ele queria que eu larga-se o curso de auror. Ele nunca me explicou o porque, mas me disse que Brian Hart, o ministro, era o seu inimigo e que ele faria o possível para me atormentar. -Ela respirou profundamente, aquela havia sido a primeira briga séria entre pai e filha. -É lógico que fiquei furiosa, vi meus sonhos serem atormentados por um homem que eu deveria respeitar mas que já me odiava, quando entrei naquele refeitório naquela manhã meu humor era um dos piores e decidi que você seria minha vitima perfeita quando esbarrou em mim. Acho que poucos podem dizer que teve um começo de amizade como a nossa.

Gina deu risada, era verdade, elas tinham se conhecido em um acidente nada agradável, o mais incrível foi que em meio a um bate-boca as duas de forma totalmente inusitada começaram uma amizade.

-Como se eu pudesse esquecer, você disse naquele dia palavras que nem mesmo um bando de torcedores de quadribol teria coragem de dizer. –Comentou divertida.

-Verdade, mas a culpa não é minha se cresci cercada de homens! – Falou enquanto balançava os ombros de maneira displicente. – Naquele dia mesmo não conhecendo ninguém e com uma louca gritando com você, nunca deixou de se manter firme e me desafiar. – A caçula Weasley corou levemente com o comentário. –Desde aquele dia eu vivo tendo a confirmação de que não importa o que aconteça, você sempre conseguirá superar. –Se voltou para Gina novamente com seriedade. – Seja para o que for e como for eu estarei aqui para lhe ajudar, Adrian sabia o que estava fazendo quando lhe escolheu. Ele acredita que você consegue superar isso, e eu também.

Ao abrir a porta se deparou com a imagem de uma mulher de estatura média, um pouco robusta, de olhos cor de mel e cabelos flamejantes. Seu semblante transparecia cansaço mas ainda mantinha um leve sorriso em seus lábios avermelhados.

Durante um bom tempo a olhou de boca aberta como se ela fosse do outro mundo, ela por sua vez parecia cada vez mais sem graça. De repente percebeu o que fazia, e se afastou de forma a dar passagem para a mulher a quem considerava como mãe.

Harry conduziu Molly até a sala, sentindo-se corar cada vez mais ao ver o olhar aparvalhado e contrariado da matriarca dos Weasley. Droga, deveria ter dado um jeito no seu apartamento antes que isto acontecesse.

Ela pareceu se esquecer por alguns segundos do que estava fazendo e se virou com a face carrancuda e as mãos na cintura.

-O senhor pensa em arrumar está bagunça quando? –Perguntou como sempre mandona.

O moreno apenas deu um sorriso sem graça, bagunçou os cabelos de forma desleixada.

-Para dizer a verdade, penso em contratar uma empregada. -Comentou encabulado.

-Mas você não pode dormir neste lugar, não desse jeito. -Exclamou a mulher, se virou e passou a analisar o apartamento atentamente sob o olhar curioso de Harry. –Eu falei para Arthur que vocês estavam saindo de casa cedo demais! Onde já se viu morar em apartamento assim. -Falou resmungando enquanto arrancava a varinha do bolso do casaco, avaliando as coisas a sua volta atentamente. -Vejamos o que podemos fazer. –E logo começou a fazer pequenos gestos com a varinha enquanto sussurrava alguns feitiços.

Aos poucos Harry foi vendo as coisas voltarem ao seu devido lugar, tentou impedir a mulher mais de uma vez de fazer isto por ele, mas ao receber um olhar de censura deixou que trabalhasse enquanto seguia todas as ordens dela. Fizeram diversos feitiços em silêncio e após duas horas de muita magia tudo parecia em seu devido lugar. Largaram-se no sofá e se serviram do refresco que ela mesma fez questão de conjurar na poltrona a sua frente.

-Nem sei como lhe agradecer Sra. Weasley. –Falou Harry constrangido.

