Alguns personagens e o universo abordado pertencem a Stephenie Meyer
Demetri POV
Volterra estava tediosa como sempre, sem desafios só restava me alimentar dos turistas que Heidi trazia e patrulhar a cidade em busca de invasores que raramente apareciam- vampiros se preservam os suicidas são raros.
Felix havia me irritado a manhã inteira com sua sede e o fato da demora da comida. Resolvi sair um pouco. Fui pelos túneis até a esquina da viela de acesso ao mercado, prendi a respiração e subi de uma vez, assim que toquei o solo algo se chocou comigo.
Virei rapidamente em tempo de ver uma massa de cabelos negros cair no chão, era uma humana. Antes que eu pudesse reagir e evitar maiores estragos ela pegou os objetos que havia derrubado e saiu correndo se desculpando sem me olhar nos olhos. Ela não havia percebido.
Respirei aliviado e sem aviso fui tomado por agonia, minha garganta queimava como nunca havia queimado antes em milênios de existência. O cheiro em minhas roupas e na rua eram desorientadores: rosas e pimenta, como isso era possível?
AQUELA HUMANA ERA MINHA! Eu iria drenar cada gota de seu sangue, procurei sua assinatura mental pela cidade e a encontrei no Banco. Eu não poderia caçar com o sol alto e em público e muito menos dentro da cidade.
Eu pensaria em outra estratégia. Primeiro teria que me livrar das roupas para que nenhum outro sentisse o perfume dela e depois teria que calcular cada movimento. O sangue dela cantava para mim e ele seria todo meu muito em breve.
Era noite quando me dirigi em direção a sua mente pela cidade, eu podia ouvi-la dentro de casa a questão era se seria seguro entrar, com as novas tecnologias humanas um alarme seria o suficiente para trazer a policia, não que fizesse diferença, mas se eu ia me justificar com Aro depois o estrago tinha que ser mínimo e não presenciado por qualquer membro da guarda.
Me posicionei em um telhado articulando o que fazer quando gritos começaram em uma das casas em frente, uma mulher estava apanhando. Eu não gostava destas merdas porém, até que viria a calhar. Eu usaria isso como camuflagem para meu ataque. Antes que eu entrasse ela saiu, era meu dia de sorte.
A observei andar ate a origem dos gritos. O que essa humana pensa que está fazendo? Tremi de ódio, ela iria arriscar a vida naquela casa quando era eu quem tinha que matá-la? não importa ela não ia muito longe.
Preparei meu ataque verificando se ninguém nos via, ao mesmo tempo ela se deteve no beco entre as casas e a ouvi prender a respiração. Congelei o que estava acontecendo? Ela chamou alguém, merda.
Ela entrou no beco e então eu vi. Três crianças escondidas e apavoradas, ela pegou um deles no colo e fez sinal para os outros. Que porra, o que eu fazia agora se eu os matasse ninguém perceberia, mas alguém daria falta das crianças.
Ela entrou e eu ouvi os movimentos na casa, resolvi esperar para ver. Vi a policia chegar as conversas dentro da casa, ela iria ficar com as crianças – tocante, se eu pudesse vomitar vomitaria.
Os policiais se foram e ela começou a se mover novamente quando foi ate a porta e olhou pra cima. Era agora ela era minha, me estiquei e travei onde estava com o barulho de um carro. Malditos humanos, gostava do tempo em que usavam carroças, não tinha jeito não ia ser hoje, parti furioso e em agonia tanto pela sede quanto pela espera.
Já havia anoitecido e eu sai pela rua de acesso ao mercado, a noite de ontem tinha sido um fracasso a de hoje seria melhor. Eu só precisava da oportunidade e neste instante congelei – ela estava andando a minha frente. Sorri para mim mesmo, eu iria me divertir, fazer ela vir ate mim, todas vinham, a beleza de um vampiro é uma arma quando se trata de caça. Uma pena que não estava com as lentes humanas, são horríveis porém, seria ainda mais divertido mas não importava ela não iria ver meus olhos por muito tempo.
