Gênero: Drama/Romance

Spoilers: Essa fic pode ter um ou vários spoilers seja do livro um, dois, três, quatro ou meio do quinto (haushaushaush). Eu não sei ainda aonde a minha imaginação vai me levar, no entanto estejam avisados desde logo, porque depois eu não quero gente reclamando comigo oká. E ela é uma fic slash/yaoi, então se você não curte, e nem se arrisca a por os olhos em tal espécie de texto, não o aconselho a ir adiante.

Sumário: Finalmente Seth teve sua impressão, afinal todo lobisomem tem o direito de tê-la! Mas e se essa pessoa em questão não é exatamente quem ele esperava?

Disclaimer: Essa fic foi baseada na série de livros Twilght. Todos os direitos autorais pertencem a Stephenie Meyer. Eu só peguei o gancho dela e criei uma estória a parte, só por diversão e falta do que fazer num domingo a tarde. Os novos personagens e o que acontece com eles... é tudo meu! My precious...

SUNRISE

por Ge Black-Masen

beta-read por nathsnape


Capítulo 3: Enfim La Push e... Cullens?!

Na manhã seguinte, a tripulação já se preparava para zarpar exatamente ao meio dia, e certamente que eu deveria estar mais do que pronto para fazer o meu trabalho até lá. O Dr. Jeferson, logo cedo, às 4 da manhã, bateu na porta de minha cabine e pediu que eu o acompanhasse até a ponte de comando, onde eu seria instruído acerca dos parâmetros e tudo o mais relativos à pesquisa que deveria fazer, bem como detalhes da localização do posto avançado que eu definitivamente não sabia aonde era.

Lá pelas 11 da manhã, quando o tempo nublado se fazia firme e definitivamente resoluto em deixar um rélis raio de sol passar, já estava tudo acertado e o navio da equipe do Sea Observer estava pronto para zarpar do cais de Port Angeles. Eu já estava igualmente a postos para o trabalho, com todos os apetrechos que o doutor me forçou a empurrar em minha já atulhada mochila.

"Espero que estejamos todos prontos, Pesquisador Avançado Andreas?!" disse o Dr. Jeferson arqueando uma sobrancelha, quando nos despedimos.

"Definitivamente, doutor. Definitivamente prontos!" disse seguro. Eu estava em êxtase e meu ego estava mais do que inflado! "Faremos grandes progressos com as orcas, doutor."

"Espero que sim Andreas. Esse é o seu propósito aqui. Cuide bem dos meus bebês." Disse ele piscando um olho rapidamente de forma marota.

"Adeus doutor. Faça uma boa viagem! Nos falamos amanhã à tarde, pelo rádio."

"Certamente. Adeus meu garoto. E que a Boa Sorte dos biólogos marinhos, esteja com você!"

O subchefe da equipe, aquele rapaz simpático que me apanhou no aeroporto, havia me dito que o xerife Swan viria às 13 horas em ponto para me levar até o meu posto em La Push. Como ainda faltavam vinte minutos para o meio dia, resolvi comprar um mapa da região, já que acredite você ou não, não tinha pego nenhum com a tripulação do navio. Fui até uma pequena livraria não muito longe do cais para ver se eles tinham alguns a venda e aproveitar para comprar algum desses best-sellers atuais para distrair durante a noite; e como as mochilas, mesmo pesadíssimas, pereciam feitas de isopor para mim, resolvi levá-las comigo.

No meio do caminho, aproveitei para visualizar melhor o porto da cidade que era razoavelmente grande dado a sua localização e o considerável fluxo de navios. Havia toda uma avenida a beira-mar no próprio cais, cheia de pequenas lojas de lembrancinhas, artigos para pesca, roupas de banho entre outras coisas.

Dirigi-me a pequena livraria na parte mais afastada do cais, entre dois grandes armazéns de estivas. Definitivamente, olhando aquele pequeno casebre de frente, parecia que a qualquer momento ele seria engolido pelas paredes que o ladeavam. Sua localização projetava no ambiente interno da lojinha uma parcial escuridão, compensada somente por algumas velas grossas aqui e acolá, e alguns abajures prostrados em mesinhas individuais de leitura. 'Que lugar mais estranho, e ao mesmo tempo mais aconchegante, para se ler?!'. Olhando a loja de fora e pela frente, ela perecia pequena, mas olhando agora de dentro ela desmentia totalmente essa impressão, já que era bem comprida e suas paredes pareciam acompanhar as dos armazéns que a cercavam. Grandes estantes repletas de livros estavam dispostas em quatro longas fileiras retas que iam da porta até um grande balcão de madeira no fundo da loja. Devia ter de tudo ali. Não me surpreenderia se, por acaso, perguntasse ao atendente se ele teria os pergaminhos perdidos do Mar Morto e ele me respondesse que sim.

Havia um homem, mais ou menos alto, esguio, de grandes tranças de cabelo impecavelmente negro, grandes bochechas caídas e com uma cara de poucos amigos, atrás do balcão. Quando o questionei se ele trabalhava ali, o homem, que antes estava totalmente absorto na leitura de um jornal, me olhou de forma cansada e com total desinteresse o que inesperadamente se converteu em uma reação estranha quando nossos olhares se encontraram. Era como se ele soubesse que tinha algo "errado" comigo. Algo nele também não me inspirou confiança, e por algum motivo desconhecido, também, meus instintos ficaram em estado de semialerta. Curta e grosseiramente, ele me respondeu ser o dono da livraria.