-Ora Harry, você está cansado de saber que pra mim é como um filho. Um filho bem bagunceiro, devo acrescentar. -Falou divertida o fazendo corar e murmurar obrigada novamente, ela abanou a mão demonstrando que não precisava daquilo. -Ora, deixe disso. O que é arrumar umas bagunçinhas quando se teve sete crianças em casa, e olha que Fred e Jorge valiam por quatro.

Os dois ficaram durante um tempo apenas apreciando o silêncio daquela madrugada, cada um buscando as palavras certas, por mais carinho que houvesse entre eles ainda assim era constrangedor o que havia acontecido no passado, e isto trazia alguns momentos desconfortáveis até hoje.

-Queria que soubesse que Gina não nos avisou que estaria vindo. –Despejou a Sra. Weasley de uma vez.

-A senhora não precisa me explicar nada, Molly. –Respondeu Harry tranquilamente. -Independente do que tenha acontecido entre... bom... ela é sua filha e não posso e nem quero trazer nenhum transtorno para vocês. -Ele manteve a cabeça baixa, não queria encontrar seu olhar. Engoliu em seco. –Não fiquei nenhum pouco chateado, prometo. –Tentou encontrar a melhor maneira de se expressar, mas só podia ser sincero com ela. –Apenas não poderia continuar ali, não com ela lá.

Às vezes a verdade doe tanto quando se é ouvida que nos faz considerar que o melhor para aquele caso seria mentir. Naquele momento, Harry se perguntou porque não tinha mentido. Os olhos da matriarca marejaram e ela teve que morder o lábio para não deixá-las escorrer por sua face. Ela ainda teve o gesto de dar leves tapinhas em seu joelho, lhe mostrando que estava tudo bem.

Um leve barulho de uma pena riscando um pergaminho. Foi o que a ruiva ouviu assim que acordou, se espreguiçou lentamente em sua cama ainda sem abrir os olhos. Oh, como era bom dormir! Sua vontade era de ficar ali deitada o dia inteiro e esquecer que existia um mundo cheio de obrigações lá fora. Porque não tinha vindo antes? Poderia ter aproveitado há muito tempo a companhia da família.

"-Céus como era bom estar de volta. –Pensou com alegria, mas logo fez uma leve careta ainda olhos fechados. –Não posso esquecer o porquê estou de volta."

Voltou a prestar atenção ao som da manhã, fora a pena riscava o pergaminho também poderia identificar o canto dos passados e o baixo ranger de madeira ao ser pressionada pelos passos de alguém grande.

Esticou-se na cama e entreabriu o olho esquerdo apenas para ver a imagem da amiga girando distraidamente a pena entre os dedos, viu o exato momento em que o rosto dela pareceu se iluminar com alguma ideia, voltando a escrever com um leve sorriso nos lábios. Provavelmente não havia se dado conta que era observada.

-Se você não parar de fingir que esta dormindo, iremos acabar nos atrasando para a bendita reunião.

Estava enganada, ela havia notado. Arqueou a sobrancelha e a americana riu divertida enquanto assoprava o pergaminho afim de ajudar a tinta a secar.

Após fazer toda a sua higiene pessoal encontrou Winky na cozinha preparando a mesa, Jéssica já estava sentada esperando pacientemente pelo seu café da manhã, enquanto lia o profeta diário.

-Winky onde minha mãe foi? -Perguntou a elfo, logo que notou a ausência da mãe.

Essa tremeu levemente a mão derramando um pouco de suco na toalha limpa da mesa, a caçula dos Weasley a olhou curiosa.

-Winky não sabe, menina Weasley. –Falou a elfo.

A americana sorriu divertida para a amiga. Gina revirou os olhos e a mandou voltar a atenção para o jornal.

Escutou com pesar o despertador tocar, permanecendo alguns minutos a mais com os olhos fechados, estava cansado demais. Tinha passado praticamente a noite toda acordado e aqueles feitiços para arrumar o apartamento realmente consumirá a sua energia.

