Alguns personagens e o universo abordado pertencem a Stephenie Meyer

Era tarde quando ludi recebeu uma ligação do "não namorado", ela ficou dividida entre ir ate ele e ficar comigo. Assegurei a ela que iria direto para cama e que eu queria ela fora de casa.

Fui me deitar logo depois que ela saiu. Estava em um corredor de pedra, sentia cheiro de sangue por todos os lados mas precisava chegar à alguma coisa, a sensação de perigo não me deixava, de repente o sonho mudou eu estava correndo mas caí meus pés e mãos estava amarrados por serpentes e ouvi a voz daquele bandido vindo ate mim, eu gritava mas não conseguia me soltar.

Acordei apavorada com alguma coisa me segurando e quando me acalmei o suficiente notei que era Demetri, ali no meu quarto- como diabos ele tinha chegado ali? A casa estava toda trancada, eu mesma havia feito isso.

-Como você...- comecei a dizer quando notei o pânico e a preocupação transparecerem no rosto dele por apenas um segundo.

Fiquei presa naquele olhar violeta vidrado, merda não importava como ele tinha chegado ali pois de uma forma estranha todo meu medo tinha evaporado mas sua expressão estava me deixando preocupada.

-Demetri o que houve?

Ele ficou em silencio por mais uns minutos e achei que ia enlouquecer, meus braços formigavam onde ele estava segurando, ate que finalmente ele falou.

-Heloisa eu ...- tudo que eu soube depois e que ele me soltou para me prender embaixo dele tão rápido que na hora nem percebi.

-Demetri o que há?

-você estava gritando- ele disse isso como um sussurro e eu fechei os olhos o que ele tinha ouvido foram os ecos do meu pesadelo

-tive um pesadelo, devo ter comido muito doce antes de dormir- sorri para ele que retribuiu com... um rosnado, congelei e ele me olhou apavorado. Suspirei eu estava cansada.

- você é sempre uma surpresa não? Aliais como entrou aqui se a casa esta toda trancada?- eu disse ligeiramente puta. Ele me soltou sentando-se na cama e fazendo uma expressão estranha - nem adianta torcer esta cara, já aceitei que você é diferente apesar de alguns aspectos, estou muito feliz que você esteja aqui, mas quero saber por onde estou andando- eu disse a ele

-Heloisa eu não posso...

-Heloisa eu não posso te dizer a verdade! Isso já saquei a muito tempo o que quero saber não exige isso- disse com raiva

- o que você quer saber?- ele disse sarcástico

- para começar como entrou aqui?

-achei que estivesse feliz em me ver- ele disse queimando os olhos na minha camisola de seda. Senti meu rosto e o resto do meu corpo esquentar puta merda que olhar era esse? Atirei meu travesseiro nele e puxei as cobertas para mim. O bastardo estava rindo como um menino e porra se a voz dele era incrível a risada era o céu.

-não tente escapar, me responda- eu disse tentando soar calma enquanto ele me avaliava

- arrombei a janela da cozinha- ele não parecia muito orgulhoso disso.

-não pensou em me ligar ou bater na porta?- poxa agora eu ia ter que arrumar a janela, ele e esse perfil de gatuno, não vou dizer que não gostava, mas ele não ia saber disso.

Ele me olhou por segundos como se não tivesse tido esta ideia e depois disse

- já te contei agora você responde- owwwwww ninguém falou que ele podia perguntar!- sobre o que era seu pesadelo?

Não respondi, que merda eu ia dizer?

-é sobre crápula do Alencar não é?- gelei de medo ao ouvir o nome e depois me toquei, como ele sabia?

-eu ouvi sua conversa- ele disse, que babaca!

-sabe você é mesmo um babaca- cara eu tava puta, ele se imobilizou enquanto eu jogava as cobertas de lado e começava a andar de um lado para o outro.

-quem te deu o direito de me ofender?- ele estava na minha frente irado, bom eu também tinha um monte para desengasgar

-quem te deu o direito de ouvir minha conversa?- eu disse espumando

-você não me contaria!- ele estava quase aos berros

-primeiro abaixe o tom comigo, segundo porque eu ia querer arrastar você para essa porra?- como eu poderia misturar qualquer um nisso?

Ele pareceu perdido, ate que me olhou e disse

- você não vê que eu me importo com você- ele disse isso de um jeito que parecia que ia dizer outra coisa, eu não agüentei o rush de raiva foi muito, me joguei em uma cadeira próxima e enterrei a cabeça nas mãos.