"Você por acaso não teria um mapa da região? Preciso de um que cubra Port Angeles, a Ilha Vancouver e toda a extensão da Península Olímpica." perguntei.

"Talvez eu tenha, talvez eu não tenha. Não me lembro se vendi o último semana passada. Os mapas ficam na quarta estante, bem no meio, terceira prateleira de baixo pra cima. Veja você mesmo se tem."

'Por Zeus! Que ser de educação ímpar! Com certeza a mãe dele não lhe deu umas palmadas quando ele era pequeno, ou talvez tenha dado, só que bem no meio daquela cara feia, por isso aquelas bochechas!'

Dirigi-me – a contragosto, claro - até a prateleira onde o homenzinho mal educado havia dito que estariam os mapas, e graças a Hera, consegui encontrar o mapa que eu queria no meio de um enorme amontoado de cartazes e papeis que mais parecia material para reciclagem.

Como queria também um livro de leitura simples, só para me distrair nas horas de "descanso", comecei a vasculhar as prateleiras da pequena loja em busca de algum título interessante. Não muito tempo depois de iniciada a minha busca, o sino pendurado a porta tocou, anunciando a entrada de mais um comprador. Não dei atenção ao recém chegado, que neste momento falava com o balconista ao fundo da loja, e continuei a olhar os tombos dos livros antigos.

Como sempre gostei de ler desde pequeno, certa vez enquanto estava em Veneza, comecei a amadurecer a idéia de abrir uma pequena livraria, coisa singela mesmo, nada muito grandioso, muito parecida com este lugar apertadinho e atulhado de livros que eu minutos atrás adentrara. Isso com certeza me ocuparia o tempo e me faria necessário aos humanos, e de certa forma, eu acabaria por ver as pessoas crescendo ao meu redor, como flores silvestres na primavera, me fazendo esquecer que eu era aquele carvalho seco, de madeira dura, que nunca se desfaria, caído na beira da clareira. Eu certamente poderia ignorar mais algumas décadas com aquilo, e seria feliz, tinha certeza disso. No entanto, nunca concretizei a idéia. Só mais um sonho posto na prateleira junto com muitos outros...

Alguns minutos de busca depois passei os dedos pelo lombo de um livro que me chamou a atenção pelo sugestivo nome: Mitos e Lendas Quileutes. Muito a contragosto, resolvi questionar o balconista sobre o que ele poderia falar sobre aquele livro, já que não havia sinopse no verso.

"Oi?! Com licença?! Oi! Senhor?!" - tentei chamar a atenção do homem que parecia nem se tocar que eu estava ali. Então fui até o fundo da loja e bati com certa força no balcão com o livro.

"OOOOWW!!" – berrou ele ante ao susto. "Que isso!? Que foi? Não achou o mapa?"

"O mapa? Pois sim, encontrei um, obrigado. Agora o que você me diz sobre este livro? Do que se trata exatamente, já que não tem sinopse nem orelha alguma aqui?!"- perguntei-lhe no mesmo tom mal educado ao mesmo tempo em que lhe passava o livro, que era encapado com um tecido negro com uma pena vermelha aplicada na capa.

"Este livro, na verdade, é um exemplar raríssimo. Só foram impressos dez destes. A editora lançou essa tiragem em caráter experimental porque temia um choque direto com a população local, que não gosta muito de "fuçar" em velhas histórias para assustar crianças, histórias que pelo jeito ainda assustam gente grande também, se é que me entende." Sinistramente, ele levantou umas das sobrancelhas de forma insinuante. 'O quê ele quis dizer com isso? Eu nem sou daqui!'

"Aah! Entendo. Mas do que se trata exatamente?", refiz a pergunta de forma ríspida.

"Veja bem, o manuscrito foi ditado por um legítimo índio quileute que, a propósito, era meu bisavô, e contém as mais antigas e legítimas histórias da tribo de La Push. É um compêndio de crônicas e mitos que ainda hoje são passados de geração em geração entre os nossos. Há muito que não visito a reserva, mas ainda sou um quileute, e como presumo que o jovem seja um turista, acho que vai gostar de ler o livro. Acho que tem tudo a ver com o senhor..."

"Perdão?"

"Não, nada. Então, vai levar ou não o livro? Eu não tenho a tarde toda!"

"Depois de tão gentil oferta, vou levá-lo!" – respondi de forma seca. "Quanto custa o mapa, o tal livro preto das lendas e mais... esse aqui?" – perguntei finalmente lhe entregando outro livro.

Depois de muito ouvir o balconista, sobre uma infinidade de livros que estavam em promoção e blábláblá, findei o inconveniente atendimento saindo da lojinha carregando além do mapa, um livro de história dos Estados Unidos, e o sobre lendas e mitos locais, que o vendedor da livraria fez questão de salientar – novamente – que eu não estaria me arrependendo em comprá-lo. 'O que ele estava querendo dizer com aquilo? Será que toda essa gente daqui é tão rude quanto? Por Zeus! Se forem, então meus deuses, concedam-me a paciência de Atlas!'

Assim que cheguei à praça central de Port Angeles, já eram 13 da tarde e nenhum sinal do tal xerife Swan que supostamente deveria estar lá para me apanhar. Eu poderia ser pontual, mas certamente existiam pessoas que não o eram.

Meia hora depois, um homem meio alto, com porte atlético, sai de uma viatura e se dirige em minha direção. "Olá! Você deve ser o novo pesquisador. "Andréias", certo?!" – ele questionou, estendendo a mão em cumprimento.

