Alguns personagens e o universo abordado pertencem a Stephenie Meyer

Era tarde e estava nublado quando me sentei sob uma árvore perto das ruínas. Deixei minha mente vagar- eu estava com problemas parecia que meu pesadelo nunca iria acabar mesmo do outro lado do atlântico ele conseguia me assustar. Minha semana de tédio havia acabado e tinha sido substituída pelo medo, senti as lágrimas descerem, sempre achei que meus pesadelos ficariam escondidos, mas eu não conseguia mais, era hora de contar a verdade para ludi.

- você deveria estar sozinha aqui?- perguntou uma voz atrás de mim, eu não me movi não queria que ele me visse neste estado, não me atrevi a falar não confiava em minha voz.

- estou falando com você, voltou a ser mal educada?- ele parecia divertido

Apenas sacudi a cabeça e antes que eu realizasse ele estava na minha frente. Olhei em seus olhos com aquele violeta estranho e o que vi foi pânico.

-Heloisa o que aconteceu?- a voz dele era só um sussurro

-nada- eu disse com a voz tremula tentando me afastar

- como nada você esta chorando, Heloisa vou perguntar só mais uma vez o que aconteceu?-ele disse com a voz gélida me segurando pelos ombros. Desabei, chorei ainda mais- ele estava em pânico e eu não podia ajudá-lo não achava minha voz, estava ouvindo lamentos enervantes e me perguntei de onde vinham quando percebi que era eu.

Senti Demetri me aconchegar em seu peito, eu chorei pelo que podiam ser minutos ou horas, eu não sei. Em um momento não haviam mais lagrimas, só o silencio- silencio o suficiente para que eu notasse que Demetri não respirava ou possuía batimentos cardíacos audíveis. Olhei para cima chocada e o senti congelar- seu rosto era um misto de medo e pânico.

-Heloisa ..- ele começou a dizer

Sempre soube que ele era estranho, mas isso sinceramente era demais. Estava prestes a me desfazer novamente quando realizei que nunca me senti tão bem em toda minha vida e estava estranhamente confortável mesmo com a bizarrice recém descoberta então resolvi não complicar e deixar pra lá. Eu tinha medo do que descobriria e não queria perde-lo, eu percebi o que já sabia interiormente- eu não suportava ficar longe dele.

- não quero saber- disse em voz baixa- só não me deixe sozinha agora.

-nunca- ele disse com um fervor que me preencheu e me fortaleceu

Me aconcheguei em seu peito, eu o senti estremecer, estava prestes a me afastar quando ele me manteve junto ao seu peito dizendo para eu não me afastar, relaxei e senti seu queixo sobre os meus cabelos. Ficamos assim por um tempo ate que ele me soltou.

-perdão eu não consigo ficar assim perto de você muito tempo- ele parecia agoniado e dividido

-tudo bem- e estava mesmo, eu não queria importuná-lo- obrigada, por ter ficado e me deixado derramar um oceano de lagrimas em você – estava sendo sincera, ele não sabia o quão grata estava.

- disponha, agora pode me dizer a causa disso?- ele disse preocupado

Eu não iria contar, apesar dos momentos de intimidade não ia arrastar ele para isso

-Demetri apenas deixe isso de lado- disse

-Heloisa- ele disse me reprovando, não disfarçando a raiva

Antes que eu falasse meu celular tocou, era Alessandra minha colega de trabalho

- sim – atendi

-Heloisa, encontraram ele- disse a voz do outro lado

Eu fechei os olhos e respirei fundo

- e como ele está?

- ele está bem, foi levado para o hospital, estava inconsciente mas agora está bem foi uma concussão

- eu vou para...- comecei a dizer que estaria no próximo vôo para o Rio

- nem pense nisso! Você está segura onde está

-Alessandra seja razoável

- eu estou sendo, você é que não está- ela disse como se fosse um ponto final-seu apartamento ainda esta interditado, a policia esta retendo sua correspondência. Você sabe que não é seguro.

-eu sei, eu só detesto a sensação de impotência, sobre meu apartamento, as paredes?

-Helo...

-não quero que você me esconda nada

-as pichações foram feitas com sangue do marcos, ele não se lembra, os médicos acham que o sangue foi drenado de um corte no braço dele. Helo você tem mais um mês de férias deixe a policia resolver, conte à Lourdes se quiser vai ser bom você ter com quem conversar ela é forte, vai ajudar você- disse ela, bem sobre a ultima parte eu não estava segura ludi ia surtar, a fortaleza dela era só aparência- ninguém sabe onde você está e vamos manter assim, a policia concorda. Se cuida tenho que ir.

- adeus

Respirei fundo e olhei para cima, Demetri estava me encarando com uma fúria assassina que não compreendi. O quanto desta conversa ele entendeu?

- Demetri eu tenho que ir- me virei, mas ele segurou meu braço

- fale- ele ordenou

-não, eu não vou arrastar você pra isso, obrigada por ficar comigo eu realmente tenho que ir- disse brusca, ele não gostou, mas me deixou ir. Eu precisava da minha amiga, era hora de encarar a verdade e parar de fugir.

DEMETRI POV

Voei pelos telhados aproveitando que o a tarde estava nublada. Segui sua assinatura mental, ela estava triste, esta era a palavra. A Encontrei perto das ruínas sob uma árvore e me aproximei devagar- queria surpreende-la. Notei o quão ermo era o local e me irritei, ela não tinha noção das coisas que podiam acontecer a uma mulher sozinha- pela noite perto do mercado deveria saber.

- você deveria estar sozinha aqui?- perguntei, ela tinha que entender que deveria se cuidar. Ela não me respondeu e me irritei novamente.

