Alguns personagens e o universo abordado pertencem a Stephenie Meyer

Demetri POV

Quando cheguei perto de sua casa toda vizinhança estava em silêncio absoluto, verifiquei ao redor não havia membros da guarda nesta região – geralmente eles se concentravam nos arredores do castelo e muralhas- estava pensando em passar a noite no telhado e com sorte teria algum vislumbre dela.

Estava ali há cinco minutos quando ouvi os gritos de Heloisa rasgando o silencio. Corri e entrei pela primeira janela que vi, eu iria acabar com o que quer que fosse mas quando entrei no quarto não havia nada, ela se retorcia e gritava e mesmo sabendo que era um pesadelo a fúria em mim não tinha medidas- o que quer que a apavorasse merecia morrer.

Precisei de todo meu auto controle para chegar perto dela, o cheiro no quarto era inebriante mas eu preferia morrer cem vezes a machucá-la. Segurei-a e chamei por seu nome ate que ela abriu os olhos e o pavor neles me fazia sentir pior que os gritos.

Ela parecia confusa, começou a dizer algo mas ficou me encarando de uma forma que não pude classificar.

-Demetri o que houve?- ela perguntou em baixo tom

Ela estava apavorada e queria saber de mim? O que eu diria?

-Heloisa eu ...- que porra eu ia dizer? Que eu a amava mais do que tudo? Como explicar este tipo de amor a um mortal? Sim era amor eu podia definir de outra forma. Como dizer a ela que cada grito seu era um rasgo em mim? Ela era tão humana, e pensar que eu poderia nem a ter conhecido se ela tivesse morrido na mão daquele crápula, ela poderia ficar doente, sofrer uma catástrofe e o que eu faria da minha existência? Ela era minha existência e antes que eu permitisse meu corpo se moveu e eu pude sentir cada linha do corpo dela contra o meu.

-Demetri o que há?- eu tinha que dizer algo

-você estava gritando- disse, não sabia o que mais dizer o pavor dela me fez lembrar o pavor das minhas vitimas antes de morrer o que me fazia diferente do monstro que a perseguia?

-tive um pesadelo, devo ter comido muito doce antes de dormir- ela me disse com um sorriso mal disfarçado e eu rosnei de raiva porque ela não confiava em mim? Era porque ela sabia que eu também era um monstro? Não ela não sabia se soubesse não estaria tão calma. Em meio segundo ela congelou e eu percebi o erro que tinha cometido, estava sem saber como evitar os gritos quando ela suspirou. Ela suspirou? Eu tinha acabado de rosnar e ela suspira entediada?

- você é sempre uma surpresa não? Aliais como entrou aqui se a casa esta toda trancada?- ela estava com raiva? Eu detestava o sarcasmo dela me afastei me sentando na cama.

- nem adianta torcer esta cara- ela disse- já aceitei que você é diferente apesar de alguns aspectos, estou muito feliz que você esteja aqui, mas quero saber por onde estou andando- ela disse e por mais que eu odiasse ela tinha razão.

-Heloisa eu não posso...- comecei a dizer, eu não quebraria mais limites do que já foram quebrados

-Heloisa eu não posso te dizer a verdade! Isso já saquei a muito tempo o que quero saber não exige isso- ela completou pra mim irada, se fossem outros tempos eu mostraria a ela o que é ira mas não podia cogitar essa possibilidade

- o que você quer saber?- eu disse, o que esta humana queria saber?

- para começar como entrou aqui?- ahh isso eu pensei enquanto a avaliava e fui obrigado a segurar minha respiração para que ela não percebesse meu choque.

-achei que estivesse feliz em me ver- eu disse enquanto absorvia minha nova percepção. Ela era linda mas vestida em seda era uma deusa, podia perceber as curvas de seu corpo contra o tecido. Antes de me recriminar por estar olhando para ela assim assisti o sangue se espalhar pela pele delicada e isso me deu fome de formas diferentes, eu poderia despir seu corpo apenas com os olhos. Ela atirou um travesseiro em mim enquanto puxava as cobertas, ela achava que isso a protegeria do meu olhar? Seu rosto vermelho e a postura encolhida me fizeram rir, eu gargalhei ela era tão surpreendente de corajosa a um animal assustado, ela era incrível.

-não tente escapar, me responda- disse ela de forma forçada enquanto a encarava

- arrombei a janela da cozinha- eu gostaria de ficar com ela 24h por dia assim não precisaria de me esgueirar quando ela precisasse de mim.

-não pensou em me ligar ou bater na porta?- Acho que isto é o que um humano faria pensei comigo.

- já te contei agora você responde- hora de atacar, ela fez uma careta mas não ia se safar - sobre o que era seu pesadelo?- ela não disse nada e eu estava cansado dela se esconder de mim.