Andreas, chefe Swan, se não se importa." – respondi corrigindo-o. Ele parecia ser muito tímido, mas isso de forma alguma influenciava na sua pose firme. Senti isso logo no aperto de mão. E a aura dele inspirava segurança. Tanto que me dei ao descuido de esquecer certos "detalhes" e retribui o cumprimento apertando a mão que me era estendida.

Ele imediatamente notou a temperatura da minha mão e de forma curiosa, não estranhou ou reagiu da mesma forma que qualquer outro antes dele, ao se deparar com a mesma situação.

"Está tudo bem com você, Andreas?" – ele simplesmente perguntou de forma desconfiada logo após recolher a mão.

"Sim, está tudo bem. Por que não deveria, senhor?"

Ainda assim, tive a leve impressão de não ter sido o primeiro a submetê-lo a tais dúvidas, porque ele simplesmente havia reagido bem demais. Mas se eu havia plantado a sementinha da dúvida na imaginação fértil do chefe Swan, certamente não saberia, porque ele de forma estranha conseguia bloquear alguns aspectos da sua aura, dificultando sua leitura. O que despertou em mim certa curiosidade, mas, de certo, não havia nada com o que me preocupar quanto ao xerife, pelo menos por hora.

"Não, por nada. Esqueça. E, por favor, pode me chamar só de Charlie, ok? Está tudo aí? Podemos ir?!" – ele perguntou de forma forçadamente animada na tentativa de desfazer rapidamente aquele estranho momento.

"Sim, quando quiser."

Depois de colocarmos, ou melhor, de eu colocar as mochilas no porta-malas, porque estavam abismalmente pesadas e eu não cometeria dois erros seguidos fazendo-o carregá-las - colocando assim adubo na sementinha da desconfiança que plantei em Charlie - nós seguimos para La Push.

A viagem foi bem tranqüila, visto que tanto eu quanto Charlie não parecíamos nos incomodar com o silêncio que a outros seria constrangedor. Excetuando claro, pequenos diálogos aqui e acolá.

"O que o trás a Forks, Andreas? O doutor Jeferson mencionou algo sobre baleias e La Push, e foi só o que eu consegui entender de toda aquela verborragia técnica que ele despejou em mim."

"É, ele se empolga um pouco mesmo. Tive uma razoavelmente longa conversa com ele esta manhã. Eu fui designado como pesquisador avançado para analisar as baleias que permanecem na baía de La Push mesmo depois do tempo que deveriam, e o porquê delas abandonarem o grupo para ficarem sozinhas nas águas próximas a reserva. É um fenômeno curioso, um comportamento nunca antes observado em nenhum sirênio."

"Uuhm" – foi só o que Chalie respondeu. E eu arqueei a sobrancelha.

"Notei que você não é americano. Ao menos não parece ser. O inglês é impecável, mas tem sotaque. De onde você é Andreas?"

"Eu vim da Grécia."

"Uuhm" – outro curto som em resposta.

"Quantos anos tem, Andreas?"

"Dezenove."

"E já é graduado?" – Ele perguntou, visivelmente espantado.

"Já. É que na Grécia temos um sistema diferente de ensino baseado na aprendizagem do aluno. Então se você já está apto para avançar de série, você avança. Eles não ficam te prendendo, sabe. Simples. Por isso terminei cedo."

"Uuhm" – ele por fim respondeu, parecendo meio incrédulo. Eu não pude evitar sorrir da situação.

Mais trinta minutos de viagem e chegamos a uma pequena cidade que, se eu havia lido certo a placa na entrada, devia ter pouco mais de três mil habitantes.

"Andreas, bem vindo a Forks."

"Então esta é Forks?"

"Esta é Forks. Só vou dar uma passada rápida em casa, pegar algumas coisas para levar a um amigo que mora na reserva e então seguiremos viagem. Tudo bem?"

"Por mim tudo bem."

Paramos em frente a uma casinha branca, dessas de estilo sobrado colonial, muito charmosa em minha opinião. Parecia em muitos aspectos com a que tinha na França. Charlie não se demorou muito. Entrou no carro todo molhado segurando alguns sacos plásticos, carrancudo, reclamando do porquê de chover tanto por quilômetro quadrado naquele lugar.

"É bom você ir se acostumando Andreas, porque aqui ou chove todo tempo ou neva, então não espere que o sol apareça com frequência."

"Não espero Charlie. Não esperava mesmo." - respondi solicito. "A propósito, quem é este rapaz estampado nesses cartazes?" Perguntei curioso, apontando para uma pilha de pôsteres que emanava do porta-luvas da viatura. E eu só perguntei, pois algo no rapaz da foto me chamou a atenção: talvez porque eu tenha visto alguns desses pregados por Port Angeles.

"Oh, ele se chama Jacob. Ele é filho do amigo que estamos indo visitar. Desapareceu há algum tempo e mesmo com as inúmeras buscas, mandados e alertas, não conseguimos nenhuma notícia de seu paradeiro até então. Eu simplesmente não consigo imaginar onde ele possa ter se enfiado!"

"Uuhm" – agora foi a minha vez de ser monossilábico.

Quando nós estávamos chegando à casa do amigo de Charlie na reserva, ele me disse que esperasse por ele no carro se quisesse ou que entrasse para conhecer o tal amigo. Eu optei por entrar, não custava nada ser gentil.

"Billy é um grande amigo. Nem me lembro desde quando nos conhecemos... mas sinto como se tivéssemos crescido juntos." – Charlie disse antes de dar três batidas rápidas na porta.

