Alguns personagens e o universo abordado pertencem a Stephenie Meyer
Cheguei em casa com uma calma que não entendia muito bem mas sabia que tinha haver com Demetri. Me preparei para dura tarefa que tinha, ia dividir meus pesadelos para pessoa que só me deu alegrias. Encontrei ludi na sala sentada e assisti seus olhos arregalarem quando me viu.
-Helo o que houve- dava para ouvir a preocupação
-eu preciso te contar a verdade
-Sobre?
-minhas férias forçadas- me joguei no sofá e enterrei minha cabeça nas mãos
Ela me olhou por instantes antes de dizer:
-é ruim não é?- ela perguntou
-sim
-achei que fosse pelo estado que você chegou aqui mas não quis perguntar, bom na verdade quis mas não tive coragem
-não sei por onde começar
-não tem pressa, comece por onde quiser eu estou aqui para ouvir você eu sempre estive
-eu sei- eu queria chorar mas precisava por tudo para fora -você se lembra de quando o escritório começou a assessorar a promotoria?
- sim, você estava no céu era tudo que você queria
-eu estava tão feliz, tinha acabado de me formar e estava fazendo exatamente o que queria. Depois de dois meses pegamos um caso de um milionário que havia assassinado a namorada com requintes de crueldade, eu não tinha participação importante no processo só fazia resenhas e anotações, mas estava feliz era um caso importante. O cara tentou de tudo para dissuadir a promotoria com acordos e subornos. Como nada funcionou ele passou a algo mais agressivo: começaram os atentados.
Meu chefe e mentor foi morto a tiros, recebemos pacotes bomba, incêndios criminosos e ameaças por telefone. A policia investigou mas as coisas foram muito bem feitas e nada ligava os atentados ao nosso assassino apesar de estar mais do que claro que era ele.
O escritório decidiu a todo custo levar aquele criminoso a julgamento e eu apoiei, trabalhamos duro e o julgamento foi marcado e no dia seguinte metralharam o prédio. Agora todos tínhamos proteção policial. No meio dessa confusão comecei a sair com marcos que me entendia e apoiava, eu sabia que ele não estava confortável com tudo isso mas ainda sim ficava ao meu lado.
Uma noite estávamos jantando com o pessoal do escritório e o assistente do promotor quando fomos abordados por ninguém menos do que o monstro que buscávamos condenar. Não entendia, ele devia estar preso aguardando julgamento mas La estava ele em roupas caras e com um sorriso gentil que me dava arrepios.
-ora o que estamos comemorando? Ou é apenas um jantar entre amigos- ele disse e eu não gostei do tom, vinha problema eu sabia
-estamos comemorando a futura condenação de um criminoso- disse Fábio um dos sócios, eu gelei e vibrei ao mesmo tempo
-ahh, advogados sempre tão cheios de si- ele disse acido ate que se virou para mim- você minha linda não deveria andar com estes tipos eles são chatos, talvez eu deva entreter você melhor!- disse ele com um tom que me apavorou, marcos congelou e o resto da mesa se levantou encarando o homem de frente.
O julgamento era em três dias e pelo meu mentor, por meus amigos e a vitima que partiu de forma tão brutal eu ia fazer o que pudesse para ferrar esse filho da puta.
-perdão não preciso do seu tipo de entretenimento- disse seca- se nos der licença esta é uma mesa privada e o senhor está nos importunando, mas não se preocupe não vou chamar a segurança aproveite seus últimos dias de liberdade vai ter muita segurança no presídio para onde vai.
Ele me olhou de cima embaixo e pareceu divertido enquanto se desculpava de forma fingida e se retirava. Eu tinha acabado de assinar minha sentença de morte todos sabíamos. Saí do restaurante com escolta dobrada e com a arma que tinha comprado depois dos atentados em um coldre oculto. Marcos e eu ficamos na casa dele era mais difícil de rastrear e tinha um certo nível de segurança com câmeras e alarmes.
Pela manha cheguei ao meu apartamento e encontrei a porta arrombada, não haviam levado nada e sim deixado; um monte de coroas de flores dessas para enterro e todas com meu nome. A policia entrou periciou enquanto peguei documentos, dinheiro e roupas- só o essencial e meu celular de emergência, arma e munição extra.
Meu pai havia me ensinado o que fazer em situações de crise, ele era ex fuzileiro digamos que sabia o que fazer e queria ter certeza que eu também soubesse. Eu só esperava ser forte o suficiente.
Troquei de carro com uma vizinha que era minha amiga e dirigi a esmo ate ter certeza que não estava sendo seguida, precisava agüentar a pressão por mais 48h até o julgamento. Recebi atualizações por email: houveram mais três atentados sem danos graves. Me instalei em um hotel em Santa Tereza, paguei em dinheiro para não ser rastreada e aguardei.
As próximas 48h passaram lentamente, Fabio que agora encabeçava o escritório compareceu ao julgamento como expectador o trabalho agora era somente com a promotoria que já tinha sofrido o suficiente na mão daquele assassino também.
Ele foi condenado a pena máxima e eu achei que estávamos seguros, Deus como me enganei.
Semanas passaram e voltamos a nossa rotina sem ouvir nem mais uma nota sobre o caso achávamos que a mídia estava sendo pressionada a manter tudo apaziguado pela importância do criminoso. Passaram-se dois meses eu recebi uma promoção, troquei meu apartamento por um maior e marcos era incrível comigo – tudo era perfeito.
