Alguns personagens e o universo abordado pertencem a Stephenie Meyer
Depois de entregar os gráficos para ludi, que já estava em situação de desespero, pois não sabia onde tinha enfiado a bendita pasta, voltei para casa prestando atenção por onde andava para ver se não topava com mais nada.
Meu corpo ainda doía, e eu fiquei lembrando do cara e pensando se ele era mesmo real – bom solido minhas costelas sabiam que ele era. Eu não me lembrava de ter visto o rosto dele ou sentido a presença dele naquele beco antes do nosso acidente. Deixei pra lá a sensação que esta cidade me inspirava já era inquietante o suficiente, não necessitava de mais uma coisa para me perturbar.
Aquela sensação de frio na nuca me seguiu até em casa. Entrei e tranquei a porta, eu não sabia o que estava me incomodando, mas de uma coisa eu tinha certeza eu não gostava daquilo. Tentei relaxar, tomei um banho arrumei umas coisas e decidi que não ia ficar mais me escondendo dos meus problemas – talvez eu voltasse para casa no fim da semana.
Por volta das seis ludi me ligou dizendo que ia sair com o pessoal do trabalho e perguntou se eu não queria ir, disse a ela que não estava muito afim mas se mudasse de ideia ligava. Jantei assisti um pouco de TV e fui dormir cedo.
Deitei realmente cansada mas não consegui dormir, virei de um lado para outro sem saber o que me incomodava- na verdade eu sabia mas estava ignorando. Eu estava incomodada com o cara de hoje cedo, ele nem esboçou tentativa de me ajudar, ou disse algo, ou se mexeu... não dava mais levantei.
Era por volta de dez horas quando sentei na janela e comecei a ler, a noite estava fresca e mais confortável do que a casa. Estava entretida com o livro quando comeceia ouvir gritos. Larguei o livro ficando de pé e indo até a porta para saber o motivo daquilo tudo.
Os vizinhos estavam brigando, ou melhor o vizinho Sr Marcello estava batendo na mulher que gritava pedindo por ajuda. Saí de casa e fui em direção à porta deles, eu não sabia o que fazer – não vi mais ninguém saindo ou se incomodando com aquilo- estava tirando o celular do bolso para chamar a policia quando vi um movimento no beco ao lado.
Ao chegar mais perto constatei que era Bianca com seus dois irmãos mais novos. Eles estavam com a roupa de dormir, descalços, escondidos no escuro e com as mãos nos ouvidos para abafar os gritos da mãe – aquilo enfiou um punhal em mim. Fui até eles e me abaixei chamando por ela, a criança apenas me olhava vidrada e os gritos continuavam.
Peguei o menor no colo e fiz sinal para os outros me seguirem. Os acomodei na sala de ludi e fui direto ao telefone chamar a policia. Não falava italiano muito bem, mas sabia o básico- pedi ajuda - disse que os vizinhos estavam com problemas.
Voltando a sala encontrei as crianças na mesma posição que deixei, peguei umas mantas no andar superior e oferecia a eles junto com um pouco de leite e biscoitos. Os meninos que deviam ter por volta d anos foram comiam avidamente enquanto Bianca apenas mordiscava o dela.
Cerca de 15 min depois a policia chegou e não havia mais gritos. Contei ao policial da melhor forma que pude o que havia acontecido e de como havia encontrado as crianças. Um tempo depois eles saíram da casa dos vizinhos com o Sr Marcello algemado e sua mulher em uma ambulância.
O policial, Sr Biardi, disse que levaria as crianças para um abrigo da igreja até que alguma decisão sobre eles fosse tomada. Pedi a eles que deixasse as crianças comigo ao menos esta noite, pois eles já haviam passado por muito. Ele não gostou, disse que não era o procedimento, mas acabou cedendo quando as encontramos dormindo no sofá.
Carreguei as crianças ate meu quarto e as acomodei em minha cama. Eu não sabia o que tinha me levado a isso, mas acho que depois da cena do beco eu não ia deixá-las sozinhas.
Eu comecei a fechar a casa quando percebi alguém no telhado da frente olhando diretamente para mim, antes que eu pudesse pensar em reagir um carro entrou pela rua e parou na frente da casa, era ludi com um amigo. Olhei rapidamente para o telhado e não havia mais ninguém.