Após um minuto ou dois e um breve grito de "Já estou indo", um senhor em uma cadeira de rodas veio atender a porta e cumprimentou esfuziantemente Charlie com semiabraço desajeitado. Iniciaram um papo animado sobre o último jogo que assistiram e coisas do tipo, como se eu fizesse parte da paisagem e nem estivesse ali, o que eu agradeci intimamente. Mas minha presença logo foi notada quando Charlie de repente se lembrou que não viera até ali sozinho e tratou de me apresentar ao homem chamado Billy.

"Billy, este é Andreas, o novo pesquisador do Dr. Jeferson que vai ficar no posto na reserva que estava sendo ocupado pelo Peter na temporada passada." – Charlie disse em tom solene.

Quando eu me dirigi para fitar o homem ao qual fui apresentado, algo soou como se milhões de gritos de alerta penetrassem ao mesmo tempo em minha cabeça, quando olhei profundamente nos olhos dele. Billy era um índio não muito velho, com olhos negros profundos e com uma aura que sem mais nem menos passou de um azul turquesa claro para um vermelho-sangue nada amistoso, o que me fez recuar um passo, ainda que eu mantivesse em minha face uma máscara ilegível, livre de qualquer reação de surpresa. O mesmo não posso dizer de Billy que mudou de uma feição receptiva e animada para outra carregada de asco e... ira? Por isso o vermelho-sangue turgindo a alma do homem. Sua face contorcia-se em caretas contidas. Frente à inesperada e estranha reação do outro, limitei-me a apenas manear a cabeça em educado cumprimento.

"Ele não pode estar aqui! Não pode! Ele tem que sair da reserva imediatamente! Imediatamente, Charlie! Diga ao tal doutor que mande outro! Mas ele tem que ir embora! Como um deles pode estar na reserva?! Como?! Eles não estão mais honrando o acordo! Fora daqui seu animal!" – Disse Billy de forma abrupta, em tentativas vãs de sair da cadeira e me agarrar. Suas mãos se fechavam e se abriam como garras de um lobo que mesmo estando próximo a presa, não conseguia apanhá-la e destroçá-la porque estava preso a uma armadilha. A postura que tomara era totalmente defensiva, chegando até a puxar Charlie pelo colarinho e abaixá-lo até a altura de seus olhos, sibilando de forma lenta e perigosa:

"Tire-o daqui agora!" E virando-se em minha direção esbravejou – "SAIA DA MINHA CASA AGORA! SAIA!"

Charlie sem entender coisa alguma tentou, em vão, acalmar os ânimos de Billy que parecia incontrolável em sua cólera. Eu não conseguia entender o porquê do velho índio reagir assim ao me ver, ou será que ele sabia de alguma forma que eu era um vampiro?! Será que ele também podia sentir, assim como o índio da livraria que eu oferecia perigo, ainda que eu mesmo não o vislumbrasse?!

Billy, com outra igualmente inesperada reação, voltou-se para dentro da casa, batendo a porta na cara de Charlie, e berrando lá de dentro que ele nunca mais voltasse a pisar lá, não se estivesse comigo e que eu me mantivesse afastado da reserva se não quisesse ver o meu fim. Fora visivelmente um aviso que eu a princípio não conseguira interpretar. Mais tarde, na manhã do dia seguinte eu saberia o que aquele aviso significava.

Charlie, completamente desnorteado e com a face cheia de perguntas que gritavam por respostas, dirigiu-se a mim inquirindo-me se eu a caso sabia da causa que levara Billy a reagir daquela maneira tão insana.

"Andreas, você e Billy, por acaso, já se conheciam?"

"Nunca o vi na vida, Charlie! Não entendo porque ele me atacou daquela maneira. Estou tão surpreso quanto você." – respondi ainda com a máscara de indiferença. Eu iria investigar a causa daquela cena toda com certeza, isso era um fato. "Eu nem sou daqui, como poderia tê-lo encontrado antes?"

"É verdade, você tem razão. Billy deve estar ficando louco. Acho que deve ser a ausência do filho; o desaparecimento dele pode estar afetando-o mais do que eu imaginava. Preciso vir conversar com ele mais tarde, com mais calma..." – 'e sem você' ele deve ter acrescentado mentalmente.

Já dentro do carro, Charlie, mais calmo, disse que achava melhor que eu passasse a noite na casa dele, porque a essa altura toda a tribo dos quileute já havia "alertada" por Billy de um estranho na reserva deles. Para Charlie, Billy tivera tido um passageiro ataque motivado por depressão e que ele carecia esclarecer as coisas para Billy antes que eu pudesse me instalar no posto da aldeia, já que o índio era o chefe do conselho da tribo.

"Não se preocupe, teremos tudo isso resolvido pela manhã. Creio que no mais tardar, amanhã à tarde você já esteja instalado no posto." Charlie me instruiu por fim, não dizendo mais nada durante o caminho de volta. Em determinado momento da viagem, antes de deixarmos os limites da reserva, vi sombras se deslocando rapidamente por trás das árvores em ambos os lados da estrada. Quando o carro passou brevemente por uma brecha entre os arbustos vi o parecia um grande lobo correndo seguido de perto por outro de igual tamanho, ambos marrons escuros. O que mais me surpreendeu foi que além da forma, aqueles animais tinham aura humana, e todas ostentando o mesmo vermelho-sangue da do velho índio que deixamos pra trás. Sejam eles o quê forem, certamente não me queriam ali tanto quanto Billy.