Resolvi fazer ela tomar conhecimento de minha presença e de quem era a culpa por sua morte, afinal ela atravessou meu caminho.
- non stai oggi calpestare qualcuno? (não está atropelando ninguém hoje?)- indaguei e assisti ela congelar por um segundo, bom.
_ non solo che il martedì ( não só as terças) - disse de forma ácida e continuou andando sem sequer me olhar, quem esta humana pensa que é? Parei a sua frente, rápido demais para que me visse chegando e me escondi nas sombras e tomei um pouco de ar fresco antes de falar.
- lei sembra un po 'maleducata no? forse si dovrebbe chiedere scusa in modo appropriato (ela é um tanto mal educada não? talvez você devesse se desculpar de forma apropriada)- eu disse, ela iria aprender boas maneiras antes de morrer.
Ela se moveu, colocou uma mão no bolso e fechou a outra em punho. Ela estava irritada e ia me dar um soco? Me segurei para não rir e a avaliei. Ela era bonita, cabelos sedosos, Pele clara, seios perfeitos, uma boca cheia e olhos castanhos claros que tentavam ver através da escuridão. Uma bela garrafa para um bom vinho.
- non capisco molto di che ha detto, ma solo per la cronaca non era educato (não entendi muito o que disse, mas só para registrar não foi educado) ela disse erguendo a cabeça, atrevida a moça mas não me importei tinha acabado de perceber algo que facilitaria minhas explicações depois
- tuo italiano non è buono, sei una turista? (seu italiano não é bom, é uma turista?)- perguntei em êxtase.
Ela pareceu não gostar, ia encerrar isto quando notei um segundo atrasado que ela havia mexido no bolso e logo em seguida ouvi o toque do celular vindo daquele bolso, não acreditei, como eu havia me descuidado? Me lembrei dela pondo a mão no bolso esquerdo, na hora não me chamou a atenção mas agora. Essa humana desgraçada armou uma saída desde o inicio.
Ela atendeu rápido e eu ouvi pânico vindo do telefone:
- onde você esta, está machucada, porra fala comigo eu mandei a policia atrás de você!
Merda ela não estava sozinha na cidade e eu certamente não queria a policia procurando uma turista desaparecida.
Mi dispiace, devo andare (Eu sinto muito, eu tenho que ir)- disse, a raiva que senti por ter sido enganado por esta humana nao tinha precedentes. Desapareci pelo mesmo local de onde tinha vindo, era certo ela iria morrer era uma questao de honrra.
Passei um tempo fora da cidade cumprindo ordens, nao queria mas fui obrigado e preferi nao levantar suspeitas – nao precisava de Aro em minha mente. Monitorei a assinatura mental de minha presa enquanto eu a sentisse ela estaria viva e esperando que eu ceifasse sua retornar fui patrulhar a praça. eu detestava pois tinha que agir como humano para me misturar e utilizar aquelas lentes malditas.
Estava passando pelo norte da praça quando minha mente registrou a presença dela. Nao resisti fui em sua direção, ser visto em publico com ela nao era boa ideia mas eu nao me importei, precisava ve-la e ter certeza que desta vez eu a mataria.
A encontrei perto da fonte e congelei por um segundo, ela estava linda. Os cabelos estavam soltos em onda pelas costas, trajava um vestido branco longo e leve e sandalias, nao me aguentei queria que ela soubesse que era eu quem estava ali.
- che cosa abbiamo qui? (o que temos aqui?)- disse suavemente
Tive o que esperava, ela congelou- era cômico- e depois se virou. O rosto dela na luz era ainda mais bonito, seria uma pena encerrar sua vida, mas bons vinhos forma feitos para serem consumidos
- guarda chi ha un volto e ha lasciato il buio dei vicoli? (olhe quem tem um rosto e deixou os becos escuros?)- ela disse de forma ácida e agressiva.
Como ela fala com um imortal assim? Ia colocá-la em seu lugar quando vi um policial e outro homem vindo em nossa direção.