A imagem de longos cabelos flamejantes, lábios vermelhos cereja e seios fartos lhe preencheu a mente. Seu coração bateu de forma acelerada e ele logo tratou de culpar a raiva.

Pensando calmamente em tudo que estava acontecendo era como se estivesse de alguma forma a conspirar para aquele confuso momento, era estranho que após meros dias em que terminou com Vanessa, sua ex retornou de sei-lá-onde para infernizá-lo. Era um rato preso em uma armadilha.

Antes que pudesse desistir da ideia de sair da cama se ergueu rapidamente e se trancou no banheiro, assim espantaria qualquer tentação de permanecer envolvido pelo lençol de seda.

Não se encontrava totalmente desperto quando visualizou o relógio da parede, havia demorado mais do que poderia no banheiro e agora estava atrasado. Lançou um olhar exasperado ao seu reflexo do espelho, sua face indicava que não havia pregado os olhos na noite anterior.

-Cadê a Vanessa para me ajudar com algo como isso? Qual será a merda do feitiço que tira isso. –Resmungou para si mesmo, olhando com desagrado as olheiras arroxeados em baixo das ìris esverdeadas.

Colocou as calças e o sapato ainda olhando pro relógio, vendo que não teria mais tempo carregou a camisa e o casaco consigo, ao fechar a porta de sua casa por coincidência do destino o elevador parou no seu andar, algumas senhoras estavam dentro do pequeno espaço, devoraram com os olhos seu tórax nu. Assim que chegou na portaria tinha acabado de abaixar a camisa, fato esse que não deve ter agradado nenhum pouco a sindica que vinha em sua direção, sua cara não estava nenhum pouco amigável.

Bufou de forma irritada e desviou da velha quando ela apontou o dedo acusadoramente, a deixou boquiaberta no saguão do prédio e partiu com um discreto sorriso.

Chegando ao ministério passou por todos rapidamente distribuindo discretos acenos aos conhecidos, correu e entrou no elevador antes que a porta fechasse.

-Sétimo andar, por favor. –Pediu ao adentrar no elevador.

Enquanto a porta se fechava seu olhar impaciente permanecia fixo nos pequenos números acima da porta, eles mudavam conforme o andar que atingiam.

Bateu na porta e está se abriu quase no mesmo instante, evitou olhar para qualquer um dos membros da reunião, pois sabia que era observado com olhares recriminadores. Preocupou-se em fingir que estava arrumando a manga da camisa, por conhecer muito bem aquela sala caminhou até onde ficava o seu lugar de costume, evitando continuar fazendo papel de ridículo colocou um sorriso simpático nos lábios e ergueu o olhar, mas nada o faria se preparar para o que veria.

...

Meia hora antes do combinado as duas se apresentaram para a atendente do Ministério, a mulher as encarou com desgosto até seu olhar recair sobre o sobrenome Weasley do segundo crachá.

-Ginevra Molly Weasley. -Leu em voz alta, se arrumou o máximo que conseguiu e mudou totalmente o comportamento com as duas, de aborrecida tornou-se atenciosa e educa -Oh, a sala de reunião dos aurores é no sétimo andar, sigam em frente e entre a primeira a direita que encontraram os elevadores.

Jéssica arqueou as sobrancelhas em desconfiança enquanto a ruiva revirava os olhos de desaprovação, sem nem ao menos agradecer a mulher as duas pegaram seus crachás e seguiram na direção indicada, o que fez com que a atendente resmungar em desgosto.

-Eu ouvi! –Exclamou a ruiva virando-se repentinamente para atendente.

Quem estava perto riu da cena, afinal não era todo dia que uma atendente do Ministério ficava tão irritada, pelo contrário, elas que costumavam tirar a paciência dos visitantes.

-Por favor, poderia apertar o sétimo andar? –Pediu a ruiva.

O homem apenas acenou afirmativamente, enquanto o elevado subia as duas conversava animadamente.