Quando finalmente cruzamos a linha da divisa da reserva, as figuras animalescas que nos perseguiam converteram-se em figuras humanas das quais, mesmo podendo ver da grande distância em que já estávamos da fronteira, só pude visualizar suas sombras. Outra coisa a se investigar.

Não muito tempo depois chegamos a casa de Charlie. Eu indiquei que já que só ia passar uma noite em sua casa, não precisava tirar toda a parafernália que estava no porta-malas, sendo necessária somente a mochila menor, que eu carregava comigo dentro do carro. Ele concordou, dirigindo-se a casa e abrindo a porta da frente, dando passagem para que eu adentrasse. A casa era acolhedora: dava sinais de pertencer a um legítimo solteiro, porém a limpeza dos cômodos demonstrava que uma mulher habitava a casa também.

"Essa é a minha humilde casa, Andreas. Você aceita alguma coisa? Café?" – perguntou ele dirigindo-se a cozinha comigo logo atrás. "No momento, minha filha está morando comigo. Faz pouco tempo que se mudou. Ah! E por falar nela, ela está casando amanhã com um rapaz que ela conheceu aqui mesmo em Forks." – disse de forma meio animada meio emburrada.

"Sério?! Que bom. E como ela se chama?"

"Isabella."

Nesse momento houve três batidas a porta, ao que prontamente Charlie se dirigiu pra atender quem chamava. Quando abriu a porta, uma linda mulher, um pouco baixa e magra, mas muito bonita, adentrou cumprimentando Charlie e caminhou em minha direção, dirigindo-se a mim diretamente. Senti na mesma hora que ela era uma igual, uma semelhante, uma vampira, como eu. Com os mesmos olhos dourados ela me fitou e abriu um largo sorriso.

"Olá! And... Olá!" – ela cumprimentou como se já nos conhecêssemos. E ela me olhava de forma curiosa.

"Olá!" – respondi educadamente.

"Me chamo Alice e é um prazer conhecê-lo. E você é?"

"Andreas. O prazer é meu." – respondi enquanto Charlie adentrava a cozinha.

"Oh, vejo que já se conheceram. Andreas, Alice é irmã de Edward, o noivo de Bella. Alice, Andreas é um pesquisador que veio para substituir Peter no posto em La Push."

"Eu sei." – Ela disse.

"O que disse? Como já sabe? Ele acabou de chegar." – Charlie perguntou curioso.

"É que as notícias correm rápido sabe..." – respondeu ela de forma vaga como quem foge pela tangente.

"Esse Billy..."

O telefone tocou ao longe, e Charlie pediu licença enquanto corria para atender. Alice, ainda com o sorriso no rosto, esclareceu-se.

"Eu já sabia quem você era antes mesmo de nos apresentarmos e, acredite, não foi o Billy quem contou. Eu só tinha que cumprir as formalidades para não confundir o Charlie. Você deve estar se perguntando o que uma vampira como eu faz em Forks, não é? Eu não me faria essa pergunta quando você mesmo encontra-se na mesma posição. Todas as suas perguntas serão eventualmente respondidas. Fico feliz em tê-lo conosco, Andreas. Você será um membro muito importante da nossa família."

"Família?"

"É, minha família. Outros iguais a nós. Não se preocupe, como eu disse, suas perguntas serão eventualmente respondidas, principalmente com relação ao que ocorreu hoje na reserva."

"Reserva? Como você sabe sobre a reserva? Acabamos de chegar de lá!"

"Você vai descobrir que eu sei de muitas coisas. Coisas que até mesmo você não sabe sobre si mesmo."

"Que coisas?"

"Dê tempo ao tempo... Depois conversamos com mais calma, agora preciso fazer Charlie experimentar esse terno e acredite, não será tarefa fácil. Você me ajuda?! CHARLIE! Tenho uma surpresa para você!" – ela chamou.

"Que surpresa?!" – Charlie perguntou animado. Sua animação esvaiu-se no momento em que viu o terno nas mãos de Alice. "Não vou experimentar isso novamente! Nem pensar!"

"Charlie, vamos! Eu não vou deixar de forma alguma você levar Bella ao altar usando um trapo que eu vi ela limpando uns dias atrás. Eu nem ousaria chamar aquilo de terno! E você precisa estar elegante, porque Bella, com certeza, estará e ela gostaria que você também estivesse. Ora, vamos?" – ela pediu a ele. Como ele mantinha a mesma carranca, ela virou-se pra mim em busca de apoio.

"Charlie, eu sei que eu não tenho nada a ver com isso, mas... não custa nada, não é? Nunca é demais se é para ficar bonito. Além do mais, é o casamento da sua filha. E não é todo dia que se casa uma filha, ainda mais sendo única!"

Passados cinco segundos de ponderação, Charlie findou cedendo.

"Ok. Está bem. Mas é pela Bella!"

"E ninguém, além dela, merece mais!" – Alice completou.

Depois de algumas falsas alfinetadas, o terno estava vestido em Charlie e ele estava impecavelmente elegante. Mesmo que as intempéries do tempo tenham maltratado um pouco as feições dele, ele ainda conservava certo chame pitoresco.

"Pai?" - alguém chamou enquanto abria a porta da frente. "Estou em casa".

"Espere, Bella, fique bem ai".

"Huh?" ela esperou.

"Me dê um segundo. Ouch, você conseguiu, Alice".

"Desculpa, Charlie", a voz alegre de Alice respondeu. "Como está?"

"Eu estou sangrando".