-algum problema Heloisa?- o homem perguntou a ela em português, ela era mesmo uma turista- ele esta te incomodando?- ele me olhou como se quisesse mostrar a dama como se chuta um cã que achar graça, eu moeria este imbecil.
Ele acha que tem o direito de se aproximar dela? Ela é minha.
- esta tudo bem- ela respondeu, o português era do Brasil- veio de tão longe só para morrer? Eu não poderia estar mais grato.
- Mi dispiace, non sapeva che la ragazza era acompanhanda ( me desculpe não sabia que a moça estava acompanhada)- disse e desapareci
Sabia aonde ir, esperei por ela em uma das transversais da rua que levava ao mercado, assim que ela passou eu disse:
-Heloisa é um belo nome- e era mesmo, uma bela presa com um belo nome. Ela devia ficar feliz eu nunca a perderia em minhas memórias
Ela não respondeu e continuou andando, fui para seu lado ela parecia brava
-sabe eu sei que você não é muda- disse me divertindo com a expressão em seu rosto.
-resolveu treinar outras línguas?- ela disse dura- você tem razão não sou muda só estava tentando ignorar você.
-e porque faria isso?- fingi estar chocado, mesmo que ela quisesse não poderia me ignorar.
-ahh deixa ver, porque você é um babaca?- ela disse e o ódio me tomou, como essa criatura inferior ousava me ofender?
Á agarrei pelo braço e puxei de encontro a mim. Ela tropeçou e caiu de encontro ao meu corpo, a segurei pelos ombros para que ela olhasse para seu assassino o homem que havia ofendido.
Desejei estar sem as lentes para presenciar o pânico, sim ela teria muito disso antes de morrer, mas fui recompensado com seu olhar de medo. Mantive meu aperto em seus ombros com o cuidado de machucar mas não arrancar, eu ia saborear isso mais tarde, enquanto ouvi ela travar a mandíbula- era um esforço inútil mas ate que eu tinha há que reconhecer ela tinha coragem.
Me aproximei de seu rosto e disse:
- você sempre diz o que quer não é?- sabia que não estava disfarçando meu tom e era o que eu queria, que ela percebesse o quão poderoso eu sou e a criatura insignificante que é.
- por quê? Isso tem que ser só exclusividade sua?- ela disse sarcástica.
Qual era o problema dessa humana, ela não vai começar a gritar? Não que eu fosse deixar mas eu queria vela tentar e fracassar. Cheguei mais perto e podia ver seus olhos- um castanho intenso e brilhante
-eu sei que você esta com medo, eu posso sentir- sim ela estava com medo, eu podia sentir por seus batimentos, sua mascara não cobria tudo eu quero ela me implorando por misericórdia- talvez eu ate ceda, não gosto de ser rude com mulheres.
- você está certo, eu estou com medo - disse ela calmamente me encarando
-não adianta gritar ninguém vai te ouvir - eu disse sorrindo eu iria drená-la agora, se ela não ia gritar tudo bem a sede já era muita e me cansei do jogo. Cheguei a boca mais perto da garganta saboreando
- nunca pensei gritar- ela disse sincera, Por que ela não gritaria? Parei e fui obrigado a olhá-la
- você diz a verdade, mas isso não faz sentido- disse mais para mim que para ela, essa humana não gritaria por ajuda por quê? Todos eles gritam...
- o que não faz sentido?- perguntou ela
- que você não ia pedir por ajuda- disse esperando que ela se tocasse
- como você mesmo observou não ia adiantar, e depois o que quer que você faça não muda o fato de que você é um babaca- O QUE? Eu achando que ela estava aprendendo e ela me ofende novamente? Ela não tinha nenhum senso?
- o que foi? Você acha que não é um babaca? me desculpe, mas você é- ela disse sarcástica
- você quer sofrer? posso cuidar disso- e iria mesmo, comecei a imaginar formas de causar dor a um humano sem que sangrasse se houvesse sangue a tortura dela duraria pouco, eu mal me agüentava agora.