- estou falando com você, voltou a ser mal educada?- tentei o bom humor, não iria desperdiçar nosso tempo com besteiras. Assisti ela sacudir a cabeça como um animal ferido e congelei. Olhei atentamente e o que vi foram lagrimas e medo, medo como nunca havia visto antes – nem quando eu quase a matei ou fomos atacados por aqueles seres nojentos. Eu estava em pânico, o que havia de errado?

-Heloisa o que aconteceu?- me forcei a perguntar

-nada- ela respondeu tentando se afastar, eu não permitiria qualquer distância, não sabia o que estava errado, mas eu iria protegê-la

- como nada você esta chorando, Heloisa vou perguntar só mais uma vez o que aconteceu?- eu não podia me ajudar, a fúria por o que quer que fosse a razão disso transparecia em minha voz. Mantive o aperto em seus ombros e ela irrompeu em lagrimas. Eu não sabia o que fazer. Eu era um misto de fúria e medo, precisava me controlar para não machucá-la, ela não falava e eu apenas assistia impotente as lagrimas descerem acompanhadas de lamentos dolorosos. O que eu faria? Tudo que eu sabia era que queria protegê-la, antes que pensasse uni seu corpo ao meu abraço enquanto ela chorava.

Ficamos assim por algum tempo até que as lágrimas silenciaram. De repente ela me encarou chocada e levei um nano segundo pra ver que ela havia percebido demais. Como fui estúpido, achei que podia abraçá-la sem que ela notasse que meu coração está morto? Fiquei congelado, eu sabia que a lei deveria ser cumprida mas não poderia me forçar a fazê-lo

-Heloisa ..- talvez se eu a fizesse entender que não podia explicar, se ela ficasse calada e não questionasse haveria uma esperança.

- não quero saber- ela disse quase inaudível - só não me deixe sozinha agora - ela pediu de um jeito que me preencheu e dilacerou ao mesmo tempo

-nunca- eu jamais a deixaria a mercê do que quer que fosse, este iria ser meu objetivo. Eu não sabia como em poucos instantes que estivemos juntos esta humana se plantou em meu coração morto- não importava mais a lei, os volturi ou meu desejo por seu sangue que ainda era imenso- eu não me privaria dela.

Senti ela se acomodando contra meu peito silencioso e a sensação que me varreu foi indescritível eu nunca havia experimentado algo tão poderoso em minha existência, inspirei fundo e me arrependi a sede queimou mais que tudo e tive que me travar- eu não a machucaria- ela se moveu e eu a travei se ela se movesse agora o instinto ganharia e estaria tudo perdido.

-não se mova- eu adverti

Ela relaxou contra mim novamente e me atrevi a pousar o queixo em sua cabeça. Estar com ela assim era tudo e eu ainda queria mais, podia imaginar o quão perfeita ela seria nua pela linha do seu corpo contra o meu. A soltei logo após este pensamento isso seria sua morte.

-perdão eu não consigo ficar assim perto de você muito tempo- ah mais eu queria, eu queria mais.

-tudo bem- ela disse gentil- obrigada, por ter ficado e me deixado derramar um oceano de lagrimas em você – ela não percebeu que eu ficaria para sempre?

- disponha, agora pode me dizer a causa disso?- eu precisava saber

-Demetri apenas deixe isso de lado- ela disse me excluindo

-Heloisa- ela estava testando minha paciência, eu admitia eu amava esta mulher mais ainda queria que ela fosse mais fácil. Ouvi o maldito celular tocar (mais uma invenção humana que abomino) ela atendeu no primeiro toque.

- sim – ela disse

-Heloisa, encontraram ele- disse a voz do outro lado, Heloisa respirou fundo e disse:

- e como ele está?- quem era ele, ela tinha outro este era o motivo do choro?

- ele está bem, foi levado para o hospital, estava inconsciente mas agora está bem foi uma concussão- disse a outra pessoa

- eu vou para ... – ela começou a dizer

- nem pense nisso! Você está segura onde está- disse a outra e com isso eu concordava ela não ia a lugar nenhum

-Alessandra seja razoável- a moça me parecia mais razoável que Heloisa

- eu estou sendo, você é que não está. Seu apartamento ainda esta interditado, a policia esta retendo sua correspondência. Você sabe que não é seguro- o que demônios estava acontecendo

-eu sei, eu só detesto a sensação de impotência, sobre meu apartamento, as paredes?- ela parecia não querer a resposta

-Helo...- isso era ruim

-não quero que você me esconda nada- mas eu queria, estava prestes a tomar o aparelho quando ela mudou de posição se afastando ignorante da minha intenção

-as pichações foram feitas com sangue do marcos, ele não se lembra, os médicos acham que o sangue foi drenado de um corte no braço dele. Helo você tem mais um mês de férias deixe a policia resolver, conte à Lourdes se quiser vai ser bom você ter com quem conversar ela é forte, vai ajudar você. Ninguém sabe onde você está e vamos manter assim, a policia concorda. Se cuida tenho que ir

- adeus- Heloisa disse cabisbaixa e a fúria em mim não tinha medidas, se alguém queria brincar com sangue nas paredes eu também ia, mas com o sangue do bastardo responsável por isso.

- Demetri eu tenho que ir- ela virou e eu a segurei

- fale- ela ia falar

-não, eu não vou arrastar você pra isso, obrigada por ficar comigo eu realmente tenho que ir- olhei em seus olhos ligeiramente irado, ela não confiava em mim?

Claro que não minha mente gritou de volta, então a soltei. Por que ela confiaria em mim afinal pelo que ela sabe eu quis matá-la e meu coração não bate. Observei ela partir quando percebi que já era tarde e eu deveria segui-la para ter certeza de que tudo estaria bem.