Alguns personagens e o universo abordado pertencem a Stephenie Meyer
Acordei tranqüila e feliz como a muito tempo não acontecia, rolei na cama e a encontrei vazia. Levantei de um salto – onde ele estava? Eu tinha alucinado? Deus eu era patética, eu tinha fantasiado tudo? Meu bom humor evaporou, fui para o banho analisando minhas memórias, não tinha sido alucinação eu tinha certeza, então onde ele estava/
Ele provavelmente tinha mais o que fazer do que ficar me vigiando pensei comigo, mas o que ele teria pra fazer antes das 6h da manhã? E por que diabos eu tinha acordado tão cedo? Aghhhhhhhh eu sabia o porque: era para vê-lo.
Eu precisava de café não estava coerente, desci as escadas de moletom não estava com humor para produções, eu queria ele de volta – ele podia pelo menos ter dito adeus antes de sair. Peguei uma xícara de café e me sentei na cozinha pensando sobre ontem, tudo que foi dito tudo que vi e não podia ignorar.
Eu estava viciada nunca me senti assim antes, nem marcos tinha entrado tanto na minha pele. Sabia que tudo o que ele disse sobre as mortes e o perigo eram reais e eu não dava a mínima, havia perdido minha mente certo e errado não faziam sentido o único sentido era ele e isso sim me apavorava. Eu gostava de controle, independência e estava perdendo isso, mesmo assim não me importava.
Não me importava que ele não fosse remotamente normal, o que vi ontem... não achava nem que ele fosse inteiramente humano se é que isso era possível mas com Demetri tudo era surpresa. Tinha alguma coisa muito errada com esta cidade, quando estava com ele nada importava mas em sua ausência, a sensação de alerta voltava. Eu me preocupava com ele também, sabia de alguma forma que ele estava em risco- ele não me disse mas ficou tenso quando perguntei.
Subia as escadas novamente e comecei a arrumar minha cama quando ludi entrou e se jogou nela.
-o objetivo aqui era arrumar!- eu disse divertida, conhecia aquela cara ela estava aprontando
-ahhhhhhh desde quando você faz isso?
- desde quando estou de hospede.- disse atirando o lençol nela e me sentando na cadeira- então desembucha- eu demandei enquanto ela me olhava como retardada
- você ta toda felizinha o que é que ta rolando?
-bom o que você acharia de passar uns dias no campo?
-campo?
- é não é longe daqui, um amigo me emprestou a casa por uns dias e eu pensei que seria bom para você se distrair um pouco, alem do que daríamos um tempo daqui tenho umas folgas acumuladas...- ela estava esperando que eu me empolgasse, ate podia ser mas eu ficaria longe dele...
-eu não sei...- ela murchou e eu queria me dar uma surra- talvez- disse incerta mas foi o suficiente ela saltou da cama como um foguete
-ótimo, vou arranjar tudo. Vai ser bom você precisa deixar as coisas rolarem, ninguém vai achar você aqui e você não vai embora-ela disse isso em definitivo e antes que eu pudesse argumentar ela ame cortou- não quero saber se o capeta esta atrás de você fica, mudar um pouco ares vai te fazer relaxar.
Ela não entendia os riscos e eu fraca não queria partir, principalmente agora não suportaria ficar longe dele. Como um estranho pode ter tanto poder sobre mim? Assim de repente? Lourdes sempre foi assim um turbilhão ambulante quando queria e eu amava isso.
- e seu namorado?- ela ficou pálida, vermelha e roxa
- não...- me poupe!
- nem vem, sei que você ta saindo com o cara, ele não vai ficar chateado de você sumir assim?
-nós não...- aff!
-ludi, você gosta do cara.
-Heloisa você sabe que eu...
-você detesta o apelido ridículo? Sei mas não ligo enquanto não me disser a verdade. Então?
-ele entende- ela disse- sim gosto dele, mas estamos só começando não é nada serio- ela tentou não dar importância mas eu sabia dos telefonemas durante a madrugada todo santo dia, não ia ferrar com ela
-a casa é dele?- ela estava muito vermelha agora- por que o mistério?
Foi como ter ligado um interruptor, ela começou a falar e não parou mais: ela disse o quanto eles se davam bem, contou dos encontros- deus ela parecia mais perdida que eu com Demetri- de como estava feliz mas o quanto se sentia insegura porque o cara era viajado, rico e ela não sacava o que ele tinha visto nela.
Me lembro de ter visto os dois juntos e o cara praticamente bebia cada palavra que ela dizia. Disse a ela que era tudo bobagem, e que só aceitava a temporada no campo se ela levasse ele junto.
-achei que você não fosse ficar confortável-ela disse sem jeito
-por que? Por te ver feliz? É claro que isso me deixa confortável, te afastar disso é que não me deixaria bem alem do mais, é hora de decidir se dou ou não minha benção a este individuo!
-você não tem jeito tem?
-Não!- disse rindo enquanto procurava minha agenda
-quem te mandou carta?- a encarei ela tinha um envelope com meu nome nas mãos, não reconheci a letra, abri e congelei. Era dele!
-você também anda escondendo coisas- ela disse estreitando os olhos- então quem é? Nem se faça de desentendida sei que você me ouviu e eu quero os detalhes! É o policial? Não você não fala com o policial tem um tempo, marcos não é porque depois de tudo entendi o que rolou- ela disse amarga- quem é? Você nunca fez segredo dos seu namorados para mim!- ela fez beicinho e eu estava ferrada, ia ter que atacar não podia contar ia dizer o que? Ah é um cara que queria me matar mas agora agente meio que se pega- ou tenta porque um beijo não conta
-deixa de ser enxerida mulher!
-meu deus! Você ta caída por ele não é?- droga ela me conhece melhor do que eu mesma
-fora do meu quarto!- eu disse enquanto a empurrava, infantil mas útil
- é minha casa- ela disse rindo
-posso te jogar da janela da sua casa- disse quando a empurrei pela porta, ela foi para sala rindo dizendo que cedo ou tarde ia ter que contar. Sempre fomos meio retardadas uma com a outra o bom dela é que ela respeitava meu espaço quando eu a obrigava a isso.
Tranquei a porta e li a carta:
Heloisa não pude me despedir, quando o sol nascer já terei ido. Não quis lhe acordar você esta linda dormindo.
Não sei quando a verei novamente, por isso não saia das muralhas da cidade, não saia após o anoitecer e por misericórdia não se meta em problemas se puder ficar em casa será o melhor.
Sei que você é teimosa mas estou te pedindo e falo serio é perigoso, deixe-me tranqüilo e se cuide se algo acontecer com você não sei o que faço.
Demetri
Era isso. Não era uma carta era um bilhete com ordens para mim!
Eu estava fula joguei o papel no chão e queria chutar ele. Foi quando eu percebi que estava sendo injusta, peguei o bilhete e guardei em lugar seguro, me toquei que Demetri não era do tipo de dar avisos algo estava errado. Eu sabia do perigo ele não disse o que era, mas isso com certeza era serio.
Resolvi acatar suas ordens enquanto estivesse na cidade, por mais que eu não gostasse isso parecia importante. A sensação de frio na barriga voltou, era medo e alerta misturado, resolvi ficar alerta precaução nunca é demais.
Pensei em ludi e nos nossos planos, não iria mudar nada por enquanto, decidi focar nos momentos bons que tive com ele ontem e aproveitar a companhia da minha Irma postiça enquanto no fundo todos os meus pensamentos imploravam para que ele estivesse bem.