-Demetri, por favor, eu não gosto de falar nisso, não quero você perto disso. Esse homem é um monstro você não precisa dos detalhes- inferno ate quando essa sombra ia continuar. Senti as mãos nas minhas pernas e quando olhei ele estava de joelhos me encarando.

-eu entendo de monstros, eu sou um- dor dele ao dizer isso era palpável- O que aconteceu naquele beco não é prova para você que eu posso me proteger? Aqueles imbecis estariam trucidados se você não estivesse assistindo, quem quer que te assombre não vai chegar perto de você- ele estava irradiando ira de uma forma que me fez estremecer, mas algo que ele me disse me chamou atenção.

-você não é um monstro Demetri- e ele não era

Ele rosnou para mim e se afastou rápido demais para meus olhos parando perto da escrivaninha e pegando um peso de papel de ferro maciço que virou pó em segundos. Pisquei e ele estava na minha frente novamente com um olhar assassino

- ainda acha que não sou um monstro, eu posso sentir o seu medo- ele parecia desesperado, estava partindo e eu sabia que se ele saísse eu nunca mais o veria

- covarde- eu disse baixo, ele congelou perto da porta

-Como é?- a fúria era palpável

- você me ouviu, covarde- eu disse de novo e de repente estava sendo atirada na cama que protestou contra o baque, e sendo honesta minha coluna também protestou

-como você ousa- ele disse entre dentes

-como você ousa! Acha o que só porque é grande e mau pode entrar aqui fazer essa cena e sair sem ouvir nada?- ele estava fulo mas eu continuei- não ligo se você pode demolir a muralha da china com socos ainda sim você não é um monstro já vi alguns de perto e você não é um, mas se esta com medo de você mesmo, do que quer que você seja pode ir embora.

- o que você acha que sabe de mim?- ele vociferou apertando meus pulsos -sabe quantas pessoas eu matei? Quantas mulheres imbecis como você eu sangrei?- ele parecia possuído e eu devia estar com medo mas tudo o que eu sentia era dor por ele.

-tudo o que eu sei é o que eu vi, tudo o que sei é que você não me matou- eu disse calma ele estava cada vez mais transtornado- sei que era você no telhado no dia que prenderam o vizinho, sei que você queria me matar naquela viela e naquele dia antes daqueles bostas aparecerem, mas você não fez.

Ele me encarou sacudindo a cabeça e eu fui em frente.

-Seria a desculpa perfeita o crime seria deles não seu e ainda sim você me defendeu. Seu passado não me interessa é algo que você tem que carregar, o que quer que você seja não me interessa.

-e o que te interessa?- ele disse sarcástico

-quem você é Demetri?- ele ficou lá me olhando- já vi e falei com homens condenados, tive a minha própria experiência de horror e sei reconhecer um monstro quando vejo um. Você podia ser algo assim antes mas não é agora então não se esconda de mim. Eu...- o que diabos eu ia dizer mais?

-você o que?- ele sussurrou

-eu não sinto mais o medo que sentia ao seu redor, eu sinto sua falta quando você não está, me sinto segura com você como nunca me senti antes- era a primeira vez que dizia isso em voz alta e a realização de outra coisa estava na minha porta: eu estava perdida, eu amava esse homem fosse ele o que fosse.

Ele me soltou e rosnou algo que entendi como frustração, antes que eu pudesse me mover seu rosto estava colado no meu, suas mãos passeavam pelos meus braços e pernas, meu coração estava na garganta e não era medo.

-eu não sei o que fazer- ele disse baixo- é muito perigoso, é muito difícil ficar perto de você- e novamente ele não estava mais lá, levei segundos para percebê-lo perto da porta novamente

-não vá

- Heloisa isso não vai dar certo

- Demetri eu não consigo mais ficar longe de você- essa era minha noite de confissões?- eu não entendo, e você tem razão eu não sei nada sobre você alem do que te disse hoje, e não estou ignorando o que você disse sobre o perigo ou sobre quantas pessoas matou- meus sinais de alerta estavam ligados, sabia que era verdade sobre as mortes, mas eu estava me lixando para tudo- mas ainda sim não quero que você vá.

A próxima coisa que eu soube é que ele estava do meu lado na cama me abraçando.