-O que faremos quando sairmos desta reunião chata?-Jéssica perguntou animada.

-Que tal irmos para casa e descansarmos?

A loira arregalou os olhos incrédula e começou a passar a palma da mão na fronte da amiga, como se estivesse a medir sua temperatura.

-Não, não esta com febre. –Falou Jéssica em voz baixa, para exclamar logo em seguida sobressaltando os dois. -Já sei!

-O que?-Gina perguntou mal-humorada.

Se aproveitando do fato do elevador estar cercado de espelho a loira dirigiu seu olhar para um deles e começou a ajeitar sua roupa de forma pomposa, aquilo lhe lembrou muito de Draco Malfoy. O que arrancou uma leve risada da ruiva.

-Vamos me diga sua farsante. Onde você colocou minha amiga?

Gina passou alguns segundos ainda a encarando bobamente para depois bater a palma da mão em sua própria testa e resmungar algumas coisas ininteligíveis onde só se entendia pequenas palavras como louca, besta e inacreditável.

-Não acredito que você quer ir para casa. -O tédio e a decepção eram visíveis na voz da loira.

As duas se encararam por um tempo até que Gina olhou para o teto do elevador e jogou os braços pra cima em sinal de desistência.

-E para onde você quer ir?

-A pergunta certa é: Para onde não iremos ruivinha!

Isso fez com que ambas acabassem por rir, como duas mulheres adultas poderiam se comportar como crianças de uma maneira tão natural, sem ao menos se preocupar com o que poderiam pensar delas.

Desceram do elevador e ficaram esperando na antessala por um longo período até que o chefe da sessão viesse enfim até elas, mostraram seus crachás. Kingsley, velho conhecido da Ordem, primeiro pareceu extremamente surpreso ao ver a caçula dos Weasley. Posteriormente a cumprimentou com entusiasmo as convidando a entrarem. Porém estava tenso e tinha certeza que ambas as aurores havia percebido isso.

Harry por pouco não deu as costas e voltou para o seu apartamento. Porque, só poderia aquilo ser fruto de alguma alucinação! Ela não estava ali. Por Merlin, ela não podia estar ali!

Parado e com o olhar fixo em um único ponto, sentiu duas mãos lhe tocarem os ombros gentilmente o conduzindo para o outro lado da mesa. Porque seu costumeiro lugar se encontrava ocupado. Okay, ele não era um cara sistemático, nunca teve nenhum impulso sobre esse tipo de coisa. E a questão principal não era o lugar ocupado, e sim o ocupante, ou melhor a ocupante.

Recebendo leves e amigáveis tapas no ombro, que lhe diziam claramente para manter a cabeça fria.. Harry abaixou os olhos para os papeis a sua frente e respirou profundamente, precisava botar em pratica todo aquele treinamento sobre auto controle. Ao voltar a erguer a cabeça, Kingsley o olhou, conhecia o chefe e sabia que ele dava aquele olhar sempre que precisava conversar com alguém a sós depois.

Pensou que estava com cara de bobo, mas teve o consolo de saber não ser o único.

Do outro lado da mesa, Ginevra Weasley tinha o semblante tão incrédulo quanto o dele.

-Agora que todos estão presentes. - Kingsley começou a dizer, arrancando a atenção de todos para ele. -Daremos início a reunião.

O chefe de aurores não era mais Gawain Robards, ele havia fugido na época em que o Ministério estava cheio de espiões, alguns diziam que ele foi pego em uma emboscada por lobisomens partidários de Voldemort. Sendo assim, Kingsley Shacklebolt foi indicado a assumir o cargo, era um homem de fibra e não havia dúvida sobre de que lado estava, era um dos homens de Dumbledore e em nenhum momento se negava em afirmá-lo.

Na sala havia poucas pessoas, apenas as que de fato participariam da missão. Isso era um velho costume de guerra que Kingsley adquiriu, só confiava às informações para aqueles que as executaria. No total era apenas Kingsley, Rony, Ginevra, Jéssica e Harry.

