Alguns personagens e o universo abordado pertencem a Stephenie Meyer
De repente ouvi:
- Heloisa, abra a porta- não, eu não queria sair eu..
Ele arrombou a porta entrou e eu congelei. Não dizendo nada ele fez sinal para mim e me forcei a segui-lo, ele ainda não olhava para mim, quando chegamos a cozinha havia um homem, ele parecia apavorado e quando olhei novamente Demetri não estava mais lá.
O homem na cozinha era médico, pelo que entendi ele tinha sido forçado a vir ate mim. Fui examinada, meu braço direito estava um lixo - recebi uma tala para o braço quebrado, tive a bala removida, ganhei pontos no local da bala e no corte no outro braço. Ele perguntou pelo lixo e eu ia dizer que não sabia quando Demetri retornou.
Ele acenou para que eu saísse, ia discutir quando ele me encarou diretamente. Ouvi ele levar o medico para fora, ouvi mais barulho na cozinha ate que ele estava no corredor ainda me encarando ele fez sinal para o banheiro e eu obedeci, ele me deu roupas novas e apontou para o chuveiro.
Percebi que ele queria que me livrasse de qualquer vestígio de sangue, e assim eu fiz. As roupas eram uma lingerie preta simples calça, blusa e um casaco. Me vesti e o encontrei na sala. Ele apontou para fora e saí. Instantes depois ele saiu vestindo um calças caqui e uma jaqueta trazendo as nossas roupas antigas, as toalhas que usei, e os resíduos médicos. Ele queimou tudo. Ele se virou para mim inquieto e eu congelei novamente.
-não vou machucar você- ele sussurrou, eu sentia que era verdade mas ainda sim não conseguia relaxar.
-posso voltar para casa?- implorei
- ainda não, não é seguro- ele parecia atormentado, pensei em tudo que vi e percebi que fosse o que fosse ele tinha salvo minha vida, e ido mias alem, ele havia cuidado de mim. Eu não sabia como agir, não podia apagar o que aconteceu. Precisava fazer alguma coisa, eu estava viva mas pelo que sabia estávamos encrencados – eu resolveria os problemas mais urgentes primeiro.
-então preciso de um telefone- eu sabia o que tinha que fazer
-Heloisa...- ele começou a dizer, eu me virei e fui para casa, havia um telefone na sala, mas antes que eu desse o segundo passo ele estava na minha frente. Não olhei para ele, não podia encarar seus olhos com aquela cor medonha.
-se você me considera de alguma forma me deixe passar- eu disse e ele relutantemente saiu do caminho vindo atrás de mim
O telefone estava funcionando com a graça de Deus. Disquei para o celular de Lourdes, ela atendeu sonolenta no terceiro toque.
-sim?
-Lourdes você foi para casa?
-helo?
-apenas responda
-não. Helo o que ta acontecendo?
- ele me achou
-você esta bem? Esta ferida?- o pânico dela era evidente
- estou bem agora, eu preciso que você me escute
-helo..
-apenas ouça, não conte isso pra ninguém você entendeu?
-mas..
-Lourdes, por favor
-ok
-esta em volterra?
-sim
- preciso que faça algo para mim e não faça perguntas, o que vou pedir pode não ser fácil para você mas não te pediria se não fosse importante. Quero que vá para casa, vai achar uma mancha de sangue na sua cozinha e uma faca, limpe tudo com cloro e o que mais você tiver, se livre da faca e tranque a casa. Se alguém perguntar nada aconteceu, você entendeu?
-sim
-você acha que pode fazer isso?
-sim- ela disse rígida e depois perguntou- você esta segura?- ela perguntou baixo, olhei para Demetri, eu estava segura?
-sim- de uma forma extremamente fudida eu sabia que estava- Não sei como você vai fazer isso mas não vá para casa sozinha, ok?- pensei "nos outros" que Demetri mencionou
-Tudo bem. Helo onde você está?
-não sei direito, mas vou procurar um local seguro.
-use a casa de campo, você sabe chegar, as chaves ficam atrás do vaso grande, vou avisar ao colono que você esta indo e para não incomodar já tinha combinado com Matheo que iríamos antes não vai ter problema. Te encontro lá pela manhã.