-é sobre crápula do Alencar não é?- disse ela ia ter de falar comigo, eu queria este imbecil morto, eu o transformaria em nada. O medo dela era palpável e as perguntas também.

-eu ouvi sua conversa- respondi a questão não dita. Ela não queria honestidade?

-sabe você é mesmo um babaca- ela disse com raiva, como ela ousava! Tive que segurar meu gênio ou a machucaria pra valer, mesmo a amando não gostava de ser ofendido. Ela começou a andar de um lado para o outro e eu não me contive.

-quem te deu o direito de me ofender?- disse parando em sua frente sem me preocupar com a velocidade normal, ela tinha que ficar no lugar dela

-quem te deu o direito de ouvir minha conversa?- disse ela mais irada ainda, me acusando e percebi que ela tinha razão mas ela não levaria essa

-você não me contaria!- ela não entendia que tinha que me dizer o que acontecia com ela? Esse era meu direito!

-primeiro abaixe o tom comigo- ela disse de um jeito que nunca tinha falado comigo antes então eu realizei eu não tinha direito nenhum sobre ela e isso foi um golpe- segundo porque eu ia querer arrastar você para essa porra?- ela disse mortificada.

Ela não era minha, para ela eu era só um cara estranho que ela tinha conhecido, ela não sabia o quanto eu me importava e ela não deixava ninguém mandar nela ou se meter em suas coisas. Agora eu sabia mas não tinha como lidar com isso se ao menos ela entendesse

- você não vê que eu me importo com você- que eu te amo e não me importo se você quer ou não falar eu sou egoísta eu quero saber. Ela se jogou em uma cadeira com as mãos na cabeça.

-Demetri, por favor, eu não gosto de falar nisso, não quero você perto disso. Esse homem é um monstro você não precisa dos detalhes- ela estava atormentada, eu não queria isso me senti culpado, meu egoísmo nada disso valia essa dor, fui a te ela, segurei suas pernas para a manter no lugar- ela tremia- e a encarei ela precisava entender que estava segura.

-eu entendo de monstros, eu sou um- mesmo que La se afastasse pela verdade eu ainda a protegeria- O que aconteceu naquele beco não é prova para você que eu posso me proteger? Aqueles imbecis estariam trucidados se você não estivesse assistindo, quem quer que te assombre não vai chegar perto de você- só de imaginar alguém tentando machucá-la eu me retorcia de ódio por dentro, os bostas que a atacaram no beco já estavam mortos ela só não tinha que saber dos detalhes. Ela pareceu determinda por um instante? O que era isso?

-você não é um monstro Demetri- ela disse calma, isso me tirou o equilibrio como ela podia dizer algo assim? Humana tola.

Rosnei e peguei um peso de ferro em uma mesa fazendo em pó. Ela agora entenderia o que eu já sabia: não somos o mesmo EU SOU UM MONSTRO, a encarei e sentia o medo que emanava dela essa era o comportamento certo para um humano, como pude me permitir chegar tão perto dela?

- ainda acha que não sou um monstro, eu posso sentir o seu medo- agora ela nunca mais me olharia, eu tinha perdido o controle ido longe demais mas mentiras não durariam, ela não duraria eu lutaria contra o que sinto. No instante que eu percebi que era tão ruim quanto os pesadelos dela notei que só poderíamos estar juntos se ela fosse como eu mas ela não lidaria com isso eu não a submeteria a dor e a sede, não sinto remorso pelos que eu mato mas ela sentiria e isso a mataria. Estava saindo quando ela disse:

- covarde- ela disse e eu gelei mesmo sabendo o que tinha ouvido perguntei

-Como é?- como ela se atrevia, nunca em todos os séculos alguém ...

- você me ouviu, covarde- ela disse e eu a atirei contra a cama antes que pudesse me conter, não me preocupei se a havia ferido por um milagre não usei tanta força assim.

-como você ousa- eu sussurrei, ninguém nunca teve a coragem...

-como você ousa! Acha o que só porque é grande e mau pode entrar aqui fazer essa cena e sair sem ouvir nada? Não ligo se você pode demolir a muralha da china com socos ainda sim você não é um monstro já vi alguns de perto e você não é um, mas se esta com medo de você mesmo, do que quer que você seja pode ir embora – que inferno com quem ela acha que esta falando? Ela sabe quantos imortais me temem?

- o que você acha que sabe de mim?- eu bradei segurando seus pulsos, ela não iria a lugar algum antes de engolir tudo que disse -sabe quantas pessoas eu matei? Quantas mulheres imbecis como você eu sangrei?- ela precisava entender o que eu era mas ainda sim parecia não surtir efeito.