"Você está bem. A pele não foi ferida - confie em mim".

"O que está acontecendo?" ela perguntou da entrada.

"Trinta segundos, por favor, Bella" Alice pediu. "Sua paciência será recompensada".

"Humph", Charlie adicionou.

Bella apareceu na porta.

"Oh", ela exclamou em surpresa. "Aw, pai. Você está –"

"Boboca?" Charlie interrompeu.

"Eu estava pensando em algo mais parecido com 'elegante'."

Charlie ruborizou. Alice pegou o cotovelo dele e o rodou lentamente para que ele mostrasse o terno cinza pálido.

"Pare com isso, Alice. Eu pareço um idiota".

"Ninguém vestido por mim fica parecendo um idiota".

"Ela está certa, pai. Você está fabuloso! Qual é a ocasião?"

Alice revirou os olhos. "É a última prova de roupa. Para vocês dois." Ela desviou os olhos da elegância não habitual de Charlie para a bolsa branca estufada deitada cuidadosamente no sofá.

"Ahhh".

"Vá pro seu cantinho feliz, Bella. Não vai demorar".

Ela já ia virando em direção as escadas quando pareceu se dar conta da terceira pessoa na sala. Estacando no primeiro degrau, ela retornou surpresa.

"Espera, e quem é este?!"

"Já ia me esquecendo Bells, esse é o Andreas. Andreas, esta é a minha filha Bella." Charlie apresentou.

"Muito prazer, Bella. Meus parabéns pelo casamento." Felicitei-a.

"Oh, obrigado. É um prazer também, Andreas." – disse ela, surpresa. "Alice, quando terminar aí, esteja urgentemente no meu quarto. Precisamos conversar."

"Logo estarei lá." – Foi o que respondeu Alice antes de outra reclamação de um Charlie resmungão.

Só quando Bella virou-se, nos deixando na sala para ir para o seu quarto, que eu notei que não conseguia ver a aura dela. Em nenhum momento senti a sua manifestação, era como se ela não existisse no recinto. Se eu fechasse os olhos, e usasse só o meu sentido extra eu não a enxergaria; só a notaria pelo cheiro inebriantemente doce que ela exalava.

Enquanto eu fiquei na sala, vendo TV e eventualmente mantendo diálogos curtos com Charlie, Alice subiu para prestar a devida assistência a uma Bella às vésperas de casar-se. Umas duas horas se passaram até Alice descer e entrar novamente na sala, chamando por mim.

"Andreas, você me acompanha até a porta?"

"Claro." Charlie estava tão absorto assistindo ao jogo que nem notou a intimidade demasiada que tínhamos para quem acabara de se conhecer naquela tarde. Já fora de casa, na varanda, Alice falou.

"Estamos esperando você hoje à noite em nossa casa. Todos nós estávamos ansiosos para conhecer você. Tenho visões com você há algum tempo e aguardávamos a sua chegada."

"Visões?"

"É, visões. Vou passar aqui às oito para te apanhar. Não se preocupe com Charlie, eu já disse a ele que Carlisle o tinha convidado para jantar lá em casa depois que comentei sobre você com ele. Ele não se importa."

"Como eu quero respostas, sujeito-me a aguardá-la às oito então."

"Combinado, nos vemos depois." Despediu-se ela dando-me um beijo breve na bochecha.

Charlie gentilmente me cedeu seu sofá-cama na sala para que eu pernoitasse, o banheiro que dividia com Bella e só não me convidou para jantar porque ele sabia que Carlisle já o havia feito. As oito, um porshe amarelo-gema apareceu na frente da casa, e dele saiu Alice, chamando-me para que eu entrasse no carro. No caminho, conversamos animadamente sobre como era Forks e como eles foram parar lá, como eram uma família unida e feliz, e, é claro, ela não se esqueceu de contar ponto por ponto da história de amor entre Bella e Edward. Brevemente me explicou também como funcionava o dom precognitivo dela e como eu, inúmeras vezes, surgia em algumas de suas visões. Por isso ela teve que se segurar para não conversar normalmente comigo antes que fossemos formalmente apresentados, o que faria o coitado do Charlie enlouquecer. Quando entramos num ramal estreito de terra entre as árvores, ela me alertou que não estávamos longe então. E com razão, logo vislumbrei uma bela casa dentre a floresta, com vitrais grandes que deviam privilegiar o interior da casa durante o dia.

"Belíssima casa." Pontuei.

"Obrigado. Você tem que ver por dentro!" Ela disse sorrindo. "Venha, estão todos te esperando." Ela disse antes de sair do carro e dirigir-se a porta da frente.

Quando entrei, me vi em uma sala amplamente clara e bem mobiliada, com um grupo de pessoas, na sala, esperando que eu aparecesse.

"Olá Andreas! Eu sou Carlisle Cullen..." um aperto firme de mão, "e esta é minha esposa Esme" outro breve cumprimento de mão. "Estes são Emmett e Rosalie." Ele apontou para um casal ao seu lado: uma mulher belíssima de cabelos loiros e um forte homem, igualmente par em beleza, que pretensamente era seu companheiro. "Alice você já conhece... e Jasper." Ele apontou para o outro homem posto ao seu lado que também cumprimentei. "Ainda tem Edward, mas deve estar na casa da Bella a essa hora" ele disse sorrindo. "Estamos felizes de receber sua visita, que por Alice é aguardada há dias. Ela nos falou muito sobre você. Agora por que não se senta? Estou aqui para lhe esclarecer de certos aspectos importantes que você deve saber antes de se dizer oficialmente um vampiro morador de Forks." Disse educadamente.