-Lourdes essa não é uma boa idéia
- é uma ótima ideia, eu não sei o que aconteceu mas você vai me contar, não quero mais segredos - ela disse firme
-tudo bem, vejo você lá pela manha- não havia ponto em discutir- tome cuidado, adeus
- você também, adeus te encontro pela manha- e com isso ela desligou
Fiquei com o telefone na mão sem saber se o que tinha feito havia sido o certo, agora me parecia estupidez meter minha amiga nisso.
-Heloisa temos que ir- Demetri disse me trazendo de volta para o nosso caos, ele parecia perdido e depois de tudo mesmo no meio do medo que ainda sentia dele queria seu abraço. Enterrei minhas mãos na cabeça. não tirava a imagem dos corpos empilhados da mente e eu ainda o queria? Como isso era possível?
-não sei o que fazer- sussurrei
Estava cansada, com dor e ficar aqui não iria ajudar ele tinha razão tínhamos que ir. Olhei para cima dentro dos olhos de sangue, que mesmo naquela monstruosidade me diziam tanta coisa, não disse nada apenas me levantei e sai.
-se estamos indo para a tal casa no campo eu não sei o caminho- ele disse baixo, e eu estaquei eu não disse onde ia como ele ouviu?
-estou cansando das surpresas- eu disse e me arrependi assim que ele se contraiu- fica perto de Florença ao norte, são quase uma da manha, se eu conseguir um carro com sorte estou lá pela manhã
-você está lá?- ele disse trincando os dentes- você não vai sozinha!- ele disse com raiva. Não liguei para raiva dele estava cansada demais para aturar mais merda, precisava de um tempo
- sim eu vou- posso conseguir uma carona ou algo assim...
-você está ferida- ele disse isso como definitiva
-sim, e estou cansada, não sei o que pensar, eu..
-você não me quer por perto- ele disse baixo
-não, não consigo lidar com mais nada hoje- era verdade, agora eu precisava de distancia. Parecia que ele tinha levado um tapa mas eu não consegui esboçar reação eu tinha dito a verdade, eu estava entorpecida não ia usar de amenidades. Esse tempo entre nos passou.
- vou levar você até lá depois desapareço- ele disse brusco e antes que pudesse reagir estávamos nos movendo a uma velocidade absurda.
Chegamos ao lugar eram quase duas da manha, o cara era rápido e eu estava rígida não so pela falta de movimentos mas por pensar em como aquilo tudo era possível. Ele me pos no chão e fui direto atrás da tal chave, abri a casa e me larguei no sofá, estava exausta, Demetri ficou me olhando e a tensão entre nós era óbvia.
-o que acontece agora?- perguntei, não que eu quisesse realmente saber agora mas se não tinha mais jeito era melhor resolver logo. Ele não respondeu apenas me encarou.- Demetri?- ele suspirou e parecia mais velho e exausto do que eu já tinha visto
-não sei- ele disse - eu preciso voltar- ele disse serio e isso ligou meus alarmes
- mas...- como voltar? E se quem quer que fosse pegasse ele?
-vai parecer suspeito se eu não aparecer- o olhei por uns instantes, suspeito pra quem? De quem ele estava com medo? A sensação é que não o veria mais e depois de tudo minha cabeça dizia que era o certo mas o meu coração discordava muito disso
-vou ver você novamente?- perguntei, e ele pareceu chocado
-pensei que não quisesse me ver- ele disse me encarando como se eu tivesse sete cabeças
-eu não sei o que eu quero, mas te fiz uma pergunta- eu disse sem saber novamente se queria a resposta
-Não- ele disse de um jeito definitivo que apesar da minha razão isso me dilacerou, ele se virou para partir e eu senti como se minha alma estivesse rasgando.
-se você mudar de ideia estou aqui até o fim da semana, depois volto para o Rio, eu gostaria de falar com você antes de ir – eu realmente queria falar com ele, eu precisava disso eu sabia. Ele alcançou o batente da porta, parou por um segundo e partiu.
Esperei por minutos ou horas mas ele não voltou, chorei o horror, o medo, a perda e o meu amor ate que adormeci no sofá.