-tudo o que eu sei é o que eu vi, tudo o que sei é que você não me matou- o que era isso agora?- sei que era você no telhado no dia que prenderam o vizinho, sei que você queria me matar naquela viela e naquele dia antes daqueles bostas aparecerem, mas você não fez- ela sabia que era eu no telhado, ela me viu? Eu estava aqui e ela não gritava? Eu não entendia minha cabeça iria explodir mil possibilidades a cada meio segundo e nada fazia sentido.

-Seria a desculpa perfeita o crime seria deles não seu e ainda sim você me defendeu- eu estava perdido o que ...- Seu passado não me interessa é algo que você tem que carregar, o que quer que você seja não me interessa- como não interessa? Essa mulher tem a mais remota ideia do que esta dizendo?

-e o que te interessa?- isso eu queria saber

-quem você é Demetri?- quem sou eu? Que pergunta é essa?- já vi e falei com homens condenados, tive a minha própria experiência de horror e sei reconhecer um monstro quando vejo um. Você podia ser algo assim antes mas não é agora então não se esconda de mim. Eu...- ela estava errada eu ainda matava eu era um monstro, o que ela estava escondendo?

-você o que?- o que mais havia?

-eu não sinto mais o medo que sentia ao seu redor, eu sinto sua falta quando você não está, me sinto segura com você como nunca me senti antes- ela disse isso de uma forma que fez cada fibra de meu corpo queimar de um jeito novo e intenso, o que diabos estava acontecendo? Eu não podia suportar mais.

A soltei e rosnei eu não sabia o que fazer tudo que eu via e sentia era ela. Assisti seu rosto próximo ao meu preocupado, não temeroso como devia estar. Minhas mãos viajavam sem permissão por seus membros nus e a sensação de sua pele na minha era o êxtase, ouvi seu coração bater mais rápido mas a sede que tive não era de sangue mas esta sede ainda me incomodava.

-eu não sei o que fazer, é muito perigoso, é muito difícil ficar perto de você- eu não agüentei tinha que ir. Estava condenando a nos dois se ficasse, e pensar se estivesse no telhado tudo estaria como antes

-não vá-ela implorou

- Heloisa isso não vai dar certo- eu tentei trazer a razão

- Demetri eu não consigo mais ficar longe de você. Eu não entendo, e você tem razão eu não sei nada sobre você alem do que te disse hoje, e não estou ignorando o que você disse sobre o perigo ou sobre quantas pessoas matou, mas ainda sim não quero que você vá- e meu mundo ruiu, ela não ligava, ela me queria por perto, por isso ela ignorava as mortes e o perigo ela gostava um mínimo de mim para ignorar isso e nada no mundo me importava alem disso. Ela era minha apesar de tudo.

A abracei e senti cada parte de seu corpo contra o meu, a sede existia mas era quase suportável, "quase" tive que a deixar para me sentar um pouco afastado, aproveitei para me recompor e absorver todo este turbilhão que tinha acabado de acontecer. Observei ela se levantar e se sentar no chão oposta a mim com as pernas cruzadas.

-volte pra cama- mandei, assim não vou enlouquecer com suas pernas e você não fica doente pensei comigo.

-volta comigo- ela disse sorrindo e eu arfei, ela quer me ver sofrer depois de tudo que foi exposto hoje o único que ainda estava encoberto era o meu desejo sem proporções.

-quer brincar com minha sanidade- eu estava sendo torturado e queria mais, como eu iria controlar isso a sede já não era o bastante?

-queria entender porque você não consegue ficar muito tempo perto de mim- ela disse de repente

- você percebeu não foi? Não tenho como te explicar isso- ela era inteligente uma das coisas que me fascinava e me irritava, principalmente quando ela me desafiava.

- tem como eu te ajudar com isso?- ela parecia genuinamente interessada mas ela não podia me ajudar. Eu disse isso a ela e a mandei de volta a cama.

-não quero ter pesadelos- ela ainda estava apavorada e isso queimou em mim

-ele não vai tocar em você- ele não iria, eu protejo o que é meu

-Demetri...- ela começou, eu amava esta mulher mas ela era tola quando se tratava de mim

-Heloisa o que eu preciso fazer para você entender que esse bastardo não pode comigo e que ele não vai chegar perto de você?- que porra mesmo se fosse humano seria homem o suficiente para a proteger, não fugiria como o outro fez- a ideia dela com outro homem nublou meus olhos precisei de controle para ela não perceber

-você disse que era perigoso e acho que não é só por você estou certa?- ela sempre pega tudo não?