- eu me lembro do quanto você soava feliz quando conversávamos- ludi disse
- e eu estava- respondi- estava no céu, não me lembrava de ser tão feliz desde que meus pais eram vivos, as coisas estavam ficando inteiras novamente -ludi me olhou e eu fui obrigada a sorrir.
-claro que ganhei uma Irmã ótima- assisti as lagrimas descerem por seu rosto- Lourdes não chore.
- eu nunca vi você assim tão triste- ela sussurrou- não desde a morte de seus pais.
-amiga, minha Irmã eu não quero ver você triste, estou te contando tudo porque não tenho saída você precisa entender que pode ser um risco para você também, tendo- me aqui na sua casa.
- eu não compreendo
-você vai, quando eu terminar- eu disse baixo- as coisas não ficaram felizes para sempre como nos livros.
O nome do homem que havíamos ajudado a condenar era Paulo Alencar- eu estremeci só de dizer o nome- e dois meses depois de preso ele escapou e minha vida virou um inferno. Você não ficou sabendo pois quando tudo aconteceu estava estudando em Londres e eu implorei aos outros para que não te contassem.
-por que?- ela disse indignada
-porque não queria que você tivesse meus pesadelos. Você é a melhor pessoa que conheço não merecia isso.
-Heloisa você tem a mania estúpida de achar que tem que proteger todo mundo, eu entendo mas eu posso me cuidar não preciso ser protegida.
- não posso admitir que você passe por nada, você é a única coisa que me sobrou- merda eu ia chorar- não me abrace-disse quando ela se mexeu- tenho que terminar de te contar e se fizer isso vou começar a chorar e não saímos daqui hoje
-tudo bem- ela sussurrou-continue
-todos os envolvidos no processo foram postos sob proteção quando Fabio apareceu morto logo depois da fuga daquele monstro. A policia estava trabalhando mas ele parecia ter evaporado.
Eu andava com dois seguranças, armada e pronta para fugir. Uma tarde estava voltando do fórum quando fecharam meu carro, o segurança que dirigia tentou manobrar mas não conseguiu foi atingido na cabeça.
Acionei a policia pelo meu celular enquanto escondia a arma e o celular reserva. Assisti o outro segurança morrer enquanto fui atirada para fora do carro. Estava pronta para reagir quando um deles me acertou na cabeça e cai inconsciente.
Acordei dentro de um porta malas amarrada, minha cabeça doía levei um tempo para passar a sensação de falta de ar, precisava pensar eu não havia morrido e sentia que isso não era motivo para comemorar. Me mexi e senti a arma e meu celular dentro do cós da calça. Precisava me livrar das cordas.
Estava apertado demais não consegui me soltar a tempo. Paramos e fui arrastada para fora do carro com um saco na cabeça e atirada no chão como um pedaço de pano velho , fui acorrentada e fiquei ali por horas.
Quando já estava exausta e apavorada ouvi passos e quando pude finalmente ver ele estava lá me encarando com um sorriso que significava o meu fim.
O que se seguiu foi uma seção de tortura ele disse que eu ia sofrer mais que os outros porque mulher nenhuma o desafiava, enquanto me torturava contou com detalhes como matou a namorada que ameaçou deixá-lo.
Eu estava morrendo e não seria capaz de me defender. Ele encontrou a arma, o celular e eu apanhei mais, senti meus ossos quebrarem e rezava para que acabasse rápido foi quando perdi a consciência. Acordei dias depois no hospital, tive traumatismo craniano e varias costelas quebradas. Quando não havia mais esperança a policia havia salvo minha vida.
O que soube depois é que marcos estranhou meu atraso e ligou para policia eles encontraram o carro e os seguranças assassinados. Marcos se lembrou do outro celular e conseguiram me rastrear. Prenderam aquele psicopata e eu ganhei uma nova chance para viver.
Ludi estava em silencio absoluto e eu continuei:
Levei semanas p/ me recuperar fisicamente, não conseguia dormir, comer ou sair. Marcos suportou tudo ao meu lado. Eu sempre te dizia que estava tudo bem porque não queria você metida nisso. As coisas foram melhorando aos poucos, depois de muita terapia eu conseguia levar uma vida quase normal. Acabei entrando com uma amiga em aulas de defesa pessoal, o que ajudou muito.
Voltei ou trabalho e continuei com as atividades que já mantinha, mesmo estando melhor nunca voltei a ser o que era e isso acabava com marcos. Alguns meses atrás em uma transferência de presos aquele bandido sofreu um acidente e morreu ou foi o que pensávamos- pura ilusão o acidente tinha sido fachada.
Nas semanas seguintes comecei a receber ameaças e a entrar em crise novamente. A policia estava perdida e marcos não aquentou a pressão, nos separamos. Não o culpo não podia exigir isso dele novamente.
Eles acharam melhor que eu me afastasse recebi férias acumuladas do escritório não sabia para onde ir ate você me ligar.
Olhei p ela esperando levou alguns minutos para ela explodir. Ela gritou sobre eu não ter direito de ter escondido isso dela e mais um monte de coisas e depois me abraçou e desabou a chorar e chorei também – toda magoa e dor que guardei agora estava exposta.
Expliquei p/ ela entre soluços o que havia acontecido no rio, falei que eu tinha que ir pois era uma questão de tempo ate ser encontrada e com a influencia daquele bastardo isso já podia ter acontecido. Disse que eu era um risco para ela mas ela não me deixou partir, não sabia o que fazer – sabia que era errado ficar mas não tinha forças p/ir, ficamos abraçadas por horas e o terror que ficou na face dela me assombraria sempre.