Esse último, fingia-se de compenetrado, mas mentalmente estava em um conflito interno. Alguns dias atrás foi informado sobre o conteúdo da missão, assim como, sobre o reforço que viria dos Estados Unidos e com toda sua arrogância em nenhum momento pensou na possibilidade de ser justamente a auror que mais odiava no mundo. O correto ao seu ver seria se erguer daquela cadeira e recusar trabalhar com ela, porém se desistisse iria demonstrar insegurança e imaturidade, e não daria aquele gosto para ela. Se ela poderia ignorar o fato deles se conhecerem, ele faria o mesmo.

Gina entregou a carta de recomendação feita por Adrian, o que fez com que o homem negro as encara-se de forma amigável.

-Sendo vocês as aurores, não irei há necessidade de verificar suas recomendações. – Ele falou com um sorriso.

Encabuladas sentaram-se. Ele pediu calmamente para que elas se acomodassem e aguardassem o restante da equipe, enquanto isso Ginevra falava sobre como conhecia Kingsley Shacklebolt, e ele lançava feitiços no vazio acima da mesa.

Logo Rony entrou pela porta e abraçou as duas de maneira animada. Não perceberam quando a porta foi aberta dando passagem para um homem alto, esbelto, de cabelos arrepiados que andava de forma distraída.

Apenas quando Rony se afastou, perceberam a presença de Harry. Levaram um susto ao vê-lo de maneira tão inesperada, ao menos tinham se preparado para o caso de encontrá-lo nos corredores, mas não ali, não naquela sala pequena e com uma única saída, e principalmente não consideraram a ideia absurda de trabalharem juntos.

Passaram uma boa parte do tempo se encarando, ambos sabiam que o outro não iria dar o braço a torcer e portanto não desistiriam da missão, para si próprio aquilo seria algo imperdoável.

Depois de algum tempo, que para eles pareceram horas, acabaram por entrar em um acordo silencioso de se ignorarem, como se nunca estivessem se visto antes.

-Vamos dar início. –Começou a falar Kingsley, quando todos estavam sentados confortavelmente. –Há alguns meses em Cambridge vem ocorrendo uma série de desaparecimento e mortes, nesse bairro foi detectado uma grande quantidade de desaparecimentos e mortes. Descobrimos através de pesquisas feitas por um dos nossos aurores que existe um nível considerável de magia negra vinda daquele lugar, infelizmente não conseguimos detectar exatamente quem esta a utilizando.

Kingsley deu uma pausa enquanto bebia um leve gole de sua garrafa de água, pegou um controle remoto na mão e apontou para o telão a suas costas, isso surpreendeu as duas mulheres, que não estavam acostumadas a verem alguém do Ministério usar aparelhos trouxas.

-Utilizamos algumas das tecnologias trouxas que achamos interessantes no auxilio a nossos aurores. -Explicou ao notar a curiosidade de ambas com o meio utilizado.

As duas concordaram com leves acenos, no que ele deu uma risada.

-Essa é uma história bastante interessante, mas acho que devem perguntar a Hermione Granger, ela foi a grande responsável por isso. –Falou com certo orgulho.

Rony estufou o peito orgulhoso da noiva, enquanto Gina e Jéssica trocavam um olhar divertido, até mesmo a americana havia se simpatizado muito com a futura cunhada da amiga quando a conheceu na noite anterior.

Gina desviou o olhar e viu um leve sorriso na face do moreno, este por sua vez ao sentir o olhar dela sobre si tirou rapidamente o sorriso dos lábios e desviou seu olhar para o chefe.

-Podemos prosseguir? –Pediu Harry incomodado.

Rony pareceu repentinamente entristecido com a atitude de Harry.