"Eu também fico feliz em ser recebido por tão gentil clã. Confesso que nunca presenciei tal reunião em toda a minha existência. Poucos foram os que conheci ao longo do caminho que lutaram contra a sede e passaram a viver de animais. Hoje simplesmente encontro toda uma família! Fico muito feliz mesmo."

"Que bom, pois também é motivo de alegria para nós, Andreas." – disse Esme.

"Você é grego, não é? Alice comentou algo do tipo uma vez..." – Emmett comentou.

"Sim, sou grego. Vim para Forks aceitando uma oferta de emprego em uma equipe de pesquisa de biólogos que estuda as baleias nessa área. Como sou biólogo marinho, uma das minhas várias profissões, me interessei porque sempre fui apaixonado pelos sirênios. Por isso aceitei o posto de pesquisador avançado em La Push: pelas baleias."

"Entendo. Admirável, Andreas. Porém, sobre La Push... você precisa saber de uma coisa muito importante: o acordo."

"Acordo?"

"Sim. Como vivemos há muito tempo em Forks, entre idas e vindas, entre os quileutes de La Push e nós existe um acordo de paz mútua: nós não caçamos nem entramos nas terras da reserva, enquanto que eles não nos molestam se não fizermos mal a qualquer humano, coisa que nunca faremos, ou enquanto caçamos nas florestas vizinhas. Por isso Billy reagiu daquela forma quando viu você a porta da casa dele. Como chefe do conselho, ele deve se certificar que o acordo seja cumprido. Lógico que esse acordo é firmemente fiscalizado pela matilha de lobisomens que protegem a reserva. Confesso que não vejo motivos para tanta inimizade. Mas o senso de sobrevivência deles parece justificar a aversão a nossa espécie." Esclareceu Carlisle.

"Então aquelas criaturas que nos seguiam enquanto deixávamos a reserva são lobisomens?"

"Sim, são. São membros da própria tribo, descendentes dos índios ancestrais que selaram o primeiro acordo."

"Entendo. Mas como farei então se o meu ponto de observação é dentro da reserva? Eu tenho uma pesquisa a cumprir e Zeus sabe que tudo pode acontecer menos algo influenciar no meu trabalho."

"Quantos anos tem, Andreas?" –Jasper perguntou.

"Fui transformado aos 18. Hoje tenho 326 anos."

"Vejo que não é tão novo como eu imaginava."

"Não, creio que não."

"Você tem mais ou menos a mesma idade de Carlisle." – disse Emmett.

"É verdade. E bom ter outro antigo além de mim. Agora, voltando ao assunto, nós precisamos encontrar uma saída pacífica para este dilema, uma que não fira o acordo e que possibilite que você possa ficar no posto da reserva sem a interferência da matilha."

"Definitivamente. Preciso iniciar minha pesquisa o quanto antes. Se bem que não existe pressa alguma para começar o projeto, já que as baleias parecem permanecer por um bom tempo por estas águas."

"Alice disse que você tem alguns dons também Andreas, é verdade?" – Jasper perguntou-me novamente, com genuína curiosidade.

"Sim, é verdade. Sou empata e psicocinético, consigo mover o que quero com a mente. Além de tocar flauta, harpa e cantar!" – respondi sorrindo.

"Eu também sou empata. Consigo sentir os sentimentos das pessoas e incutir neles o sentimento que quero. Ajudo a Bella a se acalmar de vez em quando." Disse rindo.

"Eu vejo a aura das pessoas e leio seus sentimentos por elas. Consigo sentir o odor de cada um também quando me esforço."

"Curioso. Qual a cor de nossas auras, Andreas?" Esme perguntou.

"As auras de vampiros que vivem do sangue de animais possuem um duplo aro que circunda todo o corpo. E a luz que o corpo emana é um dourado vivo. Enquanto que a aura dos que se alimentam ainda de sangue humano, possui o mesmo duplo aro, mas a luz que o corpo emana é roxa avermelhada."

"Incrível!" Disse Alice surpresa.

"Você também disse que move as coisas com a mente. O que isso que dizer exatamente?" inquiriu Rosalie incluindo-se pela primeira vez na conversa.

"Esse dom eu carrego desde quando eu ainda era humano. Intensificou-se após a transformação. Hoje consigo desenrolar uma malha psíquica com um raio de uma milha e sentir e prender nela o que se movimentar. Também crio um escudo de ataque físico direto, algo parecido com uma redoma. E vôo projetando o poder sobre meu próprio corpo."

"Definitivamente você é uma surpresa atrás da outra, Andreas!" – concluiu Emmett "Você será muito útil durante a temporada de ursos. Lógico, se você quiser nos acompanhar é claro. Asseguro-lhe que é bastante divertido." Disse ele nostálgico.

"Se for tão divertido quanto você diz, pode contar comigo."

"Você também canta?"

"Não canto há muito tempo, mas posso assegurar-lhes que toco melhor do que canto."

"Você disse que toca harpa? Se importaria de tocar para nós? Temos uma harpa guardada.

"De maneira alguma Esme, será um prazer."

"Você pode pegá-la para nós, Emmett?" – pediu Esme.

Quando Emmett trouxe a harpa, pedi que escolhessem a melodia que queriam que eu tocasse. Esme escolheu "Claire de Lune", por ouvir tanto Edward tocá-la no piano, ela queria ouvi-la em outro instrumento. Então a toquei. Incrivelmente a harpa estava afinada de maneira impecável para uma que não era usada há anos. A melodia soou divina. Esme e Rosalie estavam maravilhadas.