- o que quer que esteja pensando não vai mudar o fato de que acho você um imbecil- disse ela, esta humana era louca só podia ser.
- sua opinião não me interessa- e não interessava mesmo ela era um cadáver
- então por que toda essa cena como se você se importasse?- ela atirou para mim
- ah isso é um problema que vou resolver- eu não me importava queria era ela em seu lugar- o de presa e isso eu resolveria logo, a sede estava ficando pior- mas só por curiosidade por que em sua opinião sou um babaca?- não interessava, mas ia rir disso depois que a matasse. humanos tão cheios de si.
-ah lista é enorme
-fez uma lista?- sim ia ser uma boa piada
-sim, começava com o fato de você achar que é único com direito a uma opinião, mas agora começa com o fato de você achar normal acuar uma mulher, agredi-la e seja mais o que e se divertir com isso- ela disse com nojo e eu congelei, ela achava que eu era um ser tão vil assim? Foi quando percebi que ela pensava que eu era um estuprador, escória humana.
- eu nunca forcei uma mulher em toda minha existência- eu estava furioso, eu nunca desrespeitei uma mulher. Podia ser muitas coisas, mas isso não era – estava quase abrindo uma exceção hoje, porém não, não me sujaria.
-então o que você faz? Se diverte Só agredindo?- disse como se fosse um palavrão, ela estava com raiva e eu estava furioso. Como ela pensava isso de mim? Um humano não suportaria minha ira.
- eu nunca agredi você- disse com os dentes cerrados, ela não sabia o que era agressão...
- e como chama o que esta fazendo?- ela bufou irada
Eu congelei e percebi que para aquela humana eu era não apenas um assassino, mas sim um ser vil, capaz de barbaridades que havia acuado, agredido e ameaçado uma mulher incapaz de se defender. Pela primeira vez em minha existência eu percebi que era isso que eu era. Minhas vitimas não tinham possibilidade de defesa e por mais cortes que eu achasse que fosse eu não era.
A soltei, não sabia o que fazer essa realização se cravou em mim. Lutei diversas batalhas, sempre me achei civilizado, nasci há milênios, tinha prestigio na guarda, era temido e respeitado, era algo mais do que os outros e esta misera humana me mostrou o que realmente eu era.
Estava preso em minha realização quando ouvi três humanos pela escada já muito próximos para que eu escapasse, não sabia o que fazer, eu teria que matá-la isso não era mais escolha. Mas matar quatro ia ser problema com aro.
O homens estavam bêbados e pararam na entrada da rua.
- una coppia di innamorati! Siamo in grado di partecipare alla festa? (um acasal de namorados, estamos convidados para a festa?)- disse um deles e eu congelei quando entendi suas intenções, o ódio me varreu
- lei non sembra troppo felice di vederci (ela não parece muito feliz em nos ver)- o segundo comentou e notei a postura rígida de Heloisa, a mesma que tinha usado comigo segundos antes
- che cosa è questa ragazza, sarà divertente (o que é isto moça, vai ser divertido)- o primeiro deu um passo em sua direção, eu iria aniquilá-lo. Percebi que Heloisa estava prestes a desmaiar e a preocupação me tomou junto com mais ódio, se ela sofresse qualquer dano por culpa deles eu iria matar três e Aro que se dane
- allontanarsi dalla ragazza ora (se afaste da garota agora)- eu disse tentando me controlar, tinha acabado de perceber que eu não iria matá-la, a idéia de ser responsável por qualquer dano a ela era de repente repulsiva, também não gostaria que ela me visse matando, ela podia seguir se ficasse de boca fechada não seria um problema era só ela não ver nada anormal. Assisti ela se mover, achei que fosse correr, mas não se moveu mais, humana estúpida- eu estava com raiva dela novamente.