-Oh sim, me desculpem. Acabei me desviando do foco. –Falou enquanto apontava novamente o controle remoto para o telão que passou a mostrar a foto de um casal em frente a uma loja de vestido de noiva. – Estes são os futuros marido e mulher Sr. Eric Johnson e Melane Padalecki, casal este em que vocês iram se disfarçar. -Deu uma leve pausa para olhar intensamente tanto Harry quanto Gina, que sentiram-se desconfortáveis. –Os dois iram se casar daqui 5 dias e em seu casamento encontraram algumas das pessoas mais perigosas que existem em nosso mundo bruxo, por isso necessito da máxima concentração e profissionalismo dos dois nesta missão, não podemos nos dar ao luxo de por tudo a perder! –Falou pela primeira vez com o semblante sério e olhar penetrante, tanto o moreno quanto a ruiva entendeu exatamente do que ele falava.

A loira levantou a mão interrompendo a pressão que o casal de aurores sentiam naquele momento, chamando para si a atenção de todos, inclusive do homem negro.

-Sim, Srta. Landon?-Perguntou de forma educada.

-O Sr. esta me dizendo que eles se passaram por pessoas de verdade? Mas qual seria o sentido disso?

Sorriu-lhe brevemente e se sentou de forma mais largada em sua poltrona, contemplando a foto do casal no telão.

-Não só estou dizendo que se passarão por pessoas de verdade como também por um casal bruxo muito esperto que já roubou mais de 24 milhões de dólares. – Ergueu a cabeça levemente para trás e disse de forma calma. –Você deve reconhecê-los pela marca que eles deixam após cada roubo.

-Um galeão. –Falou Harry sem perceber. -Então quer dizer que vocês finalmente descobriram quem são esses filhos da mãe? –Perguntou por mais óbvio que fosse a resposta, queria apenas ter a confirmação do que há tanto tempo havia sido o trabalho de vários colegas seus.

-Não só descobrimos como juntamos provas contra eles. –comentou de forma serena. –Mas, a melhor parte ainda esta por vir. - Voltou a virar a poltrona para poder ficar de frente a eles. –Ninguém sabe na verdade que eles foram descobertos. Ninguém deve tomar conhecimento desses disfarces, porque não pretendemos denunciá-los pelos seus crimes agora.

Como assim eles não serão denunciados? O que Kingsley estava aprontando? Seja o que fosse que o chefe tramava, sabia que tinha sido pensado nos mínimos detalhes. Kingsley nunca dizia nada que não tivesse a absoluta certeza que iria funcionar.

-Qual o objetivo disso? Afinal com as provas o que impede de denunciá-los? –Perguntou Harry o que todos estavam tentando descobrir em silêncio.

Os olhos escuros de Kingsley começaram a brilhar, este parecia estar a se divertir muito com tudo isso.

-Digamos que no momento Eric e Melane se tornaram bastante uteis para nós, e ninguém pode desconfiar que eles foram descobertos senão tudo estaria perdido. Por hora, estou a espera de uma pessoa que irá dar maiores detalhes para os senhores, por enquanto basta saber de que esses serão seus futuros daqui poucos dias.

Harry e Gina se viram calculando a data do casamento, no máximo teriam cinco dias antes de começarem a missão. Isso daria a eles menos tempo do que talvez precisassem para se acostumar com a ideia de que terão que conviver por um longo período disfarçados de recém-casados.

Ao olhar a foto novamente, passaram-se a imaginar como aquele casal. Eric era branco, de olhos azuis e cabelos negros que eram mais cumpridos do que os de Harry, pelo que via na foto ele mantinha um cavanhaque bem cuidado e era da mesma estatura que ele, tinha uma postura desleixada, até mesmo agradável. Melane e Gina tinha várias coisas em comum, como, por exemplo, o tom extremamente branco da pele de ambas, ou seus cabelos ruivos, apesar dos da Gina ainda serem mais flamejantes do que o da outra, infelizmente Melane era um pouco mais magra e baixa do que Gina.

Quem os visse nunca imaginaria que ambos eram ladrões, já que mesmo em fotos o casal mantinha uma pose simpática.