"Bravo! Maravilhoso, realmente maravilhoso." Disse Carlisle batendo leves palmas. "Andreas, você é sempre bem-vindo a nos visitar sempre que quiser. Você é o nosso mais novo vizinho e como tal ficamos felizes em lhe ajudar no que precisar. A propósito, nos sentiríamos privilegiados se você pudesse comparecer ao casamento de Edward com Bella amanhã. Eu sei que você deve estar se perguntando como um vampiro vai casar com uma humana. Nós também tivemos nossos receios – ele olhou de relance para Rosalie – mas sempre acreditando no amor deles. Hoje vemos este amor se concretizando em algo maior. Gostaríamos de compartilhar isso com você."

"Se um amor foi forte o bastante para unir os dois de tal forma, fico eu mais do que honrado de comparecer a este matrimônio. Contem com a minha presença. Agradeço gentilmente o convite."

"Andreas já viu até o vestido, Esme!" Alice soltou.

"Foi sem querer! Eu bati na porta do quarto e quem veio abrir foi a Bella trajando o vestido!" desculpei-me divertido.

"Agora só me faça o favor de não pensar no vestido enquanto estiver perto do Edward! Ele lê a mente dos outros e se ele imaginar como o vestido é antes de vê-lo em Bella a caminho do altar, diga adeus a sua vida!" Ela sorriu, deixando o aviso implícito.

"Pelo apego que tenho a essa vida, que me é a única, não pensarei!" Sorri de volta, selando o compromisso. Alice com certeza seria uma grande amizade a cultivar. "Agora eu preciso ir, creio que seria por demais abusivo chegar muito tarde à casa de Charlie. Não quero incomodá-lo mais do que já estou. Agradeço pela agradável noite e por ser bem-vindo a sua casa, Carlisle."

"Nós é que agradecemos o prazer da sua companhia, Andreas, foi uma noite maravilhosa."

"Alice, creio que posso ir até a casa de Charlie sozinho. Memorizei o caminho quando viemos. Foi um prazer conhecer todos. Até logo."

Sai da casa dos Cullens certo de que Forks a princípio podia não parecer o lugar mais perfeito do mundo para mim, mas definitivamente as coisas estavam começando a melhorar. Poderia eu começar a sonhar em encontrar um amor tão forte quanto o de Bella e Edward que se casariam no dia seguinte, contrariando até os tabus da vida? Quem sabe eu não pudesse me dar esse luxo de sonhar...

Continua...


Nota da autora: Gente, eu sei que vocês devem ter me amaldiçoado até a quinta geração por eu te demorado praticamente sete meses pra trazer a vocês esse terceiro capt. Mas rogo-lhes que não me odeiem. Aconteceram muitas coisas em minha vida desde então, e ficou meio difícil escrever tentando fazer duas faculdades, cuidar da vida e tudo o mais. Então só posso pedir desculpas e não prometer, mas dizer que isso não ocorrerá novamente. Tenho o intuito de fazer essa fic ser lida e ela será. Reviews pipocarão por ela! Rsrs Quando escrevi esse capítulo, me deu um pequeno bloqueio porque eu não conseguia a todo custo desencalhar de onde eu parei, então resolvi mudar totalmente o caminho que a fic seguia: ela, portanto, deixa hoje de ser "Pós-BD" para ser "Totalmente BD" ok? Estou oficialmente inserindo Andreas no último livro, só pra não deixar meu Seth fofo sozinho e chupando o dedo, fora que ele será muito importante na trama do livro original, pq farei algumas pequenas alterações que a tornarão mais TUDO do que ela já é. Stephy que me perdoe... sahaushuahs

Gostaria de agradecer primordialmente a minha amiga Nathsnape, que gentilmente se ofereceu para betar a minha fic: muito obrigado âmika! Juntas faremos a fic bombar! E obrigada pela review ta. Adorei. Bêjomechamaatençãonomsn XD

Agora agradecimento aos pioneiros, os únicos que me deixaram review no capt passado (fora a amiga nath):

Lee Magrok:Quem bom que você gostou do Andreas! Ele é adoravelmente fofo, acredite. Eu me delicio sempre que escrevo sobre ele. Ele é meu tesouro. Rsrs E eu também odeio fics com muito diálogo e pouca "história", talvez por isso a minha seja assim tão rica em detalhes. Costumo brincar que ela é quase "palpável"! hauhaus Espero que tenha gostado desse capt três, já que estamos perto do encontro tão esperado. Continue lendo, pois muitas águas rolaram por debaixo desta ponte... Bjabraço!

Jac Vela-Negra:Ai que bom que você gostou da fic! Eu estava preocupada que não tivesse ninguém lendo ela, mas daí vc me deixou minha primeira review e eu adorei! E ainda por cima, fez propaganda me trazendo a Lee, bjoteadoro! Gostou do capt?! Espero que sim. Prometo que logo logo os dois fofos dessa fic irão se encontrar. Andreas já está em Forks, falta só o Seth saber disso... Rsrs Bjabraço!

Nota da beta: Sua chamada está sedo encaminhada para a caixa de mensagens e estará sujeita a cobranças após o sinal! REVIEWS! Parênteses da Gê: A amiga Nath não pôde deixar a usual nota que sempre deixa ao final dos capts que beta, por motivos justificáveis. No entanto, já fez um ótimo trabalho betando o capt todo, so... thanks âmika!