Alguns personagens e o universo abordado pertencem a Stephenie Meyer

Tudo que eu via eram gritos e sangue, ele arrancava a cabeça deles como se fosse nada e depois bebia deles, parecia uma besta fora de controle. Quando achei que o horror havia acabado houve mais. Ele atacou algo nas muralhas, e o que vi entre rosnados foram apenas borrões mas no fim havia mais um corpo sem cabeça.

Ele ficou agachado como se para atacar novamente, olhando em volta ate que seu olhar se prendeu em mim. Eu queria correr, gritar mas não conseguia me mover. Ele se levantou e veio ate mim, me enterrei na rocha na esperança que ele não me visse.

- tem uma caverna a vinte metros, embaixo das ruínas, fique lá ate eu mandar você sair – Ele ordenou não olhando para mim, isso não fazia sentido, eu não podia me mover, eu estava aqui: ele não me mataria também? Eu apenas esperava que fosse rápido - caverna agora!- ele gritou, eu me levantei tremendo, nunca tinha ouvido ele falar com essa fúria nem em seus piores momentos, isso era ele e agora eu entendia.

Entrei na caverna com dificuldade, o que ele queria? O que eu estava fazendo aqui? Comecei a chorar nada teria me preparado para isto.

-Heloisa- ouvi ele chamar em uma calma forçada, eu não conseguia falar, eu não queria falar - porra fala alguma coisa- ele gritou enquanto eu ouvia o barulho de algo quebrando e tudo que consegui foi chorar mais.

-Heloisa eu não vou entrar, não vou machucar você, por favor tente se acalmar- me ele não iria me machucar? Por que não? A imagem dos homens sem cabeça, caindo...- não vou chegar perto de você mas preciso te tirar daqui outros virão – outros? Havia mais? Sim me lembro daquilo que ele atacou no muro... eu tinha que sair daqui, comecei a me mover quando ele disse:

-Heloisa, por favor, não saia, não vou conseguir ignorar o sangue, vou pensar em um modo de te mover sem arriscar nada. O quão machucada você esta?- ele não queria me machucar? Eu não conseguia entender, as imagens ficavam passando, eu mal conseguia ficar lúcida tudo doía

-eu.. eu..- eu não conseguia ser coerente

- por favor me diga- ele suplicou apavorado, como o ser que mata daquela forma pode estar com medo?

-eu não sei- depois de tudo eu ainda não queria ele sofrendo, que porra é essa?- levei um tiro, tem um corte, acho que quebrei o braço e minha cabeça dói...- e doia mesmo estava insuportável. Ouvi ele rosnar era como se estivesse ferido, nada como em nosso encotro noturno era um barulho atormentado, será que estava ferido?

-Onde foi o tiro?- ele disse entre dentes

- pegou de raspão no braço- mas ainda doía muito

-você ainda está sangrando?- ele parecia preocupado, e pelo que vi ele fazer sangue não era uma boa ideia.

-um pouco- disse, de repente ele atirou roupas para mim dizendo:

-Troque de roupa, limpe o Maximo do sangue que conseguir e comprima- fiz como ele disse, me livrei da camisa e calça ensangüentadas e vesti o que ele me ofereceu notando que eram as roupas dele

- você consegue andar?- ele queria que eu saísse? O pânico me tomou, não conseguiria olhar para ele ou para os corpos.

- Heloisa?- ele estava ficando impaciente

- sim-não queria ele irritado, não sabia o que fazer

-eu vou me afastar saia e fique perto das arvores- ele disse e eu sabia que não tinha escolha, tinha que sair, fiz o meu caminho com dificuldade e quando alcancei o ar da noite os corpos haviam sumido, ele não estava em nenhum lugar que eu pudesse ver ate que o vi entrar na caverna onde eu estava depois que tomei distancia.