-quanto menos você souber melhor para você- e ela não saberia mais nada, já seria extremamente difícil com o que ela sabe e viu

- e o que é melhor pra você?- eu já estava condenado se aro soubesse..., mas ela não precisava dos detalhes

-já disse eu sei me cuidar- eu já estava com um plano em curso só precisava de mais 96h de segurança. Ela ia retrucar quando me aproximei, o ataque sempre foi a melhor defesa.

- sabe você fala demais- ela não gostou e eu sorri- deve ser coisa de mulher- ela estava ficando com raiva. Hum pavio curto como dizem?

-eu falo demais ou você que não admite opinião alheia?- ela veio ela me atacando de volta com sua esperteza, sim minha opinião era a única que contava, a dela contava mais mas não iria ceder.

-você gosta de me desafiar não?- ela era alucinante, assim no chão com a boca cheia eu queria chegar mais perto

- e você da briga não?- com você sempre.

- não se mova de modo algum- eu ia chegar perto eu ia chegar muito perto. Toquei meus lábios no dela, senti sua boca se abrindo para mim de forma lenta e gentil, senti seu gosto em mim e o desejo e a sede explodiram juntos. Me afastei rápido e a encarei- o que era esta mulher? Ela se aproximou e eu recuei.

-Demetri o que há?- ela perguntou e eu não tinha respostas, era o céu e o inferno ao mesmo tempo, quando estava controlado fui ate ela seu rosto estava sereno aguardando...

-onde você esteve todo esse tempo?- eu passei mais de um milênio matando, lutando e servindo, procurando algo que nunca encontrava, e agora depois de tudo uma humana me fez completo.

-posso tocar em você agora?-ela pediu ansiosa

-eu..- eu suportaria isso? Sim, o rosto dela buscava o meu, senti sua mão em minha face e o prazer do toque era tudo. Ela fez menção de remover seus dedos, mas não permiti, não importa o que fosse eu estava no céu e o inferno que se dane.

-tem ideia de quanto eu quero você?- como eu queria poder tomá-la agora e nunca mais a deixar ir

- sabe como eu quero você?- o que?

-quer?-ela me quer mesmo depois de saber das coisas que fiz, que eu queria matá-la, que não sou normal ela ainda me quer assim?

-Demetri!- ela me queria, e eu me senti o homem mais poderoso do mundo ate que a realidade me bateu

-não podemos- a única forma seria se ela fosse... e assim como ela é...- eu mal posso beijar você sem querer matá-la e existem conseqüências- agora me lembrei dos cullen daquele que se atreveu a quebrar a lei por uma humana e a conseqüência desta união, uma criança algo que todos achávamos impossível.

-achei que fosse uma questão de tempo

-não é só isso- não era o fato de que se eu não a matasse, ainda havia riscos, uma criança que a mataria como humana isso se ela conseguisse se tornar imortal, aro nos contou das dificuldades... e eu que achava o Cullen um fraco.

- Demetri não importa- mulher louca

-claro que importa, o que você acha? Você esta ai linda vestida nesse pedaço de seda- o toque da seda e sua pele era enlouquecedor, ela estremeceu e eu enrijeci- você não esta ajudando Heloisa!- como eu manteria o controle assim

-você acha que é fácil ignorar você também?- ela realmente me queria?

-isso é criminoso!- fui para janela, olhando a rua eu passaria por qualquer coisa para ser humano e ter esta mulher agora

- você esta me acusando de que?- ela disse chateada

- de ser extremamente desejável- isso era sim um crime, ela me encarou e gargalhou. Ela estava rindo de mim mas tudo que pude fazer foi apreciar, eu estava definitivamente perdido

-você não tem jeito tem?- o que eu faria com ela

- bom se tenho jeito ou não eu não sei, mas estou exausta. Já que não "podemos" dorme comigo.

-eu não durmo- disse automaticamente e congelei, era tão fácil conversar com ela que me esquecia de ficar de boca fechada

-então o que quer fazer?- ela não questionou a informação será que havia esperança?

- você dorme e eu vigio seus pesadelos- não ia deixar ela perdida nas sombras

-você não precisa...- ela não tinha jeito

- deita logo Heloisa- cortei

- você não se acha meio mandão? eu já estava deitada- disse ela de um jeito teimoso, ela era toda teimosia e eu percebi que amava isso também

-você me entendeu e o que eu tenho de mandão você tem de teimosa então estamos quites- a abracei gostando da sensação- você sempre dorme com isso?- meu auto controle parecia querer evaporar perto daquele pedaço de pano.

-posso usar uma burca se preferir- ela disse quase dormindo e tive que rir se bem que não era má ideia...

Ela caiu no sono e eu saboreei este momento antes que as horas passassem e eu fosse tragado pela realidade.