- non volete condividere? allora penso che dovremo prendere (não quer compartilhar? Então acho que devemos tomar) – disse o terceiro homem e antes que eu dissese a ela que corresse o tolo me atacou ao mesmo tempo que seus comparsas se dirigiram para ela, atirei o corpo do homem contra o muro com força o suficiente para quebrar seus ossos enquanto um deles estendeu a mão para ela e caiu sentado após um chute de Heloisa.
O cara que estava no chão parecia surpreso, e para ser franco eu também estava, mas não me distrai agarrei o segundo homem antes que chegasse a ela o atirei na rua. O outro homem havia se levantado e tentado acertá-la, aquilo só me deixou mais irado, o fiz quebrar mais ossos que seus amigos.
O que eu faria com essa mulher agora? Eu pensei em ter seu sangue como antes, mas não consegui me mover a ideia de machucá-la me corroeu novamente, eu não a feriria, o que estava acontecendo comigo? Toquei em seu ombro, eu precisava saber se estava bem- ela se assustou e rapidamente tomou distância de mim. O que ela viu? Será que percebeu a força sob humana? Ela tinha a expressão vazia, como se estivesse em choque. Eu não sabia como cuidar de humanos, sabia só como matar.
- você está bem? Machucou-se? –ela perguntou
Que pergunta estranha, atacaram a ela não a mim e nenhum humano pode me vencer. Ela está me olhando de forma esquisita, Qual era o problema dela?
-você foi atacada e quer saber como eu estou?- ela era confusa, como podia não estar abalada
- eu estou bem graças a você- ala disse com uma emoção na voz que causou sensações estranhas- quero saber se você não se machucou, e então?- disse de um jeito que me envolveu
O que estava acontecendo comigo porra? Precisava de ar antes de responder
- eu estou bem Heloisa- disse de forma gentil me enrrolando em seu nome, o que estava fazendo?
Um dos imbecis se moveu e o ódio de antes pelo o que queriam fazer com ela me preencheu. Senti uma pluma pulsante no braço e congelei, senti agonia logo em seguida quando inalei o cheiro dela. Percebi que ela havia me tocado me soltado assim que a olhei.
-não suje suas mãos com eles- ela suplicou- eles não valem a pena, a policia cuida deles- ela estava apavorada, como eu desejei que estivesse antes, eu queria mandar este medo embora quando percebi que a causa do medo era eu. Assisti ela chamar a policia, era o certo a fazer já que eu não poderia matá-los agora- eles iriam morrer mais tarde.
- eu não posso ficar- disse em agonia por ter que deixá-la ali no escuro com aqueles trastes ate alguém aparecer, mas eu tinha que ir, tinha que estar no castelo quando esta noticia chegasse e fazer parecer que era um problema só humano.
-tudo bem, eles cuidam disso- ela disse como se adivinhasse os meus pensamentos
-espere- ela disse enquanto eu ia pela rua, me virei sem sequer pensar
-sim- disse cansado e ainda sem compreender meus atos
-eu não sei sue nome
-eu me chamo Demetri- disse antes de perceber que esta não era uma informação para um humano
-obrigada por me salvar Demetri- ela disse sincera, e meu nome em sua boca me aqueceu como se eu tivesse sangue fervendo em minhas veias- e me desculpe pelo meu comportamento mais cedo
Tudo que pude fazer foi assentir tinha acabado de perceber que estava perdido, eu estava confuso, em agonia e sentindo algo que não podia descrever e isso me apavorava.
Voltei para o castelo, deixando apenas que os membros inferiores da guarda e a humana da recepção, Charlotte, me ver – isso bastaria caso alguém perguntasse onde eu estava. Fui direto aos meus aposentos e comecei a andar de um lado para o outro, o que estava acontecendo comigo?
Era ela, ela estava causando minha agonia, ela estava em tudo- o cheiro em minhas roupas, o rosto em minha mente e a sensação de formigamento em meu corpo onde ela tocou. Eu podia me lembrar do seu corpo contra o meu quando a segurei- eu estava respirando de forma irregular.