Notei que perto das arvores eu estava escondida e a favor do vento, ele tinha me colocado aqui de propósito. Ele saiu instantes depois e ficou distante de mim, de pe sobre uma rocha apenas com a calça preta olhando para o céu.

- eu tenho que voltar para casa- eu tinha que sai daqui, não conseguiria ficar perto dele

-você não pode, não pode entrar assim pela cidade eles vão te achar- ele disse e eu soube que falava serio - eu vou te levar a um hospital...- ele começou a dizer e eu cortei, ele tinha enlouquecido? Que tipo de assassino contribui com as provas?

-não posso vão perguntar do tiro e do corte, vão chamar a policia, vão perguntar quem fez isso e onde eles estão- eu devia ir eles me manteriam longe dele, mas eu queria ficar longe? Merda minha cabeça doía muito.

-isso não importa você esta ferida- ele parecia preocupado mas eu não achava hospital uma boa ideia.

-não- disse, e antes que percebesse ele estava na minha frente com olhos vermelho sangue vidrados, recuei mas ele me pegou e não pude gritar, não conseguia me mover eu era uma confusão, quando notei estava me movendo muito rápido.

Paramos em frente a uma casa que eu não conhecia, ele passou como um borrão e estava de volta me carregando para dentro estava em um banheiro com algumas toalhas, ele saiu batendo a porta.

Não havia o que discutir, ele queira que me limpasse e eu não queria brigas, eu havia morrido quando eu o vi matar não tinha mais forças. Me senti suja, aquelas eram roupas de um assassino, me livrei delas e entrei no chuveiro. Lavei o sangue e a terra, esfreguei como se pudesse lavar minha alma no processo, ignorei a dor- a dor física era nada perto da que meu coração sentia.

Enrolei-me em uma das tolhas e fiquei no chão chorando. Eu nunca havia me sentido mais feliz do que nos raros instantes com ele e agora que eu sabia como ele realmente era, sem fachadas ou disfarces percebi que o que ele havia me deixado ver não era nada.

Eu estava com medo e raiva. No meio disso tudo quando pensei que o odiava descobri que era mentira, não conseguia odiá-lo eu o amava mesmo depois de tudo e não sabia o que infernos fazer, ou o que aconteceria.

Demetri POV

Fui ate os terrenos do hospital local e aguardei até ter certeza de que quem eu abordasse fosse um médico, 15 min depois encontrei um que havia saído pra fumar, humanos e seu vícios...Não lhe dei tempo, o atirei no beco escuro onde ninguém nos veria.

-você pode remover uma bala?- perguntei ríspido

-não trabalho para gente como você!- ele disse ficando de pé, o agarrei com uma das mãos e rosnei, ele tremeu e assim eu soube que ele havia entendido

-você vai remover uma bala e é melhor fazer direito- ou eu o mataria lenta e dolorosamente

-eu... eu.. preciso da minha maleta, está no carro- ele disse apavorado

-pegue o carro e dirija até o fim da estrada 115, e é melhor não tentar nada ou você vai se arrepender e ninguém vai poder te ajudar- eu disse rosnando

Ele fez como pedi, aquele humano estúpido levou 30 min para chegar, se eu não precisasse dele já o teria executado.

-me siga- disse enquanto o homem vinha tremendo atrás de mim

Ela ainda estava no banheiro, chorando – eu era um bastardo, mas não partiria ate ter certeza que ela estivesse segura. Ordenei ao medico que preparasse tudo na cozinha e aguardasse, ainda sem olhar diretamente para ele fui ate Heloisa.

- Heloisa, abra a porta- eu disse com o resto da calma que eu tinha, ela não respondeu e eu arrombei, ela estava encolhida no canto enrolada em uma tolha manchada de sangue, virei as costas e fiz sinal para ela me seguir. Ela cambaleou pelo corredor até chegar a cozinha. Saí não suportava mais a sede, fui caçar perto de um galpão abandonado, precisava pensar com clareza eu precisava dela segura- precisava de um plano.