Busquei sua mente pela cidade e a encontrei na delegacia, seu tom mental estava enfadado – tive que sorrir, pode contar com Heloisa para se sentir enfadada em uma delegacia depois de tudo que houve, medo, agitação, estresse não, não era para ela. Me perguntei o que ela diria e me preocupei com as conseqüências, tinha certeza que ela não me trairia mas ainda sim...
Felix bateu em minha porta dizendo que aro queria que investigássemos sobre os três homens que foram encontrados inconscientes perto do mercado. Não deixei transparecer nada, apenas assenti e o segui em direção a delegacia- ficamos no telhado e ouvimos o interrogatório.
Ela contou com detalhes como foi embora sozinha, encontrou os estranhos na rua, como eles a cercaram- neste ponto houve uma confusão La dentro. Ouvi um dos policiais, que reconheci pela voz como o homem da praça, se exaltar – ele estava furioso pelo o que poderia ter acontecido e acabou sendo expulso da sala, o ódio me tomou novamente.
Quem este humano pensava que era para se atrever a falar com ela daquela forma, a clamar qualquer direito sobre algo que era meu? Antes que eu pudesse me ajudar a realidade me bateu: eu estava preso a aquela humana eu não tinha outra descrição para isto. Eu sabia o nome do sentimento, mas me recusava a aceitar.
Não pude contemplar isso muito bem, estavam chegando na parte que me interessava. Heloisa disse que um outro homem subiu por uma das transversais e se colocou entre ela e os homens no fim da rua. Perguntaram como ele era e como havia derrubado três homens ao ponto de quase matá-los, ela disse que estava com tanto medo que nem olhou só ouviu o som da luta e que o cara que parecia machucado, desapareceu logo depois que ela chamou a policia- tive que sorrir, ela mentia bem.
Não havia mais nada, agora eram só formalidades e fiz sinal para Felix ele assentiu e fomos direto para o castelo. Eu disse que ia checar a guarda enquanto ele informava aro. Estava na sacada quando ele apareceu.
- a moça é problemática não? Como conseguiu arrumar estes problemas logo aqui?- ele disse pensativo e eu encolhi os ombros pensando que era verdade- ela estava aqui a poucos dias e não só tinha sido atacada por humanos como tinha topado comigo.
- fico pensando em como ela deve ser- disse Felix especulando. Eu congelei- não precisava de Felix perto dela, a ideia de diversão dele faria aqueles homens parecerem santos e uma vez que ele sentisse o cheiro...
-fique longe dela- eu disse de forma gélida- você conhece as regras= disse a guisa de desculpa
Ele me deu uma resposta mal educada e se retirou sabendo que eu tinha razão. O problema é quem traria razão para mim?
Eu mal estava suportando a ideia de me distanciar agora, mesmo sabendo que era o necessário... o pensamento de algo acontecer e eu não poder lhe proteger, ou pior de outro estar com ela... Eu podia senti-La e o policial também indo em direção a sua casa; aquilo me moeu- eu deveria levá-la, protegê-la e a ter comigo mas eu sabia que não podia. Eu havia finalmente caído por alguém. Caí por uma humana e não sabia o que fazer.
Depois de muito refletir decidi me afastar, eu era um imortal e ela uma humana se eu a quisesse teria que transformá-la- podia imaginar quão fabulosa ela seria e como seria tocá-la de forma intima como eu desejava, mas ela possuía sua vida e o pouco que conhecia dela me dizia que eu seria odiado pela eternidade por essa atitude.
Minha mente vagava para a dela sem permissão, eu sabia que a melhor forma de evitar a tentação era a distancia mas ainda sim meu corpo doía por falta dela. Me perguntava o que ela estaria fazendo, vestindo ou pensando- podia sentir seu tom mental e nestes últimos dias era alternação entre inquietação e tédio. A inquietação me intrigava o tédio me divertia eu podia imaginá-la mal humorada com o tédio- ela era bonita mesmo de mal humor.
De repente eu precisava dela- sabia que era errado, que me arriscava e arriscava a ela, mas não consegui me conter fui em sua